NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A luta pelo poder entre Arábia Saudita e Irã na Região do Oriente Médio

A Arábia Saudita surgiu em 1932, após um longo processo de conflitos tribais e religiosos em que a Casa de Saud se impôs militarmente como dinastia reinante, algo conseguido com uma aliança político-religiosa efetuada com o movimento religioso wahhabismo. O Irã é um país persa que, após séculos sob domínio de outros povos, dentre eles o Império Árabe (séculos VII até XI), adotou o islamismo xiita como religião, mantendo a língua persa em oposição à língua árabe. Após a Revolução Islâmica, em 1979, os dois países, considerados os mais fortes pilares do Oriente Médio e os principais produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), se engajaram em uma disputa político-religiosa pelo domínio geopolítico na região.

Nesta disputa, o Irã e a Arábia Saudita investiram nos confrontos existentes na área. No âmbito religioso, a República Islâmica do Irã é de maioria xiita e a Arábia Saudita é sunita, embora entre seus súditos exista uma minoria xiita. Na questão geopolítica, diversos conflitos no Oriente Médio opõem os rivais: no conflito palestino, o Irã apoia o grupo radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, enquanto a Arábia Saudita apoia o al-Fatah (partido da Autoridade Nacional Palestina, governante da Cisjordânia), que é aliado das potências ocidentais; no Líbano, os partidos sunitas recebem ajuda dos sauditas, enquanto o Hezbollah, organização político militar xiita, é apoiado por Teerã; no Bahrein, os xiitas, mais de 70% da população, são oprimidos pela monarquia sunita do país, que recebe o auxílio das tropas sauditas.

Neste conflito de poder entre o Irã e a Arábia Saudita, o Iêmen tornou-se um campo de batalha e, até o momento, pelo menos 115 crianças morreram desde o início da campanha aérea lançada pela Arábia Saudita contra os rebeldes xiitas, segundo o anúncio realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). De acordo com o jornal The Wall Street Journal, “militantes houthis que controlam a capital do Iêmen tentam construir laços com o Irã, Rússia e China, para contrabalançar o apoio que o ocidente e os sauditas dão ao presidente deposto”. Desta forma, a guerra civil no Iêmen tem fortalecido o grupo xiita dos Houthis, que busca apoio do Irã para acabar com a influência saudita na região, e contra o qual os sauditas atuam fortemente.

Desde as revoltas ocorridas na Primavera Árabe, em 2011, as mudanças na região do Oriente Médio continuam aumentando. No cenário atual, o Irã, xiita, se tornou referência em uma região dominada pela Arábia Saudita, sunita, que sempre contou com o apoio de potências como os EUA e Israel. No entanto, especialistas internacionais entendem que a República Islâmica do Irã tem apresentado um comportamento diplomático diferente, na medida em que, após chegar a um acordo com o “P5 + 1” sobre a questão nuclear, o país vem tentando mostrar com atos a tese de que apresenta uma política historicamente pacifista, tanto que, de acordo com Javad Zarif, o ministro das Relações Exteriores, o Irã “não invadiu nenhum país nos últimos 250 anos. Esta argumento, no entanto, é questionado por analistas e historiadores.

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Imagem (Fonte):

http://sempreguerra.blogspot.com.br/2015/03/iemen-e-o-novo-campo-de-batalha-entre.html

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Boko Haram e o juramento de lealdade ao Estado Islâmico

Em hausa, a língua mais falada no norte da Nigéria, Boko Haram significa “a educação ocidental é pecaminosa. O grupo terrorista tem como fundador Mohammed Yusuf, que prega serem os valores ocidentais a fonte de todos os males sofridos pelo país, os quais foram instaurados pelos colonizadores britânicos. Durante décadas, grupos de diferentes etnias, do norte da Nigéria, mas de religião muçulmana, foram sistematicamente marginalizados tanto política, como social e economicamente.

O Boko Haram surgiu com objetivo de tornar a Nigéria uma república islâmica, algo que ocorreria com a instauração da Lei Sharia, sendo esta uma forma de compensar os muçulmanos pelas décadas de esquecimento e exclusão. No entanto, conforme apontam especialistas, esta bandeira de união dos muçulmanos, bem como a inclusão dos mesmos na sociedade nigeriana, não têm cunho de desenvolvimento para o país, mas, sim, de uma busca pelo poder por parte dos integrantes do grupo terrorista.

O Boko Haram recruta novos membros principalmente entre os “almajirai”, estudantes islâmicos itinerantes, que não tiveram acesso a uma educação de qualidade e recebem apoio de intelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o Islã tradicional. Em 2004, o grupo aproximou-se da Al-Qaeda no Magreb Islâmico, que treinou membros do Boko Haram em técnicas de combate e em construção e manuseamento de equipamentos explosivos improvisados.

Desafiando o Governo nigeriano e causando pânico na população, o grupo realizou consecutivos atentados e, em janeiro deste ano (2015), atacou a cidade de Baga, matando mais de 2 mil pessoas. Considerado extremista e violento, Abubakar Shekau, que teve sua morte anunciada em setembro de 2014, reapareceu em uma gravação de áudio divulgada em agosto passado e aceitou formar uma aliança com o Estado Islâmico (EI).

O líder da seita islamita nigeriana Boko Haram optou por se colocar às ordens do líder do EI, Abu Bakr al Baghdadi. O califa Ibrahim aceitou o bay’ah (juramento de lealdade) e, com tal juramento, o nordeste da Nigéria passou, assim, a fazer parte da lista de províncias envolvidas por Al Baghdadi, permitindo ao EI relançar a jihad global, precisamente durante uma plena ofensiva militar contra o terrorismo islâmico, tanto na Mesopotâmia como na África Ocidental.

Surge a questão de saber se o ato foi apenas simbólico, ou se este pacto eleva as ameaças de jihadismo terrorista ao redor do mundo. Grupos como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Talibã e Boko Haram têm se consolidado em regiões de minorias excluídas, dentro de países que até hoje são ditaduras, monarquias absolutistas e com histórico de violação dos direitos humanos, conforme aponta a Carta Capital, no entanto, é importante ressaltar que o extremismo e as medidas de total dessecularização usadas por grupos terroristas em nome do Islã não são apoiadas pela maioria dos muçulmanos.

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150317_boko_haram_ei_alianca_lgb

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

A inaptidão das mineradoras e o trágico acidente em Mariana

No último dia 5 de novembro, quinta-feira, o Brasil registrou na sua história[1] a tragédia ocorrida no município mineiro de Mariana, que arrebatou o bucólico distrito de Bento Rodrigues, destruiu as bacias do Rio Doce, Rio Guaxalo e Rio Carmo, aniquilou ecossistemas, resultou em centenas de quilômetros quadrados inundados de lama tóxica, grande número de desaparecidos, mortos e desabrigados, assinalando o maior desastre ambiental do Estado de Minas Gerais (MG).

A cidade de Mariana[2] foi a primeira capital de Minas Gerais. Única de traçado planejado entre as cidades coloniais mineiras, de grande importância histórica e turística, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1945 e, antes do rompimento das barragens, apresentava um acervo arquitetônico composto por monumentos da estética barroca de influência portuguesa, que marcaram os anos áureos da mineração de ouro na região de Minas Gerais.

O rompimento das barragens[3] do Fundão e de Santarém liberou o equivalente a quase 25 mil piscinas olímpicas de uma mistura de resíduos de minério de ferro, água e lama na região, deixando um rastro de destruição e causando prejuízos que alcançaram outro Estado brasileiro, o Espírito Santo. O trágico episódio em Mariana (MG)[4] está longe de ser a primeira grande crise a manchar a imagem da empresa anglo-australiana BHP Billiton (maior mineradora do mundo em valor de mercado em 2014, e que tem como sócias a Samarco e a Vale), mas pode se tornar o episódio mais fatal em um empreendimento da empresa até o momento.Duas semanas antes do desastre, a BHP realizava, em Londres, a reunião geral anual, reafirmando seus compromissos com segurança e responsabilidade ambiental, diante do atual cenário de mudanças climáticas, mas agora concerne a BHP, a Samarco e a Vale os questionamentos sobre as causas do acidente e se houve negligência.

A BHP Billiton[5], dona de 50% da Samarco, e a Vale, dona dos outros 50% da mineradora, após terem sido questionadas sobre a falta de um sistema de alarme sonoro para alertar os moradores de Bento Rodrigues e de Barra Longa sobre o mar de lama que se aproximava, se comprometeram em ajudar na criação de um fundo de emergência para trabalhos de reconstrução e para ajudar as famílias e as comunidades afetadas.

O desastre em Mariana se soma a outros projetos polêmicos da BHP. Na Austrália, seu país de origem, há questionamentos sobre o centro minerador Olympic Dam (jazida com reservas de cobre, ouro, prata, maior depósito mundial de urânio por área de extensão), pela produção de rejeitos radioativos e pelo elevado consumo de água; há questionamentos  também sobre as minas de cobre de Escondida, no Chile, onde ocorrem vazamentos de resíduos de cobre, e sobre o projeto de extração de carvão em florestas na Indonésia, o IndoMet. No entanto o projeto com consequências ambientais e sociais mais graves na história da BHP é o da mina OK Tedi, em PapuaNova Guiné, ocorrido em 1999, em que a empresa admitiu ter liberado, por mais de uma década, toneladas de rejeitos da exploração de cobre nas bacias hidrográficas dos rios OK Tedi e Fly.

No Brasil[6], a BHP detém direitos de exploração de blocos de petróleo na Bacia Foz do Amazonas; atua no setor de alumínio, com participação de 14,8% na mineradora de bauxita Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará, e, no Maranhão, tem participações no Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar). A tribulação ocorrida em Mariana[7] e nas cidades próximas retoma questões políticas, sociais e ambientais, que devem ser analisadas por todos os brasileiros, pelas mineradoras, frente aos seus lucros exorbitantes e danos ambientais, e pelo Governo e suas instituições, que devem atuar na responsabilização das empresas envolvidas, promovendo justiça e respeito à nação brasileira.

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Imagem (Fonte):

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/42195/tragedia+em+mariana+nas+minas+gerais+resta+saber+quantos+morreram+para+fazer+minerio+de+ferro+virar+fortuna+para+poucos.shtml

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/11/barragem-de-rejeitos-se-rompe-em-distrito-de-mariana.html

[2] Ver:

http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/272

[3] Ver:

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,apos-11-dias–lama-de-barragens-chega-ao-espirito-santo

[4] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151111_mariana_desastre_bhp_jc_cc

[5] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151111_mariana_desastre_bhp_jc_cc

[6] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/14/politica/1447510027_501075.html

[7] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/16/opinion/1447676377_992109.html?id_externo_promo=ep-ob&prm=ep-ob&ncid=ep-ob

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A importância das mulheres para o Estado Islâmico

A expansão das atividades do Estado Islâmico (EI) ganhou atenção internacional[1] a partir de 2014, depois de estabelecer o controle em Raqqa, cidade na Síria considerada o território do Estado Islâmico (EI). Os jihadistas instituíram uma força policial feminina, a temida Al-Khansaa,  que se tornou um de seus braços mais repressores, cujo objetivo inicial era ajudar os homens na revista de pessoas e desmascarar fugitivos disfarçados de mulheres. No entanto, o EI, em virtude do sucesso de atuação da Al-Khansaa, expandiu as atribuições destas “mulheres policiais”, que se tornaram as fiscais da moral nas ruas de Raqqa, abordando as civis com truculência e punindo duramente aquelas que consideram como violadoras da Sharia, Lei Islâmica, que ganhou interpretação extremista pelo EI.

A abordagem da AlKhansaa[2] é agressiva e cerceia os direitos dos cidadãos nas ruas de Raqqa. As “mulheres policiais” invadem escolas nos arredores da cidade e prendem estudantes, além de professoras e funcionárias por usarem véus transparentes e por terem prendido o cabelo com a intenção de mostrar o rosto. Após serem presas, todas permanecem encarceradas por 6 horas e recebem 30 chicotadas. De acordo com o site Syria Deeply[3], uma mulher que fez parte do grupo e conseguiu fugir para a Turquia relatou que a Al-Khansaa é formada por 30 participantes que são responsáveis por patrulhar as ruas de Raqqa, com atenção especial às roupas usadas pelas civis. É proibido mostrar os olhos ou usar vestimentas justas, bordadas ou coloridas e a execução da pena é feita por uma mulher chamada Umm Hamza, conhecida em Raqqa como uma das militantes mais violentas da AlKhansaa.

O EI, além do seu Exército Feminino, adota atitudes diferentes com relação às mulheres iraquianas e com as mulheres migrantes. As mulheres consideras hereges são trocadas e oferecidas como prêmio para combatentes jihadistas. Em Mosul, no Iraque, as mulheres[4] são vendidas como escravas sexuais e a maioria são menores de idade. Para as mulheres muçulmanas que migram para o território controlado pelo grupo, o EI tem grandes planos para exercer um papel-chave na construção do pretenso califado. Ao contrário do Talebã e da AlQaeda, o Estado Islâmico permite o recrutamento de mulheres ocidentais. Uma das mais conhecidas é Aqsa Mahmoud, de 20 anos, uma fugitiva de Glasgow, na Escócia, que se denomina Umm Laith, famosa por distribuir conselhos para mulheres que pensam em abandonar suas famílias na GrãBretanha.

Segundo Katherine Brown, especialista[5] em estudos islâmicos no Kings College, de Londres, o EI vê as mulheres como pilares de um novo Estado (Califado) e pregam uma política utópica baseada em um tratado publicado em árabe, estabelecendo um código de conduta que remonta 1,4 mil anos atrás e tal tratado é direcionado principalmente as mulheres árabes de países do Golfo e do Oriente Médio.

Aimen Deen, exintegrante da AlQaeda, afirma que a atuação do EI na convocação de mulheres não abrange apenas os países do Golfo Pérsico e do Oriente Médio, mas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia Central, demonstrando que as mulheres desempenham importantes papéis em várias áreas como a médica, a educacional e, por isso, tornam-se essenciais para a sobrevivência do Estado Islâmico.

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Imagem (Fonte):                                                                                                

http://www.syriadeeply.org/articles/2014/07/5799/raqqa-all-female-isis-brigade-cracks-local-women/

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Fontes Consultadas:                                                                                           

[1] Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-08-22/por-que-o-estado-islamico-atrai-cada-vez-mais-mulheres.html

[2] Ver:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/como-viver-no-estado-islamico-segundo-mulheres-jihadistas

[3] Ver:

http://www.syriadeeply.org/articles/2014/07/5799/raqqa-all-female-isis-brigade-cracks-local-women

[4] Ver:

http://nacoesunidas.org/representante-da-onu-alerta-sobre-violencia-sexual-sistematica-e-generalizada-na-siria-e-no-iraque/

[5] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150821_mulheres_ei_ab

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

A influência do Movimento Gülen no cenário internacional

[:pt]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmet” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmet.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmet atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:en]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:ru]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O descaso do Golfo Pérsico com os refugiados sírios

A Europa[1] encontra-se numa grave crise humanitária, com exemplos marcantes ilustrando a situação: a Grécia esgotou a capacidade de receber refugiados e imigrantes do Oriente Médio e da África; na Hungria, a construção de uma cerca reforçada na fronteira com a Sérvia demonstra a inflexibilidade do Governo húngaro; e outro ponto crítico dessa crise internacional foi a morte do menino sírio de três anos em uma praia na Turquia[2], após o barco em que estava com a família ter naufragado. Tal tragédia chocou o mundo e levantou o questionamento sobre o porque dos países ricos do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, CatarBahrein, Emirados Árabes, Omã e Kuwait) não oferecerem asilo aos refugiados. Segundo a Anistia Internacional, 95% dos refugiados sírios estão em apenas cinco países: Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito, onde a Turquia e o Líbano são os principais destinos.

As monarquias petrolíferas da península árabe estão entre as mais ricas[3] do mundo. Apresentam o mesmo idioma e a mesma religião da maioria dos refugiados que fogem das guerras no Oriente Médio e, apesar de realizarem generosas doações ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e também das ações de suas organizações de caridade, elas não abrigaram os milhões de refugiados que lutam para sobreviver.

Os Estados Membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos Omã)[4] não assinaram a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados da ONU de 1951 (que define os direitos e as responsabilidades com os refugiados), e alegam causas políticas[5], estruturas demográficas que dificultam a abertura de suas fronteiras, bem como o exemplo de países superlotados com imigrantes superando em número a população local (como o Emirado de Dubai), como fortes motivos para não receberem os refugiados.

De acordo com Peter Sutherland, representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU)[6] para a Migração Internacional e Desenvolvimento, as convenções devem ser esquecidas e toda a comunidade internacional tem obrigação moral de ajudar os refugiados sírios. Ao que tudo indica, tal entendimento por parte do representante da ONU tem surtido efeito entre alguns árabes que lançaram nas redes sociais[7] a hashtag em árabedar as boas vindas aos refugiados da Síria é um dever do Golfo” (uma das mais numerosas no Twitter), para pedir aos governos das monarquias petrolíferas que abriguem os que fogem da guerra.

Também surtiu efeito na imprensa de alguns países árabes, como é o caso do jornal catariano Gulf Time[8], que, em recente matéria, condenou o silêncio ensurdecedor dos ricos países do Golfo diante desta crise humanitária, os quais não declararam opinião e nem apresentaram propostas de estratégia para ajudar os imigrantes que são majoritariamente muçulmanos.

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150903_refugiados_sirios_hb

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/09/paises-do-golfo-persico-sofrem-criticas-por-nao-receberem-refugiados.html

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150903_refugiados_sirios_hb

[3] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/08/internacional/1441724557_344467.html

[4] Ver:

http://www.dw.com/pt/o-estilo-saudita-de-ajuda-a-refugiados/a-18684093

[5] Ver:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/crise-dos-refugiados-a-hipocrisia-dos-paises-arabesislamicos-ricos-1706985

[6] Ver:

https://www.unric.org/pt/actualidade/31958-refugiados-devem-ser-vistos-como-seres-humanos-sublinha-alto-funcionario-da-onu

[7] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-34132308

[8] Ver:

http://www.gulf-times.com/region/216/details/455188/gcc-urges-world-to-do-more-for-refugees