EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

PAK-DA: Novo bombardeiro estratégico russo

Com o intuito de revitalizar seus esquadrões de bombardeiros que estão em atividade desde a era soviética, e que, futuramente, precisarão de substituição para atendimento às demandas por equipamentos mais avançados, o Governo russo está acelerando o programa de pesquisa e desenvolvimento para a produção do moderno sistema de aviação de longo alcance para a próxima década, denominado PAK-DA.

Tupolev TU-160

O projeto do novo bombardeiro subsônico de 5ª geração foi iniciado em 2014, quando a Rússia comemorava 100 anos da sua aviação de longo alcance, com o objetivo de elaborar uma aeronave que apresentasse poder bélico-militar homólogo ao do seu “rival” norte-americano, também em processo de desenvolvimento, denominado B-21, que está sendo construído pela empresa de aviação Northrop Grumman Corporation, como parte do programa LRS-B (Long Range Strike Bomber). Segundo a Administração da Presidência dos EUA, a possível construção do bombardeiro stealth* Tupolev PAK-DA é listada como um sistema de desenvolvimento que poderá ser uma ameaça no futuro, de acordo com sua Revisão da Postura Nuclear (NPR – Nuclear Posture Review).

Atualmente, o design e organização da produção do novo bombardeiro está sob responsabilidade da Fábrica de Aviação de Kazan (KAZ), que vem trabalhando paralelamente com a empresa de defesa e aeronáutica russa Tupolev, no intuito de implementar tecnologia de última geração ao projeto. Segundo fontes de especialistas na área de estratégia militar, além da tecnologia de reflexão de sinais que impedem sua detecção por radares, a aeronave poderá ter uma autonomia de 12 mil quilômetros, o que possibilitará ações de longo alcance com capacidade de carga de até 30 toneladas de armamentos, os quais poderão incluir bombas de gravidade nuclear e mísseis hipersônicos de longo alcance.

O certo é que a implantação desse novo sistema pelo Governo russo vem carregada de enormes desafios, tais como a falta de pessoal altamente qualificado para a construção de uma aeronave com elevada complexidade, que necessita, acima de tudo, desenvolver um motor aeronáutico que atenda às necessidades do projeto. Segundo Nikolai Savitskih, diretor geral da KAZ, desde 2017 vem sendo elaborado, sob a avaliação do Kremlin, um programa de metas abrangentes para treinamento e retenção de pessoal para atendimento ao programa que custará, até 2025, em torno de 2,6 bilhões de rublos (pouco mais de R$ 142 milhões).

Outro ponto levantado é sobre a real necessidade de se investir uma soma exorbitante de recursos em um novo projeto, sendo que existe já em andamento a construção do novo bombardeiro TU-160 M2 Blackjack em substituição ao TU-160*, que necessitaria apenas de motores mais potentes para a sua operação e, no lugar do investimento em tecnologia para um bombardeiro furtivo, poderia ser direcionada apenas uma fração desses valores em mísseis furtivos de longo alcance, os quais seriam embarcados em bombardeiros convencionais.

De acordo com Michael Kofman, especialista em assuntos militares russos do Centro de Análises Navais, até o momento, o programa PAK-DA ainda se trata de pesquisa e desenvolvimento e o seu sucesso depende da capacidade financeira da Rússia em desenvolver novas tecnologias inerentes à demanda desse projeto. Então, posto isso, haverá uma possibilidade real de iniciar a produção da PAK-DA no final da próxima década.

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Notas:

* No âmbito militar, significa a capacidade de manipular a forma de detecção de um veículo aéreo em todo o seu espectro eletromagnético, com o intuito de diminuir a eficiência dos radares capazes de realizar sua rastreabilidade, que pode ser feita pela assinatura de radiofrequência, infravermelho, eletro-óptica, visual ou acústica. A tecnologia não faz a aeronave totalmente invisível, mas pode tornar sua detecção extremamente difícil.

** Maior e mais veloz bombardeiro russo que entrou em operação em 1987. Teve sua fabricação restrita à poucas unidades, devido cortes orçamentários sob os efeitos das políticas reformistas levadas a cabo pelo Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, de 1985-1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 2 Tupolev TU160” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/17/Tu-160_at_MAKS_2007.jpg/300px-Tu-160_at_MAKS_2007.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia volta a importar carne brasileira

No último dia 31 de outubro (2018), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Blairo Maggi, anunciou que a Rússia voltará a importar carne brasileira de acordo com a avaliação positiva do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Federação Russa (Rosselkhoznadzor) sobre as medidas tomadas para eliminar as violações identificadas que afetaram a qualidade dos produtos brasileiros.

Para se entender esse embargo é preciso retornar a 20 de novembro de 2017, quando o serviço federal russo notificou o Governo brasileiro acerca da imposição de restrições temporárias sobre a compra de carne bovina e suína e que se efetivariam a partir de 1º de dezembro do mesmo ano.

Carcaças de suínos

O principal motivo para a suspensão do comércio de carne entre os dois países se baseou em análises laboratoriais que constataram traços de um determinado estimulante de crescimento animal conhecido como ractopamina* que, de acordo com a legislação russa, seu uso e comercialização é expressamente proibido, pois impacta diretamente na segurança do consumidor final e no mercado interno de alimentos.

Países como China, Malásia e União Europeia também proíbem o emprego de tal substância e limitam a aquisição comercial das carnes provenientes de nações que se utilizam da mesma, tendo como ressalvas a possibilidade de causarem efeitos colaterais graves como o aumento da pressão arterial, tontura, taquicardia, hiper ou hipoglicemia e até mesmo provocar efeitos carcinogênicos e danos cromossômicos.

A notícia do restabelecimento comercial, que poderá ocorrer ainda no mês de novembro deste ano (2018), foi muito aplaudida por instituições representativas, produtores pecuaristas e pelo próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que se uniram numa força-tarefa para reverter o impacto negativo e resgatar a relação comercial entre os dois países.

O Brasil é o segundo maior produtor de carnes do mundo, com 9,3 milhões de toneladas anuais (15,4% do total mundial – dados de 2017), segundo o USDA (United States Department of Agriculture) e a FAO (Food and Agriculture Organization) – órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), e tem a Rússia como consumidor de 10% dessa produção, sendo que, somente no consumo de carne suína, os russos respondem por 40% do volume exportado e 50% da receita arrecadada, o que, com o restabelecimento das exportações, irá possibilitar a retomada das vendas perdidas dos principais frigoríficos** fornecedores desse produto.

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Notas:

* Aditivo alimentar beta-agonista utilizado na fase final da criação de suínos e bovinos (28 dias antes do abate) que provoca uma modificação metabólica que reduz índices de gordura e aumenta a massa muscular e, consequentemente, os índices de carne em torno de 10 a 15% de rendimento com o mesmo consumo de ração, ou seja, melhora no ganho de peso, melhora na conversão alimentar do animal e melhora na rentabilidade do produtor.

** Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Agra Agroindustrial de Alimentos S/A; Alibem Alimentos S/A; Adelle Indústria de Alimentos Ltda; Minerva S/A; Cooperativa Central Aurora Alimentos; Frigorífico Astra do Paraná Ltda; Frigorífico Vale do Sapucaí Ltda.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Carnes em açougue” (Fonte):

http://www.agricultura.gov.br/noticias/russia-retoma-compras-de-carne-suina-e-bovina-do-brasil/carne-brasileira.jpg/@@images/a3c4ca54-27f4-4d06-940f-1ca1da94a91f.jpeg

Imagem 2 Carcaças de suínos” (Fonte):

https://www.embrapa.br/bme_images/m/175280040m.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

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Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Kalashnikov: EUA estuda possibilidade de fabricar fuzil russo em solo americano

Um dos símbolos da extinta União Soviética, o fuzil automático AK-47*, está sendo estudado para que tenha sua fabricação realizada dentro do território norte-americano, segundo declarações do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM – United States Special Operations Command), órgão encarregado de supervisionar as várias operações dos comandos de forças especiais que fazem parte do Exército, da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros Navais, das Forças Armadas dos EUA.

Desde maio de 2016, o Comando Militar já havia se posicionado sobre o assunto, quando publicou uma solicitação de “fontes procuradas” para armas não-padrão em um site de contratação federal. Em abril do mesmo ano, o Comando postou um aviso semelhante para munição de arma não padrão. O termo “não padrão” é usado para armamentos que não são frequentemente utilizados pelos Estados Unidos ou seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Logotipo da empresa Kalashnikov

Especificamente, o USSOCOM quer que as empresas americanas explorem se é viável fazer engenharia reversa ou reengenharia e produzir internamente tal armamento com o objetivo de desenvolver uma capacidade doméstica inovadora para produzir “réplicas” em pleno funcionamento de armas fabricadas no exterior que sejam iguais ou melhores do que está sendo produzido internacionalmente, segundo a proposta do Centro de Pesquisas em Pequenas Empresas (SBIR – Small Business Innovation Research), departamento ligado à USSOCOM.

Considerada por analistas militares como a “senhora da guerra”, o fuzil de assalto AK-47 é a mais letal e a mais produzida arma de combate individual na história, pois, segundo registros internacionais, foram fabricados mais de 100 milhões de unidades, tendo equipado mais de 50 Exércitos Nacionais em todo o mundo. Ainda sob o regime soviético, a manufatura do fuzil foi compartilhada entre mais de 10 países comunistas que ganharam licença de produção e, atualmente, a China se apresenta como maior produtora, tendo como principais clientes diversos países do continente africano.

O Governo russo, juntamente com representantes da empresa JSC Kalashnikov Concern**, fabricante do fuzil, deixou claro a preocupação sobre a alta proliferação de fabricantes não licenciados espalhados mundialmente, o que representa um alto risco contra a qualidade e os direitos autorais do armamento original, a reputação da empresa russa, além da facilitação do contrabando e desvio para grupos rebeldes em todo o mundo.

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Notas:

* Denominação do fuzil de assalto russo calibre 7.62x39mm: A de automático, K de Kalashnikov (criador do projeto – Mikhail Kalashnikov) e 47 (ano do início de fabricação – 1947).

** Indústria russa do ramo de defesa localizada na cidade de Ijevsk, cerca de 900km de Moscou, capital da Rússia. A empresa é controlada majoritariamente pelo grupo Rostec, que detêm 51% de participação acionária, seguida por investidores privados que possuem os outros 49%. Seus principais produtos são armas automáticas leves, veículos blindados e tecnologia robótica militar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exposição de armas Kalashnikov” (Fonte):

https://en.kalashnikov.media/photo/weapons/gosti-mezhdunarodnogo-voenno-tekhnicheskogo-foruma-armiya-2018

Imagem 2 Logotipo da empresa Kalashnikov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ea/KalashnikovConcern.svg/1200px-KalashnikovConcern.svg.png

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Reconstrução da Líbia poderá ter Rússia como protagonista

Devastada pela guerra civil em 2011, após os eventos da Primavera Árabe*, a Líbia, país localizado no norte do continente africano, enfrenta uma das piores situações internacionais da atualidade, onde a nação se encontra mergulhada no caos e na violência. O Governo sofre sérios problemas institucionais e, segundo especialistas, há mais de uma centena de grupos armados a disputar o poder colocando o país dentro de um turbulento processo no qual reinam o tráfico de drogas, armas e pessoas e, nos últimos anos, o país tornou-se uma das principais rotas dos refugiados que rumam à Europa. 

Localização da Líbia no continente africano

Desde 2014, o Estado está dividido ao meio, com uma autoridade no Leste, sob o controle do Parlamento em Tobruk e a tutela do marechal Khalifa Hafter, e outra em Trípoli, sustentada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e representada pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj. Em novembro de 2017, os comitês negociadores dos dois lados começaram a direcionar conversações no intuito de estabelecer um processo democrático, com a formação de um novo Conselho Presidencial para preparar o país para eleições presidenciais, legislativas e municipais.

Aref Ali Nayed, candidato à Presidência, já sinalizou um grande interesse de que a Rússia seja um protagonista na reconstrução do país, no encontro realizado com o líder do Partido Democrático Liberal russo, Vladimir Zhirinovsky, em 24 de setembro de 2018, declarando: “Eu quero que a Rússia […] tenha um papel importante na reconstrução da Líbia. Porque nosso Estado precisa de forças militares — exército, polícia e serviços de inteligência — e uma parceria estratégica com a Rússia, especialmente na cooperação no campo da produção de petróleo e exportações, assim como na construção de infraestrutura”.

Enfatizou ainda, ao acrescentar em seu pronunciamento, que a Líbia necessita do suporte dos russos tanto em questões domésticas quanto nas questões internacionais, juntamente com a ajuda da China e da ONU, no intuito de evitar possíveis intervenções do Ocidente. A eleição presidencial da Líbia está marcada para acontecer no dia 10 de dezembro de 2018.

 

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Nota:

* Foi uma série de revoltas populares que eclodiram em mais de 10 países no Oriente Médio e na região norte da África. A Tunísia foi o berço de revoluções que se espalharam pelas nações vizinhas, em oposição às altas taxas de desemprego, precárias condições de vida, corrupção e governos autoritários.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ruínas da cidade de Sirte na Líbia” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/08/6879903205_4be881db20_b.jpg

Imagem 2 Localização da Líbia no continente africano” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/07/Libya_%28orthographic_projection%29.svg/270px-Libya_%28orthographic_projection%29.svg.png

                                                                                              

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Trigo russo enfrenta os agricultores norte-americanos e avança no mercado

Detentora de aproximadamente 10% das terras aráveis do mundo, e com um plano estabelecido, desde 2001, de se tornar o maior país produtor de trigo do planeta, a Federação Russa vem estabelecendo recordes de exportação, “expulsando” os concorrentes europeus e norte-americanos do mercado, tendo como principais importadores o Egito, a Turquia, a China e a Coreia do Sul, além de novos mercados como Marrocos e Senegal (que pertenciam a França), Nigéria, Bangladesh, Indonésia e também o México (que tradicionalmente importa grãos dos EUA).

Tabela USDA – Produção de trigo

Em seu último boletim informativo, expedido em agosto de 2018, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – United States Department of Agriculture) apresentou a projeção comparativa para a safra 2018/19, na qual as exportações de trigo da Rússia atingiram 35 milhões de toneladas contra as 27,9 milhões dos EUA (aprox. 25,4% acima).

Essa diferença entre os dois países, não só na exportação, mas também na produção agrícola, se dá, segundo especialistas, pela diminuição da participação dos agricultores americanos no comércio mundial de grãos, que caiu de 65%, em meados da década de 70, para 30%, hoje. A existência de mais produtores e mais compradores em todo o mundo também significa mais interrupções potenciais por causa do clima, fome ou crises políticas.

Outro ponto importante que contribuiu para este distanciamento produtivo foi a consequência, mal calculada pelo governo norte-americano, de suas sanções econômicas impostas sobre a Federação Russa. Por conta delas, a desvalorização do rublo tornou o preço do trigo russo mais atraente aos compradores estrangeiros, ao mesmo tempo em que a qualidade desse produto aumentou significativamente, devido a melhorias em técnicas de plantio e desenvolvimento de novos tipos de sementes para fugir dos preços especulativos das corporações globais, tais como Monsanto e Syngenta.

A política migratória adotada pelo atual governo dos EUA também forçou a diminuição da produção agrícola interna, visto que há mais de 30 anos são empregados imigrantes ilegais para realizar o “trabalho pesado” nos campos de trigo e estes foram massivamente deportados para seus países de origem, causando falta de mão-de-obra neste setor.

Com essa diminuição da oferta de grãos, fazendas agrícolas norte-americanas começaram a apresentar pedidos de falência por não estarem conseguindo se adequar aos cenários político-econômicos atuais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Colheita de trigo” (Fonte):

https://images.freeimages.com/images/large-previews/90a/harvesting-1325831.jpg

Imagem 2 Tabela USDAProdução de trigo” (Fonte):

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/usda/219120-trigo-usda-reduz-safra-e-estoques-finais-globais-da-temporada-201819.html#.W7FHCntKjIW