AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O Racismo no futebol: um problema mundial

O esporte em geral, sobretudo o futebol, desde o início do século XX , tem se mostrado um percuciente palco de pseudolutas, nas quais inúmeras rivalidades e tensões são exacerbadas, canalizando, destarte, sentimentos e emoções os mais diversos e por vezes contraditórios, possíveis. Não obstante, o esporte também pode ser, por um lado, uma ferramenta para legitimar propagandas e/ou ideologias governamentais ou, por outro, um canal para o espraiamento de manifestações e/ou protestos de cunho político, social e humanitário.

Neste contexto, a problemática do racismo é algo que vem se fazendo presente no futebol há bastante tempo, tendo, ultimamente, atingido proporções por demais alarmantes no cenário futebolístico mundial, o que vem suscitando grande mobilização por parte de jogadores, mídia, profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o esporte, federações e, especialmente, por parte da FIFA, órgão máximo do universo futebolístico.

Em todos os países em que é praticado, o futebol espelha e reflete a sociedade em que se insere, sendo, consequentemente, contaminado pelas mazelas destas sociedades, principalmente a violência, a discriminação e o racismo, sentimentos canalizados pelos indivíduos e que são, comumente, extravasados nos estádios, campos de batalha que servem de palco para que rivais possam pelejar. Assim é que em países como a Rússia, que, na visão de inúmeros analistas políticos, possui certa aversão a estrangeiros – sobretudo os de etnia não caucasiana –, os casos de racismo são recorrentes, principalmente por parte dos torcedores do CSKA, um dos mais tradicionais clubes russos e de torcedores bastante exaltados.

Recentemente, o futebolista marfinense Yaya Touré, atleta do “Manchester City”, foi vítima de várias ofensas racistas, fato este ocorrido em partida válida pela “Champions League”, disputada em Moscou, contra o CSKA. Como forma de tentar coibir uma maior disseminação de episódios deste tipo para com outros, Touré ameaçou liderar um movimento de boicote, por parte dos jogadores negros dos mais diversos países, à “Copa do Mundo de 2018”, a ser disputada na Rússia. Segundo Touré, em entrevista publicada no jornal francês “Le Monde”, se os futebolistas negros não forem respeitados na Rússia, quando da realização da “Copa de 2018”, estes se recusarão a estar presentes no Mundial.

No Brasil, onde o futebol surge, no começo do século XX, como um esporte das elites ou, segundo o estudioso Hilário Franco Júnior, um esporte de bacharéis, apregoavam os introdutores do futebol que o país negro e mestiço não poderia existir dentro das quatro linhas do campo. Em uma sociedade que, no entender de alguns historiadores, tem por lógica a exclusão social, a discriminação e o racismo sempre estiverem presentes, em maior ou menor grau, em nossa História[1].

No que tange ao futebol, havia, nas primeiras décadas do século XX, a proibição expressa quanto à aceitação de jogadores negros nos clubes, o que fez com que o antigo “Bangu Atlético Clube”, primeiro clube a ter jogadores negros no elenco, se retirasse, em 1907, da “Liga Metropolitana de Futebol do Rio”. Ainda mais contundente foi a recomendação dada pelo então presidente brasileiro Epitácio Pessoa, em 1921, às vésperas do “Campeonato Sulamericano de Seleções”, realizado na Argentina no mesmo ano. Segundo este, tendo em vista que quando no exterior a seleção brasileira representaria o país como se em missão diplomática, esta deveria apresentar apenas elementos oriundos da elite social brasileira. Apenas em 1923, com a chegada do “Clube de Regatas Vasco da Gama” à “Primeira Divisão do Futebol do Rio” e a conquista no mesmo ano do título de campeão carioca com uma equipe composta por homens do povo, dentre os quais vários negros, o futebol começou a se democratizar no Brasil.

Novos tempos; diferente conjuntura; velhos problemas: a sociedade brasileira se mostra indignada com a atual situação do país. Falta de moradias, impunidade, corrupção e outros. No país da Copa crescem, assustadoramente, o número de mortes e a violência nos estádios e isso sem que medidas enérgicas sejam tomadas. A intolerância é algo que se encontra cada vez mais acentuado. A mídia mostra inúmeras batalhas campais entre torcedores, seja nos estádios ou fora destes. E o futebol, que em muitos casos funciona como um instrumento para atenuar rivalidades e propagar uma mensagem de paz, acaba se tornando o catalisador dos conflitos, fazendo com que indivíduos extravasem todo um ódio e revolta nos estádios, que assumem ares de palco de conflitos reais.

E como uma doença que insiste em se manter presente na sociedade brasileira, o racismo volta a fazer parte do futebol brasileiro, o que se mostra, na opinião de um grande número de estudiosos, algo completamente absurdo na medida em que o grande prestígio internacional que o futebol brasileiro desfruta em todo o mundo advém, primordialmente, da genialidade de um Pelé, de um Garrincha, de um Leônidas da Silva, de um Didi, de um Romário, de um Ronaldinho Gaúcho e, atualmente, de um Neymar, isso apenas para citar, em poucas linhas, a importância do negro no futebol brasileiro.

Os casos recentes de racismo noticiados à exaustão pela mídia – contra o jogador Tinga, contra o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva e contra o jogador Arouca, todos ocorridos no ano corrente – trouxeram à tona no Brasil o debate sobre como coibir tais atitudes nos estádios, os quais se encontram impregnados de um espírito de violência e selvageria sem precedentes.

Apontam jornalistas que, “do outro lado do Equador”, a UEFA, seguindo normas adotadas pela FIFA, passou a adotar medidas bem mais rigorosas e severas para remediar tais atitudes. Entretanto, o que se tem observado aqui são discursos retóricos e nenhuma punição significativa, posto que estejamos a menos de cem dias do início do mais importante torneio do futebol mundial: a “Copa do Mundo”. Na visão dos próprios envolvidos nos casos acima citados, se faz essencial uma intensa campanha no sentido de coibir e erradicar manifestações racistas nos estádios. Identificam estes, contudo, que entre o discurso e a efetiva prática o caminho a ser percorrido no Brasil é por demais extenso.

Fundamental para esta análise é o relato do jogador Tinga sobre o ocorrido. Em entrevista publicada no jornal “O Globo”, Tinga afirma que, apesar de todos terem achado um absurdo o que fizeram com ele e também o que aconteceu com o árbitro gaúcho, nada vai acontecer, haja vista que as punições são bastante brandas, e tudo seguirá igual. Mais adiante, perguntado se o racismo no Brasil é mais velado do que na Alemanha, país onde este jogou e morou por anos, Tinga aponta que no Brasil se fala muito em igualdade, mas se esconde o preconceito: “aqui a gente fica fingindo que todos são iguais”, foram as palavras do jogador.

Inúmeros analistas e cientistas políticos vêm conjecturando sobre quantas outras afirmações propagandísticas serão ditas, complementando as já comuns: a “Copa do Mundo” no Brasil sem financiamento público; obras de mobilidade urbana estarão prontas antes da “Copa de 2014”; a economia do Brasil está crescendo; o racismo não existe; Brasil, um país de todos.

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ImagemCartão Vermelho para o Racismo” (Fonte):

http://www.o-posts.net/news/football-opinions/feature-racism-football-infamous-racial-incidents-acts/

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Fontes consultadas:

[1] FRANCO, J. H. A Dança dos Deuses: futebol, sociedade e cultura. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

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Ver também:

http://www.lemonde.fr/sport/article/2013/10/25/racisme-toure-n-exclut-pas-de-boycotter-le-mondial-en-russie_3503093_3242.html

Ver Também:

Jornal O Globo. Caderno de Esportes. 8 de Março de 2014. Página 36.

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

As “Olimpíadas de Inverno” face ao “Aquecimento Global”

No último dia 23, encerraram-se os “Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi”, uma das mais polêmicas edições das “Olimpíadas de Inverno” ocorridas, na qual preocupações com ataques terroristas, manifestações de repúdio ao preconceito sexual, acentuada propaganda política russa e altíssimos custos de organização marcaram de forma negativa a realização destas Olimpíadas. Contudo, em que pesem todos estas polêmicas, “Sochi 2014” – considerados os “Jogos Olímpicos de Inverno” mais quentes de toda história – também mostrou ao mundo os inequívocos efeitos do fenômeno do “Aquecimento Global”, o que pode vir a se transformar em uma grande ameaça para realização das próximas edições das “Olimpíadas de Inverno”.

Constatou-se que as temperaturas ocorridas durante a realização dos Jogos estiveram mais próximas das experimentadas durante o verão, o que fez com que, na cerimônia de abertura, a neve na cobertura do “Estádio Olímpico” fosse falsa. Segundo especialistas no estudo do aquecimento global, muitas das cidades que eram propícias à prática de esportes de inverno já vêm apresentando mudanças de modo que as condições anteriormente verificadas já diminuíram de forma gradativa, e isso não apenas em Sochi, mas em inúmeros outras cidades que anteriormente foram sede das “Olimpíadas de Inverno”, as quais podem se tornar, em um período de tempo não muito longo,  completamente impróprias para a prática dos esportes de inverno.

De acordo com o geógrafo austríaco Robert Sieger, que, juntamente com outros pesquisadores austríacos e canadenses, publicou, recentemente, um estudo sobre os impactos do aquecimento global nas “Olimpíadas de Inverno”, as alterações climáticas poderão impossibilitar a prática de esportes de inverno em várias regiões, haja vista que, segundo os cálculos destes pesquisadores, até o término de nosso século somente 6 das 19 cidades que já sediaram as “Olimpíadas de Inverno” ainda apresentarão condições propícias para tanto. Para Sochi, as estimativas destes pesquisadores apontam o ano de 2050 como data limite. No que tange às demais cidades-sede, o estudo mostra que, em média, a temperatura, que era de 3,1ºC no período de 1960 a 1990, já atinge, no século XXI, 7,8ºC.

Esta mudança na temperatura que se processa devido ao “Aquecimento Global” – segundo afirmam os pesquisadores – tem feito com que o “Comitê Olímpico Internacional” (COI) seja menos rigoroso na escolha das cidades-sede dos “Jogos Olímpicos de Inverno”, conforme o ocorrido com Sochi, uma cidade relativamente bem mais quente do que as sedes anteriores. Sim, pois de acordo com as regras expressas do COI a cidade-sede deve, em um período de tempo de dez anos, ter tido por nove anos no mínimo 30 cm de neve no início de fevereiro, bem como apresentar temperaturas abaixo de zero durante o dia, regras estas que não foram estritamente levadas em conta em Sochi.

Ponto importante nesta análise é o levantado por Sieger, que encara a tendência recente pela realização das “Olimpíadas de Inverno” em regiões metropolitanas como bastante problemática, não somente no aspecto meteorológico, por estas serem mais quentes, dado que se encontram mais afastadas das regiões de montanhas, mas também pela própria logística necessária ao adequado desenrolar das competições. E, mesmo com a existência de neve artificial e de eventos indoor, grande parte das competições dependem da certeza de que haverá neve natural, caso contrário a realização de tais competições será totalmente prejudicada. Assim, ainda segundo Sieger, a não ser que os “Jogos de Inverno” voltem a ser unicamente realizados em regiões montanhosas, não se poderá supor que, no futuro, estes sejam realizados tão somente com gelo e neve naturais.

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ImagemAs Olimpíadas de Inverno Mais Quentes da História” (Fonte):

http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/poliesportiva/conteudo.phtml?id=1446729

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Fonte consultada:

http://www.dw.de/aquecimento-global-ameaça-jogos-de-inverno/a-17445701

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A força econômica do segmento futebolístico

De forma inegável, a globalização do futebol transformou este esporte em uma das mais lucrativas atividades do mundo, fortalecendo tanto econômica quanto politicamente os que sabem explorar, com maestria, o alto potencial da indústria futebolística. Desta forma, inserido em um contexto capitalista, o futebol se tornou um produto de alto valor de mercado, de grande penetrabilidade e possuidor de um extenso e inesgotável mercado consumidor. Não somente o desenrolar dos noventa minutos é o relevante, mas, sobretudo, toda uma estrutura que cerca a partida: o campo de jogo, os uniformes, os direitos televisivos, os jogadores, enfim, a totalidade dos rituais que abrangem o espetáculo futebolístico é fundamental para a comercialização do produto futebol.

Assim, o segmento futebolístico tornou-se uma importante fonte de riqueza, movimentando tamanho montante financeiro que o coloca dentre os principais setores da economia mundial, de sorte que qualquer análise comparativa dos indicadores econômicos pertinentes, da ampla gama de negócios e indivíduos direta e indiretamente envolvidos na economia do futebol comprova, inequivocamente, a magnitude do segmento, bem como identifica inúmeras vantagens conjugadas, tais como as relacionadas ao ordenamento social, ao desenvolvimento humano, à cooperação técnica internacional, à melhoria de infraestrutura, ao crescimento da indústria do turismo e, sobremaneira, à promoção internacional de governos e empresas.

Pode-se constatar que a mentalidade liberal e mercantil, características típicas da sociedade capitalista, transformou este esporte em um negócio de escala mundial, especialmente a partir da década de 1990, período em que o processo de globalização e internacionalização do capital se intensificou. Essa globalização contribuiu de forma decisiva para o crescimento do mercado consumidor para o futebol, ainda mais se considerarmos o relevante papel da televisão para o segmento futebolístico, portadora das imagens e símbolos que se apresentam em profusão neste universo. Logo, constata-se a existência de uma estreita e essencial ligação entre o futebol e a televisão, motivada pela compartilhamento mútuo de interesses.

No que tange ao vetor econômico do universo futebolístico – movimentando cerca de U$180 bilhões em 1999, U$200 bilhões em 2000 e U$250 bilhões em 2005 –, a FIFA é vista por inúmeros analistas econômicos como a maior empresa multinacional do mundo, haja vista o segmento futebolísticos empregar, direta e indiretamente, mais de meio bilhão de pessoas em todo o mundo. Com relação à FIFA, as receitas garantidas desta foram de aproximadamente U$1,7 bilhão com os direitos de transmissão televisivos da “Copa do Mundo da Alemanha 2006”, segundo estudo da consultoria Deloitte.

Outros pontos concernentes à força econômica do segmento futebolístico são apontados pelo estudo “Soccernomics 2010”, elaborado pelo “ABN AMRO Bank”. Neste, é analisado o impacto macroeconômico originado pela indústria futebolística em alguns países, bem como é mostrado que, em anos de “Copa do Mundo”, o crescimento econômico tende a ser um pouco mais acentuado, com o país campeão apresentando um adicional de 0,7% na taxa de crescimento econômico, se comparado com o período imediatamente anterior. Ademais, aponta o estudo que os negócios também podem ser afetados pelo mercado futebolístico e que um país que atraia atenção positiva no cenário internacional possui uma capacidade mais acentuada de estabelecer relações comerciais e receber investimentos de outros países, de forma que o futebol pode contribuir, decisivamente, para facilitar a emergência de tais relacionamentos no cenário mundial.

Especificamente no Brasil, segundo estudo elaborado recentemente pelo “Banco Central” (BACEN), a “Copa do Mundo 2014” causará impactos positivos nos preços internos, pressionando-os para cima e, consequentemente, gerando pressões inflacionárias. Neste estudo o BACEN leva em conta, na análise dos impactos econômicos causados pela “Copa de 2014”, o custo total, os benefícios indiretos advindos de uma maior exposição internacional do país, o efeito antecipação (o quanto a economia reage à escolha do país como sede) e o legado, que diz respeito ao quanto a economia pode ser alterada de forma permanente. Cumpre registrar que os cálculos projetados pelo BACEN abrangem o período compreendido entre 2007 (quando o país foi escolhido como sede da “Copa de 2014”) e 2017 (ano imediatamente posterior à realização das “Olimpíadas Rio 2016”), quando, no entender do BACEN, se dissiparia a pressão inflacionária gerada pela “Copa de 2014” e também pela “Rio 2106”, os chamados megaeventos esportivos.

Ainda de acordo com o estudo do “Banco Central do Brasil”, o comportamento do nível de preços interno da economia será, comparativamente a outros países que anteriormente hospedaram a “Copa do Mundo”, mais acentuado aqui, dada a realização de dois grandes megaeventos em curtíssimo espaço temporal. Desta forma, estima a Instituição que a “Copa de 2014” e a “Rio 2016” elevarão em dois pontos percentuais o “Índice de Preços ao Consumidor Amplo” (IPCA) no período considerado. Em realidade, tal estimativa vem encontrando total comprovação prática, e isso já há algum tempo, haja vista os altos preços internos que vêm sendo praticados nos mais diversos segmentos, aluguéis, alimentação, entretenimento, passagens aéreas, tarifas hoteleiras etc..

Por fim, conclui o BACEN que megaeventos esportivos em geral, “Copa do Mundo” e “Jogos Olímpicos”, podem ter impactos significativos na economia do país-sede, tendo em vista que engendram preparativos nos mais diversos campos e têm início anos antes da realização do megaevento, não compreendo apenas o período de realização dos mesmos. Destarte, por envolverem investimentos duradouros, os efeitos econômicos associados à realização de megaeventos são, geralmente, de longo prazo. 

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ImagemO Capital que Faz A Bola Rolar” (Fonte):

http://cafe-pontocom.blogspot.com.br/2010_06_26_archive.html

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Fontes consultadas:

Ver BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório Trimestral de Inflação. Dezembro, 2013. Disponível em:

http://www.bcb.gov.br  

Ver:

SANTOS, M. A. Esporte e Relações Internacionais: a Diplomacia Futebolística como Ferramenta de Soft Power – o Caso do Brasil. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – PPGRI/UERJ. Rio de Janeiro: Novembro de 2011.

Ver:

SOCCERNOMICS 2010: Soccer and The Economy. ABN AMRO Bank, 2010.

Ver:

VASCONCELLOS, D. W. Esporte, Poder e Relações Internacionais. Brasília: FUNAG, 2008

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Copa do Mundo 2014: os prós e os contras de sediar o megaevento

À medida que o país se aproxima da realização da “Copa do Mundo FIFA 2014”, inúmeras preocupações e graves desafios sociais têm vindo à tona. As manifestações ocorridas em todo o país no ano passado, quando da realização da “Copa das Confederações”, evento teste e preparatório para a “Copa do Mundo 2014”, ainda se fazem bastante presentes na memória da população brasileira, bem como na mídia internacional, haja vista terem sido acentuadamente divulgadas mundo afora. Outrossim, o fato de o ano de 2014 ser de grande importância para o Brasil, visto ser este um ano de eleições presidenciais, torna a conjuntura ainda mais delicada, o que pode ser mais um fator de preocupação para sociedade brasileira, tendo em vista o descontentamento cada vez mais acentuado de grande parte da população com os problemas sociais existentes e o descaso da classe política para com estes. Eis, então, o cenário que o início de 2014 apresenta.

Por outro lado, é sabido que o império do futebol não conhece limites nem fronteiras e, fruto da expansão capitalista inglesa, este se difundiu de forma a contemplar a totalidade do mundo em que vivemos, sendo, por isso, o esporte mais praticado em todo o planeta. Consequentemente, o futebol se torna um excelente produto, de plena aceitação no mercado e capaz de movimentar um montante de capital sem precedentes. Não pairam dúvidas quanto à indústria do futebol ser uma das mais ricas, empregando, de forma direta e indireta, milhares de pessoas, em um mercado de trabalho cada vez mais diversificado e competitivo. Desta forma, transnacionais como Nike, Adidas e outras empresas que atuam no segmento esportivo auferem ganhos extraordinários na economia mundial e, muitas vezes, chegam a influenciar a política interna dos países nas quais atuam, contando com a anuência das próprias leis nacionais. E não nos esqueçamos do grande aliado do futebol nessa dinâmica: a televisão, que com a difusão das competições futebolísticas contribuiu, decisivamente, para o aumento da rentabilidade do produto futebol.

Nesse contexto, é essencial analisar os possíveis impactos gerados no Brasil por sediar o megaevento, levando-se em consideração que a economia do país apresenta uma grande demanda por investimentos, os quais podem ser fruto de capitais provenientes da indústria futebolística e de outros setores que se desenvolvem por conta da “Copa do Mundo de 2014”, ocasião em que – não apenas durante o período do megaevento mas também desde todos os preparativos para a realização do mesmo – as luzes e holofotes internacionais encontram-se voltados para o país, fato que pode ser positivo ou negativo para o Brasil como um todo. No caso da “África do Sul”, país sede da “Copa do Mundo de 2010”, levantamentos apontam que, apesar desta ter sido a Copa mais lucrativas de todas até o momento, o megaevento gerou um aumento de apenas 0,5% no seu PIB.

Que para projeção da imagem externa de um país os sucessos no campo esportivo são por demais importantes, este é um fato irrefutável. Contudo, cabe aqui discutir se para o país que sedia uma “Copa do Mundo” as vantagens e ganhos daí originados são capazes de suplantar quaisquer problemas que possam vir a surgir e se, realmente, os ganhos econômicos advindos são maiores do que as perdas. Não obstante, deve-se ter em mente que se por um lado, sediar uma “Copa do Mundo” traz investimentos internos, novos empregos, melhorias na infraestrutura do país e crescimento econômico, por outro, cabe não negligenciar o fato de que, na maioria das vezes, este é um projeto que atende, apenas, aos interesses de uma minoria da sociedade, sem levar em conta outras prioridades mais urgentes que são postas de lado. Ademais, cabe ressaltar que o dinheiro público deve, sempre, ser utilizado visando o interesse da coletividade e não aspirações partidárias ou interesses corporativistas. Este questionamento assume grande relevância ao se analisar a realidade brasileira e se atentar para os inúmeros problemas existentes em nosso país, os quais, infelizmente, a maioria dos governantes prefere ignorar, especialmente os relacionados ao déficit habitacional, ao descaso para com a saúde pública, à corrupção, ao baixo nível educacional da população brasileira, à destruição do meio ambiente e a tantos outros problemas que são, sem sombra de dúvida, mais importantes para a população brasileira do que sediar uma “Copa do Mundo de Futebol”. Até porque, salvo em casos especiais, a população comum não terá acesso algum aos estádios que foram construídos ou reformados com parcela substancial de dinheiro público, visto que o valor dos ingressos, por ser extremamente elevado, não cabe no orçamento da grande maioria da população brasileira.

Destarte, o que aqui se procura abordar é se é realmente viável economicamente para o Brasil sediar a “Copa do Mundo de 2014”, conclusão esta que, já antecipando, está longe de unanimidade e, por isso mesmo, torna este um excelente exercício de reflexão. Em primeiro lugar, cumpre registrar que a organização de uma competição esportiva dessa magnitude envolve agentes privados e agentes públicos e, por mais que os lucros provenientes dos recursos econômicos investidos se tornem presentes, estes podem ser destinados apenas aos agentes privados. Feita esta observação, cabe analisarmos alguns aspectos econômicos bastante relevantes que embasam esta reflexão.

Pode-se constatar que, diante de uma “Copa do Mundo”, a construção, a ampliação ou mesmo a remodelação das instalações esportivas se tornam necessárias, impulsionando o setor de construção civil. Desta forma, o país-sede se compromete a cumprir uma série de exigências – o denominado “Caderno de Encargos da FIFA” – as quais são condicionantes para o sucesso da empreitada. São as chamadas obras de infraestrutura. Importante ressaltar que estas obras acabam criando empregos, contribuindo para o aumento da demanda agregada da economia e, de forma clara, impulsionam o crescimento do setor de construção civil. Em contrapartida, na medida em que grande parte do capital a ser investido na ampliação e construção das instalações esportivas é proveniente do setor público e não do setor privado, o dinheiro que poderia ser investido em outras áreas prioritárias é redirecionado para obras de infraestrutura para a “Copa do Mundo”. Em adição, conforme ocorreu na “África do Sul”, com o término da competição muitos se veem diante de instalações que não terão utilidade alguma no futuro, os chamados “elefantes brancos”. Outrossim, tais investimentos em instalações esportivas efetuados pelo governo e a promoção destes acaba por desviar a atenção acerca de outros fatos mais importantes como, por exemplo, políticas sociais. No Brasil, o caso concreto seria a retirada arbitrária das comunidades carentes que vivem nas proximidades do futuro estádio de futebol na localidade de Itaquera, em São Paulo: enquanto são investidos milhões na construção do estádio, a população carente é completamente negligenciada pelo governo.

Ainda tendo como exemplo a realidade da economia brasileira, diversas obras de infraestrutura que vêm sendo realizadas já foram paralisadas devido a suspeitas de superfaturamento, desvio de verbas, greves por melhores condições de trabalho e por graves acidentes. Os próprios estádios que estão sendo construídos ou reformados já ultrapassaram, em muito, o valor inicialmente orçado, sem contar que os gastos efetuados na reforma do “Estádio do Maracanã” possibilitariam construir dois novos estádios de altíssimo padrão mundial na Europa.

Outro ponto a ser considerado é o que diz respeito à afluência de turistas ao Brasil durante a realização da “Copa do Mundo”. Se, por um lado, isto fará com que o setor de turismo seja beneficiado e mais divisas estrangeiras sejam obtidas, por outro, o excesso de demanda ocasionado pelo elevado número de turistas estrangeiros no país poderá provocar uma acentuada alta de preços internos, pressionando a taxa de inflação, no caso de a estrutura econômica do país não ter capacidade para suprir o excesso de demanda gerado. Além do mais, deve-se levar em consideração que esse excesso de demanda pode pressionar positivamente os salários da economia, o que geraria impactos tanto na taxa de inflação quanto na rentabilidade de outros setores da economia.

A se ressaltar, também, que a própria expectativa dos agentes (públicos e/ou privados) com relação aos efeitos econômicos provenientes da competição esportiva pode provocar alterações significativas em algumas variáveis macroeconômicas, tais como o consumo e o PIB. Isso ocorre na medida em que uma visão pessimista acerca do sucesso na organização da competição pode causar um pequeno impacto no consumo, investimento e, consequentemente, no PIB brasileiro, ainda mais tendo em vista ser 2014, por conta das eleições presidenciais, um ano com uma potencial e crescente pressão inflacionária. Adicionalmente, o prestígio que o país adquire ao ser escolhido para sediar a competição pode se tornar, diante de algum problema grave ocorrido no decorrer da mesma, uma propaganda extremamente negativa que, sem embargo, irá causar graves danos à economia deste país.

Por fim – sintetizando esta pequena explanação dos prós e dos contras vivenciados pelo Brasil, sede da “Copa do Mundo de 2014” –,  um quadro no qual se pode identificar alguns aspectos econômicos diretos e indiretos e como estes se apresentam, seja de forma positiva ou negativa, para a economia do país, será por demais pertinente e esclarecedor para a melhor compreensão possível desta análise.

 

ASPECTOS ECONÔMICOS DIRETOS

ASPECTOS POSITIVOS  ASPECTOS NEGATIVOS

 

Construção, ampliação e remodelação de instalações esportivas Altos custos oriundos de tais obras 

Risco de um planejamento inadequado

 

Risco de gerar “elefantes brancos

 

Desvio de atenção e de recursos que deveriam estar sendo direcionados a áreas potencialmente mais prioritárias, como Saúde, Habitação, Saneamento e Educação

Construção e melhorias provenientes de obras de infraestrutura Altos custos oriundos de tais obras, devido a superfaturamentos e desvios de verbas
Aumento da eficiência dos transportes públicos Muitas vezes pode apenas mascarar a realidade corrente
Impulso ao crescimento do setor de construção Risco de alta generalizada dos custos de construção, a qual pode vir a afetar outros setores da economia
Gastos de turistas que adentram o país para a Copa Risco de inflação generalizada se a estrutura econômica do país não suporta, adequadamente, o excesso de demanda ocasionado 

Alteração na agenda de turistas mais frequentes e empresários de outros setores, os quais preferem evitar o excesso de pessoas e os preços excessivamente elevados de hotelaria

Maior entrada de investimentos estrangeiros Condicionantes que atentam contra a soberania do país

 

ASPECTOS ECONÔMICOS INDIRETOS

 ASPECTOS POSITIVOS

 

 ASPECTOS NEGATIVOS
Melhora na expectativa de desempenho econômico Pressão que pode levar governos a mascarar dados econômicos
Aumento da produtividade da economia, gerado pelo sentimento de orgulho nacional e esforços para o sucesso do evento Perda da produtividade da economia durante o evento, em função do excessivo número de feriados
Publicidade do país como destino turístico Alto risco de uma má publicidade no caso de a organização da competição ser um fracasso

Em suma, estes são os aspectos econômicos considerados por parcela significativa de analistas como sendo relevantes para a análise sobre ser economicamente viável ou não a realização de um evento esportivo de tamanha magnitude no Brasil. Cabe analisá-los e refletir sobre a atual situação brasileira.

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ImagemEsta não é a Copa do Mundo que Queremos” (Fonte):

http://espiritosantoturismo.blogspot.com.br/2012_10_18_archive.html

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Fontes consultadas:

ROLDÁN, J. F. Más que Fútbol: Economía y Geopolítica del Mundial de Sudáfrica. In: Revista Forum Doctoral. Número 2. Janeiro/Junho de 2010.

SANTOS, M. A. Esporte e Relações Internacionais: a Diplomacia Futebolística como Ferramenta de Soft Power – o Caso do Brasil. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – PPGRI/UERJ. Rio de Janeiro: Novembro de 2011.


COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Goles para El Desarrollo: a ação do BID tendo o esporte como ferramenta

Inaugurada em novembro de 2013 e com término para janeiro de 2014, a exposição “Pelé – Goles para El Desarrollo” mostra o impacto do esporte como veículo de transparência social, tendo como exemplo a vida do ex-jogador Pelé, e apresenta alguns dos projetos esportivos que vêm sendo realizados na “América Latina” com o patrocínio do BID. Ela está sendo realizada na “Galeria de Arte” do “Banco Interamericano para o Desenvolvimento” (BID), em Washington, com a curadoria do “Centro Cultural do BID” e colaboração da “Legends 10”, empresa representante de Pelé nos EUA.

Entende o Banco que falar de Pelé não significa referir-se a uma pessoa nem tampouco à encarnação de um sonho, mas sim mostrar um exemplo de mobilidade social a partir do talento e do trabalho duro, o que fez do “Rei do Futebol” um símbolo cultural na “América Latina” (tal qual são Pablo Neruda, Mario Vargas Llosa e Mercedes Sosa), pois o futebol na região não é apenas um esporte, mas também uma identidade coletiva que une nações, canaliza o patriotismo, fomenta o diálogo e é capaz de influenciar a literatura, o cinema e a música.

Na visão do BID, incluir o esporte na agenda de desenvolvimento se faz mister porque este fomenta uma sociedade mais saudável, estimula a coesão social, facilita o trabalho em equipe, motiva a disciplina e gera um sentimento de pertencimento a uma comunidade, o que faz com que o esporte seja utilizado para transmitir símbolos e valores, atenuar conflitos, gerar consentimento, capacitar para o mercado de trabalho e complementar a Educação.

Assim, fomentar o esporte como ponte para o desenvolvimento humano tem se tornado veículo que integra os setores público e privado e a sociedade civil. Nesta dinâmica, a missão do BID tem encontrado no esporte um canal para atingir regiões afastadas e desfavorecidas de condições para propiciar mudanças sustentáveis as suas respectivas populações.

A se registrar que esta atuação do BID no patrocínio de projetos de esporte para o desenvolvimento teve como ponto de partida a iniciativa “A Ganar”, um programa piloto realizado inicialmente no Brasil, Equador e Uruguai, que capacitou mais de 3.200 jovens, entre os anos de 2005 a 2009, utilizando uma metodologia de capacitação para o trabalho que converte as habilidades adquiridas através do futebol e de outros esportes (disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe, comunicação e orientação para resultados) em mecanismos eficazes para ingressar no mercado de trabalho.

Devido aos resultados positivos obtidos no período supracitado, esta iniciativa foi ampliada para Argentina, Haiti, México, Colômbia, Jamaica e “República Dominicana”, capacitando, segundo estimativas do próprio BID, mais de 6.000 jovens na “América Latina e no Caribe. Ainda segundo dados do Banco, no Brasil, no Uruguai e no Equador, mais de 70% dos participantes ou conseguiram um emprego, ou regressaram à escola, ou iniciaram um negócio próprio após um ano de formados.

Outrossim, no ano corrente (2013), como parte do “Programa de Educação do BID para o governo do Haiti”, foi implementado no país um programa piloto visando melhorar a vida de 4.000 crianças e jovens habitantes da comunidade de Carrefour, proporcionando-lhes esportes e atividades baseadas em oportunidades de aprendizado, no intuito de desenvolver o potencial físico, cognitivo e emocional dos mesmos.

Cabe ressaltar, também, que, nesta linha de atuação, o BID tem efetuado inúmeras parcerias com organizações tais como “Partners of the Americas”, “Fundação Nike”, “Fundação Clinton”, “United States Agency for International Development” (USAID), Microsoft, Pepsico e FIFA, por exemplo.

Atualmente, o BID explora oportunidades de trabalho conjunto com o “Comitê Olímpico Internacional” (COI) e procura estabelecer uma maior parceria com a FIFA, colaborando com algumas organizações de clubes de futebol, como a “Fundación FC Barcelona”, “Fundación Real Madrid” e a Fundación del Club Atletico de Madrid” e também com a “National Basketball Association” (NBA).

Em conjunto com seus diversos parceiros, o BID tem contribuído com mais de U$15 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos voltados para o desenvolvimento humano por meio do esporte. Na Bolívia, por exemplo, foi construído um centro de esportes em “El Alto” (La Paz) com a colaboração do Governo boliviano, do “Club Bolívar” e de uma empresa privada, projeto este que também contou com a importante participação da ONGSave The Children Canadá”, e foi por demais relevante para a promoção da igualdade de gênero e do empowerment de meninas e adolescentes na região.

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ImagemO Desenvolvimento por Intermédio do Futebol” (Fonte):

http://www.iadb.org/es/noticias/anuncios/2013-11-19/exhibicion-sobre-pele-goles-para-el-desarrollo,10657.html

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.iadb.org/es/noticias/anuncios/2013-11-19/exhibicion-sobre-pele-goles-para-el-desarrollo,10657.html

Ver:

http://idbdocs.iadb.org/wsdocs/getdocument.aspx?docnum=38241834

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O poder aglutinador do Futebol na Austrália

Embora a Austrália não seja uma potência futebolística nem tampouco o futebol seja o esporte mais popular neste país, posto este destinado ao rugby, o velho esporte bretão vem desempenhando um importante papel como ferramenta social neste país, por intermédio da atuação da “Football United”, uma associação que tem por objetivo favorecer a inserção social de populações refugiadas tendo o futebol como instrumento.

Fundada, em 2006, por Anne Bunde-Birouste, pesquisadora e conferencista da “Universidade de Nouvelle-Galles du Sud”, localizada em Sidney, Austrália, a “Football United” nasceu da percepção de que o futebol poderia ser utilizado na Austrália para integrar à sociedade australiana os refugiados humanitários que buscavam uma nova vida neste país e para combater as reações xenofóbicas e discriminatórias de uma parte da população australiana que não desejava que seus respectivos filhos tivessem contato com jovens oriundos da Somália, do Iraque e do Afeganistão, por exemplo.

O ano de 2005 é importante para os rumos do futebol no país. Neste ano, a refundação da “Federação Australiana de Futebol” e o lançamento de um novo campeonato nacional gera um crescimento deste esporte no país. Não por acaso, neste mesmo ano, a seleção australiana de futebol, que estava ausente da “Copa do Mundo FIFA” por trinta e sete anos, obtém a classificação para disputar a “Copa de 2006 na Alemanha.

Desta forma, com o crescimento do futebol no país, este se tornou uma excelente ferramenta de inclusão social na Austrália. Assim é que, ao iniciar suas atividades em 2006, em uma área pobre de Sidney, a “Football United” reunia populações as mais diversas possíveis, tais como africanos de Ruanda, Burundi, Congo e Somália, bem como refugiados provenientes de Iraque, do Irã, do Afeganistão e do “Timor Leste”, todos contribuindo para a formação de um verdadeiro melting pot. Atualmente, a “Football United” atende a refugiados de mais de cinquenta nacionalidades diferentes, sem negligenciar os aborígenes da própria Austrália, já tendo beneficiado, por meio de suas ações e políticas, cerca de oito mil jovens das mais diversas nacionalidades.

Se no início de suas atividades a atuação da “Football United” era restrita às áreas desfavorecidas de Sidney, aos poucos a atuação da associação foi-se expandindo às escolas primárias e colégios secundários, que atualmente são a plataforma principal de atuação da “Football United”, embora as regiões desfavorecidas não tenham sido relegadas a segundo plano. Ocorre que tais escolas e colégios possuem centros de aprendizado de Inglês destinados aos não-anglófonos e é justamente nestes centros que se concentram as crianças e adolescentes filhos de refugiados, que encontram alegria e satisfação na prática do futebol. Em adição, recebem também uma formação visando o desenvolvimento social.

Contudo, apesar da importância da atuação da “Football United na Austrália, esta carece de um maior aporte de verbas do Governo australiano, que apenas financiou uma parte do projeto piloto, sem manter constante o financiamento da associação, que chegou, inclusive, a ser premiada pela “Comissão de Direitos Humanos da Austrália”, por conta do trabalho realizado com os refugiados. “Tenho uma profunda frustração para com o Estado, que insiste em não querer admitir a realidade social do país[1], afirmou a fundadora da “Football United”. Ainda segundo ela, 50% dos jovens habitantes das regiões desfavorecidas não possuem os meios de aceder ao esporte, porém isto é ignorado pelo Governo. Outrossim, apenas o “Ministério da Justiça” entende que a ação da “Football United” poderia vir a prevenir a violência entre comunidades e reduzir a delinquência juvenil.

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ImagemA Integração pelo Futebol na Austrália” (Fonte):

http://www.lemonde.fr/sport/article/2013/12/03/l-australie-experimente-l-integration-par-le-football_3522969_3242.html

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Fonte consultada:

[1] Ver:

http://www.lemonde.fr/sport/article/2013/12/03/l-australie-experimente-l-integration-par-le-football_3522969_3242.html