ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Acirramento das tensões entre Rússia e Ucrânia

Desde que tiveram início em 2014, os conflitos entre Rússia e Ucrânia vêm tomando proporções que definitivamente colocam em dúvida se as relações político-diplomáticas entre os dois países tomarão um rumo assertivo no curto período de tempo, fazendo com que vários órgãos e agentes internacionais entrem em discussão sobre os desígnios que deverão tomar quanto às relações geopolíticas nessa parte do mundo.

O embate bilateral teve como principais motivos os protestos pró-russos no leste da Ucrânia* e o processo de incorporação da República da Crimeia e da cidade federal de Sevastopol como subdivisões da Federação Russa, a partir da assinatura de um tratado de adoção de nações recém-formadas, ocorrido em 17 de março de 2014, e que foi fruto de um referendo popular, o qual atingiu quase 97% de aceitação entre a população local. A Ucrânia não reconheceu o processo de anexação dessas localidades à Federação Russa, bem como a independência dos territórios que fizeram parte do país entre 1954 e 2014.

Ponte da Crimeia sobre o Estreito de Kerch

A potencialização do conflito se deu com a construção de uma ponte de 19 km, construída sobre o Estreito de Kerch sem passar por território ucraniano, que ligaria a região da Crimeia ao território russo. Sua inauguração se realizou em 15 de maio de 2018 e com ela foi lançada todo o repúdio do atual presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, o qual qualificou como “construção ilegal” e “violação da soberania ucraniana. A referida ponte se tornaria, meses mais tarde, protagonista de um processo político-militar, quando, após a reunificação da península da Crimeia com a Rússia, o governo russo passou a controlar ambas as margens do Estreito de Kerch e a efetivar inspeções sobre embarcações que saem ou chegam dos portos ucranianos por questões de segurança, pois, segundo Moscou, existem ameaças em potencial à existência da ponte por parte de grupos radicais ucranianos.

Em 26 de novembro de 2018, uma alegada “invasão” de embarcações ucranianas ao Mar de Azov fez com que forças especiais russas atingissem com tiros e neutralizassem duas canhoneiras e um rebocador, capturando 23 tripulantes militares ucranianos, dos quais 3 deles apresentaram ferimentos causados por estilhaços dos disparos efetuados.

Automaticamente, o Governo da Ucrânia declarou o ato como uma violação da legislação internacional, afirmando que o Mar Negro é uma área livre para o comércio, de acordo Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, datada de 1982, sendo usada globalmente, havendo também um acordo bilateral russo-ucraniano firmado em 2003, porém, segundo uma Emenda de 2007, qualquer navio que planeje efetuar essa passagem deve avisar ao porto de Kerch com antecedência, o que, de acordo com o Kremlin, não ocorreu.

Mapa dos protestos pró-Rússia na Ucrânia – 2014

Com a alegação de quebra de acordos internacionais, o governo ucraniano declarou aprovação de uma Lei Marcial pela qual colocaria tropas militares em alerta, causando forte preocupação por parte da comunidade internacional no tocante a um possível confronto militar entre as duas nações. A Federação Russa, por sua vez, entende que as manobras executadas pela Ucrânia não passaram de provocações apostando em uma possível resposta russa que esteja em desalinho com as premissas da comunidade internacional, fazendo com que a Rússia sofra novas restrições político-econômicas ou, em caso mais grave, uma possível intervenção militar.

Para especialistas, órgãos internacionais como a Aliança Atlântica** tem perfeito entendimento dos acordos marítimos entre Rússia e Ucrânia e das consequências da quebra dos mesmos no sentido internacional e econômico, mas não aplicará força militar em qualquer caso, pois significaria um conflito direto com os russos, que, para a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e para todo o mundo resultaria em um cenário com alto grau de destruição.

O desalinhamento entre os dois países se tornou tão grave que até no âmbito religioso houve rupturas, como foi o caso da assinatura no sábado, 5 de janeiro de 2019, em Istambul, do decreto que concede à Igreja Ortodoxa da Ucrânia a independência em relação à Igreja Ortodoxa da Rússia. Ambas estavam unidas desde 1686 e a hierarquia ortodoxa de Moscou respondia às tentativas de separação com uma férrea oposição. Em declarações ao jornal EL PAÍS, uma fonte do Patriarcado de Constantinopla não atribuiu qualquer tipo de significado político ao assunto, embora tenha definido a assinatura do decreto como uma “questão vital” para “acabar com os problemas no seio da Igreja ucraniana e unificar seus fiéis.

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Nota:

* Principalmente nas cidades de Donetsk e Lugansk, que se intensificaram e se transformaram em uma insurgência separatista pela região, abrindo caminho para o conflito armado em abril de 2014.

** A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tanques de guerra ucranianos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/OSCE_SMM_monitoring_the_movement_of_heavy_weaponry_in_eastern_Ukraine_%2816544235410%29.jpg/800px-OSCE_SMM_monitoring_the_movement_of_heavy_weaponry_in_eastern_Ukraine_%2816544235410%29.jpg

Imagem 2 Ponte da Crimeia sobre o Estreito de Kerch” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f7/Kerch_Strait_Bridge%2C_2018-04-14.jpg/300px-Kerch_Strait_Bridge%2C_2018-04-14.jpg

Imagem 3 Mapa dos protestos próRússia na Ucrânia 2014” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/2014_pro-Russian_unrest_in_Ukraine.png

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

As questões diplomáticas sobre bombardeiros russos na Venezuela

No dia 10 de dezembro (2018), a Venezuela recebeu em seu território quatro aeronaves russas que aterrissaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía Simón Bolívar, próxima à capital Caracas, desembarcando uma centena de militares e pessoal técnico-administrativo que, a pedido do Governo Bolivariano, foram participar de alegados exercícios de cooperação estratégico-militar, os quais foram classificados pelo Ministro da Defesa venezuelano, general Vladimir Padrino López, como “intercâmbio de voos operativos para elevar o nível de operações dos sistemas de defesa aeroespacial”dos dois países.

O conjunto de aeronaves foi constituído de um avião de transporte Antonov An-124(denominação OTAN: Condor), que é considerado o 2º maior avião de carga do mundo e destinado ao transporte de tanques de guerra, tropas, lançadores de mísseis, entre outros equipamentos militares; outra peça dessa frota foi o avião de passageiros Ilyushin Il-62 (denominação OTAN: Classic), com capacidade de transporte de até 200 passageiros, o qual foi responsável pelo deslocamento do corpo de técnicos e militares nessa visita. Os protagonistas desse grupo foram os dois bombardeiros estratégicos russos Tupolev TU-160 Cisne Branco (denominação OTAN: Blackjack), que, com sua presença em território venezuelano, foram alvos de pesadas críticas por parte da comunidade internacional, principalmente pelo Governo norte-americano.

Considerado por especialistas como o mais poderoso bombardeiro pesado do mundo, o TU-160tem capacidade de transportar até 20 toneladas de armamento em cada uma de suas duas baias internas, podendo ser bombas convencionais de queda livre e guiadas a laser, mísseis de cruzeiro de longo alcance, mísseis nucleares táticos e antissatélites, tendo como principal característica suas asas de geometria variável que permitem a aeronave atingir velocidades supersônicas (2.200 km/h a uma altitude de 10 km), possibilitando um percurso entre Moscou e Washington em apenas 4 horas. Segundo a Força Aérea Russa, os TU-160 são considerados únicos por serem plataformas avançadas de ataque estratégico nuclear que obtiveram respeito desde a época soviética e cada um deles, como navios, tem seu próprio nome de batismo, em homenagem aos heróis do país ou pilotos russos famosos.

TU-160 lançando míssil KH-101 contra alvos na Síria – Novembro 2015

Essa visita dos TU-160 ao Ocidente não é a primeira atuação dos mesmos fora do território russo, pois já tiveram participação em inserções militares na Síria, lançando mísseis de cruzeiro ou bombas de queda livre, e também já visitaram a Venezuela em duas outras ocasiões, sendo a primeira em 2008, quando militares russos e venezuelanos participaram de seus primeiros exercícios conjuntos, e a segunda visita se processou em 2013, quando gerou um desconforto diplomático com a Colômbia devido a invasão do espaço aéreo daquele país, momento em que foram interceptados por aviões caças colombianos.

Essa terceira visita dos bombardeiros russos ao continente americano teve um minucioso monitoramento por parte de diversos países e organizações devido ao atual condicionamento político-econômico que a Rússia vem sofrendo sob as sanções e restrições impostas pelos EUA e União Europeia. O acompanhamento da frota teve a participação, bastante próxima, de caças F-16 noruegueses que escoltaram os TU-160 desde o Mar de Barents, passando ao largo de países como Suécia, Reino Unido e Irlanda, que também deixaram caças disponíveis para acompanhamento até as proximidades do Mar do Caribe.

Após os 10 mil quilômetros da viagem, os bombardeiros russos chegaram ao território venezuelano enfrentando críticas provindas da OEA (Organização dos Estados Americanos) no tocante a preocupação da presença de equipamento bélico com capacidade nuclear, o que viola a Constituição nacional venezuelana, uma vez que não foi autorizada pela Assembleia Nacional, conforme exigido pelo artigo 187, parágrafo 11. Além disso, esta ação pode também violar as regras fundamentais do Direito Internacional, segundo nota da entidade. A Venezuela é parte do Tratado para a proibição de armas nucleares na América Latina e no Caribe (“Tratado de Tlatelolco”), cujo Artigo Primeiro proíbe o recebimento, estocagem ou posse de armas nucleares por si ou por terceiros em seu território.

Da mesma forma, o Secretariado Geral da OEA observa com extrema preocupação a participação das capacidades militares dos poderes regionais no hemisfério fora do Marco Constitucional dos países, bem como a transparência e a confiança mútua que devem orientar essas atividades. Observadores têm afirmado que atitudes com essas características, como as que ocorreram entre Venezuela e Rússia, não contribuem para a paz ou a estabilidade continental, um valor supremo a ser preservado para a convivência na região.

Posto isso, as trocas de insinuações entre EUA e Rússia tiveram início quando o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, através das redes sociais,caracterizou o envio de bombardeiros TU-160 à Venezuela como um “desperdício de recursos públicos” dizendo: “O governo russo enviou bombardeiros através de metade do mundo à Venezuela. Os povos da Rússia e da Venezuela precisam entender o que isso significa: dois governos corruptos desperdiçam recursos públicos e suprimem a liberdade, enquanto os seus povos sofrem”.

Dmitry Peskov, Porta-Voz do presidente russo, Vladimir Putin, classificou o comentário de Pompeo como “inapropriado”e “nada diplomático. Ele disse,em declaração a repórteres, que tais críticas parecem estranhas vindas de um país “cuja metade do orçamento militar seria suficiente para alimentar toda a África”.

Para especialistas, a grave crise econômica, política e social que a Venezuela atravessa faz com que a presença militar russa tenha o objetivo de desencorajar” terceiros a realizar “algum tipo de intervenção militar” no país, mas, além de beneficiar a Venezuela, essa aliança também é considerada vital para o governo Putin que atravessa um momento delicado devido a uma onda de sanções econômicas contra o país, que continuam sendo renovadas,fazendo com que (Moscou) realize alianças com países que ainda querem se relacionar com a Federação Russa, e isso inclui a Venezuela, destaca Steven Pifer, ex-embaixador dos EUA na Ucrânia e pesquisador do centro de análises Brookings Institution.

Essa aproximação já rendeu ganhos econômico-militares entre as duas nações, sendo que, no final de 2016, a Venezuela comprou 24 caças Sukhoi SU-30 (denominação OTAN: Flanker C) e acertou a aquisição de 53 helicópteros MI-24 (denominação OTAN: Hind) e de 100 mil fuzis Kalashnikov, entre outros equipamentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bombardeiro Tupolev TU-160” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Tupolev_Tu-160#/media/File:2013_Moscow_Victory_Day_Parade_(57).jpg

Imagem 2 TU-160 lançando míssil KH-101 contra alvos na Síria Novembro 2015” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Tupolev_Tu-160#/media/File:SU-30SM_escortant_un_Tu-160_qui_lance_un_missile_de_croisi%C3%A8re.png

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Guerra econômica entre EUA e China cria oportunidades para a Rússia

Logo após a cúpula do G20*, realizada em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º de dezembro (2018), os dois países protagonistas da chamada “guerra comercial”, EUA e China, se reuniram para formalizar uma trégua em suas ações bilaterais, referentes à aumentos de tarifas onde o presidente norte-americano Donald Trump se comprometeu a não elevar as alíquotas de importação sobre 200 bilhões de dólares (cerca de R$ 772 bilhões) de produtos chineses, a partir de janeiro de 2019, enquanto seu homologo chinês, Xi Jinping, relatou que elevaria a compra de produtos dos EUA a partir desta data.

Logotipo do G20 – Argentina 2018

Para entender o que ocasionou essa ruptura nos acordos comerciais, deve-se retroceder à julho de 2018, quando as duas maiores economias do mundo entraram oficialmente numa disputa conflituosa em que os EUA impuseram um aumento de até 25% sobre as importações de inúmeros itens chineses, tendo como principais alvos produtos dos setores espacial, robótica, manufaturados e automobilístico, e como suposto objetivo a proteção dos empregos locais, bem como a extinção da transferência injusta de tecnologia e propriedade intelectual para a China. Os chineses, em retaliação ao ato, também impuseram elevações tarifárias entre 5% e 10% a cerca de 545 produtos norte-americanos, dentre eles, automóveis, soja, carne bovina e frutos do mar, num montante de cerca de 60 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 231 bilhões), além de reduzir drasticamente as importações de combustível dos EUA, sendo que, em outubro (2018), a importação de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) chegou a praticamente zero, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Em contraponto a esse desbalanceamento sistêmico entre os dois países, a Federação Russa vem se beneficiando com a criação de oportunidades comerciais com a China, principalmente na área energética. A China importou mais de 3,5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito dos EUA em 2017. Comparativamente, em 2018, as importações de GNL não chegaram a atingir 1 milhão de toneladas até agosto, frente a 2,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Ao mesmo tempo, Pequim aumentou as importações de gás russo em aproximadamente 17%, o que significa uma janela de oportunidade se abrindo para Moscou. 

A potencialização dessa relação comercial só não é maior devido a questões tecnológicas e logísticas por parte da Rússia, pois, tradicionalmente, as exportações de gás russo são realizadas através de gasodutos, enquanto as importações chinesas se baseiam preferencialmente no GNL, o qual é transportado em tanques especiais alocados em navios. Até os gasodutos russos em direção ao Oriente estarem prontos, os exportadores concorrentes vão se beneficiar dessa defasagem técnica, tais como: a Austrália, com fornecimento para o mercado chinês em torno de 2,27 milhões de toneladas; o Qatar, com 960 mil toneladas; e a Malásia, com 496 mil toneladas (dados de outubro de 2018).

Apesar da trégua entre EUA e China e da concordância em buscar uma relação comercial mais ambiciosa, se isso não for alcançado em 90 dias após a data de efetivação do acordo, muito provavelmente as imposições de tarifas serão efetivadas, segundo o Presidente norte-americano.

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Nota:

* Criado em 25 de setembro de 1999, como um fórum de ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais das principais economias do mundo, a partir da crise financeira internacional de 2008 visualizou-se a necessidade de gerar um novo consenso entre os altos funcionários do ranking. A partir de então, as cúpulas do G-20 também passaram a incluir reuniões em nível de Chefes de Estado e de Governo e a agenda temática foi ampliada. Atualmente, é o principal fórum internacional de cooperação econômica, financeira e política: trata dos principais desafios globais e busca gerar políticas públicas que os resolvam

Consiste na União Europeia e mais 19 países: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul e Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio com containers” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/52/Container_ships_Hamburg-Waltershof_%2871809711%29.jpg

Imagem 2 Logotipo do G20 Argentina 2018” (Fonte):

https://www.g20.org/profiles/g20/themes/custom/g20_poncheado/img/g20_logo.png

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Supercolisor russo recriará primeiros momentos do Universo e estimula parcerias internacionais

Com o objetivo de implementar melhores processos para pesquisas avançadas em física de alta energia, o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear* (JINR – Joint Institute for Nuclear Research) vem construindo, desde 2013, um enorme complexo para pesquisas científicas que abrigará o supercolisor de partículas NICA (Nuclotron-based  Ion  Collider fAcility), que tem como objetivo o estudo avançado sobre as características e o comportamento da matéria nos primeiros momentos da criação do Universo, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos, segundo considerações da ciência moderna.

Nuclotron – supercondutor de íons pesados

Baseada na cidade de Dubna, cerca de 100 quilômetros ao norte de Moscou, a construção das instalações está sob responsabilidade da construtora austríaca STRABAG, quem vem trabalhando sob um forte esquema de segurança por parte das autoridades russas, devido ao alto grau de importância do projeto, que, de antemão, já apresentou algumas das características do programa, tais como as paredes dos túneis que abrigarão o colisor que têm espessura entre 1,5 e 4 metros, para “garantir a segurança dos trabalhadores, mas também para proteger o NICA de ameaças como o impacto direto de um míssil”, explicou o chefe da obra.

Programado para ter seu comissionamento em 2020, centenas de cientistas e engenheiros aguardam ansiosamente para poder operar o colisor russo que, em seu vasto campo de atuação, deverá, a princípio, demonstrar resultados nas pesquisas sobre o estado da matéria no início da existência do Universo, quando, segundo teorias científicas, as elevadíssimas temperaturas e densidades da matéria nos primeiros microssegundos desse nascimento fizeram manifestar um estado especial de comportamento nos chamados tijolos formadores da matéria (Quarks e Gluons), que são a estrutura central de prótons e nêutrons, os quais, por sua vez, são elementos estruturais do átomo.

A infraestrutura complexa do NICA permitirá o uso para atividades inovadoras e tecnológicas em todas as áreas indicadas pelo Governo russo estabelecendo três zonas de pesquisa, as zonas de baixa, média e alta energia, permitindo que os experimentalistas realizem pesquisas sobre ciência dos materiais, nanotecnologia e picotecnologia, medicina, biologia, eletrônica, além de programas para a agência aeroespacial da Rússia – ROSCOSMOS. Considerado como um projeto internacional, 30 países já estão interessados em seus trabalhos de pesquisa e participando ativamente de sua implementação. 

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Nota:

* O Instituto Conjunto para Pesquisa Nuclear é uma organização internacional intergovernamental de pesquisa científica na cidade científica de Dubna, na região de Moscou. A JINR tem atualmente 18 Estados-Membros: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Bulgária, Cuba, República Checa, Geórgia, Cazaquistão, República da Coreia, Moldávia, Mongólia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia, Ucrânia, Uzbequistão e Vietnã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Acelerador linear de íon de luz LU20” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/lu20.jpg

Imagem 2 Nuclotron supercondutor de íons pesados” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/nuclotron.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

PAK-DA: Novo bombardeiro estratégico russo

Com o intuito de revitalizar seus esquadrões de bombardeiros que estão em atividade desde a era soviética, e que, futuramente, precisarão de substituição para atendimento às demandas por equipamentos mais avançados, o Governo russo está acelerando o programa de pesquisa e desenvolvimento para a produção do moderno sistema de aviação de longo alcance para a próxima década, denominado PAK-DA.

Tupolev TU-160

O projeto do novo bombardeiro subsônico de 5ª geração foi iniciado em 2014, quando a Rússia comemorava 100 anos da sua aviação de longo alcance, com o objetivo de elaborar uma aeronave que apresentasse poder bélico-militar homólogo ao do seu “rival” norte-americano, também em processo de desenvolvimento, denominado B-21, que está sendo construído pela empresa de aviação Northrop Grumman Corporation, como parte do programa LRS-B (Long Range Strike Bomber). Segundo a Administração da Presidência dos EUA, a possível construção do bombardeiro stealth* Tupolev PAK-DA é listada como um sistema de desenvolvimento que poderá ser uma ameaça no futuro, de acordo com sua Revisão da Postura Nuclear (NPR – Nuclear Posture Review).

Atualmente, o design e organização da produção do novo bombardeiro está sob responsabilidade da Fábrica de Aviação de Kazan (KAZ), que vem trabalhando paralelamente com a empresa de defesa e aeronáutica russa Tupolev, no intuito de implementar tecnologia de última geração ao projeto. Segundo fontes de especialistas na área de estratégia militar, além da tecnologia de reflexão de sinais que impedem sua detecção por radares, a aeronave poderá ter uma autonomia de 12 mil quilômetros, o que possibilitará ações de longo alcance com capacidade de carga de até 30 toneladas de armamentos, os quais poderão incluir bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance.

O certo é que a implantação desse novo sistema pelo Governo russo vem carregada de enormes desafios, tais como a falta de pessoal altamente qualificado para a construção de uma aeronave com elevada complexidade, que necessita, acima de tudo, desenvolver um motor aeronáutico que atenda às necessidades do projeto. Segundo Nikolai Savitskih, diretor geral da KAZ, desde 2017 vem sendo elaborado, sob a avaliação do Kremlin, um programa de metas abrangentes para treinamento e retenção de pessoal para atendimento ao programa que custará, até 2025, em torno de 2,6 bilhões de rublos (pouco mais de R$ 142 milhões).

Outro ponto levantado é sobre a real necessidade de se investir uma soma exorbitante de recursos em um novo projeto, sendo que existe já em andamento a construção do novo bombardeiro TU-160 M2 Blackjack em substituição ao TU-160*, que necessitaria apenas de motores mais potentes para a sua operação e, no lugar do investimento em tecnologia para um bombardeiro furtivo, poderia ser direcionada apenas uma fração desses valores em mísseis furtivos de longo alcance, os quais seriam embarcados em bombardeiros convencionais.

De acordo com Michael Kofman, especialista em assuntos militares russos do Centro de Análises Navais, até o momento, o programa PAK-DA ainda se trata de pesquisa e desenvolvimento e o seu sucesso depende da capacidade financeira da Rússia em desenvolver novas tecnologias inerentes à demanda desse projeto. Então, posto isso, haverá uma possibilidade real de iniciar a produção da PAK-DA no final da próxima década.

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Notas:

* No âmbito militar, significa a capacidade de manipular a forma de detecção de um veículo aéreo em todo o seu espectro eletromagnético, com o intuito de diminuir a eficiência dos radares capazes de realizar sua rastreabilidade, que pode ser feita pela assinatura de radiofrequência, infravermelho, eletro-óptica, visual ou acústica. A tecnologia não faz a aeronave totalmente invisível, mas pode tornar sua detecção extremamente difícil.

** Maior e mais veloz bombardeiro russo que entrou em operação em 1987. Teve sua fabricação restrita à poucas unidades, devido cortes orçamentários sob os efeitos das políticas reformistas levadas a cabo pelo Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, de 1985-1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 2 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/17/Tu-160_at_MAKS_2007.jpg/300px-Tu-160_at_MAKS_2007.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia volta a importar carne brasileira

No último dia 31 de outubro (2018), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Blairo Maggi, anunciou que a Rússia voltará a importar carne brasileira de acordo com a avaliação positiva do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Federação Russa (Rosselkhoznadzor) sobre as medidas tomadas para eliminar as violações identificadas que afetaram a qualidade dos produtos brasileiros.

Para se entender esse embargo é preciso retornar a 20 de novembro de 2017, quando o serviço federal russo notificou o Governo brasileiro acerca da imposição de restrições temporárias sobre a compra de carne bovina e suína e que se efetivariam a partir de 1º de dezembro do mesmo ano.

Carcaças de suínos

O principal motivo para a suspensão do comércio de carne entre os dois países se baseou em análises laboratoriais que constataram traços de um determinado estimulante de crescimento animal conhecido como ractopamina* que, de acordo com a legislação russa, seu uso e comercialização é expressamente proibido, pois impacta diretamente na segurança do consumidor final e no mercado interno de alimentos.

Países como China, Malásia e União Europeia também proíbem o emprego de tal substância e limitam a aquisição comercial das carnes provenientes de nações que se utilizam da mesma, tendo como ressalvas a possibilidade de causarem efeitos colaterais graves como o aumento da pressão arterial, tontura, taquicardia, hiper ou hipoglicemia e até mesmo provocar efeitos carcinogênicos e danos cromossômicos.

A notícia do restabelecimento comercial, que poderá ocorrer ainda no mês de novembro deste ano (2018), foi muito aplaudida por instituições representativas, produtores pecuaristas e pelo próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que se uniram numa força-tarefa para reverter o impacto negativo e resgatar a relação comercial entre os dois países.

O Brasil é o segundo maior produtor de carnes do mundo, com 9,3 milhões de toneladas anuais (15,4% do total mundial – dados de 2017), segundo o USDA (United States Department of Agriculture) e a FAO (Food and Agriculture Organization) – órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), e tem a Rússia como consumidor de 10% dessa produção, sendo que, somente no consumo de carne suína, os russos respondem por 40% do volume exportado e 50% da receita arrecadada, o que, com o restabelecimento das exportações, irá possibilitar a retomada das vendas perdidas dos principais frigoríficos** fornecedores desse produto.

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Notas:

* Aditivo alimentar beta-agonista utilizado na fase final da criação de suínos e bovinos (28 dias antes do abate) que provoca uma modificação metabólica que reduz índices de gordura e aumenta a massa muscular e, consequentemente, os índices de carne em torno de 10 a 15% de rendimento com o mesmo consumo de ração, ou seja, melhora no ganho de peso, melhora na conversão alimentar do animal e melhora na rentabilidade do produtor.

** Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Agra Agroindustrial de Alimentos S/A; Alibem Alimentos S/A; Adelle Indústria de Alimentos Ltda; Minerva S/A; Cooperativa Central Aurora Alimentos; Frigorífico Astra do Paraná Ltda; Frigorífico Vale do Sapucaí Ltda.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Carnes em açougue” (Fonte):

http://www.agricultura.gov.br/noticias/russia-retoma-compras-de-carne-suina-e-bovina-do-brasil/carne-brasileira.jpg/@@images/a3c4ca54-27f4-4d06-940f-1ca1da94a91f.jpeg

Imagem 2 Carcaças de suínos” (Fonte):

https://www.embrapa.br/bme_images/m/175280040m.jpg