CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

São Paulo, capital internacional de cultura no Brasil

Ano Novo Chinês, mostra de cinema, gastronomia e uma grande mistura de costumes típicos da cultura brasileira e estrangeira nos festivais e eventos de rua na capital paulista vem acontecendo na cidade nos últimos anos. Para a administração municipal, o objetivo é que a cidade se torne o maior centro cultural multidiversificado na América do Sul. Com esse objetivo, a cidade está promovendo neste momento o Primeiro Festival Internacional de Circo (FIC), com atrações nacionais e europeias.

Ano Novo Chinês comemorado na cidade de São Paulo. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

São Paulo se tornou o principal centro do Hemisfério Sul para atividades de entretenimento, por isso se justifica um Festival Internacional do Circo”*, declarou o prefeito João Dória, quando questionado sobre o motivo de promover esse programa.

Quando eu era criança, eu vivia a experiência que o circo e as escolas de circo proporcionavam na cidade. Hoje, os jovens não possuem tal experiência e esse festival irá trazer um novo tipo de entretenimento para os jovens, com espetáculos e oficinas culturais para aproximar o artista do público”*, respondeu ao CEIRI NEWSPAPER (CNP), durante entrevista coletiva na sede da Prefeitura de São Paulo.

O ator e palhaço Hugo Passolo, presidente da Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, está contribuindo e ajudando a Secretaria de Cultura do município a orquestrar tamanho evento que contará com artistas da Itália, França, entre outros países europeus, inspirado em grandes espetáculos promovidos pelas academias russas no mundo. O grande festival cultural gratuito, que será realizado entre os dias 11 e 15 de abril, no Centro Esportivo do Tietê, na zona norte da cidade, tem como principal finalidade garantir o intercâmbio cultural de forma democrática.

Um evento internacional como este está se tornando cada vez mais comum na capital paulista, que hoje é o maior destino de turismo de negócios na América do Sul e é um dos principais pontos de apresentação de importantes músicos e artistas internacionais fora do hemisfério norte. Além disso, apresenta constantes eventos de rua ligados à cultura de imigrantes, como o Ano Novo Chinês, o Festival do Japão, a Festa de Nossa Senhora Achiropita e o festival hindu, Holi Festival das Cores, sendo São Paulo a primeira cidade sulamericana a recebê-lo, bem como outras festividades, demonstrando a grandeza da cidade, o que também a torna a capital nacional da diversidade cultural no Brasil.

Holi Festival das Cores. Foto: Fabricio Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER

São Paulo abriga um grande número de imigrantes e descendentes de estrangeiros e, nos últimos anos, vem abrindo mais espaço para explorar essas diferenças culturais em forma de eventos regionais e outros grandes acontecimentos, como os que ocorrem durante a Virada Cultural da cidade. O prefeito João Dória demonstra saber do potencial de São Paulo e está investindo em Parcerias Público-Privadas (PPPs) para fomentar e transformar a cidade em um grande ponto turístico cultural e de entretenimento em todos os campos possíveis.

Hoje, não é difícil encontrar apresentações culturais, escolas de idiomas populares e exposições temáticas sobre países estrangeiros dentro da região metropolitana de São Paulo. O município está cada vez mais internacional, abrindo mais espaço para as relações internacionais.

Observadores apontam em análises e outros tipos de artigos que são publicados que ainda há deficiências e muitas das portas que vem sendo abertas estão distantes do que é discutido nos ambientes de debates sobre as Relações Internacionais. Mas tratam também sobre como a cidade poderia se tornar um exemplo se ela conseguir aplicar de forma mais ampla as suas políticas municipais, explorando o seu potencial turístico, promovendo o intercâmbio cultural e atraindo novos investimentos estrangeiros, servindo assim de modelo para que tais práticas possam ser adotadas em outras cidades do país.

———————————————————————————————–                    

Fontes Consultadas:

Fotos, reportagem e entrevista de Fabricio Bomjardim

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, anuncia o Festival Internacional de Circo” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 2 Ano Novo Chinês comemorado na cidade de São Paulo” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 3 Holi Festival das Cores” (Fonte – Autor):

Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

CNP In LocoNOTAS ANALÍTICASTecnologia

Campus Party 2018: Startup e tecnologia no Brasil*

Campus Party Brasil 2018 contou com uma programação voltada para palestras com convidados especiais. São especialistas e empreendedores atuando em áreas que vão do setor de empresas de varejo até a mais alta tecnologia.”

A Campus 2018 está focando no empreendedorismo, contando com uma área voltada para Startups (empresas emergentes), jovens empreendedores e academias para criadores. Dentro de sua estrutura, seja na área aberta ao público de forma gratuita, seja na área fechada aos campuseiros**, pequenos espaços tratam da educação na área de robótica e tecnologia. Há a academia para gamers; há a liga para desenvolvedores e também a academia para criação de cyborgs.

Neste segundo dia ocorreram palestras com nomes como Caito Maia, Fundador da Chilli Beans, e Mitch Altman, um famoso Hacker que foi um dos pioneiros no trabalho com Realidade Virtual. O CEIRI NEWSPAPER (CNP) aproveitou o tempo das palestras e apresentações e levantou questões importantes sobre suas respectivas áreas de atuação, e como eles veem o atual momento do empreendedorismo e da tecnologia no mundo.

Caito Maia, Fundador da Chilli Beans

Caito apresentou diversas experiências pessoais ao longo de sua trajetória, desde quando teve a ideia de criar a Chilli Beans até a obtenção do grande resultado de hoje. Para ele, o povo brasileiro é rico em ideias criativas, porém com pouca estrutura e recursos para pô-las em prática e, em muitos casos, sem muita orientação para fazer as iniciativas darem certo. Quando questionado sobre o que pensa sobre os jovens que não obtém sucesso ao iniciar uma startup, ele respondeu ao CEIRI NEWSPAPER: “O que falta no jovem é acreditar em seus sonhos, desenvolvê-los e não desistir. Hoje, existem muitas pessoas que iniciam uma startup e, quando não dá certo, ele inicia uma nova e acaba acumulando um conjunto de ideias que não deram certo. E isso foi por que não acreditou e desenvolveu aquele sonho, e aquelas ideias que teve no início”.

O fundador da Chilli Beans também fez comentário sobre a atuação do Governo brasileiro. Para ele, não há estrutura e incentivos por parte das administrações municipais, estaduais e federal para que os jovens iniciem seus empreendimentos. Declarou, respondendo ao público da Campus: “A carga tributária e a burocracia no país faz com que muitos desistam de seus sonhos antes mesmo de iniciá-los”.

Mitch Altman

Em uma descontraída palestra e apresentação de seu histórico no mundo da tecnologia, Mitch Altman mostrou que vê o mundo sem vida e cada dia mais rotineiro. O grande hacker que contribuiu para diversas tecnologias remotas, inclusive para bloqueios de sinais de TV e projetos de Realidade Virtual, comentou que a educação básica dentro da atual sociedade não ensina ninguém a viver a vida que cada um deseja, o que dificulta alguns grupos de pessoas a trabalharem coletivamente.

Respondendo a diversos jovens presente em sua palestra, Altman deu ênfase ao estilo de vida de cada um, focando no tempo em que as pessoas gastam em rotinas cotidianas de trabalho e o pouco tempo que gastam para o próprio lazer. Para ele, o ser humano passou a viver em função de um sistema rotineiro e não vive mais. Segundo declarou, suas invenções, como seu mecanismo de bloqueio de sinal de TV, foi uma forma de fazer com que as pessoas parassem de dedicar o próprio tempo a objetos de entretenimento que não educam, mas apenas alienam.

O mundo da realidade virtual seria um ponto de fuga para as pessoas viverem como desejam ou sonharam viver; para terem a liberdade de ser quem elas desejam ser. Essa realidade, porém, não é física, mas, quando for popularizada, poderá ser um novo tipo de entretenimento com condições de ajudar as pessoas a terem um pouco mais de paz e a se livrarem do stress cotidiano.

A Campus Party está reunindo profissionais, estudantes e diversos amantes de tecnologia, buscando unir o melhor do desenvolvimento tecnológico e realizar encontros que possam resultar na mais adequada maneira de juntar a tecnologia com o aprimoramento do bem-estar individual e coletivo, e possibilitando a criação de um mundo com pessoas que tenham condições de economizar tempo para se dedicarem aos seus interesses pessoais e as suas famílias.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Reportagem e entrevista de Fabrício Bomjardim.

** Campuseiros é o nome dado aos participantes da Campus Party.

———————————————————————————————–                     

Fontes das Imagens:                                                                                                                

Imagem 1 Entrada da Campus Party 2018 ” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

Imagem 2 Caito Maia” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

Imagem 3 Mitch Altman” (Fonte – Fabrício Bomjardim/CEIRI NEWSPAPER):

Fotografia realizadas pelo autor no local

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O temor de uma guerra sino-indiana ronda o sudeste asiático

A tecnologia é algo que não para de evoluir no mundo e o seu crescimento é ainda maior nos campos da Segurança e Defesa, com a tecnologia armamentista, o que leva diversos Estados a desenvolverem novos armamentos para garantirem a sua proteção. No continente asiático, o surgimento de novos equipamentos bélicos e o simples anúncio do desenvolvimento de aparelhos militares ou do aumento de verbas para estes campos é capaz de causar a desconfiança mútua entre os Estados que ali se situam, como é o caso da Índia na atualidade.

Nesta semana, este país testou um míssil balístico intercontinental, o que causa temores na região, principalmente para chineses e paquistaneses. Após 19 minutos de voo, com quase cinco mil quilômetros percorridos, o lançamento do míssil Agni-5 foi considerado bem-sucedido pelas Forças Armadas Indianas.

Exercito Chinês presente na região do Himalaia

Assim, a Índia entra de forma mais avançada na lista de nações que possuem mísseis balísticos, como a Rússia, os Estados Unidos e a China. Os sucessos obtidos com o Agni-1, Agni-2 e Agni-3 foram relevantes, mas nunca chegaram a atingir a marca de 4 mil quilômetros, e o Agni-5 tem capacidade de atingir qualquer nação dentro do território asiático e em parte da Europa e do Oriente-Médio. Porém, tanto os testes atuais quanto os anteriores realizados pelos indianos nunca geraram alarde internacional, pois historicamente a Índia tem tensões principalmente com paquistaneses e chineses em disputas territoriais.

Desde os tempos antigos, durante as Eras das dinastias chinesas, a existência de conflitos na região de fronteira entre os dois países foi algo comum, porém, na Era moderna, mais precisamente no final da década de 1950, os conflitos sino-indianos aconteceram no espaço hoje conhecido como Tibet do Sul (ou Arunachai Pradesh, tal qual é chamado pelos indianos), e se intensificaram na primeira metade da década de 1960. Desde então nunca ocorreram conflitos armados entre Nova Deli e Beijing, porém desentendimentos diplomáticos por conta de pequenas regiões no sul da Ásia acontecem gradualmente, o último foi em 2017, na área remota do Himalaia, em Doklam.

O Exército Popular de Libertação da China passou a aumentar a sua presença militar pela área e já foi anunciado que será construído um complexo militar no lugar, que fica a cerca de 5 quilômetros da fronteira entre a China e o Butão. O movimento de tropas chinesas e das nações vizinhas preocupam analistas de segurança da região, que especulam sobre o crescimento das tensões e o que poderia levar a um conflito.

Print do Twitter com a declaração sobre as atividades na região e questionando a presença dos chineses

Nos noticiários chineses, indianos e de outros países regionais é comum ver notícias sobre as tensões na área, assim como sobre constantes drones de diversas origens desrespeitando o espaço do vizinho. Recentemente, foi divulgado imagens de satélite com o aumento da presença de forças chinesas e de obras sendo realizadas pela China naquele espaço, o que não foi mal visto pelo Chefe de do Estado-Maior do Exército Indiano, Bipin Rawat. No entanto, ele afirmou para a imprensa indiana: “Todos se perguntam se os chineses voltaram [para Doklam] ou se é por causa do inverno que eles não podem retirar seu equipamento. Mas nós também estamos por lá, então, caso eles cheguem, vamos enfrentá-los”.

Em sua rede social, ele também faz observações sobre as atividades que estão ocorrendo e questiona sobre os motivos de os chineses estarem na área, descartando que isso provocaria uma guerra, mas, como declarado à imprensa, afirma que estão preparados para quaisquer ações de defesa da soberania da Índia.

Alguns analistas regionais acreditam que o Paquistão seja o mais preocupado com o armamento indiano, pois é um inimigo declarado, diferente da China, país com o qual Nova Deli mantém relações econômicas saudáveis.

A região do Himalaia sempre foi e continuará sendo região de desentendimento entre os países ali presentes, pelo cenário que está sendo construído. Hoje, o risco de uma guerra é descartado, pois, diante da situação econômica local e internacional, um conflito entre chineses e indianos, acrescido dos paquistaneses, seria uma catástrofe para o mundo, uma vez que são três potências nucleares com relevo internacional e desempenham importante papel para o equilíbrio regional.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:                                                                                                                 

Imagem 1 Míssil Agni5 sendo lançado pelas forças armadas da índia” (Fonte – Forças Armadas Indianas):

http://www.newsweek.com/india-launches-star-wars-missile-defense-china-pakistan-join-forces-762347

Imagem 2 Exercito Chinês presente na região do Himalaia” (Fonte – Ministério de defesa da China/Foto do oficial do Exército):

http://eng.mod.gov.cn/attachement/jpg/site22/20180117/161045b8fdb48026731328.jpg

Imagem 3 Print do Twitter com a declaração sobre as atividades na região e questionando a presença dos chineses ” (Fonte – Reprodução Twitter):

https://twitter.com/syedasimwaqar/status/953872278181130240?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Fbr.sputniknews.com%2Fasia_oceania%2F2018011810303472-china-concentra-tropas-area-disputada-india-doklam%2F

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

A relação sino-brasileira, uma relação desapercebida pelo brasileiro

Ao final de 2017, todas as notícias e acontecimentos no campo político-econômico doméstico brasileiro acabaram por abafar as ações de um importante ator internacional para o cotidiano do Brasil, cujo papel e relevância muitos brasileiros, senão a maioria, não sabem, às vezes ignorando também o grau de atuação que este tem na economia do país.

Desde o ano de 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e, entre 2016 e 2017, tornou-se o maior investidor em território brasileiro, destacando-se que o gigante asiático é a segunda maior economia do mundo. Existem dados suficientes para entender a importância chinesa para os brasileiros, porém eles não são frequentemente disseminados nos espaços sobre economia de jornais e revistas especializados. Conforme disse o especialista de questões da China da Fundação Getúlio Vargas, Evandro Menezes de Carvalho, para a Rádio China Internacional (CRI), “Há poucos estudos sistemáticos a respeito da sociedade chinesa de uma maneira aprofundada no Brasil”.

Suas palavras refletem a atual realidade da relação sino-brasileira, afinal, a presença chinesa está bem próxima do brasileiro, destacando-se, contudo, que mais longe daqueles que pulam o caderno de economia nos jornais. Economicamente, só neste ano (2017) os chineses intensificaram a compra de empresas brasileiras e até o meio do ano já haviam sido usados mais de US$ 8 bilhões em transações de investimentos e compra de empresas nacionais, dados este que, apesar da importância para o Estado brasileiro, não foram  apresentados por seus órgãos ou entidades, mas pela consultoria britânica Dealogic.

2017 foi um ano intenso de negócios entre os dois países. Além da compra de empresas brasileiras, as cidades chinesas passaram a utilizar mais o sistema de cidades irmãs, como é o caso de São Paulo, onde empresas da China estão investindo em segurança pública, como já foi noticiado aqui no CEIRI NEWSPAER. Nesse sentido, o ano dos contatos comerciais Brasil-China será encerrado no positivo, mas isso não é o suficiente para a manutenção das relações entre essas duas grandes nações.

Em 2017 ainda foi possível perceber uma presença chinesa diferente na cidade de São Paulo, com um grande número de estudantes chineses de língua portuguesa. Em entidades como o Fu Guo Shan (Centro Social Chinês de São Paulo), na Universidade de São Paulo, entre outras, o número desses estudantes cresceu e isso se deu devido a identificada importância do Brasil para a China.

Da esquerda para a direita: Cabral (guia turístico do Ed. Martinelli em São Paulo), Chen Hsin, Sally Chou, Mei Fang, Mauri (estudantes de mandarim) e Li Yuan, que se dedica ao esporte. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Neste ano também houve uma série de eventos e atividades com jovens chineses no Centro Social Chinês e na escola de língua chinesa Sunhouse, e eles fornecem uma percepção importante do que é o Brasil*. O entendimento é de que o Brasil foi uma ponte, uma região turística para os jovens asiáticos, e para muitos realmente foi apenas isso, mas, hoje, tornou-se algo mais.

Para a taiwanesa Mei Fang, estudar a língua portuguesa é essencial para sua formação e para herdar a empresa de seus pais, que passaram a fazer exportação de produtos para o Brasil e outros latino-americanos. O país se tornou base para ela viajar por outros Estados da América do Sul, como é o caso do Chile, um importante parceiro dos chineses.

Outro exemplo é Sally Chou, da cidade de Shanghai, que veio por motivos semelhantes aos de Mei. Seu marido é engenheiro e morou no país durante o ano para tratar de negócios da indústria ferroviária com empresas brasileiras do setor.

O caso interessante foi de Chen Hsin e de Li Yuan, que vieram para conhecer o esporte e os pontos turísticos. Ambos os jovens participam de atividades atléticas em seu país de origem e o Brasil é uma referência no futebol e no vôlei.

A presença desses jovens asiáticos que vieram para o país em grande quantidade, com intensa migração nos últimos 10 anos, faz com que o Brasil tenha recebido uma visão ampla. No entanto, o intercâmbio cultural Brasil-China ainda é muito desequilibrado. Enquanto na China há uma força tarefa para conhecer e entender o Brasil, o seu povo e sua cultura, muito pouco do mesmo comportamento se vê em solo brasileiro. Por exemplo, a cultura chinesa ainda é muito confundida com a japonesa. Poucos sabem que a culinária asiática presente na região é chinesa, mas com nome japonês ou coreano, o que deixa os chineses bem tristes pela falta de conhecimento do povo brasileiro em relação a eles.

Nesse sentido, como se pode perceber das entrevistas e da percepção de alguns analistas, o olhar para a China deve se realizado para além dos cadernos econômicos, de forma que os campos esportivo e cultural precisam ser melhor explorados.

Placa na entrada do Centro de treinamento do Shandong Luneng, em Porto Feliz, Estado de São Paulo, Brasil

Na cidade de Porto Feliz, interior de São Paulo, clubes esportivos chineses vem investindo em escolas e alojamentos para promover a integração entre seus jovens e os locais. O objetivo deles é claro: desenvolver os seus clubes de Futebol. Mas, o investimento trouxe benefícios mútuos.

Em 2014, o clube Shandong Luneng comprou o Desportivo Brasil, reformulando totalmente a estrutura já existente, construindo escola, alojamentos, área de prática esportiva, algo que beneficiou pequenos clubes esportivos do interior, o público jovem local e promove a integração com os pequenos esportistas chineses.

Essa ação deixou claro como é simples e efetivo o planejamento de muitas empresas na China: buscar informação sobre onde há especialização acerca de determinado assunto, tema ou profissão; analisar o custo de implementação dessa base em seu país e o custo de investir diretamente na fonte; e, tendo os dados necessários, executar ações que lhes trarão um lucro no médio e longo prazo, de acordo com suas expectativas e prioridades.

Com tantas informações sobre a grande presença chinesa em solo brasileiro, em diversos campos de atuação que trazem benefícios para os locais, acreditam vários observadores que este é um momento de melhorar a visão sobre a China e de se pensar a integração cultural e desportiva entre jovens dessas duas grandes nações com potenciais distintos, mas que almejam o mesmo objetivo de desenvolvimento e crescimento para beneficiar seus povos.

Nesse sentido, preparar hoje uma geração para se comunicar melhor com os chineses no futuro será importante, pois eles já estão atuando dessa forma e quem tiver maior facilidade de adquirir informações e conseguir se comunicar com mais facilidade terá vantagens na hora de realizar acordos de cooperação mútua.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* As informações sobre tais percepções decorreram de contatos pessoais, entrevistas e conversas com estes estudantes em eventos e oportunidades que surgiram.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto dos Chefes de Estado e de Governo da IX Cúpula do Brics” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Michel_Temer_e_Xi_Jinping_2017.jpg

Imagem 2 Da esquerda para a direita: Cabral (guia turístico do Ed. Martinelli em São Paulo), Chen Hsin, Sally Chou, Mei Fang, Mauri (estudantes de mandarim) e Li Yuan, que se dedica ao esporte (Fonte):

Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 3 Placa na entrada do Centro de treinamento do Shandong Luneng, em Porto Feliz, Estado de São Paulo, Brasil” (Fonte):

http://www.desportivobrasil.com.br/historia/

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Relações Internacionais da prefeitura São Paulo

O Prefeito de São Paulo, João Dória Jr., vem sendo alvo de críticas positivas e negativas por conta de suas viagens internacionais, muitas delas voltadas para seu programa de privatização de áreas públicas dentro da capital paulista.

Independentemente deste programa, as ações do Prefeito e da Secretaria de Relações Internacionais da cidade de São Paulo vem apresentando resultados positivos. Desde os protocolos de cidades irmãs e a atração de empresas asiáticas até as ações feitas em relação às tradicionais nações europeias e aos vizinhos na América do Sul.

Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. (à esquerda), e o Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (à direita)

Neste ano (2017), a cidade recebeu as visitas dos embaixadores espanhol e cubano, de cônsules latino-americanos, além da visita do Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, dentre outras importantes autoridades estrangeiras que lá estiveram.  Essa série de eventos e visitas tem como objetivo promover e reforçar o projeto paulistano* de “Cidade Inteligente”, ideia que, associada aos programas de cooperação de cidades-irmãs, facilita a assinatura de variados acordos entre São Paulo e diversas cidades com as quais esteja coligada pelo mundo.

No mês de agosto, a Câmara Brasil-Alemanha (AHK São Paulo) promoveu um evento envolvendo grandes corporações alemãs localizadas tanto no município como no Estado de São Paulo para recepcionar o prefeito João Dória.

Atualmente, o Estado abriga a maior parte das empresas alemãs no Brasil. Das 1400 existentes em todo o território nacional, 900 delas estão dentro do Estado, e 500 na cidade de São Paulo, ou seja, aproximadamente 36%, o que demonstra a importância das relações externas entre a capital paulista e os alemães.

As empresas alemãs querem aumentar sua atuação na região e no país e as propostas da gestão paulista podem agradá-las muito. Além disso, elas devem começar a intensificar os contatos graças às últimas ações de cooperação entre a Prefeitura e o Governo do Estado com corporações chinesas, algo que vem deixando os empresários germânicos com certo incômodo, devido ao receio de perderem espaço para os concorrentes asiáticos.

Vale lembrar que a proposta da Prefeitura de São Paulo é deixar seus processos mais digitalizados até o ano de 2018, e com essa ideia fechou diversas parcerias com empresas da China no intercâmbio de tecnologia voltada para vigilância, segurança e para aplicativos visando melhorar a comunicação interna da Prefeitura, evitar processos burocráticos e agilizar a gestão.

A parceria entre asiáticos e paulistanos vem dando certo e já está sendo expandida do campo municipal para o estadual, onde, hoje, conta com a parceria entre a Universidade de São Paulo (Universidade pública estadual) e empresas asiáticas para evoluir em projetos de segurança e para trabalhar nos conceitos de Smart Cities.  

As corporações alemãs, por sua vez, estão apostando em ir além do intercâmbio e da troca de benefícios tecnológicos para chegar ao campo social. Empresas como a BASF, Bosch, Commerzbank, Drees & Sommer, Faber-Castell, Mercedes-Benz, Rödl & Partner, Roland Berger, SAP, Siemens e Volkswagen, além de entidades como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a Câmara Brasil-Alemanha e a Agência Alemã para Cooperação Internacional (GIZ), estão apostando no desenvolvimento da cidade para obter vantagens comerciais na região.

A proposta é trabalhar na melhoria do bem-estar social, no campo ecológico e no fomento cultural e do turismo empresarial e tradicional na cidade, já anunciando até a mudança da tradicional festa alemã no Brasil, a October Fest, para a cidade de São Paulo, saindo, portanto, do Estado de Santa Catarina.

Pensando de forma similar aos alemães, o Prefeito de Buenos Aires, Horácio Larreta, também voltou seus esforços para ampliar suas relações com o Brasil, principalmente com o seu homólogo, João Dória.

Durante o encontro entre os dois, na sede da Prefeitura de São Paulo, foi enfatizada a proposta de desestatização no município brasileiro, e centraram foco na intensificação do intercâmbio e do turismo cultural entre as duas cidades.

Atualmente, as trocas comerciais entre paulistas e argentinos são de 583 milhões de dólares por ano e, com propostas e desafios similares, Larreta destacou a necessidade de enfatizar a indústria criativa e do talento, além de trabalhar na ampliação da exportação de serviços para ganhar mais espaço no setor alimentício de São Paulo, principalmente no setor de frutas.

Os acordos assinados pelo Prefeito paulistano com chineses, argentinos, alemães, dentre outros, demonstra como a cidade está trabalhando mais com suas relações internacionais. Dória tem buscado aproveitar melhor o trabalho de paradiplomacia, que usa dos espaços em que não há necessidade de aval do Governo Estadual e do Governo Federal, uma burocracia excessiva que dificulta a formalização até mesmo de projetos simples, os quais podem trazer benefícios para as grandes, médias e pequenas cidades brasileiras, mas são impedidos por esse excesso de centralização.

As ações com foco no Protocolo de Cidades-Irmãs, por exemplo, ganharam nova ênfase para o Governo paulistano, e deixou de ser uma sigla para se tornar um mecanismo mais aproveitável em prol do desenvolvimento do município.

Caberá, no entanto, verificar o que está certo dentro dessas relações e parcerias que estão formalizadas; além de analisar se elas serão efetivas e eficazes; e, no caso de um provável sucesso, identificar até onde elas poderão servir de modelo para outras administrações municipais e estaduais pelo território brasileiro.

———————————————————————————————–                    

* Usa-se o termo “paulista” para designar os cidadãos que são naturais do Estado de São Paulo, ou seja, que nasceram em qualquer cidade dentro da área abrangida por esta subunidade brasileira. Para aqueles cidadãos nascidos na Capital do Estado de São Paulo, ou seja, na homônima cidade de São Paulo, o termo que se usa é “paulistano.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. em evento da Câmara Brasil-Alemanha” (Fonte):

Foto cedida por Fabrício Bomjardim o Autor

Imagem 2 Prefeito de São Paulo, João Dória Jr. (à esquerda), e o Prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (à direita)” (Fonte):

Foto cedida por Fabrício Bomjardim o Autor

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Empresas chinesas investem em Segurança Pública na América Latina

A segurança pública é um tema discutido em todo o mundo, principalmente em países considerados em desenvolvimento, como os da América do Sul, em que são analisadas as carências e possíveis soluções para o setor. Nesse sentido, corporações chinesas apostam neste seguimento para ampliar seu leque de negócios nos Estados latino-americanos e, buscando apresentar o melhor em soluções tecnológicas, a empresa chinesa Huawei está promovendo a Cúpula Da Cidade Segura da América Latina, em São Paulo, contando com a presença de autoridades de todo o Brasil e de nações vizinhas.

Essa gigante da comunicação apresentou diversas soluções tecnológicas para o monitoramento em tempo real, as quais podem contribuir para a segurança de pequenas e grandes cidades, não apenas com softwares, mas também com hardwares que podem compor desde uma frota de ônibus até meios de monitoramento aéreo. O objetivo da empresa é apresentar recursos de ponta de forma acessível para a aquisição de firmas ou instituições que cuidam da segurança pública em suas respectivas jurisdições.

Foto: Prefeitura de São Paulo – Reprodução Tecmundo.com

A cidade de São Paulo está sendo uma das primeiras no país a contar com a presença dos chineses no campo da Segurança. Em abril deste ano (2017), a Prefeitura recebeu a doação de equipamentos da chinesa Dahua Technology, recebendo kits com câmeras para vigilância e drones para uso da Guarda Civil Metropolitana (GCM), equipamentos avaliados em cerca de R$ 650 mil reais. Além disso, a administração municipal deverá contar com mais de 150 mil reais em serviços de suporte, através de uma doação da companhia Airobotics.

O programa batizado de Dronepol deverá ser um modelo a ser disseminado para outras cidades brasileiras e até para governos estaduais e federal, e já está atravessando fronteiras.  Durante o primeiro dia de evento, agentes que compõem a força policial da cidade de Sucre*, capital da Bolívia, demonstraram interesse em ampliar sua parceria com as empresas chinesas, seguindo o exemplo da capital paulista.

O Prefeito da cidade paulista de Campinas, Jonas Donizette, e o governador do Estado de São Paulo (Brasil), Geraldo Alckmin, também apresentaram entusiasmo com o que vem sendo apresentado no evento e estudam meios de viabilizar parcerias para agregarem aos seus sistemas de segurança atuais. A tecnologia chinesa viabiliza integrar reconhecimento facial nas câmeras de monitoramento fixas e de drones que sobrevoam regiões onde são necessários, como em grandes manifestações e eventos de público aberto.

Sistema de monitoramento da Huawei. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

No Brasil e em outros países vizinhos, a monitorização e manutenção de equipamentos que fazem a vigilância e acompanhamento em suas pequenas e grandes cidades têm custos muito elevados e nem todos contam com equipamentos com tecnologias nacionais. Grandes corporações chinesas sabem dessa deficiência e apostam em parcerias com empresas regionais para redução de custos e para oferecer soluções mais atrativas do que as propostas pelas empresas estadunidenses e europeias.

Um fato que é reconhecido é a carência por soluções tecnológicas para segurança pública na América Latina e esse ponto gera um grande mercado que está cada vez mais perto de receber uma presença massiva de tecnologias chinesas, o que poderá contribuir ainda mais na mudança das relações entre a China e países da América Latina, em especial as sul-americanos, passando de simples transações de importação e exportação de bens primários e de construção civil para o comércio de tecnologia avançada.

———————————————————————————————–

* Sucre é capital constitucional da Bolívia, além de ser, também, a capital do Departamento de Chuquisaca. A sede do Governo, no entanto, está localizada em outra cidade, La Paz, fazendo desta a capital de fato de Bolívia.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da Cidade Segura em São Paulo” (Fonte Autor):

Foto Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 2 Drones chineses devem ajudar GCM no monitoramento da cidade de São Paulo” (Fonte Foto: Prefeitura de São Paulo Reprodução Tecmundo.com):

https://www.tecmundo.com.br/drones/116103-drones-chineses-devem-ajudar-gcm-monitoramento-cidade-paulo.htm

Imagem 3 Sistema de monitoramento da Huawei” (Fonte Autor):

Foto Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER