ÁFRICAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Bombardeiros nucleares russos em solo africano

Há três décadas, a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) entraria num processo de seletividade geopolítica, culminando com um afastamento de seus antigos aliados africanos no governo de Mikhail Gorbatchev (último líder soviético entre 1985 e 1991). Os principais motivos seriam a má administração local, a corrupção e os deslocamentos pela ruptura repentina de relações econômicas com os antigos poderes coloniais, produzindo, na maioria desses países, fracassos econômicos de ampla escala.

Após a queda da União Soviética e o abrandamento das relações com o continente africano, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, diante de mudanças no equilíbrio global de forças e da solidificação dos processos democráticos em vários países africanos, vem pautando uma reaproximação diplomática no intuito de expandir as relações político-econômicas com vários de seus antigos aliados.

Reunião de Cúpula Rússia-África em Sochi – Outubro 2019

Em 23 de outubro (2019) foi inaugurada, na cidade russa de Sochi, a primeira reunião de cúpula Rússia-África, que arregimentou 43 governantes africanos, além de 3 mil participantes, onde foram tratados assuntos como a duplicação do comércio, em 5 anos, entre África e a Federação Russa, além do perdão de dívidas de países africanos com a União Soviética, em torno de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 80,16 bilhões*).

Enquanto isso, em Pretória, capital da África do Sul, dois bombardeiros nucleares russos Tu-160 (denominação OTAN: Blackjack), aterrissavam na base da Força Aérea de Waterkloof, em uma “rara” demonstração de cooperação militar entre as duas nações.

Bombardeiro Tupolev Tu-160

Considerado o maior e mais pesado bombardeiro estratégico do mundo e, segundo analistas militares, a maior plataforma avançada de dissuasão nuclear do planeta, a aeronave tem capacidade de se deslocar entre continentes com velocidade supersônica, carregando em suas baias até 40 toneladas de armamentos que podem variar entre mísseis de cruzeiro, bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance. Esses bombardeiros já tiveram participação em eventos recentes, tais como a inserção militar na guerra da Síria e a visita à Venezuela, em intercâmbio de voos operativos para elevar o nível de operações dos sistemas de defesa aeroespacial.

Os bombardeiros fazem parte do grupo aéreo da Força Aeroespacial Russa, que está visitando a África do Sul num acordo sobre cooperação militar assinado entre os Ministérios da Defesa de ambos os países no verão de 1995. Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa sul-africano, Major Motsamai Mabote, em declaração à TASS (Agência de Notícias Russa), a chegada das aeronaves da Força Aeroespacial Russa é um processo inaugural e importante para toda a África.

Além dos bombardeiros Tu-160, o grupo aéreo da Força Aeroespacial Russa que atualmente permanece na África do Sul também inclui aeronaves de transporte militar Ilyushin Il-62 (denominação OTAN: Classic) e Antonov An-124 Ruslan (denominação OTAN: Condor). Os militares russos e especialistas que chegaram ao país participarão de um Workshop que será organizado pelo Ministério da Defesa da África do Sul. O Workshop discutirá as questões de realização de operações de combate, efetivação de medidas de busca e resgate.

Segundo analistas internacionais, a Rússia entra numa corrida geopolítica contra a China e os EUA para estabelecer laços sólidos com a África em questões comerciais, políticas e militares. O continente, que abriga em torno de 1,5 bilhão de habitantes, possui algumas das economias que mais crescem no mundo.

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Nota:

* Cotação de 27/10/2019 (USD 1 = BRL 4,0079).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bombardeiro Tupolev Tu160” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Tupolev_Tu-160S%2C_Russia_-_Air_Force_AN2000246.jpg

Imagem 2 Reunião de Cúpula RússiaÁfrica em Sochi Outubro 2019” (Fonte): http://photo.roscongress.org/en/73/photos/list?PhotosContainerId=2812&OnlyVisible=True&OrderDirection=Asc

Imagem 3 Bombardeiro Tupolev Tu160” (Fonte): https://nationalinterest.org/blog/the-buzz/russias-tu-160m2-blackjack-supersonic-bomber-cruise-missile-20154

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia assume papel de mediador no conflito da Síria

Uma nova fase da guerra deflagrada em território sírio se desenvolveu a partir do último dia 6 de outubro (2019), quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou a retirada de tropas militares estadunidenses do noroeste da Síria, abrindo caminho para uma ofensiva militar em larga escala da Turquia e também deixando de lado o apoio estratégico que estava sendo direcionado aos aliados curdos.

A decisão de Trump de minimizar a participação dos EUA nesse conflito, segundo informações, vai ao encontro de suas promessas de campanha pré-eleitoral e também pelo fato de o Governo norte-americano estar desembolsando enormes quantias para manter qualquer tipo de apoio, principalmente às milícias curdas que foram de extrema importância para os EUA na campanha contra o Estado Islâmico.

Atualmente, na complexidade desse conflito, são muitos os atores envolvidos no jogo político no norte da Síria e, para especialistas, com a saída dos norte-americanos dessa região, a próxima nação a assumir o importante papel de principal mediador e direcionador dos desígnios que restabelecerão o equilíbrio sistêmico regional será a Federação Russa, tendo como representante o Presidente Vladimir Putin.

Mapa da situação militar na Síria – Janeiro 2019

O nó a ser desatado pela Rússia está baseado não só nos trabalhos para se evitar a ameaça de um refortalecimento do Estado Islâmico que ainda apresenta focos espalhados pelo território sírio, mas, também, nos conflitos internos entre sírios, curdos e turcos, que se estruturaram nos últimos tempos.

Para se entender qual será a responsabilidade da Rússia neste momento, deve-se apresentar o desenho político da região com seus atores e suas ações, para que se tenha a possibilidade de direcionar acordos entre as partes, no intuito de estabelecer um processo de paz.

Bandeira do YPG

YPG – As Unidades de Proteção Popular (em curdo: Yekîneyên Parastina Gel), é uma organização armada curda da região do Curdistão sírio. O grupo foi fundado como braço armado do Partido de União Democrática sírio, também tem ligações com o Conselho Nacional Curdo e, atualmente, controla militarmente boa parte do nordeste da Síria. Considerado como uma milícia armada, foi aliado dos EUA na luta contra o Estado Islâmico e, com a saída das tropas norte-americanas da região, se viram por conta própria, principalmente na luta contra tropas turcas.

Turquia – declarou que sua segurança nacional está ameaçada devido a ações do YPG próximo à sua fronteira e lançou uma série de ofensivas contra o mesmo, no intuito de criar uma “zona de segurança” no território sírio. O país considera o YPG um aliado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia curda na Turquia.

Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)

FDS – as Forças Democráticas Sírias é uma coalizão de várias unidades, sendo a maior parte delas formada pela milícia curda do YPG, além de unidades árabe-muçulmanas e árabe-cristãs que controlam praticamente 40% do território sírio. Também lutaram ao lado da coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico.

Governo sírio – a liderança em Damasco, sob o governo de Bashar al-Assad, mantém um relacionamento ambivalente com os curdos, que vai da cooperação até o conflito, dependendo de seus interesses momentâneos.  Tropas do Governo, atualmente, dominam vastas áreas do centro, do sul e do oeste da Síria, sendo que o nordeste do país é controlado pelas FDS. O fato de o Exército sírio agora apoiar os curdos contra a ofensiva militar turca pode significar que o presidente Assad está tentando expandir sua influência na região.

Militante com bandeira do Estado Islâmico

Estado Islâmico – O EI pode se beneficiar com a desestabilização na região, mesmo tendo sido enfraquecido nas últimas batalhas com as FDS. Alguns focos de jihadistas ainda persistem em certas regiões centrais do país e, com a saída das tropas norte-americanas que suportavam as milícias que os combatiam, poderão se fortalecer e voltar a impor sua hegemonia na área.

Rússia – com a saída dos EUA, tropas russas começaram, em 15 de outubro (2019), a patrulhar o norte da Síria e a preencher o vácuo político deixado por Washington, fazendo uma linha divisória entre as forças turcas e o Exército sírio, além de estarem em constante conversação entre as partes para se evitar um choque direto entre essas forças militares.

Para analistas internacionais, o movimento que redesenha o equilíbrio no Oriente Médio, reflete a repentina perda de influência dos EUA e abre uma nova oportunidade para os russos se apresentarem como mediadores confiáveis, garantindo novos negócios e avançando seus interesses estratégicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Kremlin de Moscou” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Rússia#/media/Ficheiro:Kremlin_Moscow.jpg

Imagem 2 Mapa da situação militar na Síria  Janeiro 2019” (Fonte): https://southfront.org/wp-content/uploads/2019/01/24jan_syria_war_map-1024×952.jpg

Imagem 3 Bandeira do YPG” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:People%27s_Protection_Units_Flag.svg

Imagem 4 Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Democráticas_Sírias#/media/Ficheiro:Syrian_Democratic_Forces_announce_Deir_ez-Zor_offensive.jpg

Imagem 5 Militante com bandeira do Estado Islâmico” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:%C4%B0D_bayra%C4%9F%C4%B1_ile_bir_militan.jpg

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Reforço da aliança militar entre Rússia e China

Há exatos 70 anos, o Partido Comunista assumia o poder na China e anunciava o nascimento de uma nova nação, a República Popular da China (RPC), que teria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como primeira aliada no tocante ao reconhecimento de sua soberania, estabelecendo, assim, uma relação de cooperação que atravessaria as linhas do tempo.

Após sete décadas de sua fundação, o maior país comunista do mundo caminha, segundo analistas, para se tornar a principal potência econômica do planeta, ultrapassando, dessa forma, o atual primeiro lugar que pertence aos EUA.

Politicamente comunista, mas, economicamente portadora do que é chamado de “capitalismo estatal”*, a China se apresenta hoje como parte reclamada em um processo estruturado por parceiros comerciais, no tocante ao enorme auxílio estatal direcionado a empresas privadas locais, colocando-as em vantagem na comparação com seus rivais internacionais, o que provocou uma guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos.

Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai – 2019

Este processo não só demonstrou um conflito econômico de grandes proporções por conta de sanções comerciais impostas à China, como, também, colocou em pauta uma questão relativa à segurança internacional relatada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, no dia 3 de outubro (2019), em encontro anual do Clube Internacional de Discussões Valdai**, realizado em Sochi, no qual comentou o papel não só da Federação Russa, como, também, o papel de seu parceiro asiático no cenário internacional.

Segundo Putin, a questão da segurança internacional piorou por conta das ações perpetradas pelos EUA no mundo e acrescentou que, com relação às tentativas de restringir a China, seria um processo impossível de ser realizado e quem tentasse fazê-lo apenas se prejudicaria.

De acordo com o presidente chinês Xi Jinping, tais declarações são proferidas em um momento onde as relações entre Rússia e China se encontram num elevado nível de confraternização diplomática, em termos de confiança mútua, coordenação e valor estratégico, além de fazer contribuições importantes para a manutenção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento.

Posto isso, um reforço da aliança militar entre os dois países está se desenvolvendo,  onde a Rússia irá ajudar a China a construir um sistema de alerta para rastrear lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, o qual opera através de uma rede de radares no solo e satélites, equipamento esse que só a Federação Russa e os EUA possuem atualmente.

Os detalhes do tamanho e das características do sistema de defesa de mísseis que a Rússia construirá para a China é ainda desconhecido. Atualmente, os chineses empregam recursos limitados que incluem um pequeno sistema russo S-300, que considera apenas um modesto impedimento contra mísseis de cruzeiro e balísticos. A proposta russa existente são os S-400, capazes de interceptar mísseis balísticos com grande precisão.

Para especialistas, tal sistema é visto como “uma parte crucial da dissuasão nuclear moderna”, e as abordagens adotadas por Rússia e China, no sentido de se autoproclamarem nações inseridas no conceito de uma simetria política assertiva, com personalidades semelhantes ou muito próximas para problemas modernos chaves, demonstram a formação de uma nova ordem mundial baseada na lei internacional, no respeito à autoidentidade de diferentes povos, no direito de todos a escolher independentemente o modo como querem se desenvolver.

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Notas:

* O Capitalismo de Estado, inicialmente, era uma ideia associada à organização econômica de Estados socialistas, tal como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Hoje, o conceito está ligado também a países que não são completamente socialistas, mas onde o Estado interventor opera arduamente na área econômica. É o arranjo econômico mais próximo ao Socialismo, pois, os governos usam o mercado para promover seus próprios interesses. Pode ser exercido tanto através de regulamentações e benefícios do Estado sobre o meio econômico de um país, como em sua participação ativa gerenciando empresas, entre outras ações.

** O Clube de Discussão Valdai foi criado em 2004. O nome faz menção ao lago Valdai, que está localizado perto de Veliky Novgorod, onde a primeira reunião do teve lugar. O potencial intelectual do Clube de Discussão Valdai é altamente considerado tanto na Rússia como no exterior. Mais de 1.000 representantes da comunidade acadêmica internacional de 71 países participam das suas atividades. A Fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento e apoio do clube foi criada em 2011, com o fim de ampliar suas atividades para novas áreas, incluindo trabalhos de pesquisa e divulgação, programas regionais e temáticos. Em 2014, a Fundação assumiu toda a responsabilidade pela gestão dos projetos do clube. Fundadores:

– Conselho de Política Externa e de Defesa (CFDP).

– Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (RIAC).

– Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou (Universidade) do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa (Universidade MGIMO).

– Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin e Xi Jinping” (Fonte): http://www.russia.org.cn/en/russia_china/vladimir-putin-and-xi-jinping-hold-bilateral-talks-in-beijing/

Imagem 2 Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61719/photos/61209

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Rússia ratifica acordo de Paris

No último dia 23 de setembro (2019), durante a cúpula climática da ONU em Nova York, a Rússia assinou uma resolução governamental que consagra a adesão definitiva ao Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases de efeito estufa, assinado por 195 países. O acordo visa manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2 graus Celsius (3,6 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais.

O país, que é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, irá se tornar participante de pleno direito do novo acordo climático que substitui o Protocolo de Kyoto*. Políticos e representantes de organizações ambientais e de pesquisa científica em todo o mundo apoiaram o movimento.

Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU – 2019

O processo de ratificação do Acordo vinha sendo delineado pela Rússia, desde o início deste ano (2019), de acordo com procedimentos legislativos internos e com a pretensão de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2020, em comparação com o nível de 1990, ressaltando que o acordo é um marco legal confiável para uma solução climática futura.

Um importante parceiro da Rússia nesse processo de gestão do clima a longo prazo é a Alemanha, que através de cooperação bilateral, não apenas no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais, vem se envolvendo na possível criação de grupo de trabalho conjunto para esse fim, procurando soluções para os desafios globais, incluindo o combate à fome, a proteção ambiental e a preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

Em paralelo à ratificação de acordo sobre o clima, a Rússia vem também se envolvendo em iniciativas para a criação de tecnologias ambientalmente seguras. Tal iniciativa foi aprovada em reunião realizada em agosto (2019), na cidade de São Paulo, onde representantes dos Ministérios do Meio Ambiente do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) concordaram em criar uma plataforma de parcerias público-privadas no setor de proteção ambiental, que será intitulada como BEST – BRICS Environmentally Sound Technology Platform (traduzido como Plataforma de Tecnologia Ambientalmente Sadia dos BRICS).

Poluição ambiental

Segundo especialistas, a adesão russa ao Acordo é um passo importante, simbolizando que o país compartilha o consenso da comunidade mundial sobre a necessidade de combater as mudanças climáticas e avançar em direção a um futuro com baixo teor de hidrocarbonetos. Isso reduzirá as perdas de reputação da Rússia e os riscos de imposição de taxas alfandegárias sobre essas commodities, mas não as anulará.

No entanto, esse passo permanecerá simbólico, a menos que seja confirmado por medidas reais, como a introdução de controles estatais sobre as emissões e a definição de uma estratégia clara de como a economia da Rússia, que hoje é criticamente dependente das exportações de combustível, se adaptará a um futuro em que esse combustível aparentemente ficará em segundo plano.

Para ambientalistas russos, a conscientização por parte do Governo, é o início de um processo de luta para minimizar as ameaças colocadas pelas alterações climáticas, tais como a destruição dos equilíbrios ambientais e os riscos para as populações que vivem sobre os terrenos gelados (permafrost**).

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Notas:

* O protocolo de Kyoto é um acordo internacional vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, que compromete as suas partes, estabelecendo metas de redução de emissões vinculativas a nível internacional.

Reconhecendo que os países desenvolvidos são os principais responsáveis pelos atuais altos níveis de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera, como resultado de mais de 150 anos de atividade industrial, o protocolo coloca uma carga mais pesada sobre as nações desenvolvidas com o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. O protocolo foi adotado em Kyoto, Japão, em 11 de dezembro de 1997 e entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. As regras pormenorizadas para a execução do protocolo foram aprovadas na COP 7 em Marrakesh, Marrocos, em 2001, e são referidas como “Acordos de Marrakesh”. Seu primeiro período de compromisso começou em 2008 e terminou em 2012.

**O Permafrost (do inglês perm: permanente + frost: congelado), também chamado de Pergelissolo, é um tipo de solo congelado formado na região do Ártico, caracterizado por fazer parte tanto da geosfera, por apresentar rochas e sedimentos, quanto da criosfera, por apresentar camadas de gelo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abertura da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://unfccc.int/news/un-summit-delivers-new-pathways-to-shift-climate-action-into-higher-gear

Imagem 2 Logotipo da Cúpula de Ação Climática da ONU 2019” (Fonte): https://www.un.org/en/climatechange/index.shtml

Imagem 3 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 4 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Partido governante da Rússia perde espaço no Parlamento de Moscou

No último dia 8 de setembro (2019), os eleitores russos foram às urnas para eleger os representantes municipais e regionais do Parlamento da Federação Russa, em eleições que ocorreram em todo o país.

Logo do partido político Rússia Unida

Com o resultado dessas eleições, o partido governista Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, perdeu cerca de um terço de seus assentos na Câmara de Moscou, mas, apesar das perdas, manteve a maioria simples da casa, ocupando 26 dos 45 assentos.

Em Moscou, o Partido Comunista Russo tomou assentos do Rússia Unida, pulando de cinco para dez cadeiras, enquanto que outras duas siglas, o Partido Democrático Unificado Russo, Yabloko (de oposição e pró-Ocidente), e o Partido Rússia Justa, elegeram cada um dos três legisladores. No restante da nação, no entanto, Putin confirmou sua força, pois, nas 16 regiões que renovaram seus governadores, todos os candidatos apoiados pelo Kremlin tiveram êxito no pleito eleitoral.

Líder da oposição – Alexei Navalny

Para analistas políticos, o resultado do pleito nessas eleições regionais foi um forte revés para Putin, onde quase metade da Duma (Câmara Baixa da Rússia, que corresponde, com as devidas proporções, e de acordo com os respectivos sistemas políticos, à Câmara dos Deputados do Brasil) passa a ser controlada por candidatos de partidos da oposição, representando um impacto significativo para o Governo. Parte desse processo foi devido ao apelo do líder da oposição radical, Alexei Navalny, que conclamou a população a votar de “forma inteligente”, ou seja, apoiando os candidatos mais bem posicionados que não fossem suportados pelo Kremlin, além do fato de o comparecimento ao pleito eleitoral ter sido muito baixo, em torno dos 22% de eleitores registrados, sinal de que a população não viu, nos candidatos, pessoas capazes de lhes representarem politicamente.

As eleições se deram em meio a manifestações que vem ocorrendo desde julho (2019) contra a proibição de candidaturas da oposição ao Parlamento da capital russa. Estas concentrações, a maioria não autorizada pelo governo, terminaram em cerca de 2.700 detenções. Trata-se de um número inédito desde as manifestações de 2011 e 2012 que antecederam o retorno de Putin à Presidência, após um mandato como Primeiro-Ministro. Segundo a diretora do “think tank” R.Politik, Tatiana Stanovaia, a campanha para as eleições locais refletiu um afastamento crescente entre as autoridades preocupadas com preservar o status quo e uma parte da população que pede por mudança política.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Duma_Federal#/media/Ficheiro:ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Logo do partido político Rússia Unida” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Política_da_Rússia#/media/Ficheiro:Logo_Rússia_Unida.png

Imagem 3 Líder da oposição Alexei Navalny” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexei_Navalny#/media/Ficheiro:Alexey_Navalny.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Em desafio à Rússia, EUA aumentam número de tropas militares na Polônia

Desde 2017, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vem aumentando de forma significante suas tropas no leste europeu. Isso faz parte de um movimento de reforço denominado de eFP (do inglês “enhanced Forward Presence” – “reforço de Presença Avançada”), com o intuito de demonstrar uma postura militar de dissuasão na Europa Oriental e agir como uma primeira linha de defesa, no caso de um possível ataque ou invasão por parte da Rússia, que, segundo autoridades da Organização, vem demonstrando “comportamento agressivo” desde que se envolveu em conflitos militares com a Ucrânia e anexou a península da Crimeia como parte de seu território.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Os grupos de batalha multinacionais desse reforço, compostos por aproximadamente 4 mil combatentes, estão estacionados nos países bálticos da Estônia, Letônia e Lituânia, além da Polônia, que, particularmente, receberá mais 1.000 militares norte-americanos, proposta essa anunciada em 2 de setembro (2019) pelo Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, juntamente com Presidente polonês, Andrzej Duda, quando esteve em visita à Varsóvia, capital da Polônia, para o encontro bilateral em lembrança dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial.

Localização territorial do exclave russo Kaliningrado

Para analistas militares, o pequeno número de combatentes da OTAN que atualmente estão de prontidão nas proximidades das fronteiras denominadas como “linhas vermelhas”* não significa uma falta de capacidade militar, pois, poderão servir como “detonadores”, em caso de agressão, sendo capazes de iniciar uma reação massiva da OTAN, que já tinha como plano o aumento de até 40 mil soldados como nova força de reação rápida, além da construção de um escudo anti-mísseis e a criação de uma divisão específica de inteligência e segurança conjunta.

Para especialistas, os movimentos militares no leste europeu por parte não só da OTAN, como também da Rússia, fazem parte do que foi chamado o ressurgimento de uma nova Guerra Fria entre antigos rivais ideológicos. A Rússia, por sua vez, também executou manobras que, segundo o Ministro da Defesa da Federação Russa, Serguei Choigu, foram medidas amplas para frustrar ameaças emergentes à soberania russa, dentre elas estão o reforço de tropas militares nas fronteiras dos países bálticos e a especulação de transferência efetiva de ogivas nucleares para a região de Kaliningrado, exclave europeu da Federação Russa localizado entre a Polônia e a Lituânia.

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Nota:

* Por estarem próximos da Rússia e de territórios de países considerados anteparos estratégicos, como Bielorússia (aliado da Federação Russa) e Ucrânia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tropas militares norteamericanas” (Fonte): https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/02/us_military_poland001.jpg

Imagem 2 reforço de Presença Avançada – OTAN” / “enhanced Forward Presence – NATO”  (Fonte): https://www.nato.int/nato_static_fl2014/assets/pdf/pdf_2017_03/20170315_170314-eFP-map.pdf

Imagem 3 Localização territorial do exclave russo Kaliningrado” (Fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Kaliningrado#/media/Ficheiro%3AKaliningrad_map.PNG