NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Alemanha reduz a sua vulnerabilidade a ataques cibernéticos

As agências de inteligência alemãs têm chamado atenção para a necessidade de fortalecimento dos sistemas de segurança contra os ataques cibernéticos no país. O Diretor do Órgão Federal de Proteção da Constituição (BfV), Hans Georg Maassen, declarou em uma coletiva de imprensa, em maio passado, que a Alemanha é um alvo direto desse tipo de ações, em especial ao se considerar a aproximação das eleições que ocorrerão proximamente, em setembro deste ano (2017).  De acordo com Maassen, há indícios para se acreditar que o Governo russo irá direcionar operações dessa natureza para influenciar as votações alemãs.

Militares alemães no sistema de inteligência

Em maio de 2015, um e-mail aparentemente inofensivo foi enviado ao Parlamento alemão (Bundestag) e a instituições do Governo, incluindo o escritório da chanceler Angela Merkel. A mensagem eletrônica se tratava na verdade de uma tentativa de espionagem e obtenção de informações confidenciais, abrangendo dados políticos e econômicos. Representantes de alto nível do Governo tem reivindicado que maiores investimentos sejam conferidos para o fortalecimento dos sistemas de inteligência e defesa.

Nesse sentido, o Ministério da Defesa da Alemanha lançou o “Cyber and Information Space Comand”. A iniciativa funciona em paralelo com as Forças Armadas e tem como principal objetivo o desenvolvimento de capacidades para o provimento de respostas ofensivas a ações no espaço cibernético. Além disso, institutos como o Hasso Plattner Institute se reúnem anualmente para discutir sobre o aprimoramento dos sistemas de proteção digital.

As preocupações de que as eleições alemãs sejam alvo de ataques cibernéticos se baseia também nas acusações norte-americanas de interferência organizada pelos russos durante as eleições estadunidenses, em 2016, e em supostas ofensivas virtuais nas eleições francesas e italianas. No entanto, a Alemanha parece estar menos vulnerável que os demais Estados. O país tem envidado esforços para fortalecer seu sistema de defesa e a chanceler Merkel tem consolidado a sua posição entre o eleitorado. Além disso, os índices de emprego, confiança nas instituições governamentais, crescimento econômico e iniciativas de combate ao populismo diminuem o potencial de influências externas no processo democrático.

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Imagem 1Defesa contra cyber ataques” (Fonte):

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Imagem 2Militares alemães no sistema de inteligência” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Alemanha se opõe às sanções estadunidenses contra a Rússia

Em entrevista concedida a um jornal alemão, no dia 31 de julho de 2017, a Ministra para Assuntos Econômicos e da Energia da Alemanha, Brigite Zyprie, externou críticas substantivas em relação à um projeto de lei aprovado pelo Congresso estadunidense que prevê sanções contra a Rússia. De acordo com a Ministra, as previsões da lei violariam o Direito Internacional e causariam prejuízos diretos aos interesses das empresas alemãs. Zypries declarou também que a Alemanha reivindicará que a Comissão Europeia adote contramedidas às sanções.

Mapa do projeto Nordstream

A Lei aprovada pelos parlamentares estadunidenses, que necessita ainda da aprovação do presidente Donald Trump, estabelece sanções contra a Rússia, mais especificamente nos setores de inteligência, defesa e energia. A principal motivação para a adoção de tais medidas seria a intervenção militar russa na Ucrânia e interferências nas eleições dos Estados Unidos, em 2016. No entanto, representantes de alto nível do Governo alemão sugerem que estas ações se tratam de uma estratégia dos EUA para beneficiar as suas empresas energéticas, ao impor barreiras para que companhias europeias realizem negócios com os russos.

Como as sanções estabelecem previsões para impedir que empresas em geral atuem em projetos enérgicos em que haja uma participação russa significativa, os empreendimentos europeus seriam prejudicados de forma considerável. Para ilustrar uma das principais fontes de preocupação dos alemães, pode-se mencionar o projeto Nord Stream 2. A iniciativa visa a construção de um gasoduto iniciado na Rússia que cruzaria o Mar Báltico até a Alemanha. As obras estão sendo lideradas pela gigante russa Gazprom, porém envolvem também um número significativo de empresas europeias.

A declaração da ministra Brigite Zyprie demonstra suporte ao Governo russo, no entanto, tem como foco a defesa do interesse alemão. Ademais, o pronunciamento demonstra a predisposição da Alemanha de adotar contramedidas em relação aos Estados Unidos, discutindo sanções contra o país no âmbito da Comissão Europeia. Em resposta à lei aprovada pelo Congresso estadunidense, o presidente russo Vladimir Putin solicitou que os EUA retornem 755 de seus diplomatas baseados em Moscou.

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Imagem 1Ministra Alemã para Assuntos Econômicos e Energia, Brigite Zyprie” (Fonte):

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Imagem 2 Mapa do projeto Nordstream” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A relevância da cooperação entre os Balcãs e a União Europeia

Na quarta-feira passada, 12 de julho de 2017, aconteceu em Trieste, Itália, a reunião de Cúpula dos Balcãs Ocidentais (Westerns Balkan Summit). O encontro reuniu ministros dos países dos Balcãs – Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Kosovo, Macedônia, Montenegro e Sérvia – e as suas contrapartes de seis países membros da União Europeia, notadamente Alemanha, Áustria, Croácia, Eslovênia, França e Itália, para discutir o desenvolvimento das iniciativas de cooperação na região.

Os tópicos que foram discutidos concentram-se em três áreas estratégicas: conectividade, integração econômica regional/desenvolvimento do setor privado e contato entre cidadãos. Dentre estes, destaca-se o segundo ponto, uma vez que havia a expectativa de que os países membros estabeleçam um plano de ação para o desenvolvimento de uma Área Econômica Regional, incluindo a integração da região ao mercado digital europeu. No contexto da Cúpula, foi criado também o Secretariado Permanente de Trieste com o objetivo de concretizar oportunidades para atração de investimento privado.

Mapa da região dos Balcãs

Ao se considerar as instabilidades nos Balcãs e as suas consequências em potencial, pode-se afirmar que a região requer uma atenção especial da União Europeia. Nesse sentido, o Processo de Berlim, uma iniciativa voltada para dar continuidade ao procedimento de integração europeu, tem promovido discussões sobre a importância da cooperação entre a Comissão Europeia e os países da península balcânica. Sendo assim, o encontro em Trieste reflete os debates provocados no âmbito desse projeto.

Em contrapartida, há controvérsias no que tange ao sucesso da União Europeia na região. Nos últimos anos, os problemas sociais e políticos nos Balcãs têm avançado, a influência russa e turca na zona também cresce e o processo de adesão destes países à União Europeia tem ocorrido com bastante lentidão. As discussões sobre a integração foram iniciadas em 2003 e, no entanto, apenas a Croácia se tornou parte da união econômica até o momento, com a adesão tendo ocorrido em 2013, enquanto que a Sérvia e Montenegro apenas deram início às discussões formais sobre a associação, e ainda não há qualquer certeza sobre Albânia, Bósnia e Herzegovina, Kosovo e Macedônia se tornarem membros.

A política da União Europeia se baseia na promoção da paz no continente, por meio da cooperação intensiva. Dessa forma, como vem sendo defendido por autoridades e apontado por especialistas, o estreitamento dos laços de colaboração entre o Bloco e os Balcãs, situação que se dá com a continuidade do processo de integração, é de elevada importância para se alcançar o cumprimento dos objetivos de longo prazo e garantir maior estabilidade na região.

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Imagem 1Bandeiras dos países dos Balcãs e da União Europeia” (Fonte):

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Imagem 2 Mapa da região dos Balcãs” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Partido de Merkel apresenta plataforma eleitoral para eleições de 2017

Tendo em vista a aproximação das eleições na Alemanha, o partido da chanceler Angela Merkel, o União Democrata Cristã (CDU), e o partido-irmão União Social Cristão (CSU) lançaram a sua plataforma eleitoral para o quadriênio 2017-2021, intitulada “Por uma Alemanha em que todos possam viver bem e felizes”. Merkel apresentou o programa na segunda-feira, 5 de julho de 2017, durante conferência de imprensa na sede de seu partido em Berlim, acompanhada do líder do CSU, Horst Seehofer, e declarou que o cerne do documento é prosperidade e segurança para todos.

Capa da plataforma eleitoral dos partidos CDU e CSU

Os principais elementos da plataforma estão voltados para a redução do nível de desemprego no país, a diminuição dos impostos, a concessão de benefícios sociais e a segurança. O partido promete, por exemplo, alcançar pleno emprego até 2025. O índice percentual de desemprego no país atualmente é de 5,5%, mas a promessa é de que seja reduzido para 3% nos próximos anos. A diminuição dos impostos sobre a renda é mais um ponto e, de acordo com as previsões apresentadas, resultaria em uma economia de 15 bilhões de euros ao ano para os contribuintes.

Além disso, o programa prevê o aumento de 12% do benefício social oferecido para as famílias com crianças e o incremento dos abatimentos fiscais para esse mesmo grupo. Outro compromisso assumido é a concessão de um auxílio aos primeiros compradores de imóveis, no valor de 1.200 euros por criança na família, ao ano. Ademais, o CDU irá encerrar ao longo dos próximos anos o benefício “solidariedade”, uma taxa federal paga desde o período de reunificação com o objetivo de robustecer a economia e promover maior igualdade entre os Estados alemães. No que concerne à segurança, o documento estabelece a contratação de 15 mil novos policiais.

A proposta de governo não apresenta, no entanto, menções especificas à questão dos refugiados no país, ponto que causa divergência entre Merkel e Seehofer. O líder do CSU é publicamente contrário ao elevado índice de refúgios concedidos durante a administração da Chanceler alemã. A maior parte das críticas direcionadas ao programa são em relação à sua superficialidade e, de acordo com a líder do partido de oposição, Katja Kipping, a ausência de um plano financeiro que viabilize a execução das promessas sociais. As pesquisas eleitorais mais recentes apresentam Merkel na liderança das intenções de voto, com 11,5 pontos percentuais à frente do seu principal oponente, Martin Schulz, do Partido Social Democrata (SPD).

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Imagem 1Merkel e Seehofer apresentam plataforma eleitoral” (Fonte):

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Imagem 2Capa da plataforma eleitoral dos partidos CDU e CSU” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Alemanha apoia reformas na Zona do Euro

A Primeira-Ministra da Alemanha, Angela Merkel, manifestou apoio à realização de reformas na Zona do Euro, em seu pronunciamento durante o congresso anual da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), realizado no dia 20 de junho de 2017. A Chanceler declarou que, diante das condições devidas, seria importante fortalecer a coordenação das políticas econômicas na União Europeia (UE), por meio do estabelecimento de um orçamento comum e de um Ministério das Finanças conjunto na região. Todavia, seria importante promover também um equilíbrio entre esta integração e a responsabilização pelas dívidas dos países europeus, destacou Merkel.

Angela Merkel e Emmanuel Macron em encontro do G7

De acordo com o presidente da BDI, Dieter Kempf, estas reformas apresentam potencial de reduzir os riscos de uma crise econômica, promovendo o crescimento e a produção de empregos no âmbito dos 19 países que conformam a Zona Euro. A manifestação ocorre um dia após o início das negociações da saída do Reino Unido da União Europeia, em um sinal de que o Bloco não deverá se deixar enfraquecer pelo Brexit.

Além disso, por meio do pronunciamento, a Chanceler alemã reafirma a cooperação com a França, com quem compartilha uma visão de reestruturação da União Europeia. Cabe lembrar que o recém-eleito Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a implementação de reformas similares no Bloco monetário durante a sua campanha. Após a sua eleição, a primeira viagem ao exterior realizada por Macron teve a Alemanha como destino, onde manifestou o interesse em estreitar as relações entre ambos os países, especialmente no que tange ao alinhamento da política econômica na Zona do Euro, a harmonização do regime de impostos e a promoção de parcerias em projetos conjuntos de investimento. Na ocasião, os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho responsável por elaborar propostas voltadas para o fortalecimento da área do euro.

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Imagem 1Congresso Anual da Federação Alemã da Industria” (Fonte):

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Imagem 2Angela Merkel e Emmanuel Macron em encontro do G7” (Fonte):

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ÁFRICAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Líder do G-20 destaca a importância da promoção do desenvolvimento na África

A capital da Alemanha, Berlim, sediou entre os dias 12 e 13 de junho de 2017 uma Conferência entre o “Grupo dos 20” (G20), Fórum que reúne as maiores economias do mundo, e representantes de alto nível de países do continente africano. O encontro reuniu os membros do Grupo, o Presidente do Egito (Abdul Fatah Khalil Al-Sisi) e líderes de Gana, Costa do Marfim, Mali, Nigéria, Ruanda, Senegal e Tunísia. Em ocasião do evento, a Chanceler alemã, Angela Merkel, atual presidente do G20, chamou atenção para a importância do combate à pobreza e promoção do desenvolvimento, como iniciativas para a solução dos conflitos na região e para a redução do fluxo imigratório em direção à Europa.

Logo do projeto G20 Compact with Africa

A realização da Conferência havia sido prometida por Merkel durante uma viagem à Etiópia, sede da União Africana, em outubro de 2016. Naquele momento, a Chanceler se comprometeu a conferir ao continente africano um status prioritário, enquanto a Alemanha assumisse a liderança do G20, e concedeu auxílios financeiros no valor de 27 milhões de euros para a região. Este compromisso foi reafirmado durante a presente reunião, em que se estabeleceu a parceria “Compact with Africa”. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento da Alemanha viabilizou subsídios adicionais de 300 milhões de euros para países especialmente preocupados com a luta contra a corrupção. O objetivo destes programas é atrair investimentos privados, lucros e empregos para os países africanos. O Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e outras instituições de desenvolvimento também se responsabilizaram em apoiar a iniciativa.

O interesse em promover o desenvolvimento no continente se deve, em especial, à preocupação de conter o fluxo imigratório proveniente da região. A Alemanha, enquanto maior economia da Europa, recebeu em 2015 mais de um milhão de indivíduos em busca de asilo. Os receios se tornam ainda mais concretos diante das estimativas de que a população africana passará por uma explosão demográfica até a metade deste século. Nesse sentido, o incentivo ao crescimento e estabelecimento das economias e instituições africanas apresenta elevado grau de relevância na agenda política alemã.

Determinados grupos criticaram a iniciativa da Alemanha, ao argumentar que os interesses dos países africanos não estariam sendo refletidos, uma vez que a África do Sul é a única nação do continente a integrar o G20. Por essa razão, aproximadamente mil manifestantes antiglobalização se manifestaram em Berlim, ao definir a Conferência como uma ação neocolonial voltada para a espoliação dos recursos africanos, em um período em que a Europa estaria interessada em fechar as fronteiras em relação aos imigrantes. Em contrapartida, há unanimidade por parte dos representantes africanos, ao afirmarem que a falta de investimentos e infraestrutura se trata de um grande obstáculo ao desenvolvimento da África.

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Imagem 1Chanceler alemã e líderes africanos” (Fonte):

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Imagem 2Logo do projeto G20 Compact with Africa” (Fonte):

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