DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Reforço da aliança militar entre Rússia e China

Há exatos 70 anos, o Partido Comunista assumia o poder na China e anunciava o nascimento de uma nova nação, a República Popular da China (RPC), que teria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como primeira aliada no tocante ao reconhecimento de sua soberania, estabelecendo, assim, uma relação de cooperação que atravessaria as linhas do tempo.

Após sete décadas de sua fundação, o maior país comunista do mundo caminha, segundo analistas, para se tornar a principal potência econômica do planeta, ultrapassando, dessa forma, o atual primeiro lugar que pertence aos EUA.

Politicamente comunista, mas, economicamente portadora do que é chamado de “capitalismo estatal”*, a China se apresenta hoje como parte reclamada em um processo estruturado por parceiros comerciais, no tocante ao enorme auxílio estatal direcionado a empresas privadas locais, colocando-as em vantagem na comparação com seus rivais internacionais, o que provocou uma guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos.

Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai – 2019

Este processo não só demonstrou um conflito econômico de grandes proporções por conta de sanções comerciais impostas à China, como, também, colocou em pauta uma questão relativa à segurança internacional relatada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, no dia 3 de outubro (2019), em encontro anual do Clube Internacional de Discussões Valdai**, realizado em Sochi, no qual comentou o papel não só da Federação Russa, como, também, o papel de seu parceiro asiático no cenário internacional.

Segundo Putin, a questão da segurança internacional piorou por conta das ações perpetradas pelos EUA no mundo e acrescentou que, com relação às tentativas de restringir a China, seria um processo impossível de ser realizado e quem tentasse fazê-lo apenas se prejudicaria.

De acordo com o presidente chinês Xi Jinping, tais declarações são proferidas em um momento onde as relações entre Rússia e China se encontram num elevado nível de confraternização diplomática, em termos de confiança mútua, coordenação e valor estratégico, além de fazer contribuições importantes para a manutenção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento.

Posto isso, um reforço da aliança militar entre os dois países está se desenvolvendo,  onde a Rússia irá ajudar a China a construir um sistema de alerta para rastrear lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, o qual opera através de uma rede de radares no solo e satélites, equipamento esse que só a Federação Russa e os EUA possuem atualmente.

Os detalhes do tamanho e das características do sistema de defesa de mísseis que a Rússia construirá para a China é ainda desconhecido. Atualmente, os chineses empregam recursos limitados que incluem um pequeno sistema russo S-300, que considera apenas um modesto impedimento contra mísseis de cruzeiro e balísticos. A proposta russa existente são os S-400, capazes de interceptar mísseis balísticos com grande precisão.

Para especialistas, tal sistema é visto como “uma parte crucial da dissuasão nuclear moderna”, e as abordagens adotadas por Rússia e China, no sentido de se autoproclamarem nações inseridas no conceito de uma simetria política assertiva, com personalidades semelhantes ou muito próximas para problemas modernos chaves, demonstram a formação de uma nova ordem mundial baseada na lei internacional, no respeito à autoidentidade de diferentes povos, no direito de todos a escolher independentemente o modo como querem se desenvolver.

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Notas:

* O Capitalismo de Estado, inicialmente, era uma ideia associada à organização econômica de Estados socialistas, tal como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Hoje, o conceito está ligado também a países que não são completamente socialistas, mas onde o Estado interventor opera arduamente na área econômica. É o arranjo econômico mais próximo ao Socialismo, pois, os governos usam o mercado para promover seus próprios interesses. Pode ser exercido tanto através de regulamentações e benefícios do Estado sobre o meio econômico de um país, como em sua participação ativa gerenciando empresas, entre outras ações.

** O Clube de Discussão Valdai foi criado em 2004. O nome faz menção ao lago Valdai, que está localizado perto de Veliky Novgorod, onde a primeira reunião do teve lugar. O potencial intelectual do Clube de Discussão Valdai é altamente considerado tanto na Rússia como no exterior. Mais de 1.000 representantes da comunidade acadêmica internacional de 71 países participam das suas atividades. A Fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento e apoio do clube foi criada em 2011, com o fim de ampliar suas atividades para novas áreas, incluindo trabalhos de pesquisa e divulgação, programas regionais e temáticos. Em 2014, a Fundação assumiu toda a responsabilidade pela gestão dos projetos do clube. Fundadores:

– Conselho de Política Externa e de Defesa (CFDP).

– Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (RIAC).

– Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou (Universidade) do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa (Universidade MGIMO).

– Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin e Xi Jinping” (Fonte): http://www.russia.org.cn/en/russia_china/vladimir-putin-and-xi-jinping-hold-bilateral-talks-in-beijing/

Imagem 2 Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61719/photos/61209

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Rússia ratifica acordo de Paris

No último dia 23 de setembro (2019), durante a cúpula climática da ONU em Nova York, a Rússia assinou uma resolução governamental que consagra a adesão definitiva ao Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases de efeito estufa, assinado por 195 países. O acordo visa manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2 graus Celsius (3,6 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais.

O país, que é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, irá se tornar participante de pleno direito do novo acordo climático que substitui o Protocolo de Kyoto*. Políticos e representantes de organizações ambientais e de pesquisa científica em todo o mundo apoiaram o movimento.

Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU – 2019

O processo de ratificação do Acordo vinha sendo delineado pela Rússia, desde o início deste ano (2019), de acordo com procedimentos legislativos internos e com a pretensão de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2020, em comparação com o nível de 1990, ressaltando que o acordo é um marco legal confiável para uma solução climática futura.

Um importante parceiro da Rússia nesse processo de gestão do clima a longo prazo é a Alemanha, que através de cooperação bilateral, não apenas no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais, vem se envolvendo na possível criação de grupo de trabalho conjunto para esse fim, procurando soluções para os desafios globais, incluindo o combate à fome, a proteção ambiental e a preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

Em paralelo à ratificação de acordo sobre o clima, a Rússia vem também se envolvendo em iniciativas para a criação de tecnologias ambientalmente seguras. Tal iniciativa foi aprovada em reunião realizada em agosto (2019), na cidade de São Paulo, onde representantes dos Ministérios do Meio Ambiente do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) concordaram em criar uma plataforma de parcerias público-privadas no setor de proteção ambiental, que será intitulada como BEST – BRICS Environmentally Sound Technology Platform (traduzido como Plataforma de Tecnologia Ambientalmente Sadia dos BRICS).

Poluição ambiental

Segundo especialistas, a adesão russa ao Acordo é um passo importante, simbolizando que o país compartilha o consenso da comunidade mundial sobre a necessidade de combater as mudanças climáticas e avançar em direção a um futuro com baixo teor de hidrocarbonetos. Isso reduzirá as perdas de reputação da Rússia e os riscos de imposição de taxas alfandegárias sobre essas commodities, mas não as anulará.

No entanto, esse passo permanecerá simbólico, a menos que seja confirmado por medidas reais, como a introdução de controles estatais sobre as emissões e a definição de uma estratégia clara de como a economia da Rússia, que hoje é criticamente dependente das exportações de combustível, se adaptará a um futuro em que esse combustível aparentemente ficará em segundo plano.

Para ambientalistas russos, a conscientização por parte do Governo, é o início de um processo de luta para minimizar as ameaças colocadas pelas alterações climáticas, tais como a destruição dos equilíbrios ambientais e os riscos para as populações que vivem sobre os terrenos gelados (permafrost**).

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Notas:

* O protocolo de Kyoto é um acordo internacional vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, que compromete as suas partes, estabelecendo metas de redução de emissões vinculativas a nível internacional.

Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelos atuais altos níveis de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, como resultado de mais de 150 anos de atividade industrial, o protocolo coloca uma carga mais pesada sobre as nações desenvolvidas com o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. O protocolo foi adotado em Kyoto, Japão, em 11 de dezembro de 1997 e entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. As regras pormenorizadas para a execução do protocolo foram aprovadas na COP 7 em Marrakesh, Marrocos, em 2001, e são referidas como “Acordos de Marrakesh”. Seu primeiro período de compromisso começou em 2008 e terminou em 2012.

**O Permafrost (do inglês perm: permanente + frost: congelado), também chamado de Pergelissolo, é um tipo de solo congelado formado na região do Ártico, caracterizado por fazer parte tanto da geosfera, por apresentar rochas e sedimentos, quanto da criosfera, por apresentar camadas de gelo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://unfccc.int/news/un-summit-delivers-new-pathways-to-shift-climate-action-into-higher-gear

Imagem 2 Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://www.un.org/en/climatechange/index.shtml

Imagem 3 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 4 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Partido governante da Rússia perde espaço no Parlamento de Moscou

No último dia 8 de setembro (2019), os eleitores russos foram às urnas para eleger os representantes municipais e regionais do Parlamento da Federação Russa, em eleições que ocorreram em todo o país.

Logo do partido político Rússia Unida

Com o resultado dessas eleições, o partido governista Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, perdeu cerca de um terço de seus assentos na Câmara de Moscou, mas, apesar das perdas, manteve a maioria simples da casa, ocupando 26 dos 45 assentos.

Em Moscou, o Partido Comunista Russo tomou assentos do Rússia Unida, pulando de cinco para dez cadeiras, enquanto que outras duas siglas, o Partido Democrático Unificado Russo, Yabloko (de oposição e pró-Ocidente), e o Partido Rússia Justa, elegeram cada um dos três legisladores. No restante da nação, no entanto, Putin confirmou sua força, pois, nas 16 regiões que renovaram seus governadores, todos os candidatos apoiados pelo Kremlin tiveram êxito no pleito eleitoral.

Líder da oposição – Alexei Navalny

Para analistas políticos, o resultado do pleito nessas eleições regionais foi um forte revés para Putin, onde quase metade da Duma (Câmara Baixa da Rússia, que corresponde, com as devidas proporções, e de acordo com os respectivos sistemas políticos, à Câmara dos Deputados do Brasil) passa a ser controlada por candidatos de partidos da oposição, representando um impacto significativo para o Governo. Parte desse processo foi devido ao apelo do líder da oposição radical, Alexei Navalny, que conclamou a população a votar de “forma inteligente”, ou seja, apoiando os candidatos mais bem posicionados que não fossem suportados pelo Kremlin, além do fato de o comparecimento ao pleito eleitoral ter sido muito baixo, em torno dos 22% de eleitores registrados, sinal de que a população não viu, nos candidatos, pessoas capazes de lhes representarem politicamente.

As eleições se deram em meio a manifestações que vem ocorrendo desde julho (2019) contra a proibição de candidaturas da oposição ao Parlamento da capital russa. Estas concentrações, a maioria não autorizada pelo governo, terminaram em cerca de 2.700 detenções. Trata-se de um número inédito desde as manifestações de 2011 e 2012 que antecederam o retorno de Putin à Presidência, após um mandato como Primeiro-Ministro. Segundo a diretora do “think tank” R.Politik, Tatiana Stanovaia, a campanha para as eleições locais refletiu um afastamento crescente entre as autoridades preocupadas com preservar o status quo e uma parte da população que pede por mudança política.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Duma_Federal#/media/Ficheiro:ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Logo do partido político Rússia Unida” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Política_da_Rússia#/media/Ficheiro:Logo_Rússia_Unida.png

Imagem 3 Líder da oposição Alexei Navalny” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexei_Navalny#/media/Ficheiro:Alexey_Navalny.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Em desafio à Rússia, EUA aumentam número de tropas militares na Polônia

Desde 2017, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vem aumentando de forma significante suas tropas no leste europeu. Isso faz parte de um movimento de reforço denominado de eFP (do inglês “enhanced Forward Presence” – “reforço de Presença Avançada”), com o intuito de demonstrar uma postura militar de dissuasão na Europa Oriental e agir como uma primeira linha de defesa, no caso de um possível ataque ou invasão por parte da Rússia, que, segundo autoridades da Organização, vem demonstrando “comportamento agressivo” desde que se envolveu em conflitos militares com a Ucrânia e anexou a península da Crimeia como parte de seu território.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Os grupos de batalha multinacionais desse reforço, compostos por aproximadamente 4 mil combatentes, estão estacionados nos países bálticos da Estônia, Letônia e Lituânia, além da Polônia, que, particularmente, receberá mais 1.000 militares norte-americanos, proposta essa anunciada em 2 de setembro (2019) pelo Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, juntamente com Presidente polonês, Andrzej Duda, quando esteve em visita à Varsóvia, capital da Polônia, para o encontro bilateral em lembrança dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Para analistas militares, o pequeno número de combatentes da OTAN que atualmente estão de prontidão nas proximidades das fronteiras denominadas como “linhas vermelhas”* não significa uma falta de capacidade militar, pois, poderão servir como “detonadores”, em caso de agressão, sendo capazes de iniciar uma reação massiva da OTAN, que já tinha como plano o aumento de até 40 mil soldados como nova força de reação rápida, além da construção de um escudo anti-mísseis e a criação de uma divisão específica de inteligência e segurança conjunta.

Para especialistas, os movimentos militares no leste europeu por parte não só da OTAN, como também da Rússia, fazem parte do que foi chamado o ressurgimento de uma nova Guerra Fria entre antigos rivais ideológicos. A Rússia, por sua vez, também executou manobras que, segundo o Ministro da Defesa da Federação Russa, Serguei Choigu, foram medidas amplas para frustrar ameaças emergentes à soberania russa, dentre elas estão o reforço de tropas militares nas fronteiras dos países bálticos e a especulação de transferência efetiva de ogivas nucleares para a região de Kaliningrado, exclave europeu da Federação Russa localizado entre a Polônia e a Lituânia.

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Nota:

* Por estarem próximos da Rússia e de territórios de países considerados anteparos estratégicos, como Bielorússia (aliado da Federação Russa) e Ucrânia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tropas militares norteamericanas” (Fonte): https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/02/us_military_poland001.jpg

Imagem 2 reforço de Presença Avançada – OTAN” / “enhanced Forward Presence – NATO”  (Fonte): https://www.nato.int/nato_static_fl2014/assets/pdf/pdf_2017_03/20170315_170314-eFP-map.pdf

Imagem 3 Localização territorial do exclave russo Kaliningrado” (Fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Kaliningrado#/media/Ficheiro%3AKaliningrad_map.PNG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Venezuela abre portos para navios militares russos

Com a assinatura de um acordo de cooperação militar entre a Federação Russa e a Venezuela no último dia 15 de agosto (2019), especialistas militares apontam que o Kremlin está muito próximo do seu objetivo de implantar bases militares no país caribenho. O acordo, acertado entre o Ministro da Defesa da Rússia, general Sergey Shoigu, com seu homólogo venezuelano, Vladimir Padrino Lópes, permite, num primeiro momento, o amplo envio de navios de combate das frotas dos dois países de forma bilateral, ou seja, um poderá se deslocar para portos navais do outro apenas por meio de “notificação prévia”. Posteriormente, com o andamento desse acordo, a possibilidade de estabelecimento de um centro aeronaval russo pode tomar corpo, o que vem sendo discutido desde 2005, entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o falecido Presidente venezuelano, Hugo Chaves, quando, à época, firmavam os contratos iniciais de compra de equipamentos e sistemas para as Forças Armadas Bolivarianas.

Localização Ilha La Orchila

De acordo com os especialistas, Moscou provavelmente calcula que as relações estreitas com a Venezuela, em torno de acordos, vendas de armas, comércio ou negócios de energia, irá resultar em acesso a portos e aeródromos em seu território, permitindo, assim, a implantação de ativos militares na região, principalmente na ilha de La Orchila, localizada a 200 quilômetros a nordeste de Caracas, capital da Venezuela, e a 1.500 quilômetros da Flórida (estado norte-americano), onde já existem certas facilidades estratégicas como campo de pouso e serviços navais, o que poderia possibilitar a expansão de sua pegada militar e de segurança no hemisfério ocidental para combater ou pressionar os Estados Unidos militarmente, e que, nas palavras do Ministro da Defesa venezuelano, Padrino López, “um complexo forte vai tirar do agressor a vontade de agredir, servirá de dissuasão contra um invasor”.

Frota militar norte-americana

Os EUA, por sua vez, em oposição ao acordo bilateral russo-venezuelano, expuseram ameaças de bloqueio naval, o que possibilitaria, como medida extrema, o impedimento de passagem de qualquer navio com destino à Venezuela. “A Marinha dos EUA está pronta para fazer o que for preciso na Venezuela”, declarou o Chefe do Comando Sul dos EUA, almirante Craig Faller, em 19 de agosto (2019). Não seria a primeira vez que os Estados Unidos imporiam um bloqueio naval a um país latino. No contexto da Crise dos Mísseis, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval a Cuba com a aprovação da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1962. Naquela época, a justificativa utilizada foi impedir o acesso a navios que transportavam mísseis nucleares provindos da extinta União Soviética.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Frota de navios russos” (Fonte): https://img.novosti-n.org/upload/news/445636.jpg

Imagem 2 Localização Ilha La Orchila” (Fonte): https://tools.wmflabs.org/geohack/geohack.php?pagename=La_Orchila&params=11_48_N_66_10_W_

Imagem 3 Frota militar norteamericana” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/US_Navy_050614-N-0120R-050_The_conventionally_powered_aircraft_carrier_USS_Kitty_Hawk_%28CV_63%29_and_the_guided_missile_cruiser_USS_Cowpens_%28CG_63%29_receives_fuel_during_a_replenishment_at_sea.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Agência Bloomberg anuncia crescimento das reservas cambiais russas

De acordo com a agência Bloomberg*, a Federação Russa está prestes a se colocar na quarta posição global entre os maiores detentores de moeda, ouro e outros títulos, devido a um constante processo de limitações de seu orçamento interno, o que, por sua vez, possibilita uma manutenção no seu superávit, ou seja, um excesso de bens ou de rendimentos, face às obrigações monetárias.

O alcance desse resultado se deu por dois principais motivos bastante distintos em sua origem e que vem ratificando as capacidades político-econômicas que o Kremlin, juntamente com o Banco Central Russo, vem direcionando nos últimos tempos, frente às adversidades ocorridas no cenário mundial.

Preço do barril do petróleo Brent (US$)

O primeiro deles ocorre por conta da redução de ganhos no mercado internacional de petróleo, onde a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) apontou em seu último relatório mensal que as perspectivas para o mercado da commodity parecem um tanto pessimistas para o resto do ano de 2019, devido à reestruturação da previsão sobre a demanda global de petróleo, dada a desaceleração da economia. Pode-se verificar esse fato pela constante queda do preço do barril de petróleo Brent, que, desde abril (2019), caiu dos 75,22 dólares** para 58,69 dólares** em 16 de agosto (uma redução em torno de 22%).

Comparação das reservas cambiais entre Rússia e Arábia Saudita (US$ Bilhões)

Posto isso, os países exportadores do óleo negro, como o caso da Arábia Saudita, que necessita de uma elevada demanda global, e, com isso, uma elevada arrecadação sobre as vendas para que possa sustentar seus gastos sociais, estão dando início a um processo de drenagem de suas reservas cambiais, que, hoje, se encontram no patamar dos 527 bilhões de dólares (aproximadamente 2,11 trilhões de reais**) e, consequentemente, a uma perda de posição no ranking mundial (atualmente 4º lugar). Segundo informações do Kremlin, a Federação Russa se preparou para suportar uma queda no preço do barril de petróleo até os 40 dólares sem necessidade de recorrer as suas reservas, que acumulam, atualmente, os 518 bilhões de dólares (aproximadamente 2,07 trilhões de reais**) chegando muito próximo da Arábia Saudita.

Países com maiores reservas cambiais (US$ Trilhões)

O segundo motivo pelo qual a Rússia vem aumentando suas reservas está baseado nas intervenções internacionais, por conta das sanções político-econômicas que vem sofrendo por parte dos EUA e da União Europeia. Em detrimento às restrições, em 2018, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro e, juntamente com o Renminbi (nome da moeda chinesa, cuja unidade de conta é o Yuan), a Rússia impulsionou a compra de uma série de outras moedas, incluindo o Iene japonês, o Euro europeu, a Libra Esterlina do Reino Unido, os Dólares canadense e australiano e o Franco Suíço em oposição ao uso da moeda norte-americana, além de promover ativamente a ideia de pagar seu passivo usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

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Notas:

* A Bloomberg L.P. é uma empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro e agência de notícias operacional em todo o mundo, com sede em Nova York. A empresa foi fundada em 1982 por Michael Bloomberg, ex-prefeito da cidade de Nova York de 2002 a 2013. Ela emprega mais de 18.500 pessoas com escritórios em mais de 173 países. Bloomberg L.P. distribui informação econômica, financeira e informatizada, possui diversas plataformas para execução de operações financeiras, além de notícias de regulamentação e conformidade legal e de pesquisa. Divisões incluem Bloomberg Professional (Bloomberg Terminal), Bloomberg News, Bloomberg Radio e Bloomberg Businessweek.

** Cotação de 16/08/2019 (US$1 = R$4,0037).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Terminal de dados Bloomberg” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Bloomberg_Terminal.jpg/1200px-Bloomberg_Terminal.jpg

Imagem 2 Preço do barril do petróleo Brent (US$)” (Fonte): https://br.investing.com/commodities/brent-oil

Imagem 3 Comparação das reservas cambiais entre Rússia e Arábia Saudita (US$ Bilhões)” (Fonte): https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-08-11/russia-to-leapfrog-saudi-in-wealth-league-as-oil-power-shifts

Imagem 4 Países com maiores reservas cambiais (US$ Trilhões)” (Fonte): https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-08-11/russia-to-leapfrog-saudi-in-wealth-league-as-oil-power-shifts