ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Wang Yingfan: É preciso mais esforços para a paz na Ásia[:]

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Quando nos deparamos com o noticiário no continente asiático, vemos que mais de 60% deles falam sobre o tema da segurança regional, mas, em boa parte, uma segurança hipotética, baseada em especulações sobre conflitos pontuais que envolvem atores comuns, principalmente a China e os Estados Unidos, tendo-se, assim, uma gigante panela de pressão no cenário internacional, aparentando que irá explodir a qualquer momento. As recentes mobilizações feitas por estadunidenses e aliados para exercícios militares simulados no continente aqueceu as discussões sobre a questão de segurança na região.

Todos os anos, militares norte-americanos e sul-coreanos realizam manobras na área da península coreana, fazem outras atividades com as forças de autodefesa japonesa e também, mais ao sul, no oceano Índico, com diversas forças aliadas. Tais ações sempre foram vistas de forma cautelosa pelas potências regionais, mas nunca ocorreu um movimento que ficasse fora do campo de especulações e de reclamações formais e verbais.

Hoje, as mesas de discussão ganham mais forças desde que chineses e russos passaram a realizar exercícios militares conjuntos e com o aumento da capacidade naval e aérea de Beijing, algo que muitos o viram como resposta ao THAAD (Sistema de Escudo Antimíssil norte-americano na Coreia do Sul), embora outros pensem no tema como uma possível ameaça, tendo em vista que os chineses tem disputas territoriais com países no sudeste asiático e poderiam usar o seu poderio para responder às Leis Internacionais que lhes negam a soberania sobre os mesmos.

Nesse início de ano (2017), os noticiários foram recheados de manchetes sobre testes de mísseis na Coreia do Norte, país que é usado como a grande justificativa para os avanços militares de japoneses, sul-coreanos e estadunidenses na região e, sem surpresas, bombardeiros B-1B da Força Aérea Norte-americana realizaram exercícios estratégicos na península coreana, além de aeronaves e submarinos que também executaram manobras na área, algo que desagrada muito a Coreia do Norte e não deixa Beijing tranquila.

Nesta semana, um antigo diplomata chinês, Wang Yingfan, em entrevista para imprensa da Coreia do Sul, afirmou que está faltando diálogo entre Seul, Beijing e Washington para evitar que em algum momento as divergências de opiniões possam mudar de rumo e se tornem um atrito real, refletido por ações militares. “A chuva já começou, mas são necessários esforços para evitar que a chuva fique mais pesada”, disse o ex-embaixador da China nas Nações Unidas, para a mídia da Coreia do Sul.

Para ele haverá algumas consequências com o THAAD e, aparentemente, já podemos ver algumas mudanças na área, basta observar o setor econômico. Neste momento as relações comerciais entre ambos países estão esfriando, incluindo no campo do turismo, ocorrendo proibição de pacotes turísticos para viajantes que desejam conhecer a Coreia do Sul e vice-versa.

A China é, hoje, uma das principais potências militares da região, junto com a Índia, quando se observam apenas seus recursos militares próprios, desconsiderando alianças, mas não seriam fortes o bastante para tentar qualquer ofensiva contra o Japão e Coreia do Sul, que somam aos seus repertórios uma efetiva parte do poderio estadunidense. Construindo um cenário sobre alguma possível ofensiva militar chinesa, isso se daria mais ao sul, sobre a ilha de Formosa (Taiwan), Filipinas e outros pequenos países que possuem atritos e divergências territoriais; para com a Coreia do Sul, a possibilidade é bem pequena, pois, historicamente, Seul e Beijing nunca foram nações inimigas e ainda compartilham de interesses comuns contra o Japão, o que deixa em aberto quem poderia ser o potencial perigo para a segurança regional e o que realmente daria um empurrão para uma nova guerra com múltiplos atores na Ásia. Seria a Coreia do Norte?

Em resposta a um repórter sul-coreano, sobre a alusão do Secretário de Estado norte-americano, Rex Tilerson, em relação aos avanços bélicos e nucleares de Pyongyang, Wang Yingfan entrou em desacordo. Alertou: “Uma opção militar, ou uma guerra, nunca deveria ser permitida … ela nos trará um enorme desastre”.

Declarou que com a Coreia do Norte a resolução tem que ser pacífica, mas não deu detalhes ou opções para a resolução do caso. O caso norte-coreano se torna uma incógnita quando se observa que nenhuma solução além de sansões econômicas são aplicadas. Chineses, russos, sul-coreanos, japoneses e estadunidenses não apresentam algum tipo de planejamento efetivo que se aproxime de um entendimento comum, seja no campo militar, seja no diplomático, resultando nas repetidas manobras militares agendadas, as quais continuam gerando especulações no passar dos últimos 15 anos.   

Tensões entre as principais potências mundiais e do continente asiático não trazem benefícios, apenas afetam negativamente a economia, uma vez que, ao se relacionarem apenas com europeus e com os Estados Unidos, as economias japonesa e coreana não se fortalecerão. A importância da China vem à tona e com ela a surge a necessidade de se criar novas políticas e renovar as atuais relações comerciais e diplomáticas. Wang e uma equipe chinesa estão em Seul para tentar apaziguar as relações comerciais e diplomáticas, pois uma estabilidade entre estas duas grandes potências será importante para a manutenção do ciclo econômico do mundo globalizado, onde não há como sobreviver de forma isolada ou com poucos parceiros.

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Imagem 1Bombardeiro B1B” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/0300000000ASP20170322002700883.HTML

Imagem 2Wang Yinfan” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://english.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/56/0301000000AEN20170322011200315F.html

Imagem 3Área portuária de Seul, Coreia do Sul” (Fonte Banco livre de imagens Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2017/03/22/0300000000ASP20170322003500883.HTML

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ÁSIADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Manobras militares do Japão podem causar atritos com a China[:]

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Na semana passada, as redes de notícias asiáticas reproduziram informações da imprensa japonesa sobre o envio do navio de guerra Izumo para o Mar do Sul da China e para o oceano Índico, com o objetivo de realizar manobras de teste e participar de exercícios conjunto com as Marinhas dos Estados Unidos e da Índia. Este comunicado desagradou aos chineses que ameaçam retaliar o Japão, caso o navio se dirija à região.

O Izumo é um enorme Destroyer, único no mundo, que em outras regiões poderia ser classificado como Porta-Aviões leve, devido a sua capacidade de transportar um significativo número de helicópteros e aviões do tipo F-35B, de decolagem vertical. Esta é uma das peças que compõem a Marinha e as Forças de Autodefesa do Japão, as quais são limitadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A partir dessa época a Marinha Japonesa não amplia sua zona de atuação, hoje restrita apenas às áreas próximas ao território japonês, deixando alguns especialistas em segurança com dúvidas sobre os planos do país em demonstrar a capacidade de sua força naval em uma região onde ele não tem envolvimento em conflitos e disputas territoriais. Esta área é regida por uma série de disputas territoriais envolvendo China, Filipinas e Vietnã, cujas discussões vem melhorando e se tornando menos tensas nos últimos 2 anos, mas que podem ganhar novo elemento de tensão com a presença japonesa.

Sem dúvida, isto será uma demonstração do poder e das novas capacidades da marinha japonesa e das suas capacidades para projetar a força nas áreas mais distantes do mundo”, afirmou o especialista militar russo Vasily Kashin para a Sputnik News da China.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, comunicou que a China irá retaliar o Japão de forma rígida em diferentes campos de atuação, deixando em aberto as possibilidades para embargos econômicos ou até intervenção militar na região, caso a manobra se concretize. Curiosamente, o percurso calculado para o Destroyer faria escalas em Singapura, Indonésia, Filipinas e Siri Lanka, antes de se unir aos indianos e estadunidenses, sendo uma programação chamativa, tendo em vista os problemas territoriais que ocorrem nesta área.

Atualmente, os navios japoneses são importantes peças para as campanhas estadunidenses na Ásia, assim como para o seu aliado, a Coreia do Sul. A união entre Washington, Seul e Tokyo dá ao grupo maior mobilidade aeronaval e terrestre na região, contando com a forte presença da Força Aérea Americana em bases na ilha de Okinawa, uma efetiva Marinha Japonesa e um Exército eficaz na Coreia do Sul, enquanto a China ainda esta finalizando seus novos Submarinos e Porta-Aviões de médio e grande porte, os quais estão centrados na região sul do país, voltados exatamente para onde os japoneses pretendem testar sua capacidade marítima, na tensa região da indochina.

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Imagem 1 JS Izumo (DDH183) em Dezembro de  2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Izumo-class_helicopter_destroyer

Imagem 2 Hua Chunying” (Fonte Xinhua News/Chinanews.com):

http://portuguese.cri.cn/1721/2017/03/16/1s229061.htm

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAEURÁSIA

A questão atual da Coreia do Norte - além do receio da arma nuclear

O ano de 2017 iniciou trazendo dúvidas sobre o futuro das relações internacionais, após as eleições presidenciais realizadas pelo globo. Nesse sentido, há convergência entre os analistas e observadores internacionais de que a maior notícia em todo o planeta foi a Eleição nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump. Enquanto o mundo desvia suas atenções para Trump, refletindo sobre os casos que o envolvem com os russos, sobre os temas polêmicos a respeito da imigração, entre outros, Kim Jong-un – Presidente da Coreia do Norte – também se tornou notícia permanente, mas sem destaque nas manchetes, exceto quando se tratou da questão da Segurança Internacional.

A Coreia do Norte sempre foi um tema com maior repercussão na Ásia e nos Estados Unidos devido à posição geográfica estratégica do país e pelo envolvimento direto estadunidense em apoio aos inimigos declarados de Pyongyang*. Mas, até no continente asiático, o líder supremo norte-coreano veio sendo ofuscado pela incerteza do futuro das relações nipônicas, das relações sul-coreanas e das relações de outras nações da região com Washington, sendo mais ofuscado ainda pela repercussão que vem tendo o Impeachment da presidente sul-coreana Park Geun-hye.

Durante o tempo em que estadunidenses, russos e sul-coreanos eram as pautas mais importantes, Kim Jong-un foi notícia especialmente em relatórios de Direitos Humanos na Organização das Nações Unidas e, na própria Coreia do Norte, sobre os temas relevantes ao seu Governo, ressaltando-se que a agência de notícias oficial do país, a KCNA, tem a agenda presidencial como principal base de suas pautas. Como ilustração, a Agência relata o líder supremo visitando internatos, obras de infraestrutura, fábricas de processamento de soja e temas ligados a relações externas, como, por exemplo, quando Kim Jong-un felicitou formalmente Mohamed Abdullahi como Presidente da República Federal da Somália.

O país tem suas riquezas e, curiosamente, a falta de modernidade em seu território o leva a preservar uma grande parcela da tradicional cultura coreana, desde a arquitetura até outros traços culturais típicos de seus costumes que, hoje, perdem espaço na região sul da península, devido a modernização dos centros urbanos. Existem centros literários na Coreia do Norte e fora dela mantendo artigos escritos antes de os residentes da península criarem o atual alfabeto de língua coreana, e preservando materiais que ainda usavam caracteres chineses como escrita principal. Além disso, estão sendo criados centros de estudos fora do país, como na Rússia, e outros espaços para a preservação e divulgação de sua cultura pelo mundo.

Como os especialistas ressaltam, certamente, se as fronteiras do país fossem abertas e um estudo detalhado fosse realizado de forma livre, a ONU iria tombar muitas áreas como patrimônio cultural e histórico da humanidade na região norte da península e, assim, a violação dos Direitos Humanos não seria a única preocupação na Coreia do Norte. O país tem um grande potencial humano em arte e esportes e tem feito um significativo investimento em modalidades desportivas, realizando eventos constantes de diferentes esportes e sempre mantendo participações positivas em eventos internacionais pela Ásia e até em grandes acontecimentos globais, como na Olimpíada, a exemplo da Rio 2016, quando os norte-coreanos ficaram na 34ª posição, à frente de muitos países mais desenvolvidos.

Vale ressaltar que a Coreia do Norte, considerada o Estado mais isolado do mundo, tem suas potencialidades em atividades artísticas, esportivas e para o turismo, mas o grande questionamento da sociedade internacional é sobre o motivo de ela investir recursos que o mundo não tem certeza de suas origens para suas Forças Armadas e ter realizado pouco aporte para a base de sua sobrevivência alimentar, cultural e infraestrutura, carecendo, por isso, da participação das instalações industriais de origem sul-coreana para manter uma margem maior de pessoas empregadas no país. Em muitos momentos, a impressão gerada é de que os seus governantes priorizam ser manchete dos noticiários internacionais através de fatos considerados negativos pelos meios de comunicação, mas estes podem refletir de diretamente na reputação do povo coreano.
Conforme foi divulgado, a União Europeia listou a Coreia do Norte como um dos destinos mundiais para lavagem de dinheiro e, nesta semana, o país realizou mais um teste de míssil balístico, algo que lhe colocou como principal assunto em alguns lugares. O teste do Pukguksong-2 teve sucesso, sendo aclamado como grande vitória e avanço em Pyongyang*, mas desagradou a comunidade internacional.

Todas as parte devem exercitar a contenção e manter conjuntamente a paz e a segurança na região”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang. Chineses e russos mostraram-se preocupados, porém eles foram alvos de cobranças e crítica por parte do Japão, que pede aos principais aliados de Kim Jong-un atitudes consideradas pelos japoneses como mais produtivas.

Enquanto Kim visitava algumas regiões do seu país, seus engenheiros mantinham seus programas de mísseis a todo vapor, tanto que, poucos dias antes do atual ensaio, alguns mísseis de alcance intermediário (IRBM) haviam sido testados, mas sem a grande repercussão que teve o Pukguksong-2. O foco nas eleições americanas e os noticiários sobre escândalos em Seul** deixou a face norte da península mais tranquila para os preparativos de seus testes, uma vez que ficou longe da pressão costumeira, que é sempre aumentada com mais sanções, as quais o país vem constantemente sofrendo ao longo dos anos, mas nada, até hoje, impediu suas ações.
Segundo um grupo expressivo de analistas, falar da Coreia do Norte é falar de risco nuclear, mas também é falar de um país asiático com potenciais não explorados. Por isso, evitar focar apenas em temas de segurança traz a possibilidade de que o país não seja um caso perdido para a comunidade internacional, pois, por mais que os norte-coreanos tenham de receber ajuda humanitária para manterem sua sociedade e em poucos momentos sejam abertas portas para confraternização entre os coreanos do Sul e do Norte, há espaço para a aproximação e convergência, logo inserção na comunidade internacional. No entanto, ressaltam os observadores internacionais, tais esforços positivos regridem a cada teste bélico executado.

O ano de 2017 está começando com novos líderes mundiais no comando de importantes nações com poderio econômico e militar. Conforme vem sendo destacado, muitos deles estão adotando diálogos firmes e duros quando o assunto é o Estado norte-coreano, bem como sobre qual será o futuro na península coreana, além de refletirem sobre um possível reinício da Guerra da Coreia, ou sobre o fim da cúpula política que exerce o poder na região norte-coreana. Tais questões e reflexões poderão nortear o comportamento desses líderes, bem como as relações desses Estados com a Coreia do Norte.

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* Capital da Coreia do Norte, sede do Governo

** Capital da Coreia do Sul, sede do Governo

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Imagem 1 Kim Jongun em escola primária em Pyongyang” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

Imagem 2 Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Direitos_Humanos_das_Nações_Unidas#/media/File:UN_Geneva_Human_Rights_and_Alliance_of_Civilizations_Room.jpg

Imagem 3 Kim Jongun visitando obras de estrutura urbana na capital norte coreana” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

Imagem 4 Kim Jongum com soldados” (Fonte Divulgação KCNA***):

http://www.kcna.kp/kcna.user.special.getArticlePage.kcmsf

 Imagem 5 Míssil de médio alcance nortecoreano” (Fonte Divulgação Yonhap News):

http://spanish.yonhapnews.co.kr/northkorea/2017/02/13/0500000000ASP20170213000200883.HTML

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*** Todas as imagens da Agência de Notícias Norte-Coreana (KCNA, sigla em inglês) são de livre divulgação

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Park Geun-hye e seu futuro incerto à frente da Coreia do Sul[:]

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Em 2015, ela foi uma das pessoas mais poderosas do mundo; em 2016 uma das mulheres mais poderosas; porém, em 2017, poderá ser a primeira Presidente impichada na Coreia do Sul. A presidente sul-coreana Park Geun-hye tem sua vida ligada a política de seu país, incialmente por ser filha de Park Chung-hee, Presidente da Coreia do Sul, entre 1963 e 1979; além disso, por ter vivido sua infância em meio as tensões entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Em1974, com 22 anos perdeu sua mãe, Yuk Young-soo, em um atendado norte-coreano contra a vida de seu pai. Após a morte de sua mãe, a jovem Park teve que entrar para a política, assumindo o papel de Primeira Dama em exercício da nação, adaptando-se bem ao mundo político.

Durante os anos em que seu pai foi Presidente do país, houve um grande desenvolvimento econômico devido a exportações e aos investimentos feitos em infraestrutura e educação por toda a Coreia do Sul, aliado ao comprometimento de Seul em manter boas relações com potenciais parceiros econômicos ao redor do mundo. Na Coreia, aquele momento foi nomeado como Milagre do Rio Han, devido aos feitos que são lembrados até hoje, mas que teve um fim trágico na época, quando Park Chung-hee foi assassinado em 1979 por um dos agentes da inteligência sul-coreana.

Park Geun-hye manteve-se no mundo da política sul-coreana desde aquele período, passando por importantes cargos e tendo assumido a Presidência do Partido Saenuri, entre os anos de 2004 e 2006, ainda sob o antigo nome Grande Partido Nacional (GNP, na sigla em inglês). Antes de vencer as eleições presidenciais de 2012, ela era membro da Assembleia Nacional da Coreia do Sul, na qual foi legisladora desde 1998, preservando uma boa rede de contatos que lhes foram úteis na corrida eleitoral que viria a disputar.

Em 2012 o mundo passava por uma grande crise econômica, muitos países tiveram líderes reeleitos, mas não foi assim na Coreia do Sul. Moon Jae-in havia sido derrotado por Park, algo que surpreendeu vários especialistas na época. O professor de estudos coreanos da Universidade de Tufts, Sung-Yoon Lee, via Park em um conflito de opiniões populares nas cidades coreanas, pois numerosos cidadãos a tomavam como a filha de um ditador, embora outros a vissem como a filha do Presidente que contribuiu com o desenvolvimento econômico sul-coreano.

David Straub, diretor de estudos coreanos na Universidade de Standford, havia dito em entrevista à PBS que a sua vitória havia sido pela sua linha conservadora, algo que, na Coreia do Sul, significava dar prioridade aos negócios e não apenas enfatizar os temas ligados à Coreia do Norte. Park sempre foi bem rígida quando o tema era Pyongyang, mesmo sendo a favor da reunificação da Península.

Após assumir o cargo de Presidente de uma das principais potências da Ásia e uma das grandes economias globais, a Forbes classificou-a como uma das mulheres mais poderosas e influentes em 2015 e 2016. Mas, em seu país, a opinião pública sempre foi muito dividida, variando conforme os temas que mais abalavam a Coreia do Sul, pois a sua classificação por entidades estrangeiras e a opinião de outros líderes globais não são tão relevantes para os sul-coreanos.

Com a abertura do Processo de Impeachment contra a presidente Park, em dezembro de 2016, a opinião pública coreana já tinha 67% de pessoas pedindo a sua renúncia. Ter seu nome envolvido em casos de corrupção abalou completamente a imagem da Presidente, que hoje está afastada.

Segundo a promotoria que conduz o Processo de Impeachment, Park está ligada a um enorme esquema de extorsão de empresas sul-coreanas, conspirando com uma de suas amigas de infância, Choi Soon-sil, em um caso que envolve grandes empresas do país, dentre elas a Samsung. A amiga de Park e o herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, um dos líderes da gigante coreana, estão sendo ouvidos pelas autoridades competentes. Choi já está em cárcere e Lee está aguardando autorização da justiça para sua prisão ser efetivada.

Choi e outras pessoas investigadas dizem que Park Geun-hye não tem envolvimento no caso de corrupção, mas opositores da Presidente fazem de tudo para afastá-la em definitivo. Eles tentaram até aumentar as acusações contra ela, em casos que envolvem crime de responsabilidade à segurança nacional, conforme já notificamos em Notas Analíticas no CEIRI NEWSPAPER, mas isso não abala o país tanto como o caso de propina envolvendo-a com as grandes corporações sul-coreanas.

Park entrou para a história como a primeira mulher a assumir à Presidência na Coreia do Sul e poderá ser a primeira a ser impichada no país, sendo que, no ano de 2004, o então presidente Roh Moo-hyun havia passado por um Processo de Impeachment. Sua acusação era por pedir apoio eleitoral durante as eleições parlamentares, algo que é proibido na Coreia do Sul, mas a Corte Constitucional entendeu as acusações como insignificantes e Roh retornou de seu afastamento, cumprindo o mandato.

Diferente do caso de Park, a população havia realizado fortes manifestações em apoio a Roh Moo-hyun durante o tempo em que o pedido de impeachment era analisado e julgado. No caso atual, a opinião pública está contrária à permanência da Presidenta afastada e os indícios são de que aqueles favoráveis a sua permanência no comando do país estão desanimando.  Muito está a ser investigado, mas, indiferentemente do resultado, a opinião do povo coreano com sua líder não mudará, talvez até o fim de seu mandato. No entanto, a pressão de opositores tende a ser redobrada.

Park Geun-hye, antes vista como filha de um dos grandes líderes do país, ou de um dos grandes ditadores, pode se tornar uma das mentes corruptas para o povo sul-coreano e, com isso, manchar o seu legado. 2017 não será um ano fácil para a Coreia do Sul, pois terá de lidar com as ameaças da Coreia do Norte, com as divergências territoriais com os japoneses e com as incertezas sobre o futuro das relações Seul-Washington, além disso, diante desse cenário, a Coreia do Sul está queimando muitas energias com a crise política, algo que pode significar uma porta de entrada para oportunistas domésticos e para os inimigos da parte norte da península.

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Imagem 1 Presidente Park Geunhye, em 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Park_Geun-hye_(8724400493)_(cropped).jpg

Imagem 2 Park Geunhye e Park Chunghee” (FonteKim Hongji / ReutersArquivo histórico):

http://justgopoppi.com.br/wp-content/uploads/2016/11/familia.jpg

Imagem 3 Park Geunhye em seu discurso de posse, 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Park_Geun-hye

Imagem 4 Protesto contra Park Geunhye em Seul, 29 de outubro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Mass_protest_in_Cheonggye_Plaza_02.jpg

Imagem 5 Protesto realizado em novembro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye

Imagem 6 Roh Moo-hyun, ExPresidente da Coreia do Sul” (Fonte):

http://a5.files.biography.com/image/upload/c_fit,cs_srgb,dpr_1.0,h_1200,q_80,w_1200/MTE4MDAzNDEwMTU4NjUwODk0.jpg

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AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]2017 poderá ser o ano do reinício e reformulação das relações exteriores estadunidenses[:]

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Depois de uma campanha eleitoral marcada por polêmicas, o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, se tornou uma grande incógnita no futuro das relações internacionais. Temas polêmicos internos no seu país e assuntos internacionais envolvendo o grau de relacionamento de Washington com importantes autoridades e personalidades no cenário mundial foram grandes destaques para mostrar as incertezas no futuro das relações externas norte-americanas com o mundo. Todavia, isso parece estar mudando nas últimas semanas.

Desde que venceu as eleições, Trump adotou um tom mais amigável para manter as relações com aliados de seu país e, aparentemente, melhorar o relacionamento com outras nações com as quais possui contatos mais tensos e/ou instáveis. São os casos da China e da Rússia, onde as páginas dos noticiários locais aparentam estar mudando, saindo de assuntos envolvendo atritos para temas otimistas, e construindo a imagem de que haverá boas relações com a Casa Branca.

Na primeira quinzena deste mês de dezembro, o presidente Xi Jinping havia se encontrado com o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, e eles fizeram uma análise positiva no futuro de suas relações. “Aqui na China estamos observando a situação muito de perto e agora estamos em uma transição”, havia dito o Presidente chinês à Kissinger, durante seu encontro na cidade de Beijing.

O fato de a análise não ser negativa vai ao ponto onde a concorrente de Trump na corrida eleitoral era mais questionada: os assuntos de Segurança. Durante toda a campanha eleitoral do republicano, a China era um dos seus principais temas e alvo de ataques verbais, porém, na maioria de seus discursos, o tema envolvia a economia e não as questões de Segurança na Ásia.

Empresas asiáticas estão cada vez mais presentes no mercado dos Estados Unidos, mas não quer dizer que seus produtos sejam fabricados em solo americano, mas, sim, na China, indiferente da empresa ser ou não chinesa. Dessa forma, Trump sempre acusou os chineses por “retirarem” os postos de trabalho dos estadunidenses e por levarem as empresas americanas a migrarem suas unidades de produção para os países asiáticos.

Hillary Clinton sempre foi criticada pela imprensa chinesa e, durante a campanha eleitoral nos EUA, Trump chegou a ser esquecido em certos momentos, pois, para os locais, a candidata democrata ainda é vista como uma das responsáveis pelo aumento das tensões diplomáticas chinesas com seus vizinhos e também com Washington. Kissinger entende que a China deverá ser a prioridade da Casa Branca para promover a manutenção da paz na Ásia e resolver, por definitivo, temas comuns, como é o caso da Coreia do Norte.

Trump passou de uma grande incerteza para se configurar como um novo caminho na China, mas também é questionado em seu país por temas envolvendo a Rússia e o presidente Vladimir Putin.  Acusações de ataques cibernéticos russos, havendo acusações de ajuda direta russa para ele vencer as eleições, dentre outras que foram feitas, ganham as notícias pelo mundo, tanto quanto os problemas envolvendo a escolha da sua equipe, que tem recebido atenção pelos nomes informados, como é o caso de Rex W. Tillerson, escolhido como novo Secretário de Estado.

Tillerson é o diretor da Exxon Mobil, e foi ele quem liderou a entrada da gigante petrolífera na Rússia, deixando muitas pessoas inquietas, pois esse seria um sinal de que, a partir do próximo ano (2017), as relações Washington-Moscou terão um reinício, provavelmente com menos tensão. O raciocínio empresarial do futuro mandatário pode ser que resolva as questões dos problemas de desemprego no país e abra novos mercados em nações menos tradicionais da diplomacia estadunidense.

Trump já demonstra que seu objetivo será conquistar novos mercados para aquecer a dos EUA, usando uma visão de negócios e ofuscando discursos de segurança nacional e segurança global, algo que vem deixando alguns líderes mundiais preocupados, mas, no entanto, vem fazendo com que outros fiquem mais otimistas pela possibilidade de que Washington possa via a se envolver menos em assuntos regionais que não envolvam diretamente os EUA. Esse pode ser o passo de uma transição do planejamento que compreende poder militar e econômico para o que visa a recuperação e o desenvolvimento de novos mercados e de mais consumidores no mundo.

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ImagemDonald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_at_Aston,_PA_September_14th_(Cropped)_2.jpg

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ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Impeachment da presidente Park Geun-hye na Coreia do Sul[:]

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A Coreia do Sul passa por um período turbulento. O país vive um escândalo de corrupção envolvendo a atual Presidente, Park Geun-hye. O caso não vem nos melhores momentos da história do país, que, além de se preocupar com problemas internos, tem de se concentrar nas questões de segurança, nos problemas das relações internacionais incertas, gerados com a transição de poder nos Estados Unidos, bem como se preocupar com seus vizinhos norte-coreanos, além da China.

Nesta semana, será realizada uma votação para iniciar o Processo de Impeachment (Impedimento) da Presidente do país, sendo que, dos 300 parlamentares, serão necessários 200 votos para ser dado início a ele. A presidente Park é acusada de ser aliada a figuras importantes do país, ligadas a casos extremos de corrupção, desvios de verba, entre outros, além de estar incluído um incidente envolvendo a embarcação Ferry Sewol.

O caso do Ferry Sewol foi um naufrágio que ocorreu em 2014, resultando em mais de 300 vítimas, em sua maioria estudantes locais. Na época, a culpa do incidente foi basicamente atrelada à tripulação e às falhas de fiscalização, antes de a embarcação zarpar. Opositores da Mandatária incluíram o caso no Processo, dando a entender que as prioridades políticas de Park não atendiam à segurança do povo, algo pelo qual se pode entender que o seu Governo, no geral, não estava fiscalizando corretamente os órgãos competentes que fazem a manutenção da segurança e preservam os direitos civis, focando sua política nos assuntos como a Defesa Nacional, especialmente o perigo de Pyongyang, e questões similares.

Parlamentares e outros funcionários do Governo já cogitaram demissões em massa. Caso ela não receba o Impeachment e permaneça como Presidente, a Coreia do Sul ficará com dificuldades na condução do Governo, pois o número de opositores vem aumentando.

O momento não poderia ser pior, pois as incertezas do futuro governo de Donald Trump nos Estados Unidos, o principal aliado sul-coreano, deixa a Coreia do Sul em alerta e vulnerável. A manutenção dos militares estadunidenses no continente asiático é muito custosa para Washington, algo que deverá ser reavaliado, além de ocorrer a provável saída dos estadunidenses do Tratado Transpacífico (TPP), forçando Seul a gastar mais energias no planejamento de novas estratégias para assegurarem a estabilidade econômica e preservá-la de ataques do lado norte-coreano.  

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ImagemPark Geunhye” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Park_Geun-hye#/media/File:Park_Geun-hye_(8724400493)_(cropped).jpg

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