ANÁLISES DE CONJUNTURASaúde

As Implicações Geopolíticas do Surto de Coronavírus

O coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (nCoV-2019) foi descoberto em Wuhan, na China, em 31 de dezembro de 2019, pouco antes do feriado do Ano Novo Lunar, o período da maior migração anual de seres humanos na Terra. O pico da nova epidemia na China pode ocorrer neste mês (fevereiro de 2019) e acarretar graves consequências geopolíticas e geoeconômicas.

O surto de coronavírus coincidiu com uma desaceleração econômica, já que a China enfrenta o aumento da dívida, queda da demanda doméstica e as pesadas tarifas dos Estados Unidos. A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 6,1% em 2019 aproximou-se do limite da meta de Pequim e caiu acentuadamente em relação aos 6,6% de 2018. Em 15 de janeiro de 2020, chineses e americanos assinaram um acordo comercial provisório, os primeiros passos para o fim da guerra comercial Estados Unidos-China. Mas a celebração durou pouco, pois poucos dias depois a gravidade do coronavírus começou a ficar clara.

A primeira consequência deriva do fato de Wuhan, capital da província de Hubei, localizar-se no centro do coração industrial chinês. Esta cidade encontra-se bem no meio do “Quadrilátero Industrial” do país, a área delimitada por Pequim/Tianjin, Chengdu/Chongqing, Macau/Hong Kong e Xangai. A província de Hubei abriga sete zonas econômicas cruciais: a Zona de Desenvolvimento de Alta Tecnologia do Lago Leste de Wuhan (o maior centro de produção de produtos óptico-eletrônicos da China); a Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia de Xiangyang; a Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia de Yichang; a Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia de Xiaogan; a Zona de Desenvolvimento de Nova e Alta Tecnologia de Jingmen;  a Zona de Desenvolvimento de Alta Tecnologia de Xiantao; e o Parque Industrial de Alta Tecnologia de Suizhou. Wuhan também possui o maior porto fluvial da China e o maior aeroporto da China Central.

Enquanto na economia nacional chinesa houve uma desaceleração do crescimento em 2019, Wuhan teve um crescimento que atingiu o patamar de 7,8%. De acordo com o governo da Província de Hubei: “Estima-se que o valor agregado dos setores de alta tecnologia e economia digital represente 24,5% e 40% do PIB [Wuhan]”. As perspectivas de Wuhan pareciam brilhantes para 2020. O governo de Hubei também declarou: “Mais de 300 das 500 maiores empresas do mundo se estabeleceram em Wuhan. O número de empresas de alta tecnologia recém-instaladas atingiu um recorde, com um aumento líquido de cerca de 900 empresas”. O relatório de trabalho do governo, apresentado no 14º Congresso Popular Municipal de Wuhan, estimava que o PIB de Wuhan cresceria entre 7,5% e 7,8% em 2020, e haveria a geração de 220.000 novos empregos.

Se o surto se expandir, poderá interromper o tecido da economia global. Pequim já demonstrou que é capaz de mobilizar milhões de pessoas com o objetivo de conter o vírus e, simultaneamente, isolar milhões de seus cidadãos. A província de Hubei, com uma população de 58 milhões de pessoas, foi praticamente isolada de todo o país.

Segundo, o surto de coronavírus coloca em risco o crescimento do PIB chinês e, como consequência, a economia internacional como um todo. A Unidade de Inteligência da Revista The Economist (EIU, em inglês), de Londres, estima que o novo surto de coronavírus na China pode reduzir o crescimento real do PIB em 2020 entre 0,5 e 1 ponto percentual. As primeiras vítimas econômicas foram transportadoras aéreas e empresas de viagens; as indústrias de viagens e turismo serão duramente atingidas. A taxa de crescimento projetada pela EIU para a China foi de 5,9% e, se a epidemia atingir o status de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês), que atingiu o mundo nos anos de 2002 e 2003, o PIB chinês poderá cair para 4,9%. O coronavírus já infectou mais pessoas do que o SARS, mas o último foi mais letal: o SARS, em 2003, matou 9,6% dos portadores do vírus, enquanto o surto atual tem uma taxa de mortalidade de 2% dos infectados. Note-se que em 2003 o PIB chinês era de 1,66 trilhão de dólares (aproximadamente 7,13 trilhões de reais, de acordo com a cotação de 14 de fevereiro de 2019) contra 14,3 trilhões de dólares em 2019 (aproximadamente 61,42 trilhões de reais ainda de acordo com a cotação de 14 de fevereiro de 2019). Em 2003, a economia chinesa era a sétima maior; agora é a segunda maior economia do mundo. O papel da China no mercado global é indispensável.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra o Presidente da China, Xi Jinping (2017). O surto de coronavírus poderá enfraquecer a China na guerra comercial com os Estados Unidos

Terceiro, o coronavírus está se espalhando em meio à guerra comercial com Washington e à desaceleração geral da economia chinesa. Para enfrentar esse grande desafio, os chineses precisam mobilizar os recursos de toda a nação e seus 1,4 bilhão de habitantes. No entanto, esses recursos agora devem ser desviados para combater uma epidemia, que pode eventualmente forçar a sua economia a “hibernar” e até mesmo exigir uma retirada temporária da política mundial. Além disso, os Estados Unidos têm sido um dos grandes beneficiários do surto, apesar dos riscos que ele impõe à saúde pública. A desaceleração econômica chinesa continuará e, temporariamente, o equilíbrio de poder pode mudar em favor dos Estados Unidos. O Secretário de Comércio estadunidense, Wilbur Ross, chegou a afirmar: “Acho que isso ajudará a acelerar o retorno de empregos para a América do Norte”.

Atualmente, grupos de países soberanos lutam por políticas externas independentes, o que muitas vezes contradiz a visão dos Estados Unidos. Em particular, Irã, China, Rússia e agora a Turquia acreditam que, quando se unirem em um “grupo”, todos os membros serão capazes de resistir aos americanos e ao Ocidente em geral. Mas, se um país for expulso, especialmente do arranjo tripartite China-Rússia-Irã, o equilíbrio global de poder tenderá a favor do Ocidente. Assim, o recuo da China do cenário internacional seria um pesadelo para a Rússia e o Irã, especialmente.

Por fim, o resto do mundo está respondendo com uma onda crescente de segregação contra os chineses e, de fato, contra todos os povos do Leste da Ásia, porque muitas pessoas ao redor do mundo geralmente não fazem distinção entre as nações asiáticas. Na mídia, existem inúmeros relatos sobre a reação racista e o estigma contra a diáspora chinesa em países como os Estados Unidos, o Canadá e o Reino Unido. Em particular, cidadãos franceses de ascendência asiática se queixam de abusos no transporte público, na mídia e na internet. Isso inspirou o uso da hashtag “JeNeSuisPasUnVirus” (“Eu não sou um vírus”). Se o coronavírus não for interrompido em um futuro próximo, é alta a probabilidade de testemunharmos mais xenofobia e racismo em relação ao povo chinês, que, por sua vez, poderá inflamar o nacionalismo e o ressentimento na China.

Após a construção de diversas cadeias internacionais de valor em torno do gigante asiático durante quatro décadas, a desaceleração da segunda maior economia do mundo não deixará ninguém intocado. Mesmo que o coronavírus seja bloqueado com sucesso no resto do mundo, a economia global vai sofrer com a economia da China.

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Imagem 1 Mercado de frutos do mar em Wuhan que foi fechado após o surto de coronavírus” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=20&profile=default&search=wuhan+coronavirus&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Mercado_de_mariscos_de_Wuhan_cerrado_tras_detectarse_ahi_por_primera_vez_el_Nuevo_Coronavirus_.jpg

Imagem 2O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra o Presidente da China, Xi Jinping (2017).  O surto de coronavírus poderá enfraquecer a China na guerra comercial com os Estados Unidos”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=xi+jinping+trump&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:President_Donald_J._Trump_and_President_Xi_Jinping_at_G20,_July_8,_2017.jpg;

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIAORIENTE MÉDIO

China enxerga oportunidades no Oriente Médio em crise entre Estados Unidos e Irã

A crise entre os Estados Unidos e o Irã desenvolve-se desde a decisão do Presidente americano, Donald Trump, de executar, no Iraque, um ataque por meio de um veículo aéreo não-tripulado (drone) que matou o general iraniano Qasem Soleimani, no dia 3 de janeiro de 2020. Soleimani era comandante da Força Quds, uma divisão do Exército iraniano responsável pela condução de ações militares extraterritoriais e operações clandestinas. Trump aprovou a operação de eliminação de Soleimani após receber dados dos órgãos de inteligência estadunidenses que indicavam múltiplas ameaças vindas do Irã a americanos no Oriente Médio. Como forma de retaliação, Teerã lançou dezenas de mísseis contra bases americanas no Iraque, no dia 7 de janeiro de 2020. 

Em mandarim, a palavra “crise” (wēijī) (危机), é composta pelo ideograma “wēi”, que significa “perigo”, e “”, que compõe a palavra “jīhuì” (机会), que significa “oportunidade”. Do mesmo modo, a China tem vislumbrado oportunidades na atual contenda entre os dois países, pois Pequim possui fortes laços com Teerã e realiza regularmente exercícios militares trilaterais com a nação persa e a Rússia. Após o ataque que matou Soleimani, o Ministro chinês de Negócios Estrangeiros, Wang Yi, condenouo ato de aventurismo militar dos Estados Unidos, que vai contra as normas básicas que governam as relações internacionais e que agravará as tensões e a turbulência na região”. Segundo o governo chinês, Teerã espera que “a China possa exercer um papel importante na prevenção da escalada das tensões regionais”. Assim, o eliminação do general iraniano possui o potencial de não apenas fornecer a Pequim um papel de mantenedor da estabilidade no Oriente Médio, mas também de aumentar a sua influência na região, onde muitos países consideram Washington como um ator crescentemente imprevisível.

O Vice-Presidente da República Popular da China, Wang Qishan, encontra o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, em 2018

Desse modo, a política externa chinesa, que enfatiza, sobretudo, o desenvolvimento e o comércio, torna-se cada vez mais atraente para as nações da região, sejam elas democráticas ou não. Nos últimos anos, a China tomou o lugar dos Estados Unidos como o maior doador financeiro para os países em desenvolvimento e celebrou grandes acordos comerciais através da Ásia, do Oriente Médio e da África, como parte do megaprojeto internacional de infraestrutura do presidente Xi Jinping, a Iniciativa do Cinturão e Rota.

De acordo com os analistas Lindsey Ford e Max Hill, do Asia Society Policy Institute, de Nova York, “embora a expansão da presença da China no Oriente Médio ocorra por cálculos econômicos, ela oferece oportunidades estratégicas para PequimPara os autores, “a ênfase da China nos princípios de não-interferência, desenvolvimento econômico liderado pelo Estado e manutenção da estabilidade regional, ressoa entre muitos líderes não-democráticos do Oriente Médio, permitindo que a China promova o seu modelo alternativo de liderança de grande potência”.

Os chineses têm sido capazes de manter laços com aliados tradicionais na região, como o Irã e a Síria, enquanto incrementa suas relações com rivais desses países, como a Arábia Saudita, Israel e os Emirados Árabes Unidos. Jonathan Fulton, do Atlantic Council, de Washington, observa que “os interesses de Pequim se baseiam em um Oriente Médio estável e já considera há muito tempo que isso, eventualmente, requererá alguma forma de participação chinesa nas questões de segurança da região”. Fulton também afirma que “a China não é um país revisionista”, e indica que o Estado asiático “não quer remodelar o Oriente Médio e nem tomar para si a responsabilidade de manter a sua segurança, mas deseja uma região previsível e estável, o quanto for possível, na qual possa desenvolver atividades comerciais e investir”.O analista aponta que o eliminação de Soleimani por Washington, “no curto prazo, aumentará o custo dos Estados Unidos fazerem negócios na região e colocará muitas pessoas em risco, mas, no longo prazo, pode aumentar o poder e a influência da China no Oriente Médio, enquanto o país assume maiores responsabilidades na preservação de seus interesses regionais”.

Desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos são a principal potência, não apenas no Oriente Médio, mas do mundo. À medida que a China desafia cada vez mais a hegemonia americana, o Oriente Médio vai emergir como uma das principais arenas dessa rivalidade e, ao decidir eliminar Soleimani, o governo americano pode ter facilitado para Pequim contestar o poder de Washington na região nos próximos anos.

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Imagem 1 O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, encontra o Presidente do Irã, Hassan Rouhani” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=Xi+Jinping+rouhani&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Ali_Khamenei_receives_Xi_Jinping_in_his_house_(5).jpg

Imagem 2 O VicePresidente da República Popular da China, Wang Qishan, encontra o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, em 2018” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=File%3AChina+Israel&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns14=1#/media/File:Reuven_Rivlin_meeting_with_Wang_Qishan,October_2018(7375).jpg

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Generais chineses e americanos prometem acomodar suas diferenças militares, como o Mar do Sul da China

Pequim e Washington trabalharão juntos para acomodar suas diferenças e manter laços militares estáveis, afirmaram os generais de ambos os países, o general Li Zuocheng, do Exército de Libertação Popular, e Mark Milley, General do Exército dos Estados Unidos, após uma conversa por telefone na terça-feira (3 de dezembro de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

Os dois militares também prometeram encontrar “uma oportunidade para discutir a construção de uma relação de defesa voltada para a geração de resultados”.De acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, “os dois líderes militares concordaram em valorizar um diálogo produtivo, acomodando diferenças de forma efetiva, e desenvolver cooperação em áreas de interesse comum. É a segunda vez que a dupla se reúne desde um encontro em Pequim em 2016.

General do Exército dos Estados Unidos da América, Mark Milley

China e Estados Unidos se enfrentaram em diversas questões militares nos últimos anos, inclusive em relação ao Mar do Sul da China. Pequim clama soberania sobre 90% das águas do Mar do Sul da China, e tem se envolvido em diversas disputas territoriais com seus vizinhos asiáticos. Ao mesmo tempo, o país tem acusado os Estados Unidos de infringirem seus direitos marítimos, por meio de seus exercícios militares de liberdade de navegação. Por sua vez, Washington tem criticado o governo chinês por construir ilhas artificiais em águas em disputa e por aumentar a sua presença na região.   

O professor Shi Yinhong, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Renmin, de Pequim, apontou que a conversa por telefone entre os dois generais é algo comum entre líderes militares. Shi avaliou: “Isso indica que o relacionamento entre oficiais sêniores dos dois países vai continuar, mas não ajuda as duas Forças Armadas a resolver suas principais questões”. E relembrou que os principais problemas do relacionamento bilateral são “o aumento da vigilância do Mar do Sul da China por parte dos Estados Unidos e a sua interferência na questão de Taiwan, e não é fácil resolver nenhum dos dois no curto prazo”.

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Imagem 1 General Li Zuocheng, do Exército de Libertação Popular, encontra-se com militares americanos, em Pequim (janeiro de 2019)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=li+zuocheng&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:CNO_Meets_with_Chief_of_Staff_of_the_Joint_Staff_Department_Under_China’s_Central_Military_Commission_Gen._Li_Zuocheng.jpg

Imagem 2General do Exército dos Estados Unidos da América, Mark Milley” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=mark+milley&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Gen.Mark_Milley(21943690634).jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China lidera ranking mundial de representações diplomáticas

A China ultrapassou os Estados Unidos e obteve o maior número de postos diplomáticos em todo o mundo, à medida que suas ambições internacionais e interesses econômicos se expandem. De acordo com o Índice de Diplomacia Global de 2019, divulgado pelo Instituto Lowy, da Austrália, o país asiático tem 276 embaixadas, consulados e outras missões diplomáticas em todo o globo, superando os EUA, que contam com 273 representações no exterior, informa o jornal South China Morning Post.

Bonnie Bley, principal pesquisadora do Índice de Diplomacia Global, relatou que, embora o total de legações de um país não se iguale à influência diplomática, “a infraestrutura diplomática ainda é importante”.  Segundo Bley: “A liderança recém-adquirida pela China serve como um dado revelador de sua ambição nacional e de suas prioridades internacionais”.A pesquisadora também aponta: “Pequim possui 169 embaixadas, enquanto Washington possui 168. No entanto, a China possui 96 consulados, ao passo que os EUA possuem 88, o que sugere que a expansão diplomática chinesa está fortemente ligada aos seus interesses econômicos”.

Embaixada dos Estados Unidos da América em Berlim, na Alemanha

O professor de Relações Internacionais da Universidade Renmin, de Pequim, Shi Yinhong, indica: “A China possui laços fortes e crescentes de comércio e investimento com muitos países em desenvolvimento, especialmente aqueles que participam da Iniciativa do Cinturão e Rota, aumentando a necessidade por consulados”. O professor relembra: “Um dos principais objetivos de um consulado é servir aos cidadãos e às empresas presentes nesses países”.

A expansão diplomática chinesa também está ocorrendo em um momento no qual os EUA seguem a estratégia da “América Primeiro”, promovida pelo governo do presidente Donald Trump. Assim, Washington tem cortado o financiamento do Departamento de Estado, e a Casa Branca não indicou os embaixadores americanos para pelo menos 17 países, incluindo o Brasil e o Egito.

Shi destaca: “Embora os EUA gozem de uma forte base diplomática, não são tão proativos quanto antes. O país possui menos consulados e menos diplomatas. No longo prazo, a China está em uma posição vantajosa”. O docente também afirmou: “Contudo, a habilidade diplomática e a capacidade de influência de um país não se baseiam no número de legações no exterior e os EUA ainda possuem maior flexibilidade diplomática do que a China”.

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Imagem 1 Embaixada da República Popular da China em Canberra, na Austrália” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Entrance_to_the_Chinese_Embassy_in_Canberra_June_2014.jpg

Imagem 2Embaixada dos Estados Unidos da América em Berlim, na Alemanha” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=File%3AUS+embassy+in+Berlin.jpg&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:US_embassy_in_Berlin.jpg

FÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“A China cada vez mais parte do futuro do Brasil”, afirma Jair Bolsonaro durante encontro com Xi Jinping

A China cada vez mais parte do futuro do Brasil”, afirmou o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na quarta-feira (13 de novembro de 2019), sinalizando uma abordagem pragmática ao maior parceiro comercial do País. Ao lado do Presidente chinês, Xi Jinping, em Brasília, Bolsonaro declarou: “Mais do que ampliar, queremos diversificar nossas relações comerciais”, informa o jornal South China Morning Post.

Na ocasião, os dois Mandatários assinaram acordos nas áreas de transportes, serviços e investimentos, antes da Cúpula dos BRICS, realizada na capital brasileira (Brasília). Xi ecoou os sentimentos positivos, demonstrando expectativas para que os dois países “fortaleçam o multilateralismo e construam uma economia mundial aberta”.

Líderes dos BRICS no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília

O encontro deles, o segundo em dois meses, foi um dos vários realizados durante a reunião anual dos BRICS, que se concentrou no crescimento econômico e na inovação. O presidente russo Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa estiveram presentes no encontro de dois dias (13 e 14 de novembro de 2019).

A Cúpula dos BRICS é a primeira vez na qual Bolsonaro sedia um grande encontro internacional desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2019. Luís Fernandes, do BRICS Policy Center, no Rio de Janeiro, fazendo menção ao alinhamento da política externa brasileira aos Estados Unidos, nota que “o evento poderia fornecer cobertura para Bolsonaro falar com Xi sem parecer desleal a Trump”.

O Presidente brasileiro rompeu a tradição na Cúpula deste ano (2019), ao não realizar a reunião do “BRICS Plus”, que permite que os cinco membros se encontrem com os países vizinhos do anfitrião.   

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Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping, durante o encontro com o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2019_Cerimônia_de_Encerramento_do_Fórum_Empresarial_do_BRICS_-_49062005877.jpg

Imagem 2 Líderes dos BRICS no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=20&profile=default&search=BRICS+brasilia&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:2019_Foto_de_Família_Lideres_do_BRICS_-_49064551007.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China afirma que os países da Parceria Econômica Regional Abrangente estão comprometidos em trabalhar com a Índia

A China afirmou na quarta-feira (6 de novembro de 2019) que as questões que atrapalham a Parceria Econômica Global Abrangente (PEGA) podem ser resolvidas até o final do ano (2019), acrescentando que os Estados-membros estão prontos para trabalhar com a Índia para resolver questões pendentes. Quinze países da região Ásia-Pacífico, os dez países da Ásia, além de Japão, China, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, concordaram com o esboço do pacto comercial na segunda-feira (4 de novembro de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

A Índia desistiu do acordo no último minuto, em meio a preocupações de que sua economia poderia ser inundada com produtos chineses de preço competitivo e que os agricultores poderiam ser prejudicados pelas importações agrícolas da Austrália e da Nova Zelândia. O Vice-Ministro de Comércio chinês, Wang Shouwen, declarou que a China e os outros 14 países-membros respeitam a Índia e têm preocupações pendentes, mas estão dispostos a trabalhar juntos para resolvê-los. “Devemos trabalhar duro com a Índia para resolver esses problemas. E a Índia deve decidir com base nesta resolução se deve entrar no acordo”, afirmou Wang.

Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi (2015)

Na segunda-feira (4 de novembro de 2019), o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, retirou seu país do acordo, apontando que este “não refletia totalmente o espírito básico e os princípios orientadores acordados” e que “falhou em atender às preocupações pendentes da Índia”. Uma declaração conjunta de todos os 16 países, incluindo o Estado indiano, apontou que 15 economias concluíram as “negociações para todos os 20 capítulos e essencialmente todas as suas questões de acesso ao mercado”, embora tenha observado que os indianos ainda possuem questões não resolvidas.

O Ministro de Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, indicou que as “fortes demandas de Nova Délhi por serviços e investimentos podem ter sido um ponto de atrito nas negociações”. Além disso, “Se as 15 nações fizerem um esforço sincero para resolver nossas preocupações, nos dar confiança e nos ajudar a equilibrar a desigualdade comercial, acho que todas as nações devem conversar com seus amigos”, comentou Goyal em entrevista à imprensa indiana. E relembrou: “Não estamos fazendo inimigos com ninguém: as relações são fortes com todos os países envolvidos”.

A Índia possui um antigo déficit comercial com a China, que chegou a 57 bilhões de dólares em 2018 (aproximadamente, 237,3 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 8 de novembro de 2019). Wang reconheceu que havia alguns setores da indústria indiana que “estão preocupados com a possibilidade de haver algum déficit”. No entanto, o Vice-Ministro apontou que “o déficit comercial da Índia em sua conta corrente era de apenas 1,7% do produto interno bruto, muito abaixo da linha segura de 4%, e que havia um excedente no setor de serviços”. “O balanço de pagamentos na conta corrente indiana é muito saudável”, reiterou Wang.

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Imagem 1 ViceMinistro de Comércio da China, Wang Shouwen (2015)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=wang+shouwen&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Nairobi_Fourth_China_Round_Table,14_December_2015(23379498939).jpg

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