ANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Relatório da UNESCO sobre Monitoramento Global da Educação 2019

Anualmente, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lança seu Relatório de Monitoramento Global da Educação*. Neste ano (2019), o documento analisa questões relativas à aplicação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Nº 4 da Agenda 2030 das Nações Unidas.

O referido objetivo visa “assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. Assim, o Relatório de 2019 recebeu como compromisso debater “Migração, deslocamento e educação: construir pontes, não muros”, justamente porque a comunidade internacional finalizou dois importantes pactos: o Pacto por uma Migração Ordenada, Regular e Segura; e o Pacto Global sobre Refugiados.

O argumento sustentado pelo texto é de que incluir migrantes e refugiados nas mesmas escolas da população local seria um ponto de partida em busca da coesão social. Porém, este processo acaba prejudicado pelo formato das aulas e pela língua na qual elas são ministradas, como também por discriminação e falta de adaptação dos currículos para abranger as necessidades desses indivíduos.

Destaca-se também que este documento é elaborado por uma equipe independente autorizada pela UNESCO e, sobretudo, está alinhado à Declaração de Incheon e ao seu Marco de Ação. Esta equipe foi composta por migrantes internacionais, sendo que quatro de seus membros são filhos de refugiados. Desta maneira, a responsabilidade do material é estritamente informar sobre estratégias nacionais e internacionais para ajudar todos os parceiros na revisão e no acompanhamento dos ODS.

Em relação a um diagnóstico global sobre a educação, as estimativas são alarmantes: 262 milhões de crianças e jovens ainda não frequentam a escola; 617 milhões não sabem ler nem realizar operações matemáticas básicas; menos de 40% das meninas na África Subsaariana concluem os anos finais do ensino fundamental, e algo em torno de 4 milhões de crianças e jovens refugiados estão fora da escola.

Dados de 2016 apontam que o gasto público médio com educação foi de 4,6% do PIB, acima do parâmetro mínimo de 4% especificado no Marco de Ação da Educação 2030; por região, ele variou de 3,6%, no Sudeste e Sul Asiáticos, até 5,3%, na América Latina e Caribe. A parcela média do gasto público total dedicado à educação foi de 14%, abaixo do parâmetro mínimo de 15%, com as taxas regionais variando de 11,3%, na Europa e na América do Norte, até 19,1% na América Latina e Caribe.

As principais fontes de financiamento são os governos, os doadores e as famílias. A partir de análises específicas para o Relatório, estima-se que o gasto anual para o setor no mundo é de US$ 4,7 trilhões (R$ 17,2 trilhões, aproximadamente)**. Destes, US$ 3 trilhões (por volta de R$ 10,98 trilhões – 65% do total)** são gastos em países de renda alta, e US$ 22 bilhões (em torno de R$ 80,47 bilhões – 0,5% do total)** em países de renda baixa, embora os dois grupos tenham aproximadamente a mesma quantidade de crianças em idade escolar.

Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de janeiro como Dia Internacional da Educação

No entanto, a falta de educadores é uma realidade em todos os ambientes de deslocamento. A título de ilustração, a matrícula de todas as crianças sírias na Turquia demandaria cerca de 80 mil novos docentes; na Alemanha, são necessários 18 mil educadores e 24 mil docentes a mais; e em Uganda precisa-se de 7 mil docentes primários extras para a educação de refugiados.

Além disso, determinar o status educacional dos deslocados é um desafio. Para tanto, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estimou que as taxas de matrícula dos refugiados eram de 61% na escola primária e 23% na secundária. Em países de renda baixa, as taxas ficavam abaixo de 50% na educação primária e 11% na secundária. Mundialmente, cerca de 4 milhões de refugiados de 5 a 17 anos estavam fora da escola, em 2017.

Com este compilado de dados, a proposta do Relatório é promover a discussão e a troca de melhores práticas de inclusão entre os países que compõem o sistema. Por fim, elencam-se – para conhecimento – algumas de suas recomendações:

  • 1) O princípio da não discriminação na educação é reconhecido em convenções internacionais. Barreiras discriminatórias, como exigência de certidão de nascimento, deveriam ser explicitamente proibidas nas leis nacionais.
  • 2) Os países com grandes fluxos de entrada de imigrantes e refugiados precisam coletar dados sobre essas populações em sistemas de gestão de informações para ajustar seus planos e seus orçamentos de acordo com tais fluxos. Oferecer vagas em escolas ou oportunidades de trabalho para migrantes e refugiados é apenas o primeiro passo para a sua inclusão.
  • 3) São necessários mecanismos mais simples, baratos, transparentes e flexíveis para reconhecer as qualificações acadêmicas e as habilidades profissionais (incluindo as dos docentes) de migrantes e refugiados para recuperar aprendizados anteriores que não foram validados ou certificados.

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Nota:

* O Relatório da UNESCO sobre Monitoramento Global da Educação 2019 pode ser conferido na íntegra.

** Conforme a cotação Dólar-Real, consultada em 1o de fevereiro de 2019, que apresenta a seguinte relação: US$ 1.00 = R$ 3,65770.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Relatório de Monitoramento Global da Educação 2019 UNESCO”(Fonte): https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000265996_por

Imagem 2Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de janeiro como Dia Internacional da Educação” (Fonte): https://en.unesco.org/commemorations/educationday

ANÁLISES DE CONJUNTURAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Primeiro Relatório da ONU sobre Deficiência e Desenvolvimento

(…) Deficiência é um conceito em evolução e que resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas (…)”.

O trecho em destaque trata-se de um dos preceitos constituintes da Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Deficiência.

Tendo o referido fragmento em mente, em dezembro de 2018, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou seu primeiro Relatório sobre Deficiências e Desenvolvimento, como mais um de seus esforços na integração de todos os membros dos diversos povos. No mundo, existem mais de 1 bilhão de indivíduos com algum tipo de deficiência e o objetivo deste documento é refletir sobre alternativas para que as sociedades sejam mais inclusivas, independentemente de sua posição geográfica.

Durante as últimas três décadas, a agenda das Nações Unidas vem garantindo especial atenção às necessidades e aos direitos dessas pessoas. A título de ilustração, a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi adotada em 2006 e seu Protocolo Facultativo entrou em vigor em 3 de maio de 2008.

Além disso, evidencia-se que a falta de estatísticas contribui para a invisibilidade do tema. Logo, há um obstáculo a ser superado no que tange ao planejamento e à promoção de políticas públicas que visem à melhoria da qualidade de vida de todos os integrantes de uma população.

O custo de vida das Pessoas Com Deficiência (PCD) aumenta em cerca de um terço da renda, em média. Estima-se que, aproximadamente, 12% da população da América Latina e do Caribe tem alguma deficiência, porcentagem que equivale a 70 milhões de pessoas.

Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), coletados a partir da informação censitária de 18 países, entre a população da região prevalecem as limitações visuais e de mobilidade, seguidas pelas deficiências de audição e da fala (na América Latina) e pelas dificuldades relacionadas com as funções mentais e a destreza (no Caribe).

Em relação à infância, no mundo, 150 milhões de crianças têm alguma deficiência (UNICEF). Nessa perspectiva, afirma-se como mais um obstáculo o acesso à educação inclusiva já que completar a escola primária é um desafio maior para crianças nos países em desenvolvimento, apenas 45% (meninos) e 32% (meninas), enquanto nos países desenvolvidos a incidência é de 60% (ambos os sexos).

Salahdin Abdurrahman Khissan, de 17 anos, caminha em Darfur. O jovem estuda Psicologia na universidade. Foto: ONU/Albert Farran

O Relatório da ONU de 2018 busca reunir informações dos diferentes países do globo compatíveis com a realidade das pessoas com deficiência, no intuito de promover mecanismos que possibilitem a concretização da Agenda 2030 e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Ao longo do texto, em síntese, apresentam-se alguns dos seguintes registros:

  • Existem poucos dados desagregados sobre a relação pobreza x deficiências. Portanto, a partir do material disponível, identificou-se que a proporção de PCD’s abaixo da linha nacional ou internacional de pobreza é alta e em alguns países atinge o dobro do número de pessoas sem essa especificidade;
  • Com relação aos programas de proteção social, pelo menos 168 países possuem esquemas de benefícios periódicos em dinheiro para PCD’s, em prol de auxiliá-los. No entanto, em alguns países, 80% dessas pessoas não possuem acesso a serviços de bem-estar social;
  • Pessoas com deficiência têm 3x menos oportunidades de ter acesso a atendimentos de saúde quando necessitam;
  • 29% dos partos de mulheres com deficiência não são acompanhados por um profissional especializado;
  • 22% das mulheres com deficiência casadas não possuem acompanhamento para planejamento familiar. Logo, estão expostas a índices elevados de infecções sexualmente transmissíveis, como HIV/AIDS e gestações indesejadas;
  • 54% de PCD’s são alfabetizados versus 70% das pessoas que não possuem esta condição, enquanto 10% dessas pessoas não foram aceitas em escolas por conta de sua deficiência;
  • 41% dos países do sistema ONU disponibilizam nas escolas materiais apropriados para suporte e inclusão de estudantes com deficiências;
  • Apenas 69% dos banheiros públicos são acessíveis para cadeirantes. Em 17 países, menos de 50% dos lares de PCD’s têm acesso à eletricidade;
  • Em 22 países as Constituições nacionais explicitamente garantem o direito ao trabalho para pessoas com deficiência. Em 100 países há o sistema de cotas (1% a 15%) para contratação dessas pessoas com os mesmos direitos e obrigações dos demais funcionários;
  • Em alguns países, mais de 50% das pessoas com deficiência sofreram com preconceito e discriminação. Apenas 36% dos países não possuem restrição legal para casamentos; 13% não possuem restrição para voto; e 9% para ser eleito a cargo público;

Com este compilado de dados, a proposta do Relatório é promover a discussão e a troca de melhores práticas de inclusão entre os países que compõem o sistema ONU. Assim, faz-se necessário atentar para o cotidiano e identificar possibilidades de mudanças simples e, no entanto, fundamentais a esta minoria pouco observada.

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Fontes das Imagens:

* O Relatório da ONU sobre Deficiências e Desenvolvimento pode ser conferido na íntegra (em inglês).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pessoas com deficiência na Libéria participam de maratona de 10 quilômetros. Foto: UNMIL/Staton Winter” (Fonte): https://nacoesunidas.org/primeiro-relatorio-da-onu-sobre-deficiencias-e-desenvolvimento-aponta-lacunas-na-inclusao/amp/

Imagem 2Salahdin Abdurrahman Khissan, de 17 anos, caminha em Darfur. O jovem estuda Psicologia na universidade. Foto: ONU/Albert Farran” (Fonte): https://nacoesunidas.org/onu-pede-participacao-das-pessoas-com-deficiencia-na-vida-politica-social-e-cultural/

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Mais de 2,1 milhões de pessoas vivem com HIV na AL

O HIV trata-se de uma sigla para o Vírus da Imunodeficiência Humana. Este vírus pode desencadear a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Portanto, deve-se destacar que uma pessoa com HIV não necessariamente possui AIDS, já que a referida síndrome ocorre quando não se realiza o tratamento por antirretrovirais adequadamente.

Nesse sentido, quando não há o controle, o HIV afeta e destrói células específicas do sistema imunológico (Células CD4 ou Células T), tornando o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças. A única forma de se detectar o HIV, de maneira confiável, é por meio do teste.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lançou em dezembro deste ano (2018) a plataforma online“Deu positivo, e Agora?” (deupositivoeagora.org). A iniciativa conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Comunicação (UNESCO) e tem como principal objetivo mostrar que o tratamento, quando iniciado precocemente e seguido corretamente, permite melhor qualidade de vida à pessoa infectada.

Não há cura para o HIV, no entanto, estudos científicos já comprovaram que a adesão ao tratamento antirretroviral pode levar a um nível chamado indetectável”. Logo, deixa de ser transmitido a outras pessoas.

Campanha Governo do Estado do Rio Grande do Sul em apoio ao Dezembro Vermelho. Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Em se tratando da incidência de HIV na América Latina e Caribe, mais de 2,1 milhões de pessoas são acometidas pela doença. Desse grupo, 1,6 milhão (76%) sabem que tem o vírus.

Essas estimativas foram divulgadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e também revelam uma queda de 12% das mortes relacionadas à AIDS ao longo do período 2010-2017. No Caribe, o índice foi ainda mais alto, 23%.

A taxa de novas infecções na região latino-americana permanece inalterada em cerca de 100 mil por ano. A maioria das novas infecções ocorre entre gays, profissionais do sexo e seus clientes, mulheres transexuais e pessoas que fazem uso de drogas injetáveis.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Dezembro Vermelho Mês de ações de prevenção e combate a AIDS. Fonte: UNAIDS” (Fonte):

https://unaids.org.br/2018/12/acoes-do-unaids-no-brasil-durante-o-dezembro-vermelho-2018/

Imagem 2 Campanha Governo do Estado do Rio Grande do Sul em apoio ao Dezembro Vermelho. Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul” (Fonte):

http://www.saude.rs.gov.br/zero-discriminacao-as-pessoas-vivendo-com-hiv-aids-e-tema-de-campanha-publicitaria-e-seminario-no-rs

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Manual internacional para combater a resistência de bactérias a antibióticos

A “resistência antimicrobiana”* tem como principais causas a automedicação e o uso indevido de antibióticos e outros medicamentos. Nesse sentido, caracteriza-se o fenômeno pelo desenvolvimento de superbactérias em que os medicamentos se tornam limitados no combate das doenças.

Outros fatores associados ao agravamento da referida resistência em âmbito mundial são: programas de prevenção e controle de infecção inexistentes ou insuficientes; baixa qualidade de medicamentos; vigilância inadequada e regulação insuficiente quanto ao uso de antimicrobianos. Estima-se que, a cada ano, 700.000 pessoas morram em decorrência de cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns** presentes em casos como HIV, tuberculose e malária.

Profissionais de saúde. Foto: ANVISA

Para enfrentar essa situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em 2015, o Plano de Ação Global em Resistência a Antimicrobianos. Neste documento, sintetiza-se a abordagem de uma “Saúde Única” (One Health) por orientar o envolvimento multissetorial para o enfrentamento ao problema global.

As frentes de atuação deste plano são: conscientizar a sociedade e os profissionais sobre o uso adequado de antimicrobianos; promover melhores condições de saneamento básico; incentivar a descoberta de vacinas, novos antimicrobianos ou alternativas terapêuticas; e desenvolver pesquisas para melhor entender esses micro-organismos e sua distribuição no país.

Além do risco de aumento da mortalidade em função da ineficácia medicamentosa, os impactos indiretos relacionam-se, especialmente, às perdas econômicas por conta da queda de produtividade global. Estima-se, desta forma, um prejuízo de 100 trilhões de dólares (387 trilhões de reais) até 2050.

Na América Latina, as intervenções de manejo antimicrobiano foram coordenadas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e por outras organizações dedicadas à temática, por meio da obrigatoriedade de apresentação de prescrições médicas. Após a implantação desse regulamento no Chile (1999), na Colômbia (2005), no Brasil*** e no México (2010), não foram detectados aumentos nas admissões clínicas relacionadas a infecções bacterianas, o que aponta para a eficácia da medida.

Recentemente, a OPAS lançou um Manual**** com orientações práticas sobre a prescrição e uso desses medicamentos voltado para autoridades, gestores e profissionais de saúde. Assim, reforça as iniciativas regionais para combater este problema sanitário.

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Nota:

* Expressão de acordo com o Manual da OMS e com dados da ANVISA. A referida resistência é justamente aos agentes que combatem os micróbios.

** As “cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns” consta na aba “Profissionais de Saúde” da ANVISA e, certamente, refere-se as bactérias comuns que acompanham estas doenças, uma vez que, por exemplo, o HIV se trata de um retrovírus, pertencente ao gênero Lentivirus.

*** Folheto do Ministério da Saúde brasileiro sobre uso consciente de antibióticos pode ser lido neste link.

**** OPAS: Manual para combater a resistência de bactérias a antibióticos (em inglês) pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Consumo excessivo e inadequado de antibióticos aumenta a resistência de bactérias a esses medicamentos. Foto: PEXELS” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/opas-lanca-manual-para-combater-resistencia-de-bacterias-a-antibioticos/

Imagem 2 Profissionais de saúde. Foto: ANVISA” (Fonte):

http://portal.anvisa.gov.br/antibioticos/profissionais

                                                                             

NOTAS ANALÍTICASSAÚDE

Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina 2018

Pela primeira vez, quatro agências do sistema das Nações Unidas – a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) – uniram esforços para publicar um abrangente Panorama sobre a segurança alimentar e nutricional da América Latina. Lançado em 7 de novembro (2018), o relatório completou uma década de análise de dados sobre redução da fome e subnutrição em todas as suas formas, consolidando-se como o principal instrumento para a formulação de políticas relacionadas ao tema.

O principal tópico analisado nesta edição é a desigualdade, considerada como desafio fundamental para a região alcançar os objetivos postulados na Agenda para Desenvolvimento Sustentável de 2030. Assim, os dados apontam o aumento da migração, o crescimento das taxas de pobreza e a consequente deterioração das estimativas de fome que afeta, atualmente, 39,3 milhões de pessoas como reflexos da contração econômica, do conflito político em alguns países e do incremento dos desastres naturais.

Desde 2014, Argentina, Bolívia e Venezuela registraram aumentos na desnutrição, sendo o pior cenário vivenciado pelos 600 mil venezuelanos que ficaram sem ter o que comer ao longo do período 2014-2017. Portanto, configura-se a Venezuela como um dos Estados com o índice mais alto de subnutrição da América Latina e Caribe — são 3,7 milhões, ou 11,7% da população, em situação de insegurança alimentar.

No que se refere à subnutrição, Colômbia, República Dominicana, México e Haiti diminuíram seus índices nos últimos três anos, sendo as únicas quatro nações da região que conseguiram reduzir o problema continuamente desde 2014. Por outro lado, Brasil, Cuba e Uruguai são as três nações da região com porcentagens de fome abaixo de 2,5% de sua população. Nesse sentido, o Panorama sintetiza os principais problemas dos países latino-americanos no quadro abaixo:

Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018

Também, na América Latina, 19 milhões de mulheres (8,4%) passam fome, em comparação com 15 milhões de homens (6,9%). A anemia entre o público feminino em idade fértil, por exemplo, afeta aquelas que têm menos recursos financeiros. Por outro lado, em todos os países da região, a taxa de obesidade das mulheres adultas é maior que a dos homens.

Por fim, em se tratando das diferentes formas de má nutrição (estritamente, fome e sobrepeso), isso têm maior impacto sobre as pessoas de baixa renda, povos indígenas, afrodescendentes e famílias rurais que muitas vezes optam por produtos com alto teor de gordura, açúcar e sal, justamente aqueles que possuem preços mais baixos. A obesidade, portanto, se tornou a maior ameaça nutricional na América Latina e no Caribe, atingindo 3,6 milhões de pessoas.

Segundo o Panorama, o sobrepeso afeta 7,3% (3,9 milhões) de crianças menores de 5 anos de idade, um número que excede a média mundial de 5,6%. Também identifica que aquelas oriundas de famílias pobres sofrem três vezes mais nanismo.

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Nota:

* O Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018 (em espanhol) pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Segundo o Panorama, as populações indígenas da região sofrem maior insegurança alimentar do que as populações não indígenas. © FAO / Jules Tusseau” (Fonte):

http://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/1162212/

Imagem 2 Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018 (FAO)” (Fonte):

https://www.slideshare.net/FAOoftheUN/panorama-de-la-seguridad-alimentaria-y-nutricional-en-amrica-latina-y-el-caribe-2018

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

OIM lança campanha contra xenofobia a venezuelanos no Peru

Recentemente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciaram que o número de refugiados e migrantes oriundos da Venezuela já atingiu 3 milhões de pessoas no mundo todo. Os países da América Latina e do Caribe abrigam cerca de 2,4 milhões, enquanto as outras regiões receberam o restante.

A campanha foi lançada em outubro (2018) em Lima, cidade que mais recebeu venezuelanos no Peru. Foto: OIM

Desse total, mais de 500 mil venezuelanos chegaram ao Peru desde 2016 e mais de 150 mil pediram status de refugiado. Entre 2017 e 2018, por meio da Permissão Temporária de Permanência (PTP), 108 mil migrantes foram regularizados. A cidade de Lima recebeu o maior volume das famílias, seguida pelos municípios Tumbes (fronteira com Equador) e Tacna (fronteira com o Chile). Diariamente, estima-se a chegada de outras mil e duzentas pessoas.

A partir do ingresso massivo de migrantes, constatou-se como resposta o recrudescimento da xenofobia pelos peruanos. De acordo com a Matriz de Acompanhamento de Deslocados da OIM, inaugurada em Lima este ano (2018), 24,4% dos venezuelanos entrevistados declararam ter sido discriminados, sendo 88,6% dos casos relacionados à sua nacionalidade. Os lugares em que enfrentaram este tipo de preconceito foram na maioria locais públicos (58%) e no ambiente de trabalho (36,1%).

Com o intuito de combater novos casos de discriminação e desenvolver o reconhecimento de solidariedade entre os povos desenvolveu-se a campanha “Sua Causa é Minha Causa” pelos organismos das Nações Unidas, notadamente ACNUR e OIM.

Nesse contexto, peruanos e venezuelanos são convidados a interagirem por meio de atividades e ferramentas a fim de construírem um futuro juntos. Estes esforços são realizados com o apoio de agências da ONU e de diversas Organizações da Sociedade Civil (OSCs) a fim de reduzir os riscos de marginalização e radicalização entre a população local, migrantes, refugiados e solicitantes de asilo. A campanha, em espanhol “Tu causa es Mi causa”, pode ser conferida neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Indígenas venezuelanos em abrigo. Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/onu-numero-de-refugiados-e-migrantes-venezuelanos-chega-a-3-milhoes/

Imagem 2 A campanha foi lançada em outubro (2018) em Lima, cidade que mais recebeu venezuelanos no Peru. Foto: OIM” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/onu-lanca-campanha-de-combate-a-xenofobia-contra-venezuelanos-no-peru/