FÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O papel da Rússia no encontro do BRICS no Brasil

Com o final da 11ª Cúpula de Chefes de Estado do Brics*, realizada em Brasília, nos dias 13 e 14 de novembro (2019), a Presidência Rotativa do Bloco passa a ser de responsabilidade da Federação Russa, que, a partir de 2020, deverá implementar novas diretrizes de comum acordo com os demais países participantes, no intuito de revitalizar e expandir suas interações econômicas.

Logotipo do BRICS – 2019

Com o lema “Parceria para a estabilidade global, segurança comum e crescimento inovador”, a Rússia deverá lançar uma agenda para o próximo ano (2020), com programação estimada de 150 eventos em diferentes níveis de interesse, tendo a expectativa de ampliar a cooperação em política externa com os demais países do grupo.

Para o Presidente russo, Vladimir Putin, o Brics deveria ser mais prático em assumir ações no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas), em prol da resolução de questões globais cruciais, e na elaboração de padrões e normas internacionais de combate ao terrorismo e ao crime internacional. No que se refere à cooperação econômica, a Presidência russa vai propor a criação de um fundo de títulos para o Brics e novas iniciativas em matéria tributária, alfandegária e de agências antitruste.

Chefes de Estado do BRICS

O presidente Putin, em declaração realizada no Fórum Empresarial da Cúpula do Brics, deixou claro que a Rússia está disponível para a melhoria das relações multilaterais com seus parceiros econômicos, principalmente no âmbito do fornecimento de energia, onde observou que seu país é um fornecedor de suprimentos confiável aos mercados mundiais, e que contribui significativamente para a manutenção da segurança energética global.

Presidente Vladimir Putin na Cúpula do BRICS – 2019

Em compromisso direto com o Brasil, a Federação Russa está disposta a elaborar um projeto de desenvolvimento de uma plataforma de negócios com o objetivo de criar oportunidades de investimento tanto na Rússia como no Brasil. A parceria econômica envolveria órgãos especializados dos dois países, como o Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Russa, que abrange não só o país sul-americano, mas, também, as demais nações falantes do idioma português.

Um ponto destacado pelos representantes russos no encontro do Bloco foi o desequilíbrio da estrutura econômico-financeira global, que, segundo declarações, não estaria levando em conta o crescente peso econômico assumido pelos países em desenvolvimento, e os países do Bloco deveriam atuar, de forma consolidada, contra o protecionismo e novas barreiras no comércio internacional, advogando de modo coerente as bases de um sistema de comércio multilateral aberto, equilibrado e mutuamente benéfico.

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Nota:

* BRICS é um termo utilizado para designar o grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “BRICS” é um acrônimo, ou seja, a junção das iniciais de palavras que formam o termo. Seu criador é o economista britânico Jim O’Neill, do grupo financeiro Goldman Sachs, que, em 2001, tentava encontrar uma forma de traduzir o crescimento econômico que seria protagonizado naquela década por Brasil, Rússia, Índia e China. Por conseguinte, empregou a expressão “BRIC”.

Naquele momento, o crescimento brasileiro ainda suscitava dúvidas, bem como a Rússia, que estava estagnada. Já a China apresentava taxas de crescimento elevadíssimas entre os demais e se destacava no cenário econômico mundial.

O estudo realizado por Jim O’Neil foi recebido com imensa satisfação nos Estados que protagonizavam o BRIC. Assim, diante das perspectivas de crescimento e das notas das agências internacionais, os governos do então BRIC impulsionaram oficialmente a possibilidade de constituição de um bloco entre esses países emergentes.

O BRIC se constituiu em bloco em 2009 e, desde então, vários encontros periódicos entre esses países foram realizados. Em 2011, mais um Estado foi agregado: a África do Sul. Deste modo, o BRIC virou BRICS. Contudo, a inclusão da África do Sul gerou críticas da comunidade econômica mundial, pois ela não estaria no mesmo nível de crescimento que os demais países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras dos países participantes do BRICS” (Fonte): http://brics2019.itamaraty.gov.br/

Imagem 2 Logotipo do BRICS 2019” (Fonte): http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/mecanismos-inter-regionais/3672-brics

Imagem 3 Chefes de Estado do BRICS” (Fonte): http://brics2019.itamaraty.gov.br/espaco-multimidia/galeria

Imagem 4 Presidente Vladimir Putin na Cúpula do BRICS 2019” (Fonte): https://news.ru/en/politics/putin-to-attend-the-brics-summit/

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Apesar das sanções, investimento estrangeiro cresce na Rússia

Considerada como um mercado estratégico global, a Federação Russa está vendo seus níveis de investimentos estrangeiros se elevarem mesmo sendo alvo de várias sanções internacionais nos últimos anos e, segundo o último relatório da empresa de auditoria EY* (Ernst & Young), realizado em parceria com a Câmara Americana de Comércio na Rússia, as empresas dos EUA continuam como os maiores investidores estrangeiros na economia russa.

Logotipo da EY

Segundo dados apresentados, em 2018 as companhias norte-americanas investiram em projetos na Rússia duas vezes mais do que os investidores da Europa e cinco vezes mais do que os asiáticos. Um dos principais setores apreciados pelos investidores é o da energia e dos recursos naturais, que continuará a liderar o volume de investimentos estrangeiros, os quais, em termos percentuais (em torno de 49% do total), estão previstos para encerrar o ano de 2019 com um nível maior do que o acumulado ao longo de todos os anos anteriores.

Gráfico dos percentuais de investimento por categoria industrial – 2019

Por outro lado, o cenário não é totalmente otimista, pois as restrições financeiras impostas pela comunidade internacional causaram contração do mercado interno, colocando os negócios em desvantagem em relação a empresas de outros países. Os riscos de reputação associados a fazer negócios na Rússia aumentaram, fazendo com que novos projetos fossem congelados e a assinatura de novos contratos suspensa, principalmente por clientes localizados em solo europeu.

Logotipo da Novatek

Posto isso, o Governo russo já havia anunciado, em setembro (2019), durante o Fórum Econômico Mundial do Leste, realizado em Vladivostok, que iria direcionar esforços para atrair investidores de outro polo geográfico, ou seja, seu foco de atenção seria realizar negócios com países asiáticos.

No encontro, o presidente russo Vladimir Putin anunciou grandes projetos que irão ser efetivados no extremo oriente do país, juntamente com parceiros econômicos como China, Índia e Japão. Um dos projetos, que vai ser administrado pela empresa russa Novatek, é a criação de uma gigantesca fábrica de produção de gás natural que custará em torno de US$ 21,3 bilhões (aproximadamente R$ 88,8 bilhões**) e terá como sócios principais duas empresas chinesas da área energética (CNOOC e CNPC) e o consórcio japonês Mitsui-Jogmec, os quais serão de grande importância para o desenvolvimento da exploração das ricas reservas em recursos naturais, e para a implantação das indústrias do futuro que irão beneficiar a região.

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Notas:

* Ernst & Young (com nova denominação EY) é uma empresa multinacional de serviços profissionais com sede em Londres, Inglaterra e Reino Unido. A EY é uma das maiores empresas de serviços profissionais do mundo, juntamente com a Deloitte, KPMG e Pricewaterhouse Coopers (PwC). Por conta de uma série de aquisições e mudança de foco no mercado, a EY expandiu sua participação mercadológica em áreas como consultoria de serviços de operações, consultoria de serviços de estratégia, consultoria de serviços de RH, consultoria de serviços financeiros e consultoria de serviços de tecnologia.

** Cotação de 10/11/2019 (US$ 1 = BRL 4,166).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro Internacional de Negócios de Moscou” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Internacional_de_Negócios_de_Moscou#/media/Ficheiro:Moscow-City_(36211143494).jpg

Imagem 2 Logotipo da EY” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ey_logo_2019_new.jpg

Imagem 3 Gráfico dos percentuais de investimento por categoria industrial 2019” (Fonte): https://www.ey.com/Publication/vwLUAssets/ey-amcham-annual-survey-2019-eng/$FILE/ey-amcham-annual-survey-2019-eng.pdf

Imagem 4 Logotipo da Novatek” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Novatek#/media/File:Novatek_Logo_latin.svg

ÁFRICAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Bombardeiros nucleares russos em solo africano

Há três décadas, a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) entraria num processo de seletividade geopolítica, culminando com um afastamento de seus antigos aliados africanos no governo de Mikhail Gorbatchev (último líder soviético entre 1985 e 1991). Os principais motivos seriam a má administração local, a corrupção e os deslocamentos pela ruptura repentina de relações econômicas com os antigos poderes coloniais, produzindo, na maioria desses países, fracassos econômicos de ampla escala.

Após a queda da União Soviética e o abrandamento das relações com o continente africano, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, diante de mudanças no equilíbrio global de forças e da solidificação dos processos democráticos em vários países africanos, vem pautando uma reaproximação diplomática no intuito de expandir as relações político-econômicas com vários de seus antigos aliados.

Reunião de Cúpula Rússia-África em Sochi – Outubro 2019

Em 23 de outubro (2019) foi inaugurada, na cidade russa de Sochi, a primeira reunião de cúpula Rússia-África, que arregimentou 43 governantes africanos, além de 3 mil participantes, onde foram tratados assuntos como a duplicação do comércio, em 5 anos, entre África e a Federação Russa, além do perdão de dívidas de países africanos com a União Soviética, em torno de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 80,16 bilhões*).

Enquanto isso, em Pretória, capital da África do Sul, dois bombardeiros nucleares russos Tu-160 (denominação OTAN: Blackjack), aterrissavam na base da Força Aérea de Waterkloof, em uma “rara” demonstração de cooperação militar entre as duas nações.

Bombardeiro Tupolev Tu-160

Considerado o maior e mais pesado bombardeiro estratégico do mundo e, segundo analistas militares, a maior plataforma avançada de dissuasão nuclear do planeta, a aeronave tem capacidade de se deslocar entre continentes com velocidade supersônica, carregando em suas baias até 40 toneladas de armamentos que podem variar entre mísseis de cruzeiro, bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance. Esses bombardeiros já tiveram participação em eventos recentes, tais como a inserção militar na guerra da Síria e a visita à Venezuela, em intercâmbio de voos operativos para elevar o nível de operações dos sistemas de defesa aeroespacial.

Os bombardeiros fazem parte do grupo aéreo da Força Aeroespacial Russa, que está visitando a África do Sul num acordo sobre cooperação militar assinado entre os Ministérios da Defesa de ambos os países no verão de 1995. Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa sul-africano, Major Motsamai Mabote, em declaração à TASS (Agência de Notícias Russa), a chegada das aeronaves da Força Aeroespacial Russa é um processo inaugural e importante para toda a África.

Além dos bombardeiros Tu-160, o grupo aéreo da Força Aeroespacial Russa que atualmente permanece na África do Sul também inclui aeronaves de transporte militar Ilyushin Il-62 (denominação OTAN: Classic) e Antonov An-124 Ruslan (denominação OTAN: Condor). Os militares russos e especialistas que chegaram ao país participarão de um Workshop que será organizado pelo Ministério da Defesa da África do Sul. O Workshop discutirá as questões de realização de operações de combate, efetivação de medidas de busca e resgate.

Segundo analistas internacionais, a Rússia entra numa corrida geopolítica contra a China e os EUA para estabelecer laços sólidos com a África em questões comerciais, políticas e militares. O continente, que abriga em torno de 1,5 bilhão de habitantes, possui algumas das economias que mais crescem no mundo.

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Nota:

* Cotação de 27/10/2019 (USD 1 = BRL 4,0079).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bombardeiro Tupolev Tu160” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Tupolev_Tu-160S%2C_Russia_-_Air_Force_AN2000246.jpg

Imagem 2 Reunião de Cúpula RússiaÁfrica em Sochi Outubro 2019” (Fonte): http://photo.roscongress.org/en/73/photos/list?PhotosContainerId=2812&OnlyVisible=True&OrderDirection=Asc

Imagem 3 Bombardeiro Tupolev Tu160” (Fonte): https://nationalinterest.org/blog/the-buzz/russias-tu-160m2-blackjack-supersonic-bomber-cruise-missile-20154

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia assume papel de mediador no conflito da Síria

Uma nova fase da guerra deflagrada em território sírio se desenvolveu a partir do último dia 6 de outubro (2019), quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou a retirada de tropas militares estadunidenses do noroeste da Síria, abrindo caminho para uma ofensiva militar em larga escala da Turquia e também deixando de lado o apoio estratégico que estava sendo direcionado aos aliados curdos.

A decisão de Trump de minimizar a participação dos EUA nesse conflito, segundo informações, vai ao encontro de suas promessas de campanha pré-eleitoral e também pelo fato de o Governo norte-americano estar desembolsando enormes quantias para manter qualquer tipo de apoio, principalmente às milícias curdas que foram de extrema importância para os EUA na campanha contra o Estado Islâmico.

Atualmente, na complexidade desse conflito, são muitos os atores envolvidos no jogo político no norte da Síria e, para especialistas, com a saída dos norte-americanos dessa região, a próxima nação a assumir o importante papel de principal mediador e direcionador dos desígnios que restabelecerão o equilíbrio sistêmico regional será a Federação Russa, tendo como representante o Presidente Vladimir Putin.

Mapa da situação militar na Síria – Janeiro 2019

O nó a ser desatado pela Rússia está baseado não só nos trabalhos para se evitar a ameaça de um refortalecimento do Estado Islâmico que ainda apresenta focos espalhados pelo território sírio, mas, também, nos conflitos internos entre sírios, curdos e turcos, que se estruturaram nos últimos tempos.

Para se entender qual será a responsabilidade da Rússia neste momento, deve-se apresentar o desenho político da região com seus atores e suas ações, para que se tenha a possibilidade de direcionar acordos entre as partes, no intuito de estabelecer um processo de paz.

Bandeira do YPG

YPG – As Unidades de Proteção Popular (em curdo: Yekîneyên Parastina Gel), é uma organização armada curda da região do Curdistão sírio. O grupo foi fundado como braço armado do Partido de União Democrática sírio, também tem ligações com o Conselho Nacional Curdo e, atualmente, controla militarmente boa parte do nordeste da Síria. Considerado como uma milícia armada, foi aliado dos EUA na luta contra o Estado Islâmico e, com a saída das tropas norte-americanas da região, se viram por conta própria, principalmente na luta contra tropas turcas.

Turquia – declarou que sua segurança nacional está ameaçada devido a ações do YPG próximo à sua fronteira e lançou uma série de ofensivas contra o mesmo, no intuito de criar uma “zona de segurança” no território sírio. O país considera o YPG um aliado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia curda na Turquia.

Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)

FDS – as Forças Democráticas Sírias é uma coalizão de várias unidades, sendo a maior parte delas formada pela milícia curda do YPG, além de unidades árabe-muçulmanas e árabe-cristãs que controlam praticamente 40% do território sírio. Também lutaram ao lado da coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico.

Governo sírio – a liderança em Damasco, sob o governo de Bashar al-Assad, mantém um relacionamento ambivalente com os curdos, que vai da cooperação até o conflito, dependendo de seus interesses momentâneos.  Tropas do Governo, atualmente, dominam vastas áreas do centro, do sul e do oeste da Síria, sendo que o nordeste do país é controlado pelas FDS. O fato de o Exército sírio agora apoiar os curdos contra a ofensiva militar turca pode significar que o presidente Assad está tentando expandir sua influência na região.

Militante com bandeira do Estado Islâmico

Estado Islâmico – O EI pode se beneficiar com a desestabilização na região, mesmo tendo sido enfraquecido nas últimas batalhas com as FDS. Alguns focos de jihadistas ainda persistem em certas regiões centrais do país e, com a saída das tropas norte-americanas que suportavam as milícias que os combatiam, poderão se fortalecer e voltar a impor sua hegemonia na área.

Rússia – com a saída dos EUA, tropas russas começaram, em 15 de outubro (2019), a patrulhar o norte da Síria e a preencher o vácuo político deixado por Washington, fazendo uma linha divisória entre as forças turcas e o Exército sírio, além de estarem em constante conversação entre as partes para se evitar um choque direto entre essas forças militares.

Para analistas internacionais, o movimento que redesenha o equilíbrio no Oriente Médio, reflete a repentina perda de influência dos EUA e abre uma nova oportunidade para os russos se apresentarem como mediadores confiáveis, garantindo novos negócios e avançando seus interesses estratégicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Kremlin de Moscou” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Rússia#/media/Ficheiro:Kremlin_Moscow.jpg

Imagem 2 Mapa da situação militar na Síria  Janeiro 2019” (Fonte): https://southfront.org/wp-content/uploads/2019/01/24jan_syria_war_map-1024×952.jpg

Imagem 3 Bandeira do YPG” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:People%27s_Protection_Units_Flag.svg

Imagem 4 Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Democráticas_Sírias#/media/Ficheiro:Syrian_Democratic_Forces_announce_Deir_ez-Zor_offensive.jpg

Imagem 5 Militante com bandeira do Estado Islâmico” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:%C4%B0D_bayra%C4%9F%C4%B1_ile_bir_militan.jpg

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Reforço da aliança militar entre Rússia e China

Há exatos 70 anos, o Partido Comunista assumia o poder na China e anunciava o nascimento de uma nova nação, a República Popular da China (RPC), que teria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como primeira aliada no tocante ao reconhecimento de sua soberania, estabelecendo, assim, uma relação de cooperação que atravessaria as linhas do tempo.

Após sete décadas de sua fundação, o maior país comunista do mundo caminha, segundo analistas, para se tornar a principal potência econômica do planeta, ultrapassando, dessa forma, o atual primeiro lugar que pertence aos EUA.

Politicamente comunista, mas, economicamente portadora do que é chamado de “capitalismo estatal”*, a China se apresenta hoje como parte reclamada em um processo estruturado por parceiros comerciais, no tocante ao enorme auxílio estatal direcionado a empresas privadas locais, colocando-as em vantagem na comparação com seus rivais internacionais, o que provocou uma guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos.

Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai – 2019

Este processo não só demonstrou um conflito econômico de grandes proporções por conta de sanções comerciais impostas à China, como, também, colocou em pauta uma questão relativa à segurança internacional relatada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, no dia 3 de outubro (2019), em encontro anual do Clube Internacional de Discussões Valdai**, realizado em Sochi, no qual comentou o papel não só da Federação Russa, como, também, o papel de seu parceiro asiático no cenário internacional.

Segundo Putin, a questão da segurança internacional piorou por conta das ações perpetradas pelos EUA no mundo e acrescentou que, com relação às tentativas de restringir a China, seria um processo impossível de ser realizado e quem tentasse fazê-lo apenas se prejudicaria.

De acordo com o presidente chinês Xi Jinping, tais declarações são proferidas em um momento onde as relações entre Rússia e China se encontram num elevado nível de confraternização diplomática, em termos de confiança mútua, coordenação e valor estratégico, além de fazer contribuições importantes para a manutenção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento.

Posto isso, um reforço da aliança militar entre os dois países está se desenvolvendo,  onde a Rússia irá ajudar a China a construir um sistema de alerta para rastrear lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, o qual opera através de uma rede de radares no solo e satélites, equipamento esse que só a Federação Russa e os EUA possuem atualmente.

Os detalhes do tamanho e das características do sistema de defesa de mísseis que a Rússia construirá para a China é ainda desconhecido. Atualmente, os chineses empregam recursos limitados que incluem um pequeno sistema russo S-300, que considera apenas um modesto impedimento contra mísseis de cruzeiro e balísticos. A proposta russa existente são os S-400, capazes de interceptar mísseis balísticos com grande precisão.

Para especialistas, tal sistema é visto como “uma parte crucial da dissuasão nuclear moderna”, e as abordagens adotadas por Rússia e China, no sentido de se autoproclamarem nações inseridas no conceito de uma simetria política assertiva, com personalidades semelhantes ou muito próximas para problemas modernos chaves, demonstram a formação de uma nova ordem mundial baseada na lei internacional, no respeito à autoidentidade de diferentes povos, no direito de todos a escolher independentemente o modo como querem se desenvolver.

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Notas:

* O Capitalismo de Estado, inicialmente, era uma ideia associada à organização econômica de Estados socialistas, tal como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Hoje, o conceito está ligado também a países que não são completamente socialistas, mas onde o Estado interventor opera arduamente na área econômica. É o arranjo econômico mais próximo ao Socialismo, pois, os governos usam o mercado para promover seus próprios interesses. Pode ser exercido tanto através de regulamentações e benefícios do Estado sobre o meio econômico de um país, como em sua participação ativa gerenciando empresas, entre outras ações.

** O Clube de Discussão Valdai foi criado em 2004. O nome faz menção ao lago Valdai, que está localizado perto de Veliky Novgorod, onde a primeira reunião do teve lugar. O potencial intelectual do Clube de Discussão Valdai é altamente considerado tanto na Rússia como no exterior. Mais de 1.000 representantes da comunidade acadêmica internacional de 71 países participam das suas atividades. A Fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento e apoio do clube foi criada em 2011, com o fim de ampliar suas atividades para novas áreas, incluindo trabalhos de pesquisa e divulgação, programas regionais e temáticos. Em 2014, a Fundação assumiu toda a responsabilidade pela gestão dos projetos do clube. Fundadores:

– Conselho de Política Externa e de Defesa (CFDP).

– Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (RIAC).

– Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou (Universidade) do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa (Universidade MGIMO).

– Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin e Xi Jinping” (Fonte): http://www.russia.org.cn/en/russia_china/vladimir-putin-and-xi-jinping-hold-bilateral-talks-in-beijing/

Imagem 2 Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61719/photos/61209

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Rússia ratifica acordo de Paris

No último dia 23 de setembro (2019), durante a cúpula climática da ONU em Nova York, a Rússia assinou uma resolução governamental que consagra a adesão definitiva ao Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases de efeito estufa, assinado por 195 países. O acordo visa manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2 graus Celsius (3,6 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais.

O país, que é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, irá se tornar participante de pleno direito do novo acordo climático que substitui o Protocolo de Kyoto*. Políticos e representantes de organizações ambientais e de pesquisa científica em todo o mundo apoiaram o movimento.

Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU – 2019

O processo de ratificação do Acordo vinha sendo delineado pela Rússia, desde o início deste ano (2019), de acordo com procedimentos legislativos internos e com a pretensão de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2020, em comparação com o nível de 1990, ressaltando que o acordo é um marco legal confiável para uma solução climática futura.

Um importante parceiro da Rússia nesse processo de gestão do clima a longo prazo é a Alemanha, que através de cooperação bilateral, não apenas no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais, vem se envolvendo na possível criação de grupo de trabalho conjunto para esse fim, procurando soluções para os desafios globais, incluindo o combate à fome, a proteção ambiental e a preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

Em paralelo à ratificação de acordo sobre o clima, a Rússia vem também se envolvendo em iniciativas para a criação de tecnologias ambientalmente seguras. Tal iniciativa foi aprovada em reunião realizada em agosto (2019), na cidade de São Paulo, onde representantes dos Ministérios do Meio Ambiente do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) concordaram em criar uma plataforma de parcerias público-privadas no setor de proteção ambiental, que será intitulada como BEST – BRICS Environmentally Sound Technology Platform (traduzido como Plataforma de Tecnologia Ambientalmente Sadia dos BRICS).

Poluição ambiental

Segundo especialistas, a adesão russa ao Acordo é um passo importante, simbolizando que o país compartilha o consenso da comunidade mundial sobre a necessidade de combater as mudanças climáticas e avançar em direção a um futuro com baixo teor de hidrocarbonetos. Isso reduzirá as perdas de reputação da Rússia e os riscos de imposição de taxas alfandegárias sobre essas commodities, mas não as anulará.

No entanto, esse passo permanecerá simbólico, a menos que seja confirmado por medidas reais, como a introdução de controles estatais sobre as emissões e a definição de uma estratégia clara de como a economia da Rússia, que hoje é criticamente dependente das exportações de combustível, se adaptará a um futuro em que esse combustível aparentemente ficará em segundo plano.

Para ambientalistas russos, a conscientização por parte do Governo, é o início de um processo de luta para minimizar as ameaças colocadas pelas alterações climáticas, tais como a destruição dos equilíbrios ambientais e os riscos para as populações que vivem sobre os terrenos gelados (permafrost**).

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Notas:

* O protocolo de Kyoto é um acordo internacional vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, que compromete as suas partes, estabelecendo metas de redução de emissões vinculativas a nível internacional.

Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelos atuais altos níveis de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, como resultado de mais de 150 anos de atividade industrial, o protocolo coloca uma carga mais pesada sobre as nações desenvolvidas com o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. O protocolo foi adotado em Kyoto, Japão, em 11 de dezembro de 1997 e entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. As regras pormenorizadas para a execução do protocolo foram aprovadas na COP 7 em Marrakesh, Marrocos, em 2001, e são referidas como “Acordos de Marrakesh”. Seu primeiro período de compromisso começou em 2008 e terminou em 2012.

**O Permafrost (do inglês perm: permanente + frost: congelado), também chamado de Pergelissolo, é um tipo de solo congelado formado na região do Ártico, caracterizado por fazer parte tanto da geosfera, por apresentar rochas e sedimentos, quanto da criosfera, por apresentar camadas de gelo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://unfccc.int/news/un-summit-delivers-new-pathways-to-shift-climate-action-into-higher-gear

Imagem 2 Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://www.un.org/en/climatechange/index.shtml

Imagem 3 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 4 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg