ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O padrão FIFA na Política Internacional do Futebol

Que política e futebol caminham juntos e são indissociáveis, a utilização deste esporte como uma ferramenta de poder nas relações internacionais corrobora plenamente esta suposição. Que os interesses políticos e econômicos sempre foram por demasiado importantes para a indústria do futebol, as elevadas cifras movimentadas e os contratos de publicidade, marketing e exploração dos direitos televisivos das competições futebolísticas endossam completamente esta afirmação. Outrossim, que a política internacional e os negócios são os mais importantes fatores a serem considerados na avaliação de candidaturas para sediar a Copa do Mundo FIFA de Futebol, a escolha de África do Sul (2010), Brasil (2014) e Rússia (2018) como países-sede, constata uma lógica bastante perspicaz: os três são países emergentes, com mercados lucrativos, e buscam inserir-se de forma positiva no cenário internacional.

Entretanto, o tão apregoado fair play futebolístico, que demanda, acima de tudo, um comportamento ético dos agentes, parece, segundo as mais diversas opiniões e análises, não ser uma característica presente na política levada a cabo pela FIFA, entidade máxima do universo do futebol. Segundo Andrew Jennings, jornalista escocês que desde 1998 investiga as relações entre os dirigentes da FIFA e inúmeras empresas multinacionais, a Entidade tem por costume adotar práticas como manipulação de resultados de jogos, eleições fraudulentas e negociatas no processo de escolha dos países-sede da Copa. E este é apenas um dos inúmeros aspectos negativos retratados por Jennings, que, inclusive, já publicou dois livros com suas análises sobre a FIFA.

Assim, envolta em inúmeros escândalos e denúncias de corrupção, poder-se-ia supor a existência de certo padrão na política internacional engendrada pela FIFA, o qual, segundo os mais diversos analistas internacionais, careceria de ética e estaria eivado de suspeitas de corrupção. Não por acaso, há menos de dez dias do início da Copa 2014, notícias dão conta de mais um escândalo no seio da Entidade: a suspeita de que o pleito para escolha da Copa do Mundo de 2022, a ser realizada no Qatar, foi inteiramente fraudado.

De acordo com o The Sunday Times, jornal inglês de grande credibilidade, Mohamed Bin Hammam, ex-integrante do Comitê Executivo da FIFA e ex-representante do Qatar na Entidade, teria repassado U$5 milhões a dirigentes da FIFA para que estes votassem a favor da escolha do Qatar para país-sede da Copa 2022. Ainda segundo Jennings, Bin Hammam teria pago a dirigentes do futebol africano, a Reynald Temarii, ex-membro do Comitê Executivo da FIFA para Oceania,  e a Jack Warner, da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF), no intuito de que estes endossassem a candidatura do Qatar para país-sede da Copa 2022, o que, alega o jornal, tem provas concretas sobre tais pagamentos.

Por outro lado, agora, segundo o jornal inglês The Telegraph, em 2010, um mês antes da eleição em que se decidiria pela escolha do Qatar como país-sede da Copa 2022, houve uma reunião entre Michel Platini, ex-presidente da Federação Francesa de Futebol e atual presidente da UEFA, Bin Hammame o à época presidente francês Nicolas Sarkozy, evidência esta que faz da Federação Francesa a primeira federação europeia envolvida nesta denúncia de corrupção.

Curiosamente, aponta o The Telegraph que, em 2011, o Paris Saint-Germain, clube pelo qual Sarkozy torce, foi comprado pela Qatar Sports Investiments, uma empresa estatal do Qatar, e Laurent Platini, filho de Michel Platini, tornou-se CEO da Burrda, uma empresa esportiva qatari. Em adição, afirma o jornal que documentos mostram que Bin Hammam negociou inúmeros acordos comerciais com países nos quais as federações de futebol estavam habilitadas a votar na eleição do país-sede da Copa 2022.

Diante de tais fatos, foi organizada, pela própria FIFA, uma comissão de investigação para apurar as denúncias de corrupção relacionadas a exitosa escolha do Qatar como país-sede da Copa 2022. Cabe ressaltar que, anteriormente acusada de subornar representantes da FIFA para garantir votos favoráveis, a Associação de Futebol do Qatar e os integrantes do Comitê de Candidatura negaram existir quaisquer vínculos com Bin Hammam, que teria deixado o cargo no comitê executivo da FIFA em 2011, após ter seu nome envolvido em um escândalo de corrupção em sua própria campanha para ocupar a presidência da Associação Qatari.

Caso sejam comprovadas irregularidades no pleito, Theo Zwanziger, membro do conselho executivo da FIFA, aponta como medida a realização de um novo pleito para escolha do país-sede de 2002. Neste sentido, os Estados Unidos (EUA), que foram preteridos em prol do Qatar como país-sede para 2022, já se preparam para relançar sua candidatura para sediar a Copa do Mundo 2022.

Isto posto, torna-se cada vez mais visível a preponderância de fatores políticos em detrimento dos especificamente voltados ao futebol no seio da FIFA, bem como a existência de práticas reprováveis no que tange ao processo de escolha dos países-sede da Copa do Mundo, que de tão importantes e vantajosas se tornaram empreitadas de grande apelo diplomático e econômico para os países que compõe o universo futebolístico.

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ImagemSeguindo o Padrão FIFA” (Fonte):

http://rabi-rabix.blogspot.com.br/2012_07_01_archive.html

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.dw.de/escolha-do-catar-para-sede-da-copa-de-2022-foi-negociada-diz-jornal-inglês/a-17675504

Ver:

http://www.telegraph.co.uk/sport/football/world-cup/10871065/Qatar-World-Cup-2022-France-embroiled-in-corruption-scandal.html

Ver:

http://www.thesundaytimes.co.uk/sto/news/uk_news/fifa/article1417325.ece

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

A promoção institucional do Azerbaijão por intermédio do Futebol

No universo futebolístico é bastante comum que inúmeros clubes de futebol, ao participarem e triunfarem em competições internacionais de acentuada visibilidade, contribuam no sentido de impulsionar uma propaganda institucional do país do qual são oriundos. Por mais que tal situação se verifique, cabe frisar que estes clubes – atores não estatais – não são agentes governamentais, nem de políticas públicas, não obstante possam vir a ser utilizados pelos seus respectivos governos nacionais como propulsores de uma imagem externa dos países no cenário internacional.

Em realidade, com a mercantilização do futebol a nível mundial, os clubes tornaram-se importantes agentes de divulgação das mais diversas empresas dos mais variados setores econômicos, e não somente em competições de âmbito internacional mas também em torneios domésticos de grande apelo televisivo e comercial. Assim é que empresas como Vodafone, Petrobrás, Unimed, Coca-Cola, FIAT, VISA dentre outras patrocinam inúmeras equipes de futebol e estampam suas logomarcas nas camisas de vários clubes.

Importante considerar que análises e estudos financeiros e econômicos dos mais variados apontam a indústria do futebol como o setor econômico mais rentável de todo o mundo, movimentando somas monetárias colossais e influenciando, diretamente e indiretamente, vários outros setores econômicos. Tomando como exemplo o futebol europeu, onde a Bundesliga(Liga Alemã de Futebol),a Premier League(Liga Inglesa de Futebol) e a Liga Espanhola, são as mais rentáveis do universo futebolístico, sendo assistidas, em todo o mundo, por milhões de pessoas, torna-se fácil estimar a visibilidade e promoção obtidas pelas empresas que patrocinam os clubes participantes destas ligas. Outrossim, maior visibilidade ainda será obtida caso um destes clubes disputem a UEFA Champions League, o mais importante torneio internacional de clubes de todo o universo futebolístico.

Tendo em vista este contexto, é interessante a estratégia de promoção institucional adotada pelo governo do Azerbaijão, um país situado na região do Cáucaso, que fazia parte da extinta URSS e, atualmente, ocupa o 85º lugar no ranking de seleções da FIFA e o 82º lugar mundial no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De forma inédita no cenário futebolístico mundial e aproveitando-se do excelente momento pelo qual o clube Atlético de Madri vem passando nos últimos quatro anos, tendo conquistado títulos importantes tais como o bicampeonato da UEFA Europe League, o campeonato nacional e sido vice campeão da UEFA Champions League, o Governo do Azerbaijão celebra um acordo de patrocínio com o clube espanhol, tornando-se o principal patrocinador do Atlético de Madri e estampando na camisa da equipe o logo Azerbaijan Land of Fire, em referência à alcunha do país, também conhecido como Terra do Fogo.

Sem embargo, este acordo firmado entre o governo do Azerbaijão e o Atlético de Madri tem se mostrado benéfico para ambas as partes: para o clube, que pode honrar seus compromissos financeiros, manter a qualidade de seu plantel, aumentar o número de torcedores e internacionalizar sua própria marca; e para o Azerbaijão, que por intermédio do sucesso do clube nas competições disputadas, obtém grande visibilidade e projeção institucional no cenário internacional.

Na visão dos dirigentes do Atlético de Madri, o futebol irá permitir que o nome do Azerbaijão, estampado na camisa do clube, seja bastante difundido no cenário internacional e que esta parceria entre o clube e o país não é apenas um simples patrocínio comercial, mas sim uma importante ferramenta para se  atingir importantes metas mediante ações de diversas naturezas, as quais irão gerar benefícios para ambas as partes.

Por outro lado, cabe ressaltar que, por meio deste patrocínio, o Atlético de Madri assume a responsabilidade de propiciar o desenvolvimento do futebol no Azerbaijão. Em adição, o link estabelecido entre o clube e o país irá propiciar o incremento nas relações bilaterais entre Espanha e Azerbaijão, com benefícios para ambos os países. Outrossim, esta estratégia de inserção internacional do Azerbaijão calcada no futebol apenas deu seus primeiros passos com o patrocínio ao Atlético de Madri.

Ainda como parte desta estratégia, em setembro do corrente ano, a State Oil Company of Azerbaijan(SOCAR) provavelmente celebrará um acordo com a UEFA, visando ser um dos patrocinadores da Euro 2016 e das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. E, para coroar a estratégia de adquirir visibilidade para o país via futebol, Baku, capital do Azerbaijão, pode vir a ser escolhida pela UEFA como uma das sedes da Euro 2020.

Por fim, de forma a se demonstrar que esta é uma estratégia de política externa levada a cabo pelo Governo  do Azerbaijão, este projeto de longo prazo foi requisitado pelo próprio Presidente do país, Ilham Aliyev, que assumiu o poder em 2003. Segundo Elkhan Mammadov, Secretário Geral da Associação de Federações de Futebol do Azerbaijão (AFFA, no Inglês), o futebol, que é de suma importância para o país, tem o apoio do Governo e do próprio Presidente, o qual assinou um Decreto-Lei criando um plano de desenvolvimento para o esporte no período de 2005 a 2015, que inclui a preocupação com o desenvolvimento de infraestrutura e o crescimento do futebol entre as mulheres e os jovens. Assim, tendo como patrocinador principal a SOCAR, o país sediará, em 2017, o Campeonato Europeu Sub-17.

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ImagemAtlético de Madri e Azerbaijão no Cenário Mundial” (Fonte):

http://www.marca.com/2014/01/22/en/football/spanish_football/1390382722.html

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Fontes consultadas:

Ver:

http://en.clubatleticodemadrid.com/noticias/much-more-than-a-sponsorship

Ver:

http://www.kens5.com/sports/257776121.html

Ver:

www.uefa.com

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O Skate como ferramenta de uma Diplomacia Esportiva Brasileira

Indiscutivelmente, o Futebol é o esporte de maior visibilidade no cenário internacional e um dos mais contundentes ativos da “Diplomacia Esportiva Brasileira”, ou seja, um importante elemento de soft power para o país. Entretanto, celeiro de inúmeros skatistas campeões mundiais, o Brasil pode, por intermédio do Skate, vir a influenciar outros países ou mesmo propagandear uma imagem positiva na arena internacional, haja vista que, embora este esporte possua menor visibilidade do que o Futebol, ele possui algumas vantagens com relação ao velho esporte bretão, já que pode ser praticado em qualquer local, independentemente de haver uma estrutura específica ou não, e possui um grande apelo entre a população jovem. Segundo, Neftalie Williams, pesquisador da “University of Southern California” (LA), o Skate atua como uma importante e estratégica ferramenta na política internacional, atingindo, primordialmente, o público jovem.

Ainda segundo Williams, apesar da popularidade desfrutada pelos skatistas brasileiros no mundo, o país não explora a potencialidade deste esporte. À guisa de ilustração, temos o exemplo de Cuba, onde, apesar de certo antagonismo entre os Governos cubano e norteamericano, os laços esportivos entre ambos têm sido bastante estreitados desde 2010, ocasião em que dois skatistasnorteamericanos, Miles Jackson e Lauren Bradley, que estiveram em Cuba e conheceram a precariedade das condições para a prática do Skate na ilha, implementaram um projeto, o “Cuba Skate”, que visa incentivar a cooperação entre os EUA e Cuba na área do Skate, por meio do envio de equipamentos dos EUA para Cuba e de programas de intercâmbio entre skatistas de ambos os países.

A se destacar que Sandro Dias, também conhecido como Mineirinho, brasileiro e um dos mais famosos skatistas mundiais, foi um dos pioneiros do projeto “Cuba Skate”, já que ele foi o primeiro skatista profissional a, em 2004, visitar Cuba. Na visão de Dias, o Skate pode ser visto como uma linguagem universal, pois, tanto no Brasil como em qualquer outro país, os skatistas fazem parte de uma grande família e, assim, falam a mesma língua. Contudo, apesar de projetos que visem promover o intercâmbio esportivo entre Brasil e Cuba estarem na ordem do dia, estes têm como foco primordial o Futebol e a Capoeira. Recentemente, inclusive, um projeto de cooperação técnico-científica entre ambos os países foi apresentado pelo Governo baiano – o “Brascuba: Esporte, Juventude e Cidadania”. Este pretende formar 200 cubanos para que atuem como multiplicadores no âmbito do desporto e do paradesporto.

Importante ressaltar, também, que, no Brasil, o Skate é o segundo esporte mais praticado pela população, estando atrás apenas do Futebol, e mobiliza toda uma geração que se identifica por meio de vestimentas, linguajar, estilo e atitudes comuns, mostrando um traço cultural bastante acentuado e, desta forma, não sendo apenas uma simples modalidade esportiva. Ademais, a indústria do Skate possui grande retorno financeiro, sobretudo a partir da criação dos X-Games, competição internacional de esportes radicais que tem o skate como uma de suas principais modalidades. Assim, dado o potencial do Skate brasileiro, este poderia ser melhor explorado politicamente pelo Governo, podendo vir, inclusive, a ser incluído como modalidade de exibição nas “Olimpíadas Rio 2016”. Sem embargo, este poderia figurar como um importante elemento na “Diplomacia Esportiva Brasileira”.

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ImagemUm Skate 100% Brasileiro” (Fonte):

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-553259965-skate-cbf-brasil-dtc-18054-_JM

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/04/diplomaciab-do-skateb.html

Ver:

http://www.vermelho.org.br/midia/noticia.php?id_noticia=240334&id_secao=10

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O Futebol a serviço da Ciência: a robótica na Copa do Mundo

Costumeiramente, o Futebol funciona como um acentuado palco de visibilidade para manifestações políticas, protestos, ressaltar a imagem externa de países, propagar campanhas humanitárias e legitimar governos. Entretanto, de forma inédita, a “Copa do Mundo de 2014” servirá para divulgar o avanço da ciência brasileira, em especial o campo da neurociência, e, quiçá, credenciar o país para concorrer a seu primeiro “Prêmio Nobel”.

Tal afirmação se deve ao fato de que, na cerimônia de abertura da “Copa de 2014”, a ser realizada em 12 de junho de 2014, possivelmente na “Arena Corinthians” (Itaquerão), um brasileiro, que ainda não foi escolhido, na faixa dos 25 a 35 anos, com paralisia total nos membros inferiores, será capaz de dar o pontapé simbólico na festa de abertura do torneio. O grande detalhe é que, para tanto, este brasileiro(a) usará uma veste robótica (exoesqueleto) guiada por seu próprio cérebro e lhe permitirá executar tal façanha.

Responsável por este projeto, o neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, da “Universidade de Duke” (“Carolina do Norte”, nos EUA), faz parte de um grupo de pesquisa que é um dos mais avançados do mundo no campo de interface cérebro máquina e tem como objetivo mover membros virtuais utilizando, apenas, a força da mente. Segundo Nicolelis, o indivíduo não apenas será capaz de dar o pontapé inicial na festa como também poderá sentir a grama do campo sob os pés, pois uma pele artificial colocada na sola do pé da pessoa emitirá sinais que enganarão o cérebro que, ao incorporar as pernas virtuais do exoesqueleto como próprias, irá propiciar ao indivíduo a sensação de que a grama está sob os pés deste.

Explica Nicolelis que pessoas sem lesões na medula, inicialmente, imaginam o movimento que desejam executar e, em seguida, o cérebro envia este desejo aos membros inferiores, por meio das células nervosas da coluna. Assim, apenas quando os sinais nervosos chegam aos membros inferiores o movimento ocorre, tudo isso em frações de segundos. Contudo, em pessoas paraplégicas tal fato não ocorre pois o sinal enviado pelo cérebro não chega aos membros inferiores devido à lesão na medula, que bloqueia o caminho dos sinais nervosos. Porém, com a vestimenta robótica desenvolvida pelo pesquisador, também chamada de prótese inteligente, a atividade elétrica gerada pelo cérebro, que propicia todo o movimento, poderá ser decodificada e traduzida na forma de comandos digitais por um computador acoplado à vestimenta, o que será capaz de gerar movimento nos membros inferiores, algo que dará ao indivíduo que estiver usando a vestimenta uma autonomia de movimentos.

Já tendo sido testado anteriormente em um estádio de futebol, o protótipo a ser utilizado na abertura da “Copa de 2014” vem recebendo os últimos detalhes no “Laboratório de Neurorrobótica da Associação Alberto Santos Dumont”, em “São Paulo”, local onde o treinamento do jogador do futuro – nome dado ao indivíduo a ser escolhido para vestir o exoesqueleto – vem ocorrendo, em parceria com a “Associação de Assistência à Criança Deficiente”. Nicolelisaponta, ainda, que esta técnica desenvolvida poderá ser usada para o treinamento e a reabilitação de pessoas com limitações, não apenas paraplégicos, e, ao se adicionar braços ao protótipo, este poderá ser utilizado também por tetraplégicos.

Por fim, ele afirma a intenção de, por intermédio do Futebol, difundir para todo o mundo uma técnica que poderá ser extremamente útil para milhões de pessoas, e, simultaneamente, difundir e ampliar o interesse pela ciência em um evento esportivo, de forma a passar ao mundo uma imagem do país não muito disseminada.

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Imagem O Futebol a Serviço da Ciência” (Fonte):

http://oglobo.globo.com/sociedade/veste-robotica-esta-pronta-para-copa-12251880

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Fonte Consultada:

Ver:

http://oglobo.globo.com/sociedade/veste-robotica-esta-pronta-para-copa-12251880

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Um balanço econômico do Brasil face à Copa do Mundo de 2014

Faltando 65 dias para o início da “Copa do Mundo 2014”, ainda restam inúmeras dúvidas acerca do sucesso do megaevento e mesmo o índice de aprovação da “Copa 2014” perante os brasileiros tem, segundo diversas pesquisas, despencado bastante nos últimos meses, ainda mais quando a percepção da população é a de que o chamado legado da Copa será bastante inferior ao inicialmente apregoado pelo Governo brasileiro.

No que tange ao balanço econômico relacionado ao megaevento, contudo, alguns números despertam a atenção de vários analistas, os quais acreditam que os impactos gerados na economia brasileira por conta da realização da Copa serão bastante importantes e positivos, especialmente para a indústria do turismo, setor este em que o Brasil é considerado o 6º no mundo em “Economia do Turismo”, segundo o “Conselho Mundial de Viagens e Turismo” (WTTC, no Inglês) em seu estudo anual “Viagens e Turismo: Impacto Econômico”, que abrange 184 países.

A se destacar que, pelo estudo realizado pela “Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas” (FIPE) sobre o impacto econômico gerado pela “Copa das Confederações de 2013” (evento teste e preparatório para a “Copa do Mundo de 2014”), o torneio propiciou um movimento financeiro de R$20,7 bilhões, dos quais R$11 bilhões foram referentes a gastos de turistas, a gastos do “Comitê Organizador Local” (COL) e  a investimentos privados e públicos.

Quanto ao restante do montante movimentado, R$9,7 bilhões, este foi contabilizado como renda acrescida ao PIB do país. Esta pesquisa, que teve os resultados divulgados em 7 de abril de 2014 pelo “Ministério do Turismo”, serve para revelar a movimentação financeira no período considerado, o reflexo desta no PIB e na geração de empregos e para auxiliar na previsão de cenários para a “Copa do Mundo”.

Ainda segundo o estudo supramencionado – que analisou os impactos diretos, indiretos e induzidos na economia brasileira durante o período de preparação para a “Copa das Confederações de 2013” –, as estimativas para a “Copa do Mundo de 2014” são de que esta gere um incremento de renda no PIB da ordem de R$30 bilhões. No que tange à distribuição do montante de renda acrescido ao PIB por ocasião da “Copa das Confederações”, 58% do total destinou-se às cidades-sede do torneio (Fortaleza, Salvador, Recife, Brasília, Belo Horizonte” e “Rio de Janeiro”) e os restantes 42% espalharam-se pelo restante do país, segundo aponta o estudo da FIPE. Em adição, o estudo mediu o impacto do evento na geração de empregos, tendo apontado para a criação de 303 mil vagas, sendo 60% nas cidades-sede anteriormente mencionadas e 40% no resto do país. Cumpre registrar, aqui, o destaque para cidade do “Rio de Janeiro”, a qual apresentou a maior geração de empregos e o maior acréscimo de renda no PIB, ou seja, 59 mil e R$2,8 bilhões, respectivamente.

No que concerne especificamente à “Copa do Mundo de 2014” e à criação de novos postos de trabalho, tendo por base a estimativa da Embratur, que prevê um fluxo de 3,6 milhões de turistas no Brasil durante a Copa, a “Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo” (CNC), em pesquisa elaborada no mês de abril do corrente ano, projeta a geração de 47,9 mil novas vagas de emprego no setor de turismo entre os meses de abril a junho de 2014, das quais 16,1 mil vagas estarão localizadas no segmento de serviços de alimentação, o principal segmento turístico. Em segundo lugar viriam os serviços de transporte de passageiros, concentrando cerca de 14 mil novos empregos, e, em terceiro lugar, estariam hotéis, pousadas e similares, ofertando 12,3 mil novas vagas. Juntos, estes três segmentos responderiam por 88,4% do total das novas vagas a serem criadas.

Assim, em uma sumária exposição, este seria um breve balanço da economia brasileira face à “Copa do Mundo de 2014”, incluindo-se nesta análise o período e os preparativos para a “Copa das Confederações de 2013”.          

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ImagemBrasil e Economia na Copa do Mundo” (Fonte):

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/505552-as-implicacoes-sociais-da-copa-do-mundo-entrevista-com-roberto-morales

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.cnc.org.br/noticias/copa-do-mundo-devera-gerar-479-mil-vagas-no-turismo-estima-cnc-0

Ver:

http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/copa-das-confederacoes-rendeu-r-97-bilhoes-ao-pib-brasileiro

Ver:

http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/brasil-e-o-6deg-no-mundo-em-economia-do-turismo-e-tem-a-maior-projecao-de-crescimento

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O primeiro “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz”

Reconhecidamente, o esporte tem contribuído de forma acentuada para o desenvolvimento humano, diminuição de desigualdades e para promoção da paz no cenário internacional, algo que podem comprovar inúmeras ações que se utilizam do esporte como ferramenta, a exemplo do “Football for Hope”. Tendo em vista esta potencialidade do esporte, a “67ª Assembleia Geral das Nações Unidas” aprovou por consenso, em agosto de 2013, a criação do “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz”, que será celebrado, anualmente, no dia “6 de Abril”, e será comemorado pela primeira vez em 2014. Deve-se ter em mente, porém, que esta data não foi aleatoriamente escolhida, mas sim que esta foi uma forma de associar o passado olímpico ao presente, haja vista que nesta mesma data, em 1896, se deu a abertura dos primeiros “Jogos Olímpicos da Era Moderna”, disputados na Grécia.

Em que pese o esporte não ser capaz de solucionar todos os males mundiais, este pode contribuir de forma bastante positiva para resolução de inúmeros problemas sociais, ou, nas palavras de Ban Ki-moon, “Secretário Geral das Nações Unidas”: “o esporte tem se transformado em uma língua universal, um denominador comum que põe abaixo paredes e derruba várias barreiras. É uma indústria mundial que pode impactar todo o mundo. Acima de tudo, é uma poderosa ferramenta para o progresso e para o desenvolvimento”*[1](tradução do autor).  

Assim, a ONU, por intermédio da adoção do dia “6 de Abril” como o “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz”, reconhece, de forma contundente, a influência positiva que o esporte pode ter no desenvolvimento social e econômico, bem como no avanço dos direitos humanos.

Cabe ressaltar que o “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz” se embasa no trabalho que vem sendo desenvolvido em escala mundial pelo COI, pelos Comitês Olímpicos Nacionais, Federações Nacionais e Internacionais, clubes, organizações governamentais e não governamentais, bem como por outras entidades e indivíduos que acreditam que o esporte é uma ferramenta eficiente para promover mudanças sociais.

Desta forma, entende o COI e a ONU que este Dia propicia uma nova oportunidade para promover o esporte e a atividade física como uma linguagem universal que pode ser utilizada em uma gama de necessidades relacionadas à educação, saúde, inclusão social, desenvolvimento infantil, construção da paz e desenvolvimento sustentável. Outrossim, ainda contribui para estimular os governos nacionais a investirem no esporte.

Seguindo os princípios do COI, que atua em parceria com a ONU na promoção do esporte como ferramenta de desenvolvimento humano, inúmeras iniciativas têm se destacado no cenário internacional. Como exemplo, pode-se citar a atuação da “Confederação Alemã de Esportes Olímpicos”, que organiza um grande número de atividades na Ásia, África e “América Latina” voltadas para inclusão social de crianças carentes por intermédio do futebol e a busca pela afirmação da igualdade de gênero por intermédio do críquete no Nepal.

Tais atividades aqui exemplificadas se coadunam com as mensagens chaves a serem destacadas pelo “Escritório das Nações Unidas de Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz” (UNOSDP, no Inglês) durante a celebração do “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz”, quais sejam: o poder do esporte para aprimorar a qualidade de vida de crianças e jovens; o poder do esporte para inclusão social de todos, sem quaisquer distinções; o poder do esporte para impulsionar a igualdade de gênero; por último, o poder do esporte para melhorar a saúde física e mental.

Por fim, a criação do “Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz” vem reforçar a colaboração entre o COI e a ONU, por intermédio da qual se tem impulsionado sobremaneira a aceitação do esporte como forma de promover as “Metas de Desenvolvimento do Milênio” da ONU. Em adição, esta colaboração entre as duas Organizações mostra que ambas compartilham de valores e princípios.

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* Original em inglês: “Sport has become a world language, a common denominator that breaks down all the walls, all the barriers. It is a worldwide industry whose practices can have widespread impact. Most of all, it is a powerful tool for progress and for development”.

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ImagemA Força do Esporte como Motor do Desenvolvimento Humano e da Paz” (Fonte):

http://www.un.org/wcm/content/site/sport/home/unplayers/unoffice/idsdp

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.un.org/wcm/content/site/sport/home/unplayers/unoffice/idsdp

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Ver também:

http://www.sportanddev.org/en/newsnviews/international%5Fday/five%5Fkey%5Fmessages/

Ver também:

http://www.olympic.org/idsdp