AMÉRICA LATINAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e Venezuela

Na semana passada (5 de dezembro de 2018), o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin, encontraram-se em Moscou, onde realizaram uma reunião sobre as principais diretrizes que orientam as relações bilaterais. Por conta da dificuldade econômica e política que o Governo Maduro vem sofrendo nos últimos anos, houve um afastamento entre os dois países, principalmente no que concerne ao comércio. O Encontro entre os líderes teve o objetivo de superar esse percalço e reestabelecer a parceria estratégica entre eles.

O resultado dessa Reunião foi um contrato de investimentos em projetos de extração de petróleo e ouro na Venezuela no valor de 6 bilhões de dólares, além de um acordo de abastecimento de 600 mil toneladas de trigo ao país sul-americano. Não só a parceria econômica foi incentivada,também foi discutida a cooperação técnica militar entre eles.

Poucos dias após o Encontro dos líderes,no dia 10 de dezembro (2018), quatro aeronaves russas pousaram na Venezuela,entre elas, dois bombardeiros Tupolev 160 (Tu-160), tal qual já citado em Análise no CEIRI NEWS (CNP). Esses aviões, apelidados de Cisnes Brancos por conta do design, foram desenvolvidos no começo dos anos de1980 e modernizados em 2000, eles alcançam uma velocidade máxima que é o dobro daquela do som, voam por 12 mil quilômetros e são capazes de transportar armas nucleares. De acordo com o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, as aeronaves faziam parte de um exercício militar entre os dois países, em suas palavras, “estamos nos preparando para defender a Venezuela até o último momento caso seja necessário. Vamos fazer isso com nossos amigos porque temos amigos no mundo que defendem relações respeitosas e de equilíbrio”.

O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)

A declaração de Padrino ocorreu em meio a suspeita do Governo Maduro de uma intervenção dos EUA no país, visto que eles consideram que a Venezuela esteja vivendo um período antidemocrático. O presidente Putin, por sua vez, se opõe ao posicionamento dos norte-americanos e declarou que “qualquer tipo de ação terrorista com o intuito de mudar a situação na Venezuela por força deve ser condenada”.

A parceria militar entre os dois países, portanto, tornou-se evidente após esse acontecimento, algo que despertou desconfianças em alguns países do sistema internacional. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, repudiou o exercício militar e acusou os dois governos de serem corruptos por esbanjarem fundos públicos e estreitarem a liberdade de suas populações. Outras autoridades americanas também criticaram a Rússia,acusando-a de agir dessa maneira para irritar os EUA.

Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco

As aeronaves retornaram às suas bases militares na Rússia 5 dias após o início do exercício militar, não tendo ocorrido nenhuma transgressão às regulações internacionais, segundo foi divulgado. Entretanto, a incerteza quanto às reais intenções entre Venezuela e Rússia ainda prevalece. Especialistas internacionais apontam que esse exercício foi uma demonstração de apoio da Rússia pelo regime de Maduro, um modo para que o governo Putin demonstre que seu país tem aliados e conexões importantes pelo mundo. De acordo com Famil Ismailov, editor do serviço russo da BBC, “é muito importante mostrar ao público interno que, apesar das sanções, a Rússia cumpre seu papel de superpotência e tem países amigos. Vale a pena pagar por isso”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/vIpRZIzrkQHJTVAN0I7bhcSJn8TtmJ7B.jpg

Imagem 2O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 3Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/65/Tupolew_Tu_160_8001.png

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reaproximação diplomática entre Grécia e Rússia

Na última sexta-feira, dia 7 de dezembro (2018), o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, reuniram-se no Kremlin, em Moscou. A discussão entre os líderes incluiu assuntos de cooperação bilateral e outras questões internacionais e regionais de destaque, uma mudança positiva nas relações Rússia-Grécia, visto que elas estavam abaladas desde julho (2018).

Nesse período, Atenas expulsou dois diplomatas russos sob a alegação de que eles tentaram sabotar as negociações entre Grécia e Macedônia na renomeação do país de República Iugoslava da Macedônia para República da Macedônia do Norte. A Rússia negou as acusações e respondeu à altura, expulsando dois diplomatas gregos em agosto (2018). Durante a Reunião, Putin destacou que houve discordância entre as partes sobre os motivos que levaram a expulsão dos diplomatas russos e continuou: “Mal posso imaginar que alguém sensato na Grécia e na Rússia pense que a Rússia esteja ‘tramando’ contra a Grécia ou que trame outras conspirações. É um absurdo. Se os serviços de inteligência têm alguma pergunta um para o outro, o que também é possível, há muitas maneiras de resolver esse tipo de situação, sem nenhum gesto teatral. Espero que este momento [nas relações Rússia-Grécia] tenha realmente se encerrado”.

Reunião com o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou

À parte do escândalo diplomático, os líderes também discutiram sobre assuntos estratégicos. Tsipras propôs que a Grécia faça parte do trajeto do duto de gás natural, o TurkStream, para a Europa Ocidental. O objetivo do Primeiro Ministro é demonstrar o interesse grego em se tornar um hub de energia regional, assim, o sul da Europa também se conectaria ao gasoduto TurkStream pela Grécia. Com essa declaração, Putin apontou que há a possibilidade desse projeto ocorrer, além de que há planos para que, no futuro, os dois países implementem conjuntamente grandes empreendimentos de infraestrutura energética.

Para tanto, o Presidente russo destacou que o fortalecimento da economia grega é essencial para que ocorra a entrada de novos investimentos da Rússia no país. Em relação a esse fato, o Ministro Adjunto dos Negócios Estrangeiros da Grécia, George Katrougkalos, enfatizou que “o potencial é [agora] muito maior em muitas áreas desde que a economia grega se recuperou completamente [de uma crise econômica]. No último trimestre [do ano, 2018], subiu 2,2%, e a previsão para 2019 é ainda melhor, cerca de 2,5%. A nova lei de desenvolvimento prevê garantias e incentivos importantes para os investidores. Nunca houve condições mais favoráveis para o investimento em nosso país”.

Não obstante, mesmo que a Grécia passe por dificuldades, Putin ressaltou que os dois países estão ligados por uma relação histórica, em que a Rússia sempre apoiou o povo e o Estado gregos. Por conta disso, há um compromisso diplomático para que o Governo russo continue atuando nesse sentido. A Reunião, portanto, trouxe apaziguamento para a relação entre os dois países, ambos reconheceram a importância da retomada do diálogo entre eles, o qual trouxe avanços positivos nas questões bilaterais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, cumprimenta o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, na coletiva de imprensa conjunta” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/v7KZ21dyhYtByFhA3xrvAUXsbxzLWkod.jpg

Imagem 2Reunião com o PrimeiroMinistro da Grécia, Alexis Tsipras, no Kremlin, em Moscou” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/5XBkngitxTx38WYY2y5FjAsBVEJ7sYKO.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Novas tensões entre Ucrânia e Rússia

As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia passam novamente por momentos de tensão. No último domingo (25 de novembro 2018), três embarcações ucranianas foram detidas por navios russos no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar Negro e o Mar de Azov, sob a alegação de que aqueles estariam invadindo o território marítimo russo. Essa justificativa foi dada pelo fato de o Estreito estar na Crimeia, região que era da Ucrânia, mas que atualmente faz parte da Federação Russa, efetivado em 2014.

O Serviço de Segurança Fronteiriça da Crimeia divulgou o seguinte comunicado: “Na manhã do dia 25, por volta de 07:00 no horário de Moscou, três navios da Marinha da Ucrânia violaram os artigos 19 e 21 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os quais definem o direito de um Estado costeiro em garantir a segurança marítima. Eles cruzaram a fronteira com o Estado russo e ilegalmente entraram no território marítimo russo que está temporariamente fechado”. Ainda de acordo com a Guarda Costeira, as embarcações ucranianas estavam realizando manobras perigosas e desobedecendo as autoridades.

Localização do estreito de Kerch

Nesse cenário apreensivo, navios russos foram liberados a abrir fogo para impedir a passagem. Vinte e quatro marinheiros a bordo das três embarcações foram detidos, dentre eles 3 teriam se ferido e estão internados em um hospital na Crimeia. Pela primeira vez, desde o início das tensões entre Ucrânia e Rússia, em 2014, ocorreu uma ofensiva militar direta entre os dois Estados, já que na Crimeia a luta é entre as forças ucranianas e os separatistas.

Diante disso, uma sessão de emergência sobre a situação foi convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde vários países demonstraram seu descontentamento quanto às ações russas. A embaixadora norte-americana, Nikki Haley, declarou que foi “uma violação ultrajante da soberania da Ucrânia. O impedimento do trânsito legal da Ucrânia através do Estreito de Kerch é uma violação do direito internacional. É um ato arrogante que a comunidade internacional deve condenar e que nunca aceitará”. Uma reunião também foi convocada pela Organização do Atlântico Norte (OTAN), em que o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia usou força militar diretamente contra a Ucrânia e, portanto, terá que lidar com as consequências de seus atos.

O Governo ucraniano alega que a Rússia realizou um ato de agressão e colocou em risco a segurança e defesa do país. Por essa razão, o presidente Petro Poroshenko recomendou a decretação da lei marcial por 30 dias, a qual foi aprovada no dia 26 (2018), segunda-feira passada, pelo Parlamento Ucraniano. Ela prevê onze medidas, dentre as quais estão a movimentação de forças de reserva, o preparo da defesa aérea de empresas estatais estratégicas e ações de cibersegurança.

A partir dessa situação, analistas acreditam que novos desafios surgirão para a comunidade internacional, já que a conciliação entre a Ucrânia e a Rússia tornou-se mais distante e complicada. É provável que o Ocidente aplique novamente sanções econômicas aos russos, mas esse instrumento de política externa está se mostrando pouco efetivo com o passar do tempo, visto que as tensões na região permanecem e agora tendem a evoluir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de manifestações nacionalistas na Ucrânia em 2013” (Fonte):

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Imagem 2Localização do estreito de Kerch” (Fonte):

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ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Rússia prepara plano para a desdolarização de sua economia

No início de outubro (2018), o serviço de imprensa do Governo da Federação Russa anunciou o desenvolvimento de um plano para a diminuição da dependência econômica em relação ao dólar norte-americano. Tal projeto, no entanto, não tem o objetivo de restringir e nem de banir por completo as transações nessa moeda, o propósito é estimular pagamentos em moedas nacionais, criando um mecanismo capaz de permitir essas trocas com o mínimo de perda possível.

Notas de rublo, moeda da Rússia

Dessa maneira, o processo da desdolarização russa está caminhando a passos rápidos e está envolvendo muitos países relevantes pró-comércio internacional, como a China e os membros da União Europeia. O andar acelerado do plano se deve principalmente pelo fato de que a Rússia tem o intuito de criar uma blindagem contra o possível surgimento de novas sanções norte-americanas.

Dessa forma, já é possível notar os incentivos para a comercialização bilateral utilizando o rublo ou outras moedas, como o yuan. Numa visita oficial à China, o Primeiro-Ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, destacou o respeito mútuo que as duas nações têm uma pela outra, algo que encoraja a utilização de moedas nacionais no comércio bilateral entre eles. De fato, há a possibilidade da concretização de um acordo nesse sentido entre os dois países até o fim de 2018.

Outro exemplo é a situação do Irã, o qual teve seus setores automotivo e petrolífero afetados por recentes sanções aplicadas pelos EUA. Assim, de acordo com o Ministro da Energia russo, Alexander Novak, “nós não reconhecemos [as sanções dos EUA contra o Irã], que foram introduzidas unilateralmente sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Continuaremos buscando mecanismos de cooperação, e um deles são os acordos comerciais em moedas nacionais”.

Além disso, uma questão que pode vir a mudar o comércio internacional é que empresas de setores russos, como as de hidrocarbonetos e de armas, estão pressionando seus compradores a realizar os pagamentos em euro. A Federação Russa não tem o monopólio do petróleo mundial, mas a relevância desse produto para o mercado europeu é demasiadamente grande, sendo provável que os parceiros da União Europeia optem por aceitarem as condições de pagamento.

A desdolarização da economia russa é real e as consequências dela não vão se restringir à Rússia. De acordo com especialistas, é possível que esse acontecimento impulsione outros países a aderir ao processo. De fato, percebe-se que, aos poucos, está se tornando um efeito mundial. Por exemplo, em outubro (2018), o Japão assinou com a Índia um Acordo para a utilização de moedas nacionais no comércio entre eles no valor de 75 bilhões de dólares. Outro fato que ilustra essa situação é o recente depoimento do Presidente francês, Emmanuel Macron, à CNN, no qual ele afirma que a dependência do dólar é um problema de soberania à União Europeia, sendo preciso fortalecer o euro.

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Imagem 1Nota de um dólar norteamericano” (Fonte):

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Imagem 2Notas de rublo, moeda da Rússia” (Fonte):

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia reúnem-se para discutir a situação na Síria

No sábado, dia 27 de outubro, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o Presidente da França, Emmanuel Macron, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, reuniram-se, pela primeira vez em Istambul para debater a Guerra da Síria. Apesar da Conferência ter durado poucas horas, ela representou uma grande importância no campo diplomático cooperativo na busca por uma resolução conjunta e pacífica à situação na República Árabe Síria.

Reunião dos líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia

Ao final da Cúpula, os líderes liberaram uma declaração conjunta na qual apontaram a importância do uso de ferramentas políticas e diplomáticas para a resolução da crise e, também, que a participação popular será extremamente relevante para a decisão do futuro do país. Nesse sentido, os quatro líderes apoiaram que seja criado um Comitê Constitucional até o final do ano (2018), quando se espera a participação da oposição síria, assim como representantes do governo de Bashar al-Assad, atual Presidente da Síria.

Em relação a esse ponto, Putin afirmou que “uma Comissão deste tipo deve certamente ser reconhecida por todos os lados sírios e ter o seu respeito. Só neste caso, este órgão será viável e eficiente e será capaz de preparar e levar a cabo a reforma constitucional que há muito deveria fortalecer o Estado sírio e unir a sociedade síria”. Em adição ao pronunciamento do Presidente russo, Macron declarou que o “Comitê precisa ser formado para preparar eleições transparentes monitoradas pela comunidade internacional”.

Outra questão abordada durante a Cúpula entre Alemanha, França, Rússia e Turquia foi a integridade territorial da Síria. Todos os líderes concordaram que essa é uma prioridade, assim como sua soberania, independência e unidade. Ademais, discutiu-se a situação dos refugiados, em que se pretende criar boas condições para o retorno deles e dos demais que foram internamente deslocados. Tais condições dependem da garantia de que não haverá conflitos armados, perseguição política e nem detenções ilegais, além da reconstrução da infraestrutura do país.

A reunião entre os líderes foi bastante frutífera e trouxe esperanças quanto à possibilidade de ampliá-la e incluir outros países na discussão, tornando-a mais ampla e aberta à comunidade internacional. Assim, o Presidente francês destacou que “Existem vários formatos de discussão sobre a criação de uma resolução da Guerra na Síria. Precisamos que o formato Astana (Rússia, Irã e Turquia) e o Grupo Pequeno (Reino Unido, Alemanha, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Estados Unidos e França) unam forças. (…). Os esforços desses formatos se sobrepõem e a cúpula em Istambul é um passo adiante nessa direção”. Entretanto, Macron reconhece que tal união só terá êxito caso os membros dos dois formatos ajam em coordenação.

Em suma, a primeira reunião realizada entre os representantes da Alemanha, França, Rússia e Turquia quanto à situação na Síria trouxe uma maior coordenação diplomática entre eles. O principal objetivo, agora, é assegurar o fim dos conflitos armados no país e garantir que ocorra um processo de transição democrática em que todos os sírios terão acesso, inclusive aqueles que estão em diáspora pelo mundo.

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Imagem 1Antes da Reunião, da esquerda para a direita, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e o Presidente da França, Emmanuel Macron” (Fonte):

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Imagem 2Reunião dos líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia” (Fonte):

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AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aspectos que envolvem a retirada dos EUA de Acordo nuclear com a Rússia

Como foi noticiado, no dia 20 de outubro (2018), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá retirar o seu país do Tratado de Forças Nucleares de Faixa Intermediária (INF, sigla em inglês)*, o qual foi firmado entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS), em 1987, com o objetivo de encerrar o uso e a fabricação de mísseis nucleares e convencionais que teriam um alcance de 500 à 5.500 quilômetros. Esse banimento resultou na destruição de 2.692 mísseis até o prazo final dado pelo Documento, o qual foi 1º de junho de 1991.

O Vice-Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv

O INF, portanto, representou um progresso na aproximação diplomática entre as duas superpotências. Ele garantiu a diminuição das tensões da Guerra Fria** e o corte de arsenais nucleares. Não obstante, o período marcado por aquele conflito ideológico encerrou-se e o Tratado continuou em vigência, porém agora entre EUA e a Federação Russa, o principal país que carrega consigo o legado da URSS. Dessa maneira, mesmo que o INF tenha sido firmado em um período histórico-político diferente, sua relevância ainda prevalece nos dias atuais, pois garante um certo controle do arsenal balístico de dois países avançados militarmente.

Apesar desse fato, o Presidente Trump resolveu anunciar a saída dos EUA do Tratado sob a justificativa de que a Rússia estaria descumprindo-o há alguns anos. Essa acusação soma-se à suspeita norte-americana de que os russos estariam desenvolvendo um novo sistema de mísseis terrestres, o 9M729, o qual violaria o INF, pois permitiria o lançamento de um ataque direto à Europa sem aviso prévio.

Além da apreensão de Trump em relação à Rússia, ele também deixou subentendido em seu anúncio de que a China estaria aprimorando esse tipo de armamento, que poderia vir a ameaçar os EUA. De acordo com ele, a sua decisão só se alteraria caso “(…) a Rússia venha até nós e a China venha até nós e que eles todos venham até nós e digam ‘sejamos todos inteligentes, que nenhum de nós desenvolva essas armas’”. Todavia, prosseguiu, afirmando: “(…) Mas se a Rússia está fazendo isso e a China está fazendo isso e nós estamos mantendo o acordo, isso é inaceitável. Então nós temos um tremendo montante de dinheiro para colocar em nosso setor militar”. Entretanto, o INF nunca foi um Acordo entre outros países senão a Rússia e os EUA, de forma que a China não estaria atrelada a nenhuma diretriz desse Tratado em específico.

A Rússia respondeu oficialmente ao pronunciamento alegando ter sempre respeitado estritamente o Tratado, declarando que aqueles que o burlaram foram os norte-americanos. Ademais, afirmou que a saída dos EUA representava um passo perigoso e retroativo nas relações entre os dois países. Inclusive o Vice-Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, comentou que “se os norte-americanos continuarem a agir de modo tão grosseiro e brutal, como já vimos em várias situações, se eles continuarem a sair de tratados, diferentes acordos e mecanismos unilateralmente (…) não nos restará nada mais que empreender medidas de resposta, inclusive do caráter técnico militar. Mas não queríamos chegar a esse ponto”.

A decisão de Trump colocou em alerta toda a comunidade internacional. Por enquanto, o Reino Unido é um dos poucos que apoiam essa iniciativa norte-americana, aceitando as alegações de violação do INF por parte da Rússia. Em contrapartida, países como Alemanha, Espanha e França repudiaram a decisão do Presidente estadunidense, declarando que esse não é o caminho para a manutenção das boas relações diplomáticas, além de que isso coloca em perigo a estabilidade da Europa.

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Nota:

* Também tem sido traduzido como Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.

** A Guerra Fria foi um embate político, ideológico e militar entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA), durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear, naquilo que entrou para a história com o nome de “Equilíbrio do Terror”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Míssil balístico nuclear intercontinental norteamericano de longo alcance intitulado UGM-133 Trident II ou Trident D5” (Fonte):

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Imagem 2 O ViceMinistro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Sergei_Ryabkov.jpg