ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

G20: Acordo de cooperação nuclear entre Rússia e Argentina

Durante a cúpula dos países que formam o G20, realizada em 30 de novembro e 1o de dezembro de 2018, em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º, o presidente argentino Mauricio Macri e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, fecharam um acordo de cooperação bilateral no que se refere ao uso pacífico da energia nuclear. O documento de âmbito estratégico, assinado pelo diretor executivo da Rosatom (Empresa estatal de energia nuclear russa), Alexey Likhachev, e pelo Ministro da Energia da Argentina, Javier Iguacel, ressalta o desenvolvimento de diferentes modelos de implementação de projetos referentes à geração de energia nuclear na Argentina

Usina nuclear de Embalse na Argentina

O acordo assinado é fruto de várias negociações entre os dois países, que, desde janeiro de 2018, vinham elaborando um memorando de entendimento para impulsionar a exploração e produção de urânio no país sul-americano, o qual pode incluir 250 milhões de dólares em investimentos, proporcionando, assim, à Argentina, a possibilidade de reduzir seu déficit energético, sendo que, atualmente, o país sul-americano, com seus três reatores nucleares existentes*, gera em torno de 5% de sua eletricidade, e o país tem planos para iniciar a construção de dois novos reatores a um custo de 13bilhões de dólares (cerca de R$ 50,8 bilhões).

A negociação entre Rússia e Argentina não faz menção à construção demais uma nova usina nuclear, mas permitirá ampliar a cooperação existente para a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento de capacidade pessoal. Atualmente,o Governo argentino já vem realizando negociações com a China para a construção de sua quarta usina de geração de energia.

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Nota:

* Usinas nucleares de Atucha I, Atucha II e Embalse.

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Fontes das Imagens:

Imagem1 Usina nuclear de Atucha na Argentina” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a8/Atucha_desde_el_Parana.jpg

Imagem2 Usina nuclear de Embalse na Argentina” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Central_nuclear_Embalse_-_C%C3%B3rdoba,_Argentina.jpg


ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Guerra econômica entre EUA e China cria oportunidades para a Rússia

Logo após a cúpula do G20*, realizada em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º de dezembro (2018), os dois países protagonistas da chamada “guerra comercial”, EUA e China, se reuniram para formalizar uma trégua em suas ações bilaterais, referentes à aumentos de tarifas onde o presidente norte-americano Donald Trump se comprometeu a não elevar as alíquotas de importação sobre 200 bilhões de dólares (cerca de R$ 772 bilhões) de produtos chineses, a partir de janeiro de 2019, enquanto seu homologo chinês, Xi Jinping, relatou que elevaria a compra de produtos dos EUA a partir desta data.

Logotipo do G20 – Argentina 2018

Para entender o que ocasionou essa ruptura nos acordos comerciais, deve-se retroceder à julho de 2018, quando as duas maiores economias do mundo entraram oficialmente numa disputa conflituosa em que os EUA impuseram um aumento de até 25% sobre as importações de inúmeros itens chineses, tendo como principais alvos produtos dos setores espacial, robótica, manufaturados e automobilístico, e como suposto objetivo a proteção dos empregos locais, bem como a extinção da transferência injusta de tecnologia e propriedade intelectual para a China. Os chineses, em retaliação ao ato, também impuseram elevações tarifárias entre 5% e 10% a cerca de 545 produtos norte-americanos, dentre eles, automóveis, soja, carne bovina e frutos do mar, num montante de cerca de 60 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 231 bilhões), além de reduzir drasticamente as importações de combustível dos EUA, sendo que, em outubro (2018), a importação de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) chegou a praticamente zero, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Em contraponto a esse desbalanceamento sistêmico entre os dois países, a Federação Russa vem se beneficiando com a criação de oportunidades comerciais com a China, principalmente na área energética. A China importou mais de 3,5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito dos EUA em 2017. Comparativamente, em 2018, as importações de GNL não chegaram a atingir 1 milhão de toneladas até agosto, frente a 2,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Ao mesmo tempo, Pequim aumentou as importações de gás russo em aproximadamente 17%, o que significa uma janela de oportunidade se abrindo para Moscou. 

A potencialização dessa relação comercial só não é maior devido a questões tecnológicas e logísticas por parte da Rússia, pois, tradicionalmente, as exportações de gás russo são realizadas através de gasodutos, enquanto as importações chinesas se baseiam preferencialmente no GNL, o qual é transportado em tanques especiais alocados em navios. Até os gasodutos russos em direção ao Oriente estarem prontos, os exportadores concorrentes vão se beneficiar dessa defasagem técnica, tais como: a Austrália, com fornecimento para o mercado chinês em torno de 2,27 milhões de toneladas; o Qatar, com 960 mil toneladas; e a Malásia, com 496 mil toneladas (dados de outubro de 2018).

Apesar da trégua entre EUA e China e da concordância em buscar uma relação comercial mais ambiciosa, se isso não for alcançado em 90 dias após a data de efetivação do acordo, muito provavelmente as imposições de tarifas serão efetivadas, segundo o Presidente norte-americano.

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Nota:

* Criado em 25 de setembro de 1999, como um fórum de ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais das principais economias do mundo, a partir da crise financeira internacional de 2008 visualizou-se a necessidade de gerar um novo consenso entre os altos funcionários do ranking. A partir de então, as cúpulas do G-20 também passaram a incluir reuniões em nível de Chefes de Estado e de Governo e a agenda temática foi ampliada. Atualmente, é o principal fórum internacional de cooperação econômica, financeira e política: trata dos principais desafios globais e busca gerar políticas públicas que os resolvam

Consiste na União Europeia e mais 19 países: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul e Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio com containers” (Fonte):

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Imagem 2 Logotipo do G20 Argentina 2018” (Fonte):

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia eleva produção científica para desenvolvimento de novas armas

Em decorrência da drástica mudança no foco das operações de combate militar desde o final da Guerra Fria, e tendo como previsões, por grande parte da comunidade internacional, a necessidade do desenvolvimento e da inovação de tecnologias bélicas inerentes à possíveis demandas de novos cenários geopolíticos, a Federação Russa, entre outras nações, está elevando sua capacidade científica para atender à essas contingências, unindo centros de pesquisas, Forças Armadas e Governo.

Laboratório ISS Reshetnev

Passados os “espasmos” da complexidade do setor militar-industrial da era soviética, com a governança da mão pesada do Estado, a Rússia vem se reestruturando economicamente e potencialmente para lançar elevados investimentos em novas tecnologias, já apresentadas de antemão pelo presidente Vladmir Putin em seu discurso à nação, proferido em março de 2018. Ressalte-se que nos últimos momentos de existência da União Soviética foi decretado um enorme corte de verbas, o que causou uma profunda transformação nos meios militares, perdendo muito do seu acesso a recursos, à influência política e à mão de obra especializada.

Para que esse desenvolvimento de novas armas se concretize, será necessário o desenvolvimento científico de novos supercomputadores responsáveis por projetá-las, o que, atualmente, empresas como a ISS Reshetnev* e o Consórcio Kalashnikov, através do seu Instituto de Investigação e Produção Científica Molniya, já estão trabalhando para a apresentação de suas pesquisas. O principal objetivo do projeto, além de eliminar tecnologia estrangeira, é passar a efetuar todo o ciclo de desenvolvimento e produção com a ajuda de maquinaria e equipamentos nacionais.

O projeto abrange todas as etapas, desde a fase de pesquisa e desenvolvimento até a criação de um protótipo e seus testes, além da manutenção dos armamentos fabricados em série durante sua utilização nas Forças Armadas. Segundo declarações da diretora-geral do Instituto Molniya, Olga Sokolova, o supercomputador iniciará sua participação nos meios militares com o projeto de mísseis-alvo** e depois estenderá suas soluções para toda a indústria russa de armamentos.

De acordo com especialistas da área de segurança informática, o supercomputador não será criado a partir do zero, podendo utilizar como plataforma o Elbrus, importante sistema utilizado pelo ramo militar-industrial na projeção de armas especializadas e analises perspectivas que, com a necessidade de potencializar o volume de informações à serem processadas, deverá passar por uma reconfiguração para fornecer o mais alto desempenho em cálculos matemáticos, criptografia, processamento digital de sinais, além de dar suporte de hardware para computação segura.

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Notas:

* Reshetnev Sistemas de Informação por Satélite (ISS Reshetnev – Information Satellite Systems), empresa localizada na cidade de Zheleznogorsk, em Krasnoyarsk Krai, na Rússia, que atua no ramo de projeto e construção de satélites, sendo administrada diretamente pela Agência Espacial da Federação Russa. Desde sua fundação, em 1959, entregou mais de 1.200 satélites utilizados nos mais variados tipos de missões.

** Projeto de míssil hipersônico de baixo custo que servirá para testes de armas avançadas alocadas em bombardeiros, caças e, também, artilharia antiaérea. Seu lançamento será a partir do solo e simulará sinais térmicos de propulsores de aeronaves.

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Imagem 1 Superfície de microchip” (Fonte):

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Imagem 2 Laboratório ISS Reshetnev” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

PAK-DA: Novo bombardeiro estratégico russo

Com o intuito de revitalizar seus esquadrões de bombardeiros que estão em atividade desde a era soviética, e que, futuramente, precisarão de substituição para atendimento às demandas por equipamentos mais avançados, o Governo russo está acelerando o programa de pesquisa e desenvolvimento para a produção do moderno sistema de aviação de longo alcance para a próxima década, denominado PAK-DA.

Tupolev TU-160

O projeto do novo bombardeiro subsônico de 5ª geração foi iniciado em 2014, quando a Rússia comemorava 100 anos da sua aviação de longo alcance, com o objetivo de elaborar uma aeronave que apresentasse poder bélico-militar homólogo ao do seu “rival” norte-americano, também em processo de desenvolvimento, denominado B-21, que está sendo construído pela empresa de aviação Northrop Grumman Corporation, como parte do programa LRS-B (Long Range Strike Bomber). Segundo a Administração da Presidência dos EUA, a possível construção do bombardeiro stealth* Tupolev PAK-DA é listada como um sistema de desenvolvimento que poderá ser uma ameaça no futuro, de acordo com sua Revisão da Postura Nuclear (NPR – Nuclear Posture Review).

Atualmente, o design e organização da produção do novo bombardeiro está sob responsabilidade da Fábrica de Aviação de Kazan (KAZ), que vem trabalhando paralelamente com a empresa de defesa e aeronáutica russa Tupolev, no intuito de implementar tecnologia de última geração ao projeto. Segundo fontes de especialistas na área de estratégia militar, além da tecnologia de reflexão de sinais que impedem sua detecção por radares, a aeronave poderá ter uma autonomia de 12 mil quilômetros, o que possibilitará ações de longo alcance com capacidade de carga de até 30 toneladas de armamentos, os quais poderão incluir bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance.

O certo é que a implantação desse novo sistema pelo Governo russo vem carregada de enormes desafios, tais como a falta de pessoal altamente qualificado para a construção de uma aeronave com elevada complexidade, que necessita, acima de tudo, desenvolver um motor aeronáutico que atenda às necessidades do projeto. Segundo Nikolai Savitskih, diretor geral da KAZ, desde 2017 vem sendo elaborado, sob a avaliação do Kremlin, um programa de metas abrangentes para treinamento e retenção de pessoal para atendimento ao programa que custará, até 2025, em torno de 2,6 bilhões de rublos (pouco mais de R$ 142 milhões).

Outro ponto levantado é sobre a real necessidade de se investir uma soma exorbitante de recursos em um novo projeto, sendo que existe já em andamento a construção do novo bombardeiro TU-160 M2 Blackjack em substituição ao TU-160*, que necessitaria apenas de motores mais potentes para a sua operação e, no lugar do investimento em tecnologia para um bombardeiro furtivo, poderia ser direcionada apenas uma fração desses valores em mísseis furtivos de longo alcance, os quais seriam embarcados em bombardeiros convencionais.

De acordo com Michael Kofman, especialista em assuntos militares russos do Centro de Análises Navais, até o momento, o programa PAK-DA ainda se trata de pesquisa e desenvolvimento e o seu sucesso depende da capacidade financeira da Rússia em desenvolver novas tecnologias inerentes à demanda desse projeto. Então, posto isso, haverá uma possibilidade real de iniciar a produção da PAK-DA no final da próxima década.

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Notas:

* No âmbito militar, significa a capacidade de manipular a forma de detecção de um veículo aéreo em todo o seu espectro eletromagnético, com o intuito de diminuir a eficiência dos radares capazes de realizar sua rastreabilidade, que pode ser feita pela assinatura de radiofrequência, infravermelho, eletro-óptica, visual ou acústica. A tecnologia não faz a aeronave totalmente invisível, mas pode tornar sua detecção extremamente difícil.

** Maior e mais veloz bombardeiro russo que entrou em operação em 1987. Teve sua fabricação restrita à poucas unidades, devido cortes orçamentários sob os efeitos das políticas reformistas levadas a cabo pelo Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, de 1985-1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tupolev TU160” (Fonte):

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Imagem 2 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/17/Tu-160_at_MAKS_2007.jpg/300px-Tu-160_at_MAKS_2007.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia e a nova “Crise dos Mísseis”

Logo após o anúncio da retirada dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Federação Russa, proferida pelo presidente Donald Trump, em 20 de outubro de 2018, a comunidade internacional ingressou em uma nova “Crise dos Mísseis”*, de acordo com a visão de analistas, e que, desta vez, não envolveria somente a bipolaridade entre EUA e a Rússia, mas, também, a inserção de novos agentes geopolíticos dentro desse conflito.

Míssil russo RS 24 Yars

O desequilíbrio político-militar se deu sob a alegação por parte dos EUA de que a Rússia apresentou desrespeito ao acordo de redução de mísseis de médio alcance, ao mesmo tempo que apresenta uma disposição baseada na Revisão da Postura Nuclear da administração Trump em investir pesadamente no desenvolvimento de arsenal que faça frente à suposta ameaça russa, e também coloca a China como potencial inimigo na questão de fabricação e disposição de mísseis de médio e longo alcance, já que esta nação não está incluída no Tratado e vem se destacando no cenário mundial com avanços significativos em desenvolvimento de mísseis convencionais e nucleares, alterando sua estratégia de dissuasão** e passando para uma estratégia chamada de “retaliação garantida”, pela qual uma resposta nuclear seria efetiva e danosa ao seu oponente em caso de confronto.

Outro ponto crítico nesse desequilíbrio sistêmico seria a demonstração de poder bélico por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aumentando a intensidade de treinamentos operacionais e de combate nas regiões fronteiriças da Federação Russa e da República de Belarus (Bielorrúsia), incluindo também exercícios relacionados ao uso de armas nucleares. Por sua vez, a Federação Russa, apesar de demonstrar o desejo de não ser “arrastada” para um conflito militar com o Ocidente, já informou que essas ações prejudicam sua estabilidade estratégica, o que obrigaria o país a tomar medidas de retaliação.

Segundo o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já que os norte-americanos decidiram sair do Tratado INF, eles devem revelar seus futuros planos no controle de armamentos, acrescentando que a falta de transparência é inadmissível e estendeu essa preocupação ao conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, quando este estava em visita à Moscou, em 22 de outubro (2018).

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Notas:

* Crise dos mísseis de Cuba, também conhecida como a Crise de Outubro, foi um confronto de 13 dias (16-28 outubro de 1962) entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba e que levaria o mundo à beira de uma guerra nuclear.

** A estratégia de dissuasão nuclear, muito utilizada no período da Guerra Fria entre EUA e União Soviética, é baseada num equilíbrio induzido pelo perigo do holocausto nuclear (Destruição Mútua Assegurada). Esta relação de forças traduzia-se num verdadeiro paradigma em que o equilíbrio do terror funcionava como a garantia da estabilidade e paz mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Silo com míssil nuclear R36 russo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Dnepr_inside_silo.jpg/330px-Dnepr_inside_silo.jpg

Imagem 2Míssil russo RS 24 Yars” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG/1200px-PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

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Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg