ESPORTENOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Contraterrorismo na Copa do Mundo de Futebol da Rússia

Desde 2016, apesar das intervenções internacionais, a Federação Russa uniu-se a serviços de segurança de 32 países, no intuito de colocar em funcionamento um grupo de trabalho encarregado de implementar um dos maiores processos antiterroristas já vistos em eventos esportivos de alta complexidade, como será o caso da Copa do Mundo 2018, que se inicia esta semana, no dia 14 de junho, em território russo.

Emblema do FSB

A grande preocupação do Kremlin* para garantir a segurança durante o evento não é para menos, se apresenta devido à uma conjunção de diversos fatores que podem proporcionar um ambiente propício para atentados terroristas, segundo os órgãos de segurança russos. A expectativa é que cerca de 2 milhões de turistas, de várias nacionalidades, desembarquem nas principais cidades que serão palcos dos jogos da Copa e, com isso, essa massiva onda de pessoas pode camuflar indivíduos provenientes de grupos terroristas, especialmente do Estado Islâmico (ISIS – Islamic State of Iraq and Syria), que estão sendo desmantelados na Síria e procuram uma forma de vingança, principalmente contra o governo russo, que está sendo o maior responsável pela derrocada dos mesmos.

Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia** (FSB – Federal’naya Sluzhba Bezopasnosti), cerca de 2.900 extremistas russos, em sua maioria originários das instáveis repúblicas muçulmanas do Cáucaso, e que lutaram na Síria sob o comando do ISIS, começam a voltar ao território da Rússia, no intuito de criar células terroristas ou potencializar as já existentes. Como exemplo dessa ameaça, vários atentados foram deflagrados em passado recente, como os do metrô de São Petersburgo, em abril de 2017, onde a explosão de uma bomba causou a morte de 16 pessoas, e o atentado à faca na cidade de Surgut, na Sibéria, ocorrido em agosto, também de 2017, quando 7 pessoas foram feridas.

Agentes do FSB

As autoridades russas têm intensificado o monitoramento das fronteiras, juntamente com o aumento de operações para desmantelamento de células, onde, em um dos trabalhos de investigação, no final de março de 2018, em São Petersburgo, foram detidas 7 pessoas acusadas de preparar atentados contra alvos civis durante a Copa, além da revelação de uma célula terrorista do ISIS em Rostov-On-Don, local de um dos jogos do Brasil.

O Vice-Primeiro-Ministro responsável por esportes, Vitali Mutko, anunciou que o custo para elaboração de todo o esquema de segurança durante a Copa do Mundo alcançará o montante de 30 bilhões de rublos (cerca de 445 milhões de euros). Os trabalhos de segurança também irão abranger ações contra hooligans e neonazistas que já manifestaram, através de redes sociais, intenções de praticar atos violentos durante os jogos na Rússia.

Apesar do grande desafio a ser enfrentado neste enorme esquema de segurança, a FIFA (do francês “Fédération Internationale de Football Association”) anunciou que os trabalhos realizados pelas autoridades russas dão “garantias” de que o evento será devidamente protegido. A entidade ainda diz ter “total confiança” no planejamento do Kremlin para a área de segurança.

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Notas:

* O termo Kremlin (Кремль), significa “fortaleza” na língua russa. Faz referência a uma estrutura, um complexo, com fortificações, existentes nas cidades históricas da Rússia. O Kremlin mais conhecido é o de Moscou, onde foi sediado o governo da extinta União Soviética e é a sede do Governo da atual Federação Russa. Por essa razão, ao se falar do Kremlin, automaticamente se associa ao de Moscou e se toma como sinônimo de Governo da Federação Russa, bem como ao comando do país.

** FSB é uma agência russa de serviços de informação que sucedeu ao KGB no que se refere a assuntos domésticos. Foi criada em 12 de abril de 1995, pelo presidente Boris Ieltsin.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Agentes do FSB em ação” (Fonte):

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Imagem 2 Emblema do FSB” (Fonte):

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Imagem 3 Agentes do FSB” (Fonte):

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ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Estreitamento das relações entre Rússia e Coreia do Norte

Com um crescimento em torno de 73% no comércio bilateral entre Rússia e Coreia do Norte, na comparação de 2017 sobre 2016, essas duas nações têm grandes pretensões de estreitar suas relações em um futuro próximo, não só na área comercial, como também em parcerias no campo energético, de transporte e militar, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Federação Russa, além de melhorar processos diplomáticos, que são de grande importância no atual cenário que envolve os dois Estados.

Ferrovia Transiberiana

Atualmente, as trocas comerciais entre ambos se baseiam principalmente na venda de carvão russo, que é o principal item exportado para o parceiro coreano, aliado ao fornecimento de matérias-primas. Do outro lado, a Coreia do Norte tem fornecido para a Rússia equipamentos e veículos, além de produtos alimentícios. Futuramente, com o fortalecimento das relações, haverá a possibilidade de assinatura de um contrato para transportar gás natural russo até a Coreia do Sul passando pelo território da Coreia do Norte; e também para a reconstrução da ferrovia Transcoreana, que será uma extensão da linha ferroviária Transiberiana*; bem como para a exploração conjunta de fontes de recursos naturais.

Encontro de Sergey Lavrov com Kim Jong Un

As questões políticas também foram pauta desse estreitamento bilateral, onde, num primeiro momento, a Coreia do Norte enviou seu ministro das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, em visita à Moscou para pedir à comunidade internacional, com ajuda do seu aliado russo, que sejam concedidas “garantias sólidas” a Pyongyang em troca de sua desnuclearização. Essa visita ocorreu em meio a uma reaproximação intercoreana iniciada nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Em reciprocidade à visita do representante norte-coreano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, desembarcou em Pyongyang, Coreia do Norte, em 30 de maio de 2018, para um encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un, no intuito de reafirmar a parceria russa e transmitir os votos de sucesso do presidente russo Vladimir Putin para os “empreendimentos” que estão sendo realizados pelo governante na península coreana, em busca da racionalidade política não só com a Coreia do Sul, mas, também, em relação aos Estados Unidos.

Em 4 de junho, o Kremlin apresentou ao líder norte-coreano o convite do Presidente Vladimir Putin para que se reúnam pessoalmente durante um fórum econômico anual que será realizado na cidade de Vladivostok, em setembro de 2018, onde possivelmente serão discutidos seus papéis como parceiros político-comerciais e os caminhos a serem tomados para minimizar os impactos causados pelas sanções internacionais impostas aos dois países.

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Nota:

* A ferrovia Transiberiana foi construída entre 1891 e 1916 sob a supervisão de ministros pessoalmente nomeados pelo czar Alexandre III e depois pelo czar Nicolau II. Ocupando um recorde de oito fusos horários, ela conecta centenas de cidades grandes e pequenas das partes europeia e asiática da Rússia em 9.289 km (5.700 milhas), tornando-a a ferrovia mais longa do mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da Rússia e Coreia do Norte” (Fonte):

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Imagem 2 Ferrovia Transiberiana” (Fonte):

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Imagem 3 Encontro de Sergey Lavrov com Kim Jong Un” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

A estratégia econômica da Rússia para o Ártico

Considerado um dos lugares mais inóspitos e inacessíveis do planeta, o extremo norte da Federação Russa é banhado pelo Oceano Glacial Ártico, que cobre cerca de 60% dos mais de 37,6 mil quilômetros de litoral dessa nação, e, possuindo em sua plataforma marítima uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo, este oceano está transformando o país na potência dominante da região, segundo estudos do Instituto Sueco para os Assuntos Internacionais.

Região do Ártico

Nos últimos anos, a Rússia vem consolidando uma série de pesquisas e investimentos na área de prospecção de recursos naturais em ambientes extremos, que vão desde o lançamento de robôs para exploração submarina em grandes profundidades, até a criação de novos tipos de materiais resistentes ao frio extremo do Ártico, os quais serão utilizados nas plataformas de petróleo. Todo esse recurso empregado, que atingirá somas bilionárias, tem o objetivo de explorar depósitos em áreas litorâneas, com capacidades estimadas em 28 bilhões de barris de petróleo, 31 bilhões de barris de gás natural liquefeito, além dos incríveis 356 bilhões de metros cúbicos de gás, segundo estudos do United States Geological Survey (USGS).

A pesquisa também demonstra que a capacidade estimada total, ainda inexplorada para o Ártico, irá atingir mais de 90 bilhões de barris de petróleo, abrangendo não só os já citados depósitos da Federação Russa, mas, também, áreas do Estado norte-americano do Alasca, áreas do Canadá, Groelândia, Noruega, além de pontos ultramarinos não pertencentes à nação alguma, representando cerca de 20% do total da capacidade mundial.

Putin no Ártico

De olho nesse vácuo geopolítico das regiões inexploradas, a Federação Russa já vem reivindicando desde  2001 uma ampliação de suas fronteiras marítimas em 1,2 milhão de quilômetros quadrados para melhor exploração dos recursos naturais, pois, atualmente, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (norma da ONU de 1982), um país pode explorar economicamente os recursos naturais e os combustíveis fósseis que estiverem até 370 quilômetros de sua costa, sendo que, se essa nação apresentar evidências geológicas de que sua plataforma continental* se estenda além desta distância, poderá reivindicar o direito de ampliação do território a ser explorado. Em 2015, a ratificação do pedido de estender sua fronteira marítima foi suportada por testes sísmicos, exames de solo e outros dados científicos apresentados à Comissão da ONU de Limites da Plataforma Continental (CLCS – Commission on the Limits of the Continental Shelf), considerando que a cordilheira Lomonosov e o cume Mendeleiev são continuação da plataforma continental da Sibéria, que se encontra dentro do território russo.

Outro ponto importante na exploração econômica da região seria a ampliação de rotas marítimas comerciais no Mar do Norte, que se configura como uma alternativa à tradicional travessia pelo Canal de Suez, no Egito. Com o aquecimento global, as calotas de gelo que cobrem o extenso litoral ártico da Rússia tiveram sua espessura consideravelmente reduzida, permitindo um tráfego de navios de uma maneira muito mais fluída. Tomemos, como exemplo, uma viagem comercial, via Canal de Suez, entre Roterdã, na Holanda, até Ulsan, na Coreia do Sul, com aproximadamente 20 mil quilômetros de distância e um tempo de travessia em torno dos 70 dias. A mesma viagem, pela rota do Ártico, percorreria uma distância de 14,8 mil quilômetros (26% menor) e levaria em torno de 60 dias para chegar ao destino. Isto posto, além da economia de combustível, entre outros insumos, também poderia evitar o número de casos de pirataria, tão comuns na região entre a Indonésia, Malásia e costa da Somália. Em termos comerciais, levaria à uma redução considerável dos fretes e muito provavelmente a um aumento no número dessas trocas comerciais.

Rota marítima do Ártico

Com o intuito de reforçar sua soberania na região e colocar regras de navegação comercial ao longo da Rota Marítima do Norte, o presidente russo Vladimir Putin assinou uma nova lei que irá mudar o transporte de petróleo no Ártico, onde somente navios russos terão direito exclusivo de utilização do percurso. Esta norma entrará em vigor em 31 de dezembro de 2018. A partir desta data, a rota será fechada para os navios com bandeiras estrangeiras. No entanto, isso não significa que a Rússia esteja fechando completamente a entrada para empresas de outros países. Uma empresa estrangeira, se for registrada sob a bandeira russa, poderá passar ao longo da rota como em qualquer outra parte do Ártico.

Para garantir a efetividade das operações sob condições tão extremas de frio, tanto para a exploração dos recursos naturais, como para a utilização da nova rota marítima, os russos estão construindo a maior e mais forte frota de quebra-gelos do mundo. Em maio de 2015, eles tinham pelo menos 14 quebra-gelos em construção e mais outros em planejamento. Um dos projetos, o LK-60, com 173 metros de comprimento, um navio quebra-gelo movido a energia nuclear, será o maior navio do gênero no mundo, e será capaz de romper camadas de gelo com três metros de espessura. A Rússia está planejando a construção de, pelo menos, dois destes navios, com datas operacionais esperadas para o final de 2019 e final de 2020, respectivamente. Outro projeto em andamento é o LK-25, que será o maior navio quebra-gelo movido a diesel do mundo, capaz de atravessar calotas de gelo com dois metros de espessura. No geral, a Federação Russa tem mais de 40 quebra-gelos, significativamente mais do que qualquer outro país. Os Estados Unidos, por comparação, têm apenas um quebra-gelo pesado operacional em serviço.

Todo o processo de desenvolvimento econômico da região do Ártico será acompanhado também pelo reforço e modernização da infraestrutura militar russa no local, pois, apesar de ser o detentor da maioria do espaço geográfico e dos recursos de infraestrutura, a Rússia não estará sozinha nesta empreitada, tendo como “competidores” países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que cada vez mais estão interessados na exploração não só das riquezas da região, como também na localização estratégica que o Ártico apresenta.

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Notas:

* Em oceanografia, geomorfologia e geologia, chama-se plataforma continental à porção dos fundos marinhos que começa na linha de costa e desce com um declive suave até o fundo marinho mais pronunciado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Plataforma de petróleo russa no Ártico” (Fonte):

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Imagem 2 Região do Ártico” (Fonte):

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Imagem 3 Putin no Ártico” (Fonte):

https://sputniknews.com/russia/201703301052132811-putin-franz-joseph-land/

Imagem 4 Rota marítima do Ártico” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

O futuro do agronegócio na Rússia

Apesar de sua grande extensão territorial (17,1 milhões de km2), a Federação Russa possui relativamente poucas terras aráveis, devido a condições climáticas desfavoráveis que englobam principalmente a região norte do país, as quais são destinadas exclusivamente à criação de gado. Contudo, a Rússia detém cerca de 10% das terras agrícolas do mundo, e apresenta um PIB (Produto Interno Bruto) projetado em 2018 para o setor em torno de 60 bilhões de dólares (aproximadamente 4% do PIB total russo).

Colheita de trigo

Com cerca de 35 milhões de hectares de terras a serem utilizadas para o plantio, a Rússia tem um enorme potencial para expandir a produção agrícola, e isso se potencializou com o acontecimento de alguns processos internacionais que se abateram sobre o país. Segundo o Financial Times (2017), quando a União Europeia e os EUA impuseram sanções a partes da economia da Federação Russa, após a alegada participação na crise na Ucrânia em 2014, algumas autoridades locais retrataram o bloqueio como uma oportunidade. Juntamente com um rublo em queda, previu-se que essa medida externa potencializaria o desenvolvimento do negócio nacional, incentivando a substituição de importações e tornando as exportações mais competitivas. As medidas limitadoras impostas pelo governo russo serviram como cobertura para avançar um objetivo estratégico que ele já havia estabelecido: tornar a Rússia cada vez mais autossuficiente em alimentos.

Com grandes investimentos em tecnologias, equipamentos e técnicas de plantio, a Rússia apresentou uma safra recorde de grãos em 2016, com cerca de 119 milhões de toneladas produzidas, sendo que o país se especializaria na produção de trigo (cerca de 61% do total), segundo relatório da FSSS russa (Federal State Statistic Service) para aquele ano, seguido de cevada (15%) e milho (13%), fazendo com que a nação não só atendesse a necessidade de consumo interno, como também voltasse sua produção excedente para o mercado externo.

Campo de trigo

Segundo os dados atuais (2018) do Serviço Federal de Alfândegas (FTS) e do Ministério da Agricultura russos, o volume da exportação de grãos já é 50% superior ao ano passado (2017). Isso significa que a Rússia não apenas é o líder global nesse setor, mas também está “expulsando” seus concorrentes europeus e norte-americanos do mercado, tendo como principais importadores desses produtos o Egito, a Turquia, a China e a Coreia do Sul, além de novos mercados, como Marrocos e Senegal (que pertenciam a França), Nigéria, Bangladesh, Indonésia e também o México (que tradicionalmente importa grãos dos EUA).

Para manter essa privilegiada posição mundial, o próximo passo da Federação Russa vai ser a autossuficiência em sementes. Muitos agricultores utilizam sementes especializadas, criadas para resistir a pragas, doenças e secas, porém, para algumas safras, mais da metade delas provém de produtores estrangeiros, como a Monsanto e a Syngenta, que dominam o mercado global. Empresas russas, entre elas a Ros Agro, querem diminuir essa dependência das importações, criando suas próprias sementes e cruzando com novas variedades, atingindo características desejadas, o que acarretaria em benefícios enormes com até 20% de aumento nos rendimentos das safras, segundo Pavel Volchkov, chefe de engenharia genômica do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trigo” (Fonte):

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Imagem 2 Colheita de trigo” (Fonte):

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Imagem 3 Campo de trigo” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia como mediador no conflito entre Irã e Israel

Com forte atuação político-militar dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, a Rússia poderá ser projetada como possível mediadora de acordos de não agressão entre as duas nações, segundo analistas internacionais. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos nos últimos dias estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção, e que, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente afetariam os interesses russos não só na Síria, mas em toda aquela área, levando o Kremlin a tomar uma posição mais radical.

Ataque israelense contra Síria

A causa desse desequilíbrio regional teve início com um dos maiores conflitos fronteiriços dos últimos anos na região, sendo que, num primeiro momento, no dia 8 de maio, forças armadas de Israel foram colocadas em alerta máximo após, supostamente, detectarem movimentos militares iranianos irregulares dentro do território sírio, o que levou, a um ataque aéreo preventivo contra um depósito de armas na cidade de Kiswah, sul de Damasco, causando a morte de nove combatentes da Guarda Revolucionária Iraniana e mais outros seis integrantes de milícias xiitas pró-iranianas, segundo informações do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Em resposta ao ataque, forças iranianas baseadas na província de Quneitra, sudoeste de Damasco, lançaram, nas primeiras horas do dia 10 de maio, 20 mísseis do tipo Grad e Fajr em direção das Colinas de Golan, região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexada ao território em 1981.

Mapa Colinas de Golan

Segundo informações do Exército Israelense, os danos causados por esse ato foram minimizados pela ação do sistema de defesa antimísseis Iron Dome e não houve relato de pessoas feridas.

A resposta de Israel veio logo em seguida, com o ataque massivo a dezenas de alvos militares iranianos na Síria, entre eles, centros de inteligência, bases militares, armazéns, e um veículo Pantsir-S1, que servia como plataforma de lançamento de mísseis terra-ar.

A tarefa de Vladimir Putin para minimizar esta disputa geopolítica será deveras desgastante, devido ao fato da dificuldade de colocar estes dois inimigos mortais juntos numa mesa de negociação, sendo que, por um lado, o Irã tem demonstrado, repetidas vezes, aversão a existência do Estado judeu e, por outro lado, Israel se opõe drasticamente a presença de tropas iranianas no território sírio, localizadas muito próximas a sua fronteira, além de ter demonstrado total apoio aos Estados Unidos em se retirar do acordo nuclear com o Irã, o que, na visão de analistas internacionais, foi fato potencializador de discórdia, no que se refere aos últimos conflitos entre os dois países.

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Fontes das Imagens:

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Imagem 2 Ataque israelense contra Síria” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia lança usina nuclear flutuante

Com a intenção de inaugurar uma nova era no ramo de geração de energia, em 28 de abril de 2018, a Rússia lançou ao mar, no porto de São Petersburgo, a primeira Unidade de Energia Nuclear Flutuante do mundo, ultrapassando os Estados Unidos, que, desde a década de 1970, vinha tentando implantar tal tecnologia e foram suplantados pela enorme resistência de autoridades governamentais.

Símbolo da Rosatom

Batizada com o nome de um cientista russo do século 18, Akademik Lomonosov, o FNPP (do inglês Floating Nuclear Power Plant) tem como proposta ser uma unidade de geração de energia móvel que diminuirá custos de construção de usinas nucleares em localidades de difícil acesso terrestre dentro do país, como vai ser o caso do Distrito Autônomo de Chukotka, localizado no extremo nordeste da Rússia, que será o destino desta unidade, sendo que, futuramente, poderá ser transferida para qualquer local que se faça necessário.

O custo total do projeto, desde o início da construção da unidade em 2009, à fase de transporte e, finalmente, o assentamento no local pré-determinado no Oceano Ártico, ficará em torno de 30 bilhões de rublos (cerca de 1,7 bilhão de reais) e terá a participação de várias agências estatais russas, como é o caso da Agência Federal para Transporte Marítimo e Fluvial da Rússia (Rosmorrechflot), a Empresa Estatal Rosenergoatom Concern (responsável pelo ciclo de vida de todas as usinas nucleares russas) e a Corporação Estatal de Energia Nuclear Russa (Rosatom – responsável pela construção da usina).

Num primeiro momento da “viagem” da plataforma ela percorrerá uma rota marítima junto às costas da Escandinávia, Estônia, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Noruega, e não carregará nenhum tipo de combustível nuclear, segundo acordos internacionais entre os países, sendo que terá somente seus dois reatores KLT-40S de 35 megawatts cada, abastecidos no local de destino, em 2019, evitando, assim, algum tipo de problema de segurança que possa ocorrer e, quando em funcionamento, poderão gerar energia elétrica e térmica suficiente para abastecer uma cidade com aproximadamente 100 mil habitantes.

Usina nuclear flutuante da Rússia II

Com essa nova modalidade de usina nuclear surgem também as manifestações contrárias ao seu desenvolvimento, especialmente por parte de Organizações Não Governamentais que têm forte apelo à proteção do meio ambiente e veem uma grande possibilidade de que esta nova tecnologia não apresente mecanismos de segurança o suficiente para se manter intacta aos efeitos de ciclones ou tsunamis, ocasionando acidentes nucleares de grandes proporções, como o ocorrido em Chernobyl no ano de 1986.

O Kremlin garantiu que os processos de segurança, tanto no transporte como na operação da usina flutuante, respeitam as mais rígidas normas internacionais de segurança e se utilizará desta nova tecnologia para dar suporte aos meios de exploração de reservas de hidrocarbonetos na Sibéria.

Segundo especialistas em Direito Internacional, a utilização de novas tecnologias em usinas nucleares é garantida no tocante de que as economias dos países estão alicerçadas sob a base da segurança energética, cabendo a cada um deles a escolha da futura matriz energética substitutiva da atual, cujas fontes primordiais são o petróleo e o gás natural, e que a construção de usinas flutuantes nucleares pela Federação Russa, a princípio, tem viés de autodeterminação desta nação, cabendo apenas a submissão às normas internacionais referentes à energia nuclear e, vale lembrar, que o argumento usado para o desenvolvimento de tal tecnologia é puramente pacífico, pois intenciona levar energia elétrica à regiões inóspitas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina nuclear flutuante da Rússia” (Fonte):

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Imagem 2 Símbolo da Rosatom” (Fonte):

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Imagem 3 Usina nuclear flutuante da Rússia II” (Fonte):

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