ÁFRICAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A volta da Rússia ao continente africano

Logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mundo seria testemunha de um embate político-ideológico entre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA), que seria denominado historicamente como Guerra Fria*, o qual afetou de maneira incisiva os desígnios de grande parte das nações que se colocaram ao longo do percurso do rolo compressor dessa bipolaridade.

Continente africano

Segundo historiadores, um dos palcos mundiais onde o predomínio das duas superpotências teve grande repercussão foi o continente africano, devido aos inúmeros conflitos causados por uma combinação de componentes ideológicos, econômicos e étnicos, e que tinham como principal meta a quebra de laços “colonialistas” e “imperialistas”, sendo que, a partir da necessidade de suporte econômico e militar para assegurar esse processo de mudança, diversos países africanos absorveram influências soviéticas entre as décadas de 1950 e 1980.

Apesar de a Rússia já ter se inserido na região de forma político-militar em outras ocasiões, como foi a participação da Rússia Imperial no caso da Guerra Anglo-Boer** (1899-1902), a partir da Guerra Fria, a União Soviética, logo, também a Rússia, como a principal República da URSS, começou a visualizar o continente africano como um espaço territorial propício para se instalar, não só por meio de um processo de assistência à luta libertária de vários países africanos, mas, também, para o estabelecimento de relações diplomáticas e econômicas que pudessem romper seu isolamento marítimo que era imposto pelas nações ocidentais, valendo-se de localidades que serviriam como bases militares para possibilitar a projeção do seu poder bélico e, a partir de sua presença nesses territórios, poder vislumbrar uma possível perda ou redução da influência ocidental na região.

Sergey Lavrov visita presidente da Namíbia, Hage Geingo

Com o passar do tempo, de acordo com o politólogo e internacionalista Zbigniew Brzezinski***, a inserção político-econômica soviética se mostrou inadequada para influenciar decisivamente o desenvolvimento econômico interno no continente africano. A má administração local, a corrupção e os deslocamentos pela ruptura repentina de relações econômicas com os antigos poderes coloniais produziram fracassos econômicos de ampla escala na maioria desses países, levando a União Soviética a entrar num processo de seletividade geopolítica, culminando com um afastamento de seus antigos aliados africanos no governo de Mikhail Gorbatchov, o último líder da URSS, entre 1985 e 1991.

Após mais de um quarto de século desde a queda da União Soviética e o abrandamento das relações com o continente africano, o atual Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, diante de mudanças no equilíbrio global de forças e da solidificação dos processos democráticos em vários países africanos, vem pautando uma reaproximação diplomática no intuito de expandir as relações político-econômicas com vários de seus antigos aliados. Com isso, em março de 2018, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, iniciou uma verdadeira maratona de visitas à Angola, Zimbábue, Namíbia, Moçambique, Etiópia e Ruanda no intuito de estreitar laços em áreas como educação, energia (petróleo, gás e energia nuclear) e cooperação militar, além de formar parcerias na exploração de recursos minerais como o manganês, o cromo e o urânio, que são abundantes neste continente e necessários à economia russa. Nessa reaproximação dos dois blocos globais, existem críticos que dizem que os Estados africanos devem estar atentos às oportunidades e armadilhas desta situação e precisam ver o interesse da Rússia dentro de um contexto estratégico mais amplo. Em meio a uma nova “luta pela África”, os formuladores de políticas africanas devem explorar uma atenção renovada de maneira vantajosa, em vez de se tornarem vítimas do “xadrez geopolítico”, como foi anteriormente o caso. Nesse sentido, acredita-se que a intermediação de acordos favoráveis será fundamental para determinar o sucesso do próximo capítulo nas relações russo-africanas.

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Notas:

* Designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991), constituindo-se num conflito de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência. É chamada “fria” porque não houve uma guerra direta entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

** A Segunda Guerra Boer (ou dos bôeres), travada entre 11 de outubro de 1899 e 31 de maio de 1902, foi um conflito militar entre o Império Britânico e as duas nações Bôer, a República Sul-Africana (ou República de Transvaal) e o Estado Livre de Orange, sobre o domínio da África do Sul. Ficou conhecida também simplesmente como Guerra Boer ou Guerra Anglo-Boer. Na época, ainda como Império Czarista (1721-1917), a Rússia enviou tropas e armas para auxiliarem os Boers em sua luta contra o Império Britânico. O termo Boer se refere aos descendentes dos colonos calvinistas provenientes dos Países Baixos (Holanda), e também da Alemanha e Dinamarca, além de huguenotes franceses (protestantes franceses), que colonizaram a África do Sul e rivalizaram com os britânicos.

*** Zbigniew Kazimierz Brzezinski (1928-2017) foi um cientista político, geopolítico e estadista estadunidense, de origem polonesa. Brzezinski serviu como Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981

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Bibliografia Consultada:

ARAUJO, Kelly Cristina Oliveira. Um breve balanço da influência russo-soviética na África Austral (1919 a 1975). 2015.

Disponível em: http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1427579787_ARQUIVO_Umbalancodainfluenciarusso_africa_Kelly_Araujo.pdf (Acesso em: 22 de junho de 2018).

FRANCISCON, Moisés Wagner. Ascensão e queda do império soviético na África: 1950-1991. 2012.

Disponível em: http://revista.unicuritiba.edu.br/index.php/RIMA/article/view/497 (Acesso em: 21 de junho de 2018).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da África” (Fonte):

https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRcGSjBKFBTh1hXBqKZLKv81ZfnIZzx8qoOvFo2NabBBqQsoHOj

Imagem 2 Continente africano” (Fonte):

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Imagem 3 Sergey Lavrov visita presidente da Namíbia, Hage Geingo” (Fonte):

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acordo político entre Rússia e Israel

Em 11 de julho de 2018, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em menos de seis meses, realizou sua terceira visita à Federação Russa, reforçando laços diplomáticos com o presidente Vladimir Putin, estabelecendo um acordo de cooperação que limitará a presença de tropas iranianas dentro do território sírio e que se encontram próximas de locais sob o controle de Israel nas Colinas de Golan*.

Mapa Colinas de Golan

Para se entender este “pedido de ajuda” por parte do governo israelense ao Kremlin, é necessário retroceder no tempo dentro do já longo conflito na Síria, uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas** ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad e se transformou num enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita e também Israel estão cada vez mais envolvidas.

O reclamado Irã era a principal nação que dava suporte ao governo sírio, antes da entrada da Rússia no conflito, em 2015, evitando a queda de Assad diante da ameaça dos rebeldes e terroristas, fornecendo dinheiro, armas, informações de inteligência, além do envio de conselheiros militares, como também tropas para a Síria que são formadas por membros da Guarda Revolucionária, por milícias xiitas e pelo grupo libanês Hezbollah, que é fortemente apoiado pelo Irã. Segundo analistas internacionais, a aliança bélica entre Irã e Síria há tempos se baseia em objetivos comuns, como a contenção da influência norte-americana na região, além do enfraquecimento de Israel dentro do Oriente Médio.

Por sua vez, o reclamante Israel apresenta o temor da contínua presença da Guarda  Revolucionária iraniana e de combatentes leais a Teerã na Síria, mas, acima de tudo, sua maior preocupação se baseia na possibilidade de a milícia libanesa Hezbollah se estabelecer nas Colinas de Golan, na fronteira sírio-israelense, e executar ataques militares ao país a partir daí.

A Rússia, como agente geopolítico com forte atuação dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, deverá atuar como mediador e direcionar as melhores práticas para que o equilíbrio sistêmico regional tenha sua efetividade garantida. O acordo celebrado entre Netanyahu e Putin, segundo fontes internacionais, deixa claro que a democratização da região ficará em segundo plano com a indiferença de Israel sobre a forma de governo de Bashar al-Assad, desde que a Rússia cumpra o seu papel de distanciar as tropas iranianas das fronteiras israelenses, ou até mesmo eliminar sua presença do território sírio.

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Notas:

* Região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, e anexada ao território em 1981.

** Seguidores da ¨jihad”, palavra que significa “esforço” ou “luta”. Aqueles que entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Os grupos jihadistas mais conhecidos são a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 2 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Gazprom e a Copa do Mundo da Rússia

Durante os jogos da Copa do Mundo da Rússia, um importante participante foi elencado para se apresentar em todas as partidas de futebol, atuando como um dos principais patrocinadores do evento esportivo mais visto do planeta. A Gazprom, maior empresa da Federação Russa e maior exportadora mundial de gás natural, teve seu nome projetado aos bilhões de telespectadores ao redor do mundo através da mídia futebolística, fazendo com que sua importância no ramo de fornecimento de energia seja notada por aqueles que ainda tem pouco conhecimento sobre ela.

Propaganda da Gazprom

Herdeira direta do ministério soviético da indústria do gás, foi transformada em 1989 por Viktor Stepanovich Chernomyrdin (Primeiro-Ministro Russo entre 1992 e 1998), em um agrupamento econômico estatal submetido ao princípio de autonomia financeira e de gestão, tendo seu capital aberto ao mercado em 1993 e, desde então, a companhia se tornou uma gigante global, focada na exploração, produção, transporte, armazenamento, processamento e venda de gás, gás condensado e petróleo, atuando nos mercados de combustível para veículos, geração e comercialização de calor e energia elétrica.

Tendo o Governo russo como principal controlador (com 50,2% das ações), a Gazprom apresenta atualmente um valor de mercado em torno dos 3,4 trilhões de rublos (cerca de 58 bilhões de dólares) e seus números impressionam por conta de seu tamanho.

Segundo Alexey Miller, presidente da Gazprom, a empresa possui cerca de 17% das reservas de gás existentes no mundo, com uma taxa anual de crescimento maior do que a de extração, tendo, no ano de 2017, batido um recorde no fornecimento mundial, ao exportar para o mercado europeu cerca de 194,4 bilhões de metros cúbicos de gás natural (35,7% da demanda europeia).

Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo

Outro dado que impressiona é o tamanho da rede de gasodutos, que ultrapassa os 170 mil quilômetros, com uma projeção crescente para atendimento, em 2019, de localidades como Sibéria e China.

Diversos analistas internacionais descrevem a Gazprom como uma importante arma geopolítica, devido a sua estratégia mercadológica e sua abrangência internacional, em que a Rússia representa a principal fonte de abastecimento externo da União Europeia, dificilmente substituível no curto prazo, principalmente para países da Europa Central*, onde mais de 70% das importações de gás provêm da Federação Russa.

Em fevereiro de 2018, data comemorativa dos 25 anos de existência da Gazprom, o presidente russo Vladimir Putin exortou o “trabalho colossal” da companhia, que, além de consolidar o setor energético e desenvolver novas tecnologias no mercado interno, ampliou suas capacidades e operações no exterior, marcando presença em 34 países. Putin deixou claro que as empresas do setor de energia têm uma importância significativa para toda a Federação Russa, dizendo que, “sem exageros, a Gazprom é quem dá o tom da economia nacional”.

 

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Nota:

* Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Liechtenstein, Polônia, República Tcheca e Suíça.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Gazprom na Copa do Mundo da Rússia” (Fonte):

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Imagem 2 Propaganda da Gazprom” (Fonte):

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Imagem 3 Dutos de gás com logotipo da Gazprom ao fundo” (Fonte):

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Cúpula de Helsinque reunirá Rússia e EUA

Em meio à um momento crítico nas relações entre Rússia e Estados Unidos, que não se vê desde a Guerra Fria*, foi confirmado, tanto pela Casa Branca, quanto pelo Kremlin, a cúpula bilateral entre estas nações, que ocorrerá em Helsinque, capital da Finlândia, no próximo dia 16 de julho.

Ataque de mísseis em Damasco

A chamada Cúpula de Helsinque colocará frente à frente Donald Trump e Vladimir Putin para discutirem questões inerentes aos diversos acontecimentos que minaram as relações diplomáticas entre seus países nos últimos anos, no intuito de direcionar conversações para a garantia da estabilidade estratégica entre ambos.

Segundo especialistas em política internacional, a lista de eventos que culminaram neste mal-estar entre as partes já se faz longa. Nas últimas duas décadas, tiveram início com as intervenções da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo, em 1999; posteriormente recebe destaque a adesão de ex-repúblicas soviéticas** à Aliança Atlântica, em 2004; vindo depois a ofensiva militar russa contra a Geórgia, em 2008; e, em seguida, a anexação da Crimeia ao território da Federação Russa, em 2014.

Ataque de mísseis em Damasco

Dos vários assuntos que poderão ser abordados nesta reunião, analistas internacionais colocam como mais importantes: 1) a questão da corrida armamentista a ser evitada devido ao fato da modernização dos arsenais russos e hipótese de possível confronto nuclear, já que os antigos instrumentos de controle de conflitos utilizados na época da Guerra Fria não funcionam nos dias atuais; 2) a minimização dos impactos negativos sobre ações diplomáticas, em que, num exemplo recente, o recrudescimento político entre as duas nações foi potencializado pelo evento do bombardeio de Damasco, na Síria, em abril de 2018, pela coalizão formada por EUA, França e Reino Unido, em retaliação ao suposto ataque químico realizado em Duma, região de Ghouta Oriental, por forças militares sírias, alegadamente apoiadas pela Rússia; 3) a questão do futuro das sanções internacionais impostas contra a Federação Russa, por conta das ações militares na Ucrânia e pela anexação da Crimeia, segundo as quais, num primeiro momento, vários  agentes de alto escalão do governo russo foram vítimas de intervenções políticas e, secundariamente, o próprio país se viu isolado economicamente diante de tal processo.

O mais provável, segundo esses observadores, é que existirão críticos a esse encontro, principalmente países aliados aos Estados Unidos que querem isolar Putin, como é o caso do Reino Unido, e aqueles que questionam o comprometimento de Trump com a OTAN e se preocupam com uma possível retomada de laços diplomáticos entre Washington e Moscou. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, a reunião terá enorme importância não só para os dois países, mas também para toda a situação internacional pela qual o mundo passa.

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Notas:

Guerra Fria é a designação de um período histórico de disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a extinção da União Soviética em 1991. A guerra é chamada de fria porque não houve uma guerra ou conflitos diretos entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear.

** A partir de 29 de março de 2004, ex-países comunistas ampliaram o quadro da OTAN sendo, Eslovênia, Eslováquia, Romênia, Bulgária e as ex-repúblicas soviéticas bálticas Estônia, Letônia e Lituânia

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Putin” (Fonte):

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Imagem 1 Ataque de mísseis em Damasco” (Fonte):

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Imagem 3 Trump e Putin no encontro de líderes da Ásia e do Pacífico (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Volgogrado: a cidade histórica da Copa do Mundo da Rússia

Localizada às margens do rio Volga e distante cerca de mil quilômetros a sudoeste de Moscou, capital da Rússia, a cidade de Volgogrado estreou a sua arena de futebol de mesmo nome em 18 de junho de 2018, sediando o jogo entre Inglaterra e Tunísia (partida encerrada em 2 gols à 1, respectivamente), sendo a primeira das quatro disputas que serão realizadas no seu gramado. Apesar do esplendoroso estádio desportivo e dos inúmeros pontos turísticos, pouco é apresentado pela mídia sobre a verdadeira importância desta cidade para a Rússia e, talvez, para o mundo.

Batalha de Stalingrado

Fundada em 1589, recebeu o nome de Tsaritsyn, devido ao rio Tsaritsa que deságua no Volga e, posteriormente, em 1925, durante a grande campanha de mudança de nomes das povoações, a cidade foi rebatizada como Stalingrado, em homenagem ao líder da União Soviética na época, Josef Stalin, sendo o rio renomeado como Pionerka. Anos depois, com o advento da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e o rompimento do pacto de não-agressão* entre a Alemanha Nazista e a União Soviética, a cidade de Stalingrado seria palco da considerada por muitos especialistas como a mais sangrenta batalha militar da história da civilização.

No dia 22 de junho de 1941, o líder da Alemanha, Adolf Hitler, iniciaria a chamada Operação Barbarossa**, nome dado à operação militar da Wehrmacht (Forças Armadas da Alemanha), comandada pelo general Franz Halder, que tinha como objetivo o deslocamento de quase 4 milhões de tropas nazistas para a total aniquilação da União Soviética. O deslocamento militar nazista dentro do território soviético tinha como objetivo não só a invasão da capital Moscou, mas, também, a conquista de territórios localizados ao sul, em busca dos campos de petróleo do Cáucaso***. Na busca pela sobrevivência, o Exército Vermelho estabeleceu uma linha de defesa na cidade de Stalingrado para impedir que as tropas inimigas se apoderassem do território.

Monumento Mãe-Patria Russa

O que ocorreu no segundo semestre de 1942 (cerca de 200 dias) ficou conhecido como “A Mãe de Todas as Batalhas”, deixando em solo russo cerca de 730 mil soldados alemães mortos, além de milhares de feridos e desaparecidos. A União Soviética, apesar de ter ganho a batalha, e posteriormente ter lançado a partir de Stalingrado uma ofensiva que iria adentrar as portas de Berlin, dando um fim à guerra, pagou um preço muito alto, com um o número de mortos chegando em mais de 1,1 milhão de soldados, e com um infindável e desconhecido número de civis também mortos na batalha que destruiu, por completo, toda a extensão da cidade.

Anos depois da guerra, com a reconstrução e repovoamento da região, em 1961, o Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Krushchev, como parte dos esforços para “desestalinizar” a sociedade, renomeou a cidade com o nome do rio que a margeia, Volgogrado.

Em memória daqueles que tombaram em batalha, no ano de 1967 seria construído um monumento de 85 metros de altura que representa a Mãe-Pátria Russa, sobre a colina de Mamayev Kurgan, a pouco mais de um quilômetro da Arena Volgogrado.

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Notas:

* Pacto de neutralidade entre a Alemanha Nazista e a União Soviética durante a 2ª Guerra Mundial, assinado em Moscou, no dia 23 de agosto de 1939, pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros, Joachim von Ribbentrop (Alemanha) e Vyacheslav Molotov (URSS).

** Recebeu esse nome por referir-se ao Sacro Imperador Romano-Germânico do século XII, Frederico Barba Roxa (Barbarossa).

*** Região localizada entre a Europa oriental e Ásia ocidental, banhada pelo Mar Negro ao oeste e Mar Cáspio ao leste. A porção norte do Cáucaso, chamada de Ciscaucasia, é composta por oito repúblicas e regiões autônomas que integram a Federação Russa. Entre tais localidades é possível citar a Chechênia e a Ossétia do Norte. Na parte sul está o Cáucaso não-russo, que é denominado de Transcaucásia pelos russos. É ali que estão situadas as repúblicas da Armênia, da Geórgia e do Azerbaijão. Elas figuravam na então União Soviética até 1991, quando o Estado socialista se dissolveu.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cidade de Volgogrado” (Fonte):

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Imagem 2 Batalha de Stalingrado” (Fonte):

https://cdnfr1.img.sputniknews.com/images/101424/91/1014249124.jpg

Imagem 3 Monumento Mãe-Patria Russa” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Rússia, política e futebol

Futebol e Política foram dois temas tratados de forma associada durante a abertura da Copa do Mundo na Rússia. Ficou latente a necessidade da discussão do assunto quando, na abertura do maior evento esportivo do planeta, em Moscou, na última quinta-feira, dia 14 de junho de 2018, se demonstrou ato de repúdio pelo não comparecimento de vários representantes da Comunidade Internacional, ao mesmo tempo que o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, apresentava, com seu ímpeto e determinação em sediar tal evento, a vontade de devolver ao país de geografia continental a grandeza que perdera com a derrocada soviética.

Abertura da Copa do Mundo 2018 por Vladimir Putin

Redes internacionais de comunicação propagam a ideia de ofuscamento do brilho do evento devido às restrições internacionais que a Federação Russa vem sofrendo graças às alegações de anexação ilegal do território da Crimeia, além de conflitos armados dentro da Ucrânia e, com isso, se restringe a possibilidade de o país convencer o mundo das ambições democráticas que tanto são necessárias ao andamento das boas relações político-econômicas.

Em retaliação ao boicote, o Governo russo respondeu com indiferença às manifestações negativas, quando o Vice-Primeiro-Ministro da Rússia e Presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo 2018, Arkady Dvorkovich, deixou claro que considerava o ato não como uma punição à Rússia mas a eles mesmos, pois todos deveriam estar unidos para um único objetivo, que seria a confraternização desportiva mundial, deixando de lado questões de interesse político.

Seleção da Rússia

O desafio de Putin para suportar a Copa do Mundo 2018 ainda é gigantesco, mesmo que o evento já tenha começado, não só pelo gasto já efetivado para garantir a infraestrutura dos jogos, que ultrapassou os 683 bilhões de rublos (cerca de R$ 38,3 bilhões), segundo informações do Comitê Organizador Local da Rússia, mas, também, pela garantia da segurança dos participantes dos jogos e dos mais de 2 milhões de turistas que estão desembarcando nas principais cidades onde ocorrerão as partidas, em decorrência da possibilidade de atentados terroristas, ações violentas de hooligans e neonazistas. Um outro ponto importante no desempenho da Rússia nesta Copa é o tamanho da sua exposição ao mundo, pois cerca de 5 mil jornalistas estarão enviando informações para aproximadamente 3 bilhões de pessoas, em mais de 190 países, através de 196 redes de TV, segundo informações de Alexey Sorokin, diretor executivo do comitê local de organização.

Desconsiderando os problemas políticos, a Copa da Rússia prometeu e está confirmando um bom nível dentro de campo onde, no primeiro dia dos jogos, a seleção russa presenteou os mais de 75% da população que apoiou o ato de sediar a Copa do Mundo com uma vitória de 5×0 sobre a seleção da Arábia Saudita.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Troféu da Copa do Mundo” (Fonte):

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Imagem 2 Abertura da Copa do Mundo 2018 por Vladimir Putin” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DfquwoFX0AA_r30.jpg

Imagem 3 Seleção da Rússia” (Fonte):

https://4.bp.blogspot.com/-YvfRn0zPSso/WyO1jOlywhI/AAAAAAAFPXw/oajxWZVXIm8irQwhxtWrGWBeCr4uQ9xvQCLcBGAs/w506-h910/russia.jpg