AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Paraguai aprova o ingresso da Bolívia no Mercosul

Na última segunda feira (dia 11), o Senado paraguaio aprovou a entrada da Bolívia no Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). Para o representante da Comissão de Assuntos Constitucionais, Fernando Lugo (Frente Guasu), o ingresso da Bolívia permite o aprofundamento da integração regional e das zonas econômicas. Lugo afirmou ainda que a união entre os países da região é fundamental na correção das assimetrias sociais, na redução da pobreza, na cooperação e, também, na solidariedade.

Pela visão do Senador do Partido Colorado, Víctor Bogado, na figura de representante da Comissão de Relações Exteriores, a aprovação da entrada da Bolívia no MERCOSUL permitirá ao país atuar como sócio pleno e não apenas como membro associado, firmado no ano passado.  

Com efeito, o presidente boliviano Evo Morales mostrou-se animado com a possibilidade de a Bolívia tornar-se sócio pleno no MERCOSUL. Em outras ocasiões, o mandatário boliviano já havia manifestado interesse em aprofundar as relações com a união aduaneira.

Não apenas o Senado, mas também  o Executivo paraguaio enxergam com bons olhos a entrada da Bolívia. Para o Presidente do Paraguai, Horacio Cartes, o ingresso boliviano fortalece a região sul-americana.

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http://internacional.elpais.com/internacional/2016/03/29/mexico/1459202643_110679.html

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Evo Morales solicita defesa da UNASUL pelo mandato de Dilma Rousseff

No sábado passado (dia 19), o presidente boliviano Evo Morales encaminhou um pedido à cúpula da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), para que a mesma se posicione em defesa do mandato da presidente brasileira Dilma Rousseff. No pedido, Morales solicita uma reunião de emergência da organização intergovernamental.

O líder boliviano mostrou preocupação com o cenário político brasileiro. Na visão de Evo Morales, a democracia no Brasil corre risco, ao passo que existe um golpe em curso contra o Governo Dilma. Ele declarou, ainda, que existe uma correlação de forças que querem impedir que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva assuma o Ministério da Casa Civil.

Os presidentes que fazem parte da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) – Evo Morales , Nicolás Maduro e Rafael Correa – chamaram atenção, na última semana, para a instabilidade dos governos progressistas na América do Sul que, segundo eles, é consequência das políticas internacionais dos Estados Unidos para o continente. Para os Presidentes, o Governo norte-americano ensaia um “golpe suave” na região, ou seja, uma tomada do poder, a partir dos arranjos constitucionais.

Essa não é a primeira vez que o presidente Evo Morales se mostra preocupado com a situação política do Brasil. Em outra oportunidade, o líder boliviano comparou a política brasileira com o processo que culminou o chamado Golpe Paraguaio, que destituiu o então presidente Fernando Lugo do poder.

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http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160219_bolivia_referendo_mc_rb

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Evo Morales solicita defesa da UNASUL pelo mandato de Dilma Rousseff

O Presidente da Bolívia, Evo Morales, encaminhou no sábado passado, dia 19, um pedido à cúpula da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) para que a mesma se posicione em defesa do mandato da presidente brasileira Dilma Rousseff. No pedido, Morales solicita uma reunião de emergência da organização intergovernamental.

O líder boliviano mostrou preocupação com o cenário político brasileiro. Na visão de Evo Morales, a democracia no Brasil corre risco, ao passo que existe um Golpe de Estado em curso contra o Governo Dilma. O Presidente boliviano declarou ainda que há uma correlação de forças que quer impedir o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva de assumir o Ministério da Casa Civil.

Os Presidentes que fazem parte da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) – Evo Morales , Nicolás Maduro e Rafael Correa – chamaram atenção, na última semana, para a instabilidade dos governos progressistas na América do Sul que, segundo eles, são consequências das políticas internacionais dos Estados Unidos para o Continente. Para os Presidentes, o Governo estadunidense ensaia um “golpe suave” na região, ou seja, uma tomada do poder a partir dos arranjos constitucionais.

Essa não é a primeira vez que o presidente Evo Morales mostra-se preocupado com a situação política do Brasil. Em outra ocasião, o líder boliviano comparou a política brasileira com o processo que culminou no chamado Golpe Paraguaio, que destituiu do poder o então presidente Fernando Lugo.

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http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160219_bolivia_referendo_mc_rb

AMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

Bolívia Assina Acordos de Cooperação Internacional com Rússia e China

No domingo retrasado, dia 6 de março, os governos boliviano e russos assinaram os Acordos de Cooperação Internacional para o desenvolvimento de tecnologia nuclear. Ressalte-se que, em outubro do ano passado, a Bolívia já havia anunciado as parcerias com o Governo russo. O projeto consiste na construção de um centro pesquisa nuclear na cidade boliviana de El Alto, próxima a La Paz.

Previsto para terminar nos próximos quatro anos, o Centro de Pesquisa, além dos estudos em tecnologia nuclear, tratará de casos de câncer e segurança alimentar. O presidente boliviano Evo Morales comemorou a parceria, referindo-se, também, ao Acordo de Cooperação Internacional em tecnologia militar firmado com a China. Conforme o ministro da defesa da Bolívia, Reymi Ferreira, a China investirá 7, 6 milhões de dólares no país.

O Governo boliviano vem aprofundando Acordos Internacionais, sobretudo no âmbito tecnológico e militar. Como exemplo,  em recente entrevista, o embaixador iraniano Reza Tabatabaei declarou a importância de aprofundar as relações entre Irã e Bolívia em projetos no setor de energia e tecnologia nuclear.

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http://www.vermelho.org.br/noticia/271264-7

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Evo Morales sofre derrota em Referendo boliviano

No domingo passado (dia 21 de fevereiro de 2016), a sociedade boliviana votou o Referendo que definiu a possibilidade, ou não, de uma nova reeleição presidencial no país. Em dezembro do ano passado (dia 5), o Congresso Nacional da Bolívia havia aprovado a realização de um Referendo para que a sociedade decidisse pela permissão a ser dada ao presidente Evo Morales em disputar outra reeleição.

O resultado foi negativo para o mandatário, que teve, em dez anos, sua derrota mais significativa nas urnas. Em votação apertada, 51,3% dos eleitores votaram “Não”, contra os 48,7% que optaram pelo “Sim”. Na última quarta feira (dia 24 de fevereiro), o Presidente reconheceu a derrota. Com efeito, Evo Morales criticou a Oposição por, na visão do mesmo, promover uma “guerra suja” nas redes sociais. Ele afirmou ainda que, mesmo com a derrota, permanece com alta popularidade no país.

A Oposição ao Governo Morales comemorou o resultado. Para Samuel Doria Medina, uma das lideranças críticas ao Presidente boliviano, “a principal mensagem a extrair é a da unidade, ou seja, que o caminho da unidade é o que a Bolívia necessita, afirmou, insistindo que a principal mensagem que a população nos deu é que, se trabalharmos unidos, teremos resultados

O cientista político Carlos Cordero, por sua vez, sustenta que “o país está dividido, mas é temporário. Também vai depender da liderança de Morales, do partido do governo e da oposição para que esta polarização seja apenas conjuntural”. A tendência, portanto, com esta vitória dos opositores, será o acirramento do debate político na Bolívia.

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http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2016/02/24/evo-morales-diz-que-guerra-suja-nas-redes-sociais-causou-derrota-em-referendo.htm

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

A questão da política externa no debate partidário da Bolívia

Quando os Partidos Políticos debatem sobre os caminhos do país, na maioria das vezes focam em quatro tópicos: saúde, educação, segurança e estabilidade econômica. Não que não existam outros assuntos importantes, porém estes temas são aqueles que norteiam a vida social cotidianamente e, portanto, recebem maior destaque. No entanto, até onde a questão da política externa é relevante, ao ponto de influenciar decisivamente um debate eleitoral, ou no nível de aprovação de um Governo?

Após o atentado terrorista nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, principalmente nos primeiros meses após o ocorrido, o tema da política externa dominava as discussões, tanto nas esferas do Governo quanto na sociedade civil. O combate ao terrorismo e a defesa da liberdade e da democracia foram, e ainda são, os grandes argumentos para a direcionamento da política externa norte-americana. Esta, por sua vez, se configurou, no mandato de Bush, em uma posição mais ativa do que aquela forjada pelo Governo Clinton, aumentando o seu poder de atuação no Oriente Médio.

É verdade que a política internacional dos EUA ganhou maior destaque naquela época por um acontecimento singular na história estadunidense. Também é fato que grande parte das causas que inflaram o debate em torno da política externa foram de natureza interna. No que se refere a Bolívia, e toda a América latina em maior ou menor grau, observamos dois grandes debates em relação a este tema.

Fernando Henrique Cardozo e Enzo Falleto em “Desenvolvimento e Dependência na América Latina”, escrito em 1969[1], sustentam que não é possível que os países periféricos alcancem o mesmo nível de desenvolvimento dos países centrais, também chamados de desenvolvidos. O caminho, portanto, seria diminuir o grau deste subdesenvolvimento a partir da inserção internacional e da associação com as grandes potências mundiais.

Destarte, Cardoso e Falleto denominam este caminho como desenvolvimento dependente associado. Com o fim da Guerra Fria e a emergência da globalização contemporânea, os Partidos considerados à direita, ou centro direita, no espectro político latino-americano, resgataram esta visão que, naquele momento, coincidia bastante com as propostas das políticas neoliberais.

Com efeito, a política externa torna-se instrumento de promoção da inserção internacional dos países latino-americanos, seja na participação de Acordos de Livre-Comércio, Blocos Econômicos Regionais, seja na Cooperação Internacional. Portanto, na concepção destes Partidos, o acesso aos bens de maior valor agregado, serviços e tecnologia dos países centrais são fundamentais no desenvolvimento. Neste sentido, se por um lado os países latino-americanos não são os pioneiros mundiais em tecnologia, por exemplo, por outro, são consumidores da mesma. O livre comércio, neste aspecto, é fundamental, pois garante que os cidadãos dos países subdesenvolvidos possam adquirir e alcançar o mesmo padrão de consumo daqueles pertencentes aos Estados centrais.

Os Partidos situados à esquerda no espectro político latino-americano, denominados de centro esquerda, por sua vez, advogam a política externa como instrumento de um projeto nacional que visa a superação do subdesenvolvimento. Influenciados pelos estudos da CEPAL nos anos 50 e pelos teóricos latino-americanos chamados de desenvolvimentistas, ou heterodoxos, consideram que a inserção internacional proposta pela atual oposição na verdade aprofunda a condição de dependência. A superação do subdesenvolvimento, portanto, deve passar por uma construção de um projeto nacional que busque diminuir as disparidades internas (desigualdade social, acesso assimétrico a bens e serviços, entre outros) e as vulnerabilidades externas (economia dependente, imaturidade tecnológica, gastos com patentes, dentre vários)[2].

Na Bolívia, a primeira visão predomina no Movimiento Nacionalista Revolucionario (MNR), principal Partido de oposição[3]. Já a segunda, representa a visão do Movimiento al Socialismo (MAS), Partido do presidente Evo Morales[4]. Além do debate de qual concepção é mais adequada para o país. É necessário discutir o que já foi feito e, a partir disto, projetar o que fazer. É certo que a pergunta do “o que fazer?” não pode vir sozinha. É necessário responder também “como fazer?”. A estratégia do Governo é apontar a política externa como uma das suas atuações para a melhoria das condições internas. A Oposição, por sua vez, defende que o país poderia crescer mais e aproveitar melhor as oportunidades no cenário mundial, oportunidades estas que, grosso modo, se traduzem pela associação com os grandes centros de poder. Portanto, por mais que a questão da política externa em si não seja um dos tópicos mais discutidos com a sociedade civil, ela, certamente, reflete grande parte dos demais.

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 wikipedia                                

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Fontes Bibliográficas:

[1] CARDOSO, Fernando Henrique. FALETTO, Enzo. Dependência e Desenvolvimento na América Latina: Ensaio de Interpretação Sociológica. 7º ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 1970.

[2] GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. Desafios brasileiros na era dos gigantes. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006

[3] EGABINAZZI, Alessandro. Bolívia: de 1952 ao Século XXI – Diversas Sínteses de uma Revolução. In: ROCHA, Maurício Santoro; CÂMARA, Marcelo Argenta; SEGABINAZZI, Alessandro. Prêmio América do SulCADERNOS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS, v. 2, n. 1, 2009 56 2006. Bolívia: de 1952 ao Século XXI. 1. ed. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão, 2006, p.145-150.

[4] MAYORGA, Fernando. El gobierno de Evo Morales: entre nacionalismo e indigienismo. Revista Nueva Sociedad, Buenos Aires, n.206, p. 04- 12, nov./dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 13 de Março de 2008.