EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Expansão russa no Oriente Médio

Segundo analistas internacionais, a Federação Russa é considerada atualmente como a única potência mundial que tem trânsito livre entre todas as nações do Oriente Médio*, resultado este que se deu devido a um elaborado desenvolvimento diplomático que o Ministério das Relações Exteriores da Rússia galgou durante os últimos anos, no intuito de projetar o país como um novo agente efetivo nas questões políticas e econômicas que envolvem a região médio-oriental.

Propaganda de Putin no Oriente Médio

O fato de os Estados Unidos, que foi o principal mediador de conflitos regionais no Oriente Médio, ter começado um processo de afastamento político da área, ainda no governo de Barack Obama, deu oportunidade para a criação de um hiato representativo que, possivelmente, potencializará a hegemonia russa a se inserir ainda mais nas questões regionais. Tal hiato foi produzido com a transferência de diplomacia americana para outras regiões do planeta, principalmente para a Ásia, e se prolongou no governo de Donald Trump, com processos político-diplomáticos** que delimitaram ainda mais as negociações de paz entre Israel e Palestina, além de aplicar sanções sobre a nação iraniana, em decorrência do não alinhamento de um acordo nuclear entre as partes.

Um exemplo claro de atuação russa no Oriente Médio é sua participação militar na Síria, onde, desde setembro de 2015, vem intervindo de maneira efetiva contra o Estado Islâmico***, com o objetivo de eliminar toda a ação do grupo terrorista dentro do país e também auxiliar o governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, a se reestruturar em meio ao caos que o país atravessa.

A realização de parcerias econômico-financeiras com nações árabes é outro ponto importante no processo de expansão regional, como se dá no caso de fundos de pensão russos estarem avaliando um investimento direto na petroleira estatal da Arábia Saudita (Saudi Aramco, oficialmente Saudi Arabian Oil Company, anteriormente conhecida como Aramco), onde, com esta coligação, Moscou e Riad devem coordenar as políticas mundiais de petróleo por muitos anos, segundo avaliação do diretor do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev.

Encontro de Putin e Netanyahu

Obras de infraestrutura também incluem a participação da Rússia na região, como é o caso da construção de usinas nucleares no Egito e na Turquia, onde esta última já tem prazo de inauguração de sua planta energética (Akkuyu) em 2023, sendo construída pela Rosatom (companhia estatal de energia nuclear da Rússia), a um custo de 22 bilhões de dólares.

O comércio de armas da Federação Russa para a região também se expandiu, principalmente pelo processo de venda bilionária de sistemas antiaéreos S-400 para a Turquia. O S-400 Triumph é um sistema de defesa antiaérea de longo alcance projetado para destruir aeronaves, mísseis balísticos e de cruzeiro, inclusive de médio alcance, e, além disso, pode ser usado contra alvos terrestres.

Além de ser considerado por especialistas em relações internacionais como um forte agente nas áreas político-econômico-militar, a participação russa no Oriente Médio também irá abranger sua capacidade diplomática devido a ser detentora de alianças pacíficas com vários países e, por conta disso, deverá assumir um papel de mediador em conflitos regionais, como é o caso do embate entre Irã e Israel. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção e, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente eles afetariam os interesses da Rússia em toda aquela região.

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Notas:

* Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

** Em 6 de dezembro de 2017, o governo norte-americano efetivou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, ao executar a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para a disputada cidade. Essa ação acabou isolando os EUA em um dos episódios mais polêmicos da atualidade, o qual gerou uma série de protestos em todo o mundo.  

*** O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Salafista e Uaabista que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro dos governantes de Rússia, Turquia e Irã” (Fonte):

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Imagem 1 Propaganda de Putin no Oriente Médio” (Fonte):

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Imagem 3 Encontro de Putin e Netanyahu” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Gazprom e a Copa do Mundo da Rússia

Durante os jogos da Copa do Mundo da Rússia, um importante participante foi elencado para se apresentar em todas as partidas de futebol, atuando como um dos principais patrocinadores do evento esportivo mais visto do planeta. A Gazprom, maior empresa da Federação Russa e maior exportadora mundial de gás natural, teve seu nome projetado aos bilhões de telespectadores ao redor do mundo através da mídia futebolística, fazendo com que sua importância no ramo de fornecimento de energia seja notada por aqueles que ainda tem pouco conhecimento sobre ela.

Propaganda da Gazprom

Herdeira direta do ministério soviético da indústria do gás, foi transformada em 1989 por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro Russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global, focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica.

Tendo o Governo russo como principal controlador (com 50,2% das ações), a Gazprom apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 58 bilhões de dólares) e seus números impressionam por conta de seu tamanho.

Segundo Alexey Miller, presidente da Gazprom, a empresa possui cerca de 17% das reservas de gás existentes no mundo, com uma taxa anual de crescimento maior do que a de extração, tendo, no ano de 2017, batido um recorde no fornecimento mundial, ao exportar para o mercado europeu cerca de 194,4 bilhões de metros cúbicos de gás natural (35,7% da demanda europeia).

Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo

Outro dado que impressiona é o tamanho da rede de gasodutos, que ultrapassa os 170 mil quilômetros, com uma projeção crescente para atendimento, em 2019, de localidades como Sibéria e China.

Diversos analistas internacionais descrevem a Gazprom como uma importante arma geopolítica, devido a sua estratégia mercadológica e sua abrangência internacional, em que a Rússia representa a principal fonte de abastecimento externo da União Europeia, dificilmente substituível no curto prazo, principalmente para países da Europa Central*, onde mais de 70% das importações de gás provêm da Federação Russa.

Em fevereiro de 2018, data comemorativa dos 25 anos de existência da Gazprom, o presidente russo Vladimir Putin exortou o “trabalho colossal” da companhia, que, além de consolidar o setor energético e desenvolver novas tecnologias no mercado interno, ampliou suas capacidades e operações no exterior, marcando presença em 34 países. Putin deixou claro que as empresas do setor de energia têm uma importância significativa para toda a Federação Russa, dizendo que, “sem exageros, a Gazprom é quem dá o tom da economia nacional”.

 

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Nota:

* Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Liechtenstein, Polônia, República Tcheca e Suíça.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Gazprom na Copa do Mundo da Rússia” (Fonte):

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Imagem 2 Propaganda da Gazprom” (Fonte):

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Imagem 3 Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Vitória da Rússia e Arábia Saudita na OPEP+

Em plena Copa do Mundo, vários países se reuniram no último dia 22 de junho em Viena, capital da Áustria, não para discutir sobre o andamento dos jogos de suas seleções, mas para dar continuidade ao plano de balanceamento mundial na produção de petróleo, em detrimento aos altos preços do barril dessa commodity demonstrados no mercado mundial nos últimos meses.

Símbolo da OPEP

A reunião elencou os países pertencentes a OPEP* (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), onde se decidiu, baseados no plano original, pelo aumento de produção diária em 1 milhão de barris a partir de julho de 2018, o que equivale a 1% da produção mundial.

A validação desse acordo se concretizou um dia depois, 23 de junho, com a reunião complementar da OPEP+ (membros da OPEP e os 10 principais países exportadores não pertencentes ao cartel, liderados pela Rússia), onde foram delineados os montantes de produção individual aos 24 membros participantes, mas não informados aos órgãos de comunicação internacional, impossibilitando uma visão clara dos desígnios desse acordo aos olhos de analistas internacionais. Segundo estudos de especialistas na área de energia e combustíveis, a produção real deverá ser elevada apenas entre 600 e 700 mil barris diários, graças à falta de capacidade operacional de alguns países, aliado a questões político-econômicas que afetam Venezuela e Irã.

Gráfico preço do barril Brent

Devido ao petróleo ser uma commodity que possui alto nível de especulação de seus preços no mercado mundial, aliado ao fato do resultado dessa reunião não ter atendido aos anseios dos investidores internacionais que esperavam uma inundação do mercado futuro com a oferta elevada de petróleo, os preços do barril dispararam logo após o encontro, quando, na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato futuro do WTI (West Texas Intermediate – principal região petrolífera dos EUA) para entrega em agosto subiu 4,6%, indo para US$ 68,58 por barril, enquanto, em Londres, o Brent** subiu 3,4%, para encerrar a sessão negociado a US$ 75,55 por barril.

Os grandes beneficiados desse conclave foram Arábia Saudita e Rússia, que são os maiores produtores desse bloco e assumiram a responsabilidade pela estabilidade do mercado global de petróleo, elaborando um acordo que pode abrir caminho para um novo mercado mundial e a elaboração de mecanismos de regulação de preços, de acordo com o analista russo, Dmitry Lekuh. No momento, com o resultado da reunião, poderão ter a possibilidade de preencher a lacuna produtiva dos países com dificuldades e ainda lucrar com os atuais preços praticados.

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Notas:

* Criada em 14 de setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objetivo a centralização da elaboração das políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes (Angola, Argélia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Indonésia, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela).

** O petróleo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma base da Shell com o mesmo nome. Atualmente, a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres. A cotação Brent é referência para os mercados europeu e asiático.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Putin e Mohammed bin Salman” (Fonte):

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Imagem 2 Símbolo da OPEP” (Fonte):

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Imagem 3 Gráfico preço do barril Brent” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Volgogrado: a cidade histórica da Copa do Mundo da Rússia

Localizada às margens do rio Volga e distante cerca de mil quilômetros a sudoeste de Moscou, capital da Rússia, a cidade de Volgogrado estreou a sua arena de futebol de mesmo nome em 18 de junho de 2018, sediando o jogo entre Inglaterra e Tunísia (partida encerrada em 2 gols à 1, respectivamente), sendo a primeira das quatro disputas que serão realizadas no seu gramado. Apesar do esplendoroso estádio desportivo e dos inúmeros pontos turísticos, pouco é apresentado pela mídia sobre a verdadeira importância desta cidade para a Rússia e, talvez, para o mundo.

Batalha de Stalingrado

Fundada em 1589, recebeu o nome de Tsaritsyn, devido ao rio Tsaritsa que deságua no Volga e, posteriormente, em 1925, durante a grande campanha de mudança de nomes das povoações, a cidade foi rebatizada como Stalingrado, em homenagem ao líder da União Soviética na época, Josef Stalin, sendo o rio renomeado como Pionerka. Anos depois, com o advento da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e o rompimento do pacto de não-agressão* entre a Alemanha Nazista e a União Soviética, a cidade de Stalingrado seria palco da considerada por muitos especialistas como a mais sangrenta batalha militar da história da civilização.

No dia 22 de junho de 1941, o líder da Alemanha, Adolf Hitler, iniciaria a chamada Operação Barbarossa**, nome dado à operação militar da Wehrmacht (Forças Armadas da Alemanha), comandada pelo general Franz Halder, que tinha como objetivo o deslocamento de quase 4 milhões de tropas nazistas para a total aniquilação da União Soviética. O deslocamento militar nazista dentro do território soviético tinha como objetivo não só a invasão da capital Moscou, mas, também, a conquista de territórios localizados ao sul, em busca dos campos de petróleo do Cáucaso***. Na busca pela sobrevivência, o Exército Vermelho estabeleceu uma linha de defesa na cidade de Stalingrado para impedir que as tropas inimigas se apoderassem do território.

Monumento Mãe-Patria Russa

O que ocorreu no segundo semestre de 1942 (cerca de 200 dias) ficou conhecido como “A Mãe de Todas as Batalhas”, deixando em solo russo cerca de 730 mil soldados alemães mortos, além de milhares de feridos e desaparecidos. A União Soviética, apesar de ter ganho a batalha, e posteriormente ter lançado a partir de Stalingrado uma ofensiva que iria adentrar as portas de Berlin, dando um fim à guerra, pagou um preço muito alto, com um o número de mortos chegando em mais de 1,1 milhão de soldados, e com um infindável e desconhecido número de civis também mortos na batalha que destruiu, por completo, toda a extensão da cidade.

Anos depois da guerra, com a reconstrução e repovoamento da região, em 1961, o Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Krushchev, como parte dos esforços para “desestalinizar” a sociedade, renomeou a cidade com o nome do rio que a margeia, Volgogrado.

Em memória daqueles que tombaram em batalha, no ano de 1967 seria construído um monumento de 85 metros de altura que representa a Mãe-Pátria Russa, sobre a colina de Mamayev Kurgan, a pouco mais de um quilômetro da Arena Volgogrado.

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Notas:

* Pacto de neutralidade entre a Alemanha Nazista e a União Soviética durante a 2ª Guerra Mundial, assinado em Moscou, no dia 23 de agosto de 1939, pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros, Joachim von Ribbentrop (Alemanha) e Vyacheslav Molotov (URSS).

** Recebeu esse nome por referir-se ao Sacro Imperador Romano-Germânico do século XII, Frederico Barba Roxa (Barbarossa).

*** Região localizada entre a Europa oriental e Ásia ocidental, banhada pelo Mar Negro ao oeste e Mar Cáspio ao leste. A porção norte do Cáucaso, chamada de Ciscaucasia, é composta por oito repúblicas e regiões autônomas que integram a Federação Russa. Entre tais localidades é possível citar a Chechênia e a Ossétia do Norte. Na parte sul está o Cáucaso não-russo, que é denominado de Transcaucásia pelos russos. É ali que estão situadas as repúblicas da Armênia, da Geórgia e do Azerbaijão. Elas figuravam na então União Soviética até 1991, quando o Estado socialista se dissolveu.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cidade de Volgogrado” (Fonte):

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Imagem 2 Batalha de Stalingrado” (Fonte):

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Imagem 3 Monumento Mãe-Patria Russa” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Contraterrorismo na Copa do Mundo de Futebol da Rússia

Desde 2016, apesar das intervenções internacionais, a Federação Russa uniu-se a serviços de segurança de 32 países, no intuito de colocar em funcionamento um grupo de trabalho encarregado de implementar um dos maiores processos antiterroristas já vistos em eventos esportivos de alta complexidade, como será o caso da Copa do Mundo 2018, que se inicia esta semana, no dia 14 de junho, em território russo.

Emblema do FSB

A grande preocupação do Kremlin* para garantir a segurança durante o evento não é para menos, se apresenta devido à uma conjunção de diversos fatores que podem proporcionar um ambiente propício para atentados terroristas, segundo os órgãos de segurança russos. A expectativa é que cerca de 2 milhões de turistas, de várias nacionalidades, desembarquem nas principais cidades que serão palcos dos jogos da Copa e, com isso, essa massiva onda de pessoas pode camuflar indivíduos provenientes de grupos terroristas, especialmente do Estado Islâmico (ISIS – Islamic State of Iraq and Syria), que estão sendo desmantelados na Síria e procuram uma forma de vingança, principalmente contra o governo russo, que está sendo o maior responsável pela derrocada dos mesmos.

Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia** (FSB – Federal’naya Sluzhba Bezopasnosti), cerca de 2.900 extremistas russos, em sua maioria originários das instáveis repúblicas muçulmanas do Cáucaso, e que lutaram na Síria sob o comando do ISIS, começam a voltar ao território da Rússia, no intuito de criar células terroristas ou potencializar as já existentes. Como exemplo dessa ameaça, vários atentados foram deflagrados em passado recente, como os do metrô de São Petersburgo, em abril de 2017, onde a explosão de uma bomba causou a morte de 16 pessoas, e o atentado à faca na cidade de Surgut, na Sibéria, ocorrido em agosto, também de 2017, quando 7 pessoas foram feridas.

Agentes do FSB

As autoridades russas têm intensificado o monitoramento das fronteiras, juntamente com o aumento de operações para desmantelamento de células, onde, em um dos trabalhos de investigação, no final de março de 2018, em São Petersburgo, foram detidas 7 pessoas acusadas de preparar atentados contra alvos civis durante a Copa, além da revelação de uma célula terrorista do ISIS em Rostov-On-Don, local de um dos jogos do Brasil.

O Vice-Primeiro-Ministro responsável por esportes, Vitali Mutko, anunciou que o custo para elaboração de todo o esquema de segurança durante a Copa do Mundo alcançará o montante de 30 bilhões de rublos (cerca de 445 milhões de euros). Os trabalhos de segurança também irão abranger ações contra hooligans e neonazistas que já manifestaram, através de redes sociais, intenções de praticar atos violentos durante os jogos na Rússia.

Apesar do grande desafio a ser enfrentado neste enorme esquema de segurança, a FIFA (do francês “Fédération Internationale de Football Association”) anunciou que os trabalhos realizados pelas autoridades russas dão “garantias” de que o evento será devidamente protegido. A entidade ainda diz ter “total confiança” no planejamento do Kremlin para a área de segurança.

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Notas:

* O termo Kremlin (Кремль), significa “fortaleza” na língua russa. Faz referência a uma estrutura, um complexo, com fortificações, existentes nas cidades históricas da Rússia. O Kremlin mais conhecido é o de Moscou, onde foi sediado o governo da extinta União Soviética e é a sede do Governo da atual Federação Russa. Por essa razão, ao se falar do Kremlin, automaticamente se associa ao de Moscou e se toma como sinônimo de Governo da Federação Russa, bem como ao comando do país.

** FSB é uma agência russa de serviços de informação que sucedeu ao KGB no que se refere a assuntos domésticos. Foi criada em 12 de abril de 1995, pelo presidente Boris Ieltsin.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Agentes do FSB em ação” (Fonte):

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Imagem 2 Emblema do FSB” (Fonte):

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Imagem 3 Agentes do FSB” (Fonte):

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ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Estreitamento das relações entre Rússia e Coreia do Norte

Com um crescimento em torno de 73% no comércio bilateral entre Rússia e Coreia do Norte, na comparação de 2017 sobre 2016, essas duas nações têm grandes pretensões de estreitar suas relações em um futuro próximo, não só na área comercial, como também em parcerias no campo energético, de transporte e militar, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Federação Russa, além de melhorar processos diplomáticos, que são de grande importância no atual cenário que envolve os dois Estados.

Ferrovia Transiberiana

Atualmente, as trocas comerciais entre ambos se baseiam principalmente na venda de carvão russo, que é o principal item exportado para o parceiro coreano, aliado ao fornecimento de matérias-primas. Do outro lado, a Coreia do Norte tem fornecido para a Rússia equipamentos e veículos, além de produtos alimentícios. Futuramente, com o fortalecimento das relações, haverá a possibilidade de assinatura de um contrato para transportar gás natural russo até a Coreia do Sul passando pelo território da Coreia do Norte; e também para a reconstrução da ferrovia Transcoreana, que será uma extensão da linha ferroviária Transiberiana*; bem como para a exploração conjunta de fontes de recursos naturais.

Encontro de Sergey Lavrov com Kim Jong Un

As questões políticas também foram pauta desse estreitamento bilateral, onde, num primeiro momento, a Coreia do Norte enviou seu ministro das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, em visita à Moscou para pedir à comunidade internacional, com ajuda do seu aliado russo, que sejam concedidas “garantias sólidas” a Pyongyang em troca de sua desnuclearização. Essa visita ocorreu em meio a uma reaproximação intercoreana iniciada nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Em reciprocidade à visita do representante norte-coreano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, desembarcou em Pyongyang, Coreia do Norte, em 30 de maio de 2018, para um encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un, no intuito de reafirmar a parceria russa e transmitir os votos de sucesso do presidente russo Vladimir Putin para os “empreendimentos” que estão sendo realizados pelo governante na península coreana, em busca da racionalidade política não só com a Coreia do Sul, mas, também, em relação aos Estados Unidos.

Em 4 de junho, o Kremlin apresentou ao líder norte-coreano o convite do Presidente Vladimir Putin para que se reúnam pessoalmente durante um fórum econômico anual que será realizado na cidade de Vladivostok, em setembro de 2018, onde possivelmente serão discutidos seus papéis como parceiros político-comerciais e os caminhos a serem tomados para minimizar os impactos causados pelas sanções internacionais impostas aos dois países.

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Nota:

* A ferrovia Transiberiana foi construída entre 1891 e 1916 sob a supervisão de ministros pessoalmente nomeados pelo czar Alexandre III e depois pelo czar Nicolau II. Ocupando um recorde de oito fusos horários, ela conecta centenas de cidades grandes e pequenas das partes europeia e asiática da Rússia em 9.289 km (5.700 milhas), tornando-a a ferrovia mais longa do mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da Rússia e Coreia do Norte” (Fonte):

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Imagem 2 Ferrovia Transiberiana” (Fonte):

https://br.sputniknews.com/russia/2018053111357845-transiberiana-ferrovia-coreia/

Imagem 3 Encontro de Sergey Lavrov com Kim Jong Un” (Fonte):

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