NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel e Emirados Árabes Unidos dão primeiro passo na aproximação

A recente negociação entre Israel e os Emirados Árabes Unidos ganhou espaço internacionalmente nos meios de comunicação. A aproximação entre os países acontece em meio a uma crescente tensão entre Israel e os vizinhos árabes pelo projeto de incorporação de territórios da Cisjordânia.

Também representa transformações mais amplas e uma maior complexidade da dinâmica política da região. Os Emirados se tornaram com este ato o terceiro país árabe a reconhecer a existência do Estado de Israel, após o Egito em 1979 e o reino da Jordânia em 1994.

Depois de uma série de negociações, o governo dos Emirados apresentou um Decreto no sábado, 29 de agosto, suspendendo o embargo econômico aos israelenses, referente à lei existente desde 1972 – quando da unificação dos Emirados e surgimento do país – que refletia a política de consenso entre os países árabes.

Como um efeito representativo do fim do embargo, se concretizou o estabelecimento de voos entre Abu Dhabi e Tel Aviv, operados pela Etihad Airways e pela companhia israelense El Al. No dia 31 de agosto, uma aeronave proveniente de Israel aterrissou pela primeira vez no aeroporto internacional de Abu Dhabi

Para a realização do voo foi necessário que a Arábia Saudita suspendesse à proibição de aeronaves israelenses circulando em seu espaço aéreo, ainda que o país não tenha reconhecido oficialmente Israel, e nem levantado outras restrições comerciais.

Painel no aeroporto internacional de Tel Aviv anuncia saída do primeiro voo direto com destino aos Emirados Árabes Unidos / Página oficial do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter – @netanyahu

Em seguida, no dia 1º de setembro, os países assinaram um primeiro acordo que estabelece um grupo de trabalho conjunto para colaborar com serviços financeiros e facilitar investimentos por ambas as partes. O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que uma série de parcerias devem ser anunciadas em breve.

O sucesso das atuais medidas e a possibilidade de futuros acordos são encarados também como um ganho diplomático pelos Estados Unidos. Os primeiros passos para a aproximação foram anunciados em declaração tripartite divulgada em 13 de agosto. Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump e responsável pela articulação política no Oriente Médio, esteve entre os oficiais que viajaram de Tel Aviv para Abu Dhabi no voo inédito da El Al.

Apesar da aproximação, autoridades emiradenses reafirmaram compromissos com os países árabes e salientaram que o acordo fortalece uma série de garantias. Jamal al-Muasharak, alto oficial do Ministérios das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, afirmou em declaração que os Estados Unidos garantiram em um diálogo trilateral” que Israel não prosseguiria com o plano de anexar territórios na Cisjordânia.

Os Estados Unidos e países da região buscam utilizar da aproximação para ampliar o diálogo de outros atores com Israel. Em viagem para a região, conforme já relatado no CEIRI NEWS, em artigo de Natália Nahas, no dia 28 de agosto, o Secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, se reuniu com representantes do Sudão, Bahrein e Omã para discutir acordos semelhantes.

Nas próximas semanas, para além das novas etapas da aproximação entre ambos, serão demonstradas possibilidades de aproximação entre países da área e sobre o futuro das relações entre distintos Estados da região.

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Fonte das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Israel é hasteada em Abu Dhabi, entre as bandeiras dos Emirados Árabes Unidos e dos Estados Unidos da América, para marcar a realização do primeiro voo direto provindo de Tel Aviv / Página oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter @netanyahu” (Fonte): https://twitter.com/netanyahu/status/1300430295246811136

Imagem 2Painel no aeroporto internacional de Tel Aviv anuncia saída do primeiro voo direto com destino aos Emirados Árabes Unidos / Página oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu no Twitter – @netanyahu” (Fonte): https://twitter.com/netanyahu/status/1300319842222907392

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Futuro do sistema político libanês torna-se incerto após tragédia no Porto de Beirute

O Líbano ocupou as manchetes do mundo inteiro após a tragédia ocorrida no porto de Beirute, no último dia 4 de agosto. A explosão de uma carga de produtos químicos, dentre estas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, armazenada nas dependências das zonas portuárias, deixou cerca de 200 mortos, mais de 6.000 feridos, 300 mil desabrigados e uma grande devastação na capital do país, onde residem 1 milhão dentre os seus 5 milhões de habitantes.

A comunidade internacional tomou rápidas decisões para poder adotar medidas mais efetivas de apoio à população e à reconstrução da cidade. Como a explosão destruiu depósitos de grãos e afetou pelo menos 6 hospitais no país, há um temor de que os efeitos colaterais sejam ainda mais profundos.

Em uma conferência convocada pelo governo da França para reunir possíveis contribuintes entre atores privados e estatais, ocorrida no domingo, dia 9 de agosto, foram arrecadados inicialmente 253 milhões de euros (aproximadamente 1,612 bilhão de reais, conforme cotação de 12 de agosto de 2020) para serem aplicados em ajuda humanitária.

A resposta acalorada gerou uma profunda disputa entre a classe política libanesa. Em recente declaração, o governador de Beirute afirmou em entrevista que o episódio deve ser considerado como “genocídio contra os libaneses”.

O descontentamento entre a população se volta contra o governo em meio a acusações do que muitas pessoas avaliam ser uma combinação entre a negligência do poder público e um problema endêmico de corrupção. Tanto o governo do país, quanto a maioria dos partidos políticos, afirmou desconhecimento da ameaça que representava a carga explosiva no porto de Beirute. Entretanto, há evidências de que o presidente Michel Aoun e o então primeiro-ministro Hassan Diab haviam sido alertados sobre o risco por um informe emitido no dia 20 de julho, antes da tragédia.

Veículos e construções afetados pela explosão no porto de Beirute / Página oficial da Agência de Notícias da Organização das Nações Unidas – UN News

Violentos protestos vêm ocorrendo na capital e várias outras cidades. Notícias de confronto entre manifestantes e forças de segurança são frequentes. A combinação de crise política e uma grande mostra de insatisfação por parte da população levou o governo libanês a um impasse de governabilidade.

A presente crise política levou o então primeiro-ministro Hassan Diab a entregar sua demissão na última segunda-feira, dia 10 de agosto, imediatamente após emitir a exoneração de todo o Gabinete. Ao anunciar sua saída, Diab afirmou categoricamente que a “corrupção endêmica” era a causa da tragédia e que o “sistema da corrupção é maior que o próprio Estado” no Líbano.

Diab apresenta sua renúncia após pouco mais de seis meses no cargo. Em outubro de 2019, uma série de denúncias de corrupção levou a protestos pedindo maior transparência e a renúncia do então primeiro-ministro Saad Hariri. A atual aliança governista enfrentou um longo período de negociações até que Diab, então Ministro da Educação, fosse apontado e referendado para assumir o governo.

Notório por enfrentar uma sucessão de crises e pela instabilidade, o Líbano atinge um ponto crítico com a tragédia que se abate sobre sua capital e maior cidade. O episódio acompanha a crise de liquidez da moeda e sérios problemas na manutenção de serviços básicos do Estado. Há insatisfações de que o governo deixa o gabinete sem produzir avanços significativos. A libra libanesa perdeu mais 50% do seu poder de compra desde outubro de 2019, e projeções apontam que mais da metade da população libanesa estará abaixo da linha pobreza até o final do ano de 2020.

Para além de impactar o atual governo e a classe política, as manifestações ocorridas no Líbano colocam em questão o seu próprio sistema político. O processo que levou o país à independência do jugo da França em 1943 culminou com um acordo entre as distintas forças políticas envolvidas. Por meio do Pacto Nacional, negociado entre o então presidente maronita Bechara el-Kahoury e o primeiro-ministro Ryadh al-Sohl estabeleceu uma divisão institucional respeitando a confissão religiosa da população.

Por meio deste sistema, o Parlamento permaneceria dividido em uma proporção de 6 parlamentares cristãos para cada 5 parlamentares muçulmanos. O Presidente, por sua vez, deve ser sempre escolhido dentre os que confessam o cristianismo maronita, com um Primeiro-Ministro muçulmano sunita e um muçulmano xiita servindo como Presidente do Parlamento. Outras posições executivas devem ser ocupadas. O sistema permanece vigente desde então, havendo passado somente por uma reforma após o fim da Guerra Civil em 1989, estabelecendo uma divisão de partes iguais entre a representatividade cristã e muçulmana no Parlamento.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, em pronunciamento oficial / Página oficial do presidente do Líbano, Michel Aoun, no Twitter. @General_Aoun

Enquanto aguardam que o presidente libanês Michel Aoun aponte um sucessor para o Primeiro-Ministro, protestos voltaram a ocorrer no dia 11 de agosto. Os manifestantes reafirmam a demanda por uma modificação na legislação eleitoral. Distintos grupos prometem não deixar as ruas enquanto não houver perspectiva de alteração do sistema confessional. Um slogan frequente nas manifestações é “todos quer dizer todos”, em referência ao desejo de mudança no sistema político.

Existe no país a impressão de que a estrutura mantém privilégios de grupos políticos, o que levaria a um aumento da corrupção e do radicalismo político. A influência de atores externos e de grupos nacionais, como o movimento político muçulmano xiita Hezbollah, é objeto de preocupação entre analistas locais e estrangeiros.

O presidente Michel Aoun emitiu uma negativa à sugestão de que a explosão fosse investigada por um grupo independente de auditores internacionais. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, apoiou prontamente a posição do governo.

Apesar da resistência da classe política em implementar mudanças, ou mesmo em apresentar medidas de transparência, a recente tragédia no Líbano pode levar esta aparente descrença a um profundo descontentamento com o tradicional sistema político.

Analista avaliam que a necessidade de fundos estrangeiros para a manutenção de serviços básicos e reformas pode levar o governo a ter que negociar com atores internacionais mudanças no seu modelo.

Também consideram que o aumento do escrutínio da comunidade internacional será essencial, tanto para propor mudanças em distintas políticas quanto para garantir respeito aos direitos da população, e que um amplo debate democrático possa ocorrer para a sucessão do governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Foto dos escombros do Porto de Beirute após a explosão ocorrida em 4 de agosto / Página oficial da Agência de Notícias da Organização das Nações UnidasUN News” (Fonte):

https://news.un.org/en/story/2020/08/1069832

Imagem 2Veículos e construções afetados pela explosão no porto de Beirute / Página oficial da Agência de Notícias da Organização das Nações Unidas UN News” (Fonte):

https://news.un.org/en/story/2020/08/1069782

Imagem 3O presidente do Líbano, Michel Aoun, em pronunciamento oficial / Página oficial do presidente do Líbano, Michel Aoun, no Twitter. @General_Aoun” (Fonte):

https://twitter.com/General_Aoun/status/1276066132995293184/photo/1

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Gestão da pandemia estremece o governo de Israel

O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem se provado extremamente habilidoso em gerir as crises que cercam seu governo. Desde o princípio das investigações de corrupção das quais é alvo, o Premier participou de 3 processos eleitorais, entre abril de 2019 e março de 2020, sabendo manter sua posição e governabilidade.

Netanyahu conseguiu reverter o que parecia uma grande derrota nas eleições do 22º Knesset em setembro de 2019, quando a frente de centro-direita Kahol Lavan (Azul e Branco) passou a possuir a maior bancada, com 33 assentos contra os 32 do Likud.

Impossibilitado de formar um governo, o Parlamento se dissolveu e novas eleições foram convocadas para março de 2020. Durante o processo, o Likud conseguiu reverter o cenário desfavorável, ampliando seu espaço de 32 para 36 parlamentares, enquanto o Kahol Lavan se tornou a segunda força do Parlamento, retrocedendo de 33 para 14 cadeiras.

Durante o primeiro surto do coronavírus, o Likud, partido ao qual pertence Netanyahu, conseguiu consolidar um governo de coalizão através de um acordo com o general reformado Benjamin Gantz, líder do Kahol Lavan.

O atual momento da crise causada pela pandemia da Covid-19 pode, entretanto, mudar a sorte do atual gabinete. O país chega a mais de 40 mil casos apontados de coronavírus, com cerca de 365 mortes comprovadas. Ao mesmo tempo, o índice de desemprego chega a 21%. A insatisfação com a situação econômica, aliada à falta de medidas de suporte e ao atraso de pagamentos de auxílios, levou milhares de pessoas às ruas em Tel Aviv, em protesto ao governo.

Os indicadores apresentados durante a primeira onda, a qual autoridades avaliam haver ocorrido em Israel entre março e abril, levaram o país a ser considerado como um modelo global de combate à pandemia e o Primeiro-Ministro a afirmar que havia estabelecido um exemplo em “salvaguardar vidas e bloquear uma expansão da pandemia”.

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Netanyahu reunido com o comitê de crise do governo para decidir sobre pacotes de ajuda econômica para a população Retirado da Conta oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Twitter. @netanyahu

Até meados de maio o país apresentava um aumento de cerca de 20 casos diários, um contraste significativo com uma média que excede mil casos novos por dia em julho. Este novo cenário ameaça produzir um colapso do sistema de saúde e o comitê de crise do governo se viu a adotar severas medidas de distanciamento social, com o fechamento de comércios, restaurantes e academias, medidas que foram prontamente derrubadas pelo Knesset, que manteve a abertura da maioria de pontos de reunião públicas.

Em pesquisa realizada pelo Haaretz em abril, Netanyahu possuía uma taxa de aprovação de quase 33%. Os recentes desdobramentos resultaram em uma pesquisa que foi publicada no dia 9 de julho apontando que apenas 15% da população possuía uma impressão positiva do atual governo.

Quanto à gestão da crise causada pelo Coronavírus: em maio, 75% da população acreditava que a postura do governo era “positiva”; em junho, os números decaíram para 56% aprovando sua gestão da crise; para, em julho, mais de 60% avaliando que sua postura perante a atual situação do país era “inadequada.

O atual declínio da popularidade afasta os temores que haviam surgido sobre uma eleição parlamentar antecipada. Rumores recentes indicavam que o governo poderia buscar um novo pleito para ampliar seu espaço no Knesset, pois pesquisas atuais indicam que um pleito antecipado levaria a uma perda de 3 cadeiras para o Likud (33 contra as atuais 36) e de 5 cadeiras do Kahol Lavan (9 contra as atuais 14).

A mudança significativa do cenário prévio daria segurança para o governo buscar a discussão de medidas mais contraditórias, como avançar o projeto de anexação definitiva da Cisjordânia. O cenário mais favorável, que em 16 de junho apontava que em uma eventual eleição o Likud poderia ganhar até 41 dos 120 assentos no Knesset, levava o governo a cogitar tentar uma nova eleição para garantir a aprovação de suas agendas.

A falta de medidas amplas de ajuda fragiliza profundamente a população do país. A perda de empregos e de poder econômico, sobretudo da classe média do país, gera distintas manifestações em redes sociais afirmando que o governo “não se importa” com as pessoas e com a situação econômica de Israel.

As Forças de Defesa de Israel, que são um símbolo importante para toda a população, vêm sendo profundamente afetadas pela segunda onda da pandemia no país. Além do próprio Ministro da Defesa, o general da reserva e líder do Kahol Lavan, Benjamin Gantz, mais de 10 mil soldados foram colocados em quarentena depois de serem considerados como casos suspeitos de contaminação pela Covid-19.

Gantz havia despontado durante as eleições de 2019 como líder de uma força política renovadora de centro-direita, pois seu histórico como militar e propostas de renovação atraíram a atenção de uma ampla parcela do eleitorado israelense.

Após o acordo para compor um governo com Netanyahu à frente, o General reformado passou a sofrer críticas de setores que o apoiavam. Estes apontam um sinal de fraqueza da liderança do Kahol Lavan, que inicialmente afirmava que vetariam qualquer plano de anexação sem diálogo com os palestinos e acena com ceder a votar com o Likud. Também criticam a ausência de Gantz no debate público sobre a pandemia, inclusive instruindo sua bancada a diminuir críticas ao governo

Apesar das sucessivas vitórias que o atual mandatário coleciona, o governo possui uma série de agendas complexas e contraditórias para aprovar, como as medidas de anexação de território palestino. Além da reprovação de grande parcela da população israelense, a medida é considerada impopular por ampla parte da comunidade internacional. Distintos membros da União Europeia, bem como países na África, América Latina e Ásia acenam com medidas de retaliação comercial para Israel em caso de aprovação. Apesar do apoio do presidente estadunidense Donald Trump à agenda de Netanyahu, o avanço da anexação encontra expressiva resistência no Congresso dos Estados Unidos.

Distintos atores internacionais temem que a medida aumente o risco de conflitos na região, tendo em vista que a Autoridade Nacional Palestina acena com a possibilidade de demandar completa independência e seguir com um conflito, congregando apoio de diversos atores no Oriente Médio.

Questões pessoais tornam a situação do Primeiro-Ministro ainda mais difícil de administrar. Netanyahu trava uma batalha persistente contra a Suprema Corte de Israel para impedir o avanço de investigações sobre supostos subornos e benefícios ilícitos que alegadamente haveria recebido.

Recentemente, ele requisitou e teve aprovada pelo Knesset uma série de descontos fiscais, que o isentam de pagar impostos sobre distintos benefícios e remunerações que recebeu entre 2009 e 2017. A isenção chega a mais de um milhão de shekels (cerca de 1,5 milhão de reais, segundo cotação do Banco Central do Brasil em 13 de julho de 2020). A medida gerou uma ampla impressão negativa com a população, em meio de dificuldades econômicas.

Observa-se que o governo israelense deverá buscar outras vias de diálogos com a população. Será necessário para Netanyahu buscar outras saídas políticas para manter agendas complexas ou conceder certas decisões políticas para manter a estabilidade. O avanço da pandemia e da crise nas próximas semanas será determinante para estabelecer como se dará a continuidade da aliança política e as saídas para o Primeiro-Ministro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu, realiza coletiva de imprensa para anunciar a aplicação de medidas de distanciamento social no paísRetirado da Conta oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Twitter. @netanyahu” (Fonte):

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Imagem 2Netanyahu reunido com o comitê de crise do governo para decidir sobre pacotes de ajuda econômica para a população Retirado da Conta oficial do PrimeiroMinistro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Twitter. @netanyahu” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Turquia e Irã promovem ataques ao Curdistão iraquiano

A recente campanha Garra de Tigre, que lançou uma série de ataques militares da Turquia contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), associada a uma série de ações do Irã contra cidades curdas, vem impactando o norte do Iraque e levou o governo iraquiano a emitir comunicados exigindo que os vizinhos deixem de promover ações militares em seu território.

O Ministério da Defesa turco informou que em uma ação combinada com uso de caças F-16, veículos aéreos não-tripulados (VANTs) e obuses atingiu cerca de 500 alvos do PKK na região em menos de 36 horas. Parte da operação envolve também o envio de soldados de suas forças especiais para combater unidades do PKK no norte do Iraque. Para além de se converter na terceira campanha militar turca no exterior, militares do país já atuam na Líbia e na Síria.

Os ataques realizados pela Turquia também vem sendo alvo de críticas por parte de distintos atores por cobrir a região habitada pela população yazidi, uma etnia curda profundamente afetada pelos conflitos recentes.

Veículos de mídia pró-curdos, como a agência Firat, afirmam que, devido a proximidade, os bombardeios visavam o campo de refugiados de Makhmour, que concentra mais de 10 mil curdos refugiados da Turquia. O governo iraquiano, no entanto, declara que ataques curdos atingiram campos de refugiados.

No mesmo período, o Irã também realizou ações na região de Barda-Soran, ao nordeste de Erbil – capital do Curdistão iraquiano. Segundo fontes de Teerã, as ofensivas têm objetivo de perseguir combatentes curdos que atacaram o país, enquanto membros do Partido Democrático do Curdistão Iraniano (HDKA, na sigla em curdo) afirmam que grupos ligados a Guarda Revolucionária do Irã têm realizado agressões constantes a bases e núcleos políticos com objetivo de desestabilizá-los.

Os bombardeios que ocorreram em pelo menos dois dias distintos causaram profundo danos civis e levaram à evacuação de pelo menos 20 vilas na região. O Governo Regional do Curdistão condenou as atitudes do Irã, conclamando o país a suspender ações na área e informou que não tolerará o uso da região por grupos políticos curdos para atacar o Estado vizinho.

Para além das manifestações do governo regional, o Ministro das Relações Exteriores, Fuad Hussein, convocou o embaixador turco Fatih Yildiz para entregar um “firme memorando” sobre os atos turcos. Atores tanto no Iraque quanto em outros países da área interpretam as ações dos Estados vizinhos como uma forma de se aproveitarem de um “momento de fraqueza” do governo de Bagdá.

Tanto o Irã quanto a Turquia afirmam que as atuações são defensivas e foram motivadas por agressões de grupos curdos às posições militares e pontos em suas fronteiras. As autoridades dos Estados também ressaltam que classificam tanto o PKK quanto o HDKA como organizações “terroristas”. O site do Ministério da Defesa turca informou em nota que o PKK ameaça “a segurança da fronteira e população turca com ataques e provocações a postos avançados a partir do norte do Iraque”.

O Ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, revisa plano de ação da Operação Garra de Tigre com oficiais do país – Fonte: página oficial de Hulusi Akar no Twitter: @tchulusiakar

O Comando de Operações Conjuntas do Iraque classificou as ações militares no norte do país como “provocativas”, enquanto o ministro Hussein ressaltou em um discurso público que o país “urge que a Turquia interrompa os bombardeios e retire quaisquer tropas que tenham em território iraquiano”.

O porta-voz do Ministério da Defesa do Iraque, Yehia Rasool, em anúncio junto a representante do primeiro-ministro Mustafa al-Kadhimi – Fonte: página oficial do governo do Iraque no Twitter: @IraqiGovt

Quanto as declarações de que os acometimentos seriam preventivos, o Comando de Operações Conjuntas salientou que “deplora a invasão de espaço aéreo iraquiano por aeronaves turcas que penetraram a 193 quilômetros da fronteira turca dentro do território iraquiano”.

Apesar de confrontos na região entre forças curdas e países vizinhos serem comuns, os atos bélicos acontecem em um período de escalada de violência e aumento da presença militar, tanto da Turquia como do Irã.

Estados adjacentes saíram rapidamente a condenar a ação. No dia 17 de junho, após o anúncio da operação Garra de Tigre, autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmaram que as ações tanto da Turquia quanto do Irã representam uma “séria violação da soberania do Iraque”.

O momento, entretanto, levanta questões quanto à preocupação com a estabilidade iraquiana. Tendo vista a expansão de atos militares no exterior por parte da Turquia, outros governos pela área podem temer que, para além de querer controlar ataques curdos ou criar uma pressão sobre Bagdá, ações militares como essas podem vir a se tornar mais comuns e afetarem mais Estados ao longo do tempo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, visita tropas que tomarão parte na ação Garra de TigreFonte: página oficial de Hulusi Akar no Twitter: @tchulusiakar” (Fonte):

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Imagem 2O Ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, revisa plano de ação da Operação Garra de Tigre com oficiais do país Fonte: página oficial de Hulusi Akar no Twitter: @tchulusiakar” (Fonte):

https://twitter.com/tchulusiakar/status/1274292868295929858/photo/3

Imagem 3O portavoz do Ministério da Defesa do Iraque, Yehia Rasool, em anúncio junto a representante do primeiroministro Mustafa alKadhimiFonte: página oficial do governo do Iraque no Twitter: @IraqiGovt” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

A escalada do conflito na Líbia

Quase 7 anos após a queda de Muammar Gaddafi, o cenário político da Líbia permanece turbulento. A divisão da comunidade internacional frente a qual força política possui mais possibilidade estabilizar o país é já há muito tempo um elemento complicador na dinâmica cotidiana do país.

Em 2016, foi formado Governo do Acordo Nacional, composto através de negociações ocorridas na vizinha Tunísia e apoiado pela Organização das Nações Unidas e parte da comunidade internacional. A partir daquele momento, algumas unidades políticas da Líbia discordaram da formação do governo e reuniram seu apoio em torno do general Khalifa Haftar, formando o Exército Nacional da Líbia. A dificuldade de encontrar um denominador de unidade se reflete na constante disputa pelo controle do território da Líbia.

Em janeiro de 2020, representantes de 12 países envolvidos no conflito, da Organização das Nações Unidas, o Primeiro-Ministro líbio, Fayez al-Sarraj, e o general Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional da Líbia, se reuniram em Berlim para a “Cúpula para a Paz da Líbia”. O encontro foi considerado produtivo pela anfitriã Angela Merkel e pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Dentre os pontos de destaque estava uma trégua no enfrentamento direto entre as partes e um compromisso dos países participantes da conferência – incluídos Estados Unidos, Rússia e Turquia – em respeitar o embargo e interromper o envio de armas, treinamento e suporte militar para as partes beligerantes. Merkel chegou a declarar na ocasião que “poderia afirmar que todos os participantes trabalharam de forma realmente construtiva”.

No dia 28 de abril, o líder do Exército Nacional da Líbia (que contesta a legalidade do governo em Trípoli) declarou que possui “mandato popular” e afirmou que é o “legítimo governante” da Líbia.

As declarações de Haftar ocorreram depois de uma série de vitórias que o Governo do Acordo Nacional obteve sobre as forças rebeldes. Após rejeitar o cessar-fogo durante o Ramadã, o governo obteve sucesso ao retomar quase todas as grandes cidades sob controle dos insurgentes, e diminuindo significativamente o território sob controle dos mesmos.

Em seguida a esta declaração, o começo do mês de maio assistiu a uma nova escalada do conflito no país. Séries de ataques iniciados por ambas as partes vitimaram uma grande quantidade de civis ao longo do mês, incluindo uma série de bombardeios sob Trípoli, visando a retomada do aeroporto de Mitiga e outras regiões da capital.

Este novo momento na crise política aumenta também a presença de forças militares na Líbia, à medida que cada mais vez mais governos estrangeiros demonstram seus interesses em se envolver nas questões internas do país.

O governo da Turquia vem ampliando seu envolvimento no conflito líbio. Após a aprovação de uma missão militar pela Grande Assembleia Nacional da Turquia, 2.000 soldados turcos desembarcaram no país vizinho para apoiar o governo em Trípoli. Após a recente declaração de Haftar, representantes turcos alegaram que qualquer ação dos opositores líbios pode esperar “respostas militares da Turquia”.

Funcionários da Organização das Nações Unidas distribuem comida para refugiados em decorrência dos ataques ocorridos durante o Ramadã – Página oficial do Alto Comissariado das Nações Unidas para a Líbia no Twitter – @UNHCRLibya

A Arábia Saudita, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, por outro lado, têm mantido seu apoio às forças leais ao general Haftar. O confronto ocorrido aumenta a tensão entre os vizinhos. Hamdi Aksoy, porta-voz do Ministro das Relações Exteriores da Turquia, chegou a conclamar os Emirados a abandonar sua “política destrutiva” para a região, alegando também que os países do Golfo possuem presença no Sudão para recrutar rebeldes para lutar na Líbia.

A Rússia, apesar de ser um dos principais aliados do governo turco, possui uma proximidade e não esconde seu apoio ao Exército Nacional da Líbia. Recentemente, funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos declararam que a Rússia vem aprofundando o conflito na região com seu apoio a Haftar. Chris Robson, um oficial do governo estadunidense afirmou que a ação russa “levou a uma escalada significativa do conflito e a uma piora da situação humanitária na Líbia”.

Um relatório recente produzido por consultores independentes das Nações Unidas informou que pelo menos 1.200 soldados do Grupo Wagner, uma empresa militar privada de origem russa, operam no país. Há indícios de que o grupo levou especialistas e armamento para o terreno, também que estes militares tenham tomado parte em ações para desestabilizar o governo de Trípoli.

Os desdobramentos do conflito líbio incluem medidas que atingem duramente a população. Hassan al-Gaddafi (sem relações com a família do falecido líder líbio), prefeito da cidade Al-Chwerf e um aliado do general Haftar, se aproveitou do controle sobre um canal artificial de abastecimento para manter alguns bairros de Trípoli sem água por cerca de duas semanas em abril.

O Ministro do Interior da Líbia, Fathi Bashagha, afirmou à imprensa que os soldados do grupo Wagner conduziram ataques com armamento químico contra forças do Governo do Acordo Nacional na região Salah al-Din, ao sul de Trípoli.

Ainda que o conflito na Líbia não tenha parecido próximo de uma solução desde a queda de Muammar Gaddafi e o começo do conflito interno, em 2011, o recente momento aponta para um aumento da complexidade e da projeção de interesses na região.

Entre janeiro e março de 2020, a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia registrou pelo menos 64 mortes de civis, um aumento de 113% com relação ao primeiro trimestre de 2019.

Há o temor por parte de países no Norte da África, no Oriente Médio e de outros, como os Estados Unidos, de que países como a Rússia e a Turquia passem a aumentar sua presença na Líbia visando obter uma plataforma para projeção de poder no Mediterrâneo e na região.

Sem uma solução para a unidade na Líbia, e com o espaço aberto para o envolvimento internacional, a complexidade do conflito tende a aumentar. Com o envolvimento de forças militares privadas e outros grupos, a tendência é que os confrontos se tornem mais acirrados.

A transformação da maneira como se vem conduzindo o combate na Líbia deve resultar em mais desabrigados, mais mortes e tornar ainda mais complexo o trabalho humanitário conduzido no terreno, abrindo um capítulo mais complexo na história da crise no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mãe e criança recebem ajuda humanitária, após serem impedidas de deixar a cidade de Bengasi por conta do conflitoAgência de Notícias das Nações Unidas” (Fonte): https://news.un.org/ar/story/2020/05/1054802

Imagem 2 Funcionários da Organização das Nações Unidas distribuem comida para refugiados em decorrência dos ataques ocorridos durante o RamadãPágina oficial do Alto Comissariado das Nações Unidas para a Líbia no Twitter@UNHCRLibya” (Fonte): https://twitter.com/UNHCRLibya/status/1256979875585495041/photo/1

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Escalada da tensão entre palestinos e israelenses em meio a pandemia

O aumento de casos de coronavírus vem apresentando uma série de desafios para governos ao redor do mundo, a situação não é diferente no Oriente Médio e se soma a questões já existentes, como os históricos problemas entre israelenses e palestinos.

Tanto Israel quanto a Palestina vêm enfrentando dificuldades em implementar planos eficazes de combate à pandemia causada pela Covid-19. A presente situação preocupa os governantes das duas partes e, apesar deste cenário adverso apresentar o risco de crises mais profundas e novos problemas, alguns analistas enxergam oportunidade para cooperação.

No caso palestino, a separação física do território controlado resulta em fator complicador. A população vem reagindo de maneira distinta: enquanto em Gaza medidas de isolamento social são cumpridas, a população na Cisjordânia tem resistido ao cumprimento de medidas mais rigorosas.

Como consequência desta situação, a Palestina registra, hoje, 342 casos confirmados de Coronavírus (sendo 325 destes na Cisjordânia e somente 17 na Faixa de Gaza) e as únicas duas mortes confirmadas até o presente momento no país também ocorreram na Cisjordânia.

O governo israelense tomou uma série de medidas rigorosas ao princípio das contaminações no país. Hoje, com mais de 15.400 contaminados e 202 mortes por Covid-19, encontra dificuldade em manter as medidas restritivas e de isolamento social.

A exemplo de outros locais ao redor do globo, o reduzido número de mortes e a diminuição na velocidade dos contágios levou a um amplo debate social, acrescido da descrença por parte de alguns setores quanto à magnitude do impacto da doença e à necessidade de medidas tão rigorosas.

Uma parcela dos opositores das medidas afirma que o impacto econômico gerado pelas restrições de mobilidade não se justifica frente ao presente cenário. Também existe entre uma parcela da população e dos membros do Knesset a desconfiança quanto aos motivos que levam o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a sustentar uma quarentena rigorosa. Muitos acreditam que isto o ajudou tanto a impor a formação de um governo de coalizão, quanto a atrasar investigações de corrupção contra si.

A população tem expressado descontentamento com medidas tomadas pelo governo, tais como a exclusão de comunidades judaicas ultra ortodoxas, que levou a um alto grau de infecção entre esta parcela da população, e o uso do rastreamento digital para controlar a adesão à quarentena e pacientes infectados pelo coronavírus. Em março, o gabinete de Netanyahu havia aprovado uma diretriz que permitia ao Shin Bet – Serviço de Segurança Geral – rastrear dados telefônicos para monitorar pessoas infectadas pelo coronavírus, em decisão do dia 26 de abril, a Corte Suprema de Israel determinou a suspensão destas ações até haver legislação sobre o uso interno desta tecnologia tradicionalmente aplicada em ações de contraterrorismo.

Em meio a este cenário já complexo, outros problemas se apresentam para a cooperação na região. Após mais de um ano e meio de instabilidade política, o Knesset, Parlamento israelense, e grupos políticos no país estão próximos de encontrar um acordo. No dia 20 de abril, os líderes do Likud, Benjamin Netanyahu, e da aliança Azul e Branco (Kahol Lavan), Benjamin Gantz, chegaram a um acerto para a formação de um novo governo. Dentre as agendas políticas que as lideranças consideraram de comum acordo está a ampliação e sistematização dos assentamentos na Cisjordânia.

Este entendimento, que pode produzir um avanço nas políticas para anexação de certas regiões reclamadas por palestinos, criou uma tensão ainda maior entre as partes. Em declaração, a Autoridade Palestina afirmou que pode sair de acordos bilaterais já existentes se o avanço da anexação se concretizar, afirmando que “a aceleração da expansão dos assentamentos, associada ao avanço devastador da Covid-19, pode incendiar a situação e destruir qualquer esperança para a paz”.

Nickolay Mandlenov, Coordenador Especial para os Processos de Paz do Oriente Médio das Nações Unidas, declarou em conferência ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que o “reconhecimento da interdependência pode – se houver vontade política, traduzir-se em processo tangível para a resolução do conflito”.  Entretanto, a declaração não reflete em totalidade as ações políticas concretas na região.

Trabalhadores da área de saúde entregam suplementos médicos em território palestino

Autoridades palestinas, entretanto, têm se queixado do endurecimento de políticas de segurança de Israel durante o período. Dentre os relatos estão ataques de forças israelenses a centros de saúde e postos de distribuição de mantimentos em território palestino.

O Ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, suspendeu testes na Faixa de Gaza para pressionar os palestinos a devolver prisioneiros israelenses e cooperar em outros aspectos. Em discurso ao Conselho de Segurança, o representante da Autoridade Palestina frente às Nações Unidas, Riyad Mansour, acusou as Forças de Defesa Israelenses de desbaratar esforços para o combate à pandemia em território palestino. As políticas de segurança israelenses também vêm, segundo afirmações de autoridades palestinas e organismos internacionais, atrasando a chegada de suprimentos básicos e equipamentos médicos aos organismos de saúde palestinos.

No dia 7 de abril, uma série de agências internacionais (como a Oxfam e a Human Rights Watch) assinaram um memorando conclamando que Israel deve “assumir suas responsabilidades em apoiar o sistema de saúde palestino, tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia”.

Aproveitando a escalada da tensão e a necessidade de apoio logístico, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, entrou em contato com o chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, para anunciar o envio de equipamentos e suplementos médicos para a Palestina. O governo turco busca criar mais identidade com povos árabes da região. Segundo Haniyeh, Erdogan afirmou que turcos e palestinos “são o mesmo povo e compartilham das mesmas causas”. 

Ao mesmo tempo que representa a oportunidade de reconhecimento da interdependência e da criação de mecanismos de cooperação na região, a crise provocada pela pandemia pode apresentar uma oportunidade de reaproximação e mudança política. Dada a realidade dos dois países, é notório que a falta de uma solução integrada da pandemia pode prejudicar ambos os lados, pelos riscos de contágio e impactos.

Também para Israel, a falta de sensibilidade à crise enfrentada pelos palestinos pode aumentar a influência de atores regionais que não estão alinhados a seus interesses diretos e podem, ao ganhar simpatia dentro de autoridades políticas e da população palestinas, encontrar representantes

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Médicos prestam condolências a cidadão palestino falecido em consequência da Covid19 no Hospital Hugo Chávez, em Ramallah, Palestina” (FontePágina oficial do PrimeiroMinistro da Autoridade Palestina no Twitter, Dr. Mohammad Shtayyeh@DrShtayyeh): https://twitter.com/DrShtayyeh/status/1248642219206205440

Imagem 2Trabalhadores da área de saúde entregam suplementos médicos em território palestino” (FontePágina Oficial da Missão do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas na Palestina no Twitter@ochaopt): https://twitter.com/ochaopt/status/1252888404519522304/photo/1