AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Brasil na Mira do Estado Islâmico

O grupo extremista Estado Islâmico que, há algum tempo, se expandiu para além da Síria e do Iraque, acaba de incluir a América Latina na rota do terrorismo, sendo o país eleito, o Brasil. Às vésperas dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, as autoridades brasileiras acenderam a luz amarela ante a possibilidade de possíveis ataques. Os riscos são reais e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), com o auxílio de alguns Serviços de Inteligência estrangeiros, incluindo a CIA, está monitorando um conjunto de pessoas que se comunica em português, através de mensagens instantâneas, por meio do aplicativo Telegram. Em território brasileiro, o grupo é designado por Nashir Português, em referência à Nashir News Agency, uma das agências de notícias do Estado Islâmico. Segundo a ABIN, todo o conteúdo correspondente à ideologia fundamentalista islâmica está sendo traduzido para a língua portuguesa e divulgado por meio daquele aplicativo.

A identificação dos envolvidos no processo de aliciamento não é uma tarefa fácil. Hoje, o Brasil mantém sob vigilância, assim como as autoridades portuguesas, um indivíduo conhecido como Ismail Abdul Jabbar al-Brazili, também denominado “o Brasileiro”. Identificado, em outubro de 2015, pelo Middle East Media Research Institute (MEMRI), al-Brazili é considerado muito ativo na web e é um dos responsáveis por alimentar o canal de propaganda do Estado Islâmico no Brasil, com a divulgação de textos em português, apresentando-se como um facilitador para quem desejar engrossar as fileiras do grupo jihadista. Com várias contas nas redes sociais[1], al-Brazili incita o ódio contra aqueles que considera infiéis e presta reverência ao islamismo radical. Em sua conta no Google+, ele diz ser um lobo solitário. Para além dessas funções, “o Brasileiro” promete vingar o desaparecimento de seu mentor e amigo, o norte-americano Abu Khalid al-Amriki, que morreu em combate na Síria.

O Brasil recebeu a primeira ameaça concreta na sequência dos atentados de Paris, em novembro de 2015. Escrita por Maxime Hauchard, membro do alto escalão do Estado islâmico, a mensagem dizia o seguinte: “Brasil, vocês são o nosso próximo alvo”. No momento, a grande preocupação das autoridades brasileiras são os Jogos Olímpicos, cujo início está a menos de dois meses. Para garantir a proteção de atletas, Chefes de Estado e espectadores de todo o mundo, está programado para durante o evento, um efetivo de Segurança composto por 80.000 agentes, um número que corresponde ao dobro daquilo que se viu nos Jogos Olímpicos de Londres, há quatro anos.

A preocupação da ABIN não está relacionada com atentados sofisticados, mas com a atuação dos lobos solitários. Os ataques, lançados individualmente, não necessitam de muitos recursos e podem ser avassaladores. Neste contexto, os riscos não devem estar centrados apenas nos dias em que decorrerão os Jogos, mas naqueles que antecedem e se sucedem às competições esportivas. Um acontecimento desta natureza poderá desestabilizar a segurança e a sociedade, independentemente do local onde o ato for praticado.

Embora São Paulo e o Rio de Janeiro, as duas metrópoles brasileiras mais conhecidas, de acordo com a lógica terrorista, sejam os alvos prediletos, a atenção deve estar voltada para todo o território nacional, pois não há um lugar totalmente seguro. O aliciamento de novos jihadistas, que coloca a população brasileira sob ameaça e desafia os Serviços de Inteligência a identificar os autores, também chama a atenção, atualmente, pelo fato de al-Brazili estar à procura de tradutores para o espanhol. Esta situação acaba por revelar a intenção de que o Estado Islâmico pretende atingir, diretamente, na América do Sul, os povos hispano-americanos, podendo se estender ao al-Andalus, ou seja, à Península Ibérica. Esta hipótese revela que o propósito dos milicianos do Estado Islâmico, no Brasil, não está ligado apenas à realização dos Jogos da XXXI Olimpíada.

———————————————————————————————–

ImagemBandeira Olímpica” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a7/Olympic_flag.svg/2000px-Olympic_flag.svg.png

———————————————————————————————–

Notas de Rodapé:

[1] A presença de Ismail Abdul Jabbar al-Brazili nas redes sociais tem variado ao longo do tempo em virtude de, na sequência de denúncias tanto privadas, quanto oficiais, suas contas serem eliminadas. À hora do encerramento desta Nota Analítica, al-Brazili mantinha as seguintes contas na web:

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Blog]:

https://ismailabduljabbaralbrazili.wordpress.com/

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/108602906064840351695/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/116018143616123669821/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/113930840375631463523/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Youtube/canal sem conteúdo]:

https://www.youtube.com/channel/UCi6q9qiTcybfadnwkcuvLsQ

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Linkedin]:

https://www.linkedin.com/in/ismail-abdul-jabbar-al-brazili-a3438b108

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Brasil Pretende Rever Voto Sobre os Territórios Ocupados

O Ministério brasileiro das Relações Exteriores (Itamaraty) anunciou na quinta-feira, 9 de junho, que o Brasil poderá revisar o seu voto sobre a decisão do Conselho Executivo da UNESCO, que decorreu em abril e deliberou sobre o patrimônio cultural nos territórios ocupados desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967. A Resolução, proposta pela Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Catar e o Sudão, saiu vencedora da 199.ª Sessão da UNESCO que, na ocasião, contou com o voto favorável do Brasil. Dos 58 países com direito a voto, 33 votaram favoravelmente, 6 contra, houve 17 abstenções e 2 ausências. A Resolução propõe, de entre outras questões, a restauração do histórico status quo que vigorou até 2000, segundo o qual a fundação religiosa jordaniana, Awqaf, exercia autoridade exclusiva sobre a “Mesquita de al-Aqsa/al-Haram al-Saharif, cujo mandato se estendia a todos os assuntos relacionados com a administração relativa ao desimpedimento da Mesquita de al-Aqsa/al-Haram al-Saharif, incluindo a manutenção, restauro e regulação do acesso”. Outros aspectos relacionados com as escavações e demais atividades realizadas por Israel em Jerusalém, por exemplo, são alvo de críticas, pelo que a Resolução pede o fim das mesmas. O país aparece unicamente na qualidade de acusado sem se levar em consideração a ligação histórica de seu povo com Jerusalém e outros lugares históricos.

O argumento do Itamaraty para pedir a alteração do voto centra-se no fato de não ver contempladas, naquele documento, todas as partes envolvidas e por considerar a Resolução como parcial. Em nota, o Itamaraty afirmou: “O fato de que a decisão não faça referência expressa aos vínculos históricos do povo judeu com Jerusalém, particularmente o Muro Ocidental, santuário mais sagrado do judaísmo, é um erro, que torna o texto parcial e desequilibrado. O governo brasileiro reitera seu pleno reconhecimento desses vínculos e sua posição a favor do livre acesso dos fiéis das três religiões, cristianismo, islamismo e judaísmo, aos lugares santos da Cidade Velha de Jerusalém, bem como seu apoio aos acordos vigentes entre Israel e Jordânia para sua administração”. Neste contexto, verifica-se ainda, através da análise da Resolução, que ela extrapola a perspectiva histórica dos lugares sagrados para os três povos do Livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – adentrando nos problemas que envolvem o conflito israelo-palestino. A partir de um ponto de vista unilateral são denunciadas as agressões de Israel em relação aos civis palestinos, Xeiques, Sacerdotes, detenções de muçulmanos, destruição de escolas, mas sem nenhuma referência ao grupo insurgente Hamas, que administra a Faixa de Gaza, e às demais facções extremistas radicadas naquela área, que também compõem a base das hostilidades entre os dois povos. Do mesmo modo, ao longo da Resolução, Israel não é referido como país internacionalmente reconhecido, mas como Poder Ocupante.

A intenção do Brasil em revisar o seu voto sobre a questão do patrimônio cultural nos territórios ocupados não representa uma mudança na decisão tomada pois, para que isto aconteça, é necessário que vários países façam o mesmo. O procedimento brasileiro configura apenas uma atitude simbólica e, em outro plano, uma nova direção da diplomacia brasileira. Na UNESCO, embora a organização não tenha se pronunciado oficialmente, segundo informações, a posição do Brasil foi recebida com preocupação em virtude de possíveis mudanças em sua política exterior. Em entrevista ao jornal Estadão, sob condição de anonimato, um alto diplomata da UNESCO fez a seguinte consideração: “A nota indica que tende a haver uma mudança. Entendo que o Ministro José Serra queira se opor ao governo de Dilma Rousseff, mas isso terá impactos nas relações bilaterais e pode até representar uma ruptura na abordagem brasileira, que é histórica em relação à Palestina”. O posicionamento do atual Ministério das Relações Exteriores do Brasil, ao rever o seu voto numa questão internacional importante, não pressupõe o rompimento de laços diplomáticos, ou históricos, com nenhum país. Cabe referir que se deve observar se o Itamaraty adotou uma postura responsável ante uma situação que exige decisões multilaterais que respeitem todos os envolvidos, a partir dos princípios do Direito Internacional, independentemente de questões ideológicas.

———————————————————————————————–

ImagemJerusalém” (Fonte):

http://www.vocfm.co.za/wp-content/uploads/2015/10/jerusalem-city-view.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Lobos Cinzentos: a presença dos ultranacionalistas turcos nos conflitos atuais

Os conflitos atuais, em algumas partes do mundo, têm chamado a atenção pela presença de diferentes grupos extremistas que agem num propósito comum de destruição e aniquilamento de vidas humanas, independentemente da nacionalidade. De entre as várias facções insurgentes que atuam, hoje, ao nível do terrorismo internacional, os combatentes turcos, que compõem a organização denominada Lobos Cinzentos, têm sobressaído. Conhecidos como Clubes Idealistas, ou Corações Idealistas [em turco: Ülkü Ocakları], a organização foi fundada na década de 1960. Os combatentes desta organização são ideologicamente originários da extrema-direita, ligados ao Partido do Movimento Nacionalista turco e têm como objetivo unir todos os turcos em um único território. Os Lobos Cinzentos, inicialmente, estiveram sob a liderança de seu fundador, o Coronel Alparslan Türkeş, que foi abertamente um admirador das ideias do líder nazista alemão, Adolf Hitler. A partir de 1997, os ultranacionalistas passaram a ser liderados por Devlet Bahçeli. O grupo se notabilizou entre os anos de 1976 a 1980, durante o período de violência que atingiu a Turquia, estendendo-se a 1981, quando Mehmet Ali Ağca, com ligações aos Lobos Cinzentos, tentou assassinar o Papa João Paulo II na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Na Síria, os Lobos Cinzentos têm contribuído para dinamizar o conflito, em curso desde 2011. Segundo informações, os ultranacionalistas turcos ingressaram como combatentes na Guerra Civil da Síria, para defender os turcomanos, a minoria étnica turca que se encontrava na mira da Rússia. As ações daqueles radicais intensificaram-se após o início da campanha militar russa naquele país, em 29 de setembro de 2015, com operações militares contra Bayır Bucak, a região turcomana de Latakia. Suspeita-se que as ações dos Lobos Cinzentos, na Síria, assim como em outras partes do planeta, contam com o apoio do Governo turco. Em solo sírio, os fatos confirmam a criação de unidades de turkmen, sob a orientação da Turquia. Há, também, uma propaganda que revela, de acordo com o sítio web al-Monitor, as aspirações neo-otomanas do Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan. Neste sentido, têm circulado na mídia social turca incitamentos como este: “As terras onde estão as relíquias de nossos antepassados estão, hoje, sob bombardeamento russo. Quase todas as nossas aldeias foram confiscadas pelos russos”.

Os ultranacionalistas turcos carregam consigo uma larga experiência em ações terroristas dentro e fora da Turquia. De acordo com informações, eles estão ligados à máfia turca, a qual contribui com o apoio logístico para as operações externas do grupo. Desde os anos de 1990, os Lobos Cinzentos estenderam as suas atividades a “Estados pós-soviéticos com populações turcas e muçulmanas”. Os extremistas também reivindicaram o atentado em Bangkok, Tailândia, que fez aproximadamente 16 vítimas mortais e feriu 81 pessoas, em agosto de 2015, em retaliação ao fato de a Tailândia ter deportado para a China mais de 100 pessoas da etnia turca muçulmana, Uyghurs. Atualmente, consta ainda que os Lobos Cinzentos estão marcando presença na Criméia, ao sul da Ucrânia, encontrando-se em negociações com os nacionalistas ucranianos, o que para os analistas é um risco, na medida em que os ultranacionalistas turcos “nunca tiveram respeito pelos outros povos”.

Os radicais não escondem a oposição à Rússia, que não é considerada, por eles, como um país amigo. Neste contexto, o recrutamento de combatentes para a Guerra Civil síria, por exemplo, é justificado pela defesa de uma minoria étnica e identitária turca, contra as forças militares russas. De certo modo, as relações entre a Turquia e a Rússia se deterioraram, nomeadamente, após um avião russo Sukhoi Su-24 ter sido abatido pela Força Aérea da Turquia, acusado de ter violado o espaço aéreo da Turquia, em finais de 2015. Na ocasião, o Tenente-Coronel russo, Oleg Peshkov, após ejetar-se do avião, foi morto a tiro por Alparslan Çelik, membro da organização Lobos Cinzentos. Recentemente, Çelik foi preso, mas as autoridades turcas de Izmir, localidade onde o miliciano foi detido, afirmaram que a sua prisão não tinha relação com a morte do piloto, estando relacionada com o transporte ilegal de armas e o alegado desvio de ajuda para a comunidade turcomena, na Síria.

A par do apoio do Governo turco aos Lobos Cinzentos, as ações destes insurgentes em diferentes pontos da geografia mundial têm contribuído para o aumento da violência em nome de um ideal nacionalista que constitui, simultaneamente, o perigo de uma escalada maior envolvendo atores estatais.

———————————————————————————————–                    

ImagemManifestantes do Partido do Movimento Nacionalista fazem o sinal do lobo cinzento enquanto aguardam a chegada do líder do partido, Devlet Bahçeli (Istambul, 5 de outubro 2013)” (Fonte):

http://www.al-monitor.com/pulse/files/live/sites/almonitor/files/images/almpics/2014/02/RTR3FMK7.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os Hackers do Estado Islâmico Planejam Intensificar a Atuação Contra o Ocidente

O Estado Islâmico concentra hoje uma rede diversificada de operações que não se limita aos atos praticados pelos combatentes no terreno. Valendo-se da tecnologia, o grupo formou um sistema de informações que atende os interesses dos fundamentalistas, dentro e fora do Oriente Médio. Com pessoal altamente qualificado, os jihadistas criaram um novo campo de atuação a partir do ciberespaço, que vai além do recrutamento de novos adeptos. Atualmente, um grupo de hackers do Islã radical funciona como uma espécie de serviço secreto para o Estado Islâmico, ameaçando os Governos ocidentais. A Divisão de Hacking do Estado Islâmico (ISHD) [em inglês: Islamic State Hacking Division], em maio deste ano (2106), ameaçou expor os segredos militares da Grã-Bretanha, após ter publicado, na Internet, uma “lista negra” de pilotos de drones da Força Aérea dos EUA, com nomes, endereços e fotografias.

A ISHD foi dirigida por Junaid Hussein, um antigo hacker de computadores, de Birmingham, Inglaterra, morto durante o ataque de um drone norte-americano, na Síria, em agosto de 2015. Os hackers, que também se denominam Ciber Califado, divulgaram informações sobre mais de 54.000 contas do Twitter, tendo revelado dados pessoais e os telefones dos chefes da CIA, FBI e da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). Segundo especialistas, os fatos nos levam a crer que estamos ante uma “perigosa escalada da guerra cibernética global”. A ISHD manteve-se em silêncio por um tempo, após a morte de Junaid Hussein, mas reapareceu em tom de provocação ao Ocidente, deixando a seguinte mensagem: “Precisamos de anos para publicar aquilo que temos. Vamos içar a nossa bandeira no coração da Europa”.

 A determinação da ISHD em trabalhar para o Estado Islâmico parece ilimitada, na medida em que cada ação corresponde a um chamado divino. Sally Jones, uma inglesa convertida ao islamismo, antiga rocker punk e mulher de Junaid Hussein, afirmou na ocasião do falecimento do marido sentir-se orgulhosa por ele ter sido morto “pelo maior inimigo de Alá”; ao mesmo tempo ela desafiou o Ocidente, ao declarar que “os Cruzados pensam que vencerão depois de nos matarem todos. Não nos vencerão”. A disposição da ISHD contra os Governos ocidentais está submetida à ideologia extremista do Estado Islâmico, cujo propósito é alcançar poder e, para isto, necessita de uma base material e social para se firmar, algo que os fundamentalistas têm alcançado dentro e fora do Oriente Médio.

Os hackers têm procurado atender os objetivos de Abu Bakr al-Baghdadi, obstinados em procurar satisfazer os interesses do Califa, garantindo-lhe o poder de que necessita e que “se materializa na ação que se estende à capacidade de domínio e execução de ações que se realizam a partir de um indivíduo que possui a autoridade de mandar e comandar determinadas situações[1]. Neste contexto, a ISHD constitui um pilar importante para o Estado Islâmico e, simultaneamente, mais um desafio para o Ocidente, que enfrenta uma ameaça que não se encontra apenas no plano real, mas também no espaço virtual.

———————————————————————————————–

ImagemUma bandeira do Estado Islâmico ondula numa rua do campo de refugiados palestino de Ain alHilweh (19 de janeiro de 2016), depois de hackers daquele grupo insurgente terem atacado, pela primeira vez, um sítio web chinês [Universidade Tsinghua] (17 de janeiro de 2016)” (Fonte):

http://s.newsweek.com/sites/www.newsweek.com/files/2016/01/20/isis-hackers-china-university-tsinghua.jpg

———————————————————————————————–

Fontes Bibliográficas:

[1] Ver:

DIAS, Marli Barros. Israel e Palestina: O Papel do Poder Político e da Ideologia na Construção da Paz. Curitiba: Juruá Editora, 2015, pág. 38.

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O avanço do Estado Islâmico em território líbio

O Estado Islâmico tem conseguido avançar significativamente na Líbia e, assim, alterado o foco da atenção das potências ocidentais quanto à ameaça islâmica, que deixou de estar centrada no Iraque e na Síria. Na medida em que a expansão dos insurgentes de Abu Bakr al-Baghdadi no território líbio cresce substancialmente, isto tem se transformado numa questão de Segurança Nacional para o Ocidente. Aproveitando-se do vazio de poder na Líbia após a morte de Muammar al-Gaddafi, em 20 de outubro de 2011, e na sequência das disputas internas entre grupos rivais, os militantes islâmicos encontraram terreno fértil para alargar as suas posições para além do Oriente Médio.

Hoje, Sirte, o berço de al-Gaddafi, é, também, o espaço estratégico de Abu Bakr al-Baghdadi. A localização daquela cidade costeira permite ao Estado Islâmico levar a cabo a infiltração de forças suas na Europa, África Subsaariana e no Magrebe. Atualmente, os radicais islâmicos controlam uma área de aproximadamente 200 Km ao redor de Sirte, estimando-se que, nos últimos 12 a 18 meses, a quantidade de combatentes tenha dobrado, contando hoje com aproximadamente 6.000 homens, com o comando estabelecido na Síria e no Iraque. O general David Rodriguez, Chefe do Comando dos EUA para a África (AFRICOM), afirmou que os insurgentes do Estado Islâmico na Líbia tencionam atacar a Europa e os EUA, pois Sirte está localizada a apenas algumas centenas de Quilômetros, através do Mar Mediterrâneo, das cidades costeiras da Europa.

As milícias líbias têm contribuído para inibir a expansão do Estado Islâmico, mas expulsá-lo do território ainda é um desafio. A Líbia está fragmentada e tem enfrentado dificuldades de governabilidade por parte do Governo de Unidade recentemente formado. Ante mais um problema que envolve a presença do Estado Islâmico, cabe a Fayez al-Sarraj, o novo Primeiro-Ministro líbio, dar sustentação ao Governo de Unidade e oferecer garantias para a estabilidade e pacificação do país. Isto vai exigir do novo dirigente líbio a adequação da administração a um propósito de união entre as diferentes facções de seu país para, estrategicamente, liderar a libertação de Sirte, hoje sob o domínio dos fundamentalistas, eliminando a ameaça externa a partir dos radicais.

De acordo com informações, os veteranos e os ex-Comandantes de al-Gaddafi estão retornando à Líbia para lutarem contra os combatentes de al-Baghdadi. Porém, segundo informações, há uma questão preocupante, que é o fato de as facções líbias estarem competindo entre si, ao invés de desenvolverem um trabalho coordenado para a expulsão do Estado Islâmico. O Governo enfatizou que “a ausência de uma liderança unificada” poderá provocar um “confronto entre as Forças Armadas”. Guma el-Gamaty, um político líbio, advertiu: “As pessoas estão preocupadas com o fato de que, se a operação de Sirte não for tratada corretamente, então isso poderá ser o início de Guerra Civil em grande escala”.

Na última sexta-feira, 6 de maio, o Governo de Unidade da Líbia anunciou a formação de uma força-tarefa militar contra a ameaça do Estado Islâmico. Os EUA, o Reino Unido, a França e a Itália já anunciaram que vão considerar uma possível intervenção militar na Líbia contra o Estado Islâmico se “o Governo de Unidade Nacional constituir uma força militar centralizada”. Para que isto aconteça, será necessária a superação das divergências entre as distintas milícias, num esforço conjunto em nome do objetivo comum. Neste contexto, o Estado Islâmico representa parte de um problema mais amplo que está ligado ao colapso e à fragmentação dos Estados pós-coloniais, anteriormente centralizados, nos quais o esfacelamento das instituições favoreceu a entrada em cena dos grupos radicais. Neste sentido, a Líbia não é o último, mas mais um território de que o Estado Islâmico se apropriou para garantir, em termos estratégicos e econômicos, os objetivos do Califado, instaurando o terror no seio da população local.       

———————————————————————————————–

ImagemCombatentes da milícia Amanhecer da Líbia disparam tiros de canhão contra militantes do Estado Islâmico nos arredores de Sirte, Líbia (19 de março de 2015)”  (Fonte):

https://timedotcom.files.wordpress.com/2015/08/libya-sirte-fight-against-isis-2.jpg?quality=75&strip=color&w=1100

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ataques indiscriminados sírios e russos sobre Aleppo causam centenas de vítimas

Aleppo, localizada ao norte da Síria e a maior cidade daquele país, tem tentado resistir aos intensos bombardeios dos últimos dias desferidos pelo regime de Bashar al-Assad e de seus aliados russos. A divisão de Aleppo entre o Governo, que controla a zona oeste, e os insurgentes, que mantêm sob domínio a zona leste, transformou a cidade no palco da violência exacerbada que já fez centenas de vítimas, ao longo das últimas duas semanas. Aleppo é uma cidade estratégica, em termos econômicos, militares e simbólicos, para as partes envolvidas na contenda. Fora do alcance do frágil cessar-fogo recentemente assinado, as forças militares fiéis a al-Assad tencionam retomar o controle total daquela cidade, o que poderá levar à intensificação das hostilidades, uma vez que, de acordo com analistas, os insurgentes poderão convocar para Aleppo, se for necessário, os combatentes que estão em outras partes do país.

O retorno à normalidade, em Aleppo e na Síria, parece estar distante. Em fevereiro deste ano (2016), Bashar al-Assad anunciou que pretende retomar todo o território sírio, tendo avisado que os combates serão longos. Segundo ele, “não é lógico dizermos que há uma parte do nosso território à qual vamos renunciar”. A determinação de al-Assad é assegurada por aliados como a Rússia, o Irã e o Hezbollah. Segundo informações, as ofensivas são planejadas por iranianos e pelo Hezbollah, cujas milícias atuam como soldados de Infantaria, enquanto que a Rússia é o combustível que alimenta e dá fôlego aos combates no terreno.

Na sexta-feira, 29 de abril, as Forças Armadas da Síria anunciaram um “regime de calma” aplicável somente a Damasco e a alguns arredores da capital, incluindo o noroeste de Latakia, uma região com interesse estratégico russo. Um funcionário sênior do Ministério de Defesa, em Moscou, divulgou que as negociações de domingo, 1o de maio, objetivavam “estabelecer um regime de calma, também na província de Aleppo”. Porém, na segunda-feira, 2 de maio, os ataques retomaram depois da meia-noite. Nesta mesma segunda-feira, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que o conflito sírio está “em muitos aspectos fora de controle”.

Neste contexto, é válido assinalar que os acontecimentos na Síria, ao longo dos 5 anos de Guerra Civil, têm sido acompanhados por uma série de ações violentas, praticadas tanto pelo Governo quanto pelos radicais islâmicos, que comprometem os Direitos Humanos e violam o Direito de Guerra. Há registros de que o regime tem lançado “ataques indiscriminados e ataques que atingiram diretamente civis, incluindo o bombardeamento de áreas residenciais civis e instalações médicas com Artilharia, morteiros, […] e, alegadamente, agentes químicos que, de modo ilegal, mataram civis”.

Os aproximadamente 30 ataques sobre Aleppo, somente no sábado, 30 de maio, causaram 250 mortos, a destruição do hospital al-Quds, que levou a óbito 27 pessoas, entre elas 3 crianças e três médicos, incluindo Mohammed Wasim Moaz, o único Pediatra naquela área, o que atesta tais evidências. Em oito dias, o regime lançou “260 ataques aéreos, 110 de artilharia e 18 mísseis”. Conforme informou a Defesa Civil na Síria, sob o controle da Oposição, denominada de Capacetes Brancos, caíram 68 bombas.

A inflexibilidade do regime sírio e de seus aliados, assim como dos grupos armados que operam naquele território, faz sucumbir as possibilidades de entendimento entre os envolvidos quanto ao fim das batalhas. Se, por um lado, as negociações com os insurgentes não têm avançado, com o Governo há abertura somente para as conversações, pois as determinações dos acordos de cessar-fogo têm sido praticamente ignoradas. Enquanto isso, muitos seres humanos continuam a ser vitimados num processo de disputa pelo poder que já causou várias centenas de milhares de mortos, deslocados e refugiados.

Sem previsão para acabar, o conflito armado na Síria continua a ser letal para os cidadãos daquele país, desafiando a comunidade internacional a encontrar uma solução satisfatória para uma Guerra Civil que assola a população local e que, há algum tempo, se tornou o berço da ameaça ao Ocidente.

———————————————————————————————–

ImagemFumo é avistado numa das ruas principais do bairro de Salaheddin, norte de Aleppo, na sequência de um ataque aéreo (24 de abril de 2016)” (Fonte):

http://a.abcnews.com/images/International/GTY_aleppo_syria_jef_160425_12x5_1600.jpg