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[:pt]Partido Progressista vence as eleições na Sérvia[:]

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O candidato à Presidência da Sérvia pelo Partido Progressista (SNS), o primeiro-ministro Aleksandar Vucic, venceu as últimas Eleições Presidenciais realizadas no domingo, 2 de abril de 2017. Com uma grade margem de votos, o SNS conquistou a Presidência com uma porcentagem de 55%, enquanto o segundo colocado, o opositor que concorria de forma independente, Saša Janković, ficou com 16% do total dos votos, seguido do comediante Luka Maksimovic* (SPN), com 9%.

Vucic ocupava o cargo de Primeiro-Ministro sérvio desde 2012, tendo sido reeleito em 2014, e vinha mantendo uma política internacional de jogo-duplo: enquanto almejava o acesso à União Europeia, estreitava laços com o Governo russo. O novo Presidente sérvio, em seu discurso de vitória, ao agradecer o apoio recebido, salientou que, para ele, “essa eleição demonstrou que uma larga maioria de cidadãos na Sérvia é a favor da continuação do caminho europeu, concomitantemente à manutenção de estreitos laços com China e Rússia”.

Na última semana de março (2017), o então Primeiro-Ministro fez uma visita oficial ao Kremlin, na qual endereçou suas intenções ao Presidente russo, Vladmir Putin, de cooperação em setores estratégicos, como os preços do petróleo e gás, ao lado da compra de caças MIG de procedência russa. Putin desejou-lhe sucesso nas eleições.

Espera-se de Vucic a nomeação de um aliado como Primeiro-Ministro, de modo a tentar manter uma conduta coesa, tal qual fez o ex-presidente Boris Tadic, entre 2004 e 2012, então Partido Democrata. Com essas expectativas, membros da derrotada oposição o colocam em uma moldura de “candidato autoritário”, relembrando o cargo de Vucic durante a Guerra do Kosovo, em 1999, como Ministro da Informação de Slobodan Milosevic, que, em sua posição, norteou políticas de supressão de informações à mídia sérvia sobre a guerra.

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* Estudante de 25 anos de idade, o candidato do partido SPN (Sarmu Probo Nisi) concorreu com um pseudônimo de Ljubisa ‘Beli’ Preletacevic e buscou, durante a sua campanha, satirizar a posição dos políticos de carreira sérvios. Acabou ficando com a 3ª maior votação dessa última eleição.

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Imagem 1 Aleksandar Vucic é o novo Presidente da Sérvia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Aleksandar_Vu%C4%8Di%C4%87#/media/File:Aleksandar_Vucic.jpg

Imagem 2 Aleksandar Vucic em visita a Vladmir Putin em março de 2017” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1c/%D0%92%D1%81%D1%82%D1%80%D0%B5%D1%87%D0%B0_%D1%81_%D0%9F%D1%80%D0%B5%D0%B4%D1%81%D0%B5%D0%B4%D0%B0%D1%82%D0%B5%D0%BB%D0%B5%D0%BC_%D0%9F%D1%80%D0%B0%D0%B2%D0%B8%D1%82%D0%B5%D0%BB%D1%8C%D1%81%D1%82%D0%B2%D0%B0_%D0%A1%D0%B5%D1%80%D0%B1%D0%B8%D0%B8_%D0%90%D0%BB%D0%B5%D0%BA%D1%81%D0%B0%D0%BD%D0%B4%D1%80%D0%BE%D0%BC_%D0%92%D1%83%D1%87%D0%B8%D1%87%D0%B5%D0%BC.jpeg

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[:pt]Manifestações relembram os dezoito anos dos bombardeios da OTAN à Iugoslávia[:]

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Na última sexta-feira (24 de março de 2017), centenas de cidadãos sérvios se juntaram em Belgrado, próximos à ponte de Grdelica, em luto pelo 18º aniversário da campanha de bombardeios efetuados pela OTAN no ano de 1999, na então República Iugoslávia. O ocorrido fez parte da Guerra do Kosovo, conflito armado que consistiu nos embates entre forças do Exército Iugoslavo, o Exército de Liberação do Kosovo – guerrilha independentista – e uma coalizão de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a KFOR (Kosovo Force). Entre 24 de março e 9 de junho daquele ano (1999), ataques aéreos diários efetuados por forças da coalizão assolaram Belgrado. Ações que estavam inicialmente focadas em instalações do Exército Iugoslavo alargaram-se, à medida que a oposição de Slobodan Milošević (Presidente da República Iugoslava à época) resistia a assinar os Tratados de Rambouillet*.

Em 9 de julho, Belgrado concordou em retirar seu Exército e a força policial sérvia do Kosovo, suspendendo as incursões aéreas da OTAN, e concordou com a determinação da Organização para a ocupação, temporariamente, de tropas terrestres pela Kosovo Force (KFOR), que assim encerraram os bombardeios.

Na cerimônia da última semana, o Primeiro-Ministro sérvio, Alexsandar Vucic, reiterou que a “Sérvia está mais forte que era naquela época” e adicionou: “nunca mais sofreremos uma agressão de que nós não sairemos como vitoriosos”. Por causa do ocorrido, a Sérvia frui relações que verificam elevada parcimônia com a OTAN. Ambas entidades assinaram o “Partnership for Peace” (Parceria para a Paz, em tradução livre) no ano de 2006, visando uma abertura para o diálogo em torno da segurança do continente europeu. Algumas parcerias foram feitas no decorrer dos anos, porém, o Estado sérvio mantém sua posição de militarmente neutro, sem ambição de se juntar aos Estados-membros da OTAN. Pesquisa feita pelo Institute for European Affairs revela que 64% do país não aceitaria desculpas vindas da OTAN pelo ocorrido.

Em Pristina, capital do Kosovo, a tônica da data foi outra. O Primeiro-Ministro, Isa Mustafa, escreveu em suas redes sociais: “o lançamento da campanha aérea da OTAN […] é um dia histórico para o Kosovo e para a OTAN, mas também carregado de um conceito de liberdade e de nossa proteção contra regimes criminosos”. As duras críticas ao Governo da Iugoslávia, à época, permeiam a consolidação do Kosovo como uma República autônoma até hoje. No dia 16 de março de 2017, o presidente Hashim Thaci anunciou a intenção de instaurar um Exército nacional próprio, desvencilhando-se completamente das forças internacionais que ainda estão presentes no país. Em entrevista para o Voice of America, Thaci salientou que o Exército seria multiétnico, não somente constituído de membros oriundos da etnia albanesa.

O então porta-voz da OTAN, o britânico Jamie Shea, arguiu que a decisão de lançar ataques aéreos na Iugoslávia veio rapidamente “com um consenso verdadeiro e determinação em torno da mesa do Conselho da OTAN”. Ele considera que nos conflitos da Guerra da Bósnia, a OTAN exerceu um papel hesitante, mas que ela conseguiu agir antes de um massacre.

A KFOR, atualmente, ainda está presente no Kosovo e se mostra veementemente contrária a posição do Kosovo lançar iniciativas pela construção de um Exército próprio. Para Shea “o Kosovo realmente precisa se concentrar na reforma política, na luta contra a corrupção e na educação do seu povo […] não vejo como a criação de um exército […] seria útil para a estabilidade”.

Recentemente, em uma nota divulgada para a imprensa, a OTAN e os EUA alertaram o país para a medida. Declararam: “Apoiamos a transformação gradual e transparente da Força de Segurança do Kosovo numa força multiétnica, em conformidade com as normas da OTAN, mas esta transformação deve ser feita de acordo com a Constituição do Kosovo e através de um processo político inclusivo e representativo que reflita a democracia multiétnica do Kosovo”.

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* A Conferência de Rambouillet consistiu em uma série de diálogos no início do ano de 1999 para estabelecer as pazes entre a Iugoslávia e os albaneses do Kosovo (etnia majoritária), que foram mediados pela ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright.

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Imagem 1 Ministério da Defesa da Iugoslávia atingido pelos bombardeios de 1999” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Serb-milit-bomb-nato.jpg

Imagem 2 Emblema da KFOR em ambos os caracteres, latino e cirílico(Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kosovo_Force

Imagem 3 F117, caça utilizado nos bombardeios da OTAN(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:F-117_Operation_Allied_Force.jpg

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[:pt]União Europeia e seus vizinhos: percepções sobre os atores da península balcânica[:]

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Recentemente, a Chefe da Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, fez um tour à região dos Bálcãs Ocidentais em uma tentativa de reestimular a atração e o impulso para os procedimentos de integração ao Bloco Europeu. Mogherini chamou a região de “um tabuleiro de xadrez em que o jogo pode ser jogado”, ou seja, demonstrou considerar a área uma zona de influência para a política de vizinhança que a União Europeia (EU) vem praticando recentemente.

No último 9 de março, os líderes da UE colocaram os Balcãs no topo da agenda de sua Cúpula, em Bruxelas, para mostrar que, apesar das tensões étnicas e das cicatrizes das guerras travadas nos anos 90, a região é uma prioridade, especialmente por causa de outros atores galgando influência na região

Não obstante os países balcânicos terem recebido o aceite para o início dos diálogos de adesão à União em 2003, apenas a Eslovênia entraria em 2004 e a Croácia em 2013, decorrente de um grande interesse em ambos os casos. Estados que se encontram mais distantes desse objetivo – por razões diversas, que transitam por questões referentes ao aparelhamento institucional, ou por problemas atinentes à transparência nos processos executivos –, ainda aguardam o momento certo, pois ainda trabalham para conseguir as capacitações necessárias ao cumprimento das exigências do Bloco, sendo eles: Sérvia, Montenegro, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Kosovo e Macedônia. Ressalte-se que nesses Estados estão os esforços mais agudos da União Europeia para que seja buscada uma convergência dos objetivos.

Em tal quadro observa-se ainda o papel que os atores históricos – Rússia e Turquia – têm nos Bálcãs, bem como a renovada margem de influência dos mesmos, tanto na classe política quanto na sociedade civil, além do papel dos EUA, como um ator importante. De acordo com o eurodeputado alemão, David McAllister, Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, “A geopolítica voltou aos Bálcãs (…) estamos vendo uma crescente influência russa, uma grande influência turca, os Estados Unidos são um jogador e a União Europeia outro, existem diversos interesses em jogo.

Para exemplificar o que McAllister salienta, a recente tentativa de Golpe de Estado ocorrida em Montenegro levantou suspeitas de ter influências russas. A ação, passada durante as eleições no país, em outubro de 2016, agregou “conspiradores pró-Rússia” contra a decisão de o país se juntar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os quais planejaram atentados ao atual Primeiro-Ministro montenegrino, Milo Djukanovic. Além disso, os exercícios militares conjuntos entre o Estado russo e a Sérvia também lançaram preocupações sobre o quanto a retomada do poder russo afetaria os avanços europeus na Península Balcânica.

Para o Bloco Europeu, o espaço para os novos membros existe e bastaria o trabalho dos Estados em questão no cumprimento dos requisitos básicos para serem imediatamente aceitos, tanto que, na opinião do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, “os países balcânicos têm uma perspectiva europeia inequívoca.

Na última reunião entre ministros do Bloco, a Hungria, a República Tcheca, a Polônia e a Eslováquia advogaram para acelerar as conversas sobre os acessos de Albânia, Bósnia, Kosovo, Macedônia, Montenegro e da Sérvia, contrariando as previsões de que qualquer ingresso até 2020 seria considerado irreal. Uma nova cúpula para tratar da associação dos Bálcãs está marcada para a cidade italiana de Trieste, em julho deste ano, 2017.

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Imagem 1 Bandeiras dos Países Balcânicos sob o símbolo da União Europeia” (Fonte):

http://www.debatingeurope.eu/wp-content/uploads/2014/12/flags.jpg

Imagem 2 Federica Mogherini, Chefe de Relações Exteriores da União Europeia(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Federica_Mogherini#/media/File:Federica_Mogherini_Official.jpg

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[:pt]Relações entre Sérvia e Bósnia com a Arábia Saudita aumentam possibilidades de negócio[:]

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No início do mês de fevereiro passado, visitaram o Reino da Arábia Saudita as Delegações da Sérvia (pela primeira vez na sua história) e da Bósnia-Herzegovina. Durante as reuniões com o Rei saudita, Salman, esforços foram feitos para estabelecer laços de cooperação com este país do Oriente Médio e promover as relações bilaterais, tendo sido realizada a reunião na sede do Conselho das Câmaras Sauditas (CSC). As Delegações incluíram funcionários dos Ministérios do Comércio e Turismo; o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Sérvia; além de empresários.

Em visita feita à Bósnia no ano de 2016, o Governo saudita apoiou projetos educacionais e buscou fortalecer os laços com o país balcânico, os quais, ressalte-se, já vem se fortalecendo desde o final da Guerra da Iugoslávia, em 1995. De maioria muçulmana (49% da população), a Bósnia-Herzegovina possui proximidade religiosa com o Reino Saudita e, por essa razão, almeja a captação de recursos financeiros, assim como atrair turistas para a região.

Já para os sérvios e sua Delegação, a oportunidade foi vista como um pontapé inicial para futuras cooperações bilaterais. O Ministro do Comércio da Sérvia, Rasim Ljajic, salientou que a empreitada bósnio-sérvia no Oriente Médio é uma demonstração de que, com movimentações como essa, a cooperação para a paz nos Bálcãs é alcançável.

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Imagem 1Relações Arábia Saudita e Balcãs Fragmentos das Bandeiras da Arábia Saudita e da Bósnia” (Fonte):

http://previews.123rf.com/images/istanbul2009/istanbul20091508/istanbul2009150800271/43564911-Saudi-Arabia-and-Bosnia-and-Herzegovina-Flags-in-puzzle-isolated-on-white-background-Stock-Vector.jpg

Imagem 2Guerra Civil Iugoslava, em 1993” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Desintegração_da_Iugoslávia

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]O julgamento de Ratko Mladic no Tribunal Penal Internacional e sua reta final[:]

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Vinte um anos após a assinatura dos Acordos de Dayton, que findaram as guerras de dissolução da antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia, o Tribunal Internacional para a Antiga Iugoslávia (ICTY, na sigla em inglês) vem, desde 1993, buscando dar uma resposta aos crimes ocorridos durante os conflitos balcânicos da década de 1990. Essas transgressões, em sua grande maioria, são atentados aos preceitos das Convenções de Genebra – como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

O último mês de 2016 foi um marco para a busca de justiça para as vítimas da Guerra da Bósnia, quando o “açougueiro dos Bálcãs”, Ratko Mladic – então Coronel e Comandante do Exército da República Srpksa, entre 1993 e 1995 – ouviu os comentários finais de acusação e defesa em seu julgamento, que se estende desde maio de 2012, no ICTY.

Mladic foi indiciado por onze crimes, entre eles: a morte de bósnios de origem croata e muçulmana dentro das Áreas de Segurança construídas durante a guerra; o genocídio em Srebrenica, que acabou vitimando 7 mil homens e meninos muçulmanos; a detenção de milhares de bosníacos (bósnios muçulmanos) e bósnios-croatas em precárias condições; perseguições, extermínio, duas vezes por assassinato, deportação, transferência de civis por via forçada durante o cerco a Sarajevo, durante 44 dias, em 1994; terrorismo em Sarajevo; ataques à civis; e sequestro de membros das forças de paz das Nações Unidas.

Os comentários finais de defesa e acusação de Mladic foram altamente tensos – buscando cada um dos lados refutar o outro a todo momento. A defesa convocou o Tribunal para inocentar o acusado dos seus onze crimes – contra a humanidade, de genocídio e de guerra – rejeitando de maneira total a argumentação dos promotores do Tribunal.

De acordo com os defensores do general, “em todos os aspectos do caso, os Promotores não foram capazes de provar a responsabilidade dos crimes relacionados ao General Mladic”. O advogado de defesa, Dragan Ivetic, negou às alegações da promotoria que Mladic, que foi Comandante do Exército, e Presidente da República Srpska, Radovan Karadzic, empreenderam crimes conjuntamente – visando criar um novo Estado sérvio e conduzindo uma forçosa e permanente realocação e remoção de bosníacos e croatas de grande parte do território do país: “como poderia ser possível, sabendo que as relações entre os dois não eram boas em certos momentos, como isso iria colaborar em empreitadas criminais conjuntas, sabendo que não compartilhavam as mesmas convicções?”, questionou Ivetic à Promotoria.

Por outro lado, os acusadores arguiram que os argumentos de defesa foram baseados em interpretações imprecisas e ilusórias dos fatos e que lhe faltavam evidências claras para o processo de absolvição – propondo o encarceramento perpétuo de Mladic. Nas palavras do Promotor do Tribunal, Alan Tieger, “as evidências apontam que Mladic é culpado com indícios contundentes”, além disso salientou que “Mladic não é um super-homem como a sua defesa sugere, mas unicamente um homem que teve forças suficientes para atravessar a Bósnia como se tivesse atravessando queijo – usando esses poderes para cometer os crimes e destruir a comunidade”, enfatizando a facilidade e a brutalidade com que os crimes foram cometidos.

Além do mais, o Promotor levantou a parceria que Mladic e o Presidente da República Srpska à época obtinham, afirmando que os dois “trabalhavam conjuntamente com objetivos estratégicos em separar os cidadãos de origem étnica sérvia dos muçulmanos e croatas – com chance de criar um Estado puramente sérvio com poucos inimigos internamente”. 

O veredito final desse caso é esperado para novembro de 2017. O ICTY foi palco de dois importantes julgamentos durante o ano de 2016. No primeiro, o presidente Karadzic fora sentenciado a 40 anos de reclusão em Haia, no mês de março. Acusado, assim como Mladic, por genocídio em Srebrenica, além dos crimes de perseguição, extermínio, assassinato, deportação forçada, terrorismo e manter civis e militares como reféns – exatamente quando estava no auge da hierarquia política da República Srpksa e ciente de todos os processos que seu exército estava realizando. Outra figura das guerras de dissolução das Iugoslávia é o fundador do Partido Radical Sérvio (PRS), Vojislav Seselj, que foi absolvido pelos crimes a ele atribuídos pela promotoria do ICTY. Seselj tinha sido indiciado no ano de 2003, quando o Tribunal tentou provar que ele haveria movido o braço armado do PRS, assim como outros grupos paramilitares, para perseguir croatas e bosníacos com os objetivos da Grande Sérvia – empreitada que abarcaria territórios da Croácia, Bósnia, Kosovo e Sérvia para unir todos os “territórios sérvios”.

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Imagem 1Mladic em julgamento no ICTY” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Trial_of_Ratko_Mladi%C4%87#/media/File:Ratko_Mladi%C4%87_court.jpg

Imagem 2Mladic é um dos principais nomes acusados pelo massacre em Srebrenica” (Fonte):

http://www.wikiwand.com/en/Srebrenica_massacre

Imagem 3Radovan Karadzic, ex-Presidente da República Srpska, recebeu 40 anos de reclusão em Haia” (Fonte):

https://es.m.wikipedia.org/wiki/Radovan_Karadžić#/

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[:pt]A visita de Sergei Lavrov à Sérvia e o fortalecimento das relações russo-sérvias[:]

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O Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, fez uma visita oficial à Sérvia nos dias 12 e 13 de dezembro (2016). A comissão foi recebida pelo presidente Tomislav Nikolic, pelo primeiro-ministro Aleksandar Vucic e pelo Ministro das Relações Exteriores sérvio, Ivica Dacic. De acordo com o Governo sérvio, inicialmente, as pautas discutidas entre os altos escalões políticos dos dois Estados foram relacionadas à cooperação bilateral e ao desenvolvimento na parceria estratégica, juntamente com o interesse de ambos os Governos no aprofundamento desses laços em todos os sentidos.

Um dos pontos em especial é um Tratado de Livre Comércio entre os dois países, além de cooperação nas áreas de energia, agricultura e telecomunicações, deixando aberta a possibilidade de investimento russo nessas áreas.

Seguindo as palavras do embaixador sérvio em Moscou, Slavenko Terzic, a Rússia deveria “empregar um grau maior de influência, de soft power”, na região. A perspectiva dos movimentos russos nos Bálcãs vai muito em contrapartida às ações que outros atores vêm fazendo na área (como o convite a Montenegro para adentrar à OTAN) e, por vezes, são acusados de participar em atitudes antidemocráticas, como foi o caso de ataques durante às eleições para o Parlamento, também em Montenegro.

A cooperação militar dos dois países já havia sido aprofundada anteriormente neste ano (2016), quando forças militares russas, bielorrussas e sérvias fizeram treinamentos em território balcânico, o que, na ocasião, gerou desconforto na vizinhança. Algo que novamente está vindo à tona, com os pedidos da União Europeia para fecharem centros de ajuda humanitária mantidos pelo Governo russo em território sérvio, fazendo parte de um pedido do Bloco para o avanço das conversas de entrada do Estado sérvio na União. A Croácia também não vê a aproximação russa com bons olhos e se manifestou através da assessoria de seu Governo na última semana, trocando farpas com os vizinhos sérvios e bloqueando suas negociações de entrada na UE.

Com as sanções que o Ocidente vem mantendo à economia russa, os Bálcãs se apresentam como território relativamente amigável e de grande identificação cultural às aproximações russas.

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Imagem Bandeiras russas e sérvias” (Fonte):

http://mouqawamahmusic.net/wp-content/uploads/2015/01/Russia-Serbia-Flags.jpg

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[:pt]Em eleição acirrada, Partido Conservador vence as eleições parlamentares na Macedônia[:]

[:pt] Consideradas como o meio de solucionar a crise política no país, embora tenham sido postergadas por duas vezes, as Eleições Parlamentares na Macedônia foram realizadas no último dia 11 de dezembro (2016). Após uma acirrada…

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