AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China protesta contra a inclusão das Ilhas Diaoyu/Senkaku no Tratado de Cooperação Mútua e Segurança EUA-Japão

A visita de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), a quatro países asiáticos, Japão, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas, entre 23 e 29 de abril foi acompanhada com muita atenção na China, pois Pequim sempre entendeu que a política de Obama de Pivô para a ÁsiaouReenquilíbrio para a Ásiavisa conter a sua ascensão e estabelecer aliança econômica com outros países do Pacífico através da Parceria Transpacífica (TPP, em inglês).

Mas o que mais preocupa os chineses é o posicionamento dos EUA sobre o país que realmente é legítimo dono das Ilhas Diaoyu/Senkaku. Antes da ida de Obama à Ásia,o Governo americano publicamente afirmava que não participava da disputa, isto é, era neutro, apesar de algumas vezes certas autoridades de primeiro escalão do Governo terem dito que as Ilhas em disputa estavam abrangidas pelo Tratado de Segurança Bilateral, como foi o caso do secretário de defesa Chuck Hagel, que fez tal declaração em maio de 2013[1].

Para a China, a ambiguidadenorte-americana ficou desfeita com a afirmação de Obama, por duas ocasiões, numa entrevista a um jornal japonês[2] e no comunicado conjunto com o primeiro-ministro Shinzo Abe[3], que o Tratado de Cooperação Mútua e Segurança EUA-Japão (TCMS EUA-Japão), de 1960, incluía as Ilhas Diaoyu/Senkaku.     

Reagindo às declarações de Obama ao jornal The Yomiuri Shimbun na edição de 23 de abril de 2014 de que as Ilhas Senkaku estão abrangidas pelo Artigo 5 do “TCMS EUA-Japão” (que estipula as obrigações dos EUA perante o Japão, que se aplicam aos territórios sob administração japonesa) e que Washington se opunha “à qualquer tentativa unilateral para minar a administração das Ilhas pelo Japão”[2], Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que o seu país recusava fortemente a associação daquelas Ilhas à “Aliança Americano-Japonesa”[4].

Qin ainda acrescentou que “os EUA deviam respeitar os fatos [de que as Ilhas são historicamente chinesas] e terem uma atitude responsável, serem discretos nas palavras e atos e jogarem um papel construtivo na paz regional”[4].       

Ao reafirmar no comunicado conjunto com Abe no dia 25 de abril de 2014 o cometimento de apoio ao Japão em caso de invasão das Ilhas Diaoyu/Senkaku, Obama não só enfureceu o Governo chinês como também os analistas e internautas chineses. Para as autoridades chinesas, este posicionamento americano-japonês guia-se por “uma mentalidade da ‘Guerra Fria’[5]. Devem “respeitar os interesses e preocupações dos outros países da região e abster-se de novos distúrbios à paz e à estabilidade regional[5]. O Governo chinês ainda expressou a sua insatisfação através da apresentação dos seus protestos junto dos embaixadores do Japão e dos EUA na China[5].

Por sua vez, os analistas locais dizem que os EUA não podem mudar a posse das Ilhas Diaoyu[6], outros dizem que Washington quer fazer de Tóquio força para conter a China[7]. Ainda se fala que este cometimento de Obama pretende anular as pretensões de Pequim em ser uma potência naval, em particular no Pacífico Ocidental[7].   

A mídia chinesa diz que os internautas chineses, cujo ativismo na política doméstica e externa vem crescendo, estão indignados com o comunicado conjunto EUA-Japão. Além de defender as Ilhas em disputa que são desde os tempos remotos chinesas, muitos cibernautas apelam ao Governo chinês para resolutamente defender o seu território e seus interesses marítimos. Ainda condenam os EUA de minar a estabilidade da região e de se imiscuir nos assuntos internos da China[8]

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Imagem (Fonte):

http://www.scmp.com/news/asia/article/1494942/obama-says-disputed-islands-within-scope-us-japan-security-treaty

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ibtimes.com/us-takes-japans-side-disputed-territory-east-china-sea-saying-senkaku-islands-fall-under-security

[2] Ver:

http://the-japan-news.com/news/article/0001227627

[3] Ver:

http://www.mofa.go.jp/na/na1/us/page24e_000045.html

[4] Ver:

http://www.voanews.com/content/china-rejects-obamas-stance-on-japan-island-dispute/1899198.html

[5] Ver:

http://www.deccanherald.com/content/402048/china-summons-us-japan-envoys.html

[6] Ver:

http://www.chinausfocus.com/foreign-policy/us-cant-change-the-ownership-of-diaoyu-islands/

[7] Ver:

http://english.cntv.cn/2014/05/01/ARTI1398903084062431.shtml

[8] Ver:

http://english.peopledaily.com.cn/90883/8614501.html

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e Rússia realizarão os Exercícios Navais Conjuntos 2014 no final de maio

A China anunciou na quarta-feira (30 de abril) que a 3ª Edição dos Exercícios Navais Conjuntos terá lugar nos finais do presente mês de maio. A costa de Xangai será o palco das manobras navais sino-russas, depois de, em 2013, terem ocorrido no Mar do Japão, junto do Golfo Pedro o Grande (na Rússia) e, em 2012, no Mar Amarelo (na China)[1].

Este incremento da cooperação militar sobremaneira contribui para o fortalecimento das relações China-Rússia que experimentam agora o momento mais alto desde os finais da década dos 50 do Séc. XX[2]. Aliada à uma maior cooperação econômica e tensão com o Ocidente, a aproximação Pequim-Moscou no setor da segurança pode significar uma forte união numa concertada resistência aos ditames Ocidentais, principalmente nas questões ligadas à Democracia e Direitos Humanos.

Multilateralmente, os dois países também convergem. Em realidade, do ponto de vista chinês, a participação da Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, na Organização de Cooperação de Xangai, no BRICS e no G-20 é de certa forma confortante. É importante destacar que estas quatro organizações são as mais privilegiadas de Pequim, isto é, através de um maior empenho, a China, sozinha, ou com apoio de certos países, como a Rússia, pode alterar a governança mundial, não só ao nível financeiro e monetário como também político. É neste âmbito que Pequim se absteve na ONU de votar contra a condenação da anexação da Crimeia pela Rússia[3].     

Os Exercícios Militares deste ano realizam-se num momento mais tenso que no ano passado. A Rússia está envolvida na maior crise política e militar do “Pós-Guerra Fria” com o Ocidente por causa da Ucrânia e a China continua em guerra política com os seus vizinhos, em especial o Japão e as Filipinas, que recentemente reforçaram as suas alianças na área da segurança com os Estados Unidos da América (EUA), quando da visita do presidente estadunidense Barack Obama, entre 23 e 29 de abril[4][5]

Com certeza, estes exercícios de guerra junto da costa de Xangai, não muito distante das disputadas Ilhas Diaoyu/Senkaku, serão acompanhados com muita atenção em Tóquio e Washington. A curto ou médio termo podem contribuir para o estabelecimento de um pacto securitário sino-russo, apesar da atual política de defesa chinesa não prever isso.     

Os Exercícios Navais Conjuntos 2014 serão antecedidos de uma visita do presidente russo Vladimir Putin à China, a partir de 20 de maio[6]. A viagem de Putin à sua vizinha do sul, além de dar continuidade a encontros anuais de líderes chineses e russos, desde 2001, traduz também o atual bom estado das relações entre os dois países, principalmente desde que Xi Jinping chegou ao poder, em março de 2013.    

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Imagem (Fonte):

http://navaltoday.com/2014/02/24/russia-china-schedule-joint-drills/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-05/01/content_17478312.htm

[2] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Sino-Soviet_Treaty_of_Friendship,_Alliance_and_Mutual_Assistance

[3] Ver:

http://www.un.org/News/Press/docs/2014/ga11493.doc.htm

[4] Ver:

http://www.mofa.go.jp/na/na1/us/page24e_000045.html

[5] Ver:

http://www.voanews.com/content/obama-security-pact-with-philippines-not-aimed-at-china/1902776.html

[6] Ver:

http://vestnikkavkaza.net/articles/politics/54464.html

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Autoridades malaias criticadas na China sobre o vôo MH370

Os familiares e amigos dos 153 chineses que seguiam na “Malaysia Airlines” no dia 8 de março com destino a Pequim criticaram o anúncio feito na última segunda-feira (24 de março) pelo “Primeiro-Ministro da Malásia”, Najib Razak, de que o vôo MH370 com 239 pessoas a bordo caiu no sul do “Oceano Índico” e não teve sobreviventes. Afirma-se que a esta informação acrescentam-se as outras contraditórias anteriores, bem como a falta de comunicação com os familiares que aguardam num hotel em Pequim e a ocultação da verdade por parte do Governo malaio[1]

Como forma de pressionar não só as autoridades malaias mas também chinesas, cerca de uma centena de familiares e amigos marcharam em direção à  “Embaixada da Malásia em Pequim”, na terça-feira, dia 25. Para eles enquanto não forem achadas as provas materiais, os passageiros do MH370 ainda continuam vivos[1]. O resultado é que mais informação será disponibilizada aos familiares com mais frequência e cerca de 700 pessoas, entre psicólogos e outros profissionais, estarão à disponibilidade dos familiares dos passageiros[2]. O Governo chinês apontou um dos seus “Vice-Ministros dos Negócios Estrangeiros” para acompanhar a crise em “Kuala Lumpur[3].

Entretanto, a mídia, celebridades e internautas chineses condenam também o modo como a crise tem sido gerida pelas autoridades da Malásia desde o primeiro momento que se soube do desaparecimento do vôo. No twitter chinês, weibo, certo grupo de famosos chineses, com milhares de seguidores, tem apelado ao boicote da Malásia – seus produtos, turismo e músicos[4].

O resultado é que as agências de viagem da China apontam para a redução em cerca de 50% do número de turistas chineses em comparação com o mesmo período no ano passado. Muitos internautas diretamente confrontam os músicos malaios com muita popularidade na China[4].

No entanto, outro grupo de chineses famosos e navegadores da internet apela para a calma, pois também os malaios têm expressado apoio e condenam o seu Governo pela forma como está lidando com a situação[4]. Na imprensa fala-se que não se deve promover “emoções extremas” nacionalistas contra a Malásia, pois este foi o primeiro país da “Associação de Nações do Sudeste Asiático” (ASEAN, em inglês) a estabelecer relações diplomáticas com a China em 1974 e é atualmente o maior parceiro econômico da China na ASEAN[5]. Também se defende que o grupo étnico malaio-chinês é aquele que continua a manter maiores traços culturais chineses junto ao “Sudeste Asiático[6].  

No outro desenvolvimento, a mídia chinesa falou nesta sexta-feira (28 de março) que as famílias dos passageiros chineses no MH370 estão considerando entrar com uma ação judicial contra a “Malaysia Airlines”. Pelo menos duas empresas legais estrangeiras (escritórios de advocacia), a “Stewarts Law Firm” de Londres[7] e a “Ribbeck Law Firm” de Chicago[8], já estão preparadas para dar a assistência, mas ambas precisam reunir o maior número possível de clientes.

A empresa britânica diz que pretende obrigar que o valor de seguros para os passageiros daquele avião, cujo seguro é de US$ 1,5 bilhão, seja incrementado para US$ 900 milhões e não US$ 250 milhões como está legalmente estabelecido[7]. A “Ribbeck Law” já enviou um time de advogados e especialistas à Malásia para se encontrarem com os familiares dos passageiros do avião desaparecido. Ela avança que vai processar a companhia aérea malaia e a Boeing, a fabricante do avião 777, em caso de se concluir que o avião se despenhou por problemas mecânicos e vai exigir que a Boeing repare toda a frota dos 777[8].  

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-asia-26735298

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-26735298

[2] Ver:

http://www.scmp.com/news/china/article/1457314/grieving-mh370-relatives-demand-truth-malaysia-embassy-protest

[3] Ver:

http://english.people.com.cn/90883/8580980.html

[4] Ver:

http://www.scmp.com/news/china-insider/article/1458430/are-chinese-celebrities-stoking-resentment-against-malaysia-over

[5] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/851015.shtml#.UzUesT2SxBU

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-china-26762316

[7] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/world/2014planemissing/2014-03/28/content_17385323.htm

[8] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2014-03/28/content_17385146.htm

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ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente chinês visita a Europa Ocidental

Entre 22 de março e 1º de abril do presente ano (2014), o “Presidente da China”, Xi Jinping, estará a visitar quarto países europeus: os “Países Baixos”, a França, a Alemanha e a Bélgica. Xi também será um dos 58 dignitários da “Cimeira da Segurança Nuclear” que ocorrerá em Haia, entre 24 e 25 de março[1]; estará na sede da “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura” (UNESCO), no dia 27 de março; e nos dias 31 de março e 1º de abril visitará a sede da “União Europeia[2].

Esta será a primeira vez que o Presidente chinês se desloca à Europa desde que está no poder há um ano. De uma forma geral, pode-se dizer que o aprofundamento das relações entre a China e a “União Europeia” (UE) é o objetivo principal desta visita presidencial. Na verdade, há uma década a UE tem sido o principal parceiro comercial da China, enquanto que esta ocupa o segundo lugar na lista dos parceiros comerciais da UE. No ano passado (2013), o comércio entre as duas partes rendeu cerca de US$ 560 bilhões[3]

No “Reino dos Países Baixos”, Xi Jinping manterá conversações com Rei Willem-Alexander, com o primeiro-ministro Mark Rutte e com líderes parlamentares locais. É a primeira vez que um Chefe de Estado chinês visita a Holanda desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1972. Depois da Alemanha este país vem na segunda posição em termos de trocas comerciais na Europa. Espera-se que sejam assinados “Acordos de Cooperação” na agricultura, energia, finanças e cultura[4].

Durante o encontro sobre aSegurança Nuclear”, na Holanda, oPresidente da Chinareunir-se-á com os Presidentes dosEstados Unidos da América”, “Coreia do Sul”, Finlândia, e Casaquistão e com o “Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha [5].    

Neste 2014, a França e a China celebram o 50º e 10º aniversários das “Relações Diplomáticas” e da “Parceria Estratégica Compreensiva”, respectivamente. Acredita-se que nos encontros separados de Xi Jinping com o seu homólogo François Hollande, com o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault e com chefes parlamentares, as discussões abordarão caminhos que levem a um maior aprofundamento das relações sino-francesas com vista a tornar Paris o principal parceiro europeu de Pequim. É provável que se assine acordos bilaterais sobre educação, ciência e tecnologia, energia, urbanização e agricultura[4].

A ida à Alemanha, a maior parceira europeia em comércio e tecnologia, marca a primeira viagem em 8 anos de um Presidente chinês. Além de reuniões com o presidente Joachim Gauck e com a primeira-ministra Angela Merkel, sobre como devem ser as relações bilaterais nos próximos 5-10 anos, Xi igualmente participará de um banquete em sua honra com empresários alemães e chineses. Os “Acordos de Cooperação” a assinar incluem as áreas da indústria, aviação, ciência e tecnologia, educação, cultura e agricultura[4].

Em 27 anos, Xi faz a primeira visita de Estado à Bélgica. Ele terá encontros com Rei Philippe e com o primeiro-ministro Elio Di Rupo. Os acordos bilaterais incidirão nas áreas da economia e comércio, ciência e tecnologia, telecomunicações e educação[4].

Desde o estabelecimento das relações China-UE, em 1975, esta é a primeira vez que um Presidente chinês visita a sede da UE. Separadamente, ele se reunirá com oPresidente do Conselho Europeu”, Herman Van Rompuy; o “Presidente da Comissão Europeia”, José Manuel Barroso, e com eurodeputados. No ano passado, durante a “16ª Cimeira China-UE”, em Pequim[6], os dois lados estabeleceram um “Plano Estratégico da Cooperação China-UE”, até 2020[4].

As relações entre a China e a UE não são isentas de problemas. Os chineses tem sempre uma relação de desconfiança com o Ocidente, por conseguinte com a UE. Os principais problemas que as vezes opõem a chineses e ocidentais incluem os “Direitos Humanos”, a “Questão do Dalai Lama”, o “embargo de armas” e fricções comerciais[7].

A China também deve ter ficado menos feliz por não ter possibilidade de dar uma maior visibilidade à questão do Japão durante a sua visita à Alemanha. A imprensa ocidental aponta que Berlim rejeitou uma suposta sugestão de Pequim para que  Angela Merkel acompanhasse Xi Jinping numa visita em Berlim a alguns monumentos históricos da 2ª Guerra Mundial” (II GM).

Isto é, a China teria uma oportunidade ímpar de denunciar a “falta de arrependimento” do Japão pelas atrocidades que fez na China e nos outros países asiáticos durante a “II GM[8]. A Alemanha não só não pretende antagonizar o Japão, que também é um dos seus maiores parceiros[9], como também não deve estar a apreciar o discurso repetitivo da China sobre a “II GM[8].         

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Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1101809.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/world/2014-03/20/c_133202048.htm

[2] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1137531.shtml

[3] Ver:

http://europe.chinadaily.com.cn/2014-03/18/content_17354329.htm

[4] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2014-03/17/c_133193227.htm

[5] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2014-03/20/c_133201577.htm

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1101809.shtml

[7] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-china-26624963

[8] Ver:

http://www.spiegel.de/international/germany/no-holocaust-memorials-for-china-president-xi-on-trip-to-berlin-a-956574.html

[9] Ver:

http://www.scmp.com/news/china-insider/article/1440870/germany-turns-down-chinas-war-memorial-visit-request-presidents

 

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China institui dois dias nacionais alusivos ao “Massacre de Nanquim” e à “Derrota do Japão”

Numa altura em que as relações entre China e Japão continuam a deteriorar-se*, o “Congresso Nacional do Povo” (CNP), o “Parlamento Chinês”, ratificou nesta quinta-feira (dia 27 de fevereiro) duas propostas da legalização de dois feriados ligados à presença japonesa na China entre 1937 e 1945.

É o culminar de um processo que vem desde os anos 90 para o estabelecimento de um dia de celebração do “Massacre de Nanquim (Nanjing)”, algo que foi proposto pela primeira vez por um grupo de chineses residentes no estrangeiros. Mais tarde, a idéia foi reforçada pelos sobreviventes e familiares dos que sofreram nesse Massacre e também pelos intelectuais daquela cidade que apelaram à liderança da país em interceder para que se honrem as vítimas e a nova geração se lembre da história[1].

As datas aprovadas são “3 de setembro”, para o “Dia da Vitória”, e “13 de dezembro”, alusiva ao “Dia da Lembrança Nacional Para as Vítimas do Massacre”. A primeira se refere à derrota das “Forças Armadas Imperiais Japonesas” em 1945 e a segunda marca o primeiro dia do Massacre que em 1937 vitimou cerca de 300 mil pessoas na cidade de Nanquim, de acordo com fontes chinesas[2].

É importante lembrar que entre 1937 e 1945 o povo chinês, representado pelo “Partido Nacionalista Chinês” e pelo “Partido Comunista Chinês”, lutou contra a presença japonesa no seu território.

Depois de se anunciar na terça-feira (25 de fevereiro**) a intenção de se instituir estes feriados, a mídia e a academia chinesas falaram da justeza dos mesmos. Na realidade, entende-se que os feriados aprovados mostraram “a perseverança, a não-submissão do povo chinês na salvaguarda da soberania, a integridade territorial e a dignidade nacional[3]

Ainda se fala que as novas datas comemorativas ilustram “a determinação da China em salvaguardar os seus interesses nacionais e a paz mundial numa altura em que os ultra-diretistas japoneses repetidamente tentam branquear a história e negar os resultados dos julgamentos do Tribunal Internacional Militar para o Extremo Oriente[3].

Isto pode ser o reflexo de um sentimento nacional desfavorável ao Japão que se vem fortificando há alguns meses. Mas também é um fato inegável que a China foi um dos principais países vítimas das atrocidades japonesas, por isso se fala que os dois dias mostrarão respeito e luto às vítimas e contribuirão no fortalecimento da coesão nacional[2].

Ligado ao mesmo assunto, na quarta-feira (26 de fevereiro), um grupo de 37  chineses submeteu num tribunal de Pequim um processo de pedido de desculpas e pagamento de indenização contra empresas japonesas (Mitsubishi e Mitsui) pelo trabalho forçado durante o mesmo período. De acordo com a imprensa chinesa, isto acontece depois de Tribunais japoneses terem recusado julgar o mesmo caso no passado[4].

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* Principalmente desde setembro de 2012 (quando protestos populares em várias cidades chinesas denunciaram a compra de uma parte das “Ilhas Diaoyu/Senkaku” pelo Governo japonês) e da eleição do conservador Shinzo Abe para “Primeiro-Ministro do Japão”, em dezembro do mesmo ano.

** O primeiro dos três dias da sessão bimensal do CNP.

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Imagem (Fonte):

http://www.chinadaily.com.cn/china/China-Japan-Relations/2014-02/25/content_17304903.htm

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/845158.shtml

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-02/27/content_17310834.htm

[3] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2014-02/26/content_17305237.htm

[4] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-02/27/content_17308018.htm

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pequim contra uma maior aproximação entre Tóquio e Taipé

Cerca de 70 congressistas do “Partido Liberal Democrático” (PLD) do Japão propuseram uma Lei que regule o fortalecimento das relações econômicas e o intercâmbio pessoal. A proposta é apoiada pelo “Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros”, Nobuo Kishi, que é também irmão do primeiro-ministro Shinzo Abe. No entanto, a China é contrária à tal pretensão, pois considera Taiwan como seu assunto interno e ainda diz que faz parte do grupo dos interesses vitais do país[1].

A discussão sobre a Lei ocorreu nesta segunda-feira (17 de fevereiro) e é promovida pela “Associação Parlamentar Juvenil para a Promoção do Intercâmbio Econômico e Cultural entre Japão e Taiwan” liderada por Nabuo Kishi. A ideia é de se fazer uma espécie da Lei igual a que norteia as relações entre “Estados Unidos da América” (EUA) e Taiwan (“Taiwan Relations Act”), em vigor desde 1979, depois que formalmente Pequim e Washington estabeleceram relações diplomáticas. Mas, destaca-se que ela não é reconhecida pela China[2].

Mesmo que a supostaTaiwan Relations Actjaponesa não inclua questões de natureza securitária (como de fato se da no caso dos EUA, que vendem equipamento militar a Taiwan supostamente para a defesa contra a invasão da China), Pequim acautela Tóquio sobre as consequências que tal medida pode ter nas relações China-Japão, segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying[2].

Do ponto de vista chinês, o Japão pretende na verdade alterar o estabelecido na “Comunicação Conjunta Sino-Japonesa de 1972” em que Tóquiocompletamente reconhece e respeita a asserção (de Pequim sobre) Taiwan ser uma parte inalienável do território da República Popular da China[3]. Por isso, para os chineses, o assunto de Taiwan é uma questão chave das atuais relações China-Japão[2].

De um lado, as relações econômicas entre Tóquio e Taipé são importantes para os dois territórios. Dados existentes apontam que Taiwan é o quinto parceiro do Japão enquanto que Japão ocupa o segundo lugar depois da China. Do outro lado, Tóquio pode pretender formar uma aliança ideológica para reforçar o seu posicionamento de que é a China quem está por detrás das tensões políticas e de Segurança na “Ásia Oriental”, como uma vez defendeu o “Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão”, Fumio Kishida, de que a ligação entre Japão e Taiwan baseia-se “nos valores fundamentais comuns da democracia, liberdade e paz[4].

Evidentemente, é neste contexto que em abril de 2013 Japão e Taiwan assinaram um Acordo na área pesqueira. O mesmo permite aos taiwaneses pescarem ao redor das disputadas “Ilhas de Diaoyu/Senkaku[4].   

Ressalte-se ainda, que, para Taiwan, uma maior aproximação entre Tóquio e Taipé pode também minar o bom curso de reaproximação entre esta e aChina Continental, testemunhada por dois encontros históricos nos dias 11 e 18 de fevereiro entre líderes dos dois lados[5]. Algo que aconteceu pela primeira vez desde 1949, depois que os líderes do Kuomintang (“Partido Nacionalista”) se estabeleceram na Ilha de Taiwan em face da derrota militar frente ao Partido Comunista da China”. 

As atuais relações diplomáticas entre “China Continental” e Japão estão mais baixas no momento, principalmente depois da chegada ao poder do conservador Shinzo Abe e seu Partido, o PLD, em dezembro de 2012. Desde então, até hoje, não se sabe de qualquer encontro formal entre os dois Estados, além de um aperto de mãos e conversa que não durou apenas 5 minutos entre Abe e presidente chinês Xi Jinping, durante a “Cimeira do G20”, em setembro de 2013, na Rússia.

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Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/xwfw/s2510/t1130053.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/kyodo-news-international/140218/japan-lawmakers-eye-enhancing-taiwan-relations-line–0

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-02/19/content_17292703.htm

[3] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/China-Japan-Relations/2013-09/25/content_16993227.htm

[4] Ver:

http://thediplomat.com/2014/02/to-counter-beijing-japan-moves-closer-to-taiwan/

[5] Ver:

http://www.taipeitimes.com/News/front/archives/2014/02/19/2003583844