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Rússia aprova lei contra Fake News

Termo muito conhecido de quem trabalha com jornalismo e afins, as Fake News (traduzindo do inglês, “noticias falsas”) ganharam notoriedade em 2016, quando o então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, foi acusado de ter utilizado deste recurso em contraponto a diversos meios de comunicação que faziam frente à sua candidatura, e, assim, ajudou a popularizar esse conceito em todo o globo como meio utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas que são publicadas principalmente por meios digitais como a Internet, onde a velocidade de propagação permite potencializar seu impacto sobre a opinião pública.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

Atualmente, vista como uma “arma” de desinformação em massa, que possivelmente poderia desestruturar a credibilidade de indivíduos, órgãos públicos e privados e até mesmo de governos, as Fake News estão começando a ser tratadas como crime passível de punição. Foi assim que a Duma (a Câmara Baixa, que corresponderia à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou, em 7 de março de 2019, projetos de lei contra essa pratica, e que, posteriormente, em 13 de março, também foram aprovados pelo Soviete da Federação (a Câmara Alta russa, que corresponderia, guardadas as diferenças específicas, ao Senado no Brasil), aguardando, agora, a assinatura do presidente Vladimir Putin.

As medidas se aplicarão a quem “fizer publicações online indecentes que demonstrem desrespeito pela sociedade, o país, os símbolos oficiais de Estado, a Constituição e as autoridades”, e definem a notícia falsa como: “não verificar qualquer informação apresentada como fato que ameaça a vida, saúde ou propriedade de alguém, ameaça a ordem pública, interfira ou comprometa infraestruturas, transporte e serviços sociais, sistema bancário, comunicações e outros setores econômicos”.

Os projetos também dão àqueles que publicarem tais informações a liberdade para corrigí-las ou removê-las e, caso não o façam, serão direcionadas punições pelos respectivos órgãos fiscalizadores que aplicarão, além do possível bloqueio da notícia, multas escalonadas para pessoas físicas que oscilarão entre US$ 460 e US$ 6,1 mil*,  e, para pessoas jurídicas, entre US$ 3,06 mil e US$ 23 mil**, enquanto a penalidade para funcionários com cargos de responsabilidade ficará entre US$ 920 e US$ 13,8 mil***. Em caso de reincidência, os infratores poderão ser multados em até o dobro do valor estipulado da multa ou mesmo serem detidos pelo prazo de 15 dias.

Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português

O Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu previamente ao Soviete da Federação (o Senado) que revise tais projetos, ao considerar que nenhum corresponde aos critérios que estabelecem os direitos e as liberdades referendadas na Constituição russa. O órgão também destacou o excesso das limitações à liberdade de expressão e considerou que as normativas deixam a porta aberta à sua interpretação arbitrária. Sergei Boyarsky, Chefe Adjunto do Comitê da Duma para Políticas de Informação, disse que “não há nenhuma conversa sobre a censura, e que não haverá proibição à crítica de funcionários ou à expressão de visões e opiniões que diferem da linha oficial”. Já os críticos reiteram que a legislação proposta faz parte dos esforços do Kremlin para reprimir as manifestações contrárias ao governo de Vladimir Putin e apertar o controle sobre a opinião pública.

Além da Rússia, outros países estão implantando leis severas sobre a divulgação premeditada de notícias falsas,como foi o caso da Malásia, que promulgou, em 2 de abril de 2018, Projeto de Lei Anti-Notícias Falsas que estabelece multas equivalentes a até US$ 123 mil (em torno de 468,95 mil reais, também conforme a cotação de 15 de março de 2019) e penas de até 6 anos de prisão.

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Notas:

* Tomando como base a cotação do dia 16 de março de 2019, aproximadamente 1.754 reais e 23.260 reais, respectivamente.

** Conforme a mesma cotação, aproximadamente 11.670 reais e 87.670 reais, respectivamente

*** Também de acordo com esta cotação, próximos de 3.508 reais e 52.614 reais, respectivamente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fake News” (Fonte): https://netzpolitik.org/2017/heute-podiumsdiskussion-zu-fake-news-und-luegenpresse/

Imagem 3 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_falsa#/media/File:Como_identificar_not%C3%ADcias_falsas_(How_To_Spot_Fake_News).jpg

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICAS

*ERRATA: Grupo PSA escolhe Rússia para alavancar marca OPEL

*A empresa Vauxhall é de origem britânica e não alemã.

Em 2015, quando a Federação Russa passava por um processo de depreciação massiva de sua moeda, o Rublo, causando um alijamento do mercado automotivo nacional, a General Motors decidiu retirar do território russo a OPEL, uma de suas marcas, a qual detinha desde 1929, e que, sob seu comando, apresentava prejuízos em torno de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 34,8 bilhões, de acordo com a cotação de 8 de março de 2019), desde 2009 no mercado europeu.

Logotipos PSA e OPEL

Quatro anos após essa decisão, a economia russa voltou a dar sinais de estabilização devido políticas macroeconômicas bem sucedidas, o que atraiu a atenção de vários fabricantes automobilísticos, incluindo o Grupo PSA (dona da Peugeot e Citroën), agora detentora da marca OPEL e que esta “devolvendo” à Rússia a capacidade de fabricação de seus veículos, em anúncio proclamado no final de fevereiro (2019).

Com essa aquisição, a PSA passou a ter uma participação de mercado em torno dos 16%, o que a coloca acima da Renault, sua concorrente mais próxima, mas, aquém do primeiro lugar da Volkswagen, que aponta 24%. Para a empresa, o negócio foi atraente pelo motivo do aumento de produção em torno dos 1,2 milhão de veículos, o que a ajudará a reduzir os custos de desenvolvimento, por aproveitar a tecnologia em três marcas ao mesmo tempo, já que, paralelamente, também adquiriu uma marca britânica, a Vauxhall.

Em declaração conjunta dos CEOs (Chief Executive Officer) da OPEL e da PSA, Michael Lohscheller e Carlos Tavares, respectivamente, ficou claro que o grupo já havia projetado sua volta à Rússia sob o governo de Vladimir Putin, por ser um dos caminhos mais curtos para que a montadora pudesse potencializar sua demanda no mercado euroasiático, investindo em comerciais leves na região e triplicando o volume de vendas até 2021, em relação a 2018, o que seria um dos pontos do plano estratégico “Push to Pass”*, que incluiria também a apresentação de novos conceitos veiculares eletrificados em torno de 50% da oferta, podendo, em 2025, chegar aos 100%.

Veículo OPEL Zafira Life

A produção dos veículos OPEL se dará numa fábrica PSA já existente na região de Kaluga, sul da capital Moscou, com capacidade de produção de 125 mil veículos por ano e já se sabe que os primeiros modelos a serem lançados serão do tipo van, sendo Zafira Life e Vivaro, não tendo seus preços anunciados até o momento. Outros veículos da marca que possivelmente poderão ser fabricados em solo russo serão os modelos Corsa, Crossland X e Grandland X.

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Nota:

* O plano estratégico “Push to Pass” é um primeiro passo rumo à realização da visão do Grupo PSA: “tornar-se um fabricante de veículos global na ponta da eficiência e um fornecedor de referência em serviços de mobilidade”, e perpetuar a razão de ser do Grupo de preservar a liberdade de movimento, oferecendo uma mobilidade sustentável e acessível.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Símbolo da OPEL” (Fonte): https://www.translatoruser-int.com/translate?&to=en&csId=15eb7b9f-63b0-4b46-8ca9-4a57ebe0aa5c&usId=f699599e-5721-492c-a38e-5a9c14026fc9&dl=en&ac=true&dt=2019%2f3%2f8%201%3a21&h=4DuBRfD0VD3V5ETKe6sr-xmOnmA_-Cju&a=https%3a%2f%2fwww.opel.ru%2fpredlozheniya-uslug%2fcurrent-offers%2fparts-and-prices.html

Imagem 2 Logotipos PSA e OPEL” (Fonte): https://www.autoplus.fr/psa/actualite/PSA-Opel-GM-fusion-partenariat-1513343.html

Imagem 3 Veículo OPEL Zafira Life” (Fonte): https://www.opel.pt/carros/modelos-futuros/zafira-life.htmlI

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Projeções econômicas globais apontam ascensão russa em 2020

É inegável afirmar que os dois principais protagonistas geopolíticos da atualidade são os EUA e a China, e que, com suas ações estratégicas, principalmente na área econômica, estão colocando o mundo de volta a um equilíbrio hegemônico entre grandes potências. Contudo, também não pode ser contestado que a Rússia vem ganhando grande importância dentro deste cenário global, transformando-se de uma nação decadente nos anos de 1990 em uma potência emergente dos dias atuais, e que, segundo analistas internacionais, poderá se transformar no fiel da balança desta relação tripolar a partir do ano de 2020.

Logo do Fórum Econômico Mundial

Apesar de estudos de vários órgãos internacionais terem previsto uma desaceleração na economia mundial para os próximos meses, o que foi respaldado pelo pronunciamento em 25 de janeiro (2019) da diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, no Fórum Econômico Mundial* em Davos, na Suíça, houve também, projeções positivas para o crescimento econômico russo, mesmo sendo alvo, desde 2014, das sanções econômicas impostas pelos EUA e vários países da União Europeia.

Histórico do PIB da Rússia

As previsões apresentadas pelo Banco Mundial e pelo Banco britânico Standart Chartered delinearam uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) russo em torno de 1,8% em 2020 e 2021. Isto posto, demonstra uma posição economicamente bastante favorável em comparação ao seu crescimento em 2017 (1,6%), quando apresentou inflação relativamente baixa e estável e aumento da produção de petróleo, e também muito além da retração econômica apresentada nos anos de 2015 e 2016, quando os índices caíram em torno de -3,7% e -0,8%, respectivamente.

O histórico dessa ascensão econômica se dá por uma série de fatores estruturados pelo Governo russo no intuito de minimizar os impactos das restrições político-econômicas internacionais, ao mesmo tempo em que fortaleceu e desenvolveu sua estrutura mercadológica/industrial. Um dos primeiros procedimentos adotados pela Federação Russa foi aumentar a diversificação dos produtos a serem exportados, em detrimento da queda das vendas de produtos minerais como petróleo, gás e carvão. Um mercado bastante promissor foi o setor de tecnologia militar, com o desenvolvimento de várias empresas nacionais que aumentaram substancialmente suas vendas para vários países.

Outro ponto chave para o crescimento da economia russa foi o desenvolvimento do agronegócio, com o investimento pesado em tecnologia, equipamentos e técnicas de plantio, fazendo com que a nação não só atendesse a necessidade de consumo interno, como também voltasse sua produção excedente de grãos para o mercado externo, o que resultou em quebra de recorde produtivo, transformando o país não apenas no líder global na produção de trigo, mas, também, adquirindo a capacidade de minimizar a participação de seus concorrentes europeus e norte-americanos no referido mercado.

Em termos prospectivos, o Governo russo poderá também se aproveitar dos visíveis sinais de fraqueza que se apresentam na Zona do Euro, devido à intensificação das tensões comerciais e da diminuição das perspectivas econômicas-orçamentarias entre seus membros. Dessa forma, poderá aliar suas novas estratégias econômicas delineadas nos últimos anos para um aumento da competitividade global ao desenvolvimento de parcerias sólidas com outras nações, principalmente no bloco asiático e no Oriente Médio. Esse processo será parte fundamental do objetivo de transformar a Rússia, num curto período de tempo, numa das 5 maiores potências econômicas do globo, segundo afirmação do presidente Vladimir Putin e, com isso, fazer contraponto ao processo restritivo que vem sofrendo.

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Nota:

* Criado em 1971 por Klaus Schwab, o Fórum é um encontro anual realizado na cidade de Davos, na Suíça, que reúne diversos representantes do mundo empresarial, das finanças e da política. A grande discussão se dá sobre temas recorrentes, como a desigualdade, a pobreza, a inovação e o meio ambiente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Central da Rússia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Moscow_RussiaCentralBank_M00.jpg

Imagem 2 Logo do Fórum Econômico Mundial” (Fonte): https://www.weforum.org/agenda/2019/01/shaping-the-future-at-davos-2019/

Imagem 3 Histórico do PIB da Rússia” (Fonte): https://tradingeconomics.com/russia/gdp-growth-annual

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Acirramento das tensões entre Rússia e Ucrânia

Desde que tiveram início em 2014, os conflitos entre Rússia e Ucrânia vêm tomando proporções que definitivamente colocam em dúvida se as relações político-diplomáticas entre os dois países tomarão um rumo assertivo no curto período de tempo, fazendo com que vários órgãos e agentes internacionais entrem em discussão sobre os desígnios que deverão tomar quanto às relações geopolíticas nessa parte do mundo.

O embate bilateral teve como principais motivos os protestos pró-russos no leste da Ucrânia* e o processo de incorporação da República da Crimeia e da cidade federal de Sevastopol como subdivisões da Federação Russa, a partir da assinatura de um tratado de adoção de nações recém-formadas, ocorrido em 17 de março de 2014, e que foi fruto de um referendo popular, o qual atingiu quase 97% de aceitação entre a população local. A Ucrânia não reconheceu o processo de anexação dessas localidades à Federação Russa, bem como a independência dos territórios que fizeram parte do país entre 1954 e 2014.

Ponte da Crimeia sobre o Estreito de Kerch

A potencialização do conflito se deu com a construção de uma ponte de 19 km, construída sobre o Estreito de Kerch sem passar por território ucraniano, que ligaria a região da Crimeia ao território russo. Sua inauguração se realizou em 15 de maio de 2018 e com ela foi lançada todo o repúdio do atual presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, o qual qualificou como “construção ilegal” e “violação da soberania ucraniana. A referida ponte se tornaria, meses mais tarde, protagonista de um processo político-militar, quando, após a reunificação da península da Crimeia com a Rússia, o governo russo passou a controlar ambas as margens do Estreito de Kerch e a efetivar inspeções sobre embarcações que saem ou chegam dos portos ucranianos por questões de segurança, pois, segundo Moscou, existem ameaças em potencial à existência da ponte por parte de grupos radicais ucranianos.

Em 26 de novembro de 2018, uma alegada “invasão” de embarcações ucranianas ao Mar de Azov fez com que forças especiais russas atingissem com tiros e neutralizassem duas canhoneiras e um rebocador, capturando 23 tripulantes militares ucranianos, dos quais 3 deles apresentaram ferimentos causados por estilhaços dos disparos efetuados.

Automaticamente, o Governo da Ucrânia declarou o ato como uma violação da legislação internacional, afirmando que o Mar Negro é uma área livre para o comércio, de acordo Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, datada de 1982, sendo usada globalmente, havendo também um acordo bilateral russo-ucraniano firmado em 2003, porém, segundo uma Emenda de 2007, qualquer navio que planeje efetuar essa passagem deve avisar ao porto de Kerch com antecedência, o que, de acordo com o Kremlin, não ocorreu.

Mapa dos protestos pró-Rússia na Ucrânia – 2014

Com a alegação de quebra de acordos internacionais, o governo ucraniano declarou aprovação de uma Lei Marcial pela qual colocaria tropas militares em alerta, causando forte preocupação por parte da comunidade internacional no tocante a um possível confronto militar entre as duas nações. A Federação Russa, por sua vez, entende que as manobras executadas pela Ucrânia não passaram de provocações apostando em uma possível resposta russa que esteja em desalinho com as premissas da comunidade internacional, fazendo com que a Rússia sofra novas restrições político-econômicas ou, em caso mais grave, uma possível intervenção militar.

Para especialistas, órgãos internacionais como a Aliança Atlântica** tem perfeito entendimento dos acordos marítimos entre Rússia e Ucrânia e das consequências da quebra dos mesmos no sentido internacional e econômico, mas não aplicará força militar em qualquer caso, pois significaria um conflito direto com os russos, que, para a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e para todo o mundo resultaria em um cenário com alto grau de destruição.

O desalinhamento entre os dois países se tornou tão grave que até no âmbito religioso houve rupturas, como foi o caso da assinatura no sábado, 5 de janeiro de 2019, em Istambul, do decreto que concede à Igreja Ortodoxa da Ucrânia a independência em relação à Igreja Ortodoxa da Rússia. Ambas estavam unidas desde 1686 e a hierarquia ortodoxa de Moscou respondia às tentativas de separação com uma férrea oposição. Em declarações ao jornal EL PAÍS, uma fonte do Patriarcado de Constantinopla não atribuiu qualquer tipo de significado político ao assunto, embora tenha definido a assinatura do decreto como uma “questão vital” para “acabar com os problemas no seio da Igreja ucraniana e unificar seus fiéis.

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Nota:

* Principalmente nas cidades de Donetsk e Lugansk, que se intensificaram e se transformaram em uma insurgência separatista pela região, abrindo caminho para o conflito armado em abril de 2014.

** A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tanques de guerra ucranianos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/OSCE_SMM_monitoring_the_movement_of_heavy_weaponry_in_eastern_Ukraine_%2816544235410%29.jpg/800px-OSCE_SMM_monitoring_the_movement_of_heavy_weaponry_in_eastern_Ukraine_%2816544235410%29.jpg

Imagem 2 Ponte da Crimeia sobre o Estreito de Kerch” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f7/Kerch_Strait_Bridge%2C_2018-04-14.jpg/300px-Kerch_Strait_Bridge%2C_2018-04-14.jpg

Imagem 3 Mapa dos protestos próRússia na Ucrânia 2014” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/2014_pro-Russian_unrest_in_Ukraine.png

ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

G20: Acordo de cooperação nuclear entre Rússia e Argentina

Durante a cúpula dos países que formam o G20, realizada em 30 de novembro e 1o de dezembro de 2018, em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º, o presidente argentino Mauricio Macri e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, fecharam um acordo de cooperação bilateral no que se refere ao uso pacífico da energia nuclear. O documento de âmbito estratégico, assinado pelo diretor executivo da Rosatom (Empresa estatal de energia nuclear russa), Alexey Likhachev, e pelo Ministro da Energia da Argentina, Javier Iguacel, ressalta o desenvolvimento de diferentes modelos de implementação de projetos referentes à geração de energia nuclear na Argentina

Usina nuclear de Embalse na Argentina

O acordo assinado é fruto de várias negociações entre os dois países, que, desde janeiro de 2018, vinham elaborando um memorando de entendimento para impulsionar a exploração e produção de urânio no país sul-americano, o qual pode incluir 250 milhões de dólares em investimentos, proporcionando, assim, à Argentina, a possibilidade de reduzir seu déficit energético, sendo que, atualmente, o país sul-americano, com seus três reatores nucleares existentes*, gera em torno de 5% de sua eletricidade, e o país tem planos para iniciar a construção de dois novos reatores a um custo de 13bilhões de dólares (cerca de R$ 50,8 bilhões).

A negociação entre Rússia e Argentina não faz menção à construção demais uma nova usina nuclear, mas permitirá ampliar a cooperação existente para a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento de capacidade pessoal. Atualmente,o Governo argentino já vem realizando negociações com a China para a construção de sua quarta usina de geração de energia.

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Nota:

* Usinas nucleares de Atucha I, Atucha II e Embalse.

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Fontes das Imagens:

Imagem1 Usina nuclear de Atucha na Argentina” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a8/Atucha_desde_el_Parana.jpg

Imagem2 Usina nuclear de Embalse na Argentina” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Central_nuclear_Embalse_-_C%C3%B3rdoba,_Argentina.jpg


ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Guerra econômica entre EUA e China cria oportunidades para a Rússia

Logo após a cúpula do G20*, realizada em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º de dezembro (2018), os dois países protagonistas da chamada “guerra comercial”, EUA e China, se reuniram para formalizar uma trégua em suas ações bilaterais, referentes à aumentos de tarifas onde o presidente norte-americano Donald Trump se comprometeu a não elevar as alíquotas de importação sobre 200 bilhões de dólares (cerca de R$ 772 bilhões) de produtos chineses, a partir de janeiro de 2019, enquanto seu homologo chinês, Xi Jinping, relatou que elevaria a compra de produtos dos EUA a partir desta data.

Logotipo do G20 – Argentina 2018

Para entender o que ocasionou essa ruptura nos acordos comerciais, deve-se retroceder à julho de 2018, quando as duas maiores economias do mundo entraram oficialmente numa disputa conflituosa em que os EUA impuseram um aumento de até 25% sobre as importações de inúmeros itens chineses, tendo como principais alvos produtos dos setores espacial, robótica, manufaturados e automobilístico, e como suposto objetivo a proteção dos empregos locais, bem como a extinção da transferência injusta de tecnologia e propriedade intelectual para a China. Os chineses, em retaliação ao ato, também impuseram elevações tarifárias entre 5% e 10% a cerca de 545 produtos norte-americanos, dentre eles, automóveis, soja, carne bovina e frutos do mar, num montante de cerca de 60 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 231 bilhões), além de reduzir drasticamente as importações de combustível dos EUA, sendo que, em outubro (2018), a importação de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) chegou a praticamente zero, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Em contraponto a esse desbalanceamento sistêmico entre os dois países, a Federação Russa vem se beneficiando com a criação de oportunidades comerciais com a China, principalmente na área energética. A China importou mais de 3,5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito dos EUA em 2017. Comparativamente, em 2018, as importações de GNL não chegaram a atingir 1 milhão de toneladas até agosto, frente a 2,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Ao mesmo tempo, Pequim aumentou as importações de gás russo em aproximadamente 17%, o que significa uma janela de oportunidade se abrindo para Moscou. 

A potencialização dessa relação comercial só não é maior devido a questões tecnológicas e logísticas por parte da Rússia, pois, tradicionalmente, as exportações de gás russo são realizadas através de gasodutos, enquanto as importações chinesas se baseiam preferencialmente no GNL, o qual é transportado em tanques especiais alocados em navios. Até os gasodutos russos em direção ao Oriente estarem prontos, os exportadores concorrentes vão se beneficiar dessa defasagem técnica, tais como: a Austrália, com fornecimento para o mercado chinês em torno de 2,27 milhões de toneladas; o Qatar, com 960 mil toneladas; e a Malásia, com 496 mil toneladas (dados de outubro de 2018).

Apesar da trégua entre EUA e China e da concordância em buscar uma relação comercial mais ambiciosa, se isso não for alcançado em 90 dias após a data de efetivação do acordo, muito provavelmente as imposições de tarifas serão efetivadas, segundo o Presidente norte-americano.

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Nota:

* Criado em 25 de setembro de 1999, como um fórum de ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais das principais economias do mundo, a partir da crise financeira internacional de 2008 visualizou-se a necessidade de gerar um novo consenso entre os altos funcionários do ranking. A partir de então, as cúpulas do G-20 também passaram a incluir reuniões em nível de Chefes de Estado e de Governo e a agenda temática foi ampliada. Atualmente, é o principal fórum internacional de cooperação econômica, financeira e política: trata dos principais desafios globais e busca gerar políticas públicas que os resolvam

Consiste na União Europeia e mais 19 países: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul e Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio com containers” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/52/Container_ships_Hamburg-Waltershof_%2871809711%29.jpg

Imagem 2 Logotipo do G20 Argentina 2018” (Fonte):

https://www.g20.org/profiles/g20/themes/custom/g20_poncheado/img/g20_logo.png