MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Acordo sobre o clima será ratificado pela Rússia

Após a assinatura do Decreto pelo Governo russo, em 20 de abril de 2016, que aprova o Acordo de Paris*, o próximo passo a ser adotado será a ratificação do Documento, em conformidade com os procedimentos legislativos da Federação Russa.

De acordo com declaração em 23 de abril (2019) do Vice-Primeiro-Ministro da Rússia, Aleksei Gordeev, os trabalhos inerentes à ratificação deverão estar concluídos até o final do ano de 2019, explicando, ainda, que os órgãos governamentais ligados a essa empreitada já sinalizaram, como parte dos objetivos propostos, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa** em 25% até o ano de 2020, tomadas as devidas comparações com o nível de 1999.

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015

A Rússia, quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, está se empenhando nessa ratificação do Acordo, com a participação de autoridades, cientistas e empresários que concordaram em seu significado e, assim, estão avaliando os efeitos econômicos do mesmo com possíveis mudanças na política energética do país. Isto posto, ajudaria as empresas russas a participarem de projetos de desenvolvimento sustentável e atrair novos investidores mundiais.

Mapa dos países participantes do Acordo de Paris

A declaração da ratificação vai ao encontro com as conversações realizadas com o ministro alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Gerd Müller, que, por sua vez, juntamente com outros representantes da Alemanha, sugeriu continuar a cooperação bilateral com a Rússia para a solução climática no longo prazo, não só no nível político, mas, também, no nível das comunidades de especialistas, científicas e empresariais.

Até à data, 184 Estados e a União Europeia ratificaram o Documento. No entanto, os EUA se tornaram o único país a recuar nos esforços globais para combater as emissões. Em agosto de 2017, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada do seu país do Acordo de Paris, seguindo suas promessas de campanha e a política “America First”, que, em um dos dois pontos, deveria proteger a indústria nacional de extrativismo, principalmente a do carvão.

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Notas:

* O Acordo de Paris é um compromisso internacional discutido entre 195 países com o objetivo de minimizar as consequências do aquecimento global. Ele foi adotado em 12 de dezembro de 2015, durante a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas, sobre Mudança do Clima – COP 21, em Paris, no ano de 2015. O Acordo tem como objetivo fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas. Ele foi aprovado pelos 195 países participantes que se comprometeram em reduzir emissões de gases de efeito estufa. Isso se resume em manter a temperatura média da Terra abaixo de 2 °C, acima dos níveis pré-industriais. Além de esforços para limitar o aumento da temperatura até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os países desenvolvidos também se comprometeram a conceder benefícios financeiros aos países mais pobres, de modo que possam enfrentar as mudanças climáticas.

** Os gases de efeito estufa (GEE) são gases que absorvem uma parte dos raios do sol e os redistribuem em forma de radiação na atmosfera, aquecendo o planeta em um fenômeno chamado efeito estufa. Os principais GEE que temos são: CO2 (Dióxido de Carbono), CH4 (Metano), N2O (Óxido Nitroso), PFCs (Perfluocarbonetos) e o vapor d’água. A denominação efeito estufa foi dada em analogia ao aquecimento gerado pelas estufas, normalmente feitas de vidro, no cultivo de plantas. O vidro permite a livre passagem da luz do sol e essa energia é parte absorvida, parte refletida. A parte absorvida tem dificuldade de passar novamente pelo vidro, sendo reirradiada e responsável pelo aquecimento da estufa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Poluição ambiental” (Fonte): https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/image/chaminefumaca.jpg

Imagem 2 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_das_Nações_Unidas_sobre_as_Mudanças_Climáticas_de_2015#/media/File:COP21_participants_-30_Nov_2015(23430273715).jpg

Imagem 3 Mapa dos países participantes do Acordo de Paris” (Fonte): https://insdrcdn.com/media/attachments/3/2d/b8ed9a2d3__1600x0.png

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Xiaomi: melhor marca em crescimento na Rússia em 2019

Pela primeira vez realizada em solo russo, a premiação Best Brands (do inglês, Melhores Marcas) categorizou a Xiaomi como a melhor marca em crescimento de 2019, no evento “Russian Consumer Electronics”. O prêmio faz parte de um projeto anual organizado pela Interbrand, consultoria global controlada pela Omnicon Group Inc., e que, todos os anos, categoriza as melhores marcas do mundo, tendo como referencial suas estratégias, valorização, design corporativo e gestão.

A gigante da tecnologia chinesa Xiaomi começou sua história nos arredores de Pequim em abril de 2010, quando foi fundada por 8 sócios provindos de outras empresas de renome em território chinês, tais como Kingsoft e filiais da Google e Motorola, comprovando, assim, uma grande experiência de mercado. O nome de batismo da empresa, que literalmente significa “pequeno arroz”, tem um simbolismo profundo devido à história do país, onde, durante a segunda guerra sino-japonesa, de 1937 a 1945, o líder Mao tse Tung dizia que a China combatia usando “xiaomi e rifles”. Além disso, no budismo existe o ditado de que um único grão de arroz é capaz de ser tão incrível quanto uma montanha.

Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação

Desde sua fundação, a empresa vem batendo recordes de vendas de seus aparelhos celulares. Em 2015, conseguiu a impressionante marca de 2 milhões, 112 mil e 10 dispositivos vendidos em um só dia numa plataforma de vendas online. No mesmo ano, a empresa atingiu um valor de mercado em torno de 45 bilhões de dólares (cerca de R$ 182,88 bilhões ao câmbio atual) e com mais de 160 milhões de usuários em sua base de dados.

Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS

Atualmente, a empresa expandiu sua presença global com novas lojas localizadas em várias cidades de diferentes continentes. Além da Índia, também em países europeus como a Rússia, França, Alemanha e Espanha, e vêm aumentando sua participação mundial não só no segmento de celulares, mas, também, no ramo de Internet das Coisas e de saúde, lançando vários itens de fabricação própria, tais como monitor de pressão sanguínea, purificador de ar, aspirador, roteador, drones, televisores, action cam, scooter elétrico e até panela de esquentar arroz. Seu principal produto vendido é o aparelho celular MI 9 SE, que pode ser comprado no Brasil através de plataformas online, pelo valor de R$ 2.200,00.

Segundo dados divulgados, outro ponto que chamou a atenção nessa premiação foi a presença da Huawei* no segundo lugar, indicando que as empresas chinesas conseguiram cativar o consumidor russo, sendo a Xiaomi a mais lembrada pelo público. A popularidade da companhia fica ainda mais evidente quando são considerados os números divulgados pelo AliExpress** no fim do ano passado (2018). De acordo com o levantamento, dos cinco smartphones mais vendidos na Rússia, três eram da Xiaomi.

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Notas:

* A Huawei é uma empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações sediada na cidade de Shenzhen, localizada na província de Guangdong, China. Fundada em 1987, a Huawei cresceu de um pequeno negócio de US$ 5.680 (R$ 23,08 mil, no câmbio atual) para uma empresa global, com um volume de vendas de mais de US$ 70 bilhões (R$ 284,48 bilhões ao câmbio atual), com presença de negócios em mais de 170 países e regiões. Suas atividades principais são pesquisa e desenvolvimento, produção e marketing de equipamentos de telecomunicações, e o fornecimento de serviços personalizados de rede a operadoras de telecomunicações.

** AliExpress é um serviço de varejo on-line fundado em 2010, pertencente ao Alibaba Group, com sede em Hangzhou, China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Premiação Best Brands Rússia 2019” (Fonte): https://www.facebook.com/xiaomiglobal/photos/fpp.250677251634542/2218492418186339/?type=3&theater

Imagem 2 Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação” (Fonte): http://www.gazprom-media.com/ru/news/show?id=1738

Imagem 3 Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS” (Fonte): https://www.mi.com/global/mi-9-se/

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

OTAN completa 70 anos* e tem Rússia como principal preocupação

Criada em 4 de abril de 1949, ao término da Segunda Guerra Mundial, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) teve como principal objetivo a unificação de determinados países do hemisfério setentrional para combater o possível expansionismo soviético. Após 70 anos de existência, tendo ao longo dessas décadas mudado de “inimigos”, alterado sua estratégia e expandido o número de membros, a Aliança se prepara para uma nova era com desafios que muito provavelmente poderão determinar sua continuidade como a maior aliança militar do planeta.

Jens Stoltenberg – Secretário-Geral da OTAN

Em seu discurso proclamado em Washington, para a comemoração do aniversário da Organização, o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, deixou claro que as bases de responsabilidades do grupo deixaram de utilizar há muito tempo a fórmula do seu primeiro Secretário-Geral, Lorde Hasting, de “manter a Rússia out (fora), os EUA in (dentro) e a Alemanha down (controlada)”,pois, após o episódio histórico conhecido como Guerra Fria, o desmantelamento da União Soviética e o alargamento das democracias no território europeu, a Organização se viu envolvida em outras missões que ultrapassam suas fronteiras de atuação, como foi o caso de sua intervenção nos conflitos da Bósnia, no intuito de estabelecer a paz entre grupos étnicos, e de sua inserção tática no Afeganistão em apoio a um dos membros, alvo de um ataque externo, sendo que a resposta ao 11 de Setembro foi a primeira e única vez em que se invocou o seu Artigo 5º**.

Bandeiras de membros da OTAN

Hoje, a OTAN enfrenta não só a complexidade dos desafios à segurança internacional inerentes de um mundo multilateralista, que envolvem ataques cibernéticos, a inteligência artificial, a computação quântica ou a gestão dos gigantescos arquivos online que guardam informações importantes sobre os cidadãos, mas, também, o retorno de um “fantasma” da Guerra Fria, a Rússia.

Essa ressureição teve início em 2014, quando ocorreram os conflitos militares entre Rússia e Ucrânia na região de Donbass e o processo de anexação da Península da Criméia pela Federação Russa, quando, mesmo que no âmbito militar, as relações transatlânticas não sofreram qualquer penalização e os membros da Aliança, principalmente os EUA, aumentaram sua presença militar em territórios da Polônia e países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), mantendo operações de vigilância e dissuasão na fronteira com a Rússia para evitar um possível confronto entre as nações.

No encontro realizado, levantou-se a questão do deslocamento de armamento pesado para estruturar um escudo protetivo da Europa e o Secretário-Geral da Aliança declarou: “A OTAN não tem nenhuma intenção de deslocar mísseis nucleares para a Europa. Mas irá sempre dar os passos necessários para proporcionar uma dissuasão credível e eficaz”. E complementou que “A força de uma nação não se mede apenas pela dimensão da sua economia, nem pelo número dos seus soldados. (…). Mede-se também pela quantidade de amigos que tem”, numa clara alusão aos EUA.

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Nota:

* Vídeo comemorativo do 70º aniversário da OTAN: https://youtu.be/yI9uTpFq7zI

** O Artigo 5º é a pedra angular da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e afirma que um ataque a um membro da OTAN é um ataque a todos os seus membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cerimônia de 70º aniversário da OTAN em Washington” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165252.htm

Imagem 2 Jens Stoltenberg SecretárioGeral da OTAN” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165254.htm

Imagem 3 Bandeiras de membros da OTAN” (Fonte): http://www.nato.int/cps/en/natohq/68147.htm#intro

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

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Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICAS

*ERRATA: Grupo PSA escolhe Rússia para alavancar marca OPEL

*A empresa Vauxhall é de origem britânica e não alemã.

Em 2015, quando a Federação Russa passava por um processo de depreciação massiva de sua moeda, o Rublo, causando um alijamento do mercado automotivo nacional, a General Motors decidiu retirar do território russo a OPEL, uma de suas marcas, a qual detinha desde 1929, e que, sob seu comando, apresentava prejuízos em torno de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 34,8 bilhões, de acordo com a cotação de 8 de março de 2019), desde 2009 no mercado europeu.

Logotipos PSA e OPEL

Quatro anos após essa decisão, a economia russa voltou a dar sinais de estabilização devido políticas macroeconômicas bem sucedidas, o que atraiu a atenção de vários fabricantes automobilísticos, incluindo o Grupo PSA (dona da Peugeot e Citroën), agora detentora da marca OPEL e que esta “devolvendo” à Rússia a capacidade de fabricação de seus veículos, em anúncio proclamado no final de fevereiro (2019).

Com essa aquisição, a PSA passou a ter uma participação de mercado em torno dos 16%, o que a coloca acima da Renault, sua concorrente mais próxima, mas, aquém do primeiro lugar da Volkswagen, que aponta 24%. Para a empresa, o negócio foi atraente pelo motivo do aumento de produção em torno dos 1,2 milhão de veículos, o que a ajudará a reduzir os custos de desenvolvimento, por aproveitar a tecnologia em três marcas ao mesmo tempo, já que, paralelamente, também adquiriu uma marca britânica, a Vauxhall.

Em declaração conjunta dos CEOs (Chief Executive Officer) da OPEL e da PSA, Michael Lohscheller e Carlos Tavares, respectivamente, ficou claro que o grupo já havia projetado sua volta à Rússia sob o governo de Vladimir Putin, por ser um dos caminhos mais curtos para que a montadora pudesse potencializar sua demanda no mercado euroasiático, investindo em comerciais leves na região e triplicando o volume de vendas até 2021, em relação a 2018, o que seria um dos pontos do plano estratégico “Push to Pass”*, que incluiria também a apresentação de novos conceitos veiculares eletrificados em torno de 50% da oferta, podendo, em 2025, chegar aos 100%.

Veículo OPEL Zafira Life

A produção dos veículos OPEL se dará numa fábrica PSA já existente na região de Kaluga, sul da capital Moscou, com capacidade de produção de 125 mil veículos por ano e já se sabe que os primeiros modelos a serem lançados serão do tipo van, sendo Zafira Life e Vivaro, não tendo seus preços anunciados até o momento. Outros veículos da marca que possivelmente poderão ser fabricados em solo russo serão os modelos Corsa, Crossland X e Grandland X.

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Nota:

* O plano estratégico “Push to Pass” é um primeiro passo rumo à realização da visão do Grupo PSA: “tornar-se um fabricante de veículos global na ponta da eficiência e um fornecedor de referência em serviços de mobilidade”, e perpetuar a razão de ser do Grupo de preservar a liberdade de movimento, oferecendo uma mobilidade sustentável e acessível.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Símbolo da OPEL” (Fonte): https://www.translatoruser-int.com/translate?&to=en&csId=15eb7b9f-63b0-4b46-8ca9-4a57ebe0aa5c&usId=f699599e-5721-492c-a38e-5a9c14026fc9&dl=en&ac=true&dt=2019%2f3%2f8%201%3a21&h=4DuBRfD0VD3V5ETKe6sr-xmOnmA_-Cju&a=https%3a%2f%2fwww.opel.ru%2fpredlozheniya-uslug%2fcurrent-offers%2fparts-and-prices.html

Imagem 2 Logotipos PSA e OPEL” (Fonte): https://www.autoplus.fr/psa/actualite/PSA-Opel-GM-fusion-partenariat-1513343.html

Imagem 3 Veículo OPEL Zafira Life” (Fonte): https://www.opel.pt/carros/modelos-futuros/zafira-life.htmlI

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Perspectiva russa para o futuro da Venezuela

Desde pouco mais de uma década, a Federação Russa tem fortalecido sua influência na América Latina e no Caribe, com parcerias diplomáticas e de negócios com países tais como Cuba, Nicarágua e principalmente a Venezuela, que, à época, despontava como uma possível liderança na América do Sul, baseada nas iniciativas do então presidente Hugo Chávez, o qual lançaria dispositivos para promover a cooperação internacional com seus aliados, demonstrando forte apelo à integração social, política e econômica, e que, com o tempo, iria despontar o interesse de investidores geopoliticamente motivados.

Logotipo PetroCaribe

PetroCaribe* foi um desses organismos lançados que iria suplantar a necessidade de integração entre Venezuela e um certo número de Estados na região do Caribe, tendo como estratégia satisfazer simultaneamente as necessidades energéticas dessas nações, ao mesmo tempo em que ganhava posições na área de influência dos EUA.

Integrada por Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA**) e 12 empresas mistas (entre elas ALBA Petróleos El Salvador), a PetroCaribe não só desenvolveu uma infraestrutura energética capaz de produzir 3,26 milhões de barris de petróleo por dia (produção do ano de 2008), como também coordenaria políticas de energia que não apenas incluiriam hidrocarbonetos, mas também seus derivados (gás e eletricidade) e a capacitação/cooperação tecnológica com outras nações não só do Bloco Caribenho, como também de outras regiões, tal qual é o caso da Federação Russa, que colocaria uma de suas principais empresas, a Rosneft, para ser detentora das negociações na área petrolífera .

Segundo analistas, o início da aliança estratégica no campo energético entre os dois países se deu não só por uma questão técnica, pela qual a Rússia forneceria um tipo de óleo mais leve para ser misturado ao ultrapesado óleo venezuelano, viabilizando seu processo de exportação, mas, também, pela parceria dos dois maiores produtores de petróleo do mundo, dentro e fora da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que, quando viram o preço do barril atingir os 100 dólares (Maio de 2008), puderam conjuntamente promover e aprimorar o fenômeno do nacionalismo de recursos, utilizando os mesmos para exercer influência sobre os Estados vizinhos e maximizar os interesses nacionais.

Nicolás Maduro

Outro ponto importante na relação bilateral seria que a sustentação das Forças Armadas é um componente chave para a sobrevivência do governo bolivariano, apoiadas frequentemente por um orçamento robusto e contínuo da Defesa, e por um equipamento militar novo, e isso fez com que a Venezuela (país sul-americano que mais importou armas na última década, segundo dados de 2018 do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz (SIPRI)), realizasse bilionários acordos de aquisição de equipamentos militares russos, os quais incluíram aviões de guerra Sukoi SU-30 (denominação OTAN: Flanker C) e Mikoyan MiG-35 (denominação OTAN: Fulcrum F), tanques T-72 B2 e veículos blindados, bem como rifles de precisão, como os famosos Kalashnikov e Dragunov.

Com a morte do presidente Chávez, em 2013, a Presidência da Venezuela foi assumida por Nicolás Maduro, eleito num processo eleitoral bastante acirrado, onde despontou com 50,6% dos votos e que, com o tempo, iniciaria um processo de medidas que iriam causar enorme impacto na estrutura nacional, tais como a substituição da Carta Magna promulgada em 1999 por outra mais radical, pela qual até mesmo o modelo eleitoral seria modificado, além da estatização dos principais setores da economia, tais como turismo, alimentação e energia, o que deu início a uma forte queda na popularidade do recém-empossado Presidente, gerando movimentos contrários ao seu governo.

Histórico do preço do barril de petróleo

A crise venezuelana se intensificou no início de 2016, quando o preço do barril de petróleo despencou para os 30 dólares no mercado internacional, causando uma enorme perda de arrecadação do país devido sua economia ser imensamente dependente da commodity mineral, aliado ao fato de a Venezuela ter baixo desenvolvimento nos setores agrícola e industrial, não podendo atender à demanda interna. Enquanto o preço do petróleo estava elevado, o governo venezuelano importava os itens básicos, como alimentos e remédios. Quando a crise estourou e a arrecadação caiu, viu-se incapaz de atender as demandas da sociedade, e o país encarou uma forte crise de desabastecimento.

O pedido de ajuda econômica para a Rússia não foi algo novo, pois, desde 2006, o governo russo disponibilizou empréstimos e linhas de crédito em torno de 17 bilhões de dólares para socorrer o parceiro em tempos de crise, o que o tornou no maior credor da dívida venezuelana além de negociar salvaguardas que transformariam a  Rússia na dona de partes significativas de pelo menos cinco campos petrolíferos na Venezuela, que detém as maiores reservas do mundo, juntamente com 30 anos de produção futura de dois campos de gás natural do Caribe.

Crise na Venezuela

Acordos de abastecimento também foram firmados para dar apoio ao já deteriorado consumo venezuelano, onde, a Rússia, por decisão tomada em maio de 2017, iria fornecer 60 mil toneladas de trigo por mês, mas, como salvaguarda dos pagamentos, também iria colocar uma cláusula para a implantação de cinco novas empresas em solo venezuelano para a fabricação de veículos industriais. Segundo analistas, esse “apoio” significaria o controle da indústria petrolífera do país sul-americano. Isso certamente faz com que as relações bilaterais se apresentassem menos como uma relação de iguais, e sim como uma espécie de patrocínio de um relacionamento. A introdução de novos empreendimentos de negócios exemplifica que, embora os laços entre as duas nações tivessem mudanças, o governo russo certamente continua a ver a Venezuela como um ativo, uma vez que, afinal, é um regime pró-Moscou na América Latina.

Juan Guaidó – Presidente interino da Venezuela

Um processo que ninguém esperava nessa relação foi a intensificação da crise, pois vozes dissonantes ao regime de Maduro, como a de Juan Guaidó, representante da Assembleia Nacional e principal líder da oposição, tomaram forma e proclamaram uma Presidência interina em 23 de janeiro de 2019. A declaração de Guaidó vai de encontro ao regime representado pelo presidente Nicolás Maduro que também tomou posse de seu segundo mandato em janeiro, sob intensas manifestações contrárias ao seu novo governo, não só dentro do país, como também as que foram expostas pela comunidade internacional, vendo o fato como uma usurpação da democracia venezuelana, já que o processo eleitoral necessitava de “legitimidade e credibilidade.

O Governo Russo, por sua vez, entende que o status presidencial proclamado pelo oposicionista Guaidó não pode ser legitimado por qualquer agente interno ou externo à Venezuela, pelo fato de ele não ter seguido um processo democrático eleitoral determinado pelo povo daquele país, seguindo meios constitucionais e, segundo declarações do chanceler russo, Sergei Lavrov, durante conversações com seu homólogo norte-americano, Mike Pompeo, em 12 de fevereiro (2019), o Kremlin irá se posicionar fortemente “contra qualquer ingerência nos assuntos internos da Venezuela, incluindo o uso da força com a qual Washington ameaça, em violação à lei internacional”, no qual, o presidente norte-americano Donald Trump deixou claro que uma ação militar poderia ser considerada para tentar minimizar os problemas atuais do país.

A questão é quão longe Moscou está disposta a ir para proteger o regime de Maduro, pois, a Venezuela não é a Síria ou a Ucrânia. Segundo Fyodor Lukyanov, analista ligado à elite do governo russo, o Kremlin manterá sua posição diplomática nesta questão dando apoio ao regime chavista até o momento em que os militares apresentem proposta de abandoná-lo, devendo, com certa cautela, elaborar uma perspectiva paralela ao futuro de suas relações com o atual governo ou com o governo que venha a ser implantado devido a enorme exposição de empresas russas à extensa dívida da PDVSA e das inúmeras salvaguardas econômico-financeiras russas existentes no país, além do baixo custo-benefício de um apoio militar ao atual regime, pelo fato da enorme distância entre os dois países e pela falta de capacidade logística para uma operação substancial, além de uma indisposição política com os países da região.

Protestos na Venezuela

Guaidó, por sua vez, declarou uma nota tranquilizadora para Rússia e China onde disse: “Apenas o novo governo trará estabilidade, para que eles possam ter retorno sobre os seus investimentos que fizeram em nosso país. Ele pode garantir que eles serão capazes não só para dar o retorno do que investiu, mas também aumentar a renda”.

Enquanto o embate político se desenrola, Maduro tenta barrar a entrada de ajuda humanitária ao país fechando fronteiras com o Brasil e a Colômbia, além de se preparar para uma possível ação militar provinda dos EUA devido a sugestão de envio de tropas americanas para a Colômbia – feita após o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, “descuidadamente” aparecer diante de jornalistas em uma coletiva em 22 de fevereiro, segurando um bloco de anotações, no qual era possível ver um rabisco escrito “5.000 tropas para a Colômbia.

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Notas:

* PetroCaribe é um acordo de cooperação energética iniciado pelo Governo da Venezuela para fornecer um acordo de pagamento preferencial para petróleo e produtos petrolíferos para alguns países do Caribe e da América Latina.   Esta organização foi criada em 29 de junho de 2005, quando o acordo de cooperação energética foi assinado por 14 países do Caribe durante a primeira cúpula de energia dos Chefes de Governo do Caribe realizada na cidade de Puerto la Cruz, no leste da Venezuela.

Atualmente, os países integrantes são: Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Cuba, Dominica, Granada, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Nicarágua, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e as Granadinas, Suriname, Venezuela.

** A Petróleos de Venezuela S.A é a empresa estatal venezuelana, responsável pela exploração, produção, fabricação, transporte e comercialização de hidrocarbonetos. A empresa estatal, fundada em 1975 pela Lei Orgânica, reserva ao Estado a industrialização e comercialização de hidrocarbonetos, e, conforme determinado pela Constituição da Venezuela, a totalidade das ações da Petróleos de Venezuela S.A., pertence ao Estado, em função da estratégia nacional e das soberanias política e econômica.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Vladimir Putin e Hugo Chávez” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Chávez#/media/File:Vladimir_Putin_in_Venezuela_April_2010-15.jpeg

Imagem 2 Logotipo PetroCaribe” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrocaribe#/media/File:Logo_petrocaribe.jpg

Imagem 3 Nicolás Maduro Presidente da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolás_Maduro#/media/File:Nicol%C3%A1s_Maduro_2019.jpg

Imagem 4 Histórico do preço do barril de petróleo” (Fonte): https://www.indexmundi.com/pt/preços-de-mercado/?mercadoria=petr%c3%b3leo-bruto-brent&meses=180

Imagem 5 Crise na Venezuela” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=venezuela+crisis&title=Special%3ASearch&go=Go#/media/File:Crisis_in_Bolivarian_Venezuela.png

Imagem 6 Juan Guaidó Presidente interino da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Juan_Guaid%C3%B3_restored_version.jpg

Imagem 7 Protestos na Venezuela” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=venezuela+crisis&title=Special%3ASearch&go=Go#/media/File:Venezuelan_protests_-_23_January_2019.jpg