ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Agência Bloomberg anuncia crescimento das reservas cambiais russas

De acordo com a agência Bloomberg*, a Federação Russa está prestes a se colocar na quarta posição global entre os maiores detentores de moeda, ouro e outros títulos, devido a um constante processo de limitações de seu orçamento interno, o que, por sua vez, possibilita uma manutenção no seu superávit, ou seja, um excesso de bens ou de rendimentos, face às obrigações monetárias.

O alcance desse resultado se deu por dois principais motivos bastante distintos em sua origem e que vem ratificando as capacidades político-econômicas que o Kremlin, juntamente com o Banco Central Russo, vem direcionando nos últimos tempos, frente às adversidades ocorridas no cenário mundial.

Preço do barril do petróleo Brent (US$)

O primeiro deles ocorre por conta da redução de ganhos no mercado internacional de petróleo, onde a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) apontou em seu último relatório mensal que as perspectivas para o mercado da commodity parecem um tanto pessimistas para o resto do ano de 2019, devido à reestruturação da previsão sobre a demanda global de petróleo, dada a desaceleração da economia. Pode-se verificar esse fato pela constante queda do preço do barril de petróleo Brent, que, desde abril (2019), caiu dos 75,22 dólares** para 58,69 dólares** em 16 de agosto (uma redução em torno de 22%).

Comparação das reservas cambiais entre Rússia e Arábia Saudita (US$ Bilhões)

Posto isso, os países exportadores do óleo negro, como o caso da Arábia Saudita, que necessita de uma elevada demanda global, e, com isso, uma elevada arrecadação sobre as vendas para que possa sustentar seus gastos sociais, estão dando início a um processo de drenagem de suas reservas cambiais, que, hoje, se encontram no patamar dos 527 bilhões de dólares (aproximadamente 2,11 trilhões de reais**) e, consequentemente, a uma perda de posição no ranking mundial (atualmente 4º lugar). Segundo informações do Kremlin, a Federação Russa se preparou para suportar uma queda no preço do barril de petróleo até os 40 dólares sem necessidade de recorrer as suas reservas, que acumulam, atualmente, os 518 bilhões de dólares (aproximadamente 2,07 trilhões de reais**) chegando muito próximo da Arábia Saudita.

Países com maiores reservas cambiais (US$ Trilhões)

O segundo motivo pelo qual a Rússia vem aumentando suas reservas está baseado nas intervenções internacionais, por conta das sanções político-econômicas que vem sofrendo por parte dos EUA e da União Europeia. Em detrimento às restrições, em 2018, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro e, juntamente com o Renminbi (nome da moeda chinesa, cuja unidade de conta é o Yuan), a Rússia impulsionou a compra de uma série de outras moedas, incluindo o Iene japonês, o Euro europeu, a Libra Esterlina do Reino Unido, os Dólares canadense e australiano e o Franco Suíço em oposição ao uso da moeda norte-americana, além de promover ativamente a ideia de pagar seu passivo usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

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Notas:

* A Bloomberg L.P. é uma empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro e agência de notícias operacional em todo o mundo, com sede em Nova York. A empresa foi fundada em 1982 por Michael Bloomberg, ex-prefeito da cidade de Nova York de 2002 a 2013. Ela emprega mais de 18.500 pessoas com escritórios em mais de 173 países. Bloomberg L.P. distribui informação econômica, financeira e informatizada, possui diversas plataformas para execução de operações financeiras, além de notícias de regulamentação e conformidade legal e de pesquisa. Divisões incluem Bloomberg Professional (Bloomberg Terminal), Bloomberg News, Bloomberg Radio e Bloomberg Businessweek.

** Cotação de 16/08/2019 (US$1 = R$4,0037).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Terminal de dados Bloomberg” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Bloomberg_Terminal.jpg/1200px-Bloomberg_Terminal.jpg

Imagem 2 Preço do barril do petróleo Brent (US$)” (Fonte): https://br.investing.com/commodities/brent-oil

Imagem 3 Comparação das reservas cambiais entre Rússia e Arábia Saudita (US$ Bilhões)” (Fonte): https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-08-11/russia-to-leapfrog-saudi-in-wealth-league-as-oil-power-shifts

Imagem 4 Países com maiores reservas cambiais (US$ Trilhões)” (Fonte): https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-08-11/russia-to-leapfrog-saudi-in-wealth-league-as-oil-power-shifts

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Vladimir Putin completa 20 anos à frente do Governo russo

Atualmente, a Rússia é uma das maiores potencias do planeta e à sua frente está o governo do presidente Vladimir Vladimirovitch Putin, que, no último dia 9 de agosto (2019), completou 20 anos na liderança desta nação, e cuja persistência de sua influência na política global atual promete ser uma das marcas do século XXI.

Presidente russo Boris Yeltsin – 1991 a 1999

A história política de Putin tem início em 1999, como então Vice-Presidente da Federação Russa, e viria a assumir o cargo de dirigente principal do país por conta da renúncia do então presidente Boris Yeltsin, que deixava como legado uma nação mergulhada numa profunda crise econômica, apresentando um alto índice de endividamento, desemprego e desestabilização político-social em relação ao período soviético, chegando até mesmo a se abster do pagamento de sua dívida externa frente a órgãos internacionais, algo que provocou efeitos negativos na economia mundial. Posto isso, o ex-agente da KGB* se tornou o líder hegemônico dentro da Rússia, disputando sua primeira eleição presidencial no ano 2000 e vencendo o pleito com 53,4% dos votos contra o seu principal concorrente, Gennady Zyuganov, que obteve 29,5%. Isso determinou o início de uma nova era política na Federação Russa.

Em 2004, o país passou por mais uma eleição presidencial, sendo o presidente Putin reeleito para um mandato de 4 anos, com a obtenção de um massivo resultado de 71,9% dos votos frente ao seu opositor Nikolay Kharitonov, que ficou em segunda posição com apenas 13,8%. Seus primeiros anos na Presidência do país demonstraram não só uma relevante melhoria em indicadores econômicos e sociais importantes para o restabelecimento da nação, mas, também, uma demonstração de concentração de poderes, o que lhe assegurou a maioria da representação política na Duma e no Conselho, que são os dois órgãos do Legislativo Russo.

Presidente Dmitri Medvedev e Primeiro-Ministro Vladimir Putin – 2008

Em 2008, não podendo participar das eleições presidenciais pela terceira vez seguida, Putin indicou um afilhado político, Dmitri Medvedev, que se tornou Presidente e ele mesmo migrou para o cargo de Primeiro-Ministro. Em sistemas semipresidencialistas, como o russo, o Presidente é o Chefe de Estado, enquanto o Primeiro-Ministro é o Chefe de Governo, mas a divisão formal de cargos, que durou de 2008 a 2012, não deixou Putin longe do controle dos assuntos do país, retornando, depois, a disputar novas eleições presidenciais em 2012 pelo Partido Rússia Unida, a qual venceu com um resultado de 63,6% dos votos contra seu principal opositor, Gennady Zyuganov, do Partido Comunista Russo, que ficou com 17,1%. Dessa forma, Vladimir Putin assumiu seu terceiro mandato, desta vez não mais de 4 anos, mas por 6 anos, conforme uma reforma constitucional, implantando, assim, uma coesão política interna que daria impulso às grandes pretensões internacionais da Rússia.

Em meio aos acontecimentos que ocorreram neste terceiro mandato, tendo como o principal a reincorporação da Península da Crimeia em 2014, que causou protestos e sanções das principais nações mundiais, Putin tentou manter um cordão de aliados ao redor das fronteiras da Rússia, principalmente com as ex-Repúblicas da extinta União Soviética, além de estender sua influência a outros países, tais como a Síria, onde a Federação Russa se transformou no seu principal fiador militar, e também na Venezuela, onde tem interesses econômicos, principalmente no campo de exploração de petróleo e na venda de armas. Esse mandato também foi marcado por acusações recebidas pela comunidade internacional, alegando ações do Governo russo no intuito de desestabilizar os processos eleitorais de países estrangeiros, como foi o exemplo das eleições norte-americanas.

Com sua resiliência característica, Vladimir Putin voltou a participar das eleições presidenciais russas em 2018 e novamente venceu com uma estrondosa margem de aceitação de 73,7% dos votos, contra o opositor comunista Pavel Grudinin, que alcançou 11,8%, sendo eleito Presidente para mais um mandato de 6 anos.

Desde que entrou no Kremlin pela primeira vez, em 1999, até o fim de seu quarto mandato presidencial eletivo, que ocorrerá em 2024, Putin terá passado 25 anos ininterruptos no poder da Federação Russa, variando entre os cargos de Presidente e Primeiro-Ministro, e seu governo ficará marcado pela aspiração de recuperar os desígnios russos de superpotência, seguindo um caminho de certa influência e poder para várias nações do mundo.

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Nota:

* KGB é a sigla em russo de Komitet Gosudarstvennoi Bezopasnosti, cujo significado em português é Comite de Segurança do Estado. A KGB era a principal organização de serviços secretos da ex-União Soviética, e esteve em funcionamento entre 13 de março de 1954 e 6 de novembro de 1991. Surgida no período da Guerra Fria (período de conflitos de ordem política entre Estados Unidos e União Soviética), a sua extinção coincidiria com o fim da Guerra Fria e desintegração da União Soviética. As organizações russas sucessoras da KGB são o FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa), responsável pela segurança interna, e o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeira), especialista na inteligência externa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente russo Vladimir Putin” (Fonte): https://southfront.org/wp-content/uploads/2017/12/1-195.jpg

Imagem 2 Presidente russo Boris Yeltsin 1991 a 1999” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Boris_Iéltsin#/media/Ficheiro:БорисНиколаевичЕльцин-1_(cropped).jpg

Imagem 3 Presidente Dmitri Medvedev e Primeiro-Ministro Vladimir Putin 2008” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Putin#/media/Ficheiro:Vladimir_Putin_27_April_2008-2.jpg

Percentuais dos pleitos eleitorais russos: Comissão para Eleição Central da Federação Russa. (Fonte): http://cikrf.ru/eng/

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Rússia e EUA: a nova corrida espacial

Há 50 anos, o astronauta norte-americano Neil Armstrong dava os primeiros passos na Lua, completando uma etapa do processo exploratório iniciado alguns anos antes, quando EUA e União Soviética entravam numa disputa de capacidades, no intuito de ultrapassar limites, os quais o homem nunca havia alcançado, e que seria a maior aventura humana no século XX, dando início, assim, a chamada “Corrida Espacial”.

Foguete russo Soyuz

Este processo exploratório, segundo especialistas, teve início quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial (1945), imergindo a civilização numa nova ordem global, em que o poder e a influência não se mediriam em termos de esforço humano, mas, sim, de avanços tecnológicos.

Para suplantar essa “vantagem” apresentada pelos norte-americanos, a União Soviética deveria apresentar, de forma bastante rápida, estratégias adequadas que lhes dessem igual ou superior influência internacional. De acordo com historiadores, em apenas quatro anos, os soviéticos desenvolveram sua primeira bomba atômica (1949) e, por esta ser mais pesada que a dos EUA, tiveram também que desenvolver foguetes mais poderosos para poderem transportá-la.

Foguete soviético R7 – Semyorka

O responsável por essa tarefa foi o engenheiro ucraniano Sergei Pavlovich Korolev, que projetou os mais poderosos foguetes, entre eles o R-7 Semyorka*, que era nove vezes mais potente que qualquer outro lançador criado até aquele momento. No entanto, tal dispositivo se mostrou de forma desqualificada para ser utilizado como arma, devido ao enorme tempo dispendido para preparar seu lançamento, sendo, assim, direcionado para a exploração espacial.

Desde então, a União Soviética se empenhou em ultrapassar os EUA na exploração do espaço sideral, quando foram responsáveis pelo lançamento do primeiro satélite orbital transmissor de sinais de rádio, batizado com o nome de Sputnik (Outubro de 1957); pelo lançamento do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika (Novembro de 1957); pelo marco histórico do primeiro ser humano (Yuri Gagarin) a ser lançado em órbita (Abril de 1961) e completar uma volta em torno da  Terra em 1 hora e 48 minutos, deixando para a posteridade a frase “A Terra é azul”; e também pela primeira “caminhada” espacial, que foi realizada pelo cosmonauta russo Alexei Leonov (Março de 1965).

Cosmonauta soviético Yuri Gagarin

Após a série de sucessos soviéticos, os EUA necessitavam de uma façanha ainda maior, levar um homem até a Lua, o que foi realizado em 20 de Julho de 1969, fruto do ímpeto do Governo do Presidente J. F. Kennedy, aliado ao auge da economia norte-americana, que proporcionou o investimento de somas gigantescas no programa aeroespacial da época, ultrapassando, assim, a União Soviética, que direcionou seus esforços para a construção da primeira estação espacial temporal: a Salyut 1 (Abril de 1971).

Décadas se passaram sobre essa “corrida”, trazendo sucessos e fracassos para ambos os lados, mas, que beneficiaram o desenvolvimento tecnológico mundial na área aeroespacial diante de muitas descobertas realizadas pela determinação e coragem de ambas as nações, que estão de volta para uma nova etapa da exploração do espaço.

Atualmente, Rússia e China já iniciaram negociações sobre a expansão da cooperação na indústria espacial, o que dará início a uma aliança capaz de realizar missões tripuladas conjuntas, inclusive para a Lua, onde pretendem criar uma estação lunar tripulada permanente, além de colocar em órbita equipamentos de observação espacial de alta capacidade tecnológica, como o satélite científico russo Spektr-RG, fabricado em parceria com a Alemanha, e que levará ao espaço o telescópio eROSITA**.

O Governo dos EUA, por sua vez, segundo o presidente Donald Trump, determinou que a NASA (Agência Espacial Norte Americana) empenhe esforços não só para voltar a pisar na Lua brevemente, como, também, colocar a bandeira e a pegada norte-americana no solo marciano até 2030, mas, até que o seu novo foguete esteja finalizado para as futuras missões, a NASA tem que pagar 80 milhões de dólares (cerca de R$ 301,87 milhões – cotação de 26/07/19 >> US$1 = R$ 3,7734) para a Agência Espacial Russa para cada astronauta norte-americano que pegar “carona” em seu foguete Soyuz, como foi o caso do lançamento russo realizado no último dia 20 de julho (2019), o qual partiu de Baikonur, localizado no Cazaquistão.

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Notas:

* Inicialmente, o foguete Semyorka foi criado em 1957 como míssil balístico destinado a levar cargas termonucleares a qualquer ponto do globo terrestre. Entretanto, suas possibilidades técnicas eram muito mais amplas do que as exigências em relação à arma balística, algo que o tornou pivot da cosmonáutica soviética. Pertencia à família dos R-7, que apresentou integrantes como o Sputnik 8K71PS (1957), o Vostok 8K72K (1960), o Voskhod 11A57 (1963) e o Soyuz 11A511 (1966), cuja plataforma é utilizada desde então como lançador de satélites e cosmonautas.

** O eROSITA é dotado de sete detectores de raios X. Permitirá observar mais de 100 mil clusters galácticos e obter imagens de milhões de buracos negros, grupos de galáxias e estrelas de nêutrons mortos, marcando “o início de uma nova era na astronomia de raios X”, segundo comunicado do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Munique, que forneceu o instrumento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Astronauta norteamericano Neil Armstrong” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong#/media/Ficheiro:Neil_Armstrong_pose.jpg

Imagem 2 Foguete russo Soyuz” (Fonte): https://archive.org/download/nasahqphoto-7187014046/nasahqphoto-7187014046.jpg

Imagem 3 Foguete soviético R7 Semyorka” (Fonte): http://www.b14643.de/Spacerockets_1/East_Europe_1/Semyorka/Gallery/R-7_1big.jpg

Imagem 4 Cosmonauta soviético Yuri Gagarin” (Fonte): https://incrivelhistoria.com.br/yuri-gagarin-terra-azul-1961/

Imagem 5 Família de foguetes russos R7” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/R-7_(família_de_foguetes)#/media/Ficheiro:Roket_Launcher_R-7.svg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grupo russo Acron compra unidade da Petrobras

A Acron*, uma das principais produtoras russas na área de fertilizantes minerais, entrou na fase de finalização do acordo de compra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) da Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.), localizada no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Este processo vinha se desenrolando desde outubro de 2017, época em que foi anunciada a pretensão de venda e teve a participação de seis empresas interessadas na aquisição da unidade.

Com a formalização da venda esperada para agosto (2019), haverá a retomada das obras do complexo cujo cronograma havia sido paralisado desde dezembro de 2014, por conta de bloqueio de bens a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o qual constatou envolvimento de dois ex-presidentes da estatal brasileira em pagamentos irregulares na construção da fábrica, onde, até o momento, 83% das obras foram concluídas.

Um ponto importante que agilizou o processo de aquisição pelo conglomerado russo foi a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, que, em junho (2019), deixou claro que o processo de venda ou perda de controle acionário de subsidiárias das estatais não precisa de aval do Congresso Nacional para ser realizado, abrindo caminho para as negociações.

Logotipo da Acron

Os investimentos previstos pela Acron a serem direcionados para a unidade totalizam cerca de R$ 8,2 bilhões, onde a empresa russa vai investir R$ 5 bilhões na fábrica e pagar R$ 3,2 bilhões à Petrobras pelas obras executadas. Em contrapartida, o conglomerado russo já sinalizou, em reunião realizada com a Secretaria Estadual da Fazenda de MS, a pretensão de receber os mesmos incentivos fiscais concedidos à estatal brasileira, e ficaria isenta do pagamento de impostos estaduais, entre eles estão a alíquota de 10% sobre Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para aquisição de equipamentos e, também, 75% de redução no tributo para as operações de saída de ureia da unidade fabril.

Fábrica de fertilizantes da Petrobras

A empresa russa juntamente com o Governo do Estado estimam que o complexo vai gerar cerca de mil empregos diretos e aproximadamente 10 mil postos de trabalho indiretos quando suas atividades derem início em 2024, de acordo com programação, considerando que a planta de fertilizantes nitrogenados tem capacidade de produção de 761,2 mil toneladas/ano de amônia e 1,223 milhão de toneladas/ano de ureia granulada. O complexo é composto por unidade de geração de hidrogênio, unidade de produção de amônia, unidade de produção de ureia, de granulação, utilidades, áreas de estocagem e expedição.

No seu processo de fabricação, a empresa irá necessitar de um insumo produtivo importante que é o gás natural, e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), empresa estatal de energia da Bolívia, anunciou fechamento de acordo com a Acron para fornecer 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia às unidades da empresa no Brasil, entre elas à fábrica de Três Lagoas. A operação será realizada por um período de 20 anos, válido a partir de 2023, e, além de se tornar fornecedora da Acron no Brasil, a YPFB também será sócia da empresa russa na UFN3, com uma fatia de 12% na fábrica e a opção de ampliar a participação para 30%.

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Nota:

* A Acron é uma das principais produtoras russas e mundiais de fertilizantes minerais, com um portfólio diversificado de produtos compostos por fertilizantes com múltiplos nutrientes, como NPK [Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K)] e misturas a granel, bem como produtos diretos à base de nitrogênio, como ureia [CO(NH2)2] e nitrato de amônio [NH4NO3]. O Grupo também gera produtos de síntese orgânica, incluindo metanol, formaldeído e UFR, e produtos de síntese inorgânicos, como nitrato de amônia de baixa densidade, dióxido de carbono e carbonato de cálcio. O Acron Group opera em seis países e, em 2017, vendeu seus produtos para 65 países, sendo os principais mercados de vendas do grupo a Rússia, o Brasil, a Europa e os Estados Unidos. A empresa é membro da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes, reunindo mais de 450 produtores de 80 países. Em 2017, o volume de vendas da empresa russa atingiu mais de 7,3 milhões de toneladas, com receitas consolidadas de US$ 1,6 bilhão (R$ 5,99 bilhões, pela cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457) e EBITDA** de US$ 511 milhões (R$ 1,91 bilhão – cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457), de acordo com o International Financial Reporting Standards. A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.

** EBTDA é a sigla em inglês para “Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização” (LAJIDA)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Petrobras” (Fonte): https://www.agenciapetrobras.com.br/Materia/ExibirMateria?p_materia=981002

Imagem 2 Logotipo da Acron” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dc/Acron.svg

Imagem 3 Fábrica de fertilizantes da Petrobras” (Fonte): http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/fabricas-de-fertilizantes/fabrica-de-fertilizantes-nitrogenados-fafen.htm

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Política monetária russa poderá diminuir dolarização na economia do país

No intuito de atingir a estabilidade macroeconômica, reduzir a inflação e desenvolver o sistema de pagamento independente, a Federação Russa há algum tempo vem adotando politicas monetárias em detrimento das sanções recebidas pelos EUA e União Europeia.

Em 2018, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização, com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA em meio a ondas de sanções contra empresários, empresas e funcionários do governo.

Neste período, o valor dos títulos em posse do BC russo chegava aos 92 bilhões de dólares (cerca de R$ 350,2 bilhões*), alcançando em abril de 2019 o valor de 12,14 bilhões de dólares (cerca de R$ 46,1 bilhões*), reduzindo seus investimentos nesse ativo em 86,8% em apenas um ano e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro, sendo que, no início de junho (2019), o BC russo anunciou que as reservas cambiais e de ouro do país atingiram aproximadamente o equivalente a 502,7 bilhões de dólares (cerca de R$1,91 trilhão*), crescendo em torno de 1,5% desde o início desse período.

Outro ponto importante nessa estratégia é que, junto com o yuan (moeda chinesa), a Rússia impulsionou a compra de uma série de outras moedas, incluindo o iene japonês, o euro, a libra esterlina, os dólares canadense e australiano e o franco suíço, em oposição ao uso da moeda norte-americana, além de promover ativamente a ideia de pagar seu passivo usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

Logotipo do SWIFT

Com acordos assinados entre China e Rússia desde 2014 sobre pagamentos em moedas nacionais, o comércio direto entre os dois países utilizando rublos (moeda russa) entraram em vigor sem a participação de Bancos americanos, britânicos ou da União Europeia, reiterando a concreta rejeição à moeda norte-americana. Um desses acordos, assinado em junho de 2019 pelo Ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e pelo governador do Banco Popular Chinês, Yi Gang, lançou a criação de um novo sistema de pagamentos que se tornará uma “porta de entrada para a fundação de análogos russos e chineses do SWIFT” (do inglês Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), um sistema interbancário internacional de transmissão de dados financeiros.

Segundo analistas econômicos, está previsto que esse sistema de pagamentos em moedas nacionais esteja operacional até o final do ano de 2019 e abranja, em primeiro lugar, as maiores empresas russas de petróleo e gás, bem como os produtores agrícolas. Devido ao aumento constante da ameaça de sanções econômicas por parte de Washington, Moscou e Pequim se apressam para fechar esse tipo de contrato.

De acordo com meios de comunicação, a agressividade de Washington força a Rússia e a China a “testar a resistência da moeda americana. O novo mecanismo de pagamentos não só protegerá de forma fiável contra a pressão das sanções, como também colocará em causa o estatuto do dólar como principal moeda de reserva.

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Nota:

Cotação de 08/07/2019 (US$1 = R$3,8065).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Banco Central da Rússia” (Fonte): http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Logotipo do SWIFT” (Fonte): https://swift.smugmug.com/AmericasUK-Events

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A volta da Rússia à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Após cinco anos de suspensão, a Federação Russa volta a integrar a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa* (APCE). O texto que permitiu o retorno da Rússia à entidade foi aprovado no último dia 25 de junho, numa sessão que durou 8 horas, em meio a acaloradas discussões e pedidos de emenda ao texto.

No plenário do Conselho da Europa, em Estrasburgo, França, 116 deputados dos distintos Estados-membros da organização pan-europeia da defesa dos Direitos Humanos votaram a favor de uma ratificação dos poderes da delegação de parlamentares russos. Sessenta e dois delegados, incluindo ucranianos, britânicos e poloneses, votaram contra e quinze se abstiveram.

O afastamento da Rússia pelo órgão europeu, em 2014, se deu por conta da condenação à anexação da Crimeia pelo país, à alegada ocupação militar do território ucraniano, e ao referendo instituído por Moscou na Península, o que foi intitulado pela instituição europeia como “ilegal. À época, a resolução do afastamento foi aprovada por 145 votos a 21, com 22 abstenções, e que, por prerrogativa de grupos de deputados conservadores, foi apresentado paralelamente a esse processo um pedido de banimento definitivo da Rússia da Assembleia, o que foi descartado, dando lugar a uma resolução de compromisso por parte da Rússia em reverter tais processos.

O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Em resposta a tal decisão, o chefe da delegação russa, Alexey Pushkov, declarou, à época, que Moscou deveria encerrar sua adesão à Assembleia por tal tratamento, onde, também, vários de seus colegas lançaram críticas aos países europeus que haviam “mudado de lado” para punir a Rússia, “adotando uma abordagem patologicamente tendenciosa, tratando a Rússia, um grande país, de uma forma desdenhosa e condescendente. Caso a Federação Russa abandonasse definitivamente a organização, esse processo privaria seus cidadãos de recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), braço jurídico do Conselho da Europa.

Desde a votação que suspende o afastamento russo, a Ucrânia protestou e rechaçou os poderes outorgados à Rússia, ao ver na decisão da APCE uma primeira suspensão das sanções impostas a Moscou. Após a votação dessa ratificação, várias parlamentares, sobretudo das delegações ucraniana e georgiana, abandonaram o hemiciclo e anunciaram que deixavam de participar nessa sessão da APCE.

Agora, com a liberação de sua volta ao órgão, a Rússia poderá apresentar sua delegação ao longo do ano (2019), sendo excluída da possibilidade de privá-la de seus principais direitos de voto.

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Nota:

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) (em inglês: PACE – Parliamentary Assembly of the Council of Europe) é um dos dois órgãos estatutários do Conselho da Europa, juntamente com o Comité de Ministros (Ministros dos Negócios Estrangeiros). A assembleia é constituída por representantes das forças políticas dos países membros, tanto as que estão no poder como as que estão na oposição. Tendo reunido pela primeira vez em 10 de agosto de 1949, pode ser considerada a mais antiga assembleia parlamentar baseada num tratado internacional com composição pluralista, baseada em membros de parlamentos democraticamente eleitos. O Conselho de 47 nações da Europa é separado da UE e supervisiona o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Reúne parlamentares da Europa Ocidental e Oriental, bem como os países do antigo bloco soviético. A Rússia é membro desde 1996.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea do Palácio da Europa  sede onde funciona a APCE, em Estrasburgo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Council_of_Europe_Palais_de_l’Europe_aerial_view.JPG

Imagem 2 O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Plenary_chamber_of_the_Council_of_Europe’s_Palace_of_Europe_2014_01.JPG