ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

As maiores empresas da Federação Russa

Num mundo regido por uma hegemonia geopolítica* massiva que permeia os desígnios de todas as nações do globo, mais do que ter poder político-militar, uma nação deve ter uma estrutura econômica potencialmente bem desenvolvida, baseada em processos de comércio internacional com seus parceiros globais, em regimentos eficazes de regras monetárias, fiscais e cambiais e, principalmente, na atuação de suas empresas no âmbito nacional e internacional, buscando estar sempre na vanguarda das tecnologias existentes para que não sofram “ameaças” de seus concorrentes, ditando regras mercadológicas no intuito de atrair investidores, gerando empregos e, consequentemente, aquecendo o consumo não só local como também mundial, o que assegura ao governo dessa nação uma maior arrecadação de tributos e de investimentos.

É de conhecimento generalizado que a Federação Russa ainda possui grande número de empresas que foram estruturadas ainda no regime soviético e que o Estado tem grande participação sobre suas ações, mas, no intuito de se manter como um player global dinâmico e ao mesmo tempo lançar inovações que ultrapassem os impactos político-econômicos que as sanções internacionais impuseram sobre sua estrutura mercadológica nos últimos anos, procura veementemente investir na inovação desse portfólio de empresas paralelamente ao processo de inauguração de novas corporações, em atendimento às necessidades do mercado internacional atual.

Da longa lista de empresas que abrangem os principais campos de atividades da Rússia (energia, construção, metalurgia, seguros e tecnologia da informação), serão citados nesta nota, com base nas análises da Forbes**, as 4 principais corporações que, dentre inúmeras, estabelecem a base econômica de toda a Federação Russa, pelo seu grau de importância não só financeira, mas também estratégica e geopolítica.

1ª – GAZPROM: Maior empresa da Rússia e maior exportadora mundial de gás natural é  herdeira direta do Ministério soviético da indústria do gás que foi transformado, em 1989, por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica. O Governo russo é o seu principal controlador (com 50,2% das ações) e, apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 56,51 bilhões de dólares).

Logotipo do Sberbank

2ª – SBERBANK: Inaugurado em março de 1841, foi o sucessor histórico dos Escritórios de Poupança estabelecido pelo Decreto do Czar Nicolau I, que eram originalmente duas pequenas instituições em São Petersburgo e Moscou com 20 empregados. Mais tarde, eles se transformaram em uma rede de escritórios de poupança espalhados por todo o país, que, mesmo nos momentos mais difíceis, ajudaram a sustentar a estabilidade da economia russa. Durante o período soviético, eles foram transformados no sistema estadual de Bancos de poupança do trabalho. No período da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e nos anos subsequentes, o Sberbank atou uma parceria da indústria nuclear com o Governo. A assistência do Sberbank com a mobilização de recursos e o financiamento de esforços de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ajudou a Rússia a obter liderança na produção e processamento de combustível nuclear e a manter esse status até hoje. A solução de Banco corporativo digital do Sberbank foi reconhecida como a melhor na Rússia pela revista Global Finance e, além disso, ficou em primeiro lugar em outras três categorias da Europa Central e Oriental: Melhor Serviço de Portal Online, Melhor Banco Corporativo Integrado e Banco Digital mais inovador. No 1º semestre de 2018, atingiu uma margem financeira em torno de 620 bilhões de rublos (cerca de 9,76 bilhões de dólares), com crescimento de 7% acima do mesmo período de 2017.

Logotipo da Rosneft

3ª – ROSNEFT: A história da Rosneft Oil Company está intrinsecamente ligada à história da indústria petrolífera russa. A primeira menção das empresas, agora parte da estrutura da Rosneft, remonta ao ano de 1889, quando teve início a exploração de campos de petróleo em Sakhalin, ilha localizada no extremo oriente da Rússia.Os principais ativos da Rosneft foram construídos na era soviética, com o início do desenvolvimento em grande escala de novos campos de petróleo e gás. Na década de 1990, inúmeras empresas do complexo de combustíveis e energia e outras corporações relacionadas do setor público fundiram-se em companhias verticalmente integradas, seguindo o padrão das maiores corporações do mundo, seguidas de sua venda parcial ou completa para investidores. Desde 2004, aumentou significativamente a eficiência da gestão corporativa, realizou um trabalho sério de consolidação dos ativos de produção e processamento de petróleo e aumentou a disciplina financeira, ocupando no ano seguinte uma posição de liderança entre as empresas petrolíferas russas em termos de produção. Em 2016, o valor das ações da Rosneft na Bolsa de Valores de Moscou aumentou em quase 60% (esse indicador foi maior do que os índices de mercado e excedeu significativamente os dos principais concorrentes russos). Nos primeiros seis meses do mesmo ano, pela primeira vez em sua história, a Rosneft tornou-se a maior empresa da Rússia em termos de capitalização de mercado, ultrapassando 4 trilhões de rublos (cerca de 62,95 bilhões de dólares). Atualmente, suas vendas anuais ultrapassam os 94 bilhões de dólares.

4ª – LUKOIL: Em 25 de novembro de 1991, o Governo da República Federal Socialista Soviética Russa emitiu o Regulamento No.18 para criar o grupo da indústria de petróleo LangepasUrayKogalym (LUKOIL) que consolidou três empresas de produção de petróleo de Kogalym, Langepas e Uray, bem como várias refinarias, incluindo aquelas em Perm e Volgogrado. O nome LUKOIL foi formado a partir das letras iniciais dos nomes das cidades de Langepas, Uray e Kogalym – sedes das principais subsidiárias de produção de petróleo da Companhia. O nome foi proposto por Ravil Maganov, que era então diretor geral da Langepasneftegaz.

Desde 2002 vem ampliando sua atuação internacional com sua vasta base de recursos, especialmente focada no desenvolvimento de novos projetos para aumentar a produção. Os novos projetos incluem o desenvolvimento de novos campos e o aprimoramento da recuperação em campos maduros, por meio do uso de tecnologias avançadas, aumento da perfuração de produção e um maior número de operações de EOR (sigla para denominar a Operação sobre Petróleo Apurado, que é um método para otimizar a extração e recuperação através de processos específicos). Segundo o último relatório financeiro da companhia para o 1º trimestre de 2018, as vendas da LukOil atingiram um patamar de 1,6 trilhão de rublos (cerca de 25,18 bilhões de dólares), representando um crescimento de 14% sobre o mesmo período de 2017.

Apesar das alegações de analistas financeiros decretarem o grande risco de investimento nas empresas russas, não só pelo processo de restrições internacionais, mas, também, por alegados problemas institucionais internos, o que se visualiza é justamente o contrário, devido ao crescimento do número de investidores que direcionam seus recursos ao enorme portfólio de corporações que abrangem não apenas as gigantes estatais como visto, mas, também, na grande diversificação de empresas que atendem as mais variadas demandas internacionais e que são respaldadas pela ação de novas regras estabelecidas pelo governo russo no que tange o pagamento de dividendos, dando tanto segurança financeira, como, também, aumentando a atratividade de novos investidores.

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Notas:

* Pode ser entendido como uma supremacia de um povo sobre outros povos, ou seja, como a superioridade que um Estado tem sobre os demais estados, tornando-o, assim, capaz de se impor aos demais para a realização de seus interesses, e projetando poder sobre eles.

** Forbes é uma revista estadunidense de negócios e economia fundada em 1917. Propriedade de Forbes, Inc., e de publicação quinzenal, a revista apresenta artigos e reportagens originais sobre finanças, indústria, investimento e marketing globais, além de outros assuntos relacionados à tecnologia, comunicações, ciência, direito e celebridades.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refinaria de petróleo na Rússia” (Fonte):

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Imagem 2 Logotipo da Gazprom” (Fonte):

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Imagem 3 Logotipo do Sberbank” (Fonte):

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Imagem 4 Logotipo da Rosneft” (Fonte):

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Imagem 5 Logotipo da LukOil” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia lança estratégia monetária como arma de defesa

A política monetária de uma determinada nação é gerida pelo seu Banco Central e tem por princípio gerar controles sobre a quantidade de dinheiro em circulação, a administração de taxas de juros e do crédito, além de buscar meios para garantir a liquidez* dos ativos pertencentes a esse país, envolvendo títulos públicos ou privados, reservas internacionais, moeda estrangeira, empréstimos ao sistema bancário mundial e inúmeros outros tipos de ativos. Todo esse processo tem como principal objetivo a busca do equilíbrio econômico nacional frente aos numerosos entraves que podem afetar tanto a economia interna quanto a posição geopolítica desse agente no cenário global atual.

Dólar americano

Com o intuito de garantir sua soberania político-econômica, devido a vários processos de sanções executadas pelos EUA e seus aliados desde 2014, a Federação Russa, através do seu Banco Central, iniciou em abril de 2018 um enorme processo de venda de seus ativos na forma de títulos do Tesouro norte-americano que, segundo analistas econômicos internacionais, apresentaram uma redução de 96 bilhões para 15 bilhões de dólares (uma diminuição em torno de 84% de suas reservas internacionais nessa categoria), colocando a Rússia, em poucas semanas, no 22º lugar dos países credores dos Estados Unidos ante a 18ª posição que possuía.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos, mesmo sendo considerados pelo mercado financeiro internacional como os mais seguros do mundo, por conta de sua liquidez garantida, devido ao receio de que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções anti-russas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

Ao mesmo tempo que a Rússia tenta diminuir sua dependência da moeda americana, ela também iniciou um processo de aumento substancial em suas reservas de ouro e que, segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullinav, fazem parte de um processo de diversificação das divisas russas, que levaram em consideração todos os riscos financeiros, econômicos e geopolíticos.

Putin segurando barra de ouro

Desde o ano 2000, as reservas russas de ouro aumentaram 500% e, no primeiro semestre de 2018, a Federação Russa acrescentou mais 106 toneladas desse metal ao seu portfólio, transformando o país no maior comprador mundial e terceiro maior produtor com uma posse de quase 2 mil toneladas**, cerca de 18% das reservas mundiais, segundo o Conselho Mundial do Ouro (WGC – World Gold Council), ficando em 5º lugar, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Itália e França e à frente da China, que ocupa hoje o 6º lugar.

Questionado sobre as ações do Banco Central Russo, o presidente Vladimir Putin deixou claro em declaração no dia 27 de julho, na 10ª Cúpula dos BRICS***, realizada em Johannesburgo, África do Sul, que o uso de sistemas de pagamento por Washington para fins políticos mina o dólar americano como moeda global e que, colocando limitações, incluindo aquelas sobre transações baseados nesse câmbio, enfatizam um grande erro estratégico. Ademais, ao fazer isso, os EUA diminuem a confiança no dólar como moeda de reserva.

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Notas:

* É definida como a facilidade com que determinado ativo pode ser trocado pela moeda local de um país em um curto espaço de tempo, com custos de transação reduzidos e perda do valor pouco significativa.

** Historicamente, as posses de ouro na região da Rússia atingiram o máximo registrado em torno de 2.800 toneladas em 1941, sob o regime de Joseph Stalin, na extinta União Soviética.

*** Em economia, BRICS é um acrônimo que se refere aos países membros fundadores (o grupo BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China), que juntos formam um grupo político de cooperação. Em 14 de abril de 2011, o “S” foi oficialmente adicionado à sigla BRIC para formar o BRICS, após a admissão da África do Sul (em inglês: South África) ao grupo. Os membros fundadores e a África do Sul estão todos em um estágio similar de mercado emergente, devido ao seu desenvolvimento econômico. É geralmente traduzido como “os BRICS” ou “países BRICS”. Não são considerados como bloco econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Barras de ouro russo” (Fonte):

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Imagem 2Dólar americano” (Fonte):

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Imagem 3Putin segurando barra de ouro” (Fonte):

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acordo político entre Rússia e Israel

Em 11 de julho de 2018, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em menos de seis meses, realizou sua terceira visita à Federação Russa, reforçando laços diplomáticos com o presidente Vladimir Putin, estabelecendo um acordo de cooperação que limitará a presença de tropas iranianas dentro do território sírio e que se encontram próximas de locais sob o controle de Israel nas Colinas de Golan*.

Mapa Colinas de Golan

Para se entender este “pedido de ajuda” por parte do governo israelense ao Kremlin, é necessário retroceder no tempo dentro do já longo conflito na Síria, uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas** ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad e se transformou num enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita e também Israel estão cada vez mais envolvidas.

O reclamado Irã era a principal nação que dava suporte ao governo sírio, antes da entrada da Rússia no conflito, em 2015, evitando a queda de Assad diante da ameaça dos rebeldes e terroristas, fornecendo dinheiro, armas, informações de inteligência, além do envio de conselheiros militares, como também tropas para a Síria que são formadas por membros da Guarda Revolucionária, por milícias xiitas e pelo grupo libanês Hezbollah, que é fortemente apoiado pelo Irã. Segundo analistas internacionais, a aliança bélica entre Irã e Síria há tempos se baseia em objetivos comuns, como a contenção da influência norte-americana na região, além do enfraquecimento de Israel dentro do Oriente Médio.

Por sua vez, o reclamante Israel apresenta o temor da contínua presença da Guarda  Revolucionária iraniana e de combatentes leais a Teerã na Síria, mas, acima de tudo, sua maior preocupação se baseia na possibilidade de a milícia libanesa Hezbollah se estabelecer nas Colinas de Golan, na fronteira sírio-israelense, e executar ataques militares ao país a partir daí.

A Rússia, como agente geopolítico com forte atuação dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, deverá atuar como mediador e direcionar as melhores práticas para que o equilíbrio sistêmico regional tenha sua efetividade garantida. O acordo celebrado entre Netanyahu e Putin, segundo fontes internacionais, deixa claro que a democratização da região ficará em segundo plano com a indiferença de Israel sobre a forma de governo de Bashar al-Assad, desde que a Rússia cumpra o seu papel de distanciar as tropas iranianas das fronteiras israelenses, ou até mesmo eliminar sua presença do território sírio.

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Notas:

* Região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, e anexada ao território em 1981.

** Seguidores da ¨jihad”, palavra que significa “esforço” ou “luta”. Aqueles que entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Os grupos jihadistas mais conhecidos são a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 2 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Expansão russa no Oriente Médio

Segundo analistas internacionais, a Federação Russa é considerada atualmente como a única potência mundial que tem trânsito livre entre todas as nações do Oriente Médio*, resultado este que se deu devido a um elaborado desenvolvimento diplomático que o Ministério das Relações Exteriores da Rússia galgou durante os últimos anos, no intuito de projetar o país como um novo agente efetivo nas questões políticas e econômicas que envolvem a região médio-oriental.

Propaganda de Putin no Oriente Médio

O fato de os Estados Unidos, que foi o principal mediador de conflitos regionais no Oriente Médio, ter começado um processo de afastamento político da área, ainda no governo de Barack Obama, deu oportunidade para a criação de um hiato representativo que, possivelmente, potencializará a hegemonia russa a se inserir ainda mais nas questões regionais. Tal hiato foi produzido com a transferência de diplomacia americana para outras regiões do planeta, principalmente para a Ásia, e se prolongou no governo de Donald Trump, com processos político-diplomáticos** que delimitaram ainda mais as negociações de paz entre Israel e Palestina, além de aplicar sanções sobre a nação iraniana, em decorrência do não alinhamento de um acordo nuclear entre as partes.

Um exemplo claro de atuação russa no Oriente Médio é sua participação militar na Síria, onde, desde setembro de 2015, vem intervindo de maneira efetiva contra o Estado Islâmico***, com o objetivo de eliminar toda a ação do grupo terrorista dentro do país e também auxiliar o governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, a se reestruturar em meio ao caos que o país atravessa.

A realização de parcerias econômico-financeiras com nações árabes é outro ponto importante no processo de expansão regional, como se dá no caso de fundos de pensão russos estarem avaliando um investimento direto na petroleira estatal da Arábia Saudita (Saudi Aramco, oficialmente Saudi Arabian Oil Company, anteriormente conhecida como Aramco), onde, com esta coligação, Moscou e Riad devem coordenar as políticas mundiais de petróleo por muitos anos, segundo avaliação do diretor do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev.

Encontro de Putin e Netanyahu

Obras de infraestrutura também incluem a participação da Rússia na região, como é o caso da construção de usinas nucleares no Egito e na Turquia, onde esta última já tem prazo de inauguração de sua planta energética (Akkuyu) em 2023, sendo construída pela Rosatom (companhia estatal de energia nuclear da Rússia), a um custo de 22 bilhões de dólares.

O comércio de armas da Federação Russa para a região também se expandiu, principalmente pelo processo de venda bilionária de sistemas antiaéreos S-400 para a Turquia. O S-400 Triumph é um sistema de defesa antiaérea de longo alcance projetado para destruir aeronaves, mísseis balísticos e de cruzeiro, inclusive de médio alcance, e, além disso, pode ser usado contra alvos terrestres.

Além de ser considerado por especialistas em relações internacionais como um forte agente nas áreas político-econômico-militar, a participação russa no Oriente Médio também irá abranger sua capacidade diplomática devido a ser detentora de alianças pacíficas com vários países e, por conta disso, deverá assumir um papel de mediador em conflitos regionais, como é o caso do embate entre Irã e Israel. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção e, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente eles afetariam os interesses da Rússia em toda aquela região.

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Notas:

* Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

** Em 6 de dezembro de 2017, o governo norte-americano efetivou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, ao executar a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para a disputada cidade. Essa ação acabou isolando os EUA em um dos episódios mais polêmicos da atualidade, o qual gerou uma série de protestos em todo o mundo.  

*** O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Salafista e Uaabista que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro dos governantes de Rússia, Turquia e Irã” (Fonte):

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Imagem 1 Propaganda de Putin no Oriente Médio” (Fonte):

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Imagem 3 Encontro de Putin e Netanyahu” (Fonte):

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Cúpula de Helsinque reunirá Rússia e EUA

Em meio à um momento crítico nas relações entre Rússia e Estados Unidos, que não se vê desde a Guerra Fria*, foi confirmado, tanto pela Casa Branca, quanto pelo Kremlin, a cúpula bilateral entre estas nações, que ocorrerá em Helsinque, capital da Finlândia, no próximo dia 16 de julho.

Ataque de mísseis em Damasco

A chamada Cúpula de Helsinque colocará frente à frente Donald Trump e Vladimir Putin para discutirem questões inerentes aos diversos acontecimentos que minaram as relações diplomáticas entre seus países nos últimos anos, no intuito de direcionar conversações para a garantia da estabilidade estratégica entre ambos.

Segundo especialistas em política internacional, a lista de eventos que culminaram neste mal-estar entre as partes já se faz longa. Nas últimas duas décadas, tiveram início com as intervenções da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo, em 1999; posteriormente recebe destaque a adesão de ex-repúblicas soviéticas** à Aliança Atlântica, em 2004; vindo depois a ofensiva militar russa contra a Geórgia, em 2008; e, em seguida, a anexação da Crimeia ao território da Federação Russa, em 2014.

Ataque de mísseis em Damasco

Dos vários assuntos que poderão ser abordados nesta reunião, analistas internacionais colocam como mais importantes: 1) a questão da corrida armamentista a ser evitada devido ao fato da modernização dos arsenais russos e hipótese de possível confronto nuclear, já que os antigos instrumentos de controle de conflitos utilizados na época da Guerra Fria não funcionam nos dias atuais; 2) a minimização dos impactos negativos sobre ações diplomáticas, em que, num exemplo recente, o recrudescimento político entre as duas nações foi potencializado pelo evento do bombardeio de Damasco, na Síria, em abril de 2018, pela coalizão formada por EUA, França e Reino Unido, em retaliação ao suposto ataque químico realizado em Duma, região de Ghouta Oriental, por forças militares sírias, alegadamente apoiadas pela Rússia; 3) a questão do futuro das sanções internacionais impostas contra a Federação Russa, por conta das ações militares na Ucrânia e pela anexação da Crimeia, segundo as quais, num primeiro momento, vários  agentes de alto escalão do governo russo foram vítimas de intervenções políticas e, secundariamente, o próprio país se viu isolado economicamente diante de tal processo.

O mais provável, segundo esses observadores, é que existirão críticos a esse encontro, principalmente países aliados aos Estados Unidos que querem isolar Putin, como é o caso do Reino Unido, e aqueles que questionam o comprometimento de Trump com a OTAN e se preocupam com uma possível retomada de laços diplomáticos entre Washington e Moscou. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, a reunião terá enorme importância não só para os dois países, mas também para toda a situação internacional pela qual o mundo passa.

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Notas:

Guerra Fria é a designação de um período histórico de disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a extinção da União Soviética em 1991. A guerra é chamada de fria porque não houve uma guerra ou conflitos diretos entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

** A partir de 29 de março de 2004, ex-países comunistas ampliaram o quadro da OTAN sendo, Eslovênia, Eslováquia, Romênia, Bulgária e as ex-repúblicas soviéticas bálticas Estônia, Letônia e Lituânia

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 1 Ataque de mísseis em Damasco” (Fonte):

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Imagem 3 Trump e Putin no encontro de líderes da Ásia e do Pacífico (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Vitória da Rússia e Arábia Saudita na OPEP+

Em plena Copa do Mundo, vários países se reuniram no último dia 22 de junho em Viena, capital da Áustria, não para discutir sobre o andamento dos jogos de suas seleções, mas para dar continuidade ao plano de balanceamento mundial na produção de petróleo, em detrimento aos altos preços do barril dessa commodity demonstrados no mercado mundial nos últimos meses.

Símbolo da OPEP

A reunião elencou os países pertencentes a OPEP* (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), onde se decidiu, baseados no plano original, pelo aumento de produção diária em 1 milhão de barris a partir de julho de 2018, o que equivale a 1% da produção mundial.

A validação desse acordo se concretizou um dia depois, 23 de junho, com a reunião complementar da OPEP+ (membros da OPEP e os 10 principais países exportadores não pertencentes ao cartel, liderados pela Rússia), onde foram delineados os montantes de produção individual aos 24 membros participantes, mas não informados aos órgãos de comunicação internacional, impossibilitando uma visão clara dos desígnios desse acordo aos olhos de analistas internacionais. Segundo estudos de especialistas na área de energia e combustíveis, a produção real deverá ser elevada apenas entre 600 e 700 mil barris diários, graças à falta de capacidade operacional de alguns países, aliado a questões político-econômicas que afetam Venezuela e Irã.

Gráfico preço do barril Brent

Devido ao petróleo ser uma commodity que possui alto nível de especulação de seus preços no mercado mundial, aliado ao fato do resultado dessa reunião não ter atendido aos anseios dos investidores internacionais que esperavam uma inundação do mercado futuro com a oferta elevada de petróleo, os preços do barril dispararam logo após o encontro, quando, na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato futuro do WTI (West Texas Intermediate – principal região petrolífera dos EUA) para entrega em agosto subiu 4,6%, indo para US$ 68,58 por barril, enquanto, em Londres, o Brent** subiu 3,4%, para encerrar a sessão negociado a US$ 75,55 por barril.

Os grandes beneficiados desse conclave foram Arábia Saudita e Rússia, que são os maiores produtores desse bloco e assumiram a responsabilidade pela estabilidade do mercado global de petróleo, elaborando um acordo que pode abrir caminho para um novo mercado mundial e a elaboração de mecanismos de regulação de preços, de acordo com o analista russo, Dmitry Lekuh. No momento, com o resultado da reunião, poderão ter a possibilidade de preencher a lacuna produtiva dos países com dificuldades e ainda lucrar com os atuais preços praticados.

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Notas:

* Criada em 14 de setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objetivo a centralização da elaboração das políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes (Angola, Argélia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Indonésia, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela).

** O petróleo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma base da Shell com o mesmo nome. Atualmente, a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres. A cotação Brent é referência para os mercados europeu e asiático.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Putin e Mohammed bin Salman” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DfsjIpeXkAALmrz.jpg

Imagem 2 Símbolo da OPEP” (Fonte):

http://p0.ipstatp.com/large/005926ff9fc600959675

Imagem 3 Gráfico preço do barril Brent” (Fonte):

https://br.investing.com/commodities/brent-oil