ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China lança plano de transformar Shenzhen em “motor central” de reforma

Na quarta-feira (13 de outubro de 2020), Pequim divulgou um plano para transformar Shenzhen, o centro de alta tecnologia vizinho a Hong Kong, em um “motor central” de reforma que espera impulsionar o crescimento e a inovação na área da Grande Baía, megalópole que abrange nove cidades e duas Regiões Administrativas Especiais (RAE) no sul da China. O plano de desenvolvimento de 2020 a 2025 dá a Shenzhen mais autonomia em áreas como uso do solo, tecnologia e inovação, economia de big data e contratação de profissionais estrangeiros, informa o jornal South China Morning Post.

Cobrindo uma ampla variedade de áreas, de reformas do mercado financeiro ao desenvolvimento de um mercado de dados, o plano também prevê que Shenzhen desempenhe um papel de liderança na área da Grande Baía. O objetivo é conectar as cidades de Hong Kong, Macau, Shenzhen, Guangzhou e outras sete na província de Guangdong, transformando a área em um polo econômico e de negócios, e foi comparada com as áreas da baía de São Francisco, nos Estados Unidos, e de Tóquio, no Japão.

Área da Grande Baía (em verde), que abrange Hong Kong, Macau e a Província de Guangdong

O plano afirma: “Seguindo a orientação de Xi Jinping na construção do socialismo com características chinesas na nova era … [este documento] concede Shenzhen maior autonomia para realizar reformas em novas áreas e setores críticos”. E continua: “[Shenzhen] promoverá a cooperação com Hong Kong em um nível mais alto e fortalecerá seu papel como o motor central no desenvolvimento da área da Grande Baía, e fará um bom trabalho ao estabelecer um exemplo de construção de uma cidade modelo que pode representar um país socialista modernizado e vibrante”.

Guo Wanda, vice-presidente executivo do Instituto de Desenvolvimento da China, um think tank de Shenzhen, observou:“O documento diz que Shenzhen tem sido a porta-bandeira da abertura do país”. E completou: “Shenzhen está em uma posição vantajosa para realizar novas reformas porque tem uma boa base”.

Já Zhang Hongqiao, membro do Congresso Municipal do Povo de Shenzhen, o órgão legislativo local, declarou que a ênfase no desenvolvimento de big data seria boa, permitindo que experimente novas reformas que não haviam sido testadas em outras partes da China. Contudo, Zhang alerta que o documento não oferece alívio imediato para dois dos principais desafios da cidade: alta nos preços dos imóveis e escassez de terras.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea de Shenzhen, na Província de Guangdong”(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shenzhen_20181222_104911.jpg

Imagem 2Área da Grande Baía (em verde), que abrange Hong Kong, Macau e a Província de Guangdong” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Guangdong-Hong_Kong-Macau_Greater_Bay_Area#/media/File:Geography_of_Guangdong.gif

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China promete fornecer mais tropas para as operações de paz das Nações Unidas

Pequim prometeu aumentar o número de soldados que fornece para as missões de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU), já que o Exército de Libertação Popular (ELP) completa 30 anos de envolvimento em tais operações, informa o jornal South China Morning Post.

O governo chinês afirmou que o ELP iria “continuar a construir a força de manutenção de paz de 8.000 soldados e manter um alto nível de preparação”. Também indicou que o ELP fornecerá navios, unidades de resposta rápida e outros equipamentos, se necessário.

Em 2015, o Presidente da China, Xi Jinping, prometeu criar uma força de reserva de 8.000 peacekeepers, dos quais cerca de 2.500 estão atualmente em atividade. A China fornece mais tropas de paz para a organização internacional do que qualquer outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e também é o segundo maior contribuinte em termos financeiros.

Missões de manutenção de paz das Nações Unidas. Em azul-escuro: Atuais. Em azul-claro: Passadas

Desde 1990, mais de 40.000 soldados do ELP participaram de dezenas de missões de paz da ONU em mais de 20 países, incluindo Camboja, Libéria, Sudão, Líbano, Chipre, Mali e República Centro-Africana. As Forças Armadas chinesas também cooperaram em missões de manutenção da paz com mais de 90 países e 10 organizações internacionais e regionais.

O primeiro envolvimento do ELP em uma missão de paz da ONU foi quando enviou cinco observadores militares para a Organização de Supervisão de Trégua da ONU, no Oriente Médio, em 1990. Dos 2.521 oficiais que agora servem em missões da ONU e na sede das Nações Unidas, 13 ocupam cargos de destaque, incluindo Comandante da Força, Vice-Comandante da Força, Comandante de Setor e Vice-Comandante de Setor.

Richard Gowan, analista do think tank americano International Crisis Group, disse que Pequim tinha muitos motivos para trabalhar com a ONU. “O mais simples é uma boa publicidade: a mídia e as autoridades chinesas retratam essas implantações como prova do compromisso do país com o multilateralismo”, apontou Gowan.

O analista americano também indicou: “Os destacamentos da ONU permitem que os soldados do Exército de Libertação Popular tenham a oportunidade de adquirir experiência operacional no exterior, e também podem dar ao ELP oportunidades de reunir informações sobre outras unidades da ONU e os países onde estão atuando”.Porém, alerta que “as forças de paz chinesas também são alvos em potencial para os serviços de inteligência de outras potências que teriam dificuldade de ver o ELP de perto em circunstâncias normais”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Peacekeeper chinês durante cerimônia de outorga de medalhas, em Bukavu, na República Democrática do Congo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_Chinese_peacekeeper_attends_a_medal_parade_ceremony_in_Bukavu,_South_Kivu_(10761340676).jpg

Imagem 2 Missões de manutenção de paz das Nações Unidas. Em azulescuro: Atuais. Em azulclaro: Passadas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:United_Nations_peacekeeping_missions.PNG

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSegurança Internacional

China testa com sucesso míssil ar-terra para helicópteros militares

A China desenvolveu e testou com sucesso um sofisticado míssil ar-terra para helicópteros militares. A nova arma foi testada em um local deserto na Região Autônoma da Mongólia Interior, no final de junho de 2020, quando foi disparada por um helicóptero e atingiu seu alvo, informa o jornal South China Morning Post.

O míssil, cujo nome e especificações não foram revelados, é uma arma excepcional, o que significa que pode ser lançado a uma distância suficiente para permitir que o destacamento ofensivo evite o fogo defensivo. Com seus múltiplos sistemas teleguiados, longo alcance e capacidade de evitar travamentos, o míssil é o primeiro de seu tipo a ser utilizado pelas Forças Armadas da China.

Os helicópteros militares produzidos na China são baseados no helicóptero francês Dauphin

Uma vez totalmente funcional, o novo armamento poderá substituir os mísseis antitanque AKD-9 e AKD-10 e os mísseis antinavio YJ-9. Ao contrário de seus antecessores, o novo artefato não se limita ao uso com apenas um tipo de helicóptero, tornando-o semelhante à série AGM-114 Hellfire, dos Estados Unidos.

Song Zhongping, analista militar de Hong Kong, comentou: “Ter um único míssil capaz de atacar alvos fixos no solo, bem como veículos blindados e até navios, tornaria muito mais fácil e rápido preparar e manter os helicópteros, em vez de ter que considerar várias opções de armas”. Song também observou: “As Forças Armadas da China já possuem o míssil ar-ar TY-90 produzido domesticamente para uso em combates entre helicópteros. Uma combinação da nova arma e o TY-90, que foi o primeiro do gênero no mundo, além de foguetes, aumentaria o poder de ataque das unidades aéreas da Força Terrestre do Exército de Libertação Popular”.A Força possui vários helicópteros de ataque, incluindo o Z-10 e o Z-20, produzidos na China, e o Z-19, que foi modificado a partir do Z-9, que, por sua vez, foi baseado no Dauphin francês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O novo míssil chinês é similar ao americano AGM114 Hellfire” (Fonte):

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Imagem 2 Os helicópteros militares produzidos na China são baseados no helicóptero francês Dauphin”(Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_AS365_Dauphin#/media/File:ZJ780_8490634574_(cropped).jpg

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

Índia procura fortalecer defesas aéreas para se equiparar à China, em meio a tensões na fronteira

As tensões crescentes entre a China e a Índia em torno da disputa de fronteira na região do Himalaia levaram Nova Délhi a fortalecer suas defesas aéreas para se equiparar a Pequim, informa o jornal South China Morning Post.

O Ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, instou a Rússia, o maior fornecedor de armas do país, a acelerar a entrega do seu poderoso sistema de mísseis de defesa aérea S-400 Triumph. Tanto a China quanto a Índia possuem o sistema S-300, uma versão anterior do S-400. A China já possui o sistema de defesa aérea S-400, que adquiriu no final de 2018.

Moscou afirma que o S-400 é um sofisticado sistema de defesa aérea que pode detectar e abater alvos, incluindo mísseis balísticos, jatos inimigos e veículos aéreos não-tripulados (“drones”) a até 600 quilômetros de distância, em altitudes entre 10 metros e 27 quilômetros.

A escaramuça de fronteira entre a China e a Índia eclodiu pela última vez em 2017, quando as tropas indianas e chinesas estiveram em um impasse que durou dois meses, em torno da construção de estradas chinesas em Doklam, uma área de fronteira reivindicada pela China e pelo Butão, que é um aliado indiano. Mas, o confronto da semana passada no Vale Galwan foi o pior em décadas, resultando na morte de 20 soldados indianos e 43 soldados chineses, embora esse número não tenha sido confirmado por Pequim. O Vale Galwan é uma zona de litígio que se encontra entre a região de Ladakh, governada pela Índia, e a região de Aksai Chin, administrada pela China.

A China vem expandindo seu arsenal na fronteira desde o impasse de Doklam. Isso inclui seus caças furtivos J-20, helicópteros Z-20, caças modificados J-10C e J-11B, “drones” multifuncionais Wing Loong II, tanques leves Tipo 99A e Tipo 15, que podem lidar com grandes altitudes, e seus mísseis Dongfeng.

Sistema S-400 Triumph, durante parada militar em Moscou, na Rússia

Segundo Song Zhongping, especialista em assuntos militares de Hong Kong, se a Índia também adquirir o sistema S-400, pode se tornar uma ameaça para o Exército chinês. “O sistema S-400 tem um alcance operacional mais longo e uma taxa de acerto mais precisa, e os jatos russos Su-30 da Índia e os helicópteros American Apache, que são projetados para batalhas nas montanhas e em grandes altitudes, não devem ser subestimados”, afirma Song. E observa: “Na verdade, as forças armadas indianas têm muita experiência em combates nas montanhas devido aos confrontos contra as tropas do Paquistão ao longo dos anos, enquanto o Exército chinês não participa de uma batalha dessa natureza há décadas”.

Além disso, mais da metade dos sistemas de armas da Índia são importados. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo, a Índia foi responsável por 9,2% das importações globais de armas entre 2015 e 2019, atrás apenas da Arábia Saudita, o maior importador do mundo, que contabiliza em torno de 12%. A China é o quinto maior importador mundial, responsável por 4,3% das importações. Esse número é explicado pelo fato de os chineses serem capazes de produzir quase todos os seus sistemas de armas para combates em grande altitude.

Contudo, não é fácil comparar a força militar entre dois países baseando-se apenas em quantidade de armamentos, conforme indica Collin Koh, pesquisador da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura. Koh assinala: “Essa comparação também deve considerar o fator humano, a doutrina e a capacidade de diferentes serviços e destacamentos armados de operar de maneira integrada”. E completa: “Com base nisso, eu acho seguro dizer que os militares da Índia e da China têm forças para defender, e fraquezas que precisam superar, quando se trata de travar uma guerra ao longo da fronteira do Himalaia”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da fronteira em litígio entre a Índia e a China” (Fonte):

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Imagem 2 Sistema S400 Triumph, durante parada militar em Moscou, na Rússia (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:S-400_Triumf_SAM.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

China abandona meta de crescimento econômico para 2020, devido à pandemia

A China não estabelecerá uma meta de crescimento para 2020, constituindo um acontecimento inédito. O primeiro-ministro Li Keqiang confirmou o fato no Congresso Nacional do Povo, em Pequim, na sexta-feira (22 de maio de 2020). A medida já era esperada por alguns observadores, com a economia se contraindo 6,8% no primeiro trimestre de 2020, sob enorme pressão da pandemia de coronavírus, informa o jornal South China Morning Post.

O relatório de trabalho do Congresso enfatizou: “Não estabelecemos a meta específica do produto interno bruto principalmente devido à pandemia global e às grandes incertezas na economia e no comércio”, acrescentando que a China estava enfrentando uma época “imprevisível”. O governo chinês, no entanto, estabeleceu uma meta de criar 9 milhões de novos empregos urbanos, em comparação com 11 milhões em 2019, e uma taxa de desemprego urbana avaliada em torno de 6%, em comparação com 5,5% em 2019. No ano passado (2019), a China gerou 13,52 milhões de novos empregos urbanos.

Pequim estabeleceu uma cota de títulos especiais de 3,75 trilhões de yuanes (aproximadamente 2,9 trilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 22 de maio de 2020). Emitirá 1 trilhão de yuanes (aproximadamente 775,5 bilhões de reais) em títulos especiais do Tesouro, visando um déficit fiscal de 3,6%.

Rua deserta em Wuhan, durante a quarentena por causa da pandemia de coronavírus, em janeiro de 2020

O relatório de trabalho também frisou: Devemos deixar claro que os esforços para estabilizar o emprego, garantir os padrões de vida, eliminar a pobreza e prevenir e neutralizar os riscos devem ser sustentados pelo crescimento econômico; portanto, garantir um desempenho econômico estável é de importância crucial”.E continuou: “Precisamos perseguir a reforma e a abertura como um meio de estabilizar o emprego, garantir o bem-estar das pessoas, estimular o consumo, energizar o mercado e alcançar um crescimento estável. Precisamos abrir um novo caminho que nos permita responder efetivamente a choques e sustentar um ciclo de crescimento positivo”.

O vírus inicialmente interrompeu grandes setores da economia chinesa, prejudicando as cadeias de suprimentos e as exportações do país. Mas, agora fechou vários dos principais mercados da China, o que significa que a economia está enfrentando uma segunda onda de choque no desaparecimento da demanda por seus produtos no exterior. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu um crescimento de 1,2% da economia chinesa para 2020, após a paralisia causada pelo coronavírus. Isso seria um mínimo anual histórico, porém ainda é maior do que algumas previsões do setor privado.

Enquanto isso, a inflação ao consumidor disparou durante o segundo semestre de 2019 e no início de 2020, principalmente devido à escassez de carne de porco decorrente de um surto de peste suína africana, que causou a morte de mais de 100 milhões de porcos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chinês, que é o preço ponderado de uma cesta de mercadorias, subiu 5,2% em fevereiro de 2020, uma alta de oito anos. A taxa de inflação caiu, desde então, para 3,3% em abril de 2020, com os consumidores reduzindo os gastos após a pandemia de coronavírus, enfraquecendo as pressões sobre os preços.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeiroMinistro da China, Li Keqiang, em Pequim” (Fonte):

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Imagem 2 Rua deserta em Wuhan, durante a quarentena por causa da pandemia de coronavírus, em janeiro de 2020” (Fonte):

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ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Multidões deixam Wuhan, com o fim da quarentena

Trens, ônibus e aviões começaram a transportar dezenas de milhares de passageiros de Wuhan à medida que o epicentro inicial da pandemia de coronavírus sai da quarentena de 11 semanas. A partir de quarta-feira (8 de abril de 2020), os 11 milhões de habitantes de Wuhan podem viajar para dentro e fora da cidade, desde que tenham um código QR para mostrar que estão em boa saúde e não entraram em contato com pessoas confirmadas com Covid-19, a doença causada pelo coronavírus, informa o jornal South China Morning Post.

Rodovias, pontes, balsas e túneis também estão abertos novamente e todos os obstáculos foram removidos. Na manhã de quarta-feira (8 de abril de 2020), os engarrafamentos retornaram ao cruzamento perto da Estação Ferroviária de Wuhan, em congestionamentos inéditos desde o final de janeiro.

Testemunhas disseram que parecia haver mais pessoas na estação do que o êxodo, pouco antes do bloqueio de 23 de janeiro de 2020, que paralisou o transporte de entrada e saída da cidade. Na estação, os alto-falantes emitiram avisos lembrando os passageiros de usar máscaras e manter uma distância segura um do outro. Os passageiros precisam mostrar seu código QR e carteira de identidade e ter sua temperatura verificada antes de serem autorizados a passar pelos portões de embarque, enquanto dezenas de voluntários em jaquetas amarelas e vermelhas aguardavam para ajudar a manter a ordem.

A operadora estatal China Railway estimou que 55 mil passageiros deixariam a cidade na quarta-feira (8 de abril de 2020), dos quais 40% deveriam viajar para o Delta do Rio Pérola, na Província de Guangdong. Mais de 275 trens deixaram Wuhan para outros grandes centros de transporte, como Xangai, Shenzhen, Chengdu e Fuzhou. As pessoas que pretendem retornar a Pequim a partir de Wuhan enfrentam alguns dos maiores desafios: elas devem fazer um teste de ácido nucléico e ter negativo para o vírus antes de poderem entrar na capital.

Vista aérea do terminal da Estação Ferroviária de Wuhan

As autoridades criaram um canal designado para esses viajantes na estação. Mais de uma dúzia de funcionários em máscaras e roupas de proteção estavam em espera nas proximidades, caso passageiros com problemas de saúde ou outras emergências precisassem ser enviados de volta aos seus vários distritos da cidade. Li Tingrui, um estudante universitário de 19 anos em Wuhan e voluntário na estação, afirmou que os retornados a Pequim precisam se inscrever através de um aplicativo de smartphone para obter aprovação para retornar à capital. Depois disso, eles poderiam comprar ingressos, fazer o teste e mostrar seu código de saúde antes de sair de Wuhan.

Embora o bloqueio tenha sido suspenso, alguns moradores de Wuhan ainda se sentem inseguros e relutam em sair de casa. Zhang Jinyu, professora aposentada de 58 anos em um bairro próximo ao Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, o mercado onde foram relatados alguns dos primeiros casos de Covid-19, disse que ainda estava preocupada com portadores assintomáticos e, por isso, não estava saindo, a menos que fosse necessário: “Eu só desejo que o surto possa passar em breve para que possamos nos mover livremente novamente”, relatou Zhang.

Contudo, os epidemiologistas chineses apontam que o fim da quarentena de Wuhan não é ainda o fim da batalha contra a pandemia na China, pois o vírus continua a se dispersar rapidamente na Europa e nos Estados Unidos, o que causa a importação de novos casos para o país. É improvável que a doença causada pelo patógeno, a COVID-19, seja erradicada até que surja uma vacina contra o vírus, o que pode levar 18 meses. Segundo os dados oficiais do governo chinês, há menos de 1.100 casos de COVID-19 no país. Até o dia 11 de abril de 2020, havia 1.760.652 casos de COVID-19 no mundo, que causou 108.451 mortes. Do total de casos, 396.058 pessoas se recuperaram da doença.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Funcionários monitoram a temperatura dos passageiros na Estação Ferroviária de Wuhan” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Wuhan_Railway_Station#/media/File:Staff_monitoring_passengers’_body_temperature_in_Wuhan_railway_station_during_the_Wuhan_coronavirus_outbreak.jpg

Imagem 2 Vista aérea do terminal da Estação Ferroviária de Wuhan” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=80&profile=default&search=Wuhan+train+station&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:20190823_G2625_Dalianbei-Wuhan_01.jpg