ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Apesar das sanções, investimento estrangeiro cresce na Rússia

Considerada como um mercado estratégico global, a Federação Russa está vendo seus níveis de investimentos estrangeiros se elevarem mesmo sendo alvo de várias sanções internacionais nos últimos anos e, segundo o último relatório da empresa de auditoria EY* (Ernst & Young), realizado em parceria com a Câmara Americana de Comércio na Rússia, as empresas dos EUA continuam como os maiores investidores estrangeiros na economia russa.

Logotipo da EY

Segundo dados apresentados, em 2018 as companhias norte-americanas investiram em projetos na Rússia duas vezes mais do que os investidores da Europa e cinco vezes mais do que os asiáticos. Um dos principais setores apreciados pelos investidores é o da energia e dos recursos naturais, que continuará a liderar o volume de investimentos estrangeiros, os quais, em termos percentuais (em torno de 49% do total), estão previstos para encerrar o ano de 2019 com um nível maior do que o acumulado ao longo de todos os anos anteriores.

Gráfico dos percentuais de investimento por categoria industrial – 2019

Por outro lado, o cenário não é totalmente otimista, pois as restrições financeiras impostas pela comunidade internacional causaram contração do mercado interno, colocando os negócios em desvantagem em relação a empresas de outros países. Os riscos de reputação associados a fazer negócios na Rússia aumentaram, fazendo com que novos projetos fossem congelados e a assinatura de novos contratos suspensa, principalmente por clientes localizados em solo europeu.

Logotipo da Novatek

Posto isso, o Governo russo já havia anunciado, em setembro (2019), durante o Fórum Econômico Mundial do Leste, realizado em Vladivostok, que iria direcionar esforços para atrair investidores de outro polo geográfico, ou seja, seu foco de atenção seria realizar negócios com países asiáticos.

No encontro, o presidente russo Vladimir Putin anunciou grandes projetos que irão ser efetivados no extremo oriente do país, juntamente com parceiros econômicos como China, Índia e Japão. Um dos projetos, que vai ser administrado pela empresa russa Novatek, é a criação de uma gigantesca fábrica de produção de gás natural que custará em torno de US$ 21,3 bilhões (aproximadamente R$ 88,8 bilhões**) e terá como sócios principais duas empresas chinesas da área energética (CNOOC e CNPC) e o consórcio japonês Mitsui-Jogmec, os quais serão de grande importância para o desenvolvimento da exploração das ricas reservas em recursos naturais, e para a implantação das indústrias do futuro que irão beneficiar a região.

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Notas:

* Ernst & Young (com nova denominação EY) é uma empresa multinacional de serviços profissionais com sede em Londres, Inglaterra e Reino Unido. A EY é uma das maiores empresas de serviços profissionais do mundo, juntamente com a Deloitte, KPMG e Pricewaterhouse Coopers (PwC). Por conta de uma série de aquisições e mudança de foco no mercado, a EY expandiu sua participação mercadológica em áreas como consultoria de serviços de operações, consultoria de serviços de estratégia, consultoria de serviços de RH, consultoria de serviços financeiros e consultoria de serviços de tecnologia.

** Cotação de 10/11/2019 (US$ 1 = BRL 4,166).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Centro Internacional de Negócios de Moscou” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Internacional_de_Negócios_de_Moscou#/media/Ficheiro:Moscow-City_(36211143494).jpg

Imagem 2 Logotipo da EY” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ey_logo_2019_new.jpg

Imagem 3 Gráfico dos percentuais de investimento por categoria industrial 2019” (Fonte): https://www.ey.com/Publication/vwLUAssets/ey-amcham-annual-survey-2019-eng/$FILE/ey-amcham-annual-survey-2019-eng.pdf

Imagem 4 Logotipo da Novatek” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Novatek#/media/File:Novatek_Logo_latin.svg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

Devido a sanções norte-americanas, Huawei irá ampliar participação na Rússia

Considerada uma gigante global do ramo das telecomunicações e pioneira na criação da tecnologia 5G*, a empresa chinesa Huawei (traduzido do mandarim: flor), desde 2012 vem sendo acusada pelo Governo norte-americano de ser uma “ferramenta” do Estado chinês para executar espionagem de outros governos pelo mundo.

Logotipo da Huawei

Considerada uma ameaça para a segurança global, a Huawei foi colocada numa lista negra, na qual os elencados são impedidos de fazerem negócios com empresas dos EUA e, consequentemente, não poderão receber fornecimento de softwares e componentes para serem instalados em seus aparelhos celulares e tablets, deixando, assim, de ter acesso a alguns serviços do Android** e aos populares aplicativos Gmail e Google Maps.

Outro fator que potencializou o ataque mercadológico contra a Huawei partiu do FCC (Federal Communication Commission), órgão regulador das telecomunicações nos EUA que quer instaurar, em duas etapas, restrições punitivas às operadoras de telecomunicação locais.

Num primeiro momento, o FCC quer impedir que essas empresas utilizem de fundos do órgão que subsidiam serviços em áreas pobres para comprar equipamentos da Huawei e, numa segunda etapa, o órgão irá impor a uma lista de operadoras a remoção de equipamentos que se encontram na lista negra dos EUA, mesmo que já instalados em suas redes, sendo direcionadas a comprarem equipamentos de fornecedores tidos como confiáveis. Por último, quem não acatar as recomendações poderia ter atuação encerrada no país devido ao risco apresentado à segurança nacional.

Ilustração tecnologia 5G

Posto isso, a empresa chinesa busca alternativas para expandir seus negócios e encontrou na Federação Russa um aliado pronto a receber sua tecnologia 5G, quando, em setembro (2019), abriu em Moscou sua primeira zona de testes com a empresa MTS, maior operadora de telecomunicações móveis do país.

Com a nova parceria, a Huawei irá desembolsar cerca de 500 milhões de rublos (aproximadamente R$ 31,5 milhões***) na construção de centros de pesquisa e no treinamento de 10 mil especialistas russos, num período de 5 anos. A Rússia, por sua vez, analisa a inserção tecnológica chinesa em seu território como um marco desenvolvimentista para a plataforma do 5G, onde aspira implantar redes em todas as suas grandes cidades até 2024.

Logotipo do Sistema Operacional russo Aurora

Em detrimento às restrições norte-americanas, a Rússia também está oferecendo à Huawei, em substituição momentânea ao Android, seu sistema operacional Aurora, que poderá ser um trampolim para que a empresa chinesa desenvolva seu próprio sistema.

Segundo especialistas, a aliança entre Federação Russa e China, no tocante a tecnologia 5G, é a implantação de um desafio geopolítico que poderá criar uma frente econômica contra os Estados Unidos, onde o fato de falarem sobre o sistema operacional é realmente uma ameaça política que irá ao encontro de um processo de autonomia em relação ao monopólio americano dos sistemas operacionais de telefonia móvel no mundo.

As duas potências, trabalhando em conjunto para o desenvolvimento da tecnologia 5G, poderão alcançar, em primeira mão, elevados resultados estratégicos no tocante a formatação do ciberespaço, alavancando novos patamares relativos à geração de cidades inteligentes, à cibersegurança, à Internet das Coisas, ao Big Data e a todos os sistemas de processamento de informação, não só econômicos como também militares.

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Notas:

* É a próxima geração de rede de internet móvel, que promete velocidade de download e upload de dados mais rápida (10 a 20 vezes mais rápida do que a do 4G), cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. Trata-se de utilizar melhor o espectro de rádio e permitir que mais dispositivos acessem a internet móvel ao mesmo tempo (Internet das Coisas).

** Android é o sistema operacional móvel do Google. Presente em múltiplos aparelhos de diversas fabricantes, como Samsung, Motorola, LG e Sony, é a plataforma mobile mais popular do mundo. É conhecido por ser baseado no núcleo do Linux, ter um código aberto e uma série de possibilidades de personalização.

*** Cotação de 02/11/2019 (RUB 1 = BRL 0,063).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Capa protetora de celular Huawei com bandeira da Rússia” (Fonte): https://www.fruugo.us/stuff4-casecover-for-huawei-honor-3xg750russiarussianflags/p-5282093-12283310?ac=bing&language=en

Imagem 2 Logotipo da Huawei” (Fonte): https://www.huawei.com/br/

Imagem 3 Ilustração tecnologia 5G” (Fonte): https://carrier.huawei.com/en/spotlight/5g

Imagem 4 Logotipo do Sistema Operacional russo Aurora” (Fonte): https://web.archive.org/web/20100630075322/http://www.auroraos.org/

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia assume papel de mediador no conflito da Síria

Uma nova fase da guerra deflagrada em território sírio se desenvolveu a partir do último dia 6 de outubro (2019), quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou a retirada de tropas militares estadunidenses do noroeste da Síria, abrindo caminho para uma ofensiva militar em larga escala da Turquia e também deixando de lado o apoio estratégico que estava sendo direcionado aos aliados curdos.

A decisão de Trump de minimizar a participação dos EUA nesse conflito, segundo informações, vai ao encontro de suas promessas de campanha pré-eleitoral e também pelo fato de o Governo norte-americano estar desembolsando enormes quantias para manter qualquer tipo de apoio, principalmente às milícias curdas que foram de extrema importância para os EUA na campanha contra o Estado Islâmico.

Atualmente, na complexidade desse conflito, são muitos os atores envolvidos no jogo político no norte da Síria e, para especialistas, com a saída dos norte-americanos dessa região, a próxima nação a assumir o importante papel de principal mediador e direcionador dos desígnios que restabelecerão o equilíbrio sistêmico regional será a Federação Russa, tendo como representante o Presidente Vladimir Putin.

Mapa da situação militar na Síria – Janeiro 2019

O nó a ser desatado pela Rússia está baseado não só nos trabalhos para se evitar a ameaça de um refortalecimento do Estado Islâmico que ainda apresenta focos espalhados pelo território sírio, mas, também, nos conflitos internos entre sírios, curdos e turcos, que se estruturaram nos últimos tempos.

Para se entender qual será a responsabilidade da Rússia neste momento, deve-se apresentar o desenho político da região com seus atores e suas ações, para que se tenha a possibilidade de direcionar acordos entre as partes, no intuito de estabelecer um processo de paz.

Bandeira do YPG

YPG – As Unidades de Proteção Popular (em curdo: Yekîneyên Parastina Gel), é uma organização armada curda da região do Curdistão sírio. O grupo foi fundado como braço armado do Partido de União Democrática sírio, também tem ligações com o Conselho Nacional Curdo e, atualmente, controla militarmente boa parte do nordeste da Síria. Considerado como uma milícia armada, foi aliado dos EUA na luta contra o Estado Islâmico e, com a saída das tropas norte-americanas da região, se viram por conta própria, principalmente na luta contra tropas turcas.

Turquia – declarou que sua segurança nacional está ameaçada devido a ações do YPG próximo à sua fronteira e lançou uma série de ofensivas contra o mesmo, no intuito de criar uma “zona de segurança” no território sírio. O país considera o YPG um aliado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia curda na Turquia.

Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)

FDS – as Forças Democráticas Sírias é uma coalizão de várias unidades, sendo a maior parte delas formada pela milícia curda do YPG, além de unidades árabe-muçulmanas e árabe-cristãs que controlam praticamente 40% do território sírio. Também lutaram ao lado da coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico.

Governo sírio – a liderança em Damasco, sob o governo de Bashar al-Assad, mantém um relacionamento ambivalente com os curdos, que vai da cooperação até o conflito, dependendo de seus interesses momentâneos.  Tropas do Governo, atualmente, dominam vastas áreas do centro, do sul e do oeste da Síria, sendo que o nordeste do país é controlado pelas FDS. O fato de o Exército sírio agora apoiar os curdos contra a ofensiva militar turca pode significar que o presidente Assad está tentando expandir sua influência na região.

Militante com bandeira do Estado Islâmico

Estado Islâmico – O EI pode se beneficiar com a desestabilização na região, mesmo tendo sido enfraquecido nas últimas batalhas com as FDS. Alguns focos de jihadistas ainda persistem em certas regiões centrais do país e, com a saída das tropas norte-americanas que suportavam as milícias que os combatiam, poderão se fortalecer e voltar a impor sua hegemonia na área.

Rússia – com a saída dos EUA, tropas russas começaram, em 15 de outubro (2019), a patrulhar o norte da Síria e a preencher o vácuo político deixado por Washington, fazendo uma linha divisória entre as forças turcas e o Exército sírio, além de estarem em constante conversação entre as partes para se evitar um choque direto entre essas forças militares.

Para analistas internacionais, o movimento que redesenha o equilíbrio no Oriente Médio, reflete a repentina perda de influência dos EUA e abre uma nova oportunidade para os russos se apresentarem como mediadores confiáveis, garantindo novos negócios e avançando seus interesses estratégicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Kremlin de Moscou” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Rússia#/media/Ficheiro:Kremlin_Moscow.jpg

Imagem 2 Mapa da situação militar na Síria  Janeiro 2019” (Fonte): https://southfront.org/wp-content/uploads/2019/01/24jan_syria_war_map-1024×952.jpg

Imagem 3 Bandeira do YPG” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:People%27s_Protection_Units_Flag.svg

Imagem 4 Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Democráticas_Sírias#/media/Ficheiro:Syrian_Democratic_Forces_announce_Deir_ez-Zor_offensive.jpg

Imagem 5 Militante com bandeira do Estado Islâmico” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:%C4%B0D_bayra%C4%9F%C4%B1_ile_bir_militan.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Rússia apresenta reservas financeiras maiores que saldos devedores

Quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) teve seu fim decretado, em 1991, o extinto Estado deixou um saldo da dívida externa em torno dos US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 286,30 bilhões*), acumulados principalmente no período da Perestroika** (1985-1991), quando o Governo tentou implementar políticas econômicas para estabilização nacional, que, no fim, se apresentaram falhas em seu objetivo e deixariam um legado de dívidas para o novo país que despontava.

Logotipo do Clube de Paris

Em 2006, após anos de rigorosa escalada de políticas econômicas do governo de Vladimir Putin, a Federação Russa concluiu o pagamento, de forma antecipada, de toda a dívida soviética junto ao Clube de Paris, grupo integrado por 19 países credores e que deixariam registrado como o maior recebimento da história da instituição, quando, em uma única parcela, receberia do país devedor o montante de US$ 22 bilhões (aproximadamente R$ 89,98 bilhões*).

Desde então, a Rússia vem se empenhando em tomar medidas econômicas restritivas no intuito de garantir estabilidade financeira em detrimento aos percalços que poderiam se apresentar. As sanções internacionais promovidas contra si devido à reintegração da Crimeia, a queda dos preços de petróleo no mercado mundial e a incerteza sobre as perspectivas de crescimento da economia global relatadas pelo Banco Central russo, fizeram com que o Kremlin iniciasse um processo de acumulação de reservas, como instrumento de proteção internacional.

Segundo fontes jornalísticas, o resultado dessa rigorosa política financeira ocasionou uma enorme queda da dívida pública líquida do país e as estatísticas mostram que as autoridades financeiras da Rússia podem efetuar pagamento de todos os seus débitos utilizando, apenas, dos depósitos do Banco Central e de Bancos comerciais.

Histórico (%) da dívida pública russa em relação ao PIB (1999 – 2017)

Em 1o de agosto (2019), a dívida total da Rússia, que inclui as externas e internas, era de 16,2 trilhões de rublos (aproximadamente 1,04 trilhão de reais***), ou cerca de 15% do PIB (Produto Interno Bruto). Isto representa um pouco menos do que o total dos depósitos no Banco Central e nos Bancos comerciais, de 17,6 trilhões de rublos (aproximadamente 1,13 trilhão de reais***).

Um fato interessante nesse processo de absorção de dívidas é que a Federação Russa está indo na contramão das operações realizadas no resto do mundo, não só pelas barreiras econômicas que enfrenta devido às sanções impostas pela comunidade internacional, mas, também, pela austera política econômico-financeira que vem adotando.

Logotipo do Institute of International Finance

Desde 2008, várias economias mundiais, ao lidar com a crise global, tiveram que contrair dívidas em forma de empréstimos adicionais no intuito de evitar recessões internas. Isso desencadeou um recorde no montante acumulado, onde todos os setores da economia, como famílias, governos, instituições financeiras e companhias não financeiras, apresentaram uma elevação de US$ 70 trilhões (aproximadamente R$ 286,3 trilhões*), no final de 2006, para um nível sem precedentes uma década depois, em torno de US$ 215 trilhões (aproximadamente R$ 879,35 trilhões*), alcançando 325% do PIB mundial, segundo dados apresentados do Institute of International Finance.

Os países que mais contrataram empréstimos, no final desse período, foram as três maiores economias do mundo (EUA, China e Japão), declarou o FMI (Fundo Monetário Internacional), sendo que a entidade ressaltou que a dívida desses países, que excede sua produção, representa riscos potenciais para a expansão global.

Posto isso, no intuito de atingir a estabilidade macroeconômica, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização, com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA, e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro, sendo que, no início de junho (2019), o BC russo anunciou que as reservas cambiais e de ouro do país atingiram aproximadamente o equivalente a US$ 502,7 bilhões (aproximadamente R$ 2,06 trilhões*).

A política financeira russa, no entanto, tem também consequências negativas, segundo os economistas. A decisão de poupar dinheiro e não o empregar para impulsionar o crescimento econômico leva à estagnação contínua, além de que o governo teve que cortar benefícios sociais e aumentar impostos, o que afetou a popularidade dessa política. De acordo com as atuais perspectivas, provavelmente, a Rússia está esperando a redução das receitas e a desaceleração da economia global.

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Notas:

* Cotação de 11/10/2019 (USD 1 = BRL 4,09).

** Durante o governo de Mikhail Gorbachev, em 1985, foi introduzida a Perestroika, uma reestruturação política da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), que, juntamente com a Glasnost (transparência), tinha o objetivo de reorganizar setores da sociedade soviética. No sentido literal, Perestroika tem o significado de reconstrução. Introduzida na URSS no XXVII Congresso do Partido Comunista, afetou profundamente os rumos do país, além de ter criado uma nova forma de política soviética. Gorbachev, então Secretário Geral do Partido, ao perceber que o setor econômico da nação estava a caminho de um declínio, adotou medidas reformadoras que seriam concluídas quando as ações da Perestroika chegassem ao seu fim. Entre as principais medidas que deveriam ser tomadas no processo, estava a redução na quantidade de dinheiro investido no setor de Defesa. Para realizar esta tarefa, Gorbachev indicou que a URSS precisava iniciar a desocupação do território afegão, renegociar a redução de armamentos definida com os EUA nos acordos de Yalta, além de parar a interferência na política em outras nações comunistas.

*** Cotação de 11/10/2019 (RUB 1 = BRL 0,64).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barras de ouro como reserva financeira” (Fonte): https://i2.wp.com/top10mais.org/wp-content/uploads/2015/02/russia-entre-os-paises-com-as-maiores-reservas-de-ouro-do-mundo.jpg?resize=600%2C330&ssl=1

Imagem 2 Logotipo do Clube de Paris” (Fonte): http://www.clubdeparis.org/en

Imagem 3 Histórico (%) da dívida pública russa em relação ao PIB (1999 2017)” (Fonte): https://pt.tradingeconomics.com/russia/government-debt-to-gdp

Imagem 4 Logotipo do Institute of International Finance” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Institute_of_International_Finance#/media/File:Institute_of_International_Finance_logo.svg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Rússia ratifica acordo de Paris

No último dia 23 de setembro (2019), durante a cúpula climática da ONU em Nova York, a Rússia assinou uma resolução governamental que consagra a adesão definitiva ao Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases de efeito estufa, assinado por 195 países. O acordo visa manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2 graus Celsius (3,6 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais.

O país, que é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, irá se tornar participante de pleno direito do novo acordo climático que substitui o Protocolo de Kyoto*. Políticos e representantes de organizações ambientais e de pesquisa científica em todo o mundo apoiaram o movimento.

Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU – 2019

O processo de ratificação do Acordo vinha sendo delineado pela Rússia, desde o início deste ano (2019), de acordo com procedimentos legislativos internos e com a pretensão de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2020, em comparação com o nível de 1990, ressaltando que o acordo é um marco legal confiável para uma solução climática futura.

Um importante parceiro da Rússia nesse processo de gestão do clima a longo prazo é a Alemanha, que através de cooperação bilateral, não apenas no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais, vem se envolvendo na possível criação de grupo de trabalho conjunto para esse fim, procurando soluções para os desafios globais, incluindo o combate à fome, a proteção ambiental e a preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

Em paralelo à ratificação de acordo sobre o clima, a Rússia vem também se envolvendo em iniciativas para a criação de tecnologias ambientalmente seguras. Tal iniciativa foi aprovada em reunião realizada em agosto (2019), na cidade de São Paulo, onde representantes dos Ministérios do Meio Ambiente do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) concordaram em criar uma plataforma de parcerias público-privadas no setor de proteção ambiental, que será intitulada como BEST – BRICS Environmentally Sound Technology Platform (traduzido como Plataforma de Tecnologia Ambientalmente Sadia dos BRICS).

Poluição ambiental

Segundo especialistas, a adesão russa ao Acordo é um passo importante, simbolizando que o país compartilha o consenso da comunidade mundial sobre a necessidade de combater as mudanças climáticas e avançar em direção a um futuro com baixo teor de hidrocarbonetos. Isso reduzirá as perdas de reputação da Rússia e os riscos de imposição de taxas alfandegárias sobre essas commodities, mas não as anulará.

No entanto, esse passo permanecerá simbólico, a menos que seja confirmado por medidas reais, como a introdução de controles estatais sobre as emissões e a definição de uma estratégia clara de como a economia da Rússia, que hoje é criticamente dependente das exportações de combustível, se adaptará a um futuro em que esse combustível aparentemente ficará em segundo plano.

Para ambientalistas russos, a conscientização por parte do Governo, é o início de um processo de luta para minimizar as ameaças colocadas pelas alterações climáticas, tais como a destruição dos equilíbrios ambientais e os riscos para as populações que vivem sobre os terrenos gelados (permafrost**).

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Notas:

* O protocolo de Kyoto é um acordo internacional vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, que compromete as suas partes, estabelecendo metas de redução de emissões vinculativas a nível internacional.

Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelos atuais altos níveis de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, como resultado de mais de 150 anos de atividade industrial, o protocolo coloca uma carga mais pesada sobre as nações desenvolvidas com o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. O protocolo foi adotado em Kyoto, Japão, em 11 de dezembro de 1997 e entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. As regras pormenorizadas para a execução do protocolo foram aprovadas na COP 7 em Marrakesh, Marrocos, em 2001, e são referidas como “Acordos de Marrakesh”. Seu primeiro período de compromisso começou em 2008 e terminou em 2012.

**O Permafrost (do inglês perm: permanente + frost: congelado), também chamado de Pergelissolo, é um tipo de solo congelado formado na região do Ártico, caracterizado por fazer parte tanto da geosfera, por apresentar rochas e sedimentos, quanto da criosfera, por apresentar camadas de gelo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://unfccc.int/news/un-summit-delivers-new-pathways-to-shift-climate-action-into-higher-gear

Imagem 2 Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://www.un.org/en/climatechange/index.shtml

Imagem 3 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 4 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Rússia e a militarização do Ártico

Há séculos, a região do Ártico foi considerada como uma localidade geográfica periférica, inóspita e longínqua, que estava no imaginário de aventureiros ou visionários, onde as circunstâncias que separavam sua localização dos mais importantes centros populacionais e políticos do globo contribuíram para a concepção de uma região remota, que não apresentava fatores que atraíssem atenções ao seu verdadeiro potencial.

Com o passar do tempo, por conta do ímpeto exploratório mundial, a região passou a ser considerada como um novo espaço de poder e de futura concorrência geoeconômica global, atraindo não só a atenção de vários países, no intuito de explorar suas imensas riquezas, como também sendo causa da potencialização de processos de militarização da região por parte de nações que têm grande interesse político e econômico, e vem agindo dessa forma, no intuito de proteger seus interesses.

Região do Ártico

Foi precisamente no contexto da Guerra Fria que a região ártica se consolidou como uma região geoestratégica de relevo, devido ao papel desempenhado no âmbito da estratégia de dissuasão nuclear e de disputas de poder entre as duas superpotências: os EUA e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Na estratégia de dissuasão, o Norte foi o lugar ideal onde se cruzaram rotas planejadas dos bombardeiros de longo alcance e dos mísseis intercontinentais. Era também no Ártico que se realizavam os testes de armamento da União Soviética, então no seu papel de potência nuclear, nomeadamente em regiões como Novaya Zemlya, Plesetsk e Nenok. Neste sentido, o papel do Ártico na Guerra Fria moldou a caracterização da região em termos militares e estratégicos, caracterização essa que persistiu até o fim do conflito, e com a dissolução da URSS.

A Rússia, como maior território da região do Ártico, vem procurando desenvolver e aumentar as suas capacidades de atuação e presença na localidade. É possível associar essa intenção às condições geográficas do país, que tornam o Norte a sua maior fronteira, onde as águas do Oceano Glacial cobrem cerca de 60% dos mais de 37,6 mil quilômetros de litoral dessa nação e que, consequentemente, sempre situou o Ártico na sua esfera natural de influência, transformando o país numa potência dominante da região, segundo estudos do Instituto Sueco para os Assuntos Internacionais.

Reunião do Conselho de Segurança sobre a política estatal no Ártico

Neste sentido, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, afirmou em 2014, numa das reuniões do Conselho de Segurança da Federação, que a região tem sido tradicionalmente uma esfera do interesse especial da Federação Russa, sendo uma concentração de praticamente todos os aspectos da segurança nacional-militar, político, econômico, tecnológico e ambiental.

O ponto focal das preocupações do Kremlin a respeito do Ártico mostra uma junção muito estreita entre economia e segurança, em que a Estratégia de Segurança Nacional contempla os interesses nacionais da Federação Russa, as suas prioridades estratégicas e os seus objetivos e funções na esfera nacional e internacional, onde a importância do desenvolvimento econômico para as políticas externa e interna está bem presente, principalmente no que tange a segurança energética, que é descrita como um dos principais meios para garantir a segurança nacional na esfera econômica no longo prazo e deverá ser premissa nas explorações dos recursos offshore da região do Ártico.

Atualmente, o contínuo processo de exploração do Ártico trouxe aos Estados pertencentes à região a necessidade de buscar soluções para uma série de desafios econômicos, políticos e de segurança. A atual tendência ao multilateralismo, ou à busca de soluções pacíficas para as eventuais disputas territoriais parece firmar-se na região, como foi o clássico caso da disputa entre a Rússia e a Noruega pelas águas do Mar de Barents, sobretudo tendo como base a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Desta forma, no topo da lista de prioridades dos Estados-membros e de observadores do Conselho do Ártico devem constar, ao menos nos próximos anos, as discussões para a celebração de acordos acerca das possibilidades e da administração das regiões contestadas, sobretudo no que diz respeito à extensão da Zona Econômica Especial (ZEE) de países do litoral ártico, tais como o Canadá, Noruega, Dinamarca, Rússia, e, também, as discussões das novas rotas marítimas.

Enquanto acordos não são firmados, a Federação Russa vem priorizando formas de garantir sua soberania na região. Cerca de 50 bases militares da época da União Soviética, foram reativadas recentemente e o Exército Russo incorporou novas brigadas militares para o Ártico. A frota da Marinha russa também está sendo abastecida com navios quebra-gelos de última geração[vídeo 1], assim como navios de patrulha adaptados às condições locais, essencialmente mini quebra-gelos armados com mísseis.

A primeira usina nuclear flutuante do mundo, Akademik Lomonosov, construída com recursos da agência nuclear russa, Rosatom, também teve seu destino concluído quando chegou a Pevek, no Distrito Autônomo de Chukotka, em 14 de setembro (2019), onde será conectada à rede elétrica local e estará operacional no final do ano (2019) para alimentar a infraestrutura local na exploração de hidrocarbonetos. Segundo informações de especialistas, a verdadeira utilização para esse tipo de equipamento seria prover energia a um sistema de monitoramento marítimo planejado pela Federação Russa que detecta e rastreia submarinos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Sistema de defesa antiaérea S-400

No último dia 16 de setembro (2019), a Rússia anunciou a instalação de seus sistemas de defesa antiaérea S-400 de última geração no arquipélago de Nova Zembla, no Ártico. Os sistemas S-400 foram implantados neste arquipélago localizado entre os mares de Barents e Kara para substituir os antigos S-300, anunciou a Frota do Norte. Os sistemas S-400 de última geração já foram implantados no Ártico nas regiões de Murmansk e Arcanjo, bem como na República de Sakha, de acordo com a imprensa russa.

Segundo declarações do Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, os EUA vão propor novos objetivos para fazer face à “atitude agressiva” por parte da Rússia na região do Ártico, deixando claro que, apesar de ser um local selvagem, não quer dizer que deverá se tornar um lugar sem fé nem lei e cheio de esforços de militarização e de reivindicações territoriais rivais, deixando pegadas de botas militares na neve.

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Fonte do vídeo:

[Vídeo 1]: https://www.youtube.com/watch?time_continue=77&v=bKaVhXn49xY

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Brigada militar russa no Ártico” (Fonte): https://www.thearcticinstitute.org/wp-content/uploads/2018/01/Northern-Fleet-infantry-brigade.png

Imagem 2 Região do Ártico” (Fonte): https://pbs.twimg.com/media/DNtjRhcUMAAtBx4.png:large

Imagem 3 Reunião do Conselho de Segurança sobre a política estatal no Ártico” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/20845

Imagem 4 Sistema de defesa antiaérea S400” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9b/Alabino05042017-69.jpg