ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relações sino-africanas na perspectiva de visitas oficiais

Uma das mais importantes características das relações China-África, desde meados dos anos 1950,  são as visitas recíprocas de dirigentes governamentais dos dois lados ao mais alto nível. Para os governantes chineses, estas atividades diplomáticas demonstram a importância e o respeito que o seu país goza no mundo.

Na verdade, a “República Popular da China” (RPC) ainda reclama da “humilhação” nas mãos das potências ocidentais, Rússia e Japão, que durou cerca de um século. Também o faz em relação ao isolamento que o país experimentou, imposto principalmente pelos “Estados Unidos da América” (EUA) entre 1949 e 1978 no contexto da “Guerra Fria”. Nesse sentido, maiores contatos internacionais contribuem para projetar a China. O país é atualmente a segunda potência econômica e com aspirações de um dia vir a liderar o mundo não só econômica, como também cultural, militar e politicamente.

Numa outra vertente, o atual desenvolvimento do bom relacionamento da “China Popular” com países africanos e de outras partes do mundo contribui para legitimar a governança do “Partido Comunista da China” (PCC) ao nível doméstico. Portanto, as políticas econômicas e sociais de sucesso implementadas pelo governo chinês desde 1978 e os êxitos na frente diplomática conferem uma forte aceitação popular do Partido, o qual está no poder desde 1949.       

Nos seus contatos externos, a China privilegia mais a recepção de dignitários estrangeiros no seu território e envolve rituais de bom tratamento que deixam os visitantes com uma imagem de admiração impressionante. É exatamente este tipo de hospitalidade que os líderes africanos apreciam quando vão aquele país asiático, diferentemente do tratamento que ocorre quando visitam um país ocidental, o qual eles consideram “menos digno”.

Por exemplo, o Presidente queniano, Uhuru Kenyatta (que consta da lista dos procurados pelo “Tribunal Internacional de Haia” pelo seu papel na onda de violência que se seguiu depois das eleições de 2007), foi a Londres em maio do ano corrente (2013) para participar duma conferência internacional sobre a Somália, mas não foi possível ser fotografado ao lado do primeiro-ministro britânico David Cameron, embora a Grã-Bretanha seja a principal parceira comercial do Quênia. Mas depois, em agosto, na viagem de Estado à China, além do tapete vermelho, Kenyatta também recebeu em sua honra vinte e uma salvas de canhão[1].      

As viagens dos governantes chineses ao continente africano têm sido comuns, mas não se igualam ao número de visitas que Pequim recebe das autoridades africanas. Por razões culturais, a China prefere ser acolhedora porque desta forma os chineses conseguem melhor desenvolver as relações interpessoais com os seus hóspedes exibindo atos de boa vontade ao mesmo tempo que negociam no seu terreno, com regras por si estabelecidas, e, desta forma, facilmente se beneficiam da gratidão dos estrangeiros. De acordo com Eisenman, estes rituais acompanhados da retórica chinesa da igualdade, respeito mútuo e não interferência nos assuntos internos de outros Estados conquistam com facilidade os corações das elites africanas[2].  

Por questões organizacionais e racionalização de recursos, os líderes chineses muitas vezes realizam visitas múltiplas ao mesmo tempo. O caso mais recente é a passagem que Presidente Xi Jinping teve no continente africano em março passado, a primeira na qualidade de Chefe de Estado da China. Ele associou a sua participação na “Quinta Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)” em Durban (“África do Sul”)[3] à realização de visita de estado à Tanzânia[4], a “África do Sul[5] e a “República do Congo[6].

Ainda no decurso da “Cúpula dos BRICS”, Xi Jinping teve um encontro conjunto informal com os presidentes da “África do Sul”, Angola, Benin, Chade, “Cote d’Ivoire”, “Guiné Conakry”, “Guiné Equatorial”, Moçambique e Uganda, o Primeiro-Ministro da Etiópia, o Presidente da Assembleia Nacional da Argélia e a Presidente da “Comissão da União Africana[7]. Separadamente, manteve reuniões com os Presidentes de Moçambique e Uganda e o Primeiro-Ministro da Etiópia[8]

Um destaque de realce desta visita presidencial tem a ver com a imagem positiva dada pelo ativismo da Primeira-Dama chinesa, Peng Liyuan. Pela primeira vez ela se mostrou ao mundo como uma dama “moderna” e “ativa” em ações sociais e humanitárias nos países visitados, contrastando com a esposa do anterior Presidente chinês que sempre esteve no anonimato. Reconhecendo-se a grande preocupação de Peng em questões ligadas à advocacia, à saúde e ao controle de tuberculose e da HIV/AIDS no seu país, foi-lhe atribuído em 2011 o título de “Embaixadora de Boa Vontade na Luta Contra Tuberculose e HIV/AIDS” da “Organização Mundial da Saúde” (OMS)[9].

É neste âmbito que na companhia da sua homóloga do Congo visitou um orfanato crianças, especialmente aquelas que sofrem de HIV/AIDS, para além de oferecer computadores, brinquedos e pastas escolares. Também visitou uma exibição cultural feita por mulheres congolesas[10]. O gesto inovador da Primeira-Dama criou um impacto positivo na China e espantou o mundo. Hoje os chineses também se orgulham de ter a sua Michelle Obamae há consenso que Peng Liyuan contribuirá para elevar a imagem da China no mundo, principalmente pela forma impecável como se veste[11].               

No cômputo geral, as visitas feitas tanto para a China como para a África tem uma carga simbólica enorme. As respectivas médias (com destaque para a televisão e jornais) dão enfoque especial às viagens que os Presidentes, Primeiros-Ministros, Ministros e Vice-Ministros efetuam para ambos os lados, principalmente quando ocorrem cerimônias de assinatura de concessão de ajuda ou de empréstimo, lançamento da pedra de qualquer empreendimento financiado pela China e a sua inauguração.   

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Imagem (Fonte):

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/china/9951838/Xi-Jinping-hails-Chinese-African-ties.html

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Fontes consultadas

[1] Ver:

http://www.foxnews.com/world/2013/08/22/kenya-looks-east-signs-5-bln-china-deals/

[2] Ver:

Eisenman, Joshua (2008). “China’s Political Outreach to Africa”. In: Robert I. Rotberg (edit.). China into Africa: Trade, Aid, and Influence. Washington: Brookings Institution Press, pp. 235-236.

[3] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027968.shtml

[4] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1025248.shtml

[5] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026723.shtml

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027265.shtml

[7] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026805.shtml

[8] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1026810.shtml

[9] Ver:

http://www.who.int/goodwill_ambassadors/peng_liyuan/en/

[10] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/wjb/zzjg/fzs/xwlb/t1027581.shtml

[11] Ver:

http://thediplomat.com/asia-life/2013/03/first-lady-peng-liyuan-chinas-answer-to-michelle-obama/

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ÁFRICAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Terceiras Consultas Políticas Ministeriais China-África” ocorrem em Nova York

No passado dia 23 de setembro, ocorreu emNova Yorko terceiro encontro de concertação política entre a África e a China[1]. As outras duas reuniões entre diplomatas africanos e chineses tiveram lugar em 2007 e 2010 no mesmo local, sede da “Organização das Nações Unidas” (ONU), e sempre ocorrem à margem da “Assembleia Geral da ONU”. Estes encontros visam principalmente consolidar as relações sino-africanas.

Sob o lema “Implementação dos resultados da Quinta Conferência Ministerial do FOCAC” (sigla inglesa para “Fórum de Cooperação China-África”) [realizada em Pequim em Julho de 2012], com vista a promover o desenvolvimento comum da China e da África”[2], os “Ministros dos Negócios Estrangeiros” da “África do Sul” e da China, Maite Nkoana-Mashabane e Wang Yi, respectivamente, lideraram a reunião que contou com mais de 40 “Ministros dos Negócios Estrangeiros” africanos[3].

Dirigindo-se aos seus homólogos, Wang Yi destacou as três grandes vantagens que a China tem para desenvolver relações com o continente africano. Na verdade, ele parafraseou um dos Ministros que dissera: primeiro, “a China não tem a história do colonialismo na África e nunca interferiu nos assuntos internos da África[4]; segundo, “a China tem demonstrado ao mundo que a China é uma amiga sincera e desinteressada da África, com suas ações, como a assistência da China e do investimento em África[4]; terceiro, “a China está participando cada vez mais nas operações de manutenção da paz na África para ajudar a África a resolver os conflitos regionais[4]. Sintetizando as três vantagens, Wang apontou a “sinceridade da China e confiança mútua China-África[4].

As duas partes discutiram sobre o reforço da coordenação e cooperação em assuntos internacionais e regionais; também a cooperação África-China na vertente da paz e segurança no continente africano e a busca da cooperação win-win entre a África e China. Mas os principais aspectos do encontro constam dos 22 pontos do “Comunicado Conjunto da terceira rodada de consultas políticas entre China e África de Ministros dos Negócios Estrangeiros[5].

A importância do FOCAC como o principal instrumento da cooperação o país e o continente é apontada no “Comunicado Conjunto” e especial menção é feita pela parte africana pelo fato de a China introduzir novas medidas de cooperação em áreas prioritárias no contexto da “Quinta Conferência do FOCAC”: investimento e financiamento; assistência; integração africana; intercâmbios entre os dois povos; além de paz e segurança na África. Por isso, se elogia a “Declaração de Pequim da Quinta Conferência Ministerial do FOCAC” e o respectivo “Plano de Ação de Pequim (2013-2015)[6].

O ataque terrorista em Nairobi, capital do Quênia, também foi abordado pelos delegados africanos e chineses que energicamente condenaram-no, expressaram o seu apoio ao governo e povo daquele país da “África Oriental” e chamaram a comunidade internacional para juntar forças na luta contra o terrorismo em todas as suas formas, além de ajudar a África nos seus esforços de manter a paz e a segurança[7].   

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Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080815.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-09/24/c_132746084.htm

[2] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[3] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/813836.shtml#.UkxB2YbEcb_

[4] Ver:

http://www.chinaembassy.se/eng/xwdt/t1080833.htm

[5] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

[7] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1080313.shtml

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ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Posição do “Reino Unido” em relação a “Hong Kong” recebe protestos da China

O “Ministro Britânico dos Negócios Estrangeiros, de Commonwealth e de Estado para a Ásia”, Hugo Swire, assinou um artigo de opinião publicado em 14 de setembro em dois Jornais pró-democracia de “Hong Kong” no qual destacou a importância da democratização daquele território semi-autônomo. A autonomia de “Hong Kong” em relação à “China Continental” circunscreve-se no princípio “Um País, Dois Sistemas”.

O mote do aludido artigo, como o seu autor refere, é a celebração a 15 do presente mês do “Sexto Aniversário do Dia Internacional da Democracia”, instituído pela “Organização das Nações Unidas”. Como era previsível, a China condenou a posiçãoda interferência” do “Reino Unido”. Desde 1997, ano que a tutela do território passou para a China, cerca de um século e meio depois do domínio britânico, o “Chefe Executivo de Hong Kong” é eleito por um comitê de 1200 representantes dos cerca de 7 milhões de habitantes locais. Porém, a partir de 2017, a eleição será direta[1].

É neste contexto que o artigo de Hugo Swire se enquadra e parece seguir a posição de milhares daqueles que intensificaram protestos não só a favor de “uma democracia genuína” como também contra um maior e crescente controle do governo central chinês em assuntos locais, especialmente políticos[2]. Isso se deu, particularmente, desde junho de 2012, altura que o atual “Chefe de Hong Kong”, Leung Chun-Ying, tido como pró-Pequim, assumiu as suas funções. 

Basicamente, o dirigente britânico mencionou que o progresso de “Hong Kong” ao sufrágio universal era “vital para a estabilidade e prosperidade futuras” e as reformas eleitorais deviam oferecer aos eleitores uma “escolha genuína” do “Chefe Executivo” em 2017. Ele também apontou que o seu país estava pronto para ajudar no que fosse possível[3].

Porém, a resposta da China não tardou. O chefe do governo de “Hong Kong”, Leung Chun-Ying, disse um dia depois da publicação do comentário que em questões da reforma política e das eleições de 2017 o seu território não precisava do apoio do “Reino Unido” ou de outro governo estrangeiro. Ajuntou ainda que cabia ao povo chinês lidar com este assunto e o governo de Londres era irrelevante no mesmo[4].

A posição oficial de Pequim veio nesta segunda-feira através do porta-voz do “Ministério dos Negócios Estrangeiros”. Expressou “a enorme insatisfação” da China que “resolutamente se opõe aos imprudentes comentários” feitos pelo ministro britânico sobre o desenvolvimento político de “Hong Kong”. O diplomata chinês igualmente reiterou a visão de Leung Chun-Ying sobre a exclusividade da China nesta questão e a não interferência de forças estrangeiras nos assuntos internos daquele território[5].     

Este não é o primeiro caso “de interferência” relacionado com “Hong Kong” que irrita Pequim. Em julho do ano em curso, Clifford Hart, o novo cônsul dos “Estados Unidos da América” (EUA) no território, fez comentários com o mesmo teor. Hart disse no seu discurso de tomada de posso que desejava “um progresso em direção ao sufrágio universal genuíno”. Um mês mais tarde, o representante do governo chinês no território, Song Zhe, disse que o desenvolvimento político de “Hong Kong” cabia a si mesmo e não a governos estrangeiros, cujos oficiais não devem também interferir nos assuntos domésticos[6].

O diário nacionalista chinês “Global Times”, no seu artigo desta segunda-feira além de criticar a preocupação britânica com a democratização de “Hong Kong”, ainda aponta que este assunto nunca constou da política colonial do “Reino Unido” durante os anos que ocupava o território e defendeu que os comentários oficiais destes dois países acolhem apoio da oposição política local[7].         

De uma forma geral, em face de outros desenvolvimentos anteriores pode-se caracterizar o relacionamento China-Reino Unido como menos amistoso. Por exemplo, ainda há tensão entre os dois Estados pelo fato do primeiro-ministro David Cameron ter se encontrado na Inglaterra com o líder tibetano Dalai Lama, considerado persona non grata por Pequim. Mesmo na qualidade de um encontro privado, como o líder religioso tem defendido os direitos humanos e direitos políticos dos tibetanos, a China criticou na altura  a reunião e avisou que o ato podia ferir as relações bilaterais[8].

De salientar que encontros similares entre Dalai Lama e líderes governamentais europeus têm posto em crise as relações entre a China e os respectivos países. Os casos mais ilustrativos são as visitas que aquele religioso fez à Alemanha, bem como a reunião com primeira-ministra Angela Merkel, em 2007, e a visita à França para o encontro com presidente Nikolas Sarkozy, em 2009[9]. Na imprensa fala-se que o cancelamento de uma suposta visita de Cameron a China em maio deste ano demonstra a firmeza da posição chinesa sobre a não interferência nos assuntos internos[10]. Além do nível diplomático, a musculatura econômica da China também serve de influência para fazer passar a sua posição em questões de disputas desta natureza com outros países[11].

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Imagem (Fonte):

http://www.scmp.com/sites/default/files/styles/980w/public/2013/09/17/hong_hugo_5.jpg?itok=ppcToVwb

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dailytimes.com.pk/default.asp?page=2013%5C09%5C15%5Cstory_15-9-2013_pg14_2

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/sep/16/hong-kong-warns-uk-interference

[3] Ver:

http://www.scmp.com/comment/insight-opinion/article/1309205/people-must-have-genuine-choice-2017-chief-executive

[4] Ver:

http://www.chinapost.com.tw/china/local-news/hong-kong/2013/09/16/389012/UK-not.htm

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/09/16/us-china-uk-idUSBRE98F09H20130916

[6] Ver:

http://www.spacedaily.com/reports/China_warns_US_against_meddling_in_Hong_Kong_politics_999.html

[7] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/811558.shtml#.Ujibx8bEcb8

[8] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/uk-politics-18084223

[9] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/finance/china-business/10077260/David-Cameron-reaches-out-to-China-after-Dalai-Lama-row.html

[10] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/apr/26/blow-for-cameron-china-hollande

[11] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2012/may/25/china-cancels-uk-visit-dalai-lama  

 

ÁSIAFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Encontro de Xi Jinping e Shinzo Abe na “Cúpula de G20”

Fora das discussões sobre questões econômicas, financeiras e monetárias mundiais e sobre o ataque militar à Síria, o encontro inesperado entre o presidente da China, Xi Jinping,  e o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, foi de igual maneira um assunto de destaque emSão Petersburgo”, na Rússia, nos dias 5 e 6 de setembro. A importância deste gesto prende-se ao fato da atual crise diplomática entre os dos dois países e porque estes líderes nunca tinham se encontrado anteriormente depois de chegarem ao poder, em dezembro de 2012 (Abe) e março de 2013 (Xi).

A reunião entre ambas as lideranças aconteceu antes da “Primeira Sessão” da “Cimeira do G20”, no dia 5 de setembro, e durou aproximadamente cinco minutos. De acordo com a imprensa, Abe teria expressado o seu desejo de os dois países vizinhos retornarem ao ponto inicial de relacionamento estratégico e de benefício mútuo[1]. Por sua vez, o Presidente chinês salientou que as relações bilaterais “estão enfrentando dificuldades graves não desejáveis[2], bem como que também é receptivo às relações de benefício mútuo, mas  destacou que o Japão deve tratar da disputa territorial e das questões históricas “em consonância com o espírito de enfrentar a história e olhar para o futuro[2].    

Entretanto, uma semana antes da realização da reunião doGrupo dos 20”, oVice Ministro dos Negócios Estrangeiros da China”, Li Baodong, dissera que, em face do prevalecente impasse sobre as Ilhas Diaoyu/Senkaku entre os dois países, um encontro entre os líderes da China e do Japão no decurso da Cimeira não tinha razão de acontecer porque o líder japonês não era sincero[3].

Não verdade, desde que Shinzo Abe se tornou chefe de governo do Japão nos finais de 2012 a China tem invariavelmente caracterizado a postura de Abe de contraditória. por exemplo, a imprensa destaca que de um lado Abe chama a China para o diálogo, mas, por outro,  o seu governo não pára de fazer comentários e atos provocadores[4].  

Através de declarações públicas de desejo de aproximação ou por meio de emissários enviados a Pequim, o atual “Primeiro-Ministro do Japão” parece estar a demonstrar um interesse para a normalização das relações com a China, país que pode contribuir para o sucesso da sua política econômica. Mas, as vezes, atos ou discursos ultranacionalistas de evocação da glória do passado do país feito por ele ou por alguns governantes próximos ao Primeiro-Ministro tornam a reconciliação com a China bastante difícil.

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Imagem (Fonte):

http://news.yahoo.com/japan-pm-abe-shakes-hands-chinas-xi-g20-165640591.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.abc.net.au/news/2013-09-06/an-china-japan/4941290

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-23983197

[3] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2013-08/28/content_16925222.htm

[4] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2013xivisitcenterasia/2013-09/05/content_16947523.htm

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ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Visita ao “Santuário Yakusuni” agudiza tensão entre a China e o Japão

O mês de agosto continuou a testemunhar a escalada da tensão entre os dois importantes vizinhos do Nordeste da Ásia, numa situação que se arrasta desde setembro de 2012. As celebrações nacionais ocorridas em 5 de agosto, referentes ao 68° aniversário da rendição do Japão na “2ª Guerra Mundial”, incluíram a visita dos congressistas japoneses e de alguns governantes ao “Santuário Yakusuni”, o qual alberga “Criminosos de Guerra de Classe A” entre os restos mortais. Juntamente com essa atitude, o discurso não conciliatório do primeiro-ministro Shinzo Abe antagonizou o Japão não só da China como também da “Coreia do Sul”.

Tal qual anunciara no seu discurso quando das cerimônias oficiais dos 68 anos do lançamento da “Bomba Atômica”, em 6 de agosto de 1945[1], Abe não se deslocou na última quinta-feira (15 de agosto) ao “Templo” para prestar homenagem aos soldados e civis japoneses tombados na “2ª Guerra Mundial” e noutros conflitos. Mas, ainda assim, por meio do seu conselheiro no “Partido Liberal Democrático” (PLD), ele enviou as suas oferendas (dinheiro) ao “polêmico Santuário”, na qualidade de “Presidente do PLD” e não como governante[2].

Entretanto, três ministros do “Governo Abe” e 89 Legisladores (77 do PLD, no poder) prestaram as suas honras aos mortos que “repousam” no “Templo de Yakusuni[3]. De uma forma geral, neste dia 15 de agosto cerca de 175 mil japoneses (contra 161 mil em 2012) sinalizaram a derrota do seu país na “Grande Guerra”, visitando o local que Pequim e Seoul consideram como o símbolo de glorificação do passado militarista de Tóquio[4].

Apesar de Abe evitar a sua ida ao “Yakusuni” para não criar mais problemas políticos e diplomáticos com os países vizinhos, ele visitou um cemitério em Tóquio onde jazem cerca de 358 mil corpos de militares não identificados[5]. O governo chinês demonstrou os seus protestos junto ao embaixador do Japão na China, pela veneração aos “criminosos de guerra” por figuras governamentais e públicas japonesas o que “fere os sentimentos do povo chinês e de outros povos asiáticos[6].

Protestos idênticos se ouviram na “Coreia do Sul”, país que, tal como a China e a Rússia, também tem conflitos territoriais com o Japão, neste caso, sobre as chamadas “Ilhas Takeshima” pelos japoneses e “Dokdo” pelos coreanos. Um outro assunto que está no centro da discórdia entre Tóquio e as vizinhas “Coreia do Sul” e China é a questão de “conforto de mulheres[7], que se refere a milhares (várias fontes avançam números que variam de 20 mil a 410 mil) de mulheres (muito jovens e adultas) do Nordeste e Sudeste da Ásia e holandesas que foram forçadas pelo governo do Japão a se prostituírem nos bordéis militares durante a “2ª Guerra Mundial”, destacando-se que a maioria destas mulheres era constituída por chinesas e coreanas. Não só se pede que o governo japonês peça desculpas como também se exige que as pessoas afetadas sejam indenizadas[8].  

É importante referir que sempre houve condenação na China e na Coreia pelas visitas feitas por figuras importantes japonesas ao “Santuário Yakusuni”. Isso ocorreu, por exemplo, no período do governo Junichiro Koizumi (2001-2006), do PLD, quando os protestos eram ainda mais frequentes[9]

Jornalistas e intelectuais chineses expressaram também o seu desagrado pelo fato do Governo japonês não querer se reconciliar com a história[10]. Particularmente, criticaram o discurso de Abe por não mencionar que o Japão compromete-se a não agredir outros países”, comprometimento que todos chefes do governo faziam desde 1994, quando da celebração de 15 de agosto[11]. Em realidade, o atual Primeiro-Ministro disse aos jornalistas: “Hoje é o dia para … chorarmos os mortos de guerra e rezarmos pela paz [12].  

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Imagem (Fonte):

http://vickimthiem.com/2013/01/14/yasukuni-shrine-in-chiyoda-tokyo-japan/

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[1] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/803887.shtml#.UhL-IJIwcqO

[2] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/08/15/national/at-least-two-japanese-ministers-visit-controversial-shrine-p-m-abe-stays-away/#.UhMYtHjFscw

[3] Ver:

http://the-japan-news.com/news/article/0000460888

[4] Ver:

http://blogs.wsj.com/japanrealtime/2013/08/15/huge-crowds-pour-into-yasukuni-shrine-on-war-anniversary/

[5] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/08/15/national/at-least-two-japanese-ministers-visit-controversial-shrine-p-m-abe-stays-away/#.UhMYtHjFscw  

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/08/15/us-japan-shrine-china-idUSBRE97E06X20130815

[7] Ver:

http://the-japan-news.com/news/article/0000460312

[8] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Comfort_women

[9] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/803887.shtml#.UhL-IJIwcqO

[10] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/804149.shtml#.UhMWcXjFscx

[11] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/804156.shtml#.UhMlA5IwcqN

[12] Ver:

http://www.japantimes.co.jp/news/2013/08/15/national/at-least-two-japanese-ministers-visit-controversial-shrine-p-m-abe-stays-away/#.UhMst3jFscx

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Protestos da China contra o maior “Navio de Guerra Japonês” desde a “2ª Guerra Mundial”

As autoridades japonesas usaram o dia 6 de agosto, dia da celebração dos 68 anos do lançamento da “Bomba Atômica” sobre Hiroshima, para apresentar ao mundo o maior e o mais sofisticado navio de guerra, apesar de este vir a entrar em funcionamento em 2015. Apelidado Izumo (é o terceiro do país) o novo “Porta-helicópteros 22DDH” custou cerca de 1,14 bilhão de dólares norte-americanos. Ele pode carregar 14 helicópteros anti-submarinos e aponta-se que o mesmo pode se transformar num Porta-Aviões. Com esta modernização, Tóquio está a consolidar a sua posição de líder mundial ao nível da capacidade anti-submarina[1].

Apesar da China possuir o maior navio de guerra da Ásia, o governo chinês e os comentadores locais prontamente “denunciarama militarização do Japão, além de criticarem a escolha do nome Izumoo mesmo nome do navio usado para invadir a China na década 30 do século XX. Ainda entendem que um Japão forte militarmente pode trazer perigo à estabilidade da região Ásia-Pacífico[2].

Devido aos arranjos estabelecidos pelos aliados no “Pós-2ª Guerra Mundial”, a “Constituição do Japãoestabelece que o país só pode possuirForças Armadas de Auto-Defesa”, em resultado da natureza agressiva do Exército japonês no pré-1945. É neste âmbito que países vizinhos como a China e a “Coreia do Sul” ficam alarmados com qualquer mudança que se opera nasForças Armadas Japonesas”, como foi o caso do anúncio de aumento do orçamento para a defesa para o ano de 2013[3].  

Na verdade, o mês de agosto é tipicamente de antagonismo entre Pequim e Tóquio, apesar do dia 12 deste mês marcar o dia da assinatura do “Tratado de Paz e Amizade entre o Japão e a China”, em 1978[4]. Simbolicamente, o Japão marca o dia da sua rendição na guerra mundial, a 15 de agosto, com a visita de dirigentes governamentais e partidários ao contestado “Santuário de Yakusuni” onde se venera japoneses civis e militares mortos ao serviço do seu país[5]. O Primeiro-Ministro japonês, Shinzo Abe, foi criticado na China por ter afirmado recentemente que não proibiria seja quem fosse do seu governo de visitar o “Santuário[6].

Isto contribui para que o relacionamento China-Japão continue num dos níveis mais baixos desde o restabelecimento das relações diplomáticas, em 1973. As provas dessa situação são os resultados de uma sondagem feita este ano na China e no Japão sobre as relações bilaterais que mostram que cerca de 90% dos entrevistados nos dois países expressam sentimentos negativos sobre a parte oposta e, pela primeira vez, um considerável número dos interrogados em ambos os Estados acredita que a atual crise política afetará a cooperação econômica, algo que não acontecia nos impasses anteriores[7].

As disputas territoriais” e “questões históricas” ligadas à invasão, ocupação e massacre de chineses pelas forças imperiais do Japão figuram-se no topo da atual crise sino-japonesa. A corrida armamentista entre os dois vizinhos eleva o nível da tensão no Nordeste da Ásia que testemunhou nos primeiros meses de 2013 uma ameaça de guerra por parte do regime norte-coreano[8].     

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Imagem (Fonte):

http://www.foxnews.com/world/2013/08/06/japan-unveils-new-carrier-like-warship-largest-in-its-navy-since-world-war-ii/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/802056.shtml#.UglMD5IwcqO

[2] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/802037.shtml#.UglMcpIwcqN

[3] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-vitoria-parlamentar-do-partido-liberal-democratico-do-japao/

[4] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Sino-Japanese_relations

[5] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-recente-visita-ao-santuario-yakusuni/

[6] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/world/2013-08/06/content_16875393.htm

[7] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2013-08/08/content_16879047.htm

[8] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-tensao-na-peninsula-coreana/