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[:pt]FARC afirmam não ter vinculação com facções criminosas brasileiras[:]

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O ano de 2017 foi iniciado com a “explosão” de uma tragédia que já estava sendo anunciada e deixou mais de 50 mortos: a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), o maior presídio do Estado do Amazonas, localizado em Manaus.

O estopim do motim foi o conflito das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), que é proveniente do Estado de São Paulo, e a Família do Norte (FDN), oriunda do próprio Estado do Amazonas. A maioria dos mortos pertencia ao Primeiro Comando da Capital e, conforme divulgado pelo Secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, “esse é mais um capítulo da guerra silenciosa que o narcotráfico mergulhou o país”.

Vale ressaltar que o COMPAJ, tem capacidade para 592 presos e, no momento do desastre, abrigava cerca de 1224 detentos, situação que é a realidade da maioria dos presídios brasileiros e culminou no agravamento da crise do sistema penitenciário no país. O “massacre” no presídio de Manaus, conforme vem sendo amplamente divulgado pela imprensa, foi o segundo maior motim letal na história do Brasil, ficando atrás apenas do “Massacre do Carandiru”, ocorrido em São Paulo no ano de 1992, no qual foram mortos 111 presos, tendo como acusados pelo desfecho as tropas da Polícia Militar de São Paulo.

Cumpre destacar que, da mesma forma que a mídia nacional, a imprensa internacional repercutiu largamente o que ocorreu no presídio brasileiro de Manaus, sendo notícia no mundo inteiro. As informações veiculadas nos principais jornais mundiais foram no tom de crítica feroz à situação do sistema prisional no Brasil e a de seus detentos.

O Papa Francisco expressou preocupação em relação ao assunto e, durante uma audiência geral no Vaticano, declarou: “Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nela”. Completou sua manifestação afirmando que gostaria de renovar seu apelo paras que as instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos. É importante salientar que Francisco já recebeu detidos no Vaticano e muitas vezes visitou prisões em suas viagens ao exterior.

Entretanto, como afirmou o Secretário amazonense, Sérgio Fontes, parece que o narcotráfico está vencendo essa batalha e afundando o país em uma crise nacional, já que os demais Estados da Federação já vêm tomando medidas no intuito de evitar consequências irreversíveis.

A “ponta do novelo” foi no Amazonas, já que a região norte é fundamental para o tráfico internacional, uma vez que as principais rotas de drogas passam por suas fronteiras e os Estados da área fazem divisas com grandes países produtores de cocaína, como o Peru, a Bolívia e a Colômbia, além da Venezuela, famosa pela permissividade no seu espaço fronteiriço.

Dessa forma, o grupo guerrilheiro FARC antecipou-se para divulgar em seu site oficial um comunicado onde nega as acusações de vínculo com “organizações mafiosas vinculadas ao narcotráfico” no Brasil. No texto, assinado pelo Secretariado Nacional das Farc, o grupo diz que, “baseados em uma mentira, (os meios de comunicação) agora querem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre de 56 pessoas.

Ocorre que o Ministério Público Federal brasileiro acusa as Farc de ter relações com a FDN, verificado no âmbito da denominada Operação La Muralla. Os investigadores detalham que há, sim, conexão entre a Família do Norte e fornecedores de drogas envolvidos com as Farc e confirmam que este vínculo facilitou o acesso da facção às drogas e a armas oriundas da região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

Na nota publicada pelas FARC, o grupo chama de atitude de “má fé” e “ignorância” a tentativa de liga-los com o “Massacre de Manaus” por diversos meios de comunicação do Brasil e pede que as autoridades brasileiras apurem as causas da tragédia e quem foram os responsáveis. Por fim, no comunicado, o grupo presta solidariedade às famílias e amigos dos mortos.

Segundo o chefe da secretaria de cooperação internacional do Ministério Público Federal, procurador Vladimir Aras, com a desmobilização das Farc, abre-se espaço para o PCC ou grupos ao Norte entrarem no território colombiano e disputarem as rotas internacionais de tráfico, bem como a cadeia de produção de cocaína.

O ano de 2017 já começou com uma grave crise nacional que terá que ser contida rapidamente pelas autoridades brasileiras. Por conta disso, o Presidente da República Michel Temer reuniu-se com a Presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, para tratarem de ações conjuntas para conter o caos nas prisões brasileiras. Agora é torcer e esperar que as medidas sejam efetivas e possam conter essa crise anunciada.

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Imagem 1Bandeira das FARC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Armadas_Revolucionárias_da_Colômbia

Imagem 2Em maio de 2006, ônibus foram queimados durante a maior onda de violência já registrada em São Paulo; ações foram atribuídas ao PCC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_violência_organizada_no_Brasil_em_2006

Imagem 3Os policiais militares eram os principais alvos dos ataques” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_viol%C3%AAncia_organizada_no_Brasil_em_2006#/media/File:A_group_of_police_officers_at_2004_Brazilian_Grand_Prix.JPG

Imagem 4Foto do líder paramilitar colombiano Carlos Castaño com um grupo de combatentes da AUC” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Colombian_conflict

Imagem 5Ministra Cármen Lúcia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cármen_Lúcia

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AMÉRICA LATINAANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

[:pt]Acordo de Paz na Colômbia é ameaçado por parte dissidente dos guerrilheiros das FARC[:]

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O ano de 2016 foi marcado pelas intensas negociações de Paz entre o Governo colombiano e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Entretanto, como diria Mahatma Gandhi, “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. Sendo assim, percebe-se que ainda não há um resultado definitivo neste suposto aperto de mão conclusivo.

O Acordo de Paz assinado no último dia 26 de novembro de 2016 veio para coroar os esforços de ambos os lados em, finalmente, alcançar a Paz que tanto se espera para a região. Foi mais de meio século de intensos combates, conflitos sangrentos e perdas de muitas vidas, provocando a destruição da Colômbia e o atraso do país em relação aos outros países da América Latina. A própria região perdeu muito ao longo do tempo com essa guerra.

Foram mais de quatro anos de negociações que envolveram outros países e líderes políticos e religiosos de todo o mundo para mediarem as conversas. Nesse ínterim, a população rejeitou o Acordo através de um Referendo convocado pelo Governo, algo que foi um duro golpe para quem já celebrava a pacificação da Colômbia, mas o Presidente do país, Juan Manuel Santos, foi o ganhador do Nobel da Paz por ter portado a bandeira pela pacificação do conflito com as Farc, e foi celebrado festivamente pela sua iniciativa. Na ocasião da entrega do Prêmio, ele afirmou inclusive que a guerra entre a Colômbia e as Farc tinha terminado.

Entretanto, alguns dissidentes da Guerrilha vêm ameaçando esse objetivo comum, uma previsão que já havia sido feita e era temida durante as negociações do Acordo. Isso porque cinco líderes de alto e médio escalão do grupo guerrilheiro, juntamente com seus subordinados, deixaram a Organização, e já são cerca de 300 a 400 dissidentes que não aceitaram ser parte do Acordo celebrado.

Essa debandada de alguns guerrilheiros se deu principalmente devido ao enfoque dado no que foi acertado. Segundo o professor Jorge Giraldo Ramírez, da Universidade EAFIT de Medellín, “foram dadas muitas garantias aos altos comandos e aos guerrilheiros comuns, mas não se pensou nos chefes de médio escalão”. Além disso, conforme a análise do professor, o que ocorre é que os dissidentes não poderão entrar facilmente na política porque não são tão conhecidos como os chefes mais graduados e nem começar uma vida nova, pois são pessoas acima de 50 anos que já prestaram mais de 20 anos de suas vidas à Guerrilha.

Os desertores fazem parte da Frente Primeira, que é considerada uma das principais das FARC e tem mais contatos internacionais. O número de desertores chega a 6% do total de integrantes da Força. A própria Guerrilha já tinha declarado que não ia aceitar dissidentes, já que adotaram suas decisões “por maioria” e, como têm cumprimento obrigatório, não é possível “a formação de dissidência de qualquer ordem”, conforme destacou um comunicado difundido pelo Observatório de Paz e Conflito da Universidade Nacional da Colômbia.

A tensão foi sentida quando o Governo colombiano anunciou que esses guerrilheiros fugitivos têm a última chance de se dirigirem às “zonas de segurança”, senão “todo o poder de nossas Forças Armadas se concentrará naqueles que ficarem de fora desse processo”. O Ministro da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, ainda complementou que “aqueles que se declararem em dissidência das Farc, ou simplesmente se tornarem bandidos por ambição (…) serão alvo de alto valor que vamos perseguir”.

O Estado-Maior das Farc está tentando colaborar com o Governo colombiano nesse sentido, já que fez um apelo aos guerrilheiros que estão sob o comando dos cinco dissidentes de médio escalão, anunciando, em comunicado, para que se afastem da equivocada decisão adotada por seus chefes imediatos e regressem às fileiras do grupo, onde serão acolhidos por seus camaradas. Além disso, as Farc acrescentaram que o momento histórico da Colômbia não deve ser bloqueado por um “grupo de insensatos que, ignorando os desejos de paz da imensa maioria do nosso povo, se lança no abismo por ambição pessoal.

É importante frisar que a dissidência de alguns membros se deu também pelo fato de que o Acordo de Paz não alcançou de forma isonômica a todos os membros do grupo. Um exemplo disso é que foi definido um valor considerado muito baixo a ser recebido mensalmente pelos ex-guerrilheiros (cerca de US$ 280). Segundo os especialistas ouvidos pelo Jornal Folha de São Paulo, é um valor muito baixo para quem operava nas áreas de produção e transporte de cocaína. Dessa forma, é mais lucrativo ficar na marginalidade.

Ademais, segundo reportado pelo jornal, houve a demora entre a derrota do “sim”, no plebiscito de 2 de outubro, e a chegada de um novo Acordo, pois esse período configurou-se como uma indefinição jurídica e os guerrilheiros não puderam retornar às atividades ilícitas de extorsão, sequestro e narcotráfico.

O ano de 2017 já se inicia com essa crise entre o Governo colombiano e as FARC, que, por meio de uma minoria que a compõe, pode trazer à tona um passado cruel e sangrento que América Latina, sobretudo a Colômbia, tenta superar para que a tão sonhada Paz se torne realidade.

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Imagem 1Bandeira das FARCEP” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_Armadas_Revolucion%C3%A1rias_da_Col%C3%B4mbia

Imagem 2Juan Manuel Santos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Juan_Manuel_Santos8.jpg

Imagem 3Treinamento pessoal do Exército Colombiano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_na_Col%C3%B4mbia

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[:pt]A retenção de brasileiros na Venezuela, por ordem do Presidente venezuelano de fechar fronteira com o Brasil[:]

[:pt] Através de Decreto do presidente venezuelano Nicolás Maduro, anunciado no último dia 13, a fronteira da Venezuela com o Brasil, situada entre Santa Elena de Uairén, cidade do lado venezuelano, e Pacaraima, localizada no…

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[:pt]Presidente colombiano afirma que a guerra no país acabou[:]

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No último sábado, dia 10 de dezembro, o presidente colombiano Juan Manuel Santos foi à Oslo, capital da Noruega, receber o Prêmio Nobel da Paz de 2016, como já tinha sido anunciado. A agenda do Presidente na capital norueguesa foi intensa, revezando-se entre a política e a música.

Ele cumpriu um extenso roteiro político, com visita ao Parlamento, onde foi recebido pelo Presidente da Casa, Olemic Thommessen, além de participar de reuniões com o Ministro das Relações Exteriores norueguês, Borge Brende, e com a Primeira-Ministra da Noruega, Erna Solberg. Entretanto, como parte das comemorações, a Santos foi oferecido um show de música no Telenor Arena, nos arredores de Oslo, do cantor colombiano Juannes e do cantor britânico Sting, dentre outros artistas.

Contudo, o ponto alto da cerimônia de entrega do Prêmio foi o discurso do agraciado. Ele afirmou durante sua fala que “A guerra que causou tanto sofrimento e angústia a nossa população, por todo o nosso belo país, terminou”, momento em que foi ovacionado pelo público. O Presidente colombiano declarou, ainda, que o Acordo de Paz da Colômbia pode servir de modelo para outros países em guerra, como a Síria.

Materialmente, o Prêmio concedido consiste de uma medalha de ouro, um Diploma e um cheque de 8 milhões de coroas suecas, cerca de 800 mil euros, ou, ainda, 2,9 milhões de reais. O valor monetário, segundo o chefe do executivo da Colômbia, será doado às famílias das vítimas da guerra civil.

No seu discurso, ele agradeceu a toda à comunidade internacional que, junto com ele, trabalhou incessantemente nas negociações para que a paz fosse uma realidade, em particular a Noruega, Cuba, Chile, Venezuela, Estados Unidos e União Europeia, que foram protagonistas para que o consenso fosse alcançado.

Porém, apesar da comemoração e do alívio, o presidente Santos fez uma ressalva às autoridades: mesmo com a ratificação do Acordo de Paz, será necessário repensar a questão da guerra mundial contra as drogas, pois esta ainda não foi vencida. Conforme as palavras do Dirigente colombiano: “Temos autoridade moral para afirmar que, após décadas de luta contra o narcotráfico, o mundo não conseguiu controlar este flagelo que alimenta a violência e a corrupção em toda nossa comunidade global”.

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Imagem Juan Manuel Santos en la inauguración de Colombiamoda el 26 de julio del 2016, en Medellín, Colombia” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Manuel_Santos#/media/File:Juan_Manuel_Santos_2.jpg

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[:pt]Venezuela está suspensa do Mercosul [:]

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O fato está consumado. A Venezuela foi oficialmente suspensa do Mercosul e teve “a cessação do exercício dos direitos inerentes à condição de Estado Parte”. A data anteriormente divulgada, 1o de dezembro de 2016, foi cumprida. Os quatro países fundadores, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ratificaram a suspensão da Venezuela depois de um imbróglio que já se arrastava há alguns meses.

Apesar de o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter declarado a sua irritação em torno do assunto, a decisão foi efetivada e será aplicada por tempo indeterminado. Desse modo, nas palavras de alguns analistas, o país pode ser considerado fora do “tabuleiro” do Bloco regional.

Muitos atribuem essa “derrota” ao próprio governo de Maduro, já que este não cumpriu as regras básicas estabelecidas, falhando em não incorporar em nenhum momento as normas que foram estipuladas no momento da adesão do Estado ao Mercosul, em 2012. Vale ressaltar que a entrada venezuelana no grupo foi conturbada e, na época, foi alvo de crítica por parte de países membros, sendo alvo, inclusive, de ameaças de demandas judiciais.

O conflito entre os países fundadores do Mercosul e a Venezuela agravou-se ainda mais quando foi bloqueado o acesso deste país a Presidência semestral que lhe caberia. Dessa forma, a Venezuela seguiu cada vez mais separada dos outros membros do Bloco até culminar neste desfecho. Por fim, o que se sucedeu foi o não cumprimento por parte do Governo venezuelano do prazo estipulado para adotar, por exemplo, a livre circulação de mercadorias e a cláusula democrática.

A principal consequência de todo esse acontecimento para a Venezuela é o aprofundamento do seu isolamento na região. O país, que está imerso em uma crise política e econômica, vive dias de caos, ganhando ares de crise humanitária. Há desabastecimento de medicamentos e até de alimentos e vive afundado em uma crise sem precedentes.

Na prática, a suspensão significa que a Venezuela perdeu seu direito de votar nas decisões do Bloco, mas ainda conserva seu direito de ser ouvida. O Governo venezuelano se diz vítima de um “Golpe de Estado, segundo a chanceler Delcy Rodríguez, porta-voz do Governo.

Ela ainda completou que “A Venezuela continuará a participar no Mercosul, temos de defender o nosso legado histórico (…), já que não existem razões jurídicas para a decisão tomada pelos estados-membros do Mercosul, mas apenas intolerância política”. Ela afirma que irá reunir provas referentes a essas ilegalidades cometidas pela Secretaria do organismo, que serão apresentadas nos próximos dias. Agora está-se aguardando as consequências desse desfecho, que é uma das piores crises que o Mercosul já viveu desde a instabilidade gerada pela suspensão do Paraguai, também em 2012.

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Imagem 1 (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Mercado_Comum_do_Sul

Imagem 2 (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nicol%C3%A1s_Maduro#/media/File:Nicolas_Maduro_in_Brasilia.jpg

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[:pt]Caos na Venezuela afeta o Estado de Roraima[:]

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Os venezuelanos, por conta da crise que assola o seu país, estão invadindo o Brasil, afetando o Estado brasileiro de Roraima. O Brasil, que vem enfrentando uma longa e grave crise, a qual alguns analistas apontam que, nesta forma e estatura, não ocorria desde 1930, ainda terá que administrar essa situação. O Governo do Estado já trata o cenário como uma crise humanitária. Vale ressaltar que Roraima tem cerca de 500 mil habitantes e é o menos populoso do Brasil.

Já são contabilizados cerca de 30 mil venezuelanos que cruzaram a fronteira nos últimos seis meses, tentando fugir da crise de abastecimento e estabelecendo-se nas cidades de Pacaraima, porta de entrada para os venezuelanos, e na capital de Roraima, Boa Vista. Conforme divulgado, cerca de 100 estrangeiros entram no Brasil por esse caminho todos os dias.

A entrada é fácil, já que a divisa do território é feita apenas por marcos pintados de branco, o que não impede o acesso de ninguém a cidade de Pacaraima, além do fato de que na região não há qualquer tipo de fiscalização do Estado brasileiro, que deveria ser exercida por parte dos órgãos responsáveis.

A Polícia Federal (PF), por sua vez, diz que tenta fazer sua parte, visto que já foram deportados cerca de 250 estrangeiros de abril a setembro de 2016. Na maioria das vezes, essas pessoas são flagradas sem documentação regular de estada no Brasil, estando alguns pedindo esmolas ou vendendo produtos nas ruas e semáforos. A PF afirma que quem está nessa situação pode ser deportado a qualquer momento.

A situação é caótica. Muitos venezuelanos estão deixando o seu país, onde eram profissionais liberais e estudantes, para migrarem em busca de uma vida melhor. Os exemplos são inúmeros. Há casos de estudantes de medicina que deixaram as salas de aula para trabalharem nos semáforos brasileiros limpando vidros. Largaram suas vidas “estabilizadas” na Venezuela para tentarem a informalidade no país vizinho, diante do quadro instável da gestão do presidente Nicolás Maduro.

Com o desembarque de tantos estrangeiros diariamente, o Estado de Roraima está vivendo um quadro de crescimento dos atendimentos hospitalares, da violência e prostituição, só para citar alguns casos. Nas cidades citadas, é possível ver venezuelanos dormindo nas ruas, na rodoviária, em imóveis invadidos, em um panorama que se agrava a cada dia.

O sistema de saúde do Estado já entrou em colapso, pois os atendimentos médicos inflaram. Pacaraima, cidade de aproximadamente 12 mil habitantes, já realizou cerca de 3.200 atendimentos só para os oriundos da Venezuela. Roraima viu o número de alunos das escolas quadruplicar com a matrícula de venezuelanos em um curto período, a violência cresce a cada dia e casos de xenofobia já se tornaram nítidos nas ruas, tanto por brasileiros quanto por venezuelanos.

A grande maioria dos venezuelanos culpa o presidente Maduro por ter causado tanto sofrimento e ter arrasado o país dessa forma. A fala da cozinheira Josepina Alfara, que está em Roraima e pede a compreensão dos brasileiros, ilustra o sentimento da grande maioria dos venezuelanos que estão tentando sobreviver a essa desilusão. Ela afirma: “Meu país é tão rico, tem diamante e petróleo, manda energia elétrica para Roraima e vive uma crise terrível com esse presidente [Nicolás Maduro]. Não quero ficar aqui para sempre, mas vejo muitos brasileiros virarem a cara para a gente. Todos somos criaturas de Deus”.

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ImagemManifestantes pacíficos protestando em Caracas, Venezuela 2014” (Fonte Wikipedia / Foto: Diego Urdaneta):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_na_Venezuela_em_2014%E2%80%932016#/media/File:2014_Venezuelan_Protests_(12F).jpg

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[:pt]Mais uma tentativa de Paz entre o Governo da Colômbia e as FARC[:]

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A Colômbia e a Guerrilha Farc estão tentando mais uma vez selar a paz esperada em todo mundo, principalmente entre os países latino-americanos. Em Havana, capital de Cuba, um novo acordo foi anunciado no último sábado, dia 12 de novembro, pelos negociadores de ambos os lados. Entretanto, ainda falta a aprovação da oposição.

Ocorre que, apesar dos esforços dos negociadores do governo colombiano, principal interessado em um Acordo de Paz entre a Colômbia e a Guerrilha, e de arestas terem sido aparadas, o imbróglio ainda está longe de ser resolvido, porque ainda é preciso responder às dúvidas da população que já imperavam no dia posterior ao anúncio, concentradas no problema de como o acordo será referendado e assinado.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, pela sua luta em tornar a paz na Colômbia uma realidade, declarou em rede nacional: “com toda humildade, quero reconhecer que este novo acordo é um acordo melhor”.

Vale ressaltar que praticamente todo o Documento foi alterado. Os 56 dos 57 temas abordados foram reformulados, entretanto o ponto que trata da participação política dos ex-combatentes não sofreu alteração. Esse, que era o ponto nevrálgico do Documento anterior, ainda será o motivo da dificuldade em carimbarem a aprovação do atual. O Mandatário colombiano fez ainda um apelo à população para que aceite a possibilidade a ser dada aos guerrilheiros que entregarem suas armas de terem condições de fazerem política dentro da lei. Com isso, o que se espera é que o povo colombiano recepcione bem o novo texto.

Alguns setores da sociedade civil elogiaram a nova versão do pacto, a exemplo do centro de análises de conflitos Cerac. O diretor do Centro concordou que o tratado foi melhorado, já que “preserva a Constituição, ao eliminar inovações jurídicas desnecessárias, que buscavam dar garantias às Farc”. As alterações feitas agradaram o grupo do “não”, já que esses avanços protegem seus interesses.

Entretanto, apesar do empenho para que mudanças fossem feitas, as partes interessadas ainda não sabem informar quando ocorrerá e como será o processo do novo acordo. Por enquanto, o porta-voz do governo para esse tema está coordenando sua equipe para que sejam explicadas detalhadamente ao grupo do “não” as modificações do Documento.

Enquanto isso, a população mundial está atenta a cada passo dado nessa odisseia colombiana, no sentido de torcer pela melhor solução para que a paz seja uma realidade naquela região, em prol do bem comum.

Conforme as palavras proferidas em uma entrevista pelo Arcebispo de Bogotá, capital da Colômbia, Cardeal Rubén Salazar Gómez, não se deve gerar falsas expectativas e acreditar que a paz nascerá imediatamente, após a assinatura de um papel, já que “alcançá-la de verdade, é um dever diário de todos”.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Col%C3%B4mbia#/media/File:Rionegro_Constitution.jpg

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[:pt]Ainda falta mais de um século para que homens e mulheres no Brasil tenham iguais direitos e oportunidades[:]

[:pt] A situação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro é preocupante. No último dia 26 de outubro, em Genebra, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial publicou um relatório alarmante em relação à diferença salarial…

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