ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Congresso americano ameaça impor sanções à construção do gasoduto Nord Stream 2

Atualmente, a Federação Russa é uma das principais parceiras da Europa em relação ao suprimento de gás natural. O Nord Stream é um dos vários dutos que fornecem essa fonte energética ao continente europeu. O seu caminho é pelo Mar Báltico, ele parte de Vyborg, na Rússia, e termina em Greifswald, na Alemanha. Há 2 gasodutos paralelos com 1.222 quilômetros de extensão cada, o que resulta numa capacidade de transporte anual de 55 bilhões de metros cúbicos. Agora, em 2019, está em andamento a construção do Nord Stream 2, que adicionaria mais dois condutos aos que existem, elevando o volume total de carregamento anual para 110 bilhões de metros cúbicos.

Economicamente, esse projeto garantiria que a Europa tivesse acesso a uma quantidade maior de gás natural a um preço mais barato. Entretanto, essa afirmação é contestável. De acordo com uma análise realizada pelo jornal inglês “The Economist”, a prospectiva da demanda europeia por gás natural para os próximos anos não é suficiente para justificar a construção de um novo gasoduto neste momento, principalmente por causa da eficiência energética e a utilização de fontes renováveis de energia.

Localização do Nord Stream

Politicamente, a construção do Nord Stream 2 também trouxe várias controvérsias. A principal é que com esse novo gasoduto a Rússia poderia cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia sem afetar a Europa, o que resultaria num prejuízo de 2 a 3 bilhões de dólares* para o país e isso seria suficiente para que sua economia entrasse numa recessão. Outros Estados também poderiam sofrer cortes no fornecimento por questões político-estratégicas, como a Polônia ou outros países Bálticos.

A partir desse cenário, os senadores norte-americanos Ted Cruz e Jeanne Shaheen apresentaram ao Senado um Projeto de Lei que sancionaria as companhias envolvidas em projetos energéticos russos de construção de dutos em águas profundas. Caso a lei passe, as partes sancionadas não serão permitidas a conseguir licenças de exportação para os EUA e nem conseguirão empréstimos maiores de 10 milhões de dólares** de instituições financeiras americanas. Pelas especificações do Projeto de Lei, a construção do Nord Stream 2 pode ser afetada e, consequentemente, as empresas envolvidas*** na obra.

Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa

Embora exista essa ameaça, os empresários não acreditam que a lei vá entrar em vigor, que ela seria apenas uma maneira de pressioná-los a não realizarem projetos futuros com a Rússia nesse campo comercial. Richard Nephew, um pesquisador do Centro de Energia Política Global da Universidade de Columbia, nos EUA, declarou que essa lei poderia atrasar a conclusão do gasoduto, mas que é pouco provável que impediria a sua finalização, visto que a Rússia já demonstrou estar disposta a continuar, apesar das controvérsias.

A Alemanha e a Federação Russa já se pronunciaram contra o Projeto de Lei proposto pelos senadores norte-americanos. O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que “as questões de política energética devem ser decididas na Europa e não nos EUA”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que, ao “invés de uma competição justa com o Nord Stream 2, os EUA preferem atuar na Europa como nos tempos do Velho Oeste. Eles mostraram suas armas e disseram aos europeus que eles comprarão gás americano e não importa que seja pelo menos 30% mais caro do que o gás russo”.

Dessa forma, especialistas apontam que a introdução dessa lei americana pouco afetará a construção do Nord Stream 2. Mesmo que haja controvérsias políticas e econômicas que rodeiam o novo gasoduto, ele provavelmente será concluído e passará a ser utilizado já em 2020. As suas consequências, portanto, só poderão ser confirmadas no próximo ano.

———————————————————————————————–

Nota:

* Aproximadamente, 7,82 e 11,72 bilhões de reais, conforme a cotação de 4 de junho de 2019.

** Em torno de 39,08 milhões de reais, também de acordo com a mesma cotação de 4 de junho de 2019.

*** As empresas que podem sofrer sanções são: Allseas, da Suíça; Anglo-Dutch Shell e OMV, da Áustria; Engie, da França; Saipem, da Itália; e Uniper e Wintershall, da Alemanha.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Capitólio dos Estados Unidos, prédio que serve como centro legislativo do governo dos EUA” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg/800px-United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg

Imagem 2Localização do Nord Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/58/Nordstream.png/220px-Nordstream.png

Imagem 3Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Major_russian_gas_pipelines_to_europe.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia apresenta novo quebra-gelo nuclear

No sábado passado, dia 25 de maio (2019), a Rússia apresentou o novo quebra-gelo nuclear que faz parte da frota do “Projeto 22220”. Batizado de Ural, o navio foi lançado no Estaleiro Báltico em São Petersburgo e integra uma frota de outras 3 embarcações semelhantes que, quando concluídas, constituirão a esquadra de quebra-gelos mais poderosa do mundo. Os quebra-gelos nucleares são navios movidos a propulsão nuclear para navegação em áreas cobertas de gelo, eles são mais potentes que aqueles movidos a diesel e não exigem grandes volumes de combustível para operar.

O “Projeto 22220” compreende a construção de 3 navios: Arktika, Sibir e Ural. Os dois primeiros estão para entrar em serviço em 2020 e em 2021, respectivamente, enquanto que o Ural será finalizado completamente em 2022. Os investimentos para a construção dos quebra-gelos são em torno de 120 bilhões de rublos*. Além disso, há a previsão da construção de mais 2 navios pela empresa de energia nuclear civil russa, Rosatom, sendo que o quarto entraria em operação em 2024 e o quinto em 2027.

O objetivo da Rússia é utilizar essa nova esquadra de quebra-gelos nucleares para explorar a Rota do Mar do Norte (NSR, sigla em inglês), uma rota marítima que corre ao longo da costa russa do Ártico, desde da Sibéria até o Estreito de Bering, e também pelas costas do Alaska, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Durante dois meses do ano esse percurso fica livre de gelo, permitindo que navios comuns adentrem o espaço, entretanto, ao longo dos outros meses o deslocamento só é possível com os quebra-gelos. Com essa nova frota, o NSR será navegável o ano todo.

Mapa da região do Ártico onde é destacada a Rota do Mar do Norte pela Passagem a Noroeste e pela Passagem ao Nordeste

A partir do momento que a circulação marítima é facilitada, a Federação Russa consegue ter mais controle sobre essa região do globo em relação aos outros países que também utilizam do Ártico para rota comercial. Outra questão importante é que a região possui grandes quantidades de petróleo e gás natural. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, há aproximadamente uma reserva energética de 412 bilhões de barris, isso equivale a 22% do total não descoberto de petróleo e gás do mundo.

Especialistas destacam que essa estratégia russa coloca o país em vantagem na corrida pelo Ártico. Em alguns anos, as mudanças climáticas vão resultar no derretimento do gelo, mas, enquanto isso não ocorre, a Rússia já coloca uma frota de quebra-gelos em ação para o melhor reconhecimento da área.

———————————————————————————————–

Nota:

* 120 bilhões de rublos correspondem a aproximadamente 1,8 bilhão de dólares que, consequentemente, correspondem a aproximadamente 7,2 bilhões de reais (cotação do dia 27 de maio 2019).

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1O quebragelo nuclear Yamal” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f5/Yamal_2009.JPG/300px-Yamal_2009.JPG

Imagem 2Mapa da região do Ártico onde é destacada a Rota do Mar do Norte pela Passagem a Noroeste e pela Passagem ao Nordeste” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Map_of_the_Arctic_region_showing_the_Northeast_Passage%2C_the_Northern_Sea_Route_and_Northwest_Passage%2C_and_bathymetry.png/440px-Map_of_the_Arctic_region_showing_the_Northeast_Passage%2C_the_Northern_Sea_Route_and_Northwest_Passage%2C_and_bathymetry.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia comemora o Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica*

Desde 1995, a Federação Russa realiza anualmente no dia 9 de maio paradas militares para relembrar a vitória do povo soviético contra a Alemanha nazista, em 1945. As comemorações ocorrem principalmente em Moscou, na Praça Vermelha, mas elas se estendem até outros países** que outrora faziam parte do bloco da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

As celebrações do Dia da Vitória deste ano (2019) tiveram a participação de 35 bandas militares marchantes e mais de 130 unidades de equipamentos militares modernos. O desfile foi prestigiado por Vladimir Putin, Presidente da Rússia; Dmitry Medvedev, Primeiro-Ministro da Rússia; e pelo convidado de honra, o Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

Durante o Evento, Putin realizou um discurso para destacar a importância das comemorações do dia 9 de maio e também para prestar homenagem a todos os antepassados que lutaram para proteger o país na Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Presidente, “o inimigo foi derrotado não apenas pela força dos equipamentos de combate e pelo poder militar. O importante é que as armas esmagadoras estavam nas mãos daqueles unidos em defender seus parentes e suas famílias (…). Todo o nosso povo honra e agradece a geração de vitoriosos. O caminho heroico deles não é distante para nós, é parte de nossas vidas, de nosso núcleo moral e uma medida de aspirações e intenções, de ações e feitos”.

Parada militar do Dia da Vitória em Moscou, na Praça Vermelha

O discurso também destacou a importância de manter a lembrança da Grande Guerra Patriótica intacta. Segundo Putin, em muitos países não é contada a verdadeira história para as gerações mais novas e isso é como se estivessem traindo seus ancestrais. Para o Presidente, “a memória sobre a Grande Guerra Patriótica, sobre a sua verdade, é a nossa consciência e a nossa responsabilidade. Hoje vemos como em alguns países eles estão deliberadamente distorcendo os eventos da guerra, como eles estão fazendo ídolos daqueles que se esqueceram de sua honra e dignidade humana e serviram aos nazistas”.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Marcha do Regimento Imortal

Além da Parada do Dia da Vitória na Praça Vermelha, também ocorreu no mesmo dia (9 de maio 2019) a Marcha do Regimento Imortal em Moscou, a qual celebra especificamente aqueles que lutaram e deram suas vidas pela proteção da antiga União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse Movimento, Putin participou andando pela Praça Vermelha segurando o retrato de seu pai, veterano da Grande Guerra Patriótica.

A Marcha não ocorre apenas na Federação Russa. Neste ano (2019), foi realizado em mais de 110 países e em 500 cidades pelo mundo o Movimento para relembrar os soldados da Segunda Guerra Mundial. Alguns exemplos de locais onde foi realizado as Comemorações foram: Argentina, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Hong Kong, Itália e Japão,

———————————————————————————————–

Notas:

* A Grande Guerra Patriótica é o nome dado pelos soviéticos ao conflito militar travado no Leste da Europa durante a Segunda Guerra Mundial e, às vezes, também se refere aos embates contra o Japão Imperial em 1945.

** Os países que comemoram o mesmo Dia da Vitória que a Rússia são: Armênia, Azerbaijão, Belarus, Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Estônia, Geórgia, Israel, Cazaquistão, Quirquistão, Letônia, Lituânia, Moldova, Mongólia, Montenegro, Polônia, Sérvia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Discurso do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Parada da Vitória que comemora o 74º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/oaZ6BOttOqCARNhn2260ATquY6vAaadW.JPG

Imagem 2 Parada militar do Dia da Vitória em Moscou, na Praça Vermelha” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/e9L2TFinoqoNGgs25n73THPFEbyYWYq4.JPG

Imagem 3 Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Marcha do Regimento Imortal” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/zTlJTZY68DIoo0amdpfHANmnOCuvPH5B.JPG

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia facilita a obtenção de cidadania russa a ucranianos

Rússia e Ucrânia estão novamente em tensão, dessa vez por conta da assinatura de dois Decretos pelo presidente russo Vladimir Putin que facilitam a obtenção da cidadania russa aos nacionais ucranianos.

No dia 24 de abril, Putin firmou o primeiro Documento que garante que cidadãos da região separatista de Donbass* possam adquirir o passaporte russo de maneira mais rápida e facilitada, sem precisar abdicar da atual cidadania ucraniana. Logo em seguida, no dia 1º de maio, o Presidente russo expandiu as condições do primeiro Decreto pela assinatura de um segundo. A partir deste, as pessoas que moravam na Crimeia** antes da eclosão do conflito em 2014 e que se mudaram para outras regiões, como a própria Rússia, onde vivem como refugiados ou residentes temporários, também são elegíveis a conseguir a cidadania russa pelo processo rápido. Estima-se, portanto, que o número de potenciais candidatos para adquirir o passaporte está entre 5 e 10 milhões de pessoas.

Os Decretos assinados pelo presidente Putin abrangem não só aqueles que vivem hoje nessas regiões da Ucrânia. Pelo Documento, pessoas que moravam no leste do país antes da eclosão do conflito em 2014 e que se mudaram para outras regiões, como a própria Rússia, onde vivem como refugiados ou residentes temporários, também são elegíveis a conseguir a cidadania russa por esse processo rápido. Estima-se, portanto, que o número de potencial candidatos para adquirir o passaporte está entre 5 e 10 milhões de pessoas.

Moscou alega que sua decisão foi baseada em questões humanitárias. De acordo com Putin, as pessoas que moram no leste da Ucrânia estão vivendo em isolamento, em que muitas questões cotidianas são dificultadas, como o acesso à universidade ou a possibilidade de viajar ao exterior. Outro ponto utilizado para justificar tal ação é a legalização dos ucranianos que vivem na Rússia em condição de refugiados e até apátridas.

As regiões da Crimeia e Donbass na Ucrânia

Entretanto, a ação russa não foi positivamente aceita por muitos países da comunidade internacional, principalmente pelos Estados Unidos (EUA) e pela própria Ucrânia. De acordo com comunicado liberado pelo Departamento de Estado dos EUA, “a Rússia, através desta ação altamente provocativa, está intensificando seu ataque à soberania e integridade territorial da Ucrânia”, ao mesmo passo que Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin, utilizou o twitter para afirmar que esse movimento da Rússia é apenas mais uma “continuação da sua agressão e interferência em nossos assuntos internos”. Outra crítica também colocada foi que a Ucrânia está atualmente numa situação fragilizada, visto que a transição de governo logo ocorrerá. O atual Presidente, Petro Poroshenko, está deixando o cargo para que seu sucessor recém-eleito, Volodymyr Zelenski, assuma a posição. Nesse cenário, Poroshenko e Zelesnki têm as mesmas opiniões, ambos pediram aos aliados para que eles condenem essas ações russas, assim como reivindicaram que mais sanções sejam impostas.

Em resposta, Putin disse ter ficado surpreso e estranhado as reações negativas, visto que a situação não é nova na Ucrânia. O Presidente então lembrou que a Polônia, a Hungria e a Romênia também emitem rapidamente passaportes aos seus respectivos grupos étnicos que vivem em território ucraniano, assim, “se outros vizinhos da Ucrânia fazem isso há muitos anos, por que a Rússia não pode fazer o mesmo? (…) Os russos que vivem na Ucrânia não são tão bons quanto romenos, poloneses e húngaros?”.

Em meio a essa polêmica, especialistas apontam que a Rússia pode estar montando uma intervenção militar nos mesmos moldes que ocorreu na Geórgia em 2008. Conforme suas afirmações, na época, justificou-se a entrada militar na região da Ossétia do Sul na Geórgia para proteger a minoria separatista que detinha passaporte russo. De acordo com Wilfried Jilge, do Conselho Alemão de Relações Exteriores, se nacionais ucranianos tiverem cidadania russa, Moscou pode atuar em situações que considerar emergenciais para proteger essas pessoas do governo da Ucrânia.

———————————————————————————————–

Notas:

* Donbass é uma região que se localiza no extremo leste da Ucrânia. Em 2014, após a Revolução Ucraniana e o Movimento Euromaidan, movimentos pró-Rússia e anti-governo ganharam força em Donbass, o que resultou numa guerra entre as forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk contra o governo ucraniano. Em setembro de 2014, foi assinado o Protocolo de Minsk para o fim do conflito, contudo, as hostilidades entre as partes continuaram com as acusações de violação do cessar-fogo.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Passaportes da Federação Russa” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e7/Russian_passports.jpg/800px-Russian_passports.jpg

Imagem 2 As regiões da Crimeia e Donbass na Ucrânia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b2/Map_of_the_Donbass.png

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Delegações dos EUA e da Rússia discutem extensão do Tratado Novo START

O Novo START* é um Acordo para a redução de armas nucleares entre EUA e a Federação Russa, que está em vigor desde 2011. Na época, foi decidido que o Tratado teria uma validade de 10 anos e quando estivesse próximo de sua expiração ele poderia ser estendido por um período de 5 anos, ou substituído por um novo Acordo, no âmbito de controle do armamento atômico. O prazo de vigência do Novo START está para se encerrar em 2021 e, por ainda não haver uma decisão acerca do seu futuro, delegações dos Estados Unidos (EUA) e da Federação Russa reuniram-se em Genebra, na Suíça, entre os dias 3 e 12 de abril (2019).

De acordo com especialistas, a maior preocupação mundial seria se Washington e Moscou não entrassem em acerto sobre a continuação do Novo START. Recentemente, em fevereiro (2019), os EUA decidiram pela saída unilateral do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês), outro Acordo firmado com a Rússia no mesmo âmbito de controle de armamentos atômicos. Caso ambos os Tratados sejam realmente descontinuados pelas partes, os arsenais nucleares americanos e russos não seriam limitados juridicamente e nem verificáveis, pela primeira vez, desde 1972.

A fim de que esse cenário não ocorra, reuniões bilaterais, como a que ocorreu na Suíça agora, em abril (2019), vêm ocorrendo para que um acordo sobre o futuro do Novo START seja firmado entre as partes. Entretanto, pelo fato de os encontros serem a portas fechadas, ainda não se sabe o estágio em que as negociações se encontram. O que é de conhecimento público é que em outubro do ano passado (2018) a Casa Branca anunciou que era pouco provável que os EUA aceitassem a extensão do Tratado, todavia, não é possível afirmar que esse posicionamento norte-americano ainda permanece, visto que oficiais que representam a Administração Trump evitam comentar sobre o prolongamento do Acordo.

Nuvem no formato de cogumelo após uma explosão nuclear marítima

Há várias dificuldades para que o consenso seja atingido. Os EUA afirmam que a Federação Russa está em conformidade com o Novo START, portanto, sabe-se que ele está sendo respeitado. Entretanto, os norte-americanos preocupam-se com os planos russos de armamento estratégico. Por outro lado, os receios da Rússia são de que os EUA não estejam cumprindo devidamente com o Tratado, visto que há o questionamento quanto aos procedimentos americanos de conversão de lançadores de armas nucleares para armas convencionais.

De acordo com o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergey Lavrov, EUA e a Rússia precisam entrar em acordo sobre os procedimentos e alcances do Tratado e que tudo dependeria em grande parte das vontades políticas de Washington. Outra questão levantada por Lavrov é que, diante da situação do fim do INF, ficou evidente que Acordos para controle de armas nucleares dos EUA e da Rússia não devem ser unicamente acertos de forma bilateral, é preciso que esse assunto seja abordado no modelo multilateral também.

O futuro do Novo START segue incerto, mas ainda há o prazo de 2 anos para que uma composição seja atingida. De qualquer forma, o anseio mundial é para que ainda haja um Tratado que limite o desenvolvimento de armas nucleares dessas duas potências. De acordo com o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, o Novo START é “o único instrumento legal internacional que limita o tamanho dos dois maiores arsenais nucleares do mundo”.

——————————————————————————————————-

Nota:

* O Novo START é o Strategic Arms Reduction Treaty, que, traduzido livremente, significa Tratado de Redução de Armas Estratégicas.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Obama e Presidente Medvedev, em 2010, após assinarem o Tratado de Praga, que criou o Novo START” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8b/Obama_and_Medvedev_sign_Prague_Treaty_2010.jpeg/250px-Obama_and_Medvedev_sign_Prague_Treaty_2010.jpeg

Imagem 2Nuvem no formato de cogumelo após uma explosão nuclear marítima” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/Operation_Crossroads_Baker_Edit.jpg/220px-Operation_Crossroads_Baker_Edit.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

OTAN realiza exercícios militares no Mar Negro

Entre os dias 9 e 13 de abril (2019), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizou um exercício militar no Mar Negro, o chamado “Sea Shield”, que traduzido livremente significa “Escudo do Mar”. Participam da missão navios e aeronaves dos Estados Unidos, Bulgária, Grécia, Canadá, Holanda, Romênia e Turquia e há também a cooperação das forças da Geórgia e da Ucrânia.

Esse treinamento militar ocorre após a escalada de tensões entre a Ucrânia e a Rússia pela passagem do Estreito de Kerch, área que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, em novembro do ano passado (2018). Na época, navios russos detiverem a passagem de três embarcações ucranianas sob a alegação que elas estariam invadindo o território marítimo da Rússia.

Após esse incidente, a OTAN expandiu a sua vigilância. No início deste mês (abril, 2019), os Estados Unidos anunciaram o envio de novos navios para fortalecer a presença militar da Organização na região. De acordo com os Ministros da OTAN, a postura agora é direcionada para a defesa e dissuasão no Mar Negro.

O Mar Negro visto por satélite

Não obstante, a Federação Russa não enxerga esse novo posicionamento da mesma maneira. Segundo o Vice-Ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, “(…) qualquer esforço da OTAN na região do Mar Negro não tem sentido do ponto de vista militar. Eles não fortalecerão a segurança nem da região nem da própria OTAN, mas serão associados a riscos militares adicionais”. Grushko também destacou que a segurança da área tem que ser fundada na cooperação entre os países da costa, a qual pode ser aprofundada ou pela Organização para a Cooperação Econômica do Mar Negro*, ou pelo Documento sobre medidas de construção de confiança no Mar Negro**.

Em relação ao exercício militar da OTAN, a Rússia anunciou que responderia igualmente, tendo realizado ela mesma um treinamento no Mar Negro no dia 13 de abril (2019). Dessa forma, os dois eventos aconteceram ao mesmo tempo na região, o que o serviço de imprensa da frota naval classificou como “uma boa oportunidade para simular as habilidades da marinha numa situação real de combate”. A atividade militar envolveu não apenas navios, como também forças terrestres e aéreas.

A presença militar da OTAN no Mar Negro, portanto, traz novas instabilidades. A razão divulgada pela Organização para a sua presença militar mais incisiva na região é para garantir que as frotas ucranianas circulem livremente e com segurança. Entretanto, especialistas apontam que pode haver outros objetivos. Em entrevista ao jornal Sputnik, o presidente da Academia de Problemas Geopolíticos da Rússia, Leonid Ivashov, destacou que os exercícios da Organização visam impedir a aproximação entre Rússia e Turquia e dificultar o projeto do gasoduto TurkStream, que transportaria gás natural do território russo pelo Mar Negro até a Europa. Sejam quais forem as verdadeiras razões, teme-se que as provocações de ambos os lados evoluam para algo mais preocupante.

——————————————————————————————————-

Notas:

* A Organização para a Cooperação Econômica do Mar Negro foi criada em 1992 pelos Chefes de Estado e de Governo dos 12 Estados membros: Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bulgária, Geórgia, Grécia, Moldóvia, Romênia, Rússia, Sérvia, Turquia e Ucrânia. O objetivo é incentivar a interação e a harmonia entre seus membros, assim como garantir a paz, a estabilidade e a prosperidade na região do Mar Negro. Hoje é um fórum de discussão que engloba assuntos relacionados desde à agricultura até a troca de informações e tecnologia.

** O Documento sobre medidas de construção de confiança no Mar Negro foi aprovado, em 2002, pelo Ministros das Relações Exteriores dos seis países que dividem suas costas com o Mar Negro, sendo eles: Bulgária, Geórgia, Romênia, Rússia, Turquia e Ucrânia. Os objetivos desse acordo são o desenvolvimento das relações de boa-vizinhança e a contribuição ao fortalecimento da estabilidade e do sentimento de confiança na região.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Cruzador russo Pedro, o Grande durante uma missão de exercício” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Tactical_exercises_of_the_Russian_Navy.jpg

Imagem 2 O Mar Negro visto por satélite” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Mar_Negro_satelite.png