EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A volta da Rússia à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Após cinco anos de suspensão, a Federação Russa volta a integrar a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa* (APCE). O texto que permitiu o retorno da Rússia à entidade foi aprovado no último dia 25 de junho, numa sessão que durou 8 horas, em meio a acaloradas discussões e pedidos de emenda ao texto.

No plenário do Conselho da Europa, em Estrasburgo, França, 116 deputados dos distintos Estados-membros da organização pan-europeia da defesa dos Direitos Humanos votaram a favor de uma ratificação dos poderes da delegação de parlamentares russos. Sessenta e dois delegados, incluindo ucranianos, britânicos e poloneses, votaram contra e quinze se abstiveram.

O afastamento da Rússia pelo órgão europeu, em 2014, se deu por conta da condenação à anexação da Crimeia pelo país, à alegada ocupação militar do território ucraniano, e ao referendo instituído por Moscou na Península, o que foi intitulado pela instituição europeia como “ilegal. À época, a resolução do afastamento foi aprovada por 145 votos a 21, com 22 abstenções, e que, por prerrogativa de grupos de deputados conservadores, foi apresentado paralelamente a esse processo um pedido de banimento definitivo da Rússia da Assembleia, o que foi descartado, dando lugar a uma resolução de compromisso por parte da Rússia em reverter tais processos.

O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Em resposta a tal decisão, o chefe da delegação russa, Alexey Pushkov, declarou, à época, que Moscou deveria encerrar sua adesão à Assembleia por tal tratamento, onde, também, vários de seus colegas lançaram críticas aos países europeus que haviam “mudado de lado” para punir a Rússia, “adotando uma abordagem patologicamente tendenciosa, tratando a Rússia, um grande país, de uma forma desdenhosa e condescendente. Caso a Federação Russa abandonasse definitivamente a organização, esse processo privaria seus cidadãos de recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), braço jurídico do Conselho da Europa.

Desde a votação que suspende o afastamento russo, a Ucrânia protestou e rechaçou os poderes outorgados à Rússia, ao ver na decisão da APCE uma primeira suspensão das sanções impostas a Moscou. Após a votação dessa ratificação, várias parlamentares, sobretudo das delegações ucraniana e georgiana, abandonaram o hemiciclo e anunciaram que deixavam de participar nessa sessão da APCE.

Agora, com a liberação de sua volta ao órgão, a Rússia poderá apresentar sua delegação ao longo do ano (2019), sendo excluída da possibilidade de privá-la de seus principais direitos de voto.

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Nota:

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) (em inglês: PACE – Parliamentary Assembly of the Council of Europe) é um dos dois órgãos estatutários do Conselho da Europa, juntamente com o Comité de Ministros (Ministros dos Negócios Estrangeiros). A assembleia é constituída por representantes das forças políticas dos países membros, tanto as que estão no poder como as que estão na oposição. Tendo reunido pela primeira vez em 10 de agosto de 1949, pode ser considerada a mais antiga assembleia parlamentar baseada num tratado internacional com composição pluralista, baseada em membros de parlamentos democraticamente eleitos. O Conselho de 47 nações da Europa é separado da UE e supervisiona o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Reúne parlamentares da Europa Ocidental e Oriental, bem como os países do antigo bloco soviético. A Rússia é membro desde 1996.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea do Palácio da Europa  sede onde funciona a APCE, em Estrasburgo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Council_of_Europe_Palais_de_l’Europe_aerial_view.JPG

Imagem 2 O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Plenary_chamber_of_the_Council_of_Europe’s_Palace_of_Europe_2014_01.JPG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aprovação de Lei suspende Tratado sobre armas nucleares entre Rússia e EUA

No último dia 18 de junho (2019), a Duma (Câmara Baixa da Rússia, que corresponde, com as devidas proporções, e de acordo com os respectivos sistemas políticos, à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou por ampla maioria (417 votos a favor e uma abstenção) a suspenção do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force).

Esta votação é o resultado de vários anúncios proferidos pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, desde o dia 2 de fevereiro deste ano (2019), em resposta à decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, que, em 20 de outubro de 2018, anunciou que seu governo iria encerrar sua participação no referido Tratado, o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano à época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis Novator 9M729* (denominação OTAN: SSC-8), sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viole os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

Segundo especialistas, o resultado dessa votação poderá ser um dos fatores para que se inicie um processo de embate político-militar entre as duas nações, o que também poderia culminar com uma corrida armamentista e a implantação, por parte dos EUA, com o apoio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), de bases de lançamento de mísseis em países fronteiriços à Rússia, o que seria um golpe no sistema de estabilidade mundial.

O presidente Vladimir Putin, por sua vez, já tinha afirmado que responderá a qualquer instalação de armas nucleares americanas de alcance intermediário na Europa mirando seus “novos mísseis”, não só contra os países que receberem esse armamento, mas contra os próprios Estados Unidos, que deveriam calcular os riscos antes da tomada de qualquer decisão precipitada: “É direito deles pensarem como quiserem. Mas eles sabem contar? Tenho certeza que sabem. Deixe-os contarem a velocidade e o alcance dos sistemas de armas que estamos desenvolvendo. (…). A Rússia será forçada a criar e instalar tipos de armas que podem ser usadas não somente contra esses territórios a partir dos quais a ameaça direta a nós se origina, mas também a respeito desses territórios onde os centros de tomada de decisão estão localizados”.

Após a aprovação da Lei na Duma, a expectativa é de que o Conselho da Federação (que corresponde ao Senado no Brasil) a adote no próximo dia 26 de junho. A Lei outorga a Putin o direito a restabelecer a vigência do Tratado se os EUA retificarem sua postura.

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Nota:

* O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que a carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Plataforma de lançamento de míssil Novator 9M729” (Fonte): https://nationalinterest.org/blog/the-buzz/novator-9m729-the-russian-missile-broke-inf-treatys-back-23547

Imagem 2 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Proposta de recuperação diplomática no encontro entre Rússia e EUA

Um importante passo na área da diplomacia internacional foi dado no último dia 14 de maio (2019), quando EUA e Rússia, duas das principais superpotências da atualidade, tiveram um encontro de seus mais elevados representantes para discutir questões inerentes aos dois países, as quais estão afetando não só suas relações bilaterais, mas, também, poderão deixar um grave desbalanceamento geopolítico mundial se não forem direcionadas a uma resolução pacífica.

Mike Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, desembarcou na cidade russa de Sochi, localizada na costa do Mar Negro, e se reuniu, primeiramente, durante 90 minutos, com o presidente russo Vladimir Putin, que deu as boas vindas ao representante norte-americano, ao mesmo tempo em que recebeu de Pompeo o briefing da reunião a ser realizada principalmente com o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.

As conversações realizadas foram pautadas em assuntos que são destaques na mídia internacional por sua enorme relevância e, diretamente, envolvem as duas nações, que, na maioria das vezes, estão em lados opostos das posições tomadas, o que deteriora os anseios das relações internacionais e as expectativas da comunidade internacional.

Além da discussão sobre pontos basilares, tais como a promoção de estabilidade geopolítica, a luta contra o terrorismo, o controle de armas, a não proliferação nuclear e a construção do diálogo de segurança estratégica, Pompeo e Lavrov focaram em assuntos que ultrapassam as fronteiras de seus países, mas, que, pela forma como vem sendo tratados, e pelo envolvimento das duas potências, levantam suspeitas e juízos prévios, entre elas. São eles:

Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela

A crise na Venezuela

Pompeo e Lavrov trataram da questão da Venezuela e o primeiro pediu para Moscou retirar seu plano de apoio a Caracas, o que foi recusado. O Secretário norte-americano reiterou a urgência da saída de Nicolás maduro do poder, declarando o quanto é extrema a situação do povo venezuelano e esperando que a Rússia entenda isso e tome outros caminhos nesta crise. Em resposta, Lavrov denunciou as “ameaças” dos EUA contra o regime venezuelano. Nas últimas semanas, a Rússia e os Estados Unidos acusaram um ao outro de interferência na Venezuela, devastada pela crise. Moscou é um aliado essencial de Maduro, enquanto Washington apoia o líder da oposição, Juan Guaidó, autoproclamado Presidente Interino venezuelano.

Hassan Rohani – Presidente do Irã

Tensões renovadas com Irã

Desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou, em 2018, a retirada dos EUA do Acordo Nuclear com o Irã, sua administração tem lentamente reativado um processo de punição a nação persa. Na semana passada, o Irã informou que diminuiria seus compromissos nucleares e, em resposta, os Estados Unidos aplicaram novas sanções aos produtos do país, o que fez o governo do presidente iraniano Hassan Rohani afirmar que os norte-americanos desencadearam a “guerra total”. Como russos e iranianos são aliados no apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad, há certos alinhamentos políticos que se contrapõem aos preceitos norte-americanos, o que foi reiterado nesta reunião após declaração de Lavrov, quando chamou de “ilegítimas” as sanções norte-americanas e incentivou as nações europeias a cumprirem o acordo firmado com o Irã, no tocante ao comércio multilateral, o que será improvável, devido ao receio de que as referidas sanções se estendam a quem se relacionar com o Irã.

Principais mísseis norte-coreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo

Desnuclerização norte-coreana

Outro ponto importante tratado na reunião foi a proposta de reivindicar ao Governo da Coreia do Norte que inicie processo de desnuclearização da península. Segundo Pompeo, EUA e Rússia “compartilham o mesmo objetivo” em relação à questão nuclear norte-coreana, e esperam poder encontrar os meios “para trabalhar juntos”. O presidente Putin “entende que os Estados Unidos terão um papel líder” neste processo, disse o Secretário de Estado russo. Moscou defende o diálogo com a Coreia do Norte seguindo o roteiro definido por China e Rússia, que pede a suspensão das sanções internacionais. Já Washington acusa Moscou de ajudar Pyongyang a driblar tais sanções.

Segundo analistas, os frutos dessa reunião ainda são incertos, devido ao grande distanciamento político entre EUA e Rússia, e novas conversas poderão ser retomadas, agora pelos Presidentes das duas nações, em encontro a ser acertado para junho de 2019, na reunião do G20, a ser realizada no Japão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Mike Pompeo e Sergey Lavrov” (Fonte): https://www.pbs.org/newshour/world/pompeo-and-lavrov-see-hope-for-improved-u-s-russia-ties

Imagem 2 Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/303179

Imagem 3 Hassan Rohani Presidente do Irã” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rohani#/media/File:Endorsement_of_Hassan_Rouhani%27s_second_term_18.jpg

Imagem 4 Principais mísseis nortecoreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dprk-infographic_nti-version_170213_print.pdf

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O retorno russo à ilha de Cuba

No dia 1º de maio de 2019, o ex-presidente Raúl Castro, Primeiro-Secretário do Partido Comunista de Cuba, recebeu o Prêmio Lênin, a mais alta condecoração concedida pelo Partido Comunista da Federação Russa. Em sua declaração, ao receber a honraria, Castro reiterou que “o prêmio é um símbolo poderoso das relações históricas entre os povos de Cuba e da Rússia que sofreram em diferentes cenários, mas, que, hoje, se reforçam e se renovam”.

Che Guevara e Fidel Castro em 1961

A forte relação bilateral entre essas nações teve início na década de 1960 quando, em meio ao embate político-ideológico entre EUA e URSS ao longo do período conhecido como a Guerra-Fria, aconteceu a Revolução Cubana*, movimento liderado por personagens como FidelCastro e Che Guevara, que depôs o então presidente Fulgêncio Batista. Em 1961, Fidel Castro declarou publicamente a sua adesão ao comunismo internacional e sua opção pelo marxismo-leninismo, sendo que quatro anos depois fundou o Partido Comunista de Cuba.

A postura de Fidel Castro aproximou, definitivamente, cubanos da União Soviética. Sendo Cuba uma ilha geograficamente estratégica, situada no Caribe, os soviéticos viram em seu território uma oportunidade do estabelecimento de bases de mísseis nucleares que ficariam apontados para as cidades estadunidenses, e que, posteriormente, passariam por um dos piores desbalanceamentos de segurança internacional, no que ficou conhecido como a “Crise dos Mísseis” de 1962.

Mapa indicando localização de Cuba e da Rússia

Os 9.550 quilômetros que separam Havana de Moscou praticamente não tinham significância durante os 30 anos que perduraram os laços ideológicos e militares caracterizados pelo forte subsídio econômico oferecido a Cuba pela União Soviética (cerca de 4 bilhões de dólares anuais, ou R$ 16,4 bilhões ao câmbio atual). Com o colapso da URSS em 1991, a presença massiva dos soviéticos se retirou da ilha, deixando uma grave crise econômica para trás. Segundo estatísticas, em apenas dois anos após a retirada da ajuda econômica, o PIB (Produto Interno Bruto) de Cuba encolheu 35%, gerando a pior crise da história do país.

Embaixada da Rússia em Havana

Atualmente, a reaproximação por parte da Federação Russa vai de encontro ao processo de consolidação de sanções que os EUA aplicam contra a ilha, acusada de apoiar militarmente o governo venezuelano de Nicolás Maduro, outro aliado de Moscou. Segundo especialistas, a política adotada por Washington obriga a ilha caribenha a “abrir as portas” para uma maior presença não só da Rússia, mas, também, de outros países interessados nas vantagens geopolíticas e geoestratégicas da região, tais como a China.

Em 2018, os primeiros traços dessa reaproximação bilateral começaram a ser vislumbrados com a injeção de 1,392 bilhão de dólares (aproximadamente, 5,506 bilhões  de reais, de acordo com a cotação de 10 de maio de  2019), sendo 97% desse valor destinado a renovar linhas ferroviárias e implantar acordos em matéria de energia elétrica e nuclear, o que poderá aumentar em 20% a produção na ilha, além de implantar sistemas de cibersegurança; os 3% restantes serão destinados a modernizar a indústria militar cubana.

Segundo Ric Herrero, diretor do Grupo de Estudos sobre Cuba, que reúne cubano-americanos que defendem a abertura econômica e política do país, o processo de reaproximação “É parte de um esforço maior da Rússia para desestabilizar os Estados Unidos, mais do que para criar um satélite soviético a 90 milhas da costa norte-americana, como aconteceu na Guerra Fria”.

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Nota:

* A Revolução Cubana foi um processo revolucionário responsável pela derrubada do governo ditatorial imposto por Fulgêncio Batista, que resultou na tomada de poder da guerrilha liderada por Fidel Castro no ano de 1959. Apesar de, a princípio, não se basear em uma ideologia socialista, o movimento cubano acabou se alinhando ao comunismo soviético. Cuba tornou-se independente em 1898, a partir do apoio dos EUA contra a Espanha e, desde então, tornou-se uma espécie de “terreno” dos EUA, onde, conforme apontam alguns historiadores, inúmeros negócios norte-americanos se desenvolviam com lucros altíssimos ao realizar à exploração da economia cubana. O processo de oposição contra o poder em Cuba s e iniciou a partir do golpe político realizado por Fulgêncio Batista, em 10 de março de 1952, que resultou na derrubada do então presidente Carlos Prío Socarrás. A partir do golpe, Fulgêncio Batista instituiu uma forte ditadura militar com aguda repressão da imprensa e de qualquer movimento político de oposição e com ela se iniciou a luta de Fidel Castro e seus partidários. Pode-se afirmar, portanto, que o movimento liderado por Fidel Castro é, ao mesmo tempo, uma luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista e também uma luta nacionalista contra as intervenções norte-americanas nos assuntos cubanos, tanto em questões políticas quanto em questões econômicas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede do Comitê Central do Partido Comunista, em Havana” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Cuba#/media/File:Comit%C3%A9_Central_PCC.jpg

Imagem 2 Che Guevara e Fidel Castro em 1961 ” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Cuba#/media/File:CheyFidel.jpg

Imagem 3 Mapa indicando localização de Cuba e da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/62/Cuba_Russia_Locator.svg

Imagem 4 Embaixada da Rússia em Havana” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Relações_entre_Cuba_e_Rússia#/media/File:Embassy_of_Russia_in_Havana_-_Nick_De_Marco.jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Acordo sobre o clima será ratificado pela Rússia

Após a assinatura do Decreto pelo Governo russo, em 20 de abril de 2016, que aprova o Acordo de Paris*, o próximo passo a ser adotado será a ratificação do Documento, em conformidade com os procedimentos legislativos da Federação Russa.

De acordo com declaração em 23 de abril (2019) do Vice-Primeiro-Ministro da Rússia, Aleksei Gordeev, os trabalhos inerentes à ratificação deverão estar concluídos até o final do ano de 2019, explicando, ainda, que os órgãos governamentais ligados a essa empreitada já sinalizaram, como parte dos objetivos propostos, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa** em 25% até o ano de 2020, tomadas as devidas comparações com o nível de 1999.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

A Rússia, quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, está se empenhando nessa ratificação do Acordo, com a participação de autoridades, cientistas e empresários que concordaram em seu significado e, assim, estão avaliando os efeitos econômicos do mesmo com possíveis mudanças na política energética do país. Isto posto, ajudaria as empresas russas a participarem de projetos de desenvolvimento sustentável e atrair novos investidores mundiais.

Mapa dos países participantes do Acordo de Paris

A declaração da ratificação vai ao encontro com as conversações realizadas com o ministro alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Gerd Müller, que, por sua vez, juntamente com outros representantes da Alemanha, sugeriu continuar a cooperação bilateral com a Rússia para a solução climática no longo prazo, não só no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais.

Até à data, 184 Estados e a União Europeia ratificaram o Documento. No entanto, os EUA se tornaram o único país a recuar nos esforços globais para combater as emissões. Em agosto de 2017, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada do seu país do Acordo de Paris, seguindo suas promessas de campanha e a política “America First”, que, em um dos dois pontos, deveria proteger a indústria nacional de extrativismo, principalmente a do carvão.

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Notas:

* O Acordo de Paris é um compromisso internacional discutido entre 195 países com o objetivo de minimizar as consequências do aquecimento global. Ele foi adotado em 12 de dezembro de 2015, durante a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas, sobre Mudança do Clima – COP 21, em Paris, no ano de 2015. O Acordo tem como objetivo fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas. Ele foi aprovado pelos 195 países participantes que se comprometeram em reduzir emissões de gases de efeito estufa. Isso se resume em manter a temperatura média da Terra abaixo de 2 °C, acima dos níveis pré-industriais. Além de esforços para limitar o aumento da temperatura até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os países desenvolvidos também se comprometeram a conceder benefícios financeiros aos países mais pobres, de modo que possam enfrentar as mudanças climáticas.

** Os gases de efeito estufa (GEE) são gases que absorvem uma parte dos raios do sol e os redistribuem em forma de radiação na atmosfera, aquecendo o planeta em um fenômeno chamado efeito estufa. Os principais GEE que temos são: CO2 (Dióxido de Carbono), CH4 (Metano), N2O (Óxido Nitroso), PFCs (Perfluocarbonetos) e o vapor d’água. A denominação efeito estufa foi dada em analogia ao aquecimento gerado pelas estufas, normalmente feitas de vidro, no cultivo de plantas. O vidro permite a livre passagem da luz do sol e essa energia é parte absorvida, parte refletida. A parte absorvida tem dificuldade de passar novamente pelo vidro, sendo reirradiada e responsável pelo aquecimento da estufa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg

Imagem 2 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 3 Mapa dos países participantes do Acordo de Paris” (Fonte): https://insdrcdn.com/media/attachments/3/2d/b8ed9a2d3__1600x0.png

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Xiaomi: melhor marca em crescimento na Rússia em 2019

Pela primeira vez realizada em solo russo, a premiação Best Brands (do inglês, Melhores Marcas) categorizou a Xiaomi como a melhor marca em crescimento de 2019, no evento “Russian Consumer Electronics”. O prêmio faz parte de um projeto anual organizado pela Interbrand, consultoria global controlada pela Omnicon Group Inc., e que, todos os anos, categoriza as melhores marcas do mundo, tendo como referencial suas estratégias, valorização, design corporativo e gestão.

A gigante da tecnologia chinesa Xiaomi começou sua história nos arredores de Pequim em abril de 2010, quando foi fundada por 8 sócios provindos de outras empresas de renome em território chinês, tais como Kingsoft e filiais da Google e Motorola, comprovando, assim, uma grande experiência de mercado. O nome de batismo da empresa, que literalmente significa “pequeno arroz”, tem um simbolismo profundo devido à história do país, onde, durante a segunda guerra sino-japonesa, de 1937 a 1945, o líder Mao tse Tung dizia que a China combatia usando “xiaomi e rifles”. Além disso, no budismo existe o ditado de que um único grão de arroz é capaz de ser tão incrível quanto uma montanha.

Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação

Desde sua fundação, a empresa vem batendo recordes de vendas de seus aparelhos celulares. Em 2015, conseguiu a impressionante marca de 2 milhões, 112 mil e 10 dispositivos vendidos em um só dia numa plataforma de vendas online. No mesmo ano, a empresa atingiu um valor de mercado em torno de 45 bilhões de dólares (cerca de R$ 182,88 bilhões ao câmbio atual) e com mais de 160 milhões de usuários em sua base de dados.

Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS

Atualmente, a empresa expandiu sua presença global com novas lojas localizadas em várias cidades de diferentes continentes. Além da Índia, também em países europeus como a Rússia, França, Alemanha e Espanha, e vêm aumentando sua participação mundial não só no segmento de celulares, mas, também, no ramo de Internet das Coisas e de saúde, lançando vários itens de fabricação própria, tais como monitor de pressão sanguínea, purificador de ar, aspirador, roteador, drones, televisores, action cam, scooter elétrico e até panela de esquentar arroz. Seu principal produto vendido é o aparelho celular MI 9 SE, que pode ser comprado no Brasil através de plataformas online, pelo valor de R$ 2.200,00.

Segundo dados divulgados, outro ponto que chamou a atenção nessa premiação foi a presença da Huawei* no segundo lugar, indicando que as empresas chinesas conseguiram cativar o consumidor russo, sendo a Xiaomi a mais lembrada pelo público. A popularidade da companhia fica ainda mais evidente quando são considerados os números divulgados pelo AliExpress** no fim do ano passado (2018). De acordo com o levantamento, dos cinco smartphones mais vendidos na Rússia, três eram da Xiaomi.

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Notas:

* A Huawei é uma empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações sediada na cidade de Shenzhen, localizada na província de Guangdong, China. Fundada em 1987, a Huawei cresceu de um pequeno negócio de US$ 5.680 (R$ 23,08 mil, no câmbio atual) para uma empresa global, com um volume de vendas de mais de US$ 70 bilhões (R$ 284,48 bilhões ao câmbio atual), com presença de negócios em mais de 170 países e regiões. Suas atividades principais são pesquisa e desenvolvimento, produção e marketing de equipamentos de telecomunicações, e o fornecimento de serviços personalizados de rede a operadoras de telecomunicações.

** AliExpress é um serviço de varejo on-line fundado em 2010, pertencente ao Alibaba Group, com sede em Hangzhou, China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Premiação Best Brands Rússia 2019” (Fonte): https://www.facebook.com/xiaomiglobal/photos/fpp.250677251634542/2218492418186339/?type=3&theater

Imagem 2 Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação” (Fonte): http://www.gazprom-media.com/ru/news/show?id=1738

Imagem 3 Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS” (Fonte): https://www.mi.com/global/mi-9-se/