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O Ocidente e a ascensão científico-tecnológica da China

Com o aumento das tensões envolvendo a atuação de multinacionais chinesas em mercados ocidentais, sobretudo a Huawei e a ZTE, multiplicaram-se, igualmente, nas últimas semanas, os questionamentos sobre a ascensão científica e tecnológica do país asiático e suas consequências para a ordem internacional contemporânea.

De acordo com especialistas, o recente pouso da sonda Chang’e 4 no “lado escuro da Lua, além de ser um acontecimento pioneiro para o mundo científico, também é um fato representativo da crescente ambição protagonizada pelo país asiático nos últimos anos no âmbito da política global.

Deve-se destacar que a chegada dos chineses no outro lado da lua é apenas um dos inúmeros avanços alcançados pelo país recentemente. Conforme destaca reportagem de capa da revista The Economist, desde a crescente qualidade de suas publicações acadêmicas, passando por iniciativas eticamente questionáveis – como a edição genética de embriões realizada pelo pesquisador He Jiankui –, indo até a construção do maior telescópio do mundo, o governo chinês tem investido maciços recursos financeiros e humanos para transformar o país em uma referência mundial no âmbito científico.

Comunicação com a sonda Chang’e 4

Pode-se afirmar que essas iniciativas possuem uma associação com a política de poder global colocada em prática pela China, conforme assevera o periódico britânico: “a China está interessada em demonstrar tais sinais de preeminência (…). Ela quer que o mundo e seu próprio povo saibam que o país é uma potência global – que ostenta não apenas uma economia titânica, mas a influência geopolítica e o poderio militar a combinar, por meio das diferentes formas de poder, um passado histórico e um futuro glorioso”.

No que tange ao desenvolvimento tecnológico, Johnny Horn, presidente da incubadora Global Group, assevera que “a China está se consolidando como líder global em tecnologia”. Assim, em setores como o mercado de empresas fintech, de inteligência artificial, e de redes sociais, especialistas afirmam que as iniciativas chinesas têm demonstrado pioneirismo e originalidade, focando em serviços ainda pouco explorados pelas empresas ocidentais, como o mercado de pagamentos por meio de dispositivos móveis.

Uma outra característica associada às companhias chinesas de tecnologia consiste na concentração de vários serviços em uma mesma plataforma, de acordo com a afirmação do professor James Crabtree, da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew de Singapura: “o que elas [as empresas chinesas] conseguiram fazer é construir esses grandes ecossistemas que se alimentam mutuamente (…). Uma vez que você reúne todas essas coisas em um só lugar, as pessoas começam a pensar no WeChat de certa forma como a própria internet, é o lugar para o qual você vai para resolver quase tudo”.

Especialistas afirmam que, com os avanços tecnológicos protagonizados por essas corporações e as restrições para a atuação de companhias ocidentais no país asiático, por meio de barreiras como o chamado “Grande Firewall da China”, esses empreendimentos passaram não só a dominar o amplo mercado interno no país, mas também a buscar, crescentemente, presença operacional em outras partes do mundo.

Pode-se afirmar, portanto, que foi esse processo de internacionalização que ensejou as recentes tensões envolvendo a Huawei, os governos dos Estados Unidos e de demais países próximos aos estadunidenses, sobretudo devido a questionamentos associados à competição mercadológica e à cibersegurança.

Sede da Lenovo na China

Analistas têm afirmado que tais tensões tendem a aumentar e a envolver outras multinacionais chinesas, como, por exemplo, a Lenovo, devido ao grande crescimento da sua área de servidores, que podem, portanto, fazer com que os países que adotem os serviços oferecidos por ela passem a ser vulneráveis aos interesses de Beijing.

Deve-se destacar, no entanto, que a rivalidade entre Ocidente e as empresas da potência asiática não envolve apenas a competição por mercados ou questões de segurança cibernética. Lynette Ong, especialista em China e professora na Universidade de Toronto, considera que “o conflito entre os Estados Unidos e a China não é apenas uma competição pela capacidade econômica ou pelo poder tecnológico, mas também um choque sobre valores – se o poder do governo deve ser contido, se a dissidência é tolerada e se os cidadãos estão preparados para abandonar a liberdade individual pela busca do bem comum, conforme explicitada pelos que estão no poder”.

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Nota:

* Referência ao Governo da China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Telescópio FAST” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Five_hundred_meter_Aperture_Spherical_Telescope#/media/File:FastTelescope*8sep2015.jpg]

Imagem 2 Comunicação com a sonda Change 4” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Chang%27e_4#/media/File:20180912_6258TPS-TPR-2018Q3-18-09-04-p14legacy.png

Imagem 3 Sede da Lenovo na China (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Lenovo#/media/File:Lenovo_western_headquarters_(20170707113944).jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

As deepfakes e seus perigos para a Democracia

As deepfakes podem ser entendidas como manipulações digitais de áudio e de vídeo altamente realistas e, por conseguinte, difíceis de serem detectadas. Associadas ao contexto da crescente relevância política de fenômenos como as fake news e a noção de pós-verdade, essas manipulações de mídia geralmente são concebidas como o próximo estágio no aprofundamento das possibilidades de deturpação da realidade por meio de iniciativas de desinformação.

Ainda que as deepfakes possam ser utilizadas em diferentes áreas e situações, analistas afirmam que são nos âmbitos da política e das relações internacionais que essas manifestações podem se mostrar mais assustadoras, podendo ser responsáveis por incitar a violência, corromper as instituições, difamar os governantes e, até mesmo, alterar os resultados de eleições.

Hany Farid, professor de ciências da computação na Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, afirma que, com essas manipulações, torna-se possível fazer qualquer pessoa aparecer em um vídeo falando exatamente aquilo que o criador desse conteúdo deseja.

As Raízes das Fake News

Por sua vez, Matt Turek, chefe do programa de computação forense da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, assevera que

manipulações que exigiam recursos em nível de Estado, o trabalho conjunto de várias pessoas e recursos financeiros significativos agora podem ser feitas em casa”, e por “um único indivíduo”.

Vídeo criado por um partido político belga no qual o
presidente norte-americano Donald Trump
advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris

Essa proliferação tecnológica fez com que, em 2018, algumas manipulações ganhassem repercussão, ainda que amadoras, como o vídeo criado por um partido político belga no qual o presidente norte-americano Donald Trump advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris. Ainda que os criadores do vídeo tenham acreditado que a precariedade do mesmo faria com que a audiência não fosse ludibriada, o fato de que algumas pessoas acreditaram na manipulação suscitou o debate de que as deepfakes não precisam ser indetectáveis ou mesmo convincentes para serem legitimadas e causarem algum tipo de dano.

Nesse sentido, especialistas afirmam que essa proliferação tecnológica será particularmente útil para atores não estatais, como agrupamentos terroristas e grupos insurgentes, que, historicamente, encontram dificuldades para custear a produção e a disseminação de conteúdo falso em larga escala.

Deve-se destacar, por fim, que os analistas reconhecem que um dos principais perigos das deepfakes é o que tem sido chamado de “lucro do farsante”, ou seja, com o aumento da descrença generalizada devido a essas manipulações de mídia, torna-se mais provável que, mesmo acontecimentos verídicos passem a ser desacreditados por parte dos envolvidos, prejudicando, assim, a transparência e, por conseguinte, as próprias instituições democráticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Repórteres com vários tipos de notícias falsas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 As Raízes das Fake News”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_roots_of_%27fake_news%27.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Estudo defende ação global contra as botnets

Em publicação recente, os pesquisadores Jason Healey e Robert Knake defendem a necessidade da implementação de uma ação global contra as botnets. Em relação ao seu conceito, no âmbito da cibersegurança, o termo bots é concebido como uma abreviação de robot, nesse sentido, “os criminosos distribuem um software mal-intencionado (também conhecido como malware) que pode transformar seu computador em um bot (também conhecido como zumbi). Quando isso ocorre, o computador pode executar tarefas automatizadas via Internet sem que você saiba”.

Representação de uma botnet

Por sua vez, em relação às botnets, “os criminosos costumam usar bots para infectar grandes quantidades de computadores. Esses computadores formam uma rede, ou uma botnet. Os criminosos usam botnets para enviar mensagens de spam, disseminar vírus, atacar computadores e servidores e cometer outros tipos de crimes e fraudes. Se o seu computador se tornar parte de um botnet, ele poderá ficar lento e você talvez esteja ajudando tais criminosos sem que o saiba”.

Os pesquisadores afirmam que, no âmbito da política internacional, a infecção dessas redes pode ser instrumentalizada por agentes governamentais com o objetivo de controlar a liberdade de expressão ao redor do mundo, por meio, por exemplo, de ataques de negação de serviço, impossibilitando, dessa forma, o acesso a determinados sites ou até mesmo ao sistema de redes de comunicação de um determinado país.

Os estudiosos destacam que, ao longo de 2017, os principais Estados atacados por bots ao redor do mundo foram: China, Índia, Brasil, Irã, Vietnã e Rússia. Por sua vez, as principais fontes identificadas desses ataques foram: Alemanha, China, Estados Unidos, Egito, Índia e Turquia. 

Devido ao seu alcance global, conforme Healey e Knake, a comunidade internacional precisa adotar duas medidas fundamentais. A primeira consiste em estabelecer uma meta ambiciosa, ainda que a mesma seja quase impossível de ser cumprida, como reconhecem os próprios pesquisadores. Essa meta consistirá na iniciativa de zerar por completo a atividade dos bots e, por conseguinte, das redes criadas por esses softwares.

A segunda ação, conforme defendem os pesquisadores, consistiria em aumentar o espaço de ação e a responsabilidade de as empresas privadas combaterem esses elementos de desestabilização da internet ao redor do mundo. Nesse sentido, Healey e Knake asseveram que “as empresas privadas, que têm maior a probabilidade de serem vítimas dessas ações, são as mais adequadas para combatê-las. Embora caiba ao governo a responsabilidade de prender os criminosos, a maioria das ações necessárias para remover as botnets e limpar o ecossistema que as sustenta podem ser desempenhadas pelos atores privados”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da rede de cabos submarinos ao redor da Terra” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet#/media/File:Submarine_cable_map_umap.png

Imagem 2 Representação de uma botnet” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Botnet#/media/File:Botnet.svg

                                                                                    

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Assembleia Geral da ONU aprova resoluções sobre a atuação estatal no ciberespaço

No dia 8 de novembro, o Comitê sobre Desarmamento e Segurança Internacional da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou duas Resoluções que objetivam estabelecer regras gerais para a atuação estatal responsável no ciberespaço. De acordo com Ion Jinga, presidente do Comitê, ao comentar a responsabilidade dos Estados participantes nesse tema, “o desarmamento e a segurança internacional estão nas suas mãos e as suas ações como Estados-Membros resultam em consequências que todos devemos enfrentar”.

Ion Jinga, Presidente do Primeiro Comitê da AGNU

Uma das Resoluções, patrocinada pelo governo dos Estados Unidos, cria um Grupo de Peritos Governamentais, a ser estabelecido em 2019, cujo objetivo consiste em promover entendimentos e padrões de comportamento responsáveis para os Estados no ambiente virtual. Ademais, esse grupo de especialistas deverá estudar como os Estados podem aplicar o direito internacional para regulamentar o uso das tecnologias da informação e da comunicação ao redor do mundo.

a segunda Resolução, apoiada pelo governo russo, cria um grupo de trabalho no âmbito da Assembleia Geral para que sejam revisadas as normas já elaboradas, contidas nos relatórios do existente Grupo de Peritos Governamentais sobre Desenvolvimentos no Campo da Informação e Telecomunicações no Contexto da Segurança Internacional. Essa nova equipe, criada pela Resolução recém-aprovada, também deverá analisar a possibilidade de se estabelecer um diálogo institucional regular, no âmbito da ONU, sobre atividades relacionadas ao ciberespaço.

Ainda que, aparentemente, as duas medidas tenham objetivos semelhantes, a maioria dos países na Assembleia Geral optou por aprovar ambas, com votações expressivas. De acordo com especialistas, no entanto, a criação de dois grupos distintos para lidar com questões relacionadas ao ciberespaço pode dividir a atenção da ONU sobre o tema.

Nesse sentido, conforme Alex Grigsby, pesquisador associado ao Council on Foreign Relations, “o debate internacional sobre normas cibernéticas sempre foi bastante desordenado, na medida em que países, organizações regionais, entidades do setor privado e organizações sem fins lucrativos promovem suas normas e abordagens preferidas (…). Dividir o trabalho da Assembleia Geral da ONU em dois pode fazer com que esse debate de normas fique ainda mais confuso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assembleia Geral das Nações Unidas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Geral_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas#/media/File:UN_General_Assembly_hall.jpg

Imagem 2 Ion Jinga, Presidente do Primeiro Comitê da AGNU” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ion_Jinga#/media/File:HE_Dr_Ion_Jinga.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Liberdade da internet no mundo diminui pelo oitavo ano consecutivo

Em relatório publicado no dia 1o de novembro, a organização norte-americana Freedom House assevera que, em linhas gerais, o aumento do autoritarismo digital levou a uma redução, pelo oitavo ano consecutivo, da liberdade da internet no mundo.

Província de Xinjiang, na China

De acordo com o estudo, que engloba a análise de atividades ocorridas no período entre junho de 2017 e maio de 2018, as principais ameaças à liberdade na internet consistem na disseminação de desinformação e de propaganda no ambiente público, na coleta indiscriminada de informações e no aumento do autoritarismo digital praticado por alguns Estados que, progressivamente, estão passando a adotar o modelo chinês de censura e de vigilância automatizada.

O estudo examinou a liberdade na internet em 65 países de acordo com três categorias principais: obstáculos ao acesso à rede; limitação de conteúdo; violação dos direitos dos usuários. De acordo com a pontuação de cada Estado, eles foram classificados em “livres” (entre 0 e 30 pontos), “parcialmente livres” (entre 31 e 60 pontos) e “não livres” (entre 61 e 100 pontos).

Conforme essa metodologia, China (88 pontos), Irã (85 pontos), Síria (83 pontos), Etiópia (83 pontos) e Cuba (79 pontos) são os países que mais restringem a atuação de seus nacionais na rede. Por outro lado, Estônia (6 pontos), Islândia (6 pontos), Canadá (15 pontos), Alemanha (19 pontos) e Austrália (21 pontos) são os Estados analisados onde há maior liberdade na internet.

O relatório assevera que, no período analisado, o controle no ciberespaço realizado pelo governo chinês alcançou novos extremos devido à implementação de uma Lei de Cibersegurança mais severa e da atualização das tecnologias de segurança adotadas no país. O estudo aponta que, entre junho de 2017 e maio de 2018, um dos principais acontecimentos na China foi o uso da tecnologia de reconhecimento facial e outras ferramentas avançadas para monitorar e controlar a minoria Uigur, na região de Xinjiang. Ademais, outro desenvolvimento na área de controle da população consistiu na implementação progressiva do Sistema de Crédito Social, que classifica o grau de confiabilidade dos cidadãos chineses de acordo com o seu comportamento online e offline.

Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015

Seguindo a diretriz do Presidente chinês, Xi Jinping, de transformar a China em uma “superpotência cibernética, o estudo destaca que cada vez mais o sistema de monitoramento do país tem sido disseminado para diferentes partes do mundo, seja por meio de conferências realizadas na própria China para autoridades de outros Estados, seja no aumento do controle por parte do governo chinês em empresas internacionais que atuam em seu território, ou ainda na instalação de infraestrutura com capital, tecnologia ou participação das empresas estatais chinesas, em iniciativas como a Rota da Seda Digital.

Dentre os nove países do continente americano analisados pelo estudo, o Brasil, juntamente com a Colômbia, ocupa a quarta posição com 31 pontos, sendo classificado, portanto, como “parcialmente livre”. Houve uma melhora em relação ao ano anterior, uma vez que, no período analisado no atual estudo, o país não mais restringiu o acesso ao Whatsapp, como havia feito em 2015 e 2016, por determinação da justiça. No entanto, o relatório afirma que pesa contra o país o uso da violência contra jornalistas e blogueiros independentes e as tentativas de restrição à liberdade de expressão na rede devido, principalmente, à preocupação com a disseminação de notícias falsas no contexto eleitoral.

Com base nas práticas dos Estados classificados como “livres”, o estudo recomenda que a sociedade civil realize parcerias com o setor privado local para evitar a disseminação de notícias falsas, trabalhando, inclusive, com especialistas para identificar de que forma ocorre a desinformação e os motivos de os usuários compartilharem informações inverídicas. Ademais, a sociedade civil deve monitorar a colaboração entre o governo local e empresas chinesas, além de continuar a aumentar a conscientização sobre possíveis esforços governamentais de censura e de aumento da vigilância da população.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visualização dos caminhos de roteamento da internet” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_rights#/media/File:Internet_map_1024_-_transparent,_inverted.png

Imagem 2 Província de Xinjiang, na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_de_Xinjiang#/media/File:Xinjiang_in_China_(de-facto).svg

Imagem 3 Retrato de Xi em Pequim, setembro de 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping#/media/File:%E6%8A%97%E6%88%98%E8%83%9C%E5%88%A970%E5%91%A8%E5%B9%B4%E9%98%85%E5%85%B5%E6%BC%94%E7%BB%83.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Governo norte-americano realiza operações cibernéticas contra a Rússia

Seguindo as diretrizes da sua nova estratégia de segurança cibernética e da recém-atualizada abordagem de “defender para frente” (defending forward), preparada pelo Pentágono, o governo norte-americano anunciou, no dia 20 de outubro, a autorização para que suas forças estratégicas realizem operações cibernéticas ofensivas contra os adversários do país, tendo em vista, principalmente, a integridade das eleições legislativas que ocorrerão no dia 6 de novembro.

Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos

Em uma iniciativa que está sendo considerada como a primeira operação cibernética tornada pública pela própria administração estadunidense, funcionários do governo norte-americano afirmam que a Agência de Segurança Nacional e o Comando Cibernético daquele país têm identificado e acompanhado ações tanto de grupos de hackers atuantes na Rússia como de agentes de inteligência do governo russo, objetivando coibir campanhas de desinformação contra os Estados Unidos.

De acordo com esses funcionários, o Comando Cibernético dos Estados Unidos tem, inclusive, enviado mensagens diretamente para tais agentes, por meio de pop-ups e de e-mails, avisando-os explicitamente que as suas ações estão sendo monitoradas e desencorajando-os, por conseguinte, de praticarem qualquer ato que possa disseminar informações falsas que contribuam para desestabilizar as eleições norte-americanas.

Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018

A relevância dessa aparente nova forma de atuação do governo norte-americano consiste em uma possível quebra do paradigma tradicional no comportamento dos Estados no âmbito do ciberespaço, uma vez que, conforme os professores Evan Perkoski e Michael Poznansky, “as operações neste domínio raramente são acompanhadas de um reconhecimento intencional e claro do perpetrador”, sendo, portanto, a anonimidade uma das principais características comumente atribuídas à atuação dos atores nesse ambiente.

No que tange aos benefícios da estratégia adotada pelo governo norte-americano, os professores asseveram que “simplesmente ameaçar a Rússia com alertas vagos de retaliação provavelmente teria pouco efeito. Mas, ao demonstrar sua capacidade geral – e sua disposição – de identificar agentes individuais da Rússia, os Estados Unidos podem ser capazes de impedir que esses agentes atuem futuramente”.

Os resultados da iniciativa, no entanto, têm sido objeto de críticas por parte de especialistas, uma vez que não está claro se esses avisos terão o resultado pretendido. Michael Carpenter, por exemplo, ex-funcionário do Departamento de Defesa norte-americano, afirma se considerar “cético que meros avisos aos agentes russos servirão como um impedimento efetivo (…). É mais provável que eles (os russos) tentem outras formas de ataque”.

O receio  de interferência russa nas eleições legislativas estadunidenses aumentaram com as recentes acusações realizadas por promotores federais norte-americanos no que tange a uma possível rede de conspiradores, presumivelmente próximos ao presidente Vladimir Putin,  que estariam realizando uma “guerra de informação” contra os Estados Unidos. Ainda que, comparativamente às eleições presidenciais de 2016, especialistas apontem que há uma menor probabilidade de ocorrer uma interferência no pleito para o Congresso, funcionários do governo norte-americano têm declarado que o Pentágono e a comunidade de inteligência dos EUA tem um ataque cibernético preparado, caso haja ingerência russa nas eleições de 6 de novembro.     

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Emblema do Comando Cibernético dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Seal_of_the_United_States_Cyber_Command.svg

Imagem 2 Equipe de defesa cibernética dos Estados Unidos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cyberwarfare_in_the_United_States#/media/File:Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_(080416-F-5297K-101).jpg

Imagem 3 Encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, em julho de 2018” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Russia%E2%80%93United_States_relations#/media/File:Vladimir_Putin_%26_Donald_Trump_in_Helsinki,_16_July_2018_(3).jpg