AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Canadá constrói acampamento para atender refugiados vindos dos EUA

No começo do mês de agosto, o Canadá iniciou a construção de um acampamento na fronteira com os Estados Unidos da América (EUA), a fim de atender os refugiados vindos do país, em razão do endurecimento das políticas migratórias do Governo de Donald Trump, presidente dos EUA. De acordo com o Exército canadense, conforme destacou a DW, aproximadamente 100 militares se deslocaram para o posto fronteiriço de Saint-Bernard-de-Lacolle, entre o Quebeque e os Estados Unidos.

O Exército canadense informou ainda que o acampamento deverá ser temporário, e que o propósito é aliviar a infraestrutura das autoridades fronteiriças que estão esgotadas, em razão da crescente chegada de refugiados, particularmente haitianos. Segundo autoridades do Governo, no mês de julho deste ano (2017) cerca de 2.500 haitianos fugiram dos EUA e pediram asilo no Canadá.

Jovem haitiano, entre os escombros de uma área comercial de Porto Príncipe

O número crescente de haitianos vindos dos EUA deve-se à provável perda do Estatuto de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês), que foi concedida pelo Governo estadunidense após o terremoto de 2010 que devastou o Haiti. O abalo sísmico, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o pior desastre enfrentado pela organização, vitimou mais de 200 mil pessoas, deixou cerca 3,5 milhões dependendo de ajuda humanitária e destruiu cerca de 70% dos edifícios da capital Porto Príncipe.

Naquela ocasião, os Estados Unidos concederam o TPS a aproximadamente 60 mil haitianos.  No entanto, no presente, o Departamento de Segurança dos EUA considera o Haiti um país seguro. Tal avaliação, associada à revisão e endurecimento das políticas migratórias do país promovidas pelo presidente Trump, deverá a que o TPS desses haitianos deva ser suspenso até o final de 2017.

Assim, muitos deles têm buscado abrigo no país vizinho, e embora o Canadá tenha proibido as deportações ao Haiti em 2004, após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide, essa proibição foi suspensa em agosto de 2016. Tal situação, deixou cerca de 3.200 haitianos sem status no Canadá, tendo que solicitar residência por razões humanitárias.

Alguns analistas pontuam que muitos desses refugiados não conhecem as leis de migração canadenses e que, embora eles tentem fugir do EUA a fim de não serem deportados, isso ainda pode ocorrer quando eles chegarem ao Canadá, uma vez que o país retornou com as deportações ao Haiti.

A administração de Justin Trudeau, Primeiro-Ministro canadense, contudo, tem firmado políticas migratórias mais brandas e, em resposta a onda de refugiados haitianos na fronteira, o Governo argumenta que o país deve recebê-los e atendê-los com base no Estatuto do Refugiados da ONU de 1951, ignorando assim o acordo firmado com os Estados Unidos, no qual prevê que solicitantes de refúgio que cruzem a fronteira sejam encaminhados de volta aos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do Canadá” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canad%C3%A1#/media/File:Flag_of_Canada.svg

Imagem 2 Jovem haitiano, entre os escombros de uma área comercial de Porto Príncipe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_do_Haiti_de_2010#/media/File:Port-au-Prince_20_Jan_2010.jpg

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA congelam os históricos repasses militares ao Egito

No início da semana passada, os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram que estarão adiando o pagamento de quase US$ 290 milhões que seriam destinados à República Árabe do Egito. O Governo americano alegou que protelará a ajuda militar e econômica devido ao fracasso do Governo egípcio de garantir e assegurar práticas democráticas e os direitos humanos no país. No entanto, alguns analistas pontuam que a decisão da administração Trump também tem como foco mitigar a relação Egito-Coreia do Norte.

Menachem Begin, Jimmy Carter e Anwar Sadat em Camp David, 1978

Foram retidos US$ 195 milhões que o Congresso havia aprovado no ano fiscal de 2016, além de outros 95,7 milhões de dólares aprovados ainda ano fiscal de 2014, e que também foi retido pelo governo do ex-presidente Barack Obama. Segundo alguns veículos internacionais, como a Reuters, a retenção feita pela nova administração, deve-se, por exemplo, ao descontentamento da lei de ONGs, que entrou em vigor em maio deste 2017. Essa lei restringe e dificulta as ações de agências e organismos não-governamentais de operarem no país africano. Ela confere ao Governo egípcio o poder de decidir quem pode estabelecer uma ONG e o tipo de trabalho que essa entidade poderá executar. Além disso, também exige que doações de mais 550 dólares sejam pré-aprovadas e, caso o governo não seja informado no tempo determinado, poderá resultar em prisões ou multas de até 55 mil dólares.

Desde os movimentos da Primavera Árabe há uma crescente pressão em torno das questões de direitos humanos na região. Organizações internacionais e grupos contestam recorrentemente as práticas adotadas no país africano. Segundo esses grupos, cerca de 40 mil pessoas foram encarceradas pelo Governo egípcio como prisioneiros políticos. Um dos casos foi da Aya Hijazi, egípcia-americana que trabalha com crianças de rua e que foi presa em maio de 2017 por acusações de tráfico de pessoas. A Lei egípcia na ocasião indicava um período máximo de detenção de 24 meses antes de julgamento, no entanto, Aya Hijazi foi mantida sob custódia por 33 meses.

Os Estados Unidos e o Egito são aliados desde o estabelecimento acordo de Camp David, assinados em março de 1979 na Casa Branca, que pôs fim ao conflito entre Egito e Israel.  O documento foi acordado entre Anwar Al Sadat, Presidente egípcio, e Menachem Begin, Presidente de Israel, com mediação de Jimmy Carter, Presidente estadunidense, e é considerado um dos mais importantes marcos no processo de paz na região do Oriente Médio. Desde então, o Egito recebe enormes recursos em assistência militar e econômica dos EUA, ficando atrás apenas de Israel. Ao longo desse período, o Governo egípcio recebeu aproximadamente 80 bilhões de dólares, sendo, aproximadamente, 1,3 bilhão somente em assistência militar.

Como apontado anteriormente, essa não foi a primeira vez que o Governo norte-americano congelou os históricos repasses ao Egito. Em 2013, o envio anual passou a ser alvo de críticas nos EUA, quando Mohammed Morsi, Presidente do país, foi derrubado do poder por Abdel Fattah al-Sisi, então Ministro da Defesa e Chefe das Forças Armadas. Naquela ocasião, ONGs denunciavam as prisões políticas feitas por al-Sisi e a repressão violenta sobre os partidários de Morsi e da Irmandade Muçulmana. A administração Obama cancelou então os repasses, alegando que o mesmo somente seria restabelecido caso de fato o Governo egípcio mostrasse progressos claros do fortalecimento democrático no país. No entanto, em 2015 a assistência militar foi retomada sob a justificativa de que era do interesse da segurança nacional norte-americana.

Porta-avião USS America (CV-66) cruzando o canal de Suez, em 1981

Esse acordo beneficia os Estados Unidos em diversas frentes: além do significado político, há o acesso ao espaço aéreo egípcio e a prioridade dada aos navios de guerra americanos quando passarem pelo Canal de Suez, controlado pelo Egito, destacando-se que é a única via marítima que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, consequentemente, ao Oceano Índico; o auxílio militar também beneficia a indústria bélica dos estadunidense, já que determina o crédito para a compra de equipamentos militares de fabricação norte-americana.

Em abril deste ano (2017), o governo Trump procurou restabelecer as relações do país com o Egito, quando recebeu na Casa Branca pela primeira vez al-Sisi. Naquele momento do encontro entre os presidentes, Trump destacou que havia poucas coisas sobre qual os dois países não concordam, mas não fez nenhum comentário específico sobre questões de direitos humanos. Em vista disso, a decisão de retenção dos 290 milhões de dólares é interpretada por alguns veículos de comunicação, como New York Times, como sendo uma tentativa de forçar que Estados que tenham ligações com a Coreia do Norte cortem seus laços. Segundo a publicação, há relações históricas, tanto militares quanto econômicas, entre os dois países, tais como o apoio e treinamento fornecido por pilotos norte-coreanos aos pilotos egípcios durante o conflito com Israel, em 1973, e, também, em 2008, com o caso da Orascom Telecom Media and Technology, pertencente ao empresário egípcio Naguib Sawiris, que foi a companhia responsável por estabelecer a rede telefônica na Coreia do Norte.

Em seguida ao anúncio do congelamento dos repasses militares norte-americanos, o Governo egípcio mostrou sua desaprovação com a decisão do Governo Trump. Na ocasião, Sameh Shoukry, Ministro das Relações Exteriores afirmou em comunicado, conforme destacou o Washington Post, que essa é uma medida equivocada na relação estratégica que une os dois países. Deve-se esperar possíveis desdobramentos do encontro entre o Presidente egípcio e Jared Kushner, cunhado e conselheiro de Donald Trump, que esteve em viagem na região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1A fachada Sul da Casa Branca” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_Branca#/media/File:WhiteHouseSouthFacade.JPG

Imagem 2 Menachem Begin, Jimmy Carter and Anwar Sadat em Camp David, 1978” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Camp_David_Accords#/media/File:Camp_David,_Menachem_Begin,_Anwar_Sadat,_1978.jpg

Imagem 3 Portaavião USS America (CV66) cruzando o canal de Suez, em 1981” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canal_de_Suez#/media/File:USS_America_(CV-66)_in_the_Suez_canal_1981.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

México: mais de uma década de luta contra o Narcotráfico

Há mais de uma década o México convive com intensa violência oriunda da guerra do narcotráfico. Ao longo desses anos, mais de 220 mil pessoas morreram e aproximadamente 32 mil estão desaparecidas. Em função do aprofundamento e crescimento da violência, no último dia 5 de julho de 2017, a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) com apoio de outras organizações não-governamentais e associações entregou um relatório ao Tribunal Penal Internacional (TPI), onde denunciam o Governo mexicano por crimes contra a humanidade.

Mapa do México

De acordo com declarações de Jimena Reyes, diretora da FIDH no continente americano, e segundo destacou à ANGOP, com a ajuda do Cartel de Los Zetas, as autoridades mexicanas são culpadas por crimes contra a humanidade que tem ocorrido no país desde 2009. Ela assinalou ainda que a organização pede abertura de investigação preliminar, partindo do reconhecimento pelo Estado mexicano de que atos de violência que tem acontecido no país se caracterizam como crimes contra a humanidade.

A princípio, o relatório tem como foco o Estado de Coahuila, situado na região fronteiriça com os Estados Unidos da América (EUA), especificamente com o Estado do Texas. Na região da Coahuila, segundo apontou o documento da FIDH, cerca de 1.830 pessoas desapareceram e há o registro de mais de 500 casos relacionados à tortura, privação de liberdade e desaparecimentos. Notícias retratando o assassinato e o sumiço de cidadãos, estudantes e jornalistas mexicanos tem se tornado recorrentes nos últimos tempos. Em 2011, no Estado de Veracruz foram encontrados 35 cadáveres em frente a um estabelecimento comercial. Na ocasião, uma organização criminosa denominada Nova Geração assumiu o massacre.

La fuerza militar del Estado Mexicano en Michoacán, principal participante en la Guerra contra el Narcotráfico

Mais recentemente, em setembro de 2014, por exemplo, os noticiários relatavam o desaparecimento de 43 estudantes do Estado de Iguala. Ao longo das buscas pelos jovens, foram encontrados outros cadáveres carbonizados e enterrados em fossas, que evidenciavam a brutal violência que assola o país. Naquela ocasião, quase 60 suspeitos foram presos, entre eles encontravam-se criminosos do narcotráfico, mas também policiais e agentes de segurança municipal. Naquele momento, Enrique Peña Nieto, Presidente do México, prometeu, como destaca a DW, que o povo não presenciaria mais massacres como o de Iguala.

No entanto, a violência generalizada continua vitimando a sociedade mexicana e também ativistas e jornalistas que tentam denunciar os crimes que ocorrem no país. Em maio de 2017, Javier Valdez Cárdenas, um jornalista premiado no México, foi assassinado em Culiacán, no Estado de Sinaloa, na região noroeste. Em novembro de 2016, Cárdenas, concedeu uma entrevista à agência de notícias Efe, segundo também destacou a DW, onde ressaltou que a cumplicidade dos políticos com o narcotráfico assegurou que exista liberdade de impressa no país, porque o crime organizado e os governos corruptos impõem o silêncio a base de tiro e dinheiro. E disse ainda que falta na sociedade comoção e sentimento de solidariedade com os jornalistas.

Esse cenário reacende o debate acerca das ligações entre narcotráfico e as autoridades governamentais mexicanas. Em dezembro de 2006, Felipe Calderón, então Presidente do México, enviou tropas das Forças Armadas do país ao Estado de Michoacán, em virtude do número crescente de homicídios. Segundo analistas, a estratégia adotada por Calderón fracassou e, embora tenham prendido policiais, políticos e chefes do tráfico, esses foram substituídos por outras “peças” no tabuleiro. Em 2012, houve a ascensão ao poder do atual presidente Peña Nieto e, tal como seu antecessor, ele não conseguiu combater eficazmente os agentes corruptos que integram o Governo e a Polícia, e o Exército não possui um papel com diretrizes claras. Além disso, desde o período de Calderón, o Exército é acusado de cometer violações dos direitos humanos.

Tais acontecimentos evidenciam que aprofundamento da violência e as denúncias feitas por organizações retratam um cenário contínuo de barbárie. Alguns organismos internacionais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Alto Comissionado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, tem afirmado que o país vive um momento constante de violações dos direitos humanos. Para alguns analistas, no México existe um modus operandi de violência que é tolerada pelos mais distintos níveis do governo.

Nesse aspecto, Abel Barrera Hernandez, fundador do centro de direitos humanos Tlachinollan, questionava, ainda em 2014, que embora o governo de Peña Nieto queira modernizar o país, as estruturas corruptas e o seu entrelaçamento com o Estado e o crime organizado continuam, logo, como essa modernização daria certo? Por fim, parece que há silêncio sistêmico sobre o aprofundamento da violência e do fracasso de algumas políticas de segurança na luta contra o narcotráfico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do México” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico#/media/File:Flag_of_Mexico.svg

Imagem 2 Mapa do México” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico#/media/File:Mexico__Location_Map_(2013)_-_MEX_-_UNOCHA.svg

Imagem 3 La fuerza militar del Estado Mexicano en Michoacán, principal participante en la Guerra contra el Narcotráfico” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_contra_o_narcotr%C3%A1fico_no_M%C3%A9xico#/media/File:Fuerza_del_Estado_Michoac%C3%A1n.jpg

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

ONU pede que EUA fortaleçam o multilateralismo

Na última segunda-feira, dia 3 de julho, António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, participou da Conferência Tidewater, promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na cidade de Lisboa, em Portugal. Durante a Conferência, o chefe da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ser essencial que os Estados Unidos da América (EUA) mantenham esforço multilateral. Conforme destacou a ANGOP, Guterres assinalou que “é fundamental que os Estados Unidos mantenham o empenho multilateral, sobretudo em relação às situações internacionais que exigem uma resposta global, na qual os EUA terão sempre uma influência determinante”. Em suma, o Secretário-Geral da ONU acredita que se os Estados Unidos não estiverem presentes nas áreas vulneráveis do sistema internacional, esse espaço será ocupado por outros países.

Projeto de orçamento do governo dos EUA: ONU pede apoio a sistema multilateral ‘forte e eficaz’

Essa não foi a primeira vez que Guterres ressalta o papel desempenhado pelos norte-americanos no sistema internacional e a importância em se buscar instrumentos que fortaleçam o multilateralismo. Em março deste ano (2017), Donald Trump, Presidente dos EUA enviou ao Congresso estadunidense o projeto de orçamento de 2018, que previa a redução no auxílio financeiro destinado às agências e programas da ONU, por exemplo, o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), a Agência de Proteção Ambiental e as missões de paz. Em resposta, Stéphane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral, ressaltou em comunicado, que “a comunidade internacional enfrenta enormes desafios globais que só podem ser enfrentados por um sistema multilateral forte e eficaz, do qual as Nações Unidas continuam a ser o pilar fundamental”. No entanto, na semana passada, a ONU cedeu à pressão promovida pelos Estados Unidos e também pela União Europeia e aprovou o orçamento de 7,3bilhões de dólares, um corte de 600 milhões de dólares em seu orçamento anual destinado às missões de paz.

Durante a Conferência em Lisboa, Guterres foi questionado acerca da relação com o Governo Trump, e o Secretário pontuou apenas que não está sendo mais difícil do que previsto. Em abril deste ano, ele se reuniu com Donald Trump na Casa Branca, em Washington, após sua participação no encontro “Financiamento para paz: inovações para combater fragilidade”, promovido pelo Banco Mundial. O secretário-geral da ONU afirmou que o encontro foi interessante e construtivo, no que tange à cooperação entre os EUA e a organização. Cabe lembrar, que Donald Trump teceu críticas a ONU, ainda em 2016, após sua eleição, afirmando que “a ONU tem um grande potencial, mas agora é somente um clube para que pessoas se reúnam, conversem e passem um bom tempo”. Tais críticas ocorreram alguns dias após a aprovação pelo Conselho de Segurança de uma Resolução contra a política de assentamento de Israel, na qual se absteve a administração de Barack Obama, então Presidente norte-americano.

Quando assumiu em janeiro deste ano (2017), Guterres defendeu uma reforma na instituição a fim de recuperar a capacidade da ONU em responder e solucionar as crises em curso. Naquele momento, ele argumentou que existe uma desconfiança do público em geral com o sistema político e as organizações internacionais. O secretário-geral destacou ainda que, embora muitas pessoas duvidem, o multilateralismo é a solução para os problemas atuais, e não a ação unilateral. Assim, conforme ressaltou a DW, Guterres assinalou em seu discurso de posse que “este é o momento em que temos de reconhecer que apenas soluções globais podem resolver problemas globais e que a ONU é a pedra fundamental dessa abordagem multilateral”. Tal pensamento tem sido revigorado na última semana pela comunidade internacional e pressionado os Estados Unidos para que a administração Trump fortaleça mecanismos diplomáticos e promova o multilateralismo, sobretudo após a crescente tensão com a Coreia do Norte, em razão da realização do teste bem-sucedido com míssil balístico intercontinental.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 António Guterres Secretário Geral das Nações Unidas” (Fonte):

http://www.unmultimedia.org/photo/detail.jsp?id=709/709941&key=0&query=antonio%20guterres&lang=en&sf

Imagem 2 Projeto de orçamento do governo dos EUA: ONU pede apoio a sistema multilateral forte e eficaz” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/projeto-de-orcamento-do-governo-dos-eua-onu-pede-apoio-a-sistema-multilateral-forte-e-eficaz/

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Canadá aumentará seus gastos militares

No dia 8 de junho, o Departamento de Defesa do Canadá emitiu comunicado anunciando um novo plano militar, no qual estabelece as prioridades desse setor do Governo para os próximos 20 anos. O anúncio estabelece novas diretrizes, como o aumento do efetivo das suas forças especiais e a maior presença das mulheres nas Forças Armadas, que devem chegar a representar cerca de 25% do total do efetivo em 2026.

Além disso, o comunicado prevê o aumento do orçamento militar do país, que deverá passar de 18,9 bilhões de dólares canadenses, em 2016/2017, para 32,7 bilhões, em 2026/2027, o que corresponde a um aumento de aproximadamente 70%. Com essa elevação, o Governo deverá adquirir 88 novos caças CF-18 (Caça baseado no Americano F/A-18 Hornet) e não apenas 65, como havia acordado a administração anterior, além da compra de 15 novos navios, aquisição de drones, formação de especialistas em cibersegurança e a contratação de mais 5 mil soldados. De acordo com Harjit Sajjan, Ministro de Defesa do Canadá, a revisão dos gastos militares já estava em andamento há meses e, segundo ressaltou a ANGOP, ele pontuou ainda durante sua apresentação do plano que é preciso comprometimento com o financiamento das forças militares, para que o papel do Canadá no mundo também seja interpretado de forma propositiva, como protagonista.

Na quarta-feira, dia 7 de junho, um dia antes do comunicado do Departamento de Defesa, Chrystia Freeland, ministra dos Negócios Estrangeiros do país, conforme destacaram a BBC e Reuters, frisou que chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos da América (EUA) exige do Governo canadense maior protagonismo no cenário internacional, haja vista que o Presidente estadunidense recusou o multilateralismo, bem como menor dependência dos EUA. Para a Ministra, o novo posicionamento do seu vizinho leva o Canadá e os demais países à necessidade de estabelecer seu próprio caminho claro e soberano. E acrescentou ainda que essa trajetória deve ser de renovação e de fortalecimento da ordem multilateral. 

Logo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)

 

Alguns analistas pontuam que esse aumento do orçamento militar se deve em parte à crítica do Presidente estadunidense pela baixa participação nos gastos dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da qual o Canadá é membro, que não tem cumprido a meta de usar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas militares. Em resposta a esse apontamento, o ministro Sajjan argumentou apenas que a nova Política de Defesa é para o Canadá.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Canadá” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canad%C3%A1#/media/File:Flag_of_Canada.svg

Imagem 2Logo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte#/media/File:Seal_of_the_North_Atlantic_Treaty_Organization.png

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Secretário de Estado dos EUA recebe Ministro das Relações Exteriores do Brasil

Na semana passada, dia 2 de junho, Rex Tillerson, Secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), recebeu Aloysio Nunes Ferreira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, em Washington, onde discutiram iniciativas para fortalecer as relações entre os dois países. Esse foi o segundo encontro entre representantes do alto escalão desde que Donald Trump assumiu a Presidência, em janeiro deste ano (2017). Em fevereiro, Tillerson havia se reunido com José Serra, então ministro das Relações Exteriores, durante a reunião do G20, ocorrida na Alemanha.  Além disso, no dia 18 de março, Trump conversou por telefone com Michel Temer, Presidente do Brasil. Nessa ocasião, os dois líderes concordaram em manter contato regular e canais de diálogo abertos, com o propósito de aprofundar a relação EUA-Brasil.

English: Palácio dos Arcos or Itamaraty, Minis...

Palácio dos Arcos ou Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, Brasília, Brazil. (Photo credit: Wikipedia)

Segundo nota do Itamaraty, o encontro na capital estadunidense objetivava fortalecer as relações bilaterais, assim como discutir questões de segurança global e regional, como a situação na Venezuela, conforme ressaltou a Embaixada dos EUA no Brasil. Desse modo, a fim de intensificar a relação, o Brasil apresentou propostas nas áreas de comércio e investimentos, aviação civil, espaço, agricultura, energia, infraestrutura, economia digital, defesa e segurança. Essas propostas visam atrair o setor privado estadunidense com finalidade de gerar maiores investimentos e intercâmbio entre ambos. 

Para o secretário estadunidense, os dois países possuem interesses comuns, como o compromisso com o crescimento econômico, investimentos e a criação de empregos. Além disso, ele destacou a forte relação e a importância dessa parceria entre Estados Unidos e Brasil. A intensidade da relação, conforme destaca o próprio Itamaraty, é observada pelos mais de trinta mecanismos de diálogos entre os dois países, dentre os quais se destacam: Diálogo de Cooperação em Defesa; Diálogo de Parceria Global; Diálogo Estratégico em Energia; e Diálogo Econômico-Financeiro. Ademais, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. No ano passado (2016), o intercâmbio comercial bilateral chegou a 46 bilhões de dólares. Os Estados Unidos são o maior mercado mundial para produtos manufaturados brasileiros que possuem maior valor agregado e representaram no ano passado cerca de 60% da pauta exportadora para os EUA.

Organismos dos dois países destacaram a relevância dessa parceria, no entanto, alguns analistas apontam que a mesma tem ficado ofuscada por problemas internos e externos. Alguns veículos de comunicação, como o El País, pontuaram na última sexta-feira (dia 2 de junho) que o encontro ficou em segundo plano, dada a decisão do Governo Trump de sair do Acordo de Paris. Ademais, a crise política e a instabilidade que envolvem o Governo Temer impedem maior aproximação. Segundo El País, o ministro Aloysio Nunes procurou minimizar essa questão, argumentando que o Brasil vive uma turbulência política, o que não significa uma turbulência institucional. Embora, ainda em março, Temer e Trump tenham acordado uma visita, a expectativa é de que a mesma ocorra apenas no segundo semestre, dado os problemas internos brasileiros.

No que tange à situação da Venezuela, Rex Tillerson assinalou que a preocupação com a deterioração da situação política e das condições de vida dos venezuelanos, assim como as consequências, integraram a pauta da reunião. No dia 31 de maio, os membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) reuniram-se em Washington para debater sobre a crítica situação política e econômica do país venezuelano. O Ministro brasileiro havia participado desse encontro e destacou que o Brasil assume relevância em razão da fronteira com a Venezuela e da migração que tem ocorrido dos venezuelanos para o território brasileiro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reunião do Secretário Tillerson com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira” (Fonte):

https://br.usembassy.gov/pt/informe-reuniao-secretario-tillerson-com-o-ministro-das-relacoes-exteriores-brasil-aloysio-nunes-ferreira/