NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Rússia e EUA: a nova corrida espacial

Há 50 anos, o astronauta norte-americano Neil Armstrong dava os primeiros passos na Lua, completando uma etapa do processo exploratório iniciado alguns anos antes, quando EUA e União Soviética entravam numa disputa de capacidades, no intuito de ultrapassar limites, os quais o homem nunca havia alcançado, e que seria a maior aventura humana no século XX, dando início, assim, a chamada “Corrida Espacial”.

Foguete russo Soyuz

Este processo exploratório, segundo especialistas, teve início quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial (1945), imergindo a civilização numa nova ordem global, em que o poder e a influência não se mediriam em termos de esforço humano, mas, sim, de avanços tecnológicos.

Para suplantar essa “vantagem” apresentada pelos norte-americanos, a União Soviética deveria apresentar, de forma bastante rápida, estratégias adequadas que lhes dessem igual ou superior influência internacional. De acordo com historiadores, em apenas quatro anos, os soviéticos desenvolveram sua primeira bomba atômica (1949) e, por esta ser mais pesada que a dos EUA, tiveram também que desenvolver foguetes mais poderosos para poderem transportá-la.

Foguete soviético R7 – Semyorka

O responsável por essa tarefa foi o engenheiro ucraniano Sergei Pavlovich Korolev, que projetou os mais poderosos foguetes, entre eles o R-7 Semyorka*, que era nove vezes mais potente que qualquer outro lançador criado até aquele momento. No entanto, tal dispositivo se mostrou de forma desqualificada para ser utilizado como arma, devido ao enorme tempo dispendido para preparar seu lançamento, sendo, assim, direcionado para a exploração espacial.

Desde então, a União Soviética se empenhou em ultrapassar os EUA na exploração do espaço sideral, quando foram responsáveis pelo lançamento do primeiro satélite orbital transmissor de sinais de rádio, batizado com o nome de Sputnik (Outubro de 1957); pelo lançamento do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika (Novembro de 1957); pelo marco histórico do primeiro ser humano (Yuri Gagarin) a ser lançado em órbita (Abril de 1961) e completar uma volta em torno da  Terra em 1 hora e 48 minutos, deixando para a posteridade a frase “A Terra é azul”; e também pela primeira “caminhada” espacial, que foi realizada pelo cosmonauta russo Alexei Leonov (Março de 1965).

Cosmonauta soviético Yuri Gagarin

Após a série de sucessos soviéticos, os EUA necessitavam de uma façanha ainda maior, levar um homem até a Lua, o que foi realizado em 20 de Julho de 1969, fruto do ímpeto do Governo do Presidente J. F. Kennedy, aliado ao auge da economia norte-americana, que proporcionou o investimento de somas gigantescas no programa aeroespacial da época, ultrapassando, assim, a União Soviética, que direcionou seus esforços para a construção da primeira estação espacial temporal: a Salyut 1 (Abril de 1971).

Décadas se passaram sobre essa “corrida”, trazendo sucessos e fracassos para ambos os lados, mas, que beneficiaram o desenvolvimento tecnológico mundial na área aeroespacial diante de muitas descobertas realizadas pela determinação e coragem de ambas as nações, que estão de volta para uma nova etapa da exploração do espaço.

Atualmente, Rússia e China já iniciaram negociações sobre a expansão da cooperação na indústria espacial, o que dará início a uma aliança capaz de realizar missões tripuladas conjuntas, inclusive para a Lua, onde pretendem criar uma estação lunar tripulada permanente, além de colocar em órbita equipamentos de observação espacial de alta capacidade tecnológica, como o satélite científico russo Spektr-RG, fabricado em parceria com a Alemanha, e que levará ao espaço o telescópio eROSITA**.

O Governo dos EUA, por sua vez, segundo o presidente Donald Trump, determinou que a NASA (Agência Espacial Norte Americana) empenhe esforços não só para voltar a pisar na Lua brevemente, como, também, colocar a bandeira e a pegada norte-americana no solo marciano até 2030, mas, até que o seu novo foguete esteja finalizado para as futuras missões, a NASA tem que pagar 80 milhões de dólares (cerca de R$ 301,87 milhões – cotação de 26/07/19 >> US$1 = R$ 3,7734) para a Agência Espacial Russa para cada astronauta norte-americano que pegar “carona” em seu foguete Soyuz, como foi o caso do lançamento russo realizado no último dia 20 de julho (2019), o qual partiu de Baikonur, localizado no Cazaquistão.

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Notas:

* Inicialmente, o foguete Semyorka foi criado em 1957 como míssil balístico destinado a levar cargas termonucleares a qualquer ponto do globo terrestre. Entretanto, suas possibilidades técnicas eram muito mais amplas do que as exigências em relação à arma balística, algo que o tornou pivot da cosmonáutica soviética. Pertencia à família dos R-7, que apresentou integrantes como o Sputnik 8K71PS (1957), o Vostok 8K72K (1960), o Voskhod 11A57 (1963) e o Soyuz 11A511 (1966), cuja plataforma é utilizada desde então como lançador de satélites e cosmonautas.

** O eROSITA é dotado de sete detectores de raios X. Permitirá observar mais de 100 mil clusters galácticos e obter imagens de milhões de buracos negros, grupos de galáxias e estrelas de nêutrons mortos, marcando “o início de uma nova era na astronomia de raios X”, segundo comunicado do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Munique, que forneceu o instrumento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Astronauta norteamericano Neil Armstrong” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong#/media/Ficheiro:Neil_Armstrong_pose.jpg

Imagem 2 Foguete russo Soyuz” (Fonte): https://archive.org/download/nasahqphoto-7187014046/nasahqphoto-7187014046.jpg

Imagem 3 Foguete soviético R7 Semyorka” (Fonte): http://www.b14643.de/Spacerockets_1/East_Europe_1/Semyorka/Gallery/R-7_1big.jpg

Imagem 4 Cosmonauta soviético Yuri Gagarin” (Fonte): https://incrivelhistoria.com.br/yuri-gagarin-terra-azul-1961/

Imagem 5 Família de foguetes russos R7” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/R-7_(família_de_foguetes)#/media/Ficheiro:Roket_Launcher_R-7.svg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grupo russo Acron compra unidade da Petrobras

A Acron*, uma das principais produtoras russas na área de fertilizantes minerais, entrou na fase de finalização do acordo de compra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) da Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.), localizada no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Este processo vinha se desenrolando desde outubro de 2017, época em que foi anunciada a pretensão de venda e teve a participação de seis empresas interessadas na aquisição da unidade.

Com a formalização da venda esperada para agosto (2019), haverá a retomada das obras do complexo cujo cronograma havia sido paralisado desde dezembro de 2014, por conta de bloqueio de bens a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o qual constatou envolvimento de dois ex-presidentes da estatal brasileira em pagamentos irregulares na construção da fábrica, onde, até o momento, 83% das obras foram concluídas.

Um ponto importante que agilizou o processo de aquisição pelo conglomerado russo foi a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, que, em junho (2019), deixou claro que o processo de venda ou perda de controle acionário de subsidiárias das estatais não precisa de aval do Congresso Nacional para ser realizado, abrindo caminho para as negociações.

Logotipo da Acron

Os investimentos previstos pela Acron a serem direcionados para a unidade totalizam cerca de R$ 8,2 bilhões, onde a empresa russa vai investir R$ 5 bilhões na fábrica e pagar R$ 3,2 bilhões à Petrobras pelas obras executadas. Em contrapartida, o conglomerado russo já sinalizou, em reunião realizada com a Secretaria Estadual da Fazenda de MS, a pretensão de receber os mesmos incentivos fiscais concedidos à estatal brasileira, e ficaria isenta do pagamento de impostos estaduais, entre eles estão a alíquota de 10% sobre Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para aquisição de equipamentos e, também, 75% de redução no tributo para as operações de saída de ureia da unidade fabril.

Fábrica de fertilizantes da Petrobras

A empresa russa juntamente com o Governo do Estado estimam que o complexo vai gerar cerca de mil empregos diretos e aproximadamente 10 mil postos de trabalho indiretos quando suas atividades derem início em 2024, de acordo com programação, considerando que a planta de fertilizantes nitrogenados tem capacidade de produção de 761,2 mil toneladas/ano de amônia e 1,223 milhão de toneladas/ano de ureia granulada. O complexo é composto por unidade de geração de hidrogênio, unidade de produção de amônia, unidade de produção de ureia, de granulação, utilidades, áreas de estocagem e expedição.

No seu processo de fabricação, a empresa irá necessitar de um insumo produtivo importante que é o gás natural, e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), empresa estatal de energia da Bolívia, anunciou fechamento de acordo com a Acron para fornecer 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia às unidades da empresa no Brasil, entre elas à fábrica de Três Lagoas. A operação será realizada por um período de 20 anos, válido a partir de 2023, e, além de se tornar fornecedora da Acron no Brasil, a YPFB também será sócia da empresa russa na UFN3, com uma fatia de 12% na fábrica e a opção de ampliar a participação para 30%.

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Nota:

* A Acron é uma das principais produtoras russas e mundiais de fertilizantes minerais, com um portfólio diversificado de produtos compostos por fertilizantes com múltiplos nutrientes, como NPK [Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K)] e misturas a granel, bem como produtos diretos à base de nitrogênio, como ureia [CO(NH2)2] e nitrato de amônio [NH4NO3]. O Grupo também gera produtos de síntese orgânica, incluindo metanol, formaldeído e UFR, e produtos de síntese inorgânicos, como nitrato de amônia de baixa densidade, dióxido de carbono e carbonato de cálcio. O Acron Group opera em seis países e, em 2017, vendeu seus produtos para 65 países, sendo os principais mercados de vendas do grupo a Rússia, o Brasil, a Europa e os Estados Unidos. A empresa é membro da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes, reunindo mais de 450 produtores de 80 países. Em 2017, o volume de vendas da empresa russa atingiu mais de 7,3 milhões de toneladas, com receitas consolidadas de US$ 1,6 bilhão (R$ 5,99 bilhões, pela cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457) e EBITDA** de US$ 511 milhões (R$ 1,91 bilhão – cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457), de acordo com o International Financial Reporting Standards. A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.

** EBTDA é a sigla em inglês para “Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização” (LAJIDA)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Petrobras” (Fonte): https://www.agenciapetrobras.com.br/Materia/ExibirMateria?p_materia=981002

Imagem 2 Logotipo da Acron” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dc/Acron.svg

Imagem 3 Fábrica de fertilizantes da Petrobras” (Fonte): http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/fabricas-de-fertilizantes/fabrica-de-fertilizantes-nitrogenados-fafen.htm

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Política monetária russa poderá diminuir dolarização na economia do país

No intuito de atingir a estabilidade macroeconômica, reduzir a inflação e desenvolver o sistema de pagamento independente, a Federação Russa há algum tempo vem adotando politicas monetárias em detrimento das sanções recebidas pelos EUA e União Europeia.

Em 2018, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização, com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA em meio a ondas de sanções contra empresários, empresas e funcionários do governo.

Neste período, o valor dos títulos em posse do BC russo chegava aos 92 bilhões de dólares (cerca de R$ 350,2 bilhões*), alcançando em abril de 2019 o valor de 12,14 bilhões de dólares (cerca de R$ 46,1 bilhões*), reduzindo seus investimentos nesse ativo em 86,8% em apenas um ano e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro, sendo que, no início de junho (2019), o BC russo anunciou que as reservas cambiais e de ouro do país atingiram aproximadamente o equivalente a 502,7 bilhões de dólares (cerca de R$1,91 trilhão*), crescendo em torno de 1,5% desde o início desse período.

Outro ponto importante nessa estratégia é que, junto com o yuan (moeda chinesa), a Rússia impulsionou a compra de uma série de outras moedas, incluindo o iene japonês, o euro, a libra esterlina, os dólares canadense e australiano e o franco suíço, em oposição ao uso da moeda norte-americana, além de promover ativamente a ideia de pagar seu passivo usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

Logotipo do SWIFT

Com acordos assinados entre China e Rússia desde 2014 sobre pagamentos em moedas nacionais, o comércio direto entre os dois países utilizando rublos (moeda russa) entraram em vigor sem a participação de Bancos americanos, britânicos ou da União Europeia, reiterando a concreta rejeição à moeda norte-americana. Um desses acordos, assinado em junho de 2019 pelo Ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e pelo governador do Banco Popular Chinês, Yi Gang, lançou a criação de um novo sistema de pagamentos que se tornará uma “porta de entrada para a fundação de análogos russos e chineses do SWIFT” (do inglês Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), um sistema interbancário internacional de transmissão de dados financeiros.

Segundo analistas econômicos, está previsto que esse sistema de pagamentos em moedas nacionais esteja operacional até o final do ano de 2019 e abranja, em primeiro lugar, as maiores empresas russas de petróleo e gás, bem como os produtores agrícolas. Devido ao aumento constante da ameaça de sanções econômicas por parte de Washington, Moscou e Pequim se apressam para fechar esse tipo de contrato.

De acordo com meios de comunicação, a agressividade de Washington força a Rússia e a China a “testar a resistência da moeda americana. O novo mecanismo de pagamentos não só protegerá de forma fiável contra a pressão das sanções, como também colocará em causa o estatuto do dólar como principal moeda de reserva.

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Nota:

Cotação de 08/07/2019 (US$1 = R$3,8065).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Banco Central da Rússia” (Fonte): http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Logotipo do SWIFT” (Fonte): https://swift.smugmug.com/AmericasUK-Events

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A volta da Rússia à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Após cinco anos de suspensão, a Federação Russa volta a integrar a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa* (APCE). O texto que permitiu o retorno da Rússia à entidade foi aprovado no último dia 25 de junho, numa sessão que durou 8 horas, em meio a acaloradas discussões e pedidos de emenda ao texto.

No plenário do Conselho da Europa, em Estrasburgo, França, 116 deputados dos distintos Estados-membros da organização pan-europeia da defesa dos Direitos Humanos votaram a favor de uma ratificação dos poderes da delegação de parlamentares russos. Sessenta e dois delegados, incluindo ucranianos, britânicos e poloneses, votaram contra e quinze se abstiveram.

O afastamento da Rússia pelo órgão europeu, em 2014, se deu por conta da condenação à anexação da Crimeia pelo país, à alegada ocupação militar do território ucraniano, e ao referendo instituído por Moscou na Península, o que foi intitulado pela instituição europeia como “ilegal. À época, a resolução do afastamento foi aprovada por 145 votos a 21, com 22 abstenções, e que, por prerrogativa de grupos de deputados conservadores, foi apresentado paralelamente a esse processo um pedido de banimento definitivo da Rússia da Assembleia, o que foi descartado, dando lugar a uma resolução de compromisso por parte da Rússia em reverter tais processos.

O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Em resposta a tal decisão, o chefe da delegação russa, Alexey Pushkov, declarou, à época, que Moscou deveria encerrar sua adesão à Assembleia por tal tratamento, onde, também, vários de seus colegas lançaram críticas aos países europeus que haviam “mudado de lado” para punir a Rússia, “adotando uma abordagem patologicamente tendenciosa, tratando a Rússia, um grande país, de uma forma desdenhosa e condescendente. Caso a Federação Russa abandonasse definitivamente a organização, esse processo privaria seus cidadãos de recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), braço jurídico do Conselho da Europa.

Desde a votação que suspende o afastamento russo, a Ucrânia protestou e rechaçou os poderes outorgados à Rússia, ao ver na decisão da APCE uma primeira suspensão das sanções impostas a Moscou. Após a votação dessa ratificação, várias parlamentares, sobretudo das delegações ucraniana e georgiana, abandonaram o hemiciclo e anunciaram que deixavam de participar nessa sessão da APCE.

Agora, com a liberação de sua volta ao órgão, a Rússia poderá apresentar sua delegação ao longo do ano (2019), sendo excluída da possibilidade de privá-la de seus principais direitos de voto.

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Nota:

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) (em inglês: PACE – Parliamentary Assembly of the Council of Europe) é um dos dois órgãos estatutários do Conselho da Europa, juntamente com o Comité de Ministros (Ministros dos Negócios Estrangeiros). A assembleia é constituída por representantes das forças políticas dos países membros, tanto as que estão no poder como as que estão na oposição. Tendo reunido pela primeira vez em 10 de agosto de 1949, pode ser considerada a mais antiga assembleia parlamentar baseada num tratado internacional com composição pluralista, baseada em membros de parlamentos democraticamente eleitos. O Conselho de 47 nações da Europa é separado da UE e supervisiona o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Reúne parlamentares da Europa Ocidental e Oriental, bem como os países do antigo bloco soviético. A Rússia é membro desde 1996.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea do Palácio da Europa  sede onde funciona a APCE, em Estrasburgo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Council_of_Europe_Palais_de_l’Europe_aerial_view.JPG

Imagem 2 O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Plenary_chamber_of_the_Council_of_Europe’s_Palace_of_Europe_2014_01.JPG

ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

HBO, Chernobyl e Rússia: a questão histórica sobre o desastre nuclear

Em 26 de abril de 1986, o pior acidente da história da geração de energia nuclear ocorreu na usina de Chernobyl, alocada no assentamento de Pripyat, cidade localizada a pouco mais de 100 quilômetros ao norte de Kiev, capital da, na época, República Socialista Soviética da Ucrânia. 

Imagem aérea do reator nuclear acidentado

De acordo com investigações técnicas posteriores ao acidente, foram levantadas as causas desse desastre, quando foi apurado que o reator RBMK* número quatro saiu de controle durante um teste de baixa potência. Segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA – International Atomic Energy Agency), as medidas de segurança foram ignoradas, o que levou ao superaquecimento do reator e ao vazamento do combustível de urânio através das barreiras protetoras, ocasionando, assim, uma grande explosão.

Cerca de 150.000 quilômetros quadrados na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia foram contaminados com partículas de elementos radioativos que foram espalhados pelas correntes de ar, dos quais, a maioria deles teve seus efeitos reduzidos por sua curta “vida útil”, mas, os mais perigosos, tais como Estrôncio-90 e Césio-137 (metais alcalino-terrosos representados na Tabela Periódica pelos símbolos Sr e Cs, respectivamente) terão seus efeitos prolongados por décadas, talvez séculos, conforme apontam especialistas. Desde o acidente, uma área que abrange o raio de 30 quilômetros ao redor da planta, hoje desativada, é considerada “zona de exclusão” e é essencialmente desabitada por motivos óbvios de segurança.

Logotipo da HBO

Após 33 anos da tragédia, o canal de televisão HBO** revive os momentos trágicos do acidente numa série televisiva nomeada “Chernobyl[Vídeo 1], retratada em cinco episódios, onde apresenta de uma maneira teatral, mas baseada em detalhes factuais[Vídeo 2], o decorrer dos acontecimentos desde a hora fatídica da explosão, passando por todo o processo de atendimento dos bombeiros que colocaram suas vidas em risco para conter o incêndio radioativo e as manobras de evacuação geral das áreas em torno da planta. Outro ponto que marca a produção televisiva é a exposição da trama política por trás do evento, expondo o comportamento do Governo soviético para tentar minimizar a situação.

Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil

Entre críticas e elogios, a dramatização deixa claro a enorme movimentação humana que se realizou para conter a propagação dos efeitos da radiação. Os trabalhadores de emergência, na época denominados de “liquidatários”, foram recrutados para a área e ajudaram a limpar as instalações da fábrica e a região circundante. Estes indivíduos eram principalmente trabalhadores da planta, bombeiros ucranianos, soldados e mineiros da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras partes da antiga União Soviética.

O número exato de liquidatários é desconhecido porque não há registros completamente precisos das pessoas envolvidas na limpeza. Segundo informações de órgãos internacionais, entre 400 mil e 600 mil liquidatários foram recrutados para trabalharem em descontaminação e grandes projetos de construção, incluindo o estabelecimento de assentamentos e cidades para trabalhadores de plantas e evacuados. Eles também construíram repositórios de resíduos, barragens, sistemas de filtração de água e o “sarcófago”, que sepulta todo o quarto reator para conter o material radioativo remanescente.

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Notas:

* RBMK é um acrônimo em russo, que significa Reaktor Bolshoy Moshchnosty Kanalnyy (Reator Canalizado de Alta Potência) sendo um reator nuclear de canais pressurizados, refrigerado à água ordinária, com canaletas individuais de combustível passando por dentro de blocos de grafite que, além de moderador, atua como elemento estrutural do núcleo. Tais projetos de reator nuclear, juntamente com os reatores VVER são um dos dois projetos principais a emergir na extinta União Soviética, e ainda são fundamentais para geração de nucloeletricidade na Rússia moderna, que é o único país a operar estes reatores, com um total de 11 ainda em ampla operação.

** HBO é a sigla para Home Box Office. Trata-se de um canal de televisão pay-per-view (por assinatura) norte-americano.

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Vídeos:

Vídeo 1 – Trailler da série televisiva “Chernobyl” do canal HBO. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=s9APLXM9Ei8

Vídeo 2 – Comparação da dramatização televisiva com vídeos reais documentados à época do acidente. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=P9GQtvUKtHA

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cena o filme Chernobyl do canal HBO” (Fonte): https://i.ytimg.com/vi/s9APLXM9Ei8/maxresdefault.jpg

Imagem 2 Imagem aérea do reator nuclear acidentado” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:Chernobyl_Disaster.jpg

Imagem 3 Logotipo da HBO” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:HBO_logo_1975.png

Imagem 4 Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarcófago_da_Usina_Nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:New_Safe_Confinement_Structure.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Proposta de recuperação diplomática no encontro entre Rússia e EUA

Um importante passo na área da diplomacia internacional foi dado no último dia 14 de maio (2019), quando EUA e Rússia, duas das principais superpotências da atualidade, tiveram um encontro de seus mais elevados representantes para discutir questões inerentes aos dois países, as quais estão afetando não só suas relações bilaterais, mas, também, poderão deixar um grave desbalanceamento geopolítico mundial se não forem direcionadas a uma resolução pacífica.

Mike Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, desembarcou na cidade russa de Sochi, localizada na costa do Mar Negro, e se reuniu, primeiramente, durante 90 minutos, com o presidente russo Vladimir Putin, que deu as boas vindas ao representante norte-americano, ao mesmo tempo em que recebeu de Pompeo o briefing da reunião a ser realizada principalmente com o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.

As conversações realizadas foram pautadas em assuntos que são destaques na mídia internacional por sua enorme relevância e, diretamente, envolvem as duas nações, que, na maioria das vezes, estão em lados opostos das posições tomadas, o que deteriora os anseios das relações internacionais e as expectativas da comunidade internacional.

Além da discussão sobre pontos basilares, tais como a promoção de estabilidade geopolítica, a luta contra o terrorismo, o controle de armas, a não proliferação nuclear e a construção do diálogo de segurança estratégica, Pompeo e Lavrov focaram em assuntos que ultrapassam as fronteiras de seus países, mas, que, pela forma como vem sendo tratados, e pelo envolvimento das duas potências, levantam suspeitas e juízos prévios, entre elas. São eles:

Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela

A crise na Venezuela

Pompeo e Lavrov trataram da questão da Venezuela e o primeiro pediu para Moscou retirar seu plano de apoio a Caracas, o que foi recusado. O Secretário norte-americano reiterou a urgência da saída de Nicolás maduro do poder, declarando o quanto é extrema a situação do povo venezuelano e esperando que a Rússia entenda isso e tome outros caminhos nesta crise. Em resposta, Lavrov denunciou as “ameaças” dos EUA contra o regime venezuelano. Nas últimas semanas, a Rússia e os Estados Unidos acusaram um ao outro de interferência na Venezuela, devastada pela crise. Moscou é um aliado essencial de Maduro, enquanto Washington apoia o líder da oposição, Juan Guaidó, autoproclamado Presidente Interino venezuelano.

Hassan Rohani – Presidente do Irã

Tensões renovadas com Irã

Desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou, em 2018, a retirada dos EUA do Acordo Nuclear com o Irã, sua administração tem lentamente reativado um processo de punição a nação persa. Na semana passada, o Irã informou que diminuiria seus compromissos nucleares e, em resposta, os Estados Unidos aplicaram novas sanções aos produtos do país, o que fez o governo do presidente iraniano Hassan Rohani afirmar que os norte-americanos desencadearam a “guerra total”. Como russos e iranianos são aliados no apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad, há certos alinhamentos políticos que se contrapõem aos preceitos norte-americanos, o que foi reiterado nesta reunião após declaração de Lavrov, quando chamou de “ilegítimas” as sanções norte-americanas e incentivou as nações europeias a cumprirem o acordo firmado com o Irã, no tocante ao comércio multilateral, o que será improvável, devido ao receio de que as referidas sanções se estendam a quem se relacionar com o Irã.

Principais mísseis norte-coreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo

Desnuclerização norte-coreana

Outro ponto importante tratado na reunião foi a proposta de reivindicar ao Governo da Coreia do Norte que inicie processo de desnuclearização da península. Segundo Pompeo, EUA e Rússia “compartilham o mesmo objetivo” em relação à questão nuclear norte-coreana, e esperam poder encontrar os meios “para trabalhar juntos”. O presidente Putin “entende que os Estados Unidos terão um papel líder” neste processo, disse o Secretário de Estado russo. Moscou defende o diálogo com a Coreia do Norte seguindo o roteiro definido por China e Rússia, que pede a suspensão das sanções internacionais. Já Washington acusa Moscou de ajudar Pyongyang a driblar tais sanções.

Segundo analistas, os frutos dessa reunião ainda são incertos, devido ao grande distanciamento político entre EUA e Rússia, e novas conversas poderão ser retomadas, agora pelos Presidentes das duas nações, em encontro a ser acertado para junho de 2019, na reunião do G20, a ser realizada no Japão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Mike Pompeo e Sergey Lavrov” (Fonte): https://www.pbs.org/newshour/world/pompeo-and-lavrov-see-hope-for-improved-u-s-russia-ties

Imagem 2 Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/303179

Imagem 3 Hassan Rohani Presidente do Irã” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rohani#/media/File:Endorsement_of_Hassan_Rouhani%27s_second_term_18.jpg

Imagem 4 Principais mísseis nortecoreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dprk-infographic_nti-version_170213_print.pdf