ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Diplomacia das máscaras: o papel da China no contexto da Covid-19 e os países emergentes

Ao final de dezembro de 2019, o Estado chinês informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre 41 pacientes que estavam sofrendo de uma pneumonia misteriosa. Desde então, a doença se espalhou pelo mundo e a epidemia de coronavírus afetou cerca de 17 milhões de pessoas, causando mais de 669 mil mortes (dados de 31 de julho de 2020). A premissa deste artigo é simples: analisar a mudança e os efeitos da epidemia para a inserção internacional da China. Os dados oficiais afirmam a ocorrência de pouco mais de 84.000 casos e cerca de 4.600 mortes pela Covid-19, um número que se provou extremamente baixo no contexto global*.

Evidências indicam que o Mercado de Frutos do Mar de Huanan, um mercado de animais vivos na cidade de Wuhan, província de Hubei tenha sido o ponto de origem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma Emergência em Saúde Pública em 30 de janeiro e o reconheceu como uma pandemia em 11 de março de 2020. A cidade de Wuhan, que conta com cerca de 11 milhões de habitantes, foi colocada sob bloqueio imposto pelo Estado em 23 de janeiro. Outras cidades na província de Hubei logo seguiram o exemplo, adotando restrições semelhantes. As medidas abrangentes, que afetaram mais de 60 milhões de residentes de Hubei, foram anunciadas em toda a China. 

De modo geral, as medidas para impedir a propagação do vírus incluem restrições de viagem, quarentenas, toque de recolher, fechamento de escolas, controle de riscos no local de trabalho, adiamentos e cancelamentos de eventos e fechamento de instalações. A extensão das medidas depende da capacidade e recursos do país para implementar com sucesso estas políticas. Posteriormente, os diferentes Estados têm aplicados medidas para auxiliar nos efeitos econômicos da crise, como pacotes de auxílio para profissionais desempregados e pacotes de alívio para empresas que estejam enfrentando dificuldades financeiras.

Mapa do mundo demonstrando os casos de coronavírus

Estima-se que esta crise vá ocasionar uma redução no PIB mundial da ordem de 5,2% neste ano (2020). À título de comparação, a crise econômica global de 2008 foi uma crise do setor financeiro que afetou a economia real (setor produtivo, comércio e serviços de um modo geral). Por outro lado, a crise econômica provocada pela Covid-19 é uma crise que começa no setor real da economia, que acaba por afetar também o setor financeiro, à medida que várias empresas são impedidas de continuar as suas atividades e trabalhadores/consumidores ficam em quarentena nas suas casas.

Especialistas afirmam que no campo das ideias e do poder brando, a crise do coronavírus se tornou uma disputa de narrativas, afinal, o poder é fruto de recursos materiais, mas também de narrativas e prestígio. Produziram-se diversas comparações entre a eficiência das democracias e do Estado chinês ao realizar a gestão da crise. Se por um lado houve severas críticas por parte de autoridades estadunidenses de que a China teria dissimulado dados para esconder o início do surto da doença, por outro lado, o país parece ter realizado uma gestão eficiente da crise e vem tentando propagar esta imagem internacionalmente. O vídeo publicado pela agência chinesa Xinhua na plataforma Youtube é um exemplo emblemático.

Neste sentido, vale examinar a diplomacia das máscaras, termo que vem sendo utilizado por certos veículos da mídia internacional para indicar a posição internacional da China em meio a este contexto, ao passo que a China amplia diversas iniciativas de cooperação sul-sul, provendo equipamentos de proteção e de saúde, como máscaras e respiradores, para países que não disponham dos recursos e acesso a estes materiais. Na América do Sul, por exemplo, os vínculos entre a China e países como Argentina e Colômbia vêm se fortalecendo no contexto da crise.

Máscaras utilizadas no combate ao Covid-19

No caso do Brasil, foram realizadas duas importantes medidas de cooperação sul-sul: 1) a iniciativa do governo do Maranhão em negociar diretamente com o gigante asiático para a compra de máscaras e respiradores; 2) a pesquisa realizada entre o Governo do estado de São Paulo, o Instituto Butantã e a empresa chinesa Sinovac Biotech, para o desenvolvimento e testes de uma possível vacina. Além disto, a China forneceu mais de 7,5 milhões de máscaras cirúrgicas visando o enfrentamento da pandemia no Brasil.

Por outro lado, o mundo vê o aumento de tensões raciais e sinofobia, o que sugere que a imagem internacional do país poderá, sim, sair prejudicada ao fim do embate contra a Covid-19. O próprio China Institute of International Relations, um think tank associado ao Conselho de Estado da China, afirmou em relatórios recentes que a imagem internacional do país está tão prejudicada quanto o que ocorrera no contexto das tensões causadas pelos movimentos sociais de 1989.

Como no caso de outras crises, os países de renda média e baixa enfrentam maiores problemas para lidar com as dificuldades econômicas decorrentes, devido à três principais fatores: 1) menor espaço fiscal para a aplicação de medidas de estímulo à economia; 2) fuga de capitais que desestabilizam países em desenvolvimento*; 3) desigualdades regionais e deficiências estruturais de acesso à saúde e recursos, que tornam as populações carentes mais vulneráveis aos riscos da pandemia. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, cerca de 1,6 bilhão de trabalhadores informais perderam 60% de sua renda e 55% da população global não está protegida por qualquer forma de assistência social.

Mapa demonstrando os países desenvolvidos e em desenvolvimento

A crise do coronavírus ressalta a importância da atuação do Estado na economia, através da promoção de políticas públicas de saúde, ciência e tecnologia, que permitem, por exemplo, a pesquisa de vacinas e medicamentos. Além disto, em contextos de crise, pacotes de estímulo econômico mostram-se essenciais, configurando políticas anticíclicas de caráter keynesiano e intervindo para estimular a demanda agregada e a criação de empregos. Adicionalmente, a atual crise reforça a necessidade de promoção de políticas industriais que permitam a redução de vulnerabilidades em países emergentes que não são capazes de produzir máscaras e respiradores em quantidade suficiente.

Pela perspectiva das autoridades chinesas é importante que seja promovida a diplomacia das máscaras, visto que a legitimidade do seu regime reside parcialmente na sua eficiência tecnocrática. Ou seja, é importante promover a imagem da competência do governo chinês em promover o bem público e o desenvolvimento no contexto doméstico e, desde a gestão do mandatário Xi Jinping (2012-2022), também no contexto internacional. É possível que a imagem da China saia muito prejudicada pela crise do coronavírus, mas um fato é quase inevitável: a economia global não poderá se recuperar sem o estímulo provido pelo setor produtivo e pelas exportações chinesas.

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Notas:

* A título de comparação, os países com os maiores números de casos da doença são os Estados Unidos e o Brasil. Os Estados Unidos apresentam 4,59 milhões de casos e mais de 155 mil mortes. O Brasil, por sua vez, apresenta 2,63 milhões de casos e mais de 91 mil mortes.

** A busca pela liquidez é um conceito da economia que define o movimento nos mercados de capitais no qual os investidores retiram o seu dinheiro e destinam essas somas para investimentos considerados de alta segurança e liquidez, normalmente compras de dólares e de títulos da dívida pública dos Estados Unidos. É corriqueiro que os capitais saiam de mercados emergentes em contextos de crise. No Brasil estima-se que tenha havido a retirada de US$ 50,9 bilhões nos últimos 12 meses, aproximadamente, 265,74 bilhões de reais, conforme a cotação de 31 de julho de 2020. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem de uma mulher de origem asiática usando máscara cirúrgica” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/illustrations/coronav%C3%ADrus-china-m%C3%A1scara-m%C3%A9dico-4910360/

Imagem 2 Mapa do mundo demonstrando os casos de coronavírus” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/World_map_of_total_confirmed_COVID-19_deaths_per_million_people_by_country.png

Imagem 3 Máscaras utilizadas no combate ao Covid19” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/photos/face-mask-covid-19-epidemic-5024710/

Imagem 4 Mapa demonstrando os países desenvolvidos e em desenvolvimento” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Developed_and_developing_countries.PNG

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Tecnologia 5G: a posição do Brasil na disputa entre Estados Unidos e China

A disputa pelo desenvolvimento e a oferta de tecnologia 5G vem ganhando destaque na mídia em meio à conjuntura mais ampla de tensões entre os Estados Unidos e a China. Embora as autoridades norte-americanas apontem questões como o crescente déficit comercial desfavorável aos Estados Unidos, e alegações de violação dos direitos de propriedade intelectual por parte de empresas chinesas, esta questão se situa em um debate mais amplo. Esse debate consiste na ascensão chinesa e a percepção norte-americana de uma potência com crescentes capacidades econômicas e tecnológicas, capaz de projetar influência geoeconômica nos mais variados cenários regionais.

Contextualizando o potencial da tecnologia 5G, cabe explicar o histórico das gerações passadas. A primeira geração permitiu a realização de ligações telefônicas sem fio. A segunda geração permitia, além disso, o envio de mensagens SMS. A terceira geração (3G) permitiu o acesso à sites da internet, ainda que com pouca velocidade e dinamismo, se comparada aos padrões atuais. Já a tecnologia 4G permitiu o acesso e a transmissão de vídeos ao vivo, além de ter possibilitado o surgimento de novos modelos de negócios através do Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), tais como o UBER e o Airbnb. Ou seja, o 5G possibilitará o surgimento de novas empresas, serviços e modelos de negócios. Estima-se que o 5G terá uma velocidade de conexão 100 vezes superior à da 4G e será utilizado em smart cities, internet of things (IoT), carros inteligentes, entre outras atividades.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, na rampa do Palácio do Planalto, em Maio (2020)

No Brasil, o debate sobre a adoção da 5G e os leilões para decidir quais empresas realizarão a instalação da tecnologia chega em um momento muito complexo. O país enfrenta três crises simultâneas: 1) a crise econômica que vem assolando o país desde meados de 2015; 2) a crise sanitária e de saúde ligada ao elevado número de mortes (mais de 63.000) e contágio pela Covid-19 (mais de 1,5 milhão de pessoas)*; 3) a crescente instabilidade doméstica, à medida que avançam investigações sobre o possível envolvimento de membros do Governo do Presidente Jair Bolsonaro em ações afirmadas como ilícitas, e as tensões institucionais com outros Poderes que fazem parte do Estado brasileiro.

Ao final de maio (2020), o Embaixador do Brasil nos Estados Unidos elevou o tom das críticas à possível atuação de empresas chinesas na rede 5G, ao afirmar: “A maré está se voltando contra a Huawei à medida que cidadãos de todo o mundo estão acordando para o perigo do estado de vigilância do Partido Comunista Chinês”. A política externa de Jair Bolsonaro, desde o início de seu mandato, vem demonstrando inclinações de alinhamento com as posições dos Estados Unidos em diversas medidas. No entanto, a crescente ligação estrutural do Brasil com a China deverá aumentar as chances de tensões na questão da adoção da 5G.

Gráfico demonstrando a emissão de investimento estrangeiro direto por países selecionados, segundo dados do Banco Mundial

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e vem crescendo no seu volume de investimentos estrangeiros diretos. O estoque de IED chinês no país era praticamente irrisório antes de 2009, correspondendo a cerca de US$ 4 bilhões. Por outro lado, entre 2009-2019 esse estoque de investimentos já chegou ao montante de US$ 68,65 bilhões. Os EUA, com seu longo histórico de relações econômicas, ainda são o principal investidor no Brasil. No entanto, esta distância parece estar se tornando menor. O estoque de IED norte-americano contabilizava US$ 103,6 bilhões em 2017, último ano no qual existem dados oficiais disponíveis**.

O leilão de concessão de operações para a instalação da tecnologia 5G no Brasil estava marcado para março (2020) e foi adiado ainda sem uma data definida. Caberá ao Brasil realizar um posicionamento pragmático e que respeite a livre concorrência entre as empresas que tenham condições de participar do leilão. Especialistas apontam que quanto maiores forem as tensões entre as potências dominantes do sistema internacional, maior será o custo de alinhamento automático para países emergentes, como é o caso do Brasil. Uma posição claramente favorável às empresas norte-americanas prejudicaria severamente o agronegócio brasileiro, que tem a China como o principal destino de suas exportações de soja, minério de ferro, entre outros produtos. Isto também poderia acarretar uma redução dos fluxos de investimento externo direto, que vêm crescendo.

Fluxos de comércio entre os Estados Unidos e a China

Por outro lado, uma posição claramente favorável às empresas chinesas poderia prejudicar as relações de comércio com os Estados Unidos, país com o qual a pauta de exportação é um pouco mais variada e inclui bens intermediários e industriais. Além disto, sinalizar um alinhamento com a Huawei poderia prejudicar algumas pautas do Brasil na política internacional, como a entrada na OCDE, que depende da posição norte-americana. Maior contato entre a política brasileira e a academia poderá prover ideias importantes sobre como lidar com a crescente guerra comercial sino-americana.

Por fim, é possível que eventualmente o Brasil precise se posicionar de forma mais assertiva na disputa entre Estados Unidos e China, mas este não parece ser o momento. Estratégia também envolve paciência e observação, saber quando agir e também quando não agir. O Reino Unido, tradicional aliado norte-americano na política internacional, permitiu em janeiro (2020) a participação limitada da Huawei no seu território. É importante que seja favorecida a livre-concorrência. Que vençam as empresas com as melhores condições de custo e recursos tecnológicos para operar no país.

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Notas:

* Dados correspondentes ao dia 3 de julho de 2020.

** Ajustando para a taxa de câmbio do dia 3 de julho de 2020, o estoque de IED chinês corresponde a R$ 364,62 bilhões e o estoque de IED norte americano a R$ 550,25 bilhões. No caso dos 4 bilhões de dólares, corresponde a, aproximadamente, 21,25 bilhões de reais, também de acordo com a mesma cotação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tecnologia 5G” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/illustrations/a-internet-5g-tecnologia-gr%C3%A1tis-4899254/

Imagem 2 O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, na rampa do Palácio do Planalto, em Maio (2020)” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/palaciodoplanalto/49895618761

Imagem 3 Gráfico demonstrando a emissão de investimento estrangeiro direto por países selecionados, segundo dados do Banco Mundial” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/90/Foreign_Direct_Investment_by_Country.png

Imagem 4 Fluxos de comércio entre os Estados Unidos e a China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/19/China_USA_trade.png/1280px-China_USA_trade.png

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Panorama para o futuro das relações entre a China e a América Latina

A presença da China na América Latina cresceu significativamente na última década. O país é o principal parceiro comercial da América do Sul e o segundo maior parceiro comercial da América Latina, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a China representa 11% das exportações regionais e 18% das importações. A próxima década será decisiva para as relações entre os chineses e os países latino-americanos. Nesse sentido, é importante compreender o panorama histórico e as perspectivas para o futuro.

O movimento de estabelecimento de relações com a China iniciou no governo de Mao Zedong (1949-1976), logo no princípio da década de 1970. Inicialmente, estabeleceram-se relações com 11 países: Chile, Peru, México, Argentina, Guiana, Jamaica, Trinidad e Tobago, Venezuela, Brasil, Suriname e Barbados. O sucessor de Mao Zedong, Deng Xiaoping (1978-1989), aprofundou esta tendência na década de 1980 executando uma política externa pragmática, e buscando parcerias político-diplomáticas e econômicas que pudessem auxiliar e legitimar a participação chinesa no sistema internacional*.

Mapa demonstrando a divisão entre o Sul Global e o Norte desenvolvido

Começando os anos 1990 houve uma expansão da política externa chinesa para a região, visando à obtenção de recursos naturais para fomentar o seu processo de desenvolvimento econômico. A partir de 1993 a China deixa de ser autossuficiente em matéria de energia e a busca por recursos naturais e alimentos torna-se necessária por questões econômicas e de segurança. Ressalta-se que as relações com a região são enquadradas no âmbito Sul-Sul** e crescem igualmente iniciativas de cooperação científica e tecnológica com diversos países.

Este processo se amplia a partir de 2001, quando a China ingressa oficialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC) e lança a sua estratégia Going Global, que visava à expansão das empresas chinesas com o objetivo de garantir o acesso a recursos naturais. O século XXI marca o início de uma estratégia diplomática chinesa que enfatiza três elementos: 1) a ascensão pacífica da China como poder regional e global; 2) o conceito de um mundo multipolar; 3) a visão das Organizações Internacionais como principais instrumentos de política externa da China, sobretudo fora da Ásia.

Corroborando as afirmações anteriores, o país se torna Observador Permanente junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) em maio de 2004. Da mesma forma, a China obteve o status de Observador Permanente na Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), na Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e no Parlamento Latino-Americano (PARLATINO).

Mandatários chinês Xi Jinping participando de uma reunião de Cúpula acerca dos meios de comunicação na América Latina

Em 2015, a China e a Comunidade dos Países Latino-Americanos e Caribenhos criaram o Fórum China-CELAC, um canal de diálogo para promover a cooperação chinesa com a região. Durante a segunda reunião ministerial do Fórum, o país convidou oficialmente a América Latina para juntar-se à Belt and Road Initiative (BRI), também conhecida como a Nova Rota da Seda, a principal iniciativa de política externa do mandatário Xi Jinping.

Adicionalmente, a América Latina vem crescendo como destino para os investimentos estrangeiros diretos (IED) da China. O estoque de IED chinês na região entre 2005-2019 está estimado em US$ 175,52 bilhões (em torno de 913,13 bilhões de reais, conforme cotação do dia 16 de abril de 2020), sendo que os principais setores de destino são: energia (57%); mineração (20%) e transporte e logística (11%), seguidos de diversos segmentos com valores menos expressivos. Com relação à modalidade de entrada do IED, estima-se que 62% seja realizado através de fusões e aquisições. Isto quer dizer objetivamente que a maior parte dos investimentos consistiu na compra de empresas locais e estrangeiras atuando na região.

Analistas apontam que a importância da China para o Sistema internacional continuará a crescer nas próximas décadas. O país emitiu dois White Papers delineando sua política externa para a América Latina, em 2008 e 2016. Isto mostra que o Governo chinês tem uma visão para a cooperação com a região, por outro lado, o contrário não ocorreu. Ou seja, a América Latina não articulou uma visão estratégica conjunta em relação ao aumento da presença chinesa. A conjuntura atual, na qual diversos países da região estão sofrendo crises econômicas, dificulta que tal iniciativa seja realizada.

Imagem demonstrando a composição das exportações chinesas, extraída do Atlas da Complexidade Econômica

Embora a China ainda se considere uma nação em desenvolvimento, o país é hoje a segunda maior economia mundial e já lidera em diversos segmentos da indústria, tendo passado por intenso processo de catching up em sua estrutura produtiva. A América Latina, por outro lado, não passou por um processo tão intenso de industrialização e desenvolvimento. A região é composta por países com economias muito heterogêneas, portanto é difícil falar da região como um todo. Não obstante, ao observar a estrutura produtiva e de exportações da maior economia local, o Brasil, a dicotomia fica clara: percebe-se uma estrutura produtiva menos diversificada e menos sofisticada/industrializada.

Portanto, embora os intercâmbios entre a China e a América Latina ainda sejam conceitualmente relações Sul-Sul, a disparidade de recursos fica evidente. É imperativo que se criem estratégias, planejamentos de longo prazo para a cooperação com a China, que busquem enfatizar a possibilidade de cooperação científica e tecnológica, e o upgrading industrial dos países latino-americanos. Esta é uma tarefa muito complexa, visto que a indústria chinesa compete em vários dos segmentos nos quais a indústria local possui expertise e especialização.

Imagem demonstrando a composição das exportações brasileiras, extraída do Atlas da Complexidade Econômica

Existe espaço e grande potencial para a cooperação com os chineses em áreas como construção de infraestrutura, âmbito no qual a América Latina é notoriamente deficitária e a China possui capital e experiência. A área de energias renováveis é outro exemplo notável para o desenvolvimento da cooperação bilateral nas próximas décadas. É importante salientar a cooperação com Brasil no desenvolvimento aeroespacial, mostrando um exemplo no qual há transferência de tecnologia e ganhos entre ambas as partes.

Entretanto, a conjuntura que está se delineando devido à ameaça global do coronavírus trará imensos desafios para os países latino-americanos, vários do quais já enfrentavam crises econômicas antes da pandemia. Este fator provavelmente prejudicará a capacidade da região de articular estratégias a nível internacional, à medida que as economias locais ficarão mais preocupadas com o seu contexto doméstico. Autoridades projetam uma queda de 2% no PIB global em 2020, evidenciando esta tendência.

A instabilidade econômica poderá acentuar a instabilidade política. Se este cenário se consolidar, deverá aumentar o risco de erosão das instituições em diversas democracias locais. É uma conjuntura que exige extrema cautela e conscientização popular. Uma vez passado o surto epidêmico, é importante que seja reforçada a cooperação internacional como um dos instrumentos capazes de auxiliar no desenvolvimento da América Latina, desde que os países da região saibam articular os seus projetos de desenvolvimento.

É necessário reforçar a promoção de iniciativas que incluam a transferência de conhecimento e tecnologia e o desenvolvimento industrial da América Latina, e não apenas fomentar a venda de empresas e a exportação de bens agrícolas e commodities. Para isto, será necessária a ação de líderes pragmáticos que não realizem alinhamentos automáticos. O futuro da América Latina vai exigir muita diplomacia, políticos competentes e mobilização popular acerca da promoção do desenvolvimento local e a preservação das instituições democráticas.

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Notas:

* Naquele momento o país estava promovendo a sua política de reformas e abertura lançada em 1978, inaugurando uma nova fase na política externa chinesa. Para maiores informações: https://ceiri.news/quarenta-anos-do-processo-de-abertura-e-reformas-na-china/.

** As relações Sul-Sul não dizem respeito necessariamente a países que pertençam ao hemisfério sul do planeta, mas faz referência ao seu estágio de desenvolvimento. O conceito se refere aos países que integram o Sul global e que estão trilhando o seu caminho de desenvolvimento econômico. Por relações Sul-Sul, entende-se que haja uma proximidade entre os recursos de poder das partes, diferentemente do que se estabelece quando um país desenvolvido negocia com um país emergente. Neste caso, refere-se como relação Norte-Sul, onde a disparidade de poder e recursos é maior. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa demonstrando os países da América Latina” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Latin_America_%28orthographic_projection%29.svg/1024px-Latin_America_%28orthographic_projection%29.svg.png

Imagem 2 Mapa demonstrando a divisão entre o Sul Global e o Norte desenvolvido” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Global_South#/media/File:North_South_divide.svg

Imagem 3 Mandatários chinês Xi Jinping participando de uma reunião de Cúpula acerca dos meios de comunicação na América Latina” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidenta_asiste_a_la_inauguraci%C3%B3n_de_la_Cumbre_de_L%C3%ADderes_de_Medios_de_Comunicaci%C3%B3n_China-Am%C3%A9rica_Latina_(31052691622).jpg

Imagem 4 Imagem demonstrando a composição das exportações chinesas, extraída do Atlas da Complexidade Econômica” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ec/2014_China_Products_Export_Treemap.png

Imagem 5 Imagem demonstrando a composição das exportações brasileiras, extraída do Atlas da Complexidade Econômica” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014_Brazil_Products_Export_Treemap.png

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

O retorno da geopolítica: cenários sobre a ascensão chinesa

A política internacional está passando por uma conjuntura de intensas mudanças e instabilidade. Vários fatores contribuem para isto: 1) regimes democráticos vêm sofrendo críticas em diversos países ao redor do mundo; 2) as tecnologias, como a inteligência artificial e o big data ainda provocarão mudanças que não são completamente dimensionadas pelas sociedades; 3) desafios sistêmicos de médio e longo prazo, tal como o avanço do aquecimento global; 4) maior espaço para a atuação no Sistema internacional, destacando a proeminência da China e a crescente importância da Ásia enquanto polo de dinamismo econômico.

Os Estados Unidos ainda são a principal potência global. No entanto, um maior foco nas suas questões domésticas, aliado à ascensão de atores como a China estão contribuindo para este cenário dinâmico e aberto a mudanças. Especialistas apontam que o ordenamento internacional surgido no pós-Segunda Guerra Mundial, que teve os seus valores reforçados ao final da Guerra Fria, tem sofrido rupturas e novas ideias estão emergindo, vindas de centros de poder localizados em outros espaços, fora da visão de mundo estritamente Ocidental.

Mapa Físico da Ásia

Nesta conjuntura de múltiplas narrativas e diferentes atores buscando os seus interesses e vantagens estratégicas, a geopolítica ressurge com força. A geopolítica designa a análise da interação entre, por um lado, os ambientes geográficos e, por outro lado, os processos políticos. Portanto, a geopolítica consiste no uso de recursos ou elementos geográficos para atingir objetivos políticos. A geopolítica pode ainda constituir uma série de lentes de análise para verificar de que forma os fatores geográficos influenciam as ações políticas, assim como a concentração ou dispersão do poder. O desenvolvimento de tecnologias de ponta está historicamente ligado à disrupções geopolíticas. Portanto, a expansão da geopolítica permeia as relações, seja nas áreas política, ambiental, econômica e tecnológica.

Tradicionalmente, o campo das Relações Internacionais aponta três posturas possíveis no âmbito da política internacional: competir, cooperar ou entrar em conflito*. Tendo como foco as relações entre os Estados Unidos e a China e as dinâmicas de competição, cooperação e conflito no âmbito da tecnologia, observa-se que a resposta norte-americana à maior proeminência chinesa provocará diferentes mudanças para o ordenamento global. A Guerra Comercial e a crescente disputa pelo domínio e desenvolvimento das tecnologias que guiarão a expansão das cadeias globais de valor nas próximas décadas são os dois principais campos de disputa que aparecem de forma mais proeminente na mídia nacional e internacional.

No âmbito do domínio e desenvolvimento de tecnologia, existem três cenários possíveis acerca da ascensão chinesa: 1) competição, no qual as principais potências globais podem se desconectar, cada uma buscando formar a sua próprias redes e zonas de influência; 2) cooperação, neste ponto veríamos a concorrência, onde as diferentes capacidades dos Estados e de suas empresas definiriam o espaço ocupado por determinado ator no sistema internacional; 3) o cenário do conflito poderia envolver o aprofundamento de disputas como a guerra comercial, além do aprofundamento da diplomacia bilateral.

No cenário competitivo, desenvolvimentos como as tensões ligadas à expansão da empresa chinesa Huawei na área da telecomunicação 5G e os pedidos do governo Norte-americano pelo banimento desta empresa em diversos países sinaliza a possibilidade de uma desconexão. Ou seja, as cadeias de produção de bens tecnológicos poderiam se tornar mais nacionalizadas e/ou concentradas em aliados específicos. Outras evidências que apontam para esta possibilidade incluem a declaração do mandatário chinês Xi Jinping de que o país vai tentar depender menos das indústrias de tecnologia advindas dos Estados Unidos. Este seria um cenário com posturas de balanceamento e formação de alianças entre os grandes atores do sistema, porém onde ainda existam eficientes canais de diálogo para promover a cooperação em algumas áreas, mesmo que se mantenha certo grau de tensão.

Mandatários dos Estados Unidos e da República Popular da China, Donald Trump e Xi Jinping

No cenário cooperativo a concorrência, as diferentes capacidades e vantagens competitivas dos Estados e de suas principais empresas ditam o espaço ocupado por determinado ator nos diversos mercados e cenários regionais. Ou seja, este seria um cenário no qual a dispersão ou concentração de poder ocorreriam de forma organizada, possivelmente pautados pelo diálogo, pela diplomacia multilateral e pela ação de instituições como a ONU, o Banco Mundial, o Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento, o G20, entre outras.

O cenário de conflito poderia envolver o aprofundamento de disputas como a guerra comercial e talvez mesmo as guerras por procuração (proxy), onde dois ou mais agentes realizam a difusão de suas tensões, terceirizando determinado conflito para outros territórios, não diretamente envolvidos na disputa original. Além disto, um cenário com posturas mais conflitivas produziria o aprofundamento da crise da diplomacia e das instituições multilaterais, a exacerbação do uso político de narrativas nacionalistas e/ou extremistas e a preferência pela condução de diplomacia pelas vias bilaterais.

Fluxo Líquido de Investimento Estrangeiro Direto por país (1985-2018)

É provável que a ascensão chinesa produza uma combinação de diferentes respostas por parte dos atores tradicionais do Sistema internacional. Além das possibilidades apontadas nos cenários traçados, é importante relembrar que, por vezes, ocorrem os cisnes negros**, como costuma se denominar em análises de risco. Por fim, até 2040 a Ásia deverá representar mais de 50% do PIB mundial e 40% do consumo, ressaltando a tendência de mudança do eixo econômico global rumo às regiões fora do Ocidente.

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Notas:

* Na análise do construtivismo wendtiano, denominam-se estas atitudes sob três perspectivas: 1) Lockeano (competir),2) Hobbesiano (conflito), 3) Rousseauniano (cooperar). A perspectiva acerca dos outros atores alteraria, portanto, as ações dos Estados no Sistema Internacional. Um exemplo claro, diz respeito à diferente maneira com a qual os Estados Unidos lidam com o poderio nuclear do Reino Unidos e da Coreia do Norte. Apesar do arsenal nuclear do Reino Unido ser muito mais numeroso, este ator não é visto como uma ameaça, ao contrário da Coreia do Norte.

** Denomina-se de cisne negro, os fatos que possuem uma possibilidade muito reduzida de ocorrer e grande impacto. Ou seja, são fatos muito difíceis de serem previstos e que quando ocorrem têm efeitos devastadores para os agentes envolvidos na matriz analítica.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 2 Mapa Físico da Ásia” (Fonte): https://mapswire.com/asia/physical-maps/

Imagem 3 Mandatários dos Estados Unidos e da República Popular da China, Donald Trump e Xi Jinping” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:President_Trump_at_the_G20_(48162296741).jpg

Imagem 4 Fluxo Líquido de Investimento Estrangeiro Direto por país (19852018)” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Foreign_Direct_Investment_by_Country.png

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Discurso de Xi Jinping enfatiza a sustentabilidade ao longo da Nova Rota da Seda

Ocorreu no final de abril (2019) o II Fórum da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) em Pequim, na China. O comunicado conjunto do evento reuniu 37 Estados, apontando crescimento em relação aos 29 países que estiveram presentes na primeira edição do evento que ocorreu em 2017. Neste ano (2019), foram fechados 283 acordos, totalizando US$ 64 bilhões* em investimentos anunciados. 

Os investimentos estrangeiros diretos da China em 56 dos países que compõem a Belt and Road Initiative cresceram 8,9% em 2018, se comparados ao ano de 2017. Estima-se que entre 2014-2017 mais de US$ 120 bilhões** tenham sido efetivamente destinados pela China no arcabouço da BRI. Os projetos na área de energia compõem 44% do montante, seguidos pelo setor de transporte que compõe 30% do total. Estima-se que existam mais de US$ 3,6 trilhões*** de investimentos anunciados e/ou planejados ao longo da Nova Rota da Seda.

Xi Jinping, mandatário da China

A China visa promover a BRI como uma ampla visão para a integração internacional, promovendo valores como a cooperação para ganhos mútuos (win-win), o estímulo aos fluxos de comércio e finanças, a coordenação de políticas econômicas e a construção de infraestrutura como via de desenvolvimento para os países emergentes. O discurso de Xi Jinping durante o evento enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável e de energias renováveis como metas para a Belt and Road Inititative (BRI) nas próximas décadas.

Além disto, o mandatário abordou cinco principais pontos na sua fala: 1) aumentar a abertura do mercado chinês para empresas estrangeiras; 2) fortalecer os mecanismos de cooperação internacional para a proteção dos direitos de propriedade intelectual; 3) expandir a importação de produtos estrangeiros; 4) expandir o engajamento da China na coordenação de políticas macroeconômicas de acordo com os padrões internacionais; 5) aprofundar o processo de reformas e abertura da economia chinesa.

Países membros da Belt and Road Initiative

Desde o lançamento da Iniciativa no ano de 2013, a falta de clareza quanto aos projetos envolvidos e às diretrizes necessárias para que os diferentes empreendimentos pudessem ser considerados como parte da BRI levantou suspeitas a nível internacional. Os chineses parecem ter ouvido algumas das principais críticas realizadas por observadores internacionais, haja vista o discurso de Xi Jinping enfatizar a transparência e a necessidade de se cumprir acordos e seguir as normas do direito internacional. O endividamento dos países que contraem empréstimos chineses através da BRI é uma questão comumente apontada por analistas internacionais.

Um recente estudo lançado pelo Rhodium Group analisou quarenta (40) casos de renegociação de dívidas contraídas através da BRI entre os anos de 2013-2017. Os principais resultados afirmam que a renegociação das dívidas tem sido frequente, o que pode levar a China a ser mais cautelosa com os seus empréstimos no futuro. A apreensão de bens e infraestrutura, como foi o caso da aquisição do porto de Hanbantota no Sri Lanka, após o país não ter podido saldar o compromisso com a dívida, ocorreu em raríssimos casos. Por fim, embora existam assimetrias de poder e recursos entre a China e os países receptores de financiamento, o Reino do Meio tem tido dificuldades em conduzir a renegociação dos termos dos empréstimos ao seu favor. Apontam-se ainda os casos mais extremos de risco, como é a Venezuela, que recebeu US$ 62 bilhões de dólares em investimentos chineses**** na última década e atualmente se encontra em uma situação de grande instabilidade política e econômica.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030

Foi lançada neste mês (maio) uma plataforma junto à UNCTAD para catalogar os projetos ligados à BRI, o que é um avanço importante. Antes disto, a compilação de projetos de infraestrutura ligados ao plano era feita de maneira informal por think tanks e diferentes centros de pesquisa, na ausência de uma base de dados oficial.

Em diversos pronunciamentos, a China se mostra engajada com os objetivos do desenvolvimento sustentável lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2030. Entretanto, a ênfase na sustentabilidade anunciada por Xi Jinping entra em conflito com a realidade da BRI: mais de 90% dos projetos de energia envolvidos na Nova Rota da Seda concentram-se em torno do setor de combustíveis fósseis. A exemplo dos esforços domésticos empreendidos pelo país para a mudança gradual da sua matriz energética, é possível que a BRI se torne cada vez mais verde e sustentável, a questão é saber o tempo que isso demorará para efetivamente acontecer. O ponto positivo é que parece haver vontade política para promover tal mudança.

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Notas:

* Aproximadamente, 253,14 bilhões de reais, conforme cotação de 10 de maio de 2019.

** Em torno de 474,64 bilhões de reais, conforme a mesma cotação.

*** Próximos de 14,24 trilhões de reais, ainda de acordo com a cotação de 10 de maio de 2019.

**** Aproximadamente, 245,23 bilhões de reais, pela mesma cotação de 10 de maio de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Energias renováveis” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Renewable_Energy_on_the_Grid.jpg

Imagem 2 Xi Jinping, mandatário da China” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ed/Xi_Jinping_2016.jpg

Imagem 3 Países membros da Belt and Road Initiative” (Fonte): https://www.silkroadbriefing.com/news/2019/04/29/2019-belt-road-forum-xi-jinping-actually-said-terms-belt-road-development-china-market-access/

Imagem 4 Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Sustainable_Development_Goals.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Fintechs auxilia as pequenas e médias empresas na China

As companhias que atuam no ramo de tecnologia financeira (fintech) encontraram um novo nicho de mercado na China: os empréstimos às pequenas e médias empresas. Com cerca de 800 milhões de pessoas consumindo produtos através do comércio digital (e-commerce) novas oportunidades surgem rapidamente. Fintech é o termo utilizado para designar a aplicação de tecnologia nos serviços financeiros. Mais de 60% do PIB chinês é gerado por pequenas e médias empresas cujo acesso aos meios de financiamento tradicionais é limitado, haja vista que o sistema financeiro chinês ainda é pouco desenvolvido para o tamanho de sua economia.

O setor bancário tradicional não costuma realizar empréstimos menores de um milhão de yuans (aproximadamente, 585,5 mil reais, de acordo com a cotação e 23 de abril de 2019). Em contrapartida, a média dos créditos requeridos pelas pequenas e médias empresas gira em torno de 10.000 yuans (em torno de 5.855 reais, também de acordo com a mesma cotação). Isto demonstra o amplo espaço existente para a atuação dessas companhias. O Governo chinês normalmente deixa as tecnologias se desenvolverem antes de proceder com a sua regulação. Este foi o caso com as fintechs, que agora são estimuladas a realizar parcerias com os Bancos tradicionais.

Segmentos de atuação das Fintechs

As empresas dominantes neste mercado são a Alibaba (criadora do aplicativo Alipay) e a Tencent (criadora do aplicativo Wechat), dominando quase 80% do mercado nacional. Não obstante, existe um nicho onde se inserem empresas de menor porte, como a CreditEase, que atende clientes em 250 cidades da China. Por outro lado, nas áreas rurais ainda existem dificuldades de acesso para que as parcelas mais pobres da população chinesa tenham acesso às fintechs.

O aplicativo Wechat, por exemplo, permite simultaneamente a transferência de dinheiro entre pessoas, o pagamento de contas, a realização de transações comerciais em restaurantes e lojas, reserva de hotéis e/ou passagens de trem, pedir tele-entregas, além de servir como uma rede social que agrega simultaneamente a funcionalidade do Whatsapp, Facebook e Instagram.

O ecossistema da inovação na China é extremamente competitivo. As empresas líderes na área de comércio digital se desenvolveram em um contexto de intensa concorrência e busca incessante por inovações que permitam captar mais consumidores e/ou aportar um diferencial de qualidade.

Por fim, o e-commerce deverá continuar a se desenvolver na China. Adicionalmente, os fornecedores e toda a cadeia de valor envolvida na produção de um bem ou serviço estão digitalizados, mesmo nas empresas de menor porte. Esta tendência deverá se intensificar e se espalhar por outros países da Ásia e igualmente pelo hemisfério Ocidental. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte): http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Segmentos de atuação das Fintechs” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7a/FinTech_Segments.png