AMÉRICA LATINAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China ganha novos parceiros diplomáticos na América Latina

A América Latina foi área de forte influência dos Estados Unidos por muito tempo. Desde o século XIX, os norte-americanos exerceram forte presença na região, por meio da cultura, do comércio e de investimentos. No século XXI, contudo, a China desponta como ator relevante no subcontinente. O fluxo de capitais chineses para países latino-americanos aumentou significativamente nos últimos 10 anos. Além disso, os laços comerciais também foram aprofundados. Isso implicou o crescente interesse dos países da região em aproximar-se dos chineses. A maior aceitação da política de uma só China* é sinal dessa aproximação.

A política da China única significa a afirmação de que Taiwan é parte inseparável do território chinês. O governo estabelece, no preâmbulo de sua Constituição, que “Taiwan é parte inseparável da República Popular da China. É sublime dever de todo o povo chinês, incluindo nossos compatriotas de Taiwan, lograr a grande tarefa de reunificar a pátria-mãe”. Essa posição implica que, para manter relações com a China, não é possível ter relações com Taiwan.

Na América Central, os taiwaneses encontram muitos de seus aliados. Atualmente, 10 dos 19 países que mantêm relações com a ilha estão na América Latina e no Caribe. Isso ocorre, em parte, devido à histórica presença dos Estados Unidos na região e desconfianças em relação aos chineses. Esse cenário, contudo, está mudando. O crescente interesse chinês na América Latina e a disposição dos asiáticos de financiar grandes projetos de infraestrutura estão aproximando os Estados da região do país oriental.

Nesse contexto, a força diplomática de Taiwan, já restrita, é cada vez mais reduzida. Em 2007, a Costa Rica rompeu relações com a ilha e as estabeleceu com a China. Em 2017, o Panamá fez o mesmo. No dia 1o de maio de 2018, a lista aumentou, por meio do anúncio da República Dominicana de que só existe uma China no mundo e que Taiwan é parte inalienável do território chinês. Esse último movimento refletiu o progressivo aumento do comércio de Pequim com os dominicanos, que chegou a U$ 2 bilhões anuais, o que faz do país o segundo maior parceiro comercial dos chineses na América Central.

Veículos multifunção de alta mobilidade

O governo de Taiwan reagiu por meio de críticas a Pequim. Observando os interesses crescentes dos chineses pela República Dominicana desde 2016, o governo insular assinou memorando de entendimentos sobre cooperação e doou 50 veículos automóveis multifunção de alta mobilidade**. Mesmo assim, isso não foi suficiente para evitar o rompimento das relações diplomáticas.

Um oficial taiwanês afirmou que “a República Dominicana escolheu uma forma altamente insensível de acabar com nossa amizade de 77 anos, dando-nos um aviso apenas uma hora antes, como fez o Panamá”. Além disso, Taiwan acusa a China de usar a diplomacia do dólar*** para aproximar-se de países centro-americanos. Essa acusação tem por base o pacote de acordos de investimento de U$ 3,1 bilhões que os chineses prometeram aos dominicanos.

Os rompimentos com Taiwan são exemplos da força crescente da China na América Latina. Os países da região percebem que a amizade dos chineses pode ser importante para o desenvolvimento, em especial na atual conjuntura, em que os Estados Unidos buscam priorizar a política doméstica e reduzem auxílios financeiros ao exterior. O crescente êxito chinês no subcontinente também contribui para isolar Taiwan, que vê sua posição cada vez mais comprometida na arena geopolítica global. 

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Notas:

* A política de uma só China surgiu após a Revolução Chinesa, movimento que instaurou o regime comunista no país. O Kuomintang, partido capitalista, foi para o exílio na ilha de Taiwan e declarou a independência do país. Essa declaração nunca foi aceita pelo Governo chinês.

** Veículos utilitários militares de boa resistência e tempo de uso elevado.

*** Estratégia de aproximar-se de um país por meio de empréstimos, comércio e investimentos. O termo é usado pejorativamente para comparar a ação chinesa à atuação do presidente norte-americano William Taft, no começo do século XX. Ele buscou aliados na América Latina por meio de empréstimos. O termo não é muito agradável para governos latino-americanos, já que remete a um período de forte presença estrangeira em que a soberania local ficou relativamente limitada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Propaganda enfatizando a política de uma só China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/One-China_policy

Imagem 2 Veículos multifunção de alta mobilidade” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/HMMWV

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://en.wikipedia.org/wiki/One-China_policy

[2] Ver:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/01/internacional/1525154024_187618.html

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/05/the-dominican-republic-abandons-taipei-for-beijing/

[4] Ver:

http://www.taipeitimes.com/News/taiwan/archives/2018/05/02/2003692363

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Diálogo econômico impulsiona relações entre China e Japão

A China e o Japão são atores geopolíticos fundamentais no continente asiático. O histórico do relacionamento bilateral é complexo, devido a guerras, à ocupação japonesa de parte do território chinês* e a desconfianças. As tensões entre as duas potências regionais continuam no século XXI, em especial no Mar do Leste da China. A relação, contudo, parece dar mostras de amadurecimento, com movimento de reaproximação, motivada por convergências em relação a temas econômicos.

Em abril de 2018, após 8 anos de pausa, foi restabelecido o diálogo econômico de alto nível** entre as duas nações. O Conselheiro de Estado e Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, visitou Tóquio nesse mesmo mês, planejando encontros entre altas autoridades dos dois países que podem culminar em visitas recíprocas entre o líder chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. O Premiê japonês está interessado em aproximar-se da China no contexto de preocupações compartilhadas sobre o perigo de uma guerra comercial.

Ilhas Senkaku

O Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs, em março de 2018, tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio, alegando questões de segurança nacional. Segundo muitos analistas, as medidas têm objetivo principal de afetar a China, que tem extenso superávit com os EUA. Para não prejudicar as relações com tradicionais aliados norte-americanos, o Presidente criou uma lista de isenções. Entre as ausências nessa lista, destaca-se o Japão. O país asiático foi desconsiderado e, em abril de 2018, a isenção foi negada, por causa do significativo déficit comercial dos EUA com o Japão. O presidente Trump admitiu mudar de ideia apenas se houver acordo bilateral com a nação asiática.

Por estarem submetidos à mesma tarifa e temerem os efeitos de uma guerra comercial, japoneses e chineses aproximaram-se. O Ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, afirmou que “os países compartilham a percepção de que provocar guerras comerciais terá um efeito imenso na prosperidade da economia global”. Ambas as nações são contrárias ao protecionismo e defendem o multilateralismo como o caminho mais adequado para a discussão dos temas comerciais.

Apesar disso, há divergências pontuais no comércio. Os japoneses manifestam preocupação em relação ao histórico chinês sobre propriedade intelectual***, bem como sobre a falta de transparência. Essas observações, contudo, não impedem o desenvolvimento de maior intercâmbio comercial, tanto que o Japão, a China e a Coreia do Sul negociam um acordo de livre-comércio e, em março de 2018, houve a 13a rodada de negociações, em Seul. Nessa ocasião, as partes discutiram temas como comércio de bens, serviços e investimentos. A evolução das tratativas é positiva e pode impulsionar ainda mais as relações entre China e Japão.

O maior obstáculo à evolução para um relacionamento ainda mais profícuo refere-se às tensões no Mar do Leste da China. Os dois países disputam as ilhas Senkaku (ou Diayou, segundo os chineses) desde a década de 1970. A China argumenta que as ilhas faziam parte da soberania chinesa até a ocupação pelo império japonês desde 1895. Essa área pode ter reservas de petróleo e tem localização estratégica, o que motiva as tensões. Uma solução definitiva ainda não foi encontrada.

A retomada do diálogo no campo econômico é relevante para o degelo das relações bilaterais. Embora ainda permaneçam controvérsias significativas em relação a muitos temas das relações internacionais, incluindo uma disputa territorial, a aproximação econômica é positiva para o fortalecimento dos contatos em alto nível. Se houver um efeito spill-over****, os dois países poderão contribuir para estabilizar a área e evitar conflito bélico, resolvendo suas controvérsias de forma pacífica e madura.

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Notas:

* A Manchúria, por exemplo, foi ocupada pelos japoneses entre 1931 e 1945, quando os soviéticos conseguiram controle da região e a devolveram à soberania chinesa.

** Reunião de altas autoridades dos dois países para discutir assuntos econômicos do relacionamento bilateral.

*** A China é acusada de ter normas pouco restritivas em relação à apropriação indevida de propriedade intelectual.

**** Efeito segundo o qual a cooperação em um tema transborda para outros temas. No caso em questão, a aproximação econômica poderia levar a um melhor entendimento político entre os países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Shinzo Abe e Xi Jinping em novembro de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–Japan_relations

Imagem 2 Ilhas Senkaku” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Disputa_pelas_Ilhas_Senkaku

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Demais Fontes Consultadas: 

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/04/china-japan-reset-continues-with-high-level-economic-talks/

[2] Ver:

https://en.wikipedia.org/wiki/Trump_tariffs#Steel_and_aluminum

[3] Ver:

https://www.independent.co.uk/news/world/americas/us-politics/trump-shinzo-abe-us-tariff-japan-exemption-talks-mar-a-lago-florida-a8311996.html  

[4] Ver:

https://www.nytimes.com/2018/03/22/us/politics/trump-will-hit-china-with-trade-measures-as-white-house-exempts-allies-from-tariffs.html

[5] Ver:

http://www.mofa.go.jp/press/release/press4e_001968.html

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-pacific-11341139

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSegurança Internacional

Lançador aéreo de mísseis nucleares em desenvolvimento na China

A China busca aumentar sua segurança por meio do desenvolvimento de sistemas de defesa modernos capazes de conter ataques de potências ocidentais. Em contexto de crescentes tensões geopolíticas na Ásia entre os chineses e aliados dos Estados Unidos, a necessidade de aprimorar o sistema de defesa é aguda. Segundo o relatório norte-americano sobre o poder militar chinês no ano de 2017, a Força Aérea da China já é a terceira maior do mundo, continua a modernizar-se e está aproximando-se das forças aéreas ocidentais em um amplo espectro de capacidades.

Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra

Nesse sentido, o desenvolvimento de um sistema chinês de mísseis balísticos aéreos capazes de transportar ogivas nucleares não é uma surpresa. Segundo o periódico The Diplomat, o míssil CH-AS-X-13*, com alcance de 3.000 km, já foi testado em cinco ocasiões: a primeira em dezembro de 2016 e a última em janeiro de 2018. A comunidade de inteligência norte-americana acredita que o novo míssil estará pronto para ser utilizado até 2025.

Mísseis balísticos não costumam ser lançados do ar. Normalmente, os projetos dos Estados Unidos e da União Soviética**, em tempos de Guerra Fria***, estavam pautados no desenvolvimento de mísseis terrestres e submarinos. Há, contudo, vantagens de realizar o lançamento aéreo, já que, segundo especialistas em defesa, os mísseis são mais difíceis de serem interceptados. Isso garante maior capacidade de reação em eventual conflito nuclear com uma potência estrangeira.

O movimento chinês em direção à defesa nuclear aérea ocorre no momento em que a Rússia anunciou oficialmente estar produzindo mísseis aéreos capazes de transportar ogivas nucleares. O míssil Kinzhal, anunciado no começo de março de 2018, foi testado com sucesso no final daquele mês.

O Departamento de Estado dos EUA respondeu afirmando que aquele “não era um comportamento aceitável de um ator internacional responsável”. Apesar dessa resposta, os norte-americanos também entraram na nova corrida armamentista nuclear****. O presidente Donald Trump, no discurso do Estado da União, em fevereiro de 2018, anunciou que o país deveria “modernizar e reconstruir seu arsenal nuclear”.

A corrida nuclear contrapõe-se à iniciativa do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, adotado em setembro de 2017, que busca proibir a utilização ou ameaça de uso de armas nucleares, bem como torna esse tipo de armamento contrário ao direito internacional.  A China, os EUA e a Rússia não são partes do Tratado.

O projeto chinês de mísseis aéreos tem propósito dissuasório e defensivo. A estratégia do país asiático consiste em evitar ser alvo de ações atômicas, bem como de conseguir realizar resposta rápida a ataques. Por enquanto, a falta de uma data específica de conclusão do sistema e a ausência de declarações oficiais mais substantivas da liderança chinesa permitem afirmar que o programa pode ser experimental, mas também uma amostra do poder tecnológico da China.

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Notas:

Nome atribuído pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

** País que durou até 1991 e compreende o território da Rússia e de outras nações europeias e asiáticas.

*** Conflito entre Estados Unidos e União Soviética durante 1947 e 1991, caracterizado pela disputa de áreas de influência e pela oposição ideológica entre capitalismo e comunismo.

**** Aumento da produção e do desenvolvimento de armas nucleares, similar ao ocorrido nos tempos de Guerra Fria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Réplica da primeira bomba nuclear chinesa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China_and_weapons_of_mass_destruction

Imagem 2 Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_on_the_Prohibition_of_Nuclear_Weapons

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.defense.gov/Portals/1/Documents/pubs/2017_China_Military_Power_Report.PDF

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/04/revealed-chinas-nuclear-capable-air-launched-ballistic-missile/

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-43362213

[4] Ver:

https://www.nytimes.com/2018/02/04/us/politics/trump-nuclear-russia.html

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os desafios e as oportunidades do Corredor econômico China-Paquistão

O corredor econômico que liga a China ao Paquistão é parte fundamental da iniciativa da Nova Rota da Seda*. O acordo entre as duas nações asiáticas, que envolve $62 bilhões e visa a estabelecer um corredor de transportes, fortalece o relacionamento bilateral e possibilita o acesso chinês ao mar arábico. As iniciativas para a integração, contudo, não são novas. Desde os anos 1950, os dois países buscam maior conectividade física, o que é comprovado pela construção da rodovia Karakorum. A partir de 2002, entretanto, há aumento de cooperação e de investimentos chineses no país vizinho, como demonstra o projeto do porto de Gwadar.

Apesar dos benefícios para as duas nações, que ganham mais competitividade ao melhorarem a ligação física, há questões étnicas preocupantes em áreas do corredor econômico. Os uigures, uma das minorias étnicas da China, vivem principalmente na província de Xinjiang** e também estão em regiões paquistanesas. Recentemente, 50 mulheres uigures casadas com paquistaneses foram presas em Xinjiang, por possíveis vínculos com extremistas. A Assembleia Legislativa de Gilgit Baltistão***, território autônomo paquistanês, solicitou ao governo central do país que peça à China a liberação dessas mulheres. A situação está tensa, já que a comunidade local ameaçou fechar as fronteiras entre os dois países, no fim de março de 2018.

O aumento da insatisfação de alguns paquistaneses, portanto, constitui desafio importante para o fortalecimento do corredor econômico, já que os problemas étnicos ocorrem na área de limites entre os países. Além disso, a população ameaçou fazer boicote às atividades comerciais na região fronteiriça. As pressões, contudo, não motivaram o Governo do Paquistão a tomar medidas mais enérgicas. O país, assim como a China, defende o princípio da não intervenção nos assuntos internos de outras nações. 

Porto de Gwadar

Se há desafios, também há oportunidades. Segundo o presidente Xi Jinping, “Nós deveríamos usar o Corredor Econômico China-Paquistão para guiar nossa cooperação prática com foco no Porto de Gwadar, energia, desenvolvimento de infraestrutura e cooperação industrial, para que os frutos de seu desenvolvimento alcancem todo o povo no Paquistão e em outros países na nossa região”. O porto de Gwadar permite acesso dos chineses a mercados globais, o que facilita os planos de Pequim para ampliar sua influência global. Os vários projetos que envolvem aumento da produção de energia também reduzem a dependência paquistanesa da importação de petróleo e gás do Oriente Médio.

Gwadar é chave no projeto do corredor. Para muitos analistas, o porto é um monumento da amizade sino-paquistanesa. É o terceiro maior do Paquistão e, quando completo, será um porto de águas profundas. Há, também, planos para uma refinaria de petróleo em áreas próximas. Os dois países consideram o investimento no projeto como uma situação favorável a ambos.  A China ganhará projeção para o Oeste, e o Paquistão receberá um equipamento moderno.

O corredor econômico é projeto ambicioso que aumenta a influência chinesa no Paquistão e fortalece o relacionamento bilateral. Ainda que haja desafios, a tendência é que o investimento gere emprego, renda e melhore a situação econômica paquistanesa. A China, por sua vez, consegue uma base sólida para ampliar sua presença na Ásia e aproximar-se de concretizar a nova rota da seda.

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Notas:

* Projeto chinês, anunciado pelo presidente Xi Jinping, em 2013, que busca conectar o país a outras áreas da Eurásia por meio de obras de infraestrutura, em parte recriando a antiga rota da seda utilizada por mercadores na Idade Média. Tem um componente marítimo e outro terrestre.

** Província chinesa de maioria islâmica, situada na fronteira com o Paquistão. Local onde há sentimento separatista e o governo chinês identifica ameaças terroristas.

*** Área fronteiriça da qual os maridos das mulheres detidas se originam.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Estrada Karakoram, que liga China ao Paquistão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–Pakistan_Economic_Corridor

Imagem 2Porto de Gwadar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Gwadar_Port

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.wilsoncenter.org/blog-post/the-china-pakistan-economic-corridor-and-energy-geopolitics-asia

[2] Ver:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Uigures

[3] Ver:

https://en.wikipedia.org/wiki/China–Pakistan_Economic_Corridor

[4] Ver:

http://southasiajournal.net/gb-residents-threaten-to-shut-pak-china-border/

[5] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-pakistan-economic-corridor-the-uyghur-challenge-and-the-chinese-security-model/

[6] Ver:

http://cpec.gov.pk/messages/2

[7] Ver:

https://amti.csis.org/gwadar-port-naval-base-string-pearls/

Sem categoria

China amplia cooperação militar com o Camboja

Uma das diretrizes da política externa chinesa consiste na busca de aliados na região da Ásia-Pacífico. Essa orientação é ainda mais acentuada face às recentes tensões no Mar do Sul da China. Nesse contexto, não é surpreendente o fortalecimento dos vínculos militares entre a China e o Camboja, no ano em que o relacionamento bilateral completa 60 anos. 

Os laços de defesa entre os dois países são bastante antigos, sendo a China o maior doador de ajuda militar ao Camboja. Segundo Carlyle Thayer, especialista em Sudeste Asiático na Academia de Força de Defesa da Austrália, a posição privilegiada dos chineses na cooperação militar deriva principalmente da falta de condicionalidade de apoio militar a progressos em relação ao status de direitos humanos no país. Apesar do caráter histórico dos vínculos em Defesa, a cooperação cresceu mais significativamente no último ano (2017).

A maior presença chinesa contrasta com a redução de iniciativas conjuntas entre os cambojanos e os Estados Unidos. Em janeiro de 2017, autoridades do Camboja recusaram-se a participar do exercício militar Angkor Sentinel*, alegando que estariam impossibilitadas por causa das eleições locais, realizadas em junho passado, e da campanha contra os crimes ligados ao tráfico ilegal de drogas. Jay Raman, então representante da embaixada dos EUA no Camboja, garantiu que apesar de não haver exercícios conjuntos a serem realizados em 2017 e em 2018, isso não afetaria o relacionamento bilateral. Em 27 de fevereiro de 2018, contudo, a Casa Branca anunciou que haveria o corte de ajuda ao Camboja, inclusive no âmbito de cooperação de Defesa.

Operação Golden Dragon 2016

No dia 17 de março de 2018, algumas semanas após o anúncio de Washington, foi lançada a operação Golden Dragon 2018, em que 280 soldados cambojanos e 216 soldados chineses realizam atividades conjuntas, como lançamento de mísseis, tiros de helicóptero e até mesmo reparo de estradas. O exercício está centrado em contraterrorismo, cooperação humanitária e assistência durante desastres. A operação durará até o dia 30 de março, sendo mais longa do que a versão de 2016. Em um espaço de tempo curto, portanto, houve duas grandes iniciativas de cooperação militar com Pequim, enquanto o relacionamento com Washington tornou-se mais complexo.

Para o Camboja, as relações com os chineses são benéficas por melhorarem sua posição militar em relação a outros países do Sudeste Asiático, além de garantirem apoio no caso de conflito com algum vizinho. Para a China, a cooperação com o Camboja garante um aliado forte e bem treinado, com acesso ao mar meridional, palco de tensões territoriais com vizinhos e área de interesse para os Estados Unidos. 

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Nota:

* O Exercício Militar Angkor Sentinel constitui-se do exercício conjunto entre EUA e Camboja, realizado anualmente desde 2010, com o objetivo de fortalecer as capacidades dos dois países de assistência humanitária e alívio para desastres, além de fortalecer a cooperação militar. No último exercício, em março de 2016, participaram cerca de 150 militares.

Dados do departamento de defesa dos EUA: https://www.defense.gov/News/Article/Article/695255/us-cambodian-forces-partner-for-exercise-angkor-sentinel-2016/

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Retratos do Presidente Xi Jinping e do Rei Norodom Sihamoni” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cambodia–China_relations

Imagem 2Operação Golden Dragon 2016” (Fonte):

 http://english.chinamil.com.cn/view/2016-12/27/content_7426135_28.htm

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-cambodia-defense-ties-in-the-spotlight-with-military-drills/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/the-truth-about-us-china-competition-in-cambodia/

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2017/04/why-did-cambodia-just-downgrade-us-military-ties-again/

[4] Ver:

https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-press-secretary-reduction-assistance-government-cambodia/

[5] Ver:

https://www.voanews.com/a/cambodia-china-joint-military-drills-us-relations-cool/4302875.html

[6] Ver:

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/201701167441114-camboja-eua-relacoes/

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Porta-aviões americano pode elevar tensões no Mar do Sul da China

O Mar do Sul da China é uma das áreas mais relevantes para a política externa chinesa. Essa região é considerada pelo governo do país como estratégica, pois há nela potencial fonte de hidrocarbonetos, como petróleo e gás, além de ser rota de passagem para as exportações da China.

O ancoramento do porta-aviões USS Carl Vinson no porto vietnamita de Danang há duas  semanas, portanto, é percebido com cautela pelas autoridades chinesas. O Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou que a visita era “uma enorme perturbação para a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”. Esse posicionamento decorre da suspeita causada pelo aumento da presença estadunidense na área, já que pode estimular posturas mais assertivas dos países do Sudeste Asiático que têm disputas marítimas com a China. 

Ilhas Spratly e Paracel

Os vietnamitas, assim como os chineses, fundam seus pleitos de soberania no direito histórico de ocupação dos territórios. Ambos os Estados reivindicam direitos sobre os arquipélagos Spratly e Paracel. Em novembro de 2017, após reunião entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o Secretário-Geral vietnamita, Nguyen Phu Trong, houve concordância entre os líderes para buscar uma solução pacífica para o conflito, inclusive por meio de um código de conduta no mar. Atualmente, há negociações desse código entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)*.

A aproximação do Vietnã aos Estados Unidos, contudo, pode significar uma retomada de tensões na região. A presença de porta-aviões de uma potência global externa ao Sudeste Asiático é contrária ao interesse chinês e pode causar escalada militarista na área. A Marinha do país americano, por meio do Chefe do Comando do Pacífico, reconhece que a China já está expandindo sua presença militar no mar meridional, mas os observadores estão convergindo em apontar que o ato de ancorar um porta-aviões americano em território vietnamita pode dificultar as negociações entre a China e a ASEAN e impulsionar ainda mais o aumento do militarismo chinês nessa área marítima.

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Nota:

* Organização internacional fundada com o objetivo de garantir a cooperação no Sudeste Asiático, da qual o Vietnam é um dos membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PortaAviões USS Carl Vinson” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/USS_Carl_Vinson_(CVN-70)

Imagem 2Ilhas Spratly e Paracel” (Fonte):

http://vietnamveterannews.com/wp-content/uploads/2016/01/519.jpg

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018021610540089-marinha-eua-mar-sul-china-bases/

[2] Ver:

https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN1DC0UR-OBRWD

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-dismissive-of-us-carrier-visit-to-vietnam/

4] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/05/130518_conflito_mar_sul_china_marina_rw