ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e Japão levam relacionamento para o “próximo nível”

Na quinta-feira (27 de junho de 2019), a China e o Japão procuraram levar o relacionamento para o “próximo nível”, quando os líderes dos dois países se encontraram antes do encontro do Grupo dos 20 (G20), que ocorreu entre os dias 28 e 29 de junho, em Osaka, e confirmaram que o Presidente da China, Xi Jinping, fará uma visita de Estado ao arquipélago na primavera de 2020, informou o jornal South China Morning Post.

Após a reunião com o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, Xi declarou que o relacionamento entre os dois países havia melhorado de forma “raramente vista em muitos anos” e afirmou que a visita de Estado é uma “boa ideia”. Também apontou: “Eu acho que o relacionamento sino-japonês está em um novo ponto de partida histórico. Eu gostaria de fortalecer a liderança estratégica de alto-nível com o Primeiro-Ministro, e trabalhar para construirmos um relacionamento sino-japonês que atenda as demandas de uma nova era comum”.    

Abe afirmou: “Eu gostaria de receber o Presidente Xi como um convidado oficial do Japão, e espero elevar os laços entre o Japão e a China para o próximo nível”.Abe também indicou que deseja fortalecer as relações com a China para criar uma nova era para as maiores economias da Ásia, no momento em que a China celebra o 70º aniversário de fundação da República Popular, em outubro de 2019, enquanto o Japão entrou recentemente na Era Reiwa, com a ascensão de Naruhito ao trono imperial.

Encontro dos Chefes de Estado dos países-membros do G20, em Osaka, no Japão. Foto: Alan Santos / PR

No momento, a China, o Japão e a Coreia do Sul se encontram sob grande pressão econômica dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump, que impôs ou ameaçou usar tarifas para forçá-los a abrir seus mercados domésticos e a realizar reformas comerciais e estruturais. Na semana passada, o embaixador da China no Japão, Kong Xuanyou, afirmou que o protecionismo cada vez maior ameaça a economia mundial e solicitou ao Japão que ajude a China a proteger o comércio multilateral baseado em regras pela “junção de forças para contribuir mais para a estabilidade e prosperidade da região”.

Xi e Abe também concordaram com a aceleração das negociações entre a China, o Japão e a Coreia do Sul para a celebração de um acordo de livre-comércio, salvaguardando a paz no Mar do Leste da China e protegendo o multilateralismo e o livre-comércio global.

De acordo com Liu Junhong, especialista em Japão do Instituto da China para as Relações Internacionais Contemporâneas, as ações dos Estados Unidos podem aproximar Tóquio de Beijing. Liu observou: “O Japão também está sofrendo pressão econômica dos Estados Unidos, e os Estados Unidos também querem implementar tarifas sobre suas exportações de automóveis”.

Os laços entre a China e o Japão estão deteriorados há muito tempo devido à disputa territorial pelas ilhas Diaoyu/Senkaku, localizadas no Mar do Leste da China, e por causa do legado da invasão e ocupação japonesa da China nas décadas de 1930 e 1940. Assim, o encontro entre os líderes de ambos os países pode abrir o caminho para uma nova era de harmonia e desenvolvimento no Leste da Ásia. 

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Imagem 1 O Presidente chinês, Xi Jinping, se encontra com o PrimeiroMinistro japonês, Shinzo Abe” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=xi+abe&title=Special:Search&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=576e5gz76ctmp4tk1xrd31fzi#%2Fmedia%2FFile%3AJinping_Xi_and_Shinz%C5%8D_Abe_in_Oct._26th%2C_2018.jpg

Imagem 2 Encontro dos Chefes de Estado dos paísesmembros do G20, em Osaka, no Japão” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=G20+Osaka&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Family_photo_of_G20_Osaka_Summit_by_Daniel_Scavino_Jr.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Xi Jinping faz primeira visita oficial à Coreia do Norte

Na quinta-feira (20 de junho), o Presidente da China, Xi Jinping, realizou sua primeira visita oficial à Coreia do Norte e esta é a primeira visita que um Chefe de Estado chinês faz ao país nos últimos 14 anos. Xi estava acompanhado pela Primeira-Dama, Peng Liyuan, bem como pelo Ministro de Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e pelo diplomata sênior Yang Jiechi, informa o jornal South China Morning Post.

O Mandatário chinês foi recepcionado pelo Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, no Aeroporto Internacional Sunan, em Pyongyang. Kim estava acompanhado pelo Conselheiro Econômico, Pak Pong-ju, e pelo diplomata sênior Ri Yong-ho. Os oficiais norte-coreanos organizaram uma cerimônia de boas-vindas no aeroporto. Uma banda militar tocou os hinos de ambas as nações, e Xi e Kim fizeram uma revista da guarda de honra do Exército norte-coreano.

Posteriormente, os dois Chefes de Estado realizaram uma reunião, na qual Xi elogiou os esforços de desnuclearização da península e disse que espera que a Coreia do Norte e os Estados Unidos possam continuar a negociar sobre essa questão.  

O Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un

O jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun noticiou: “O Camarada Xi Jinping está visitando nosso país em face a desafios graves e cruciais devido às complexas relações internacionais, o que claramente mostra que o Partido chinês e o governo [norte-coreano] atribuem grande significado à amizade entre os dois países”.

Na avaliação de James Downes, professor de política comparada da Universidade Chinesa de Hong Kong, ambos os governos buscam consolidar a base comum de suas ideologias políticas durante o encontro. Downes explicou: “A vantagem que a China possui em relação aos Estados Unidos ao se aliar com Kim é a similaridade na ideologia política. (…) Basicamente, é provável que o relacionamento entre a China e a Coreia do Norte permaneça forte no futuro próximo”.

Harry Kazianis, diretor sênior de Estudos Coreanos do think tank Centro para o Interesse Nacional, localizado em Washington, conclui: “A visita trata mais de simbolismo do que de substância, mas ambas as nações estão sentindo a pressão de Washington: a Coreia do Norte em relação à desnuclearização e a China em relação ao comércio. Xi e Kim podem se beneficiar grandemente se eles se aliarem contra o governo Trump”.

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Imagem 1 O Presidente chinês, Xi Jinping, e a primeiradama Li Pengyuan” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=xi+jinping+peng&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=3fwqxdt30n1d88btl6ik6rkw8#%2Fmedia%2FFile%3ALlegada_de_Xi_Jinping%2C_presidente_de_China_%2831169346437%29.jpg

Imagem 2 O Líder Supremo da Coreia do Norte, Kim Jongun” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=kim+jong-un&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Kim_Jong-un_Portrait.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

China e Rússia fecham acordos no valor de 77,5 bilhões de reais

China e Rússia fecharam acordos no valor de 20 bilhões de dólares (77,5 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019) para fortalecer os laços econômicos em setores como tecnologia e energia, logo após o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, informa o jornal South China Morning Post.

A reunião entre os dois Chefes de Estado ocorreu na quarta-feira (5 de junho de 2019) e marcou a visita de três dias de Xi Jinping ao território russo para as comemorações do 70º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Moscou e Pequim. Durante o encontro, os Presidentes expressaram o desejo de aumentar a cooperação entre os seus países.

Na quinta-feira (10 de junho de 2019), Gao Feng, Porta-Voz do Ministério de Comércio da China, afirmou que os dois países objetivam aumentar o volume de comércio entre si, a fim de alcançar o patamar de 200 bilhões de dólares (775 bilhões de reais, ainda de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019). No ano passado (2018), houve um aumento de 24,5% no fluxo de comércio bilateral, atingindo o valor recorde de 108 bilhões de dólares (419 bilhões de reais, também segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019). Gao apontou que os acordos celebrados abrangem as áreas de energia nuclear, gás natural, automóveis, desenvolvimento de alta tecnologia, comércio eletrônico e comunicações 5G.

Os acordos foram os primeiros resultados concretos oriundos da proximidade entre os dois líderes, que concordaram aprofundar sua parceria estratégica. Putin anunciou durante uma coletiva de imprensa com Xi, na quarta-feira (5 de junho de 2019): “Nós discutimos o estado atual e as perspectivas da cooperação bilateral de forma construtiva e voltada para negócios, e revisamos, de maneira substantiva, importantes questões internacionais, ao mesmo tempo que nos voltamos para a cooperação russo-chinesa em áreas que são realmente importantes para ambos os países”.

O Mandatário chinês reiterou que ambos os Estados vão trabalhar para “construir apoio e assistência mútuas em questões relativas aos nossos principais interesses com o espírito de inovação, cooperação pelo bem da vantagem comum, e promoção de nossas relações na nova era para o benefício de nossas nações e dos povos do mundo”.

Entre os acordos realizados, a Novatek e a Sinopec, as duas principais companhias de gás natural da Rússia e da China, respectivamente, assinaram um acordo preliminar com o Banco estatal russo, Gazprombank, na quarta-feira (5 de junho), para estabelecer uma joint venture para comercializar gás no território chinês. A Novatek também está formando uma parceria com a Corporação Nacional de Petróleo da China e a Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China para desenvolver uma usina de gás natural no Ártico. Ambas as empresas chinesas serão detentoras de 10% das ações do projeto.

Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia

Andrey Denisov, embaixador russo na China, declarou que o país também pretende dobrar as exportações de soja para os chineses, pois, atualmente, a Rússia detém uma pequena proporção da quantidade total de soja comprada por Pequim. Os dois lados também discutiram um investimento de 153 milhões de dólares (593 milhões de reais ainda, segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019) para criar uma holding agrícola conjunta em Primorsky, localizada no leste da Rússia.

A companhia chinesa de telecomunicações, Huawei, também fechou um acordo com a empresa russa de telecomunicações MTS, para desenvolver uma rede de 5G. Além disso, a Corporação de Investimentos da China e o fundo soberano russo RDIF também acordaram em criar um fundo conjunto de pesquisa em tecnologia.

Shi Yinhong, professor de Relações Internacionais na Universidade Renmin, da China, disse que os dois lados estão reafirmando a sua colaboração estratégica e diplomática “em uma época de tensões extraordinárias entre Washington e Pequim”. E lembrou: “Embora a cooperação [entre a China e a Rússia] na área de alta tecnologia seja limitada, está garantida no campo puramente militar”.Em setembro de 2018, 300 mil soldados de ambos os países realizaram um exercício militar conjunto na Sibéria oriental, o maior exercício militar na Rússia em quase quatro décadas.

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Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping, se encontra com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin (julho de 2018)”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping,26_july_2018(1).jpg

Imagem 2 Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=novatek&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearchcurrent=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Novatek._Kostroma._May_2014__panoramio.jpg

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Destinos americanos se esforçam para atrair turistas chineses novamente

O número de turistas chineses nos Estados Unidos da América (EUA) caiu pela primeira vez em 15 anos, depois de uma década de rápido crescimento. As viagens da China para os EUA caíram 5,7% em 2018, de acordo com o Escritório Nacional de Turismo e Viagens dos Estados Unidos. Foi a primeira vez, desde 2003, que as idas de chineses para lá foram menores do que no ano anterior, informa o jornal South China Morning Post.

Como a China é um dos países que mais enviam turistas ao território norte-americano, qualquer queda já é sentida pelos destinos turísticos, que possuem grande dependência em relação aos gastos dos visitantes chineses. Em 2017, o Estado asiático figurou como o quinto maior país de origem de turistas para os Estados Unidos, logo atrás do Canadá, México, Reino Unido e Japão. O gasto desse segmento de chineses aproximou-se da quantia de 18,9 bilhões de dólares (aproximadamente 74,2 bilhões de reais, conforme a cotação de 31 de maio de 2019) entre 2008 e 2016. Em 2017, caiu 1%, para 18,8 bilhões de dólares (em torno de 73,8 bilhões de reais, ainda conforme a cotação de 31 de maio de 2019).

Em 2000, 249.000 chineses visitaram o Estado norte-americano. O número triplicou para 802.000 visitantes, no período até 2010, e triplicou novamente no período até 2015. Isso ocorreu, em parte, devido à renda maior dos cidadãos chineses, melhores conexões para voos de longo-curso e afrouxamento das regras para a obtenção de visto de turista nos EUA. A nação americana recebeu mais de 3 milhões de chineses nos anos de 2016 e 2017. Contudo, o número cresceu apenas 4% em 2017, a taxa mais lenta em mais de uma década.

No verão de 2018, a China lançou um aviso de viagem em relação aos EUA, alertando seus cidadãos sobre os altos custos de cuidados médicos no país e para tomarem cuidado com tiroteios e roubos. Os norte-americanos posteriormente retaliaram com seu próprio alerta sobre viagens à China.

Outra razão para a queda do número de visitantes chineses em território estadunidense é a incerteza econômica na China, que faz com que muitos dos viajantes de menor poder aquisitivo prefiram passar férias em locais próximos de casa, afirma Wolfgang Georg Arlt, diretor do Instituto de Pesquisa de Turismo Internacional Chinês. Um estudo do instituto demonstrou que 56% dos turistas que saíram de seu país nos últimos três meses de 2018 foram para Hong Kong, Macau ou Taiwan, comparado a 50% em 2017. Além disso, os que viajam para locais distantes estão optando por destinos mais exóticos para eles, como a Croácia, o Marrocos e o Nepal.

Larry Yu, professor de gerenciamento de hospitalidade na Universidade George Washington, aponta que os turistas chineses, particularmente os mais jovens, estão cada vez mais planejando viagens usando aplicativos de mídias sociais, como o WeChat, e são menos propensos a viajar com grupos de excursão. Eles também adotaram os sistemas de pagamento que utilizam smartphones, como o Alipay. David Becker, ex-presidente da consultoria Attract China, de Nova York, indica que os destinos dos EUA precisam investir nessas novas tecnologias se quiserem continuar a atrair os turistas chineses.

Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA

Em 2017, Washington tornou-se a primeira cidade norte-americana a lançar um guia interativo para o WeChat. Os visitantes do país asiático podem usá-lo para acessar rotas para as atrações, acessar guias de viagem em mandarim e encontrar restaurantes e lojas. A capital americana também lançou um programa chamado “Bem-Vinda China”, que ensina hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais sobre costumes chineses e os encoraja a oferecer amenidades, como cardápios em língua chinesa e pantufas para serem usadas nos quartos. Até o momento, 44 hotéis e restaurantes participaram do programa.

A maioria dos analistas da indústria de turismo avalia que a queda de visitantes da China nos EUA será temporária, porque a classe média daquele país continua a expandir. O governo americano prevê que o turismo chinês vai crescer 2% em 2019 e atingir a marca de 3,3 milhões de visitantes. Estima-se que alcançará o número de 4,1 milhões de visitantes em 2023.

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Imagem 1 Vista da Estátua da Liberdade, em Nova York, EUA”(Fonte): https://www.pexels.com/photo/statue-of-liberty-670530/

Imagem 2 Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA” (Fonte): https://www.pexels.com/photo/washington-monument-usa-739047/

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China foca na geração de empregos com continuação da guerra comercial

O Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, jurou mobilizar todos os recursos disponíveis para criar empregos e estabilizar o mercado de trabalho, à medida que a guerra comercial entre Washington e Pequim ameaça impactar a economia chinesa, informa o jornal South China Morning Post.

Presidindo uma conferência nacional sobre emprego em Pequim, na segunda-feira retrasada (13 de maio), Li pediu que os oficiais do Partido Comunista da China, em todos os níveis, priorizem a criação de empregos. O Primeiro-Ministro disse que se deve dar primazia aos recém-graduados, aos militares desmobilizados e aos trabalhadores imigrantes: todos aqueles que enfrentam desafios no mercado de trabalho. Li explicou: “Apoiar o emprego e o empreendedorismo, especialmente dos graduados nas universidades, é uma garantia importante para alcançar o desenvolvimento saudável da economia, melhorando a vida do povo, bem como garantindo a estabilidade social”.

O pedido de Li ocorre logo após o seu aviso no Congresso Nacional do Povo, que ocorreu em março, sobre o fato de que a China enfrenta uma séria situação de desemprego neste ano, com 15 milhões de desempregados. Ele afirmou que espera que, em 2019, o governo consiga criar 13 milhões de novas ocupações, o mesmo número alcançado em 2018.

Li Keqiang, Primeiro-Ministro da China

Na sexta-feira (10 de abril), os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% sobre produtos chineses, avaliados em 200 bilhões de dólares (aproximadamente 819,8 bilhões de reais, conforme a cotação de 17 de maio de 2019), depois de meses sem novas tarifas entre os dois países.         

O especialista em relações internacionais, Shen Dingli, de Xangai, observa que a questão do emprego é crucial para a China, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos. Shen aponta: “No ano passado, testemunhamos o fechamento de 6 milhões de fábricas [na China] e isso, inevitavelmente, levou a um certo grau de desemprego. Contudo, nós também assistimos à abertura de 13 mil fábricas por dia, gerando 5 milhões de novas indústrias. Então, as nossas perdas globais foram limitadas”.

Gao Lingyun, especialista em economia e política internacional da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que além de estabilizar o mercado de trabalho, Pequim está se preparando para apoiar outros setores. Gao afirmou que o governo poderia ajudar áreas como o mercado financeiro e as pequenas e médias empresas a enfrentar a guerra comercial por meio da eliminação de impostos, oferecendo empréstimos baratos e descontos fiscais para os exportadores. O especialista relembrou: “Nós vamos continuar a incentivar o investimento estrangeiro, particularmente no setor de alta tecnologia”.

Gao também indicou que a China está bem preparada para responder aos aumentos tarifários impostos pelos Estados Unidos. “Por exemplo, os aumentos tarifários da China estão sob diferentes taxas tarifárias a fim de evitar um impacto generalizado sobre as importações e nós também permitimos que as empresas se candidatem a isenções [de tarifas]”, declarou. E procurou reiterar: “Apesar de nós querermos resolver a questão comercial por meio de negociações, isso não significa que nós temos que aceitar os acordos ditados pelos Estados Unidos. A presidência americana muda a cada quatro ou oito anos… O tempo está do lado da China”.

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Imagem 1 Operários em fábrica de eletrônicos em Wuxi, China”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=china+factory&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=70yl4lbq1f3x3cgxnwl4dbqzz#%2Fmedia%2FFile%3ASeagate_Wuxi_China_Factory_Tour.jpg

Imagem 2 Li Keqiang, PrimeiroMinistro da China” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=li+keqiang&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Li_Keqiang-19052015.png

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Vietnã se beneficia da guerra comercial sino-americana

Investidores estrangeiros continuam a desembarcar nos distritos fabris do Vietnã, à medida que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China se aproxima de seu segundo ano. Os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% sobre produtos chineses avaliados em 200 bilhões de dólares (aproximadamente 791,1 bilhões de reais, conforme a cotação de 10 de maio de 2019) na sexta-feira (10 de abril), depois de meses sem novas tarifas entre os dois países. Desde o início da guerra comercial, muitos fabricantes chineses transferiram parte de sua linha de produção para o Sudeste Asiático por causa do temor de prejuízos nas vendas nos Estados Unidos, decorrentes do aumento tarifário americano sobre as importações de produtos manufaturados chineses, informa o jornal South China Morning Post.

O Vietnã se tornou o lugar favorito dos investidores diante do aumento dos custos trabalhistas na China e da ameaça de tarifas. Adam McCarthy, economista chefe da Mekong Economics, de Hanói, afirma: “A guerra comercial está acelerando uma tendência que já estava ocorrendo, que é a saída de fábricas de uma China mais cara. É difícil dizer quantas fábricas viriam para o Vietnã sem uma guerra comercial”.Le Ahn Tuan, diretor de pesquisa na Dragon Capital, de Hanói, completou: “Sejamos claros: A China tem sido e continuará a ser a maior potência industrial do mundo, não há dúvida disso. Contudo, eu ainda acho que haverá um transbordamento marginal da China em diferentes países, especialmente o Vietnã, e ele tem aumentado”.

Vista panorâmica de Hanói, capital do Vietnã

A economia do Vietnã cresceu 7% em 2018, o ano mais próspero em mais de uma década, causado em grande parte pelos 19 bilhões de dólares (em torno de 75,1 bilhões de reais, ainda conforme a cotação de 10 de maio de 2019) em investimento externo direto. O investimento no país, particularmente em manufatura leve e intensiva em trabalho, também aumentou muito desde 2018. A nação do Sudeste Asiático tem conseguido atrair investimentos para a produção de celulares, semicondutores e telas planas.

Novos investimentos no país chegaram a 81%, e contribuições de capital, usadas para financiar novas fábricas, atingiram 215%, de acordo com dados de abril do governo vietnamita. As exportações para os Estados Unidos também aumentaram em 28,8% em 2019, em comparação com o ano anterior. Espera-se que essa tendência continue no terceiro e quarto semestres de 2019, quando as fábricas recém-instaladas começarão a funcionar, segundo Maxfield Brown, associado sênior da Dezan Shira & Associados, de Ho Chi Minh.

Contudo, o aumento contínuo do investimento em centros manufatureiros tradicionais, como Ho Chi Minh e Hanói tem exercido grande pressão sobre as redes de infraestrutura do Vietnã, bem como a reserva de mão-de-obra e os fornecedores locais. Além disso, se a guerra comercial continuar, prejudicará a economia chinesa, o que pode afetar o comércio do país com a China, atingindo especialmente as empresas vietnamitas que são fornecedoras terceirizadas de linhas de montagem chinesas.

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Imagem 1 Vista noturna de Ho Chi Minh, a maior cidade do Vietnã”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Ho+Chi+Minh+City&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ho_Chi_Minh_City_Skyline_(night).jpg

Imagem 2 Vista panorâmica de Hanói, capital do Vietnã” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=hanoi&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Panorama_of_Hanoi.jpg