EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia eleva produção científica para desenvolvimento de novas armas

Em decorrência da drástica mudança no foco das operações de combate militar desde o final da Guerra Fria, e tendo como previsões, por grande parte da comunidade internacional, a necessidade do desenvolvimento e da inovação de tecnologias bélicas inerentes à possíveis demandas de novos cenários geopolíticos, a Federação Russa, entre outras nações, está elevando sua capacidade científica para atender à essas contingências, unindo centros de pesquisas, Forças Armadas e Governo.

Laboratório ISS Reshetnev

Passados os “espasmos” da complexidade do setor militar-industrial da era soviética, com a governança da mão pesada do Estado, a Rússia vem se reestruturando economicamente e potencialmente para lançar elevados investimentos em novas tecnologias, já apresentadas de antemão pelo presidente Vladmir Putin em seu discurso à nação, proferido em março de 2018. Ressalte-se que nos últimos momentos de existência da União Soviética foi decretado um enorme corte de verbas, o que causou uma profunda transformação nos meios militares, perdendo muito do seu acesso a recursos, à influência política e à mão de obra especializada.

Para que esse desenvolvimento de novas armas se concretize, será necessário o desenvolvimento científico de novos supercomputadores responsáveis por projetá-las, o que, atualmente, empresas como a ISS Reshetnev* e o Consórcio Kalashnikov, através do seu Instituto de Investigação e Produção Científica Molniya, já estão trabalhando para a apresentação de suas pesquisas. O principal objetivo do projeto, além de eliminar tecnologia estrangeira, é passar a efetuar todo o ciclo de desenvolvimento e produção com a ajuda de maquinaria e equipamentos nacionais.

O projeto abrange todas as etapas, desde a fase de pesquisa e desenvolvimento até a criação de um protótipo e seus testes, além da manutenção dos armamentos fabricados em série durante sua utilização nas Forças Armadas. Segundo declarações da diretora-geral do Instituto Molniya, Olga Sokolova, o supercomputador iniciará sua participação nos meios militares com o projeto de mísseis-alvo** e depois estenderá suas soluções para toda a indústria russa de armamentos.

De acordo com especialistas da área de segurança informática, o supercomputador não será criado a partir do zero, podendo utilizar como plataforma o Elbrus, importante sistema utilizado pelo ramo militar-industrial na projeção de armas especializadas e analises perspectivas que, com a necessidade de potencializar o volume de informações à serem processadas, deverá passar por uma reconfiguração para fornecer o mais alto desempenho em cálculos matemáticos, criptografia, processamento digital de sinais, além de dar suporte de hardware para computação segura.

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Notas:

* Reshetnev Sistemas de Informação por Satélite (ISS Reshetnev – Information Satellite Systems), empresa localizada na cidade de Zheleznogorsk, em Krasnoyarsk Krai, na Rússia, que atua no ramo de projeto e construção de satélites, sendo administrada diretamente pela Agência Espacial da Federação Russa. Desde sua fundação, em 1959, entregou mais de 1.200 satélites utilizados nos mais variados tipos de missões.

** Projeto de míssil hipersônico de baixo custo que servirá para testes de armas avançadas alocadas em bombardeiros, caças e, também, artilharia antiaérea. Seu lançamento será a partir do solo e simulará sinais térmicos de propulsores de aeronaves.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Superfície de microchip” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg/1024px-CSIRO_ScienceImage_2877_Mechanical_Arm_Works_on_the_Surface_of_a_Microchip.jpg

Imagem 2 Laboratório ISS Reshetnev” (Fonte):

http://www.iss-reshetnev.com/assets/components/phpthumbof/cache/060618-9.3a7e5dadb5b06ee9fd1808f1be641c751779.jpg

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PAK-DA: Novo bombardeiro estratégico russo

Com o intuito de revitalizar seus esquadrões de bombardeiros que estão em atividade desde a era soviética, e que, futuramente, precisarão de substituição para atendimento às demandas por equipamentos mais avançados, o Governo russo está acelerando o programa de pesquisa e desenvolvimento para a produção do moderno sistema de aviação de longo alcance para a próxima década, denominado PAK-DA.

Tupolev TU-160

O projeto do novo bombardeiro subsônico de 5ª geração foi iniciado em 2014, quando a Rússia comemorava 100 anos da sua aviação de longo alcance, com o objetivo de elaborar uma aeronave que apresentasse poder bélico-militar homólogo ao do seu “rival” norte-americano, também em processo de desenvolvimento, denominado B-21, que está sendo construído pela empresa de aviação Northrop Grumman Corporation, como parte do programa LRS-B (Long Range Strike Bomber). Segundo a Administração da Presidência dos EUA, a possível construção do bombardeiro stealth* Tupolev PAK-DA é listada como um sistema de desenvolvimento que poderá ser uma ameaça no futuro, de acordo com sua Revisão da Postura Nuclear (NPR – Nuclear Posture Review).

Atualmente, o design e organização da produção do novo bombardeiro está sob responsabilidade da Fábrica de Aviação de Kazan (KAZ), que vem trabalhando paralelamente com a empresa de defesa e aeronáutica russa Tupolev, no intuito de implementar tecnologia de última geração ao projeto. Segundo fontes de especialistas na área de estratégia militar, além da tecnologia de reflexão de sinais que impedem sua detecção por radares, a aeronave poderá ter uma autonomia de 12 mil quilômetros, o que possibilitará ações de longo alcance com capacidade de carga de até 30 toneladas de armamentos, os quais poderão incluir bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance.

O certo é que a implantação desse novo sistema pelo Governo russo vem carregada de enormes desafios, tais como a falta de pessoal altamente qualificado para a construção de uma aeronave com elevada complexidade, que necessita, acima de tudo, desenvolver um motor aeronáutico que atenda às necessidades do projeto. Segundo Nikolai Savitskih, diretor geral da KAZ, desde 2017 vem sendo elaborado, sob a avaliação do Kremlin, um programa de metas abrangentes para treinamento e retenção de pessoal para atendimento ao programa que custará, até 2025, em torno de 2,6 bilhões de rublos (pouco mais de R$ 142 milhões).

Outro ponto levantado é sobre a real necessidade de se investir uma soma exorbitante de recursos em um novo projeto, sendo que existe já em andamento a construção do novo bombardeiro TU-160 M2 Blackjack em substituição ao TU-160*, que necessitaria apenas de motores mais potentes para a sua operação e, no lugar do investimento em tecnologia para um bombardeiro furtivo, poderia ser direcionada apenas uma fração desses valores em mísseis furtivos de longo alcance, os quais seriam embarcados em bombardeiros convencionais.

De acordo com Michael Kofman, especialista em assuntos militares russos do Centro de Análises Navais, até o momento, o programa PAK-DA ainda se trata de pesquisa e desenvolvimento e o seu sucesso depende da capacidade financeira da Rússia em desenvolver novas tecnologias inerentes à demanda desse projeto. Então, posto isso, haverá uma possibilidade real de iniciar a produção da PAK-DA no final da próxima década.

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Notas:

* No âmbito militar, significa a capacidade de manipular a forma de detecção de um veículo aéreo em todo o seu espectro eletromagnético, com o intuito de diminuir a eficiência dos radares capazes de realizar sua rastreabilidade, que pode ser feita pela assinatura de radiofrequência, infravermelho, eletro-óptica, visual ou acústica. A tecnologia não faz a aeronave totalmente invisível, mas pode tornar sua detecção extremamente difícil.

** Maior e mais veloz bombardeiro russo que entrou em operação em 1987. Teve sua fabricação restrita à poucas unidades, devido cortes orçamentários sob os efeitos das políticas reformistas levadas a cabo pelo Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, de 1985-1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 2 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/17/Tu-160_at_MAKS_2007.jpg/300px-Tu-160_at_MAKS_2007.jpg

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Rússia e a nova “Crise dos Mísseis”

Logo após o anúncio da retirada dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Federação Russa, proferida pelo presidente Donald Trump, em 20 de outubro de 2018, a comunidade internacional ingressou em uma nova “Crise dos Mísseis”*, de acordo com a visão de analistas, e que, desta vez, não envolveria somente a bipolaridade entre EUA e a Rússia, mas, também, a inserção de novos agentes geopolíticos dentro desse conflito.

Míssil russo RS 24 Yars

O desequilíbrio político-militar se deu sob a alegação por parte dos EUA de que a Rússia apresentou desrespeito ao acordo de redução de mísseis de médio alcance, ao mesmo tempo que apresenta uma disposição baseada na Revisão da Postura Nuclear da administração Trump em investir pesadamente no desenvolvimento de arsenal que faça frente à suposta ameaça russa, e também coloca a China como potencial inimigo na questão de fabricação e disposição de mísseis de médio e longo alcance, já que esta nação não está incluída no Tratado e vem se destacando no cenário mundial com avanços significativos em desenvolvimento de mísseis convencionais e nucleares, alterando sua estratégia de dissuasão** e passando para uma estratégia chamada de “retaliação garantida”, pela qual uma resposta nuclear seria efetiva e danosa ao seu oponente em caso de confronto.

Outro ponto crítico nesse desequilíbrio sistêmico seria a demonstração de poder bélico por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aumentando a intensidade de treinamentos operacionais e de combate nas regiões fronteiriças da Federação Russa e da República de Belarus (Bielorrúsia), incluindo também exercícios relacionados ao uso de armas nucleares. Por sua vez, a Federação Russa, apesar de demonstrar o desejo de não ser “arrastada” para um conflito militar com o Ocidente, já informou que essas ações prejudicam sua estabilidade estratégica, o que obrigaria o país a tomar medidas de retaliação.

Segundo o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já que os norte-americanos decidiram sair do Tratado INF, eles devem revelar seus futuros planos no controle de armamentos, acrescentando que a falta de transparência é inadmissível e estendeu essa preocupação ao conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, quando este estava em visita à Moscou, em 22 de outubro (2018).

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Notas:

* Crise dos mísseis de Cuba, também conhecida como a Crise de Outubro, foi um confronto de 13 dias (16-28 outubro de 1962) entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba e que levaria o mundo à beira de uma guerra nuclear.

** A estratégia de dissuasão nuclear, muito utilizada no período da Guerra Fria entre EUA e União Soviética, é baseada num equilíbrio induzido pelo perigo do holocausto nuclear (Destruição Mútua Assegurada). Esta relação de forças traduzia-se num verdadeiro paradigma em que o equilíbrio do terror funcionava como a garantia da estabilidade e paz mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Silo com míssil nuclear R36 russo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Dnepr_inside_silo.jpg/330px-Dnepr_inside_silo.jpg

Imagem 2Míssil russo RS 24 Yars” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG/1200px-PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

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Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Robótica e mineração: as inovações russas para exploração do Ártico

Com o intuito de explorar as maiores reservas de hidrocarbonetos e metais raros do mundo, localizadas no fundo do Oceano Glacial Ártico, e que apresentam difícil acesso por conta da profundidade e da temperatura extremamente baixa, a Federação Russa está lançando um ambicioso projeto de mineração com o emprego de tecnologias nunca antes utilizadas para esse propósito.

Horizonte do Oceano Ártico

Nesse âmbito, a Fundação de Pesquisas Avançadas da Rússia*, criou dentro de sua estrutura o Centro Nacional de Desenvolvimento de Tecnologias e Elementos Básicos de Robótica que, desde 2015, vem desenvolvendo técnicas de exploração mineral com a utilização de submarinos não tripulados em águas profundas, ou mais conhecidos como Veículos Subaquáticos Autônomos (AUV – do inglês Autonomous Underwater Vehicle). Os AUVs são atualmente usados em pequeno número por muitos países e geralmente controlados de perto por operadores, em vez de circularem livremente.

A total autonomia veicular, que será de grande importância para explorar as profundezas do Ártico, é o objetivo da pesquisa que já construiu protótipos para se testar os algoritmos** robóticos e confirmar seu atendimento aos requisitos operacionais e definir a navegabilidade do veículo. Alguns desses protótipos foram testados com elevada margem de sucesso, como são os casos do Klavesin-2R-PM UUV, utilizado em operações de exploração até 6 mil metros de profundidade, juntamente com o Vityaz UUV, veículo totalmente autônomo que terá capacidade exploratória em ambientes com mais de 10 mil metros de profundidade.

Além dos veículos autônomos, o governo russo quer complementar o desenvolvimento das novas tecnologias com a implementação de instalações robóticas no fundo do leito oceânico para prospecção mineral, que, segundo o chefe de projeto da fundação, Viktor Litvinenko, será um trabalho desafiador, pois utilizará tecnologias que essencialmente não existem nos dias atuais e que necessitará de parceiros altamente qualificados para respaldar o projeto, como é o caso da Rosatom, companhia estatal de energia nuclear da Rússia, juntamente com sua subsidiária no campo de exploração de urânio, a JSC Atomredmetzoloto (ARMZ Uranium Holding Co.), que já se prontificaram para serem clientes cooperativos.

Apesar de não ter sido divulgado o tamanho do gasto para o desenvolvimento e a implementação dessas novas tecnologias, o retorno desse enorme investimento é praticamente certo, pois servirá para explorar jazidas de zinco, urânio, ferro e diamantes, além de depósitos de hidrocarbonetos em áreas submersas, com capacidades estimadas em 28 bilhões de barris de petróleo, 31 bilhões de barris de gás natural liquefeito, além dos incríveis 356 bilhões de metros cúbicos de gás, segundo estudos do United States Geological Survey (USGS).

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Notas:

* A FPI (do russo – Fond Perspektivnyh Issledovaniy), foi criada em 2012 para apoiar pesquisas e desenvolvimentos científicos de acordo com os interesses da defesa e segurança da Federação Russa. A organização realiza suas atividades em três direções principais – químico-biológica e médica, físico-técnica e de informação.

** Termo utilizado em MATEMÁTICA: sequência finita de regras, raciocínios ou operações que, aplicada a um número finito de dados, permite solucionar classes semelhantes de problemas. Em INFORMÁTICA: conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos que levam à solução de um problema em um número finito de etapas.

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Imagem 1 Navios quebra-gelo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Three_icebreakers_–_Yamal%2C_St_Laurent%2C_Polar_Sea.jpg

 

Imagem 2 “Horizonte do Oceano Ártico” (Fonte):                                                                                           

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Arctic_Sky_%284371010590%29.jpg

 

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Reconstrução da Líbia poderá ter Rússia como protagonista

Devastada pela guerra civil em 2011, após os eventos da Primavera Árabe*, a Líbia, país localizado no norte do continente africano, enfrenta uma das piores situações internacionais da atualidade, onde a nação se encontra mergulhada no caos e na violência. O Governo sofre sérios problemas institucionais e, segundo especialistas, há mais de uma centena de grupos armados a disputar o poder colocando o país dentro de um turbulento processo no qual reinam o tráfico de drogas, armas e pessoas e, nos últimos anos, o país tornou-se uma das principais rotas dos refugiados que rumam à Europa. 

Localização da Líbia no continente africano

Desde 2014, o Estado está dividido ao meio, com uma autoridade no Leste, sob o controle do Parlamento em Tobruk e a tutela do marechal Khalifa Hafter, e outra em Trípoli, sustentada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e representada pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj. Em novembro de 2017, os comitês negociadores dos dois lados começaram a direcionar conversações no intuito de estabelecer um processo democrático, com a formação de um novo Conselho Presidencial para preparar o país para eleições presidenciais, legislativas e municipais.

Aref Ali Nayed, candidato à Presidência, já sinalizou um grande interesse de que a Rússia seja um protagonista na reconstrução do país, no encontro realizado com o líder do Partido Democrático Liberal russo, Vladimir Zhirinovsky, em 24 de setembro de 2018, declarando: “Eu quero que a Rússia […] tenha um papel importante na reconstrução da Líbia. Porque nosso Estado precisa de forças militares — exército, polícia e serviços de inteligência — e uma parceria estratégica com a Rússia, especialmente na cooperação no campo da produção de petróleo e exportações, assim como na construção de infraestrutura”.

Enfatizou ainda, ao acrescentar em seu pronunciamento, que a Líbia necessita do suporte dos russos tanto em questões domésticas quanto nas questões internacionais, juntamente com a ajuda da China e da ONU, no intuito de evitar possíveis intervenções do Ocidente. A eleição presidencial da Líbia está marcada para acontecer no dia 10 de dezembro de 2018.

 

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Nota:

* Foi uma série de revoltas populares que eclodiram em mais de 10 países no Oriente Médio e na região norte da África. A Tunísia foi o berço de revoluções que se espalharam pelas nações vizinhas, em oposição às altas taxas de desemprego, precárias condições de vida, corrupção e governos autoritários.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ruínas da cidade de Sirte na Líbia” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/08/6879903205_4be881db20_b.jpg

Imagem 2 Localização da Líbia no continente africano” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/07/Libya_%28orthographic_projection%29.svg/270px-Libya_%28orthographic_projection%29.svg.png