ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Rússia e o 4º Fórum Econômico do Oriente (Pontos Estratégicos)

Como já apresentado no CNP, em sua 4ª versão, sediada na cidade de Vladivostok, extremo oriente da Rússia, o Fórum Econômico Oriental (EEF – Eastern Economic Forum) reuniu entre os dias 11 e 13 de setembro Chefes de Estado e líderes dos países do Nordeste da Ásia, assim como delegações de mais de 60 países, além de receber como estreante no encontro o presidente chinês Xi Jinping, demonstrando claramente a importância que a China dá à cooperação no Extremo Oriente, conforme apontam analistas internacionais.

Vladimir Putin e Xi Jinping

Sob iniciativa do presidente russo Vladimir Putin, a realização de tais eventos tem como dinâmica o direcionamento de políticas econômicas aos países do Oriente, em detrimento da deterioração das relações da Rússia com os Estados Unidos e a Europa. A política de “Olhar para o Oriente” da Rússia é considerada o ajuste estratégico temporário para aliviar a pressão de sanções, além de aumentar o nível da conectividade de infraestrutura com países que estão na zona fronteiriça, como é o caso da China, seu principal parceiro comercial, com a maior fatia de investimento externo na Rússia, cujo valor total de recurso anual soma cerca de US$ 4 bilhões, ou, aproximadamente, 16,7 bilhões de reais, conforme cotação de 14 de setembro de 2018.

Atualmente, de acordo dados econômicos disseminados na mídia, 26 empresas de capital chinês entraram na zona de desenvolvimento avançado, estabelecida para o desenvolvimento do Extremo Oriente e do porto livre de Vladivostok. Ao mesmo tempo, as duas partes estão impulsionando o projeto da ponte rodoferroviária que atravessa o rio Heilongjiang, na fronteira da China com a Rússia.

Ambos os Estados, como principais nações desse encontro, não só debateram as premissas para o desenvolvimento de suas relações comerciais, mas, também, de acordo com fontes internacionais, foram incisivos em temas internacionais de relevância devido ao papel que desempenham no mundo.

Segundo afirmação do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, detalhes das negociações entre os líderes não foram revelados devido a acordos estratégicos entre as duas nações, e ressaltou que as discussões não devem ter seus meandros revelados à opinião pública.  Declarou, contudo: “A lista de projetos conjuntos de países como a Rússia e a China é tão grande que apenas isso seria tema passível de horas de discussão e, claro, Rússia e China não podem abster-se de discutir problemas internacionais. E isso certamente inclui as guerras comerciais”, expressando ainda que esses conflitos comerciais têm sido destrutivos para as relações econômicas e negativos para solução de conflitos regionais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo do Fórum Econômico do Oriente” (Fonte):

https://roscongress.org/upload/resize_cache/iblock/ec0/360_239_1/eb5144519518708fd65af25e9e4843b3.jpg

Imagem 2 Vladimir Putin e Xi Jinping (Fonte):

http://www.oananews.org/sites/default/files/styles/large/public/field/image/tass_28098952.jpg?itok=4Dm7gE1i

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Automobilismo: Renault Arkana terá berço russo

Com o intuito de alavancar um projeto automobilístico global, a fabricante francesa de veículos automotivos Renault apresentou, em 29 de agosto de 2018, no Salão Internacional do Automóvel, realizado em Moscou, Rússia, o seu mais novo conceito de veículo coupé-crossover, denominado Arkana*, que terá sua comercialização efetivada a partir de 2019.

Logotipo Renault Arkana

Como parte de seu plano estratégico denominado Drive the Future (do inglês Conduzir o Futuro), a marca francesa escolheu a Federação Russa como país que irá inaugurar a primeira linha de montagem desse veículo e será o “espelho” para as demais nações que forem escolhidas para tal processo produtivo.

O motivo da escolha da Rússia para ser o berço do Renault Arkana, segundo fontes internacionais, foi devido a participação da montadora dentro do mercado automobilístico do país, que desde 1998 se instalou como uma joint-venture denominada Avtoframos e que se baseou em uma antiga instalação da OAO Moskvitch**. A partir dessa época vem desenvolvendo naquela região novas tecnologias e processos estratégicos para alcançar o mercado automobilístico europeu com novos conceitos veiculares. Atualmente, a subsidiaria da Renault russa alcança quase um terço de todas as vendas de veículos dentro do território, que é o segundo maior mercado de vendas da marca, vindo logo depois da França.

O carro conceito russo, com suas linhas angulosas, fará competição com outras marcas, como os X6 e X4, da BMW, e os GLE e GLC Coupé, da Mercedes, mas com um diferencial de preço que poderá atrair muitos consumidores dispostos a pagar os 25 mil euros previstos para a versão básica (cerca de R$ 100 mil), e deverá ser comercializado também em mercados chineses e sul-coreanos. Sua produção em território brasileiro somente se dará em 2020.

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 Notas:

* Palavra derivada do Latin arcanum, que significa “segredo”.

** Marca de automóveis soviética produzida pela AZLK (do russo Avtomobilny Zavod imeni Leninskogo Komsomola) de 1946 a 1991 e, logo após a dissolução da União Soviética, foi rebatizada como OAO Moskvitch, para evitar questões legais, atuando de 1991 a 2001 como propriedade privada. Entrou em falência no ano de 2002 e teve sua estrutura dissolvida em 2006, sendo que as antigas fábricas foram recuperadas em 2008 pela Avtoframos, subsidiaria russa da Renault.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Renault Arkana Salão Internacional do Automóvel” (Fonte):

https://renaulautosalon.pena-app.ru/parser/images/in/1864371435621080433.jpg

Imagem 2 Logotipo Renault Arkana” (Fonte):

https://fr.media.renault.ch/__/128144.dc05d614.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sergey Lavrov e a diplomacia russa

Num Estado soberano, com sua estrutura política organizada e possuidor de instituições que controlam e administram seus desígnios, além da figura propriamente dita do governante máximo desta nação, é de suma importância que exista a posição de um membro do governo responsável pela condução da política externa, segundo as diretrizes estabelecidas, bem como pela coordenação dos serviços diplomáticos e consulares, no intuito de estabelecer e desenvolver contatos pacíficos, visando uma efetiva continuidade das relações harmoniosas, bem como a tentativa de comunicação clara e precisa em seus objetivos para com os outros países do mundo.

Sergey Lavrov

A Federação Russa tem como principal representante diplomático para assuntos internacionais a figura de Sergey Viktorovich Lavrov, que desde março de 2004 vem atuando como Ministro das Relações Exteriores da Rússia, enfrentando uma longa lista de desafios que, nos últimos anos, colocaram sua pessoa à frente dos mais variados assuntos diplomáticos que apresentaram grande repercussão não só dentro das fronteiras do país, como também em diversas partes do mundo.

Descendente de armênios, foi direcionado à carreira diplomática logo depois de sua graduação, em 1972, no Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Asiáticos em Moscou, na Academia de Ciências da Rússia, quando foi recrutado como funcionário interino na embaixada soviética no Sri Lanka. Em sua proeminente carreira diplomática chegou a assumir a posição de representante permanente da Rússia na ONU (Organização das Nações Unidas), onde, durante os dez anos de permanência no cargo, até sua saída em 2004, teve que tratar de assuntos chaves da diplomacia russa sobre os conflitos na extinta Iugoslávia, Iraque, Oriente Médio e Afeganistão, bem como a tratativa do papel da Federação Russa na luta contra o terrorismo mundial.

Desde sua nomeação em 2004 pelo presidente russo Vladimir Putin, tem como principal objetivo defender as boas práticas nas relações internacionais baseadas no “pragmatismo, respeito mútuo e responsabilidade global compartilhada”. Sua atuação diplomática enfrenta hoje uma miríade de acusações ao governo russo, no entanto, deixa claro que seu país não é um “buscador de conflitos”, mas protegerá seus interesses caso necessário. Ultimamente, uma das principais atribuições é lidar com os conflitos com a administração norte-americana, que vem piorando nos últimos dois governos, com relatos de ataques às propriedades diplomáticas russas, algo que, de acordo com sua análise, contradiz a Convenção de Viena e também à própria Constituição dos EUA, além dos princípios da sociedade norte-americana, onde a propriedade privada é sagrada.

Em discurso perante à Conferência de Segurança de Munique, em 2017, Lavrov defendeu uma “ordem mundial pós-Ocidental, na qual, cada país, baseando-se em sua soberania no marco da lei internacional, busque um equilíbrio entre seus próprios interesses nacionais e os interesses nacionais dos parceiros”, com respeito à identidade histórica e cultural de cada um.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sergey Lavrov com jornalistas” (Fonte):

http://www.uznayvse.ru/images/stories2015/uzn_1450944171.jpg

Imagem 2 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg/200px-Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Vkhutemas: Arte e cultura russa em São Paulo

Fundada em 1920, em Moscou, capital da União Soviética à época, a Vkhutemas (acrônimo russo para Vysshiye Khudojestvenno-Tekhnicheskiye Masterskiye – Escola Superior de Arte e Técnica) foi uma escola artística e tecnológica estatal russa que sucedeu à uma série de escolas de arte, por Decreto do então Presidente do Conselho do Comissariado do Povo da União Soviética, Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido pelo pseudônimo Lenin.

Fachada do prédio da Vkhutemas

O objetivo da instituição era preparar artistas com a mais alta qualificação para a indústria da construção, além de formar construtores e gestores para atuar no ensino técnico-profissional, tendo grande importância influenciadora em outras instituições de ensino artístico como a famosa escola alemã Bauhaus, onde, em paralelo, formaram os primeiros artistas-designers especialistas em formas modernas.

Como instituição provinda da iniciativa do Estado, tinha como princípio unificar a tradição artesanal com a tecnologia contemporânea, com um curso elementar que incidia princípios estéticos, aulas de teoria da cor, design industrial e arquitetura e, com isso, estruturar uma modificação na maneira de pensar o fazer artístico, seguindo os ideais e conceitos de liberdade propostos pela revolução de outubro de 1917. Era considerada como um centro de experimentações, defendendo o uso da arte como instrumento educativo e de transformação social.

Em seu modelo de escola de artes e ofícios – que se distanciava dos processos distintos das chamadas “belas-artes” – a aprendizagem estava diretamente vinculada ao que consideravam ser a invenção de um mundo novo, de uma sociedade diferente. Suas novas práticas pedagógicas se equilibravam entre atitude estética e postura política e visavam democratizar o ensino, combater o analfabetismo e promover a emancipação feminina, formando, entre 1920 e 1921, mais de 30 mulheres arquitetas, como Lidia Komárova, que assinou o projeto do Komintern*, e influenciaria, anos mais tarde, artistas norte-americanos como Frank Lloyd Wright, o qual tinha em suas obras expostas em 1959, no Museu Guggenheim, em Nova York, o inconfundível legado da artista russa.

Slogan da Vkhutemas

A escola Vkhutemas funcionou até 1930, quando o regime stalinista*** começou a deixar de lado o espírito revolucionário e ganhar um caráter mais autoritário, colocando um ponto final em iniciativas autônomas no meio artístico. Após seu fechamento abrupto, a maior parte dos registros históricos e ações desenvolvidas pela instituição foram destruídos ou se perderam.

Agora, São Paulo tem a possibilidade de sediar, até o dia 30 de setembro de 2018, uma mostra histórica** com recriações dos maiores artistas experimentais da vanguarda soviética provenientes da Vkhutemas, como Maliévich, Ródtchenko, Tátlin, El Lissítzki, Lidia Komárova, Liubov Popova e Várvara Stepánova. São 75 os mestres reunidos nesta exposição, entre designers e arquitetos ligados a correntes artísticas que firmaram a abstração e o construtivismo no mundo ocidental.

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Notas:

* A Internacional Comunista ou Komintern, ou também conhecida como Terceira Internacional (1919-1943), foi uma organização internacional fundada por Vladimir Lenin em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países. Tinha como propósito, conforme seus primeiros estatutos, lutar pela superação do capitalismo, o estabelecimento da ditadura do proletariado e da República Internacional dos Sovietes, a completa abolição das classes e a realização do socialismo, como uma transição para a sociedade comunista, com a completa abolição do Estado e para isso se utilizando de todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional.

** Exposição “Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)”.

*** Stalinismo foi um regime totalitário de governo liderado por Josef Stálin, líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), entre 1924 e 1953.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo Exposição ‘Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)” (Fonte):

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Imagem 2 Fachada do prédio da Vkhutemas” (Fonte):

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Imagem 3 Slogan da Vkhutemas” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

As maiores empresas da Federação Russa

Num mundo regido por uma hegemonia geopolítica* massiva que permeia os desígnios de todas as nações do globo, mais do que ter poder político-militar, uma nação deve ter uma estrutura econômica potencialmente bem desenvolvida, baseada em processos de comércio internacional com seus parceiros globais, em regimentos eficazes de regras monetárias, fiscais e cambiais e, principalmente, na atuação de suas empresas no âmbito nacional e internacional, buscando estar sempre na vanguarda das tecnologias existentes para que não sofram “ameaças” de seus concorrentes, ditando regras mercadológicas no intuito de atrair investidores, gerando empregos e, consequentemente, aquecendo o consumo não só local como também mundial, o que assegura ao governo dessa nação uma maior arrecadação de tributos e de investimentos.

É de conhecimento generalizado que a Federação Russa ainda possui grande número de empresas que foram estruturadas ainda no regime soviético e que o Estado tem grande participação sobre suas ações, mas, no intuito de se manter como um player global dinâmico e ao mesmo tempo lançar inovações que ultrapassem os impactos político-econômicos que as sanções internacionais impuseram sobre sua estrutura mercadológica nos últimos anos, procura veementemente investir na inovação desse portfólio de empresas paralelamente ao processo de inauguração de novas corporações, em atendimento às necessidades do mercado internacional atual.

Da longa lista de empresas que abrangem os principais campos de atividades da Rússia (energia, construção, metalurgia, seguros e tecnologia da informação), serão citados nesta nota, com base nas análises da Forbes**, as 4 principais corporações que, dentre inúmeras, estabelecem a base econômica de toda a Federação Russa, pelo seu grau de importância não só financeira, mas também estratégica e geopolítica.

1ª – GAZPROM: Maior empresa da Rússia e maior exportadora mundial de gás natural é  herdeira direta do Ministério soviético da indústria do gás que foi transformado, em 1989, por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica. O Governo russo é o seu principal controlador (com 50,2% das ações) e, apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 56,51 bilhões de dólares).

Logotipo do Sberbank

2ª – SBERBANK: Inaugurado em março de 1841, foi o sucessor histórico dos Escritórios de Poupança estabelecido pelo Decreto do Czar Nicolau I, que eram originalmente duas pequenas instituições em São Petersburgo e Moscou com 20 empregados. Mais tarde, eles se transformaram em uma rede de escritórios de poupança espalhados por todo o país, que, mesmo nos momentos mais difíceis, ajudaram a sustentar a estabilidade da economia russa. Durante o período soviético, eles foram transformados no sistema estadual de Bancos de poupança do trabalho. No período da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e nos anos subsequentes, o Sberbank atou uma parceria da indústria nuclear com o Governo. A assistência do Sberbank com a mobilização de recursos e o financiamento de esforços de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ajudou a Rússia a obter liderança na produção e processamento de combustível nuclear e a manter esse status até hoje. A solução de Banco corporativo digital do Sberbank foi reconhecida como a melhor na Rússia pela revista Global Finance e, além disso, ficou em primeiro lugar em outras três categorias da Europa Central e Oriental: Melhor Serviço de Portal Online, Melhor Banco Corporativo Integrado e Banco Digital mais inovador. No 1º semestre de 2018, atingiu uma margem financeira em torno de 620 bilhões de rublos (cerca de 9,76 bilhões de dólares), com crescimento de 7% acima do mesmo período de 2017.

Logotipo da Rosneft

3ª – ROSNEFT: A história da Rosneft Oil Company está intrinsecamente ligada à história da indústria petrolífera russa. A primeira menção das empresas, agora parte da estrutura da Rosneft, remonta ao ano de 1889, quando teve início a exploração de campos de petróleo em Sakhalin, ilha localizada no extremo oriente da Rússia.Os principais ativos da Rosneft foram construídos na era soviética, com o início do desenvolvimento em grande escala de novos campos de petróleo e gás. Na década de 1990, inúmeras empresas do complexo de combustíveis e energia e outras corporações relacionadas do setor público fundiram-se em companhias verticalmente integradas, seguindo o padrão das maiores corporações do mundo, seguidas de sua venda parcial ou completa para investidores. Desde 2004, aumentou significativamente a eficiência da gestão corporativa, realizou um trabalho sério de consolidação dos ativos de produção e processamento de petróleo e aumentou a disciplina financeira, ocupando no ano seguinte uma posição de liderança entre as empresas petrolíferas russas em termos de produção. Em 2016, o valor das ações da Rosneft na Bolsa de Valores de Moscou aumentou em quase 60% (esse indicador foi maior do que os índices de mercado e excedeu significativamente os dos principais concorrentes russos). Nos primeiros seis meses do mesmo ano, pela primeira vez em sua história, a Rosneft tornou-se a maior empresa da Rússia em termos de capitalização de mercado, ultrapassando 4 trilhões de rublos (cerca de 62,95 bilhões de dólares). Atualmente, suas vendas anuais ultrapassam os 94 bilhões de dólares.

4ª – LUKOIL: Em 25 de novembro de 1991, o Governo da República Federal Socialista Soviética Russa emitiu o Regulamento No.18 para criar o grupo da indústria de petróleo LangepasUrayKogalym (LUKOIL) que consolidou três empresas de produção de petróleo de Kogalym, Langepas e Uray, bem como várias refinarias, incluindo aquelas em Perm e Volgogrado. O nome LUKOIL foi formado a partir das letras iniciais dos nomes das cidades de Langepas, Uray e Kogalym – sedes das principais subsidiárias de produção de petróleo da Companhia. O nome foi proposto por Ravil Maganov, que era então diretor geral da Langepasneftegaz.

Desde 2002 vem ampliando sua atuação internacional com sua vasta base de recursos, especialmente focada no desenvolvimento de novos projetos para aumentar a produção. Os novos projetos incluem o desenvolvimento de novos campos e o aprimoramento da recuperação em campos maduros, por meio do uso de tecnologias avançadas, aumento da perfuração de produção e um maior número de operações de EOR (sigla para denominar a Operação sobre Petróleo Apurado, que é um método para otimizar a extração e recuperação através de processos específicos). Segundo o último relatório financeiro da companhia para o 1º trimestre de 2018, as vendas da LukOil atingiram um patamar de 1,6 trilhão de rublos (cerca de 25,18 bilhões de dólares), representando um crescimento de 14% sobre o mesmo período de 2017.

Apesar das alegações de analistas financeiros decretarem o grande risco de investimento nas empresas russas, não só pelo processo de restrições internacionais, mas, também, por alegados problemas institucionais internos, o que se visualiza é justamente o contrário, devido ao crescimento do número de investidores que direcionam seus recursos ao enorme portfólio de corporações que abrangem não apenas as gigantes estatais como visto, mas, também, na grande diversificação de empresas que atendem as mais variadas demandas internacionais e que são respaldadas pela ação de novas regras estabelecidas pelo governo russo no que tange o pagamento de dividendos, dando tanto segurança financeira, como, também, aumentando a atratividade de novos investidores.

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Notas:

* Pode ser entendido como uma supremacia de um povo sobre outros povos, ou seja, como a superioridade que um Estado tem sobre os demais estados, tornando-o, assim, capaz de se impor aos demais para a realização de seus interesses, e projetando poder sobre eles.

** Forbes é uma revista estadunidense de negócios e economia fundada em 1917. Propriedade de Forbes, Inc., e de publicação quinzenal, a revista apresenta artigos e reportagens originais sobre finanças, indústria, investimento e marketing globais, além de outros assuntos relacionados à tecnologia, comunicações, ciência, direito e celebridades.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refinaria de petróleo na Rússia” (Fonte):

http://s2.glbimg.com/eQJW5CSJceXhyagouWT4PUhm4_s=/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2015/07/21/gettyimages-72976729.jpg

Imagem 2 Logotipo da Gazprom” (Fonte):

https://media.licdn.com/dms/image/C4E12AQGkTTa5nGnOrw/article-inline_image-shrink_1500_2232/0?e=2130710400&v=beta&t=IHFNn9Lw0iPY5I-5s71Fp9u8bz9nxXWTnLRokkUTl2k

Imagem 3 Logotipo do Sberbank” (Fonte):

http://cache1.asset-cache.net/xr/166472640.jpg?v=1&c=IWSAsset&k=3&d=77BFBA49EF8789215ABF3343C02EA548F9D0070DB7AB88BBD08FCB47196158945EBF7176440509BCA55A1E4F32AD3138

Imagem 4 Logotipo da Rosneft” (Fonte):

https://media.gettyimages.com/photos/the-oao-rosneft-logo-is-displayed-outside-the-oil-companys-offices-in-picture-id106344781?k=6&m=106344781&s=612×612&w=0&h=Movx7IKWE9cHJpnw7fRjbO37PjaX9I9fxqYf4je6Amk=

Imagem 5 Logotipo da LukOil” (Fonte):

https://www.freevector.com/uploads/vector/preview/2444/FreeVector-LukOil.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia lança estratégia monetária como arma de defesa

A política monetária de uma determinada nação é gerida pelo seu Banco Central e tem por princípio gerar controles sobre a quantidade de dinheiro em circulação, a administração de taxas de juros e do crédito, além de buscar meios para garantir a liquidez* dos ativos pertencentes a esse país, envolvendo títulos públicos ou privados, reservas internacionais, moeda estrangeira, empréstimos ao sistema bancário mundial e inúmeros outros tipos de ativos. Todo esse processo tem como principal objetivo a busca do equilíbrio econômico nacional frente aos numerosos entraves que podem afetar tanto a economia interna quanto a posição geopolítica desse agente no cenário global atual.

Dólar americano

Com o intuito de garantir sua soberania político-econômica, devido a vários processos de sanções executadas pelos EUA e seus aliados desde 2014, a Federação Russa, através do seu Banco Central, iniciou em abril de 2018 um enorme processo de venda de seus ativos na forma de títulos do Tesouro norte-americano que, segundo analistas econômicos internacionais, apresentaram uma redução de 96 bilhões para 15 bilhões de dólares (uma diminuição em torno de 84% de suas reservas internacionais nessa categoria), colocando a Rússia, em poucas semanas, no 22º lugar dos países credores dos Estados Unidos ante a 18ª posição que possuía.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos, mesmo sendo considerados pelo mercado financeiro internacional como os mais seguros do mundo, por conta de sua liquidez garantida, devido ao receio de que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções anti-russas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

Ao mesmo tempo que a Rússia tenta diminuir sua dependência da moeda americana, ela também iniciou um processo de aumento substancial em suas reservas de ouro e que, segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullinav, fazem parte de um processo de diversificação das divisas russas, que levaram em consideração todos os riscos financeiros, econômicos e geopolíticos.

Putin segurando barra de ouro

Desde o ano 2000, as reservas russas de ouro aumentaram 500% e, no primeiro semestre de 2018, a Federação Russa acrescentou mais 106 toneladas desse metal ao seu portfólio, transformando o país no maior comprador mundial e terceiro maior produtor com uma posse de quase 2 mil toneladas**, cerca de 18% das reservas mundiais, segundo o Conselho Mundial do Ouro (WGC – World Gold Council), ficando em 5º lugar, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Itália e França e à frente da China, que ocupa hoje o 6º lugar.

Questionado sobre as ações do Banco Central Russo, o presidente Vladimir Putin deixou claro em declaração no dia 27 de julho, na 10ª Cúpula dos BRICS***, realizada em Johannesburgo, África do Sul, que o uso de sistemas de pagamento por Washington para fins políticos mina o dólar americano como moeda global e que, colocando limitações, incluindo aquelas sobre transações baseados nesse câmbio, enfatizam um grande erro estratégico. Ademais, ao fazer isso, os EUA diminuem a confiança no dólar como moeda de reserva.

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Notas:

* É definida como a facilidade com que determinado ativo pode ser trocado pela moeda local de um país em um curto espaço de tempo, com custos de transação reduzidos e perda do valor pouco significativa.

** Historicamente, as posses de ouro na região da Rússia atingiram o máximo registrado em torno de 2.800 toneladas em 1941, sob o regime de Joseph Stalin, na extinta União Soviética.

*** Em economia, BRICS é um acrônimo que se refere aos países membros fundadores (o grupo BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China), que juntos formam um grupo político de cooperação. Em 14 de abril de 2011, o “S” foi oficialmente adicionado à sigla BRIC para formar o BRICS, após a admissão da África do Sul (em inglês: South África) ao grupo. Os membros fundadores e a África do Sul estão todos em um estágio similar de mercado emergente, devido ao seu desenvolvimento econômico. É geralmente traduzido como “os BRICS” ou “países BRICS”. Não são considerados como bloco econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Barras de ouro russo” (Fonte):

http://review.uz/uploads/catalog/5a62039615e9f94c5d2cbc58-1e4ea1c079.jpg

Imagem 2Dólar americano” (Fonte):

https://pronedra.ru/uploads/d/SL/lj/SLljNHCw.ok1.jpg

Imagem 3Putin segurando barra de ouro” (Fonte):

http://www.birchgold.com/wp-content/uploads/putin_hold_gold.jpg