ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Quarenta anos do processo de abertura e reformas na China

(1978-2018)

O ano de 1978 é o marco histórico do início dos processos de abertura e reformas na República Popular da China (RPC). Conduzidas por Deng Xiaoping (mandato de 1978-1989), as reformas rumo ao desenvolvimento tornaram-se um norte na política do país em todos os governos que o sucederam. O ano de 2018 marca os quarenta (40) anos deste processo que pode aportar exemplos de boas práticas em políticas públicas para outras nações emergentes.

Governado pelo Partido Comunista da China (PCC), o país tirou 800 milhões de pessoas da linha de pobreza segundo relatórios do Banco Mundial. Além disto, a renda per capita de sua população passou de menos de US$ 1,000.00* em 1978 para mais de US$ 8,800.00* ao final de 2017, sendo agora um país de renda média, contando com uma população de 1,4 bilhão de pessoas. A RPC representava 3% da economia global quando Deng Xiaoping iniciou o seu mandato e agora o PIB representa 19% do total mundial.

Deng Xiaoping, mandatário da China entre 1978-1989

O seu governo terminou conjuntamente com a Guerra Fria e, naquela conjuntura, o cenário internacional se encontrava em um momento no qual a existência de democracias no campo político, aliadas ao capitalismo liberal no campo econômico, pareciam ter triunfado como os modelos mais adequados para se atingir o desenvolvimento e prosperidade através das nações.

Neste contexto, o filósofo, economista e politólogo nipo-americano Francis Fukuyama declarou sua célebre frase, na qual afirmava que a humanidade havia chegado ao fim da história. Partindo de uma perspectiva considerada pelos analistas como ligeiramente etnocêntrica, vários especialistas vieram prevendo a queda do regime e uma grande crise econômica na China desde o início dos anos 1990. O país deveria obrigatoriamente tornar-se uma democracia ou estaria fadado ao fracasso em seu processo de desenvolvimento.

Entretanto, quase trinta anos depois e uma década após o colapso da economia global em 2008, as democracias liberais enfrentam crises em vários países desenvolvidos através da Europa, da América Latina e até mesmo nos Estados Unidos. Níveis crescentes de desigualdade de renda e patrimônio, bem como a perda de legitimidade dos governantes entre os eleitores vêm apresentando desafios para os regimes democráticos em grande parte do Ocidente.

Pirâmide etária da China em 2016

A China certamente possui problemas a serem resolvidos, incluindo: a desigualdade entre as regiões leste e oeste do país; questões ambientais e de sustentabilidade; problemas demográficos ligados ao envelhecimento de sua população; inflação no setor imobiliário, entre outros. Por isso, tem-se falado internacionalmente que não se trata de defender o regime político chinês, mas observar os exemplos externos de forma pragmática. 

Como já disse o próprio Deng Xiaoping: “Eu não ligo se o gato é preto ou branco, contanto que seja bom em pegar ratos”. O mandatário visava afirmar que mais importante do que ideologias devem ser as preocupações com o desenvolvimento econômico e o espraiamento do bem-estar para a maior parte da população. Neste sentido, busca-se as melhores lições que possam ser apreendidas tanto do modelo de democracias liberais, quanto do modelo de capitalismo de Estado da China.

Deng Xiaoping pautou suas reformas nas quatro grandes modernizações: 1) modernização da agricultura; 2) modernização das Forças Armadas; 3) modernização da indústria; 4) desenvolvimento da ciência e tecnologia.

No campo da agricultura foi promovido maior engajamento e responsabilidade junto aos proprietários rurais, rumo ao objetivo de tornar o país autossuficiente na produção de alimentos. A modernização das Forças Armadas teve como foco a redução da grande burocracia então existente e a adaptação ao uso de equipamentos de maior intensidade tecnológica.

Na questão industrial foram promovidas medidas no sentido de reformar as indústrias pesadas intensivas no uso de capital, modelo herdado da União Soviética, para indústrias leves, intensivas em mão-de-obra, fator de produção que a China possuía em abundância. Além disso, pautou-se pela promoção das exportações, seguindo o modelo trilhado anteriormente por outros países do leste asiático. A China utilizou igualmente a venda de petróleo para adquirir bens de capital e máquinas que possibilitassem a sua modernização, ao invés de usar essas receitas para adquirir bens de consumo.

Na questão de ciência e tecnologia, abriram-se zonas econômicas especiais no sudeste do território chinês, buscando atrair investimentos e integrar o país ao comércio internacional. Além disto, utilizou-se do tamanho do mercado doméstico e do baixo preço da mão-de-obra local como fatores de barganha para facilitar a transferência de tecnologia por parte de empresas estrangeiras que viessem se instalar no seu território. Inicialmente, qualquer empresa que desejasse investir na China deveria obrigatoriamente estabelecer uma joint venture com uma empresa local.

Distribuição setorial das exportações da China no ano de 2014, separadas por setor

Desde então, algumas das políticas utilizadas pelos mandatários que sucederam a Deng Xiaoping podem ser sintetizadas em: 1) grandes investimentos em infraestrutura pela parte do Estado chinês; 2) Investimento em ciência, tecnologia e inovação, de modo a aumentar a sofisticação da sua estrutura produtiva; 3) investimento na educação básica e superior, incluindo intercâmbios universitários no exterior; 4) Proteção às indústrias nascentes e subsídios às empresas chinesas, além de uma política monetária e fiscal que fomentou a competitividade das exportações com elevado conteúdo nacional.

Apesar das particularidades do caso chinês, existem exemplos de práticas neste processo histórico de desenvolvimento econômico que poderiam ser replicados, sobretudo no sentido de incentivar a pesquisa, o desenvolvimento de tecnologia e a inovação. A partir do modelo usado, observa-se que o alto investimento em educação deve ser acompanhado de uma política industrial visando promover indústrias locais e evitar a fuga de cérebros. Além disso, o investimento em infraestrutura de qualidade é essencial. Nestas áreas, é preciso que haja o envolvimento estatal, visto que a expectativa de lucro vem nos médios e longos prazos, o que acaba, por vezes, afastando o capital privado que costuma possuir expectativa de retornos mais imediatos.

A perda de legitimidade de alguns dos regimes democráticos no Ocidente se deve, entre outros aspectos, pelo sentimento de exclusão de grande parte da população local dos benefícios do crescimento econômico das últimas décadas. Nesse sentido, observando a prática até o momento vitoriosa da China, conclui-se também que o emprego de políticas inclusivas que visem fomentar indústrias domésticas e integrar-se à economia global de forma competitiva poderiam auxiliar no aumento da legitimidade dos regimes democráticos. As maiores lições que poderiam ser analisadas neste contexto advêm do pragmatismo e do pensamento de estratégias de longo prazo, no sentido de fomentar a inclusão do povo nos processos de desenvolvimento.

Por fim, a China se encontra em uma encruzilhada no seu processo de (re)ascensão rumo ao topo da economia global. Existem ainda diversas reformas a serem feitas, incluindo a necessidade de promover um modelo de crescimento que seja ambientalmente sustentável. Especialistas apontam ainda que os próximos anos deverão apresentar um crescimento mais moderado no PIB chinês, fator que tende a se agravar no contexto das disputas comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos.

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Nota:

* Aproximadamente, 3.709 reais e 32.640 reis, respectivamente, conforme a cotação de 15 de janeiro de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 2 Deng Xiaoping, mandatário da China entre 19781989” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Deng_Xiaoping.jpg#/media/File:Deng_Xiaoping.jpg

Imagem 3 Pirâmide etária da China em 2016” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png#/media/File:Bev%C3%B6lkerungspyramide_China_2016.png

Imagem 4 Distribuição setorial das exportações da China no ano de 2014, separadas por setor” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014_China_Products_Export_Treemap.png#/media/File:2014_China_Products_Export_Treemap.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Estratégias e tendências para empresas que queiram vender seus produtos na China

O Instituto McKinsey lançou, em parceria com a Nielsen Holdings, um detalhado relatório sobre estratégias de sucesso para empresas que queiram vender seus produtos na China. As informações foram coletadas através de surveys distribuídos entre as maiores companhias locais e internacionais que atuam nos setores de comércio e varejo, abrangendo o período de 2015-2018.

Os principais resultados encontrados indicam que empresas que possuam uma visão específica acerca do mercado local tiveram maior desempenho de vendas. O uso de dados e de feedback dos consumidores para direcionar as campanhas de marketing online e offline foi outro fator de sucesso. Além disso, as companhias que apresentaram maiores volumes de vendas possuem uma cultura corporativa que estimula e recompensa o desempenho dos seus funcionários.

Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi

Realizando uma análise conjuntural, é possível delinear três (3) macrotendências sobre o mercado consumidor da China:

1) O crescimento da classe média e do poder de compra da população. O país possui atualmente mais de 300 milhões de pessoas na faixa de renda da classe média, visto que 43% da população tem uma renda anual de $16,000.00-$35,000.00 dólares norte-americanos. O relatório projeta que no ano de 2025, 66% da população chinesa ocupará esta faixa de renda. Ou seja, mais de 200 milhões de pessoas deverão ingressar em tal categoria nos próximos sete anos, demonstrando um imenso potencial para empresas que queiram se estabelecer na China.

Estes consumidores buscam crescentemente bens de consumo mais sofisticados, por isso, Companhias que possuam diferenciação qualitativa nos seus produtos terão maiores chances de concorrência. Entre os setores de destaque, apontam-se: bebidas alcoólicas; carne bovina; laticínios e seus derivados; cosméticos e produtos de cuidado pessoal, de um modo geral.  

2) A escolha da localização adequada é um fator muito relevante para as empresas visando atuar no mercado chinês, visto que as cidades possuem grandes disparidades de população e renda. Portanto, uma análise de mercado é necessária antes que seja tomada uma decisão de investimento. A título de ilustração, algumas cidades chinesas possuem um PIB equivalente ao de certos países.

Por exemplo, no ano de 2017 a cidade de Guangzhou possuía um PIB equivalente ao da Argentina e Pequim detinha uma economia do mesmo tamanho da Suíça. Neste mesmo ano, Shanghai possuía um PIB equivalente ao da Holanda, ao passo que Suzhou gerava um PIB equivalente ao da Bélgica. Comparações similares podem ser feitas em dezenas de casos, exacerbando a necessidade de conhecer o mercado nacional antes de decidir onde se instalar.

Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China

3) O crescimento do setor de vendas online é a terceira macrotendência. Os consumidores chineses estão acostumados a comprar utilizando os seus smartphones e o país é atualmente o maior mercado online do mundo, representando vendas anuais de mais de US$ 800 bilhões. O país possuí mais de 800 milhões de pessoas conectadas à internet. Neste sentido, qualquer empresa que ignore tal segmento estará perdendo um grande espaço de expansão e atuação.

É importante que se estabeleça parcerias ou que se realize contratação de profissionais treinados no mercado local, pois o ambiente regulatório na China muda muito rápido. A cada ano o Governo Central costuma alterar detalhes de suas leis, seja no âmbito comercial, ambiental ou mesmo no que diz respeito à regulação do espaço digital. A contratação de profissionais treinados na China é igualmente importante no sentido de mitigar possíveis tensões e ou desentendimentos relativos às diferenças culturais, visto que o país possuí uma cultura milenar e com características muito marcantes e singulares.

Made in China

A China realiza anualmente várias feiras profissionais e comerciais, que representam ótimas oportunidades para se estabelecer contatos e parcerias locais, e, igualmente, para quem possa estar procurando oportunidades neste país de um modo geral. As maiores feiras ocorrem em Pequim, Shanghai, Shenzhen e Hong Kong, normalmente no período da primavera (entre os meses de março e junho).

Por fim, reconhece-se que ingressar na China pode não ser uma tarefa fácil. Não obstante, o potencial de crescimento deste mercado é imenso e existe muita prosperidade sendo gerada para as empresas que tiverem visão estratégica e saibam aproveitar estas oportunidades. Como ressaltou um editorial do New York Times lançado no mês passado: “O Sonho Americano* está vivo, mas agora ele se realiza na China”.

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Nota:

* A expressão Sonho Americano, ou American Dream, é o famoso slogan que apresenta a identidade nacional dos Estados Unidos da América. De modo simplificado, o conceito refere-se ao país como uma terra de oportunidades, onde a mobilidade social é possível através do mérito. Basicamente, refere-se à questão de que se algum indivíduo se esforçar o bastante, ele poderá melhorar a sua condição de vida. O conceito faz uma contraposição às estruturas oligárquicas que existiam nas antigas sociedades, onde o nascimento, o casamento e/ou a herança eram os principais meios de se obter uma melhor qualidade de vida.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte): http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Bandeira e mapa da China sobrepostos sobre o mapa mundi” (Fonte): https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Imagem 3 Infográfico sobre as vendas do dia dos solteiros, a Black Friday da China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/intelfreepress/15582285358

Imagem 4 “Made in China” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/twicepix/5961333988

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China e Japão assinam mais de cinquenta (50) acordos de cooperação bilateral

O Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, realizou uma visita oficial à República Popular da China na sexta feira, dia 26 de outubro (2018). Nesta ocasião foram assinados mais de cinquenta acordos bilaterais. As áreas afetadas incluem: construção de infraestrutura; inovação tecnológica; cooperação no caso de desastres naturais; sistema financeiro e desenvolvimento sustentável.

Bandeiras da China e do Japão

Um dos acordos assinados é especialmente digno de nota, visto que estabelece diretrizes para a cooperação marítima entre a China e o Japão no caso de acidentes em águas internacionais. As relações bilaterais destes países vêm apresentando fricções desde que a China começou a efetuar uma política de criação de ilhas artificiais no Mar localizado ao Sul do seu território, afetando demandas territoriais pela parte do Japão. Este acordo vinha sendo negociado desde o ano de 2011 e o Japão já possui uma cooperação desta natureza com a Coréia do Sul e com os Estados Unidos.

Em uma conjuntura na qual a China enfrenta disputas comerciais com os Estados Unidos (EUA), o aprofundamento da coordenação com o Japão, a terceira maior economia do mundo e a segunda maior da Ásia, certamente é um movimento estratégico de grande relevância. Pela perspectiva japonesa, a aproximação pode servir igualmente como uma forma de balancear as suas recentes tensões com os Estados Unidos, que anunciaram a possibilidade de elevar para 25% as tarifas comerciais, afetando a indústria automobilística japonesa.

Esta foi a primeira visita de Estado oficial realizada por Shinzo Abe à China desde o ano de 2012, ainda que o mandatário tenha estado neste país na ocasião de eventos de cunho multilateral. Por fim, a aproximação entre tais atores, ainda que possa ter sido conduzida por razões pragmáticas, indica um gesto sinalizando rumo a maior coordenação em nível regional. Nesta ocasião, ambos os líderes se pronunciaram como sendo a favor do livre comércio entre as nações e pelo fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mandatários da China e do Japão, Xi Jinping e Shinzo Abe, respectivamente” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shinzō_Abe_and_Xi_Jinping_(November_2017).jpg

Imagem 2 Bandeiras da China e do Japão” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:China_Japan_450x300px.png#/media/File:China_Japan_450x300px.png

ÁSIADIPLOMACIA CORPORATIVAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Jack Ma, fundador da Alibaba, anuncia a sua aposentadoria

Jack Ma, o fundador da maior empresa chinesa de comércio eletrônico, anunciou que não retornará às suas atividades junto ao grupo Alibaba[1], durante uma conferência organizada pelo Fórum Econômico Mundial, no final de setembro (2018), em Tianjin, na China. O icônico empresário trabalhará durante o ano de 2019, deixando posteriormente a empresa a cargo do Diretor Executivo (CEO), Daniel Zhang.

Logo da Empresa Alibaba

Jack Ma afirmou que continuará em constante comunicação com o novo CEO e que não está preocupado com a queda de 7% que as ações da empresa apresentaram após o anúncio de sua saída. Declarou que pretende se dedicar a atividades filantrópicas visando à preparação de jovens empreendedores nas próximas décadas.

Criada no ano de 1999, a empresa visa facilitar a comercialização de produtos ao redor do mundo, provendo tecnologia, marketing e expertise para os seus parceiros. O empresário credita o sucesso de sua companhia a uma habilidade fundamental[2] aprendida durante os anos em que trabalhou como professor: a capacidade de identificar e cultivar o talento em outras pessoas.

A Alibaba superou as vendas globais da Walmart no ano de 2014 e o tamanho do mercado consumidor da China certamente é um dos fatores que contribuem para isto, mas esta não é a única razão para o seu sucesso. A empresa buscou formar um ecossistema digital em torno dos fornecedores e dos consumidores[3], conectados cada vez mais fortemente pela internet. Paulatinamente, a Alibaba passou a diversificar as suas atividades, estabelecendo centros de pesquisa e desenvolvimento, marketing, logística, atuando inclusive no financiamento de novas empresas.

Por fim, o avanço de tecnologias como a inteligência artificial, computadores em nuvem, o big data e a internet aplicada aos bens de consumo criarão fluxos cada vez maiores de dados que poderão servir como uma base para o crescimento de empresas que atuem no meio digital. Atendendo à demanda de dois bilhões de pessoas ao redor do mundo[4], certamente será muito interessante observar as tendências e a estratégia da Alibaba, assim como os rumos do seu célebre fundador, Jack Ma.

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Notas:

[1] Ver:

https://www.cnbc.com/2018/09/20/jack-ma-says-he-wont-ever-come-back-to-lead-alibaba-after-he-leaves.html

[2] Ver:

https://www.cnbc.com/2018/09/20/working-as-a-teacher-taught-alibabas-jack-ma-this-business-skill.html

[3] Ver:

https://hbr.org/2018/09/alibaba-and-the-future-of-business

[4] Ver:

https://www.alibabagroup.com/en/ir/pdf/160614/08.pdf

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Diretor da Empresa Alibaba, Jack Ma” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/itupictures/34106079942

Imagem 2Logo da Empresa Alibaba” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Alixblog.png

                                                                                              

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Nova Rota da Seda digital: integração euroasiática no século XXI

A Nova Rota da Seda, denominada oficialmente de Belt and Road Initiative (BRI)*, consiste em um plano de investimentos em infraestrutura visando promover o desenvolvimento e a conectividade através do espaço euroasiático. Outra importante faceta da Iniciativa consiste na integração e promoção das conexões digitais, o que se denomina oficialmente de “Rota da Seda Digital”. A China planeja investimentos que visam dinamizar as trocas de informações e a integração que engloba os setores de alta tecnologia.

Imagem simbolizando das trocas globais de informação

A visão oficial sublinha que as empresas chinesas de telecomunicações, comércio digital e tecnologia da informação de um modo geral poderiam aumentar a sua inserção nos países compreendidos pela BRI. Exemplos de investimentos neste sentido incluem a construção conjunta de satélites, além da expansão da rede transcontinental de cabos de fibra óptica. No que diz respeito à dimensão estratégica, estes recursos poderiam reduzir a dependência da China sobre a infraestrutura de cabos atualmente existente, que é sobretudo decorrente de aportes norte-americanos.

Além das preocupações com a defesa cibernética e buscando maior autonomia, a Rota da Seda digital poderia facilitar a internacionalização de empresas como a BeiDou Navigation System, a versão chinesa do sistema de posicionamento global originalmente criado pelos Estados Unidos. A Organização das Nações Unidas estima que 62% da população das regiões da Ásia e do Oceano Pacífico não estejam conectadas à internet e isto representa uma grande fatia de mercado e uma significativa potencialidade.

A tecnologia está mudando os negócios

O setor da economia digital já representa 30,3% do PIB chinês, sendo que o fluxo de comércio pela internet que ocorre no país corresponde a 42% do total global para este segmento, que é liderado pelas empresas Alibaba e Tencent. A Nova Rota da Seda digital deverá focar nas tecnologias como telecomunicação 5G; computação em nuvem; inteligência artificial; big data; além da crescente integração da internet à indústria.

Analistas críticos vêm expressando a sua preocupação em relação à possibilidade de controle e o uso das informações pela parte do Governo chinês. Por fim, ainda não é possível apresentar uma visão conclusiva sobre o tema, visto que os projetos da Nova Rota da Seda Digital estão em pleno desenvolvimento.

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Nota:

* O delineamento geral da BRI já foi anteriormente abordado em notas previamente publicadas no CEIRI Newspaper.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa delineando alguns dos países que participam da Nova Rota da Seda” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:One_Belt_One_Road.png

Imagem 2Imagem simbolizando das trocas globais de informação” (Fonte):

https://www.publicdomainpictures.net/en/view-image.php?image=212237&picture=digital-world

Imagem 2A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte):

https://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China lança Livro Branco sobre participação na OMC, em meio a tensões comerciais

O Escritório do Conselho de Estado para a Informação da China lançou em junho (2018) um White Paper abordando a participação do país na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Documento enfatiza que a China respeita as normas de comércio conforme definidas pelo regime multilateral, além de constituir um posicionamento em defesa do comércio global e da maior cooperação entre as nações. 

Os chineses ingressaram na OMC no ano de 2001, concomitantemente com o lançamento da política oficial para a internacionalização de sua economia, a estratégia Going Global. As décadas de 2000 e 2010 demonstraram grande crescimento da projeção dos Investimentos Externo Diretos* (IED) expedidos pela China. O estoque de IED emitido pelo país passou de US$ 27.7 bilhões no ano 2000 para US$ 987.2 bilhões no ano de 2016.

A internacionalização das empresas chinesas visava inicialmente o acesso à mercados que pudessem prover as matérias primas e os recursos energéticos necessários para a manutenção do ritmo de desenvolvimento de sua economia. Por outro lado, o perfil dos investimentos chineses no exterior vem mudando, visto que passam à ser destinados à aquisição de empresas de tecnologia de ponta em áreas como: robótica; inteligência artificial; biotecnologia; aplicativos digitais; telecomunicações e dispositivos móveis. A aquisição de empresas norte-americanas e europeias destes setores alarmou as lideranças políticas dos países desenvolvidos no Ocidente.

Logo da Organização Mundial do Comércio

O Livro Branco menciona que a China reduziu as tarifas médias sobre a importação de produtos estrangeiros de 15,3% para 9,8%, além de ter alterado mais de 2.300 leis nacionais para se adequar às normas da OMC desde o ano de 2002. Aborda-se igualmente a crescente abertura do país às empresas estrangeiras do setor de serviços, além dos esforços no sentido de assegurar um ambiente regulatório adequado para a propriedade intelectual, contando com a criação de quinze (15) Cortes e Tribunais especializados nesta matéria.

O país é o maior parceiro comercial de 120 Estados ao redor do mundo e o Documento afirma que a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative) é a sua maior contribuição para o comércio entre as nações, além de ser uma oportunidade de estimular o desenvolvimento de outros países emergentes. Em suma, o White Paper reforça a retórica oficial de que a China pretende prover bens públicos através da cooperação para ganhos mútuos (win-win).

O lançamento do Documento ocorre na conjuntura de disputas comerciais entre as duas maiores economias do planeta. Afirma-se que as posturas protecionistas e as ações unilaterais são perigosas para a estabilidade mundial. Além disso, as autoridades chinesas se posicionam em defesa da globalização, do desenvolvimento tecnológico e da inovação, sobretudo em matéria de energias renováveis e tecnologias verdes. Por fim, o Livro Branco traça uma linha de continuidade no processo de aberturas e reformas da Nação, que começou no ano de 1978 e completa agora quarenta (40) anos. O discurso oficial afirma que o país deve continuar neste processo de modo a poder auxiliar outras nações a alcançarem resultados positivos nas suas próprias trajetórias de desenvolvimento.

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Nota:

* A categoria denominada de Investimento Externo Direto (IED) visa designar investimentos que pretendam obter alguma parcela de controle sobre empresas localizadas em outros países. Esta modalidade de investimento tende a ser caracterizada pela expectativa de rentabilidade de médio e longo prazo, diferenciando-se dos investimentos de curto prazo, que possuem caráter especulativo e visam à obtenção de lucros imediatos. Nestes casos, o capital não costuma permanecer tempo suficiente em um país para que se produzam significativos efeitos e externalidades positivas sobre as sociedades locais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da China estilizada” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/7378023376

Imagem 2Gráfico do comércio entre a China e os EUA de 19852017” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:China_USA_trade.png#/media/File:China_USA_trade.png

Imagem 3Logo da Organização Mundial do Comércio (OMC)” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/14816201544