CNP In Loco

São Paulo Fashion Week - Moda e Relações Internacionais

Sábado passado, dia 21, São Paulo iniciou sua semana de Moda, a São Paulo Fashion Week (SPFW), entre os dias 21 e, hoje, 26 de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, localizado na capital paulista. O evento chega em sua edição de número 45, repleto de amantes do mundo fashion, porém, muitos desconhecem o quanto há de relações internacionais em todas as Fashion Weeks que ocorrem pelo mundo.

Não se precisa discutir sobre a Moda para ver de forma simples a relação entre ela e as relações internacionais. Nesse sentido, acontecimentos como a SPFW e o Minas Trend são recheados de marcas e figuras internacionais e tornam tais ambientes uma vitrine de negócios a nível mundial.

Desenho de mulheres na Segunda Guerra Mundial com peça militar

Mesmo em todas as guerras registradas na história do homem, em seus campos de combate, a moda esteve presente com os exércitos usando cortes e cores diferentes em seus uniformes e armaduras para facilitar na identificação durante as batalhas.

Observando-se apenas a era moderna, pode-se ter a Segunda Guerra Mundial como ponto de referência, quando ela teve um importante impacto para o cenário do estilismo, numa época de simplicidade no vestuário de homens e mulheres, com escassez de recursos, influenciando na preocupação de militares com os uniformes de seus soldados, sabendo-se que uma cor e um corte diferenciado faziam muita diferença no front de batalha.

No ano de 2015, o Imperial War Museum de Londres promoveu uma exposição com o tema da Moda nos anos 40, focado exatamente no conflito daquele momento e sua duradoura influência nesse setor, tal qual falou a historiadora Laura Clouting, uma das organizadoras da exposição, quando declarou que “Durante a guerra, assistimos a uma nova tendência determinada pela própria guerra. As roupas simples, com um lado arrumadinho são privilegiadas. Esse visual dos anos 40 perdurou até os nossos dias”.

Nas guerras mais modernas do século XX percebemos as relações internacionais e a Moda ligadas não apenas pelos conflitos, mas também pelos negócios, pois nem todos os países fabricavam seus próprios uniformes e alguns contavam com fabricação oriunda da indústria de países aliados.

Na atualidade, a moda militar deixou de ser objeto dos militares e suas tendências e tecnologia ganharam força para outros seguimentos, sendo muito vistas para a criação de vestimentas e acessórios para caçadores, pescadores, praticantes de esportes radicais, sobrevivência e virou mais um elemento que compõe a cultura pop fashion comum, vista em muitos civis que gostam de acessórios camuflados.

Ainda nesta questão da moda militar, sua evolução não foi importante apenas para o desenvolvimento de novas tecnologias de tecidos e itens de utilidade comum, mas também para o fortalecimento da indústria. Fabricantes de itens militares na era globalizada não tem apenas as Forças Armadas como clientes, mas sim bilhões de consumidores a nível mundial, tal qual se pode exemplificar no caso da empresa Oakley, muito famosa entre surfistas e praticantes de esportes de aventura, apesar de ser uma das principais fabricantes de itens para o Exército estadunidense.

A Moda e a sua ligação com as relações internacionais são muito amplas, principalmente por poder ser abordada por diversas linhas de pesquisa, pensamentos e por momentos históricos diferentes. A moda trabalha com o termo Tendências, que está ligado diretamente a um tempo histórico da humanidade, seja num período de transformação cultural, crises políticas ou financeiras, ou temas ligados ao meio ambiente.

Uma linha de estudo foi apresentada por alunos do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), em trabalho de conclusão de curso, no final do ano letivo de 2017. A Monografia “MODA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS: UM ESTUDO DE CASO DO PROJETO ‘INICIATIVA PARA UMA MODA ÉTICA’” trabalhou com o uso da moda para se compreender a inserção da mulher no mercado de trabalho mundial.

Ao longo da história, a mulher ganhou mais notoriedade fora do trabalho doméstico através de profissões ligados à moda, e foi ganhando seu espaço em outros setores econômicos, indo além do ambiente no mercado de trabalho convencional e também passou a compor forças de segurança. Sua importância além dos afazeres domésticos, da indústria têxtil e enfermaria foi bem perceptível na atuação da mulher como soldado, quando houve uma mudança nos uniformes militares, que começaram a ganhar um formato mais feminino para se adequar aos soldados femininos.

Atualmente, a moda sofre com os altos e baixos das últimas crises econômicas e em alguns países sofre muito com a instabilidade política neles. Nesse sentido, as Fashion Weeks buscam tratar as tendências ligadas a temas contemporâneos e elementos que compõem o cotidiano e a cultura de sua região.

Momento de desfile na São Paulo Fashion Week. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

A São Paulo Fashion Week (SPFW) vem nesta edição com a temática da energia criativa, buscando explorar a criatividade das empresas e dos estilistas que participam do evento, mas não apenas isso, pois também visa mostrar que quaisquer pessoas podem ter seu momento de explosão criativa e, dessa forma, ganhar espaço no mercado mundial, explorando bem o nicho que cada um quer atingir. A explosão criativa é um tema que reflete no próprio evento que se enfraqueceu muito nos últimos três anos, com a perda de apoiadores e na redução constante de grandes grifes nacionais e internacionais.

Equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW). Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

Esse tipo de evento sempre foi considerado como uma das principais vitrines para o mercado da moda, senão a principal, porém não apenas para as marcas, mas também para outras empresas. Neste ano (2018), o Governo da Tailândia marcou presença na SPFW com o foco na promoção cultural e turística, utilizando a moda oriental como base.

Em edições anteriores, grandes empresas globais de seguimentos não diretamente ligados a este setor estiveram presentes na semana de moda paulistana, como foi o caso da Mercedes Benz. A gigante empresa do ramo automobilístico sempre apresentou suas mais poderosas e luxuosas máquinas no evento, focando na riqueza de seu acabamento interno, com tecidos nobres que realçam o glamour da marca.

Especialistas de moda dizem que esses eventos estão perdendo força, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. A crise financeira que atingiu os mercados os enfraqueceu e muitas marcas não têm como comparecer ou patrociná-los, por isso, adotaram medidas mais simples e baratas, como criar suas próprias mostras.

Além disso, o que está em discussão é a atual postura dos estilistas, que agora apresentam suas grifes de forma mais simplificada, seguindo uma linha baseada na expressão “veja e compre agora”. A ideia de criar tendências voltadas para público mais popular e para que as grandes empresas já possam tê-las na semana seguinte para produção em massa tem fragilizado as semanas de moda, pondo em xeque sua real necessidade, afinal, os próprios eventos ainda são fechados, destinados a um pequeno e seleto grupo de convidados e não se tornou algo popular, o que, no entanto, bate de frente com o que está sendo produzido e apresentado nas fashion weeks pelo mundo.

Na atualidade, o trabalho de marketing, visando negócios nacionais e internacionais, o pensamento cultural e o período histórico de cada região, está muito enfraquecido nas vitrines e nas passarelas da moda, cabendo uma atualização de conceitos, com o estudo e a reavaliação do que está sendo feito, pois, hoje, a moda precisa cada vez mais das Relações Internacionais, já que necessita que os profissionais desta área montem o quebra cabeça com as peças dos gestores e criadores de conteúdo. Nesse sentido, a tendência não é apenas criar, mas revisar e adaptar todo um universo ao atual momento global, que tem economia fraca, escassez de recursos e, ainda, a desigualdade desenfreada.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Desfile da São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 2 Desenho de mulheres na Segunda Guerra Mundial com peça militar” (Fonte):

https://conscienciajeans.com.br/moda-militar-descubra-como-surgiu-essa-tendencia

Imagem 3 Momento de desfile na São Paulo Fashion Week” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 4 Equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

Imagem 5 da equipe tailandesa na São Paulo Fashion Week (SPFW)” (Fonte – Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagens – Foto do autor

CNP In LocoNOTAS ANALÍTICAS

Joe Kaeser: São Paulo é o maior polo industrial alemão no mundo

Quando qualquer turista visita a cidade de São Paulo fica impressionado com a influência da arquitetura italiana; com o grande número de orientais transitando pela cidade e com a cultura oriental pop, bem destacada em algumas regiões do centro da capital. Porém, poucos sabem que, para os empresários alemães, o que existe é uma Alemanha Paulista.

O Estado de São Paulo é onde se concentra o maior número de investimentos industriais alemães fora de seu país de origem, algumas empresas estão presentes no Brasil e no estado a mais de cem anos, como é o caso da Siemens, que, em 1867, investiu em telegrafia na rede que ligava São Paulo e o Rio de Janeiro. A Siemens é uma das maiores empresas do mundo, o maior conglomerado da Europa e, fora do continente europeu, mantém forte presença em solo brasileiro, pretendendo aumentar ainda mais sua participação na economia paulista e brasileira.

Joe Kaeser, Presidente Global da Siemens firmou um acordo bilionário com a Apex Brasil, sendo anunciados investimentos que poderão ultrapassar os 50 bilhões de euros e gerar mais de 1 milhão de empregos no país.

Durante evento de celebração com a Apex Brasil, dentro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Kaeser declarou: “São Paulo é o maior polo industrial alemão no mundo”.

A esquerda, Roberto Jaguaribe, presidente da APEX BRASIL e à direita, André Clark, CEO da Siemens no Brasil. (Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

O presidente da gigante alemã contou com a presença de Michel Temer, Presidente da República Federativa do Brasil, que teve duplo evento em sua agenda, marcando a abertura da plenária conjunta da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), presenciando esse importante acordo entre brasileiros e alemães. 

Temer elogiou o feito entre a Siemens e a Apex Brasil e declarou para a imprensa local: “O Brasil vive do seu governo, dos empreendimentos e empreendedores. Então quando o governo toma medidas e seus empreendedores compreendem e avançam nelas, é sinal de que o nosso País retomou realmente o crescimento”.

A Alemanha é um dos maiores investidores no Brasil, atrás de países como a China e os Estados Unidos, mas não é de hoje que a presença industrial germânica chama a atenção. Uma rápida pesquisa sobre a presença e influência das empresas alemãs no Estado facilita a compreensão da sua importância, mesmo que para alguns seja desapercebida.

Michel Temer, Roberto Jaguaribe e André Clark. (Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER)

No ano de 2009, Ingo Plöger, então presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional, já enfatizava a importância do país para o empresariado alemão em uma entrevista concedida para a Deutsche Welle, na qual declarou: “A cidade de São Paulo tem uma concentração de indústrias alemãs maior até do que na própria Alemanha. (…). Mesmo cidades como Colônia, Munique, Hamburgo não reúnem tamanha quantidade de indústrias do país”.

Do ano de 2009 para cá, as relações entre os dois Estados mantêm um desenvolvimento saudável, sem perdas, com avanços e acordos como o atual da Siemens, deixando claro que o país está em pauta para o empresário alemão e que mais acertos de negócios promissores estarão por vir.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:                                                                                                                 

Imagem 1 Joe Kaeser Presidente Global da Siemens” (Fonte Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagem – Foto do autor

Imagem 2 A esquerda, Roberto Jaguaribe, presidente da APEX BRASIL e a direita, André Clark, CEO da Siemens no Brasil” (Fonte Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagem – Foto do autor

Imagem 3 Michel Temer, Roberto Jaguaribe e André Clark” (Fonte Fabrício Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER):

Imagem – Foto do autor

CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

São Paulo, capital internacional de cultura no Brasil

Ano Novo Chinês, mostra de cinema, gastronomia e uma grande mistura de costumes típicos da cultura brasileira e estrangeira nos festivais e eventos de rua na capital paulista vem acontecendo na cidade nos últimos anos. Para a administração municipal, o objetivo é que a cidade se torne o maior centro cultural multidiversificado na América do Sul. Com esse objetivo, a cidade está promovendo neste momento o Primeiro Festival Internacional de Circo (FIC), com atrações nacionais e europeias.

Ano Novo Chinês comemorado na cidade de São Paulo. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

São Paulo se tornou o principal centro do Hemisfério Sul para atividades de entretenimento, por isso se justifica um Festival Internacional do Circo”*, declarou o prefeito João Dória, quando questionado sobre o motivo de promover esse programa.

Quando eu era criança, eu vivia a experiência que o circo e as escolas de circo proporcionavam na cidade. Hoje, os jovens não possuem tal experiência e esse festival irá trazer um novo tipo de entretenimento para os jovens, com espetáculos e oficinas culturais para aproximar o artista do público”*, respondeu ao CEIRI NEWSPAPER (CNP), durante entrevista coletiva na sede da Prefeitura de São Paulo.

O ator e palhaço Hugo Passolo, presidente da Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, está contribuindo e ajudando a Secretaria de Cultura do município a orquestrar tamanho evento que contará com artistas da Itália, França, entre outros países europeus, inspirado em grandes espetáculos promovidos pelas academias russas no mundo. O grande festival cultural gratuito, que será realizado entre os dias 11 e 15 de abril, no Centro Esportivo do Tietê, na zona norte da cidade, tem como principal finalidade garantir o intercâmbio cultural de forma democrática.

Um evento internacional como este está se tornando cada vez mais comum na capital paulista, que hoje é o maior destino de turismo de negócios na América do Sul e é um dos principais pontos de apresentação de importantes músicos e artistas internacionais fora do hemisfério norte. Além disso, apresenta constantes eventos de rua ligados à cultura de imigrantes, como o Ano Novo Chinês, o Festival do Japão, a Festa de Nossa Senhora Achiropita e o festival hindu, Holi Festival das Cores, sendo São Paulo a primeira cidade sulamericana a recebê-lo, bem como outras festividades, demonstrando a grandeza da cidade, o que também a torna a capital nacional da diversidade cultural no Brasil.

Holi Festival das Cores. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

São Paulo abriga um grande número de imigrantes e descendentes de estrangeiros e, nos últimos anos, vem abrindo mais espaço para explorar essas diferenças culturais em forma de eventos regionais e outros grandes acontecimentos, como os que ocorrem durante a Virada Cultural da cidade. O prefeito João Dória demonstra saber do potencial de São Paulo e está investindo em Parcerias Público-Privadas (PPPs) para fomentar e transformar a cidade em um grande ponto turístico cultural e de entretenimento em todos os campos possíveis.

Hoje, não é difícil encontrar apresentações culturais, escolas de idiomas populares e exposições temáticas sobre países estrangeiros dentro da região metropolitana de São Paulo. O município está cada vez mais internacional, abrindo mais espaço para as relações internacionais.

Observadores apontam em análises e outros tipos de artigos que são publicados que ainda há deficiências e muitas das portas que vem sendo abertas estão distantes do que é discutido nos ambientes de debates sobre as Relações Internacionais. Mas tratam também sobre como a cidade poderia se tornar um exemplo se ela conseguir aplicar de forma mais ampla as suas políticas municipais, explorando o seu potencial turístico, promovendo o intercâmbio cultural e atraindo novos investimentos estrangeiros, servindo assim de modelo para que tais práticas possam ser adotadas em outras cidades do país.

———————————————————————————————–                    

Fontes Consultadas:

Fotos, reportagem e entrevista de Fabricio Bomjardim

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, anuncia o Festival Internacional de Circo” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 2 Ano Novo Chinês comemorado na cidade de São Paulo” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 3 Holi Festival das Cores” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASTecnologia

Campus Party 2018: Startup e tecnologia no Brasil*

Campus Party Brasil 2018 contou com uma programação voltada para palestras com convidados especiais. São especialistas e empreendedores atuando em áreas que vão do setor de empresas de varejo até a mais alta tecnologia.”

A Campus 2018 está focando no empreendedorismo, contando com uma área voltada para Startups (empresas emergentes), jovens empreendedores e academias para criadores. Dentro de sua estrutura, seja na área aberta ao público de forma gratuita, seja na área fechada aos campuseiros**, pequenos espaços tratam da educação na área de robótica e tecnologia. Há a academia para gamers; há a liga para desenvolvedores e também a academia para criação de cyborgs.

Neste segundo dia ocorreram palestras com nomes como Caito Maia, Fundador da Chilli Beans, e Mitch Altman, um famoso Hacker que foi um dos pioneiros no trabalho com Realidade Virtual. O CEIRI NEWSPAPER (CNP) aproveitou o tempo das palestras e apresentações e levantou questões importantes sobre suas respectivas áreas de atuação, e como eles veem o atual momento do empreendedorismo e da tecnologia no mundo.

Caito Maia, Fundador da Chilli Beans

Caito apresentou diversas experiências pessoais ao longo de sua trajetória, desde quando teve a ideia de criar a Chilli Beans até a obtenção do grande resultado de hoje. Para ele, o povo brasileiro é rico em ideias criativas, porém com pouca estrutura e recursos para pô-las em prática e, em muitos casos, sem muita orientação para fazer as iniciativas darem certo. Quando questionado sobre o que pensa sobre os jovens que não obtém sucesso ao iniciar uma startup, ele respondeu ao CEIRI NEWSPAPER: “O que falta no jovem é acreditar em seus sonhos, desenvolvê-los e não desistir. Hoje, existem muitas pessoas que iniciam uma startup e, quando não dá certo, ele inicia uma nova e acaba acumulando um conjunto de ideias que não deram certo. E isso foi por que não acreditou e desenvolveu aquele sonho, e aquelas ideias que teve no início”.

O fundador da Chilli Beans também fez comentário sobre a atuação do Governo brasileiro. Para ele, não há estrutura e incentivos por parte das administrações municipais, estaduais e federal para que os jovens iniciem seus empreendimentos. Declarou, respondendo ao público da Campus: “A carga tributária e a burocracia no país faz com que muitos desistam de seus sonhos antes mesmo de iniciá-los”.

Mitch Altman

Em uma descontraída palestra e apresentação de seu histórico no mundo da tecnologia, Mitch Altman mostrou que vê o mundo sem vida e cada dia mais rotineiro. O grande hacker que contribuiu para diversas tecnologias remotas, inclusive para bloqueios de sinais de TV e projetos de Realidade Virtual, comentou que a educação básica dentro da atual sociedade não ensina ninguém a viver a vida que cada um deseja, o que dificulta alguns grupos de pessoas a trabalharem coletivamente.

Respondendo a diversos jovens presente em sua palestra, Altman deu ênfase ao estilo de vida de cada um, focando no tempo em que as pessoas gastam em rotinas cotidianas de trabalho e o pouco tempo que gastam para o próprio lazer. Para ele, o ser humano passou a viver em função de um sistema rotineiro e não vive mais. Segundo declarou, suas invenções, como seu mecanismo de bloqueio de sinal de TV, foi uma forma de fazer com que as pessoas parassem de dedicar o próprio tempo a objetos de entretenimento que não educam, mas apenas alienam.

O mundo da realidade virtual seria um ponto de fuga para as pessoas viverem como desejam ou sonharam viver; para terem a liberdade de ser quem elas desejam ser. Essa realidade, porém, não é física, mas, quando for popularizada, poderá ser um novo tipo de entretenimento com condições de ajudar as pessoas a terem um pouco mais de paz e a se livrarem do stress cotidiano.

A Campus Party está reunindo profissionais, estudantes e diversos amantes de tecnologia, buscando unir o melhor do desenvolvimento tecnológico e realizar encontros que possam resultar na mais adequada maneira de juntar a tecnologia com o aprimoramento do bem-estar individual e coletivo, e possibilitando a criação de um mundo com pessoas que tenham condições de economizar tempo para se dedicarem aos seus interesses pessoais e as suas famílias.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Reportagem e entrevista de Fabrício Bomjardim.

** Campuseiros é o nome dado aos participantes da Campus Party.

———————————————————————————————–                     

Fontes das Imagens:                                                                                                                

Imagem 1 Entrada da Campus Party 2018 ” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

Imagem 2 Caito Maia” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

Imagem 3 Mitch Altman” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O temor de uma guerra sino-indiana ronda o sudeste asiático

A tecnologia é algo que não para de evoluir no mundo e o seu crescimento é ainda maior nos campos da Segurança e Defesa, com a tecnologia armamentista, o que leva diversos Estados a desenvolverem novos armamentos para garantirem a sua proteção. No continente asiático, o surgimento de novos equipamentos bélicos e o simples anúncio do desenvolvimento de aparelhos militares ou do aumento de verbas para estes campos é capaz de causar a desconfiança mútua entre os Estados que ali se situam, como é o caso da Índia na atualidade.

Nesta semana, este país testou um míssil balístico intercontinental, o que causa temores na região, principalmente para chineses e paquistaneses. Após 19 minutos de voo, com quase cinco mil quilômetros percorridos, o lançamento do míssil Agni-5 foi considerado bem-sucedido pelas Forças Armadas Indianas.

Exercito Chinês presente na região do Himalaia

Assim, a Índia entra de forma mais avançada na lista de nações que possuem mísseis balísticos, como a Rússia, os Estados Unidos e a China. Os sucessos obtidos com o Agni-1, Agni-2 e Agni-3 foram relevantes, mas nunca chegaram a atingir a marca de 4 mil quilômetros, e o Agni-5 tem capacidade de atingir qualquer nação dentro do território asiático e em parte da Europa e do Oriente-Médio. Porém, tanto os testes atuais quanto os anteriores realizados pelos indianos nunca geraram alarde internacional, pois historicamente a Índia tem tensões principalmente com paquistaneses e chineses em disputas territoriais.

Desde os tempos antigos, durante as Eras das dinastias chinesas, a existência de conflitos na região de fronteira entre os dois países foi algo comum, porém, na Era moderna, mais precisamente no final da década de 1950, os conflitos sino-indianos aconteceram no espaço hoje conhecido como Tibet do Sul (ou Arunachai Pradesh, tal qual é chamado pelos indianos), e se intensificaram na primeira metade da década de 1960. Desde então nunca ocorreram conflitos armados entre Nova Deli e Beijing, porém desentendimentos diplomáticos por conta de pequenas regiões no sul da Ásia acontecem gradualmente, o último foi em 2017, na área remota do Himalaia, em Doklam.

O Exército Popular de Libertação da China passou a aumentar a sua presença militar pela área e já foi anunciado que será construído um complexo militar no lugar, que fica a cerca de 5 quilômetros da fronteira entre a China e o Butão. O movimento de tropas chinesas e das nações vizinhas preocupam analistas de segurança da região, que especulam sobre o crescimento das tensões e o que poderia levar a um conflito.

Print do Twitter com a declaração sobre as atividades na região e questionando a presença dos chineses

Nos noticiários chineses, indianos e de outros países regionais é comum ver notícias sobre as tensões na área, assim como sobre constantes drones de diversas origens desrespeitando o espaço do vizinho. Recentemente, foi divulgado imagens de satélite com o aumento da presença de forças chinesas e de obras sendo realizadas pela China naquele espaço, o que não foi mal visto pelo Chefe de do Estado-Maior do Exército Indiano, Bipin Rawat. No entanto, ele afirmou para a imprensa indiana: “Todos se perguntam se os chineses voltaram [para Doklam] ou se é por causa do inverno que eles não podem retirar seu equipamento. Mas nós também estamos por lá, então, caso eles cheguem, vamos enfrentá-los”.

Em sua rede social, ele também faz observações sobre as atividades que estão ocorrendo e questiona sobre os motivos de os chineses estarem na área, descartando que isso provocaria uma guerra, mas, como declarado à imprensa, afirma que estão preparados para quaisquer ações de defesa da soberania da Índia.

Alguns analistas regionais acreditam que o Paquistão seja o mais preocupado com o armamento indiano, pois é um inimigo declarado, diferente da China, país com o qual Nova Deli mantém relações econômicas saudáveis.

A região do Himalaia sempre foi e continuará sendo região de desentendimento entre os países ali presentes, pelo cenário que está sendo construído. Hoje, o risco de uma guerra é descartado, pois, diante da situação econômica local e internacional, um conflito entre chineses e indianos, acrescido dos paquistaneses, seria uma catástrofe para o mundo, uma vez que são três potências nucleares com relevo internacional e desempenham importante papel para o equilíbrio regional.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:                                                                                                                 

Imagem 1 Míssil Agni5 sendo lançado pelas forças armadas da índia” (Fonte – Forças Armadas Indianas):

http://www.newsweek.com/india-launches-star-wars-missile-defense-china-pakistan-join-forces-762347

Imagem 2 Exercito Chinês presente na região do Himalaia” (Fonte – Ministério de defesa da China/Foto do oficial do Exército):

http://eng.mod.gov.cn/attachement/jpg/site22/20180117/161045b8fdb48026731328.jpg

Imagem 3 Print do Twitter com a declaração sobre as atividades na região e questionando a presença dos chineses ” (Fonte – Reprodução Twitter):

https://twitter.com/syedasimwaqar/status/953872278181130240?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Fbr.sputniknews.com%2Fasia_oceania%2F2018011810303472-china-concentra-tropas-area-disputada-india-doklam%2F

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A relação sino-brasileira, uma relação desapercebida pelo brasileiro

Ao final de 2017, todas as notícias e acontecimentos no campo político-econômico doméstico brasileiro acabaram por abafar as ações de um importante ator internacional para o cotidiano do Brasil, cujo papel e relevância muitos brasileiros, senão a maioria, não sabem, às vezes ignorando também o grau de atuação que este tem na economia do país.

Desde o ano de 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e, entre 2016 e 2017, tornou-se o maior investidor em território brasileiro, destacando-se que o gigante asiático é a segunda maior economia do mundo. Existem dados suficientes para entender a importância chinesa para os brasileiros, porém eles não são frequentemente disseminados nos espaços sobre economia de jornais e revistas especializados. Conforme disse o especialista de questões da China da Fundação Getúlio Vargas, Evandro Menezes de Carvalho, para a Rádio China Internacional (CRI), “Há poucos estudos sistemáticos a respeito da sociedade chinesa de uma maneira aprofundada no Brasil”.

Suas palavras refletem a atual realidade da relação sino-brasileira, afinal, a presença chinesa está bem próxima do brasileiro, destacando-se, contudo, que mais longe daqueles que pulam o caderno de economia nos jornais. Economicamente, só neste ano (2017) os chineses intensificaram a compra de empresas brasileiras e até o meio do ano já haviam sido usados mais de US$ 8 bilhões em transações de investimentos e compra de empresas nacionais, dados este que, apesar da importância para o Estado brasileiro, não foram  apresentados por seus órgãos ou entidades, mas pela consultoria britânica Dealogic.

2017 foi um ano intenso de negócios entre os dois países. Além da compra de empresas brasileiras, as cidades chinesas passaram a utilizar mais o sistema de cidades irmãs, como é o caso de São Paulo, onde empresas da China estão investindo em segurança pública, como já foi noticiado aqui no CEIRI NEWSPAER. Nesse sentido, o ano dos contatos comerciais Brasil-China será encerrado no positivo, mas isso não é o suficiente para a manutenção das relações entre essas duas grandes nações.

Em 2017 ainda foi possível perceber uma presença chinesa diferente na cidade de São Paulo, com um grande número de estudantes chineses de língua portuguesa. Em entidades como o Fu Guo Shan (Centro Social Chinês de São Paulo), na Universidade de São Paulo, entre outras, o número desses estudantes cresceu e isso se deu devido a identificada importância do Brasil para a China.

Da esquerda para a direita: Cabral (guia turístico do Ed. Martinelli em São Paulo), Chen Hsin, Sally Chou, Mei Fang, Mauri (estudantes de mandarim) e Li Yuan, que se dedica ao esporte. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Neste ano também houve uma série de eventos e atividades com jovens chineses no Centro Social Chinês e na escola de língua chinesa Sunhouse, e eles fornecem uma percepção importante do que é o Brasil*. O entendimento é de que o Brasil foi uma ponte, uma região turística para os jovens asiáticos, e para muitos realmente foi apenas isso, mas, hoje, tornou-se algo mais.

Para a taiwanesa Mei Fang, estudar a língua portuguesa é essencial para sua formação e para herdar a empresa de seus pais, que passaram a fazer exportação de produtos para o Brasil e outros latino-americanos. O país se tornou base para ela viajar por outros Estados da América do Sul, como é o caso do Chile, um importante parceiro dos chineses.

Outro exemplo é Sally Chou, da cidade de Shanghai, que veio por motivos semelhantes aos de Mei. Seu marido é engenheiro e morou no país durante o ano para tratar de negócios da indústria ferroviária com empresas brasileiras do setor.

O caso interessante foi de Chen Hsin e de Li Yuan, que vieram para conhecer o esporte e os pontos turísticos. Ambos os jovens participam de atividades atléticas em seu país de origem e o Brasil é uma referência no futebol e no vôlei.

A presença desses jovens asiáticos que vieram para o país em grande quantidade, com intensa migração nos últimos 10 anos, faz com que o Brasil tenha recebido uma visão ampla. No entanto, o intercâmbio cultural Brasil-China ainda é muito desequilibrado. Enquanto na China há uma força tarefa para conhecer e entender o Brasil, o seu povo e sua cultura, muito pouco do mesmo comportamento se vê em solo brasileiro. Por exemplo, a cultura chinesa ainda é muito confundida com a japonesa. Poucos sabem que a culinária asiática presente na região é chinesa, mas com nome japonês ou coreano, o que deixa os chineses bem tristes pela falta de conhecimento do povo brasileiro em relação a eles.

Nesse sentido, como se pode perceber das entrevistas e da percepção de alguns analistas, o olhar para a China deve se realizado para além dos cadernos econômicos, de forma que os campos esportivo e cultural precisam ser melhor explorados.

Placa na entrada do Centro de treinamento do Shandong Luneng, em Porto Feliz, Estado de São Paulo, Brasil

Na cidade de Porto Feliz, interior de São Paulo, clubes esportivos chineses vem investindo em escolas e alojamentos para promover a integração entre seus jovens e os locais. O objetivo deles é claro: desenvolver os seus clubes de Futebol. Mas, o investimento trouxe benefícios mútuos.

Em 2014, o clube Shandong Luneng comprou o Desportivo Brasil, reformulando totalmente a estrutura já existente, construindo escola, alojamentos, área de prática esportiva, algo que beneficiou pequenos clubes esportivos do interior, o público jovem local e promove a integração com os pequenos esportistas chineses.

Essa ação deixou claro como é simples e efetivo o planejamento de muitas empresas na China: buscar informação sobre onde há especialização acerca de determinado assunto, tema ou profissão; analisar o custo de implementação dessa base em seu país e o custo de investir diretamente na fonte; e, tendo os dados necessários, executar ações que lhes trarão um lucro no médio e longo prazo, de acordo com suas expectativas e prioridades.

Com tantas informações sobre a grande presença chinesa em solo brasileiro, em diversos campos de atuação que trazem benefícios para os locais, acreditam vários observadores que este é um momento de melhorar a visão sobre a China e de se pensar a integração cultural e desportiva entre jovens dessas duas grandes nações com potenciais distintos, mas que almejam o mesmo objetivo de desenvolvimento e crescimento para beneficiar seus povos.

Nesse sentido, preparar hoje uma geração para se comunicar melhor com os chineses no futuro será importante, pois eles já estão atuando dessa forma e quem tiver maior facilidade de adquirir informações e conseguir se comunicar com mais facilidade terá vantagens na hora de realizar acordos de cooperação mútua.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* As informações sobre tais percepções decorreram de contatos pessoais, entrevistas e conversas com estes estudantes em eventos e oportunidades que surgiram.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto dos Chefes de Estado e de Governo da IX Cúpula do Brics” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Michel_Temer_e_Xi_Jinping_2017.jpg

Imagem 2 Da esquerda para a direita: Cabral (guia turístico do Ed. Martinelli em São Paulo), Chen Hsin, Sally Chou, Mei Fang, Mauri (estudantes de mandarim) e Li Yuan, que se dedica ao esporte (Fonte):

Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 3 Placa na entrada do Centro de treinamento do Shandong Luneng, em Porto Feliz, Estado de São Paulo, Brasil” (Fonte):

http://www.desportivobrasil.com.br/historia/