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[:pt]A OTAN consolida sua “Marcha para o Leste”[:]

[:pt] “Em um mundo imprevisível, a defesa coletiva continua sendo a maior responsabilidade da Aliança (OTAN)”. Com esta frase, Jens Stoltenberg, Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), deu o tom da Reunião…

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[:pt]Viktor Orbán e a “sovietização” da União Europeia[:]

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No dia 23 de outubro, Viktor Orbán, Primeiro-Ministro da Hungria, frequentou novamente o noticiário internacional após o seu polêmico discurso à nação, por ocasião da celebração do sexagésimo aniversário da Revolução Húngara de 1956, evento símbolo da histórica resistência da Hungria à ocupação soviética que inspirou, inclusive, movimentos de resistência em outros países então ocupados pela União Soviética.

Orbán, tendo como mote subliminar a sua insatisfação com o sistema de cotas de imigrantes que a União Europeia deseja alocar em cada Estado membro, declarou: “Nós (os húngaros) não devemos aceitar a transformação da União Europeia em um império moderno. Não queremos que ele substitua a aliança de Estados Europeus livres pela União dos Estados da Europa. Hoje, a missão dos europeus que apoiam a liberdade é salvar Bruxelas da sovietização e da sua ambição por decidir, ao invés de nós, quem deve viver em nossa pátria” (tradução livre).

Este é o mais recente episódio que opõe o Primeiro-Ministro húngaro e a cúpula executiva da União Europeia, sediada em Bruxelas. A escolha da ocasião, uma festividade nacional muito significativa para a Hungria, e a comparação entre Bruxelas e a União Soviética sugerem que o líder húngaro está optando por consolidar uma posição de confrontação política que assume contornos de difícil reconciliação.

Ao longo do último ano (2015), os desencontros entre Orbán e a cúpula executiva da União Europeia se desenvolveram principalmente em torno do forte impacto com que a Hungria foi atingida pela onda migratória de refugiados. Fato que, na sua visão, resulta em ameaças às raízes identitárias da Europa e à liberdade de cada Estado membro.

Contudo, ambos já vem acumulando desentendimentos desde 2013, quando ele iniciou movimentações para alterar a Constituição húngara. Esta iniciativa foi vista com preocupação pelo Bloco, uma vez que potencialmente atenta contra o Estado de Direito e os direitos humanos na Hungria.

A evolução recente deste atrito político conta ainda com especulações controversas acerca da proximidade entre Orbán e Putin, bem como de supostas intenções ditatoriais do mandatário húngaro. A despeito das especulações, o fato é que a guinada conduzida por Orbán nos últimos anos para uma postura nacional-populista conservadora, tentando usar a questão dos refugiados como elemento de mobilização nacional, tende a ser vista internacionalmente como uma atitude com maior propensão a eventuais radicalizações que ameacem a ordem democrática e a estabilidade política regional do leste europeu.

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ImagemViktor Orbán, PrimeiroMinistro húngaro, discursa na cerimônia oficial em homenagem ao sexagésimo aniversário da Revolução Húngara de 1956, realizada em 23/10/2016” (Fonte):

http://www.kormany.hu/en/the-prime-minister/photo-galleries/official-state-celebration-to-mark-the-sixtieth-anniversary-of-the-1956-revolution-and-freedom-fight

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[:pt]Conselho Europeu se reúne pautado por questões de política externa[:]

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Nos dias 20 e 21 de outubro, o Conselho Europeu se reúne em Bruxelas, Bélgica, para abordar os principais assuntos que compõem a agenda estratégica comunitária. Este órgão ocupa um dos vértices da governança política da União Europeia (UE) e se reúne duas dezes por semestre com o objetivo de estabelecer as diretrizes e prioridades políticas do Bloco.

A agenda preliminar desta reunião inclui três tópicos principais: imigração, assuntos comercias e relações exteriores. A discussão sobre imigração tende a ter uma abordagem do ponto de vista securitário, priorizando a proteção das fronteiras externas e o gerenciamento dos fluxos migratórios nas áreas central e leste do Mar Mediterrâneo. A pauta comercial abordará essencialmente os Acordos de Livre Comércio em negociação com os principais parceiros do Bloco e o aperfeiçoamento dos instrumentos europeus de defesa comercial. Na temática relações exteriores, o principal assunto será a discussão sobre as relações com a Rússia. 

A reunião do Conselho Europeu é antecedida por uma intensa agenda de encontros multilaterais. Dentre eles, destacam-se as reuniões dos ministros das áreas de relações exteriores e de planejamento e finanças dos países do Bloco, realizadas separadamente nos dias 17 e 18 de outubro. Estas são as duas principais formações* do Conselho da União Europeia, instituição que, em sintonia com o Parlamento Europeu, integra o processo legislativo da UE.

Os ministros das áreas de finanças e planejamento preparam a pauta final e subsidiam as versões preliminares das conclusões a serem emitidas pelo Conselho Europeu, desempenhando assim um papel de coordenação entre as diferentes configurações temáticas do Conselho da União Europeia. Os ministros da área de relações exteriores, por sua vez, devido à peculiaridade desta temática para a União, frequentemente pautam uma parte substancial da agenda do Conselho Europeu. Para a reunião desta semana, por exemplo, dois dos três temas que serão discutidos pelos Chefes de Estado e de Governo no Conselho Europeu, imigração e relações com a Rússia, também foram discutidos direta ou indiretamente pelos seus ministros na reunião realizada no começo desta semana.

Dentre os pontos elencados na agenda preliminar da reunião do Conselho, dois despertam maior expectativa, levando em conta a crescente escalada política destes temas no último trimestre: a) O debate sobre os Acordos de Livre Comércio em negociação; b) As relações com a Rússia.

Sobre o primeiro ponto, espera-se que o Conselho Europeu consiga indicar uma diretriz comum capaz de aliviar as tensões que rodeiam a negociação da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento com os Estados Unidos e a fase final de ratificação do Acordo Econômico e Comercial Global com o Canadá.  

Para o segundo ponto, há expectativa de que o Conselho Europeu esboce um novo tom, possivelmente mais duro, para orientar as relações do Bloco com a Federação Russa, as quais se deterioraram sensivelmente nas últimas semanas devido à intensificação dos atritos entre as posições geopolíticas de ambos os atores no conflito da Síria e aos seus frequentes desencontros estratégicos nas questões relacionadas ao leste europeu.    

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* O Conselho da União Europeia é uma única entidade legal formada pelos ministros dos países do Bloco, mas que apresenta 10 configurações, ou formações diferentes, dependendo da temática a ser abordada. Cada uma delas envolve os ministros das respectivas temáticas de cada país membro. Não há hierarquia entre as conformações, ainda que a configuração General Affairs Council desempenhe papel de coordenação e seja responsável pelas questões institucionais, administrativas e de caráter mais transversal. O Foreign Affairs Council também possui uma missão de especial destaque.

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ImagemEmblema do Conselho Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/f/f9/Council_of_the_European_Union.svg

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]O “Problema do Chipre”[:]

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Situado no extremo oriental do Mar Mediterrâneo, o Chipre é um país insular que transita entre dois mundos. Geograficamente está localizado no Oriente Próximo: a 65 km da Turquia, 100 km da Síria e a 770 km da parte continental da Grécia. Contudo, cultural e politicamente sua história está intimamente ligada à Europa e suas tradições cristãs, mesmo após ter passado mais de 300 anos sob domínio islâmico do Império Otomano.  

Trata-se de um país marcado por um conflito político que divide seu território em duas partes: uma habitada pela população de ascendência turca e outra pela população de ascendência grega. As origens do litígio remontam ao ano de 1963, três anos após o Chipre tornar-se independente do Reino Unido, quando os desentendimentos políticos internos começavam a se acirrar. Em 1964, a Organização das Nações Unidas (ONU) instalou no país uma força para manutenção da paz que continua ativa até hoje. 

Mesmo com a presença da ONU no terreno, as décadas seguintes assistiram ao surgimento do que atualmente é uma das querelas internacionais mais longevas na pauta da ONU. Em 1974, após mais de uma década de desentendimentos políticos entre cipriotas de origem turca e de origem grega, a Grécia interveio politicamente na ilha. Em resposta, o Governo da Turquia ocupou militarmente a parte mais ao norte do território, situação que persiste inalterada até o presente. Estava desenhado, então, o caso que a comunidade internacional conheceria como o “Problema do Chipre(Cyprus Problem).

Por diversas ocasiões o “Problema do Chipre” foi alvo de mediação da ONU, mas sempre sem conseguir alcançar a almejada reunificação da ilha. Em maio de 2015 começou a rodada mais recente de mediação, novamente liderada pela ONU. Desde então, vários encontros bilaterais foram realizados entre os representes políticos da comunidade cipriota grega, que comanda o governo internacionalmente reconhecido do país, e os líderes da comunidade cipriota turca, que comanda a República Turca do Norte do Chipre reconhecida somente pela Turquia.

Ao longo de 2016 as conversas se aprofundaram, gerando expectativas de que as partes poderiam chegar a um acordo ainda neste ano. Em agosto, uma fonte diplomática da União Europeia disse que “o senso de urgência sobre a matéria é elevado e que existe a real percepção de que o momento para o acordo é agora, pois a janela para a reconciliação começa a se fechar após o final deste ano” (tradução livre).

O mês de setembro acumulou uma série de eventos que evidencia a vitalidade da atual rodada de negociações. No dia 14, líderes das duas comunidades cipriotas lançaram um comunicado conjunto, após uma série de oito reuniões, apresentando os avanços das discussões sobre um novo arranjo político para o país e destacando o compromisso de chegar a um acordo ainda neste ano.  Nos dias 16 e 20 de setembro, o Presidente do Chipre, Nicos Anastasiades,  reuniu-se respectivamente com líderes da União Europeia e da Rússia, dois interlocutores estratégicos ao longo das rodadas de negociações, dando força à leitura do diplomata europeu mencionado acima.

Na sequência, o Presidente do Chipre dedicou boa parte do seu discurso na 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas, proferido no dia 22 de setembro, em Nova Iorque, para dar publicidade aos avanços na discussão da futura Constituição Federal do Chipre, principalmente nas temáticas Governança, União Europeia e Economia. Na ocasião foi ressalvado, porém, que diferenças críticas persistiam na temáticas Propriedade, Território, Segurança e Garantias.

Dois dias depois, ainda em Nova Iorque, os líderes cipriotas de ambas as comunidades se encontraram com o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon. Em tom avalizador, ele saudou a boa vontade dos líderes e o progresso das negociações, deixando claro seu engajamento pessoal no processo e o interesse da ONU em ver a querela resolvida com a maior brevidade possível.

Comprometido com a resolução do litígio e interessado em finalizá-lo em 2016, o Presidente cipriota fez das festividades do 56º Aniversário de Independência de seu país, comemorado no dia 1º de outubro, um chamado à unidade nacional. Além de reafirmar o conteúdo do discurso proferido na semana anterior, em Nova Iorque, o Mandatário falou em tom mais duro sobre a ocupação ilegal do território cipriota pela Turquia, instando-a a retirar-se. Ele declarou que “a implementação (da paz) não está somente nas mãos dos cipriotas, pois depende diretamente da demonstração de boa vontade por parte da Turquia (em retirar suas tropas do território cipriota)” (tradução livre).

A expectativa é que sejam realizadas por volta de nove ou dez reuniões no mês de outubro entre as equipes dos dois líderes cipriotas. Na última terça-feira, dia 4 de outubro, foi realizada a primeira delas, com a participação de ambos. Foram revisados os pontos já acordados e aventada a possibilidade de aprofundamento do debate sobre o tema Território da futura Constituição Federal, um dos mais críticos da agenda de negociação. Segundo o Presidente do Chipre, dependendo dos avanços obtidos nessa temática, as portas começariam a se abrir para uma possível reunião multilateral com o objetivo de tratar do tema Garantias, juntamente com as terceiras partes diretamente envolvidas: Turquia, Grécia e Reino Unido*. Fato que representaria um significativo avanço no processo de paz.

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* O Reino Unido está diretamente envolvido no ‘Problema do Chipre’ porque por mais de 50 anos o Chipre fez parte do Império Britânico. Após a independência, que foi negociada entre as autoridades locais e os britânicos, em 1960, ambos os países continuaram a ter uma relação comercial e política privilegiada, em boa medida desenvolvida no âmbito da Commonwealth of Nations. Além disso, até hoje, o Reino Unido mantém na ilha duas bases militares operacionais que ocupam em torno de 2,8% do território cipriota.

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ImagemO Chipre divido: ao norte está a comunidade de origem turca e ao sul a de origem grega” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/70/Cy-map.png

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[:pt]European External Investment Plan: um mecanismo integrado de resposta aos principais desafios da União Europeia[:]

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A Comissão Europeia lançou no último dia 14 de setembro, por ocasião do discurso sobre o Estado da União proferido pelo seu Presidente, Jean-Claude Juncker, o European External Investment Plan (EIP)Plano de Investimento Externo Europeu. O Plano é mais uma ferramenta no escopo da iniciativa Partnership Framework with Third Countries (Quadro de Parceira com Terceiros Países), lançada no último mês de junho pela União Europeia (UE), no âmbito da sua agenda para assuntos de imigração.

O EIP tem como missão identificar, preparar e apoiar projetos de investimento em países que não integram o Bloco, promovendo o desenvolvimento sustentável. Com isso, a Comissão Europeia almeja potencializar os investimentos europeus e a criação de empregos na África e nos Estados vizinhos da UE. O Plano está fundamentado em três pilares: mobilização de investimento, assistência técnica e suporte a reformas econômicas e estruturais para melhorar o ambiente de negócios.

As principais áreas beneficiadas são o suporte a ações de infraestrutura social e econômica e o setor das pequenas e médias empresas. O orçamento inicial para esta ação é de 3,35 bilhões de euros, quantia com a qual se espera mobilizar recursos da iniciativa privada e dos Estados membros que poderiam elevar o montante para até 88 bilhões de euros.

Ao comentar o lançamento do Plano, Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Segurança / Vice-Presidente da Comissão Europeia destacou que “se nós olharmos para o Oriente Médio e África, veremos regiões com um enorme potencial que está sendo limitado pela guerra, pobreza, falta de estrutura e de governança” (tradução livre).

O Plano evidencia uma complexa articulação entre objetivos das pautas migratória, econômica e ambiental da União Europeia. Se por um lado é anunciado como um vetor internacional de um conjunto de medidas que almeja incentivar a criação de empregos e o crescimento econômico dentro da UE (Investment Plan for Europe), por outro, o EIP será operacionalizado por ações de desenvolvimento internacional, voltadas a países do cinturão fronteiriço do Bloco europeu, com o objetivo de promover “desenvolvimento econômico que, progressivamente, viabilize a estabilização e a transição de respostas emergenciais para estruturais” (tradução livre).

O fomento ao desenvolvimento econômico, por sua vez, deverá contar com forte participação da iniciativa privada da União Europeia, visando impulsionar o desenvolvimento sustentável de acordo com as metas da Agenda 2030 e à operacionalização dos compromissos assumidos na última Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática.

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ImagemBandeira da União Europeia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

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BLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]A ciência como instrumento diplomático da União Europeia[:en]The science as a European Union’s diplomatic tool [:]

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O uso da expressão Science Diplomacy vem ganhando terreno nas relações internacionais. Do ponto de vista acadêmico, ela é uma área de sistematização relativamente recente, denotando que ainda há necessita de maior discussão e validação pela comunidade acadêmica internacional. Sob o prisma diplomático, seus primórdios se encontram nos anos 1950, mas somente nos anos 2000 essa modalidade diplomática ganhou capilaridade global. No campo da política internacional, a Science Diplomacy é uma seara explorada com assiduidade nas relações bilaterais e multilaterais, ainda que frequentemente de maneira difusa ou permeando ações tradicionalmente capitaneadas por assuntos políticos ou econômicos.

Na União Europeia aquela linha de ação diplomática também segue essa tendência. Muito atrelada à cooperação internacional, ela consiste essencialmente no emprego da ciência para o atingimento dos objetivos políticos e econômicos do Bloco. A estratégia europeia para o uso dessa modalidade de diplomacia foi publicada em 2012 e tem como principais eixos: i. pesquisa e inovação para competitividade econômica e industrial; ii. responder aos desafios societais globais; iii. apoiar a política externa do Bloco.

De maneira geral, a União Europeia entende a Science Diplomacy como uma ferramenta de soft power operacionalizada pelas iniciativas de cooperação internacional nas áreas de pesquisa e inovação capazes de, simultaneamente: a. incrementar a obtenção de resultados tecnológicos e econômicos de relevância global; b. cultivar um canal diplomático fluido entre países e regiões.

DocHdl1OnPN-PRINTRDY-01tmpTargetEm 2016, a União Europeia publicou dois documentos que demonstram a vivacidade da díade ciência-diplomacia para o Bloco. No documento Open Innovation, Open Science, Open to the World – a vision for Europe, a Comissão Europeia aborda de maneira estratégica suas metas e ações para a área de pesquisa e inovação. O principal objetivo é dinamizar o mercado europeu e a presença europeia no mundo, com destaque para a assimilação do viés global que o conhecimento incorpora em plena era da informação.

No preâmbulo do documento, Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, evidencia bem a interação entre a ciência e a projeção global do Bloco ao registrar que “pesquisa e inovação também podem contribuir com o fortalecimento da União Europeia como um ator global, na medida em que outras partes do mundo buscam trabalhar com nossos principais cientistas e porque as relações científicas podem florescer mesmo onde as relações internacionais estão tensas” (tradução livre).

Já no relatório Science, Research and Innovation Performance of the EU, a Comissão Europeia trata, do ponto de vista tático, o cenário europeu em pesquisa e inovação diante do contexto global. O documento traz uma análise dos pontos fracos e fortes do Bloco. Seu foco está em sistemas eficientes e efetivos de pesquisa e inovação que possam resultar em crescimento econômico e de produtividade sustentáveis para criação de empregos. Carlos Moedas, Comissário Europeu para pesquisa, ciência e inovação, declara no preâmbulo que este “relatório mostra como a crescente abertura dos sistemas de pesquisa e inovação fortaleceu a importância da colaboração internacional, tornando-se um fator crucial para o acesso a novas fontes de conhecimento e melhoria da competitividade” (tradução livre).

Tendo em conta o ambiente que culminou com a elaboração desses dois documentos, nota-se que a União Europeia está consolidando tanto o entendimento como o uso das suas atividades de cooperação internacional, principalmente na área científica, como um instrumento primordial para sua ação externa em temas de interesse global e para se alavancar economicamente em face à crise econômica que desde 2008 assombra a Europa.

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Imagem 1 Bandeira da União Europeia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Imagem 2Open Innovation, Open Science, Open to the Word a vision for Europe” (Fonte – DirectorateGeneral for Research and Innovation, European Commission):

http://bookshop.europa.eu/en/open-innovation-open-science-open-to-the-world-pbKI0416263/;pgid=Iq1Ekni0.1lSR0OOK4MycO9B0000dEV6Oco1;sid=TiXreFEJDC3rcQbetXV13zMsA0b1ChxqUFc=?CatalogCategoryID=Gj0KABst5F4AAAEjsZAY4e5L

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The expression Science Diplomacy has been conquering ground in international relations. From an academic perspective, it is a relatively new systematized area of knowledge, indicating that there is still need for further discussion and validation by the international academic community. From a diplomatic approach, its origins are in the 1950s, albeit only in the 2000s this kind of diplomacy gained global capillarity. In the field of international politics, Science Diplomacy is a quite explored genre in bilateral and multilateral relations, whilst often in a diffuse way or permeating actions traditionally guided by political or economic subjects.

In European Union (EU) this diplomatic line of action also follows this trend. Closely linked to international cooperation, it consists essentially in the deployment of the science in order to achieve the European political and economic objectives. The EU strategy for this diplomatic modality was published in 2012 and its main axes are: i. research and innovation for economic and industrial competitiveness; ii. address global societal challenges; iii. support EU’s foreign policy.

In general, the EU understands the Science Diplomacy as a soft power tool implemented through international cooperation initiatives based in research and innovation fields, which are able to: a. boost technological and economic results of global impact; b. foster a fruitful diplomatic channel between countries and regions.

DocHdl1OnPN-PRINTRDY-01tmpTargetIn 2016, the European Union published two documents that demonstrate the vivacity of science-diplomacy dyad. In the first one, named Open Innovation, Open Science, Open to the World – a vision for Europe, the European Commission addresses strategically its goals and actions for the research and innovation field. The main objective is streamline European market and the European presence in the world, highlighting the global feature that knowledge incorporates in the era of information.

In the foreword of this document, Jean-Claude Juncker, President of the European Commission, pointed out precisely the interaction between science and the global projection of the EU when he wrote “research and innovation can also contribute to the European Union as a stronger Global Actor, as other parts of the world seek to work with our leading scientists and because scientific relations can flourish even where international relations are strained”.

Another document released this year (2016), Science, Research and Innovation Performance of the EU brought European Commission tactical vision of the European scenario on research and innovation in the international context. This report, essentially, analyzes the strengths and weaknesses of the EU. It focuses on efficient and effective research-innovation systems, which can bring economic growth and sustainable productivity for job creation. Carlos Moedas, European Commissioner for Research, Science and Innovation, states that “the report show how the growing openness of the global research and innovation system has enhanced the importance of international collaboration, and has become a crucial factor in accessing new sources of knowledge and improving competitiveness.”

Considering the environment that led to the elaboration of these two documents, it can be noticed that the European Union is consolidating both the understanding and the use of its international cooperation activities, especially in scientific issues, by taking it as an overriding tool for its external action in global affairs, as well as to leverage its internal market against the economic crises that has astounded Europe since 2008.

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Image 1 European Union’s flag” (Source):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Image 2 “Open Innovation, Open Science, Open to the Word  a vision for Europe” (Source – DirectorateGeneral for Research and InnovationEuropean Commission):

http://bookshop.europa.eu/en/open-innovation-open-science-open-to-the-world-pbKI0416263/;pgid=Iq1Ekni0.1lSR0OOK4MycO9B0000dEV6Oco1;sid=TiXreFEJDC3rcQbetXV13zMsA0b1ChxqUFc=?CatalogCategoryID=Gj0KABst5F4AAAEjsZAY4e5L

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América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]De revés em revés: o caso da Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)[:]

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Desde 2013, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos (EUA) estão empenhados nas negociações da Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), um acordo comercial e de investimento que visa impulsionar as economias de ambos os lados do Atlântico Norte, por meio da supressão de entraves ao comércio.

O seu pressuposto é, em essência, harmonizar o arcabouço comercial e regulatório para compra e venda de bens e serviços, reduzindo preços para os consumidores e, consequentemente, incrementando o comércio bilateral de modo a contribuir com a criação de mais postos de trabalho e com a maximização da pujança dos mercados locais.

Conforme noticiado no último mês de maio pelo CEIRI NEWSPAPER, na nota “TTIP: O desafio de criar uma área de livre comércio entre os EUA e a União Europeia”, o cenário europeu tem sido desfavorável ao avanço das negociações, a despeito da inicial euforia que cercou o assunto. Tal situação se evidenciava tanto pelas sondagens junto à opinião pública europeia, quanto pelo momento político que internamente vivia o Bloco.

Hoje, quatro meses após esse diagnóstico, e depois de mais duas rodadas de negociação, o TTIP enfrenta outro revés. No dia 29 de agosto, Sigmar Gabriel, Ministro da Economia da Alemanha, declarou que, na sua opinião, as negociações com os Estados Unidos tinham fracassado. No dia seguinte, foi a vez de François Hollande, Presidente da França, colocar em cheque a viabilidade do TTIP, durante uma reunião com embaixadores franceses, enquanto seu Secretário de Estado para o Comércio Exterior, Matthias Fekl, afirmou à RMC Radio que as negociações deveriam ser finalizadas.

Enquanto isso, o discurso oficial das partes imbuídas do mandato negociador, Comissão Europeia e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, parece estar alinhado. A despeito daquelas declarações, ambos garantem a continuidade das negociações e, em tom cauteloso, afirmam que elas estão avançando.

Observando em perspectiva, o caminho a ser percorrido pelos negociadores do TTIP continuará permeado de fortes intempéries. Dentre elas, o passivo gerado pelos britânicos, ao optarem pela saída da União Europeia, pode desempenhar papel vital. Isso porque, além das questões políticas e jurídicas em suspenso pelo Brexit, que estão embaralhando a agenda do Bloco, a saída do Reino Unido significa que o TTIP perde um apoiador contumaz dentre os membros economicamente mais fortes do Bloco Europeu, deixando um vazio que provavelmente será preenchido pelo tradicional ceticismo com que o Governo da França encara a questão, e pela posição mais cautelosa da Alemanha frente ao assunto.

A crescente insatisfação popular europeia com relação ao TTIP, devido a temores relacionados principalmente com questões sanitárias e trabalhistas, também desafia o mandato de Bruxelas nas negociações com Washington. Em 2015, a Comissária Europeia para o Comércio, Cecília Malmstrom afirmou: “Mesmo se eu disser milhares de vezes que as carnes com hormônios não vão entrar na Europa, as pessoas continuam a não acreditar. É como fazer a defesa de um inocente”. Denotou com tal declaração a existência de fortes lobbies contrários ao andamento das negociações. Mais de um ano depois, essa afirmação continua válida, a despeito dos esforços da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu em prol da transparência nas negociações.

Com todos esses elementos no horizonte de curto prazo, além das eleições norte-americanas marcadas para o próximo mês de novembro, o TTIP não encontra terreno fértil para avançar substancialmente neste ano (2016), contrariando as expectativas iniciais das partes.

Talvez, como alternativa, caso o ambiente europeu melhore nos próximos meses, algum acordo preliminar ou de intenções pode ser buscado, visando evitar que os esforços feitos até agora se percam. O cenário de médio prazo, por sua vez, também não é muito alentador, pois, além de toda a incerteza da parte europeia, que deve se arrastar pelo próximo ano, o futuro do Acordo vai ficar ainda na dependência do ritmo que o novo Presidente dos EUA quiser dar a ele.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Transatlantic_Free_Trade_Area.svg

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