AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Segurança: a Fronteira Panamá – Colômbia

Grande parte dos problemas de segurança do Panamá estão relacionados a sua fronteira ao sul com a Colômbia, pois a fronteira colombiana é geralmente a primeira parada do tráfico de drogas, tanto por vias terrestres como marítimas[1].

A possível paz colombiana entre o Governo e as FARC, lamentavelmente não deverá resolver os problemas do Panamá na fronteira, de acordo com o Diretor da Polícia de Fronteira, Frank Abrego[1].

O Panamá é um país sem forças militares desde 1994 e, desta maneira, por muitos anos as FARC tem andado livremente na região fronteiriça de Darien. Foi somente com a criação da Polícia de Fronteira Panamenha, em 2008, que o Governo conseguiu ter uma presença permanente na área[1].

Os dois países tem colaborado estreitamente para melhorar a segurança ao longo dessa região e também para lutar contra o tráfico de drogas[2].  Desde 2011, criou-se um Plano Binacional de Segurança Fronteiriça, que permitiu desenvolver operações coordenadas e sincronizadas ao longo da fronteira, reforçando a capacidade de ambos países de responder ao problema.

O interesse não é somente da parte panamenha para aumentar a sua segurança, mas também do Governo colombiano, já que por muitos anos os guerrilheiros tem escapado através da linha que separa ambos os Estados[1]. Nesse sentido, os dois países cooperam e gerenciam em conjunto um posto de controle chamado “La Union[1], o qual também trabalha com populações locais através de campanhas para prover aos residentes acesso à saúde, à escola e à alimentação, adotando uma estratégia que visa criar uma relação do posto policial com a população e diminuir o contato de civis com grupos armados ou criminosos[1].

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Imagem (Fontes):

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-32797599

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-32797599

[2] Ver:

http://dialogo-americas.com/es/articles/rmisa/features/2014/11/26/feature-03

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Ver Também:

http://colombiainternacional.uniandes.edu.co/view.php/447/index.php?id=447

ENERGIAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Honduras investe em energia renovável

Uma planta de energia solar com 80.500 painéis solares que pode produzir 145 megawatts de eletricidade para abastecer mais de 71.500 lares foi construída em Honduras[1]. A planta em Nacaome no sul do país é a maior deste tipo na região da América Central e servirá como um centro de pesquisa para acadêmicos[1].

O Parque Fotovoltaico Nacaome y Valle foi considerado por investidores “como a planta de energia solar mais eficiente do mundo[2], de acordo com o discurso de inauguração, proferido pelo do Presidente da República de Honduras, Juan Orlando Hernández[2]. A novidade gerará mais de 1.100 empregos diretos, além de reduzir a dependência de importação de combustíveis fósseis e gerar mais de 10% da eletricidade necessária para Honduras[3].

A obra orçada em 232 milhões de dólares americanos, projetada por uma empresa de engenharia hondurenha com apoio de especialistas espanhóis, foi construída em 10 meses, tempo recorde com a tecnologia mais moderna disponível[2].

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Imagem (Fonte):

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/05/08/actualidad/1431042559_905530.html

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Fontes Consultadas:
[1] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2015/05/18/la-planta-solar-mas-grande-de-latinoamerica-esta-en-honduras/

[2] Ver:

http://www.elheraldo.hn/pais/837738-323/honduras-inaugura-planta-de-energ%C3%ADa-solar-m%C3%A1s-grande-de-latinoam%C3%A9rica
[3] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/05/08/actualidad/1431042559_905530.html

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Viagens de barco entre Estados Unidos e Cuba são autorizadas

Após cinco décadas sem nenhum serviço de transporte marítimo público entre os Estados Unidos e Cuba, os Estados Unidos voltaram a autorizar viagens por barco entre a Florida e Cuba[1].

Quatro companhias foram autorizadas e notificadas na última terça-feira pelos Departamentos de Tesouro e Comércio, sendo esta notificação a primeira, desde o embargo imposto por Washington a Cuba[1]. A Ilha ainda precisa autorizar o serviço também[1].

O Governo dos Estados Unidos ainda salientou que certas licenças específicas serão outorgadas para tal serviço. As companhias não poderão oferecer serviço regular para turistas e que “as regulações com respeito a Cuba não mudaram[2]. Somente receberão licenças pessoas que pretendem ir a ilha por motivos como visitas familiares, fins acadêmicos, culturais, esportivos, religiosos entre outros[2].

A opção de serviço de transporte marítimo entre os dois países faz parte de uma das medidas anunciadas pelo presidente Barack Obama para suavizar o embargo. A notícia chega quatro meses depois que tanto o Presidente americano como o de Cuba, Raúl Castro, anunciaram o descongelamento das relações entre ambos os países[2].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-32602923

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.sun-sentinel.com/business/tourism/fl-havana-ferry-approval-20150505-story.html

[2] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2015/05/05/estados-unidos-autoriza-el-reinicio-del-servicio-comercial-de-ferry-a-cuba/

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-latin-america-32602923

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Onde ser ambientalista é perigoso

De acordo com recente relatório da organização não governamental Global Witness, mais de 75% dos ambientalistas assassinados em 2014 eram da América Central ou da América do Sul[1]. Em 2014, os países da América Latina estiveram entre os cinco mais violentos do mundo para ser ambientalista. No total, 88 das 116 mortes de ambientalistas no ano passado ocorreram na região. O Brasil ficou em primeiro lugar, com 29 mortes relatadas por defensores de terras, e a Colômbia em segundo lugar, com 24[2].

Honduras, Peru e Guatemala também registraram grandes números de assassinatos de ambientalistas per capita. De acordo com o informe, a maioria dos perpetradores da violência “são desconhecidos, ou atores do crime organizado, ou com interesses comerciais, como donos de terras ou corporações[1].

No Brasil, a maioria dos assassinatos está relacionada com disputas territoriais na Amazônia. Já no Peru, o tráfico ilegal de madeira é a principal causa da violência. Na Colômbia, organizações paramilitares e neo-paramilitares, como as Bandas Criminais (BACRIM), atuam contra o processo de restituição de terra, criando sérias ameaças a populações internamente deslocadas que estariam procurando voltar as suas terras perdidas durante o conflito armado[1].  De acordo com a Global Witness, em Honduras, em 2014, a construção de hidroelétricas foi a causa da violência contra as comunidades locais ambientalistas que se opuseram a elas[2]

O relatório ainda concluiu que 40% das vítimas são indígenas que morreram em disputas de hidroelétricas, mineração e negócios agrários. Globalmente, as maiorias dos assassinatos ocorreram em aldeias remotas ou nas profundezas das selvas, onde comunidades possuem pouco acesso a comunicações. Ressalta-se ainda que muitas outras mortes podem ter “escapado” dos registros públicos[2]

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ImagemCampanha How Many More? da Global Witness sobre violência contra ambientalistas” (Fonte):

https://www.globalwitness.org/campaigns/environmental-activists/how-many-more/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.insightcrime.org/news-briefs/75-percent-of-killings-of-environmentalists-occur-in-latam-report

[2] Ver:

https://www.globalwitness.org/campaigns/environmental-activists/how-many-more/

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

A esperada Cúpula das Américas 2015

Nos dias 10 e 11 de abril deste ano, 26 Chefes de Estado e de Governo das Américas estarão na Cidade do Panamá para participar da VII Cúpula das Américas. O Evento é conhecido por ser chave para o desenvolvimento do diálogo e negociações entre os líderes presentes. Em 2015, a Cúpula terá uma importância histórica, já que será a primeira vez que Cuba irá participar[1].

Atualmente, os temas abordados na Cúpula incluem: democracia, crescimento econômico, geração de empregos, pobreza, sustentabilidade ambiental, segurança energética, discriminação e delinquência[2].

Para 2015, cinco propostas estratégicas serão debatidas pelas autoridades presentes[1]:

A demanda marítima da Bolívia: o presidente Evo Morales pretende expor sua demanda marítima de 2013 contra o Chile.

Argentina e as Malvinas/Falklands: está prevista novamente a volta do tema pela presidenta Cristina Fernández, após o anúncio do Governo britânico sobre um plano de reforçar e modernizar a infraestrutura de defesa frente uma possível ameaça da Argentina.

Processo de Paz da Colômbia: o presidente Juan Manuel Santos deverá fazer um balanço sobre o processo de paz com as FARC assim como apresentar um plano chamado “Sistema Interamericano de Educação”.

Aliança para a Prosperidade do Triângulo Norte da América Central: os países de El Salvador, Guatemala e Honduras apresentarão o programa que procura promover o desenvolvimento da América Central e frear a migração ilegal aos Estados Unidos.

Experiências do México: o Governo mexicano espera compartilhar experiências nacionais em temáticas como o combate a pobreza, o acesso a saúde, mudanças climáticas e a integração energética.

Barack Obama, também estará presente e deve apresentar na Cúpula o seu legado na procura dos Estados Unidos em criar um melhor relacionamento com os países da região.  Outros temas que aguardam o Presidente dos Estados Unidos incluem um encontro histórico entre Washington e La Habana, decisões para mudar a situação de milhões de imigrantes ilegais (assim como a Aliança para a Prosperidade do Triângulo Norte da América Central) e a nomeação de um enviado especial ao processo de paz na Colômbia[3].

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Imagem (Fonte):

http://www.urgente24.com/234832-por-una-gran-cumbre-de-las-americas-2015-en-panama

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.elespectador.com/noticias/infografia/recorrido-cumbres-de-americas-articulo-553496

[2] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2015/04/07/las-propuestas-que-presentaran-los-mandatarios-en-la-cumbre-de-las-americas/

[3] Ver:

http://www.elespectador.com/noticias/elmundo/obama-presentara-cumbre-de-americas-su-legado-region-articulo-553609

[4] Ver:

http://cumbredelasamericas.pa/en/about-vii-summit-americas-panama/

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Segurança e Energia no México

Recentemente, um relatório do Centro de Estudos Internacionais Woodrow Wilson (Wilson Center) avaliou a região nordeste do México, em especial os Estados de Veracruz e Tamaulipas, sobre a relação entre as preocupações do setor petroleiro e de segurança. O Informe afirma que os esforços do Governo mexicano para melhorar a segurança nos dois Estados que contém as maiores reservas de gás e petróleo do país beneficiará primeiramente em curto prazo aos investimentos estrangeiros, ignorando planos em longo prazo para melhorar a segurança[1].

A partir de mudanças constitucionais e legislativas nos últimos dois anos que permitem investimento privado nos setores de petróleo e gás, maiores oportunidades foram disponibilizados para exploração[2].  Mesmo que os riscos geopolíticos no México sejam baixos, a violência relacionada com cartéis e outras atividades criminosas continuam a gerar grande preocupação para empresas petroleiras internacionais. Homicídios, sequestros, extorsões, ataques em indústrias e movimentos sociais desafiam governantes regionais e podem potencialmente afetar a cadeia de comércio petroleiro e de gás.  Preocupações com segurança acabam ficando nas mãos de autoridades e da sociedade civil, enquanto as empresas se preparam para a exploração[2].

Veracruz e Tamaulipas receberão maior parte do investimento estrangeiro incluindo a criação de uma grande rede de transporte do gás, colocando as regiões como os Estados mais importantes em termos de energia do país[1].  No entanto, estes dois Estados também são casa de dois dos grupos criminosos e de tráfico de drogas mais poderosos do país, os Zetas e seus concorrentes, o Cartel do Golfo[1]. Os dois grupos estão em conflito desde 2010, quando, desde então, a região possui o maior índice de sequestros do México[1]. Estas organizações criminosas não somente procuram atingir os seus inimigos, mas também o Governo mexicano, militares, civis e algumas vezes estrangeiros que estão a trabalho na região[2].

O Centro Wilson ainda ressalta que os dois grupos têm criado a prática de roubar gás e petróleo de empresas exploradoras para vender tanto nacionalmente como internacionalmente, ao mesmo tempo, os dois Estados em destaque sofrem com o maior índice de roubo destes produtos no país inteiro[2]. A deterioração da segurança em ambos os lugares levou ao envio de tropas militares para a proteção de empresas petroleiras e dos estrangeiros trabalhando em operações de exploração, extração e refinamento[2][3].

Especialistas do Wilson Center afirmam que as atividades criminosas “aumentam o custo de realizar negócios na região. (…). Para companhias maiores não chega a ser um grande problema, mas para empresas de porte menor é sim um problema que tem que ser considerado[4].  Empresas pequenas possuem pouca experiência operando em ambientes de grande risco e podem acabar se decidindo por operar em outros países[5].

As preocupações com segurança se estendem não somente a patrulhas e equipes de segurança, mas também com relação a grandes extorsões e problemas de corrupção. Os Zetas e o Cartel do Golfo exploram as fraquezas das empresas petroleiras. Ambos os grupos possuem os recursos para subornar e intimidar trabalhadores, ao revelar vulnerabilidades das redes de tubulação, por exemplo. Estas mesmas capacidades também são utilizadas para dissuadir o governo local e equipes de segurança que possam chegar a intervir em atividades de roubo dos produtos[1][6]. A rede de tráfico de petróleo e gás roubados é tão desenvolvida que inclui barcos para o armazenamento, caminhões tanque e postos de gasolina comandados pelos cartéis[2].

A intersecção entre segurança pública e o desenvolvimento da infraestrutura da indústria energética significa que empresas terão de investir em estratégias de segurança no México tanto quanto eles desenvolvem em outras partes do mundo, afirma o Wilson Center[2].  No entanto, é importante salientar que a nova ação do Estado Mexicano em abordar a segurança nos estados de Tamaulipas e Veracruz significa que os grupos criminosos têm enfrentado significativas interrupções nas suas atividades e a presença de tropas federais e policiais levanta preocupações sobre o entendimento do papel dos cidadãos na segurança pública e no estado de direito[1][2].

Especialistas afirmam que, para o sucesso dos projetos energéticos do México, seria indispensável considerar “uma estratégia mais completa e integrada que inclua o engajamento da comunidade e uma aproximação ao modelo de segurança baseada na comunidade. Isto em combinação com tentativas de uma reforma da justiça e da polícia para garantir a implementação do estado de direito[1][2].

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ImagemTubulação perfurada para roubo no México” (Fonte):

http://www.insightcrime.org/news-analysis/why-success-of-mexico-oil-security-plan-may-not-matter

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[1] Ver:

http://www.insightcrime.org/news-analysis/why-success-of-mexico-oil-security-plan-may-not-matter

[2] Ver:

http://www.wilsoncenter.org/sites/default/files/Addressing%20the%20Concerns%20of%20the%20Oil%20Industry_3.pdf

[3] Ver:

http://www.insightcrime.org/news-briefs/rising-oil-theft-points-to-criminal-collusion-with-foreign-businesses

[4] Ver:

http://www.bloomberg.com/bw/articles/2014-06-19/mexicos-drug-cartels-scare-oil-and-gas-investors

[5] Ver:

http://www.forbes.com/sites/nathanielparishflannery/2014/08/18/will-security-problems-hamper-mexicos-energy-boom/

[6] Ver:

http://www.mcclatchydc.com/2014/12/02/248706/mexico-thieves-stealing-billions.html

[7] Ver:

http://res.dallasnews.com/interactives/border_energy/