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[:pt]Ocidente tenta compreender a política interna da China[:]

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Em 12 de março de 2017, foi realizada em Pequim a “Quinta Sessão Plenária do 12º Congresso Nacional do Povo”. Na ocasião, o Primeiro-Ministro e Chefe de Governo da China, Li Keqiang, comentou sobre as políticas para Hong Kong e Macau como “sem futuro”, mas alertando que o Governo de Pequim continuará a implementar a estratégia “Um País, Dois Sistemas”, com a autonomia dessas regiões, em conformidade com as leis básicas regionais e a Constituição chinesa. Ele ainda afirmou que “É preciso aprofundar a cooperação da China continental com Hong Kong e Macau, estudar e traçar planos de desenvolvimento para as zonas urbanas de Guangdong, Hong Kong e Macau, fazer uso das vantagens particulares das RAE*, aumentar o seu papel e as suas capacidades no desenvolvimento económico do país e na abertura ao exterior. Estamos confiantes de que Hong Kong e Macau irão manter a prosperidade e estabilidade a longo prazo”.Em seguida a polêmica gerada pelas declarações do Premier chinês sobre as Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, o mundo assistiu o presidente dos Estados Donald Trump ordenar o bombardeio de uma Base Aérea síria com mísseis Tomahawk, ocorrido na noite do dia 6 e madrugada de 7 de abril de 2017, ainda durante a estadia nos Estados Unidos da América do presidente da China, Xi Jinping. Em 11 de abril de 2017 foi a vez de Xi Jinping receber, de forma cerimonial, o Presidente do vizinho Mianmar, Htin Kyaw.

Apesar de o rosto do presidente Xi Jinping ser o mais famoso – e carismático –, os últimos acontecimentos revelam posição mais protocolar que decisória de sua parte, sabendo-se que cabe a ele a função política para implementação da estratégia de Governo. No entanto, é o primeiro-ministro Li Keqiang que ocupa o cargo mais alto da administração do país.

Ele é responsável pela administração da burocracia estatal chinesa, como a supervisão dos ministérios, departamentos, comissões e agências estatais. Ele anuncia candidaturas à Assembleia Nacional Popular para vice-primeiros-ministros, conselheiros de estado e gabinetes ministeriais. Não está claro qual o grau de autoridade do Primeiro-Ministro sobre o Exército de Libertação Popular, apesar de ser o Chefe do Comitê de Mobilização da Defesa Nacional da China, o departamento de distribuição e logística das Forças Armadas chinesas. A título de ilustração, foi o então Primeiro-Ministro, Li Peng, que, em 1989, declarou a Lei Marcial em Pequim para controlar protestos na Praça da Paz Celestial.

A China tem sido notória pelo seu crescimento econômico e aplicação de dois modelos econômicos, o estatal e o liberal, conforme a região administrativa, e apenas agora o Ocidente começa a entender o seu sistema de Governo, misto de presidencialismo e parlamentarismo.

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* RAE significa “Região Administrativa Especial”, que diz respeito a uma divisão administrativa provincial. A China possui duas Regiões Administrativas Especiais, Hong Kong e Macau. Elas detém os seus respectivos Chefes de Governo. Diferentemente das Zonas Econômicas Especiais (ZEE), que são totalmente administradas pelo Governo central da República Popular da China, elas tem autonomia, ao ponto de ser permitido aplicar um sistema político diferente e adotar a economia capitalista, dentro do princípio de “um país, dois sistemas”, tal qual foi apresentado por Deng Xiaoping, ex-secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCCh), entre 1978 e 1992. A ele se atribui a criação do que ficou conhecido como socialismo de mercado.

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Imagem 1Primeiroministro e chefe de governo da República Popular da China, Li Keqiang” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Li_Keqiang

Imagem 2Presidente da República Popular da China, Xi Jinping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China pode gerar efeito econômico de US$ 2,1 trilhões[:]

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Em 27 de março de 2017, foi realizado em Hong Kong o “Fórum Estratégico Marítimo da China” para lançar o Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China. De acordo com o Presidente do Conselho de Administração do fundo de investimentos off-shore, Jin Kun, esse é o primeiro fundo de investimento estratégico marítimo e vai agregar vários fundos, com destaque para o Dubai Elyseum (Erie Zem).

Os investimentos serão ativados ainda em 2017, podendo afetar 65 países e com previsão de geração de US$ 2,1 trilhões de efeito econômico “ao longo do caminho”. Considerando o atual volume de mercadorias que passou a circular no Oceano Pacífico com o crescimento da China nos últimos 10 anos, essa perspectiva parece plausível.

Os chineses já tinham criado o “Fundo Rota da Seda” de operações on-shore, em 2014, que levantou US$ 10 bilhões e liderou a criação do Banco de Investimento Asiático, em 2015, para incluir 57 estados membros. O capital inicial foi de US$ 100 bilhões.

O país quer adequar melhor seus investimentos às regras do comércio internacional, daí a escolha pelo fundo em sociedade de economia mista de Hong Kong, e se aproximar de investidores da Bolsa de Valores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, holding criada em 2007 a partir da fusão entre as bolsas Dubai Financial Market (DFM) e NASDAQ Dubai.

Essa ação estratégica faz parte da iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”, do presidente Xi Jinping, que o primeiro-ministro Li Keqiang fez eco ao pedir a construção de uma rota marítima da seda ligando a China e os países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) com o objetivo de estimular o desenvolvimento do interior.

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Imagem 1 Chairman do Fundo de Investimento Estratégico da Indústria Marítima da China, Jin Kun, durante o Fórum Nacional Estratégico OffShore da China” (Fonte):

http://www.ishipoffshore.com/html/2/2017-03-27/3990.htm

Imagem 2 Bolsa de Valores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos” (Fonte):

http://forex-brazil.com/showthread.php?14354-Emirados-%C3%81rabes-Unidos-Bolsa-de-valores-de-Dubai

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AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

[:pt]Hong Kong segue Pequim e proíbe a compra de carnes do Brasil[:]

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O maior mercado consumidor de carnes do Brasil é a China Continental, sob administração direta de Pequim. O segundo maior mercado de carnes brasileiras é a região administrativa especial de Hong Kong, que na quarta-feira, 22 de março, seguiu a política de Pequim de suspensão de importação de carnes de frigoríficos brasileiros, temporariamente, provavelmente até o fim das investigações acerca do escândalo de corrupção de funcionários do Ministério da Agricultura do Brasil.

O Presidente do Brasil, Michel Temer, bem que tentou esclarecer que os casos de “carne estragada” aprovadas por fiscais corruptos eram pontuais, não sistêmicos, mas, pouco adiantou. O Centro de Hong Kong para a Segurança dos Alimentos anunciou uma proibição temporária de todas as importações de carne e aves congelados e refrigerados produzidos no Brasil. Ao menos é assim que a imprensa de Hong Kong analisa os fatos no Brasil e sua repercussão na Ásia.

A proibição de importação e a “queda” do consumo de carnes brasileiras por este importantíssimo mercado representa um duro golpe na já combalida economia brasileira, considerando que Hong Kong é uma região administrativa especial sob domínio da China, de economia capitalista liberal, com predomínio de baixos impostos e taxas alfandegárias para o livre comércio, sendo a Bolsa Valores de Hong Kong (HKEx) a segunda colocada no ranking asiático, em termos de capitalização de mercado, ficando atrás apenas da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão.

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Imagem 1Estoquista retira carnes do Brasil das prateleiras de supermercado de Hong Kong” (Fonte):

http://finance.sina.com.cn/roll/2017-03-22/doc-ifycspxn9436390.shtml

Imagem 2O Two International Finance Centre em meio aos outros arranha-céus do centro financeiro de Hong Kong” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hong_Kong  

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Escritórios de Patentes da China têm registros de marcas “IVANKA TRUMP”[:]

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A China comunista criou as Zonas Econômicas Especiais na segunda metade da década de 1970, ou seja, regiões e cidades onde a economia não era estatal, mas, privada. Na época, a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e outros países socialistas não entenderam. Alguns analistas atribuem o sucesso da China as suas Zonas Econômicas Especiais, que misturaram economia comunista com economia de mercado e permitiram investimentos e propriedade privada. Outros analistas vão além e atribuem o fracasso da extinta União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS) à inércia em adotar o mesmo conceito.

Pegando carona” na popularidade do atual presidente estadunidense Donald Trump e seus familiares, dezenas de empresas chinesas promoveram o registro de marcas “Ivanka Trump” para seus produtos, o mesmo nome da filha do presidente do atual Presidente EUA, Donald Trump.

O Trademark Office State Administration for Industry and Commerce of the People’s Republic of China (SAIC), que pode ser traduzido como Escritório de Administração Estatal de Marcas para a Indústria e Comércio da República Popular da China, responsável pela proteção de ativos intangíveis como marcas, patentes e softwares na China, não somente permite o registro de marcas ocidentais como protege seus proprietários. Um caso emblemático é o do registro da marca “Ferrari”, com a logomarca do famoso cavalo da marca italiana, que, após litígio de 11 anos, um Tribunal da China entendeu não ser mundialmente famoso, portanto, garantiu o direito de registro em favor de empresa chinesa que fez o registro*.

A China mantém sua autoapresentação como um país “comunista”, embora tenha empresas de iniciativa privada e prestigie marcas com o nome da filha do Presidente da maior potência econômica mundial, capitalista, que, por sua vez, curiosamente, aceita a comercialização em solo americano de produtos da marca estadunidense “Ivanka Trump”, de propriedade dela própria, mas fabricados na China.

Um Escritório de Serviços de Registro de Marcas na China permite uma busca de forma rápida e gratuita. Ao fazer uma consulta, foi possível identificar 57 resultados para a marca “Ivanka Trump”. Acredita-se que a expectativa das empresas chinesas que pediram este registro é vender os direitos de exploração a própria filha do Presidente dos EUA, caso o SAIC consolide o pedido feito por essas empresas, sendo este mais um exemplo de Capitalismo Conceitual, que vem avançando na China.

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:  

* CARVALHO, Eduardo Grossi de; artigo “A importância do registro de marcas e patentes na China para a proteção da atividade empresarial”.

Fonte:

http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI84358,51045-A+importancia+do+registro+de+marcas+e+patentes+na+China+para+a

** Capitalismo conceitual é o termo cunhado para designar um capitalismo pós-industrial em que há prevalência dos serviços de marketing, do desenho industrial e da tecnologia da informação, enfim, em que conceitos prevalecem sobre a produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. (N. do A.)

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Imagem 1Site do Escritório de Administração Estatal de Marcas para a Indústria e Comércio da República Popular da China ” (Fonte):

http://sbj.saic.gov.cn/

Imagem 2Ivanka Trump em um comício de seu pai em Aston, Pensilvânia (setembro de 2016)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ivanka_Trump  

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]Ano do Galo e a política econômica da China na Era Trump[:]

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O Ano do Galo

Exibido. Franco. Corajoso. Consciente de suas obrigações sociais. Bravo combatente dos adversários. Multitarefa. Concentrado. Sensível e atencioso com os amigos. Sempre alerta, é meticuloso e detalhista. Dispensa projetos menos arriscados quando tem muitos pela frente, afinal, causar polêmicas é sua chance de aparecer. É negligente com parceiros de negócios ou amigos mais reservados. Prefere pessoas ativas como ele. Esse é o perfil das pessoas de Galo no horóscopo chinês”.

Desde 28 de janeiro de 2017, a China saúda o Ano do Galo. Segundo os chineses, o Ano do Galo é marcado por uma energia dinâmica de mudança, novas ideias e oportunidades. Um ano de “quebra” de barreiras, perda do medo e determinação em busca de um objetivo. Todos querem desfrutar do sucesso, pois é um Ano de concorrência acirrada nos negócios.

Acompanhando as análises e noticiários, há indícios de que o mundo dos negócios vá balançar em 2017, principalmente entre as duas maiores potências econômicas do planeta: os Estados Unidos da América e a China.

Não se trata da dicotomia Capitalismo versus Comunismo. As diferenças agora são entre a China de crescimento econômico e a favor da globalização e os Estados Unidos da América em recessão, ativando políticas protecionistas (leia-se barreiras aos superbaratos produtos chineses), embora pareça ser um paradoxo um país “comunista” e “em desenvolvimento” tentar diminuir barreiras alfandegárias, enquanto que a maior economia capitalista e desenvolvida do mundo implemente políticas protecionistas. 

Ora visto como liberal, ora conservador de direita, tem sido complexo para os analistas chineses definirem a personalidade do Presidente americano. O magnata estadunidense Donald Trump surpreendeu todo o mundo com sua vitória e ainda parece ser uma incógnita para analistas ocidentais e orientais.

Imprevisibilidade das políticas econômicas da China para a Era Trump

Como deixou claro em suas promessas de campanha, algumas cumpridas logo nos primeiros dias de governo, Donald Trump implementará mudanças financeiras internas que já repercutem no Mercado de ações das Bolsas de Valores de New York e na Dow Jones, que tem foco em empresas de tecnologia.

Analistas econômicos preveem a valorização do dólar, impactando ainda mais nas diferenças de preços dos produtos nos mercados internacionais e, consequentemente, gerando mais tensão e protecionismos. Politicamente, a imprensa asiática não fala em outra coisa senão na possibilidade de guerra entre os Estados Unidos e a China (talvez devido a fragilidade e/ou a aridez da pauta atual).

Em 27 de janeiro de 2017, o “South China Morning Post” publicou reportagem sobre aumento da tensão entre os dois países, provocada pela preparação de operações militares chinesas no Mar da China Meridional. Porta-aviões da marinha chinesa já estariam prontificados, próximo ao Estreito de Taiwan. Além disso, consideraram que a o conflito no Mar da China Meridional não seria “inevitável”, mas “imprevisível”, porque a tensão pode servir como estratégia de Donald Trump para forçar a China a fazer concessões sobre questões econômicas e comerciais.

O desafio dos analistas econômicos, jornalistas investigativos e profissionais de inteligência é descobrir quais as intenções da China diante do novo cenário político, afinal, o Estado chinês e Estados Unidos da América são os dois países mais ricos do mundo e os maiores parceiros comerciais mútuos.

Terão de identificar a estratégia de reação da China às políticas protecionistas de Donald Trump; será necessário observar o que a China pretende fazer para continuar atraindo fábricas de empresas estadunidenses e o que fazer se Trump repatriar as fábricas que já estão lá. Além disso, também está no contexto, identificar como a China conseguirá manter o fluxo de eletro-eletrônicos em direção ao mercado estadunidense.

São questões complexas também para os líderes chineses. As políticas de Pequim para reagir ao “efeito Trump” são imprevisíveis. O único sinal foi a reação do presidente chinês Xi Junping, em sua primeira visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), em 17 de janeiro de 2017 – portanto poucos dias antes da posse de Donald Trump como presidente eleito dos EUA, embora o Fórum tenha sido encerrado no dia de sua posse –, que pediu ao líderes econômicos globais que digam “não” ao protecionismo.

Xi Jinping aproveitou para dizer que a China “manterá suas portas abertas para o comércio exterior”, prometeu não desvalorizar a moeda chinesa como estratégia de comércio internacional, que expandirá tratados multilaterais e reduzirá acordos entre “grupos exclusivos e fragmentados por natureza”. Ele também lembrou que o crescimento da China ajudou no desenvolvimento de vários países. 

Esse pronunciamento revela que a China combaterá o protecionismo com mais liberalismo econômico, induzindo à conclusão de que protecionismo versus liberalismo pode ser a nova polaridade ideológica entre duas potências globais.

Eventual prejuízo chinês pode azedar as relações sinorussas

O grau de prejuízo que as políticas econômicas de Donald Trump podem gerar para a China poderá ser medido pelo desenvolvimento dos BRICS e pela relação dos chineses com os russos, acusados pelo serviço de Contrainteligência dos Estados Unidos da América, o Escritório Federal de Investigações (FBI), de realizar ações de inteligência durante as eleições estadunidenses para favorecer o então candidato Donald Trump, conforme foi amplamente disseminado na mídia.

Diante do cenário, pode-se pensar um horizonte em que, se a China for prejudicada com políticas protecionistas implementadas por Donald Trump, ela poderá exigir da Rússia esclarecimentos acerca da suposta interferência, pois acabaria resultando numa diminuição do poder econômico de um aliado estratégico com franca tendência de hegemonia asiática.

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Imagem 1 O Galo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Galo_(zod%C3%ADaco)  

Imagem 2 O Comunismo do filósofo alemão Karl Marx não é mais uma ameaça aos Estados Unidos da América” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo

Imagem 3 Donald Trump foi eleito presidente dos EUA sob promessa de ‘fazer os Estados Unidos grande de novo!’” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

Imagem 4 Estados Unidos da América e China são as duas maiores potências econômicas e os maiores parceiros comerciais mútuos do planeta” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos

Imagem 5 Xi Jinping, 7º Presidente da República Popular da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping

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ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

[:pt]SMARTBIKES da China podem revolucionar o transporte, as relações de consumo e a matriz energética mundial[:]

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Nas décadas de 1970 e 80, a China era famosa pela quantidade de bicicletas. Naquela época, andar de bicicleta não era nem elegante, nem “descolado”, nem tampouco politicamente correto ou ambientalmente sustentável: o carro era o símbolo máximo de status do sistema capitalista de produção. A China comunista e superpopulosa tinha a bicicleta como o meio de transporte mais popular.

O conceito de “smartbike” começou como um mero serviço de locação de bicicletas públicas, instaladas próximas a pontos turísticos e estações de trem do metrô, que são retiradas e devolvidas automaticamente pelos usuários. O pagamento também é realizado de forma eletrônica. A ideia era dispensar a mão-de-obra e incentivar populações a usarem menos os automóveis, com o compartilhamento de um meio de transporte popular que passa a maior parte do tempo parado. O projeto teve início na França e foi implementado pelo grupo de publicidade Clear Channel Communications em 1998, e rapidamente se espalhou pela Europa. Países como o Brasil já a utilizam em campanhas publicitárias. O pagamento do serviço de locação, atualmente, é realizado por meio de aplicativos (softwares) de smartphones. 

Com o advento da Internet, surgiu em 1999, pela boca do diretor do MIT Media Lab o termo Internet of Things (IoT), para definir a integração da rádio frequência à Internet para identificação de produtos, estoques, transporte e logística. A Internet das Coisas é nada mais que a integração entre os produtos e a tecnologia de informação pela Internet, onde objetos como refrigeradores alertariam seus donos pelo smartphone que falta leite ou cerveja, por exemplo.

O próprio smartphone, o “telefone inteligente”, na versão em Português, não deixa de ser um bom exemplo de IoT, em que foram instalados computadores de bordo nos aparelhos de telefonia móvel, conectados à Internet. Revolucionou conceitos de consumo e negócios. A portabilidade de um computador que cabe no bolso e sua conexão com a rede mundial de computadores permitiram o surgimento e a criação de vários programas de computador adaptados a esses minicomputadores, os chamados aplicativos, sendo a maioria deles com funções de marketing. Em suma, um produto conectado à Internet – de novo, a IoT – revolucionou o mercado porque facilitou a venda de produtos e serviços.

Com mais tempo próximo de um computador e da Internet, bilhões de pessoas passaram a consumir informação, produtos e serviços disponíveis nas infinitas promoções de vendas. Sites de músicas, jornais e revistas passaram a entregar conteúdo online grátis e softwares como Uber, Airbnb, Alibaba, de fácil instalação nos dispositivos móveis, diminuíram a distância entre fornecedores de produtos e serviços e os consumidores finais. A Internet e os smartphone alteraram profundamente as relações comerciais, erodindo indústrias e criando outras. Internet, automação e robótica baseada em softwares robôs transferiram investimentos do capitalismo industrial para o capitalismo conceitual[1], um capitalismo baseado em marcas, patentes, design e na capacidade de divulgação e distribuição de produtos.

Se, antes, a riqueza era medida pelo número de fábricas ou empregados, e o sucesso nas vendas dependeria de que cada consumidor comprasse ao menos um produto para uso pessoal, individual e próprio (o “seu” carro, a “sua” bicicleta), na nova economia a maioria das empresas mais bem-sucedidas nas Bolsas de Valores ao redor do planeta produzem apenas informação, conteúdo, mídia ou simplesmente conectam produtores aos clientes ou interconectam consumidores, incentivando possuidores a compartilharem produtos e serviços com outros usuários. As antigas cidades industriais passaram a ser cidades de serviços. E ainda estamos só no começo.   

Conforme salientamos em Nota Analítica intitulada “Cybereconomia’ e ‘Crescimento Verde’: Principais Agendas da China”, de 15 de julho de 2016, muitos itens desse novo modelo de negócio baseado na Internet, automação e robótica de computadores são alvo da estratégia econômica de governos (Alemanha, Israel e China) e disputas acirradas de mercado.

No caso da China, a smartbike concorre com a impressora 3D como o produto conectado à Internet alvo das indústrias de tecnologia de ponta. A primeira chamando a atenção, inclusive da administração pública das megalópoles chinesas, devido aos problemas de superprodução e uso inadequado.

Mas, as smartbikes da China não são bicicletas inteligentes apenas no sentido da locação automática e compartilhamento iguais as da França no início do uso do rádio com a Internet: são um novo conceito de smartbikes, conectadas à Internet e que podem gerar mais informação acerca do consumo e do tráfego de populações nas grandes cidades. Marcas como Mobike, Ofo, Youôn, Ubike, WeChat e, mais recentemente, a Bluegogo, todas, assim mesmo, marcas com inscrições ocidentais, cada uma com design e cor característicos, tem seus produtos e serviços à venda ou locação via smartphone. Essas bicicletas estão invadindo calçadas, ruas, ciclovias e até latas de lixo.   

Segundo o fabricante da bicicleta inteligente “dobrável” QiCycle, a Xiaomi, esse meio de transporte é “perfeito para as cidades lotadas da China”. São bicicletas que medem o torque e a força bruta do usuário, e ajustam a rotação do motor ao estilo de pedalada de cada um, com baterias com até 45 quilômetros de autonomia. O mais fantástico é a integração da QiCycle a um aplicativo de smartphone que informa a localização da bicicleta, permite navegação por GPS, informa velocidade, distância, nível de bateria e até a quantidade de calorias queimadas. Custa 2.999 ienes, o equivalente a R$ 1,5 mil.

A título de comparação, o modelo mais comum de bicicleta elétrica do Brasil, a Lev, ainda não tem conexão com a Internet. Em sua página promocional na Internet a marca faz uma declaração que brinca com a realidade e a ficção, “Pensar em bicicleta elétrica no Brasil, no ano de 2008, era como pensar em pessoas usando discos voadores […]. Em viagem à China, um dos fundadores da Lev se encantou por uma das ‘magricelas elétricas’, como os chineses chamavam as bicicletas. Elas rodavam por todos os lados em Pequim, levando as pessoas de forma prática, sem ruídos ou poluição”. A bateria da versão brasileira tem autonomia de apenas 30 Km. O preço? R$ 5.490,00. Registre-se que a marca Lev é brasileira, porém suas bicicletas elétricas são fabricadas na China (!).

O Big Data como o conceito por trás da Internet das Coisas (IoT)

Voltando à aplicação da IoT nas bicicletas elétricas, que, a exemplo dos smartphones, qualquer cidadão de classe média possa comprar, imaginemos a seguinte situação: O fabricante da bicicleta inteligente instala Internet, sensores e aplicativos no quadro da bicicleta, que passa a produzir dados e informações sobre horários de maior uso, rotas, paradas, locais de abastecimento (corrente elétrica), pontos de estacionamento de maior período para identificação de locais de trabalho, lazer e consumo e, com ou sem o consentimento do usuário, possa vender esses megadados para governos e companhias diversas.

Quase tudo isso já é possível por meio dos smartphones, mas, por meio do deslocamento dos usuários de bicicletas podemos medir, analisar e até prever o comportamento de transporte e tráfego humano. Governos implementariam políticas habitacionais e de deslocamento mais adequadas. O Big Data, os megadados formados a partir dos dados de usuários de smartbikes, em um contexto de cidades Pequim, Shangai e outras megalópolis fora da China, ajudaria governos e empresas com o planejamento estratégico a partir da análise da mobilidade urbana. O Big Data das bicicletas inteligentes ajudaria na implementação do conceito de Cidades Inteligentes com predições, previsões de deslocamento populacional com base nos locais de emprego, renda e lazer. São dados úteis aos governos e às empresas das industrias elétricas, da construção civil e fast-food.

Smartbikes, o início do fim da indústria do petróleo

Difícil imaginar como um meio de transporte individual, porém compartilhável, não poluente e redutor de problemas de saúde pode ter adversários. As smartbikes têm. Muito mais baratas e menos poluentes que as motocicletas e motonetas movidas à combustíveis fósseis, as bicicletas inteligentes que convergem força bruta com torque e tração elétrica proporcional e estão integradas à Internet – leia-se aos smartphones – são uma aposta bastante provável de tomar conta das cidades inteligentes, tais como os telefones inteligentes tomaram conta do mercado e revolucionaram as relações de consumo.

Terça-feira, dia 27 de dezembro de 2016, o Comitê de Transporte da cidade de Shenzhen, na China, baixou um decreto para regulamentar o aluguel, o uso e o estacionamento dessas bicicletas, com responsabilização direta das companhias que as comercializam e alugam, por causa dos acidentes que vem sendo causados pela massa de novos usuários desses modelos de transporte. Segundo a administração de Shenzhen, os usuários das bicicletas inteligentes “não seguem as regras para o tráfego de veículos. O caos de estacionamento e outro mau comportamento representa um problema para a administração da cidade”.

A adoção do conceito de transporte individual compartilhável e movido a eletricidade por governos e populações de grandes cidades acendeu a luz vermelha das fábricas de carros e motocicletas e representa grave risco à indústria do petróleo, a mais poderosa indústria do mundo e da qual governos e empresas dependem especialmente em casos de conflitos armados.

A matriz energética, especialmente as de combustíveis fósseis, e sua influência em questões de estratégia governamental e política, são assuntos em pauta de jornais de relações internacionais, universidades e companhias. Segundo o Doutor em Ciência Política pela Universidade de Campinas (Unicamp) e Professor do pós-doutorado de História na Universidade Federal Fluminense (UFF), José Alexandre Altahyde Hage, o melhor livro sobre esse assunto é o Petróleo: Poder e Glória, de Daniel Yergin, publicado no Brasil em 1992. Ele demonstra os esforços de potências como os Estados Unidos da América e o Reino Unido para manter e regular a oferta de petróleo e o poder[2].  

Portanto são governos de países como Estados Unidos da América, Reino Unido e Rússia e toda a indústria do petróleo, com todas as companhias que integram a cadeia de produção de petróleo, que sofreriam perdas financeiras decorrentes da adoção de conceitos como “cybereconomia” e “crescimento verde”, atuais agendas da China. E o gigante asiático parece não perder tempo. A popularização das bicicletas elétricas chinesas é um exemplo disso.

A mudança da matriz energética “petróleo” para a matriz de energia elétrica ou eletromagnética, hidroelétrica ou solar, dependem da mudança de paradigma de comportamento do consumidor e seu status. Somente em modelo mental (mentalidade) “verde”, amparada em forte comunicação social “menos é mais”, ou “ser é melhor que ter”, conduziria o cidadão a comprar menos produtos individuais poluentes e a consumir mais serviços de compartilhamento de produtos ecologicamente sustentáveis.

Do ponto-de-vista estratégico chinês, o impulsionamento de uma economia digital “verde” com ênfase em impressoras 3D de tecnologia de ponta e bicicletas inteligentes elétricas compartilháveis não somente reduziria a poluição na China como também diminuiria sua dependência do petróleo. Produtos feitos em impressoras 3D consomem plástico (petróleo) nos países consumidores dessas máquinas, e as smartbikes não usam combustíveis fósseis, senão energia elétrica – ou solar, futuramente –, e somente em quantidade necessária, quando o usuário não está pedalando, praticando exercícios físicos que reduzem o consumo de energia e melhoram a saúde.

Não bastassem as vantagens estratégicas internas da China em uma economia digital e “verde”, testadas e aprovadas por potências como Alemanha – com a qual a China mantêm conversações nesse sentido, há mais de 10 anos consecutivos –, ao mesmo tempo em que fortalecem sua economias, os países da vanguarda da Era Digital enfraquecem as potências do Império Anglo-Estadunidense formado pelo bloco dos “FIVE-EYES”, composto por Estados Unidos da América, Canadá, Reino Unido, Austrália e Noza Zelândia, conforme denúncia do ex-analista de Inteligência da Agência Nacional de Segurança dos EUA, Edward Snowden. Assim como a Rússia, o poder desse bloco está intimamente vinculado à indústria do petróleo e ao controle de zonas produtoras e distribuidoras.

Em um mundo cada vez mais digital e conectado, em que as lojas físicas perdem mercado para lojas de compras virtuais em sites de Internet, alugar bicicletas e dividir carros por meio do smartphone parece mais inteligente que comprar veículo de transporte próprio, e a informação e o volume de dados gerados pelo consumidor representam um “ativo” a ser trabalhado e explorado. O software robô (servo, em Tcheco) é o novo Golem e a “Revolução das Máquinas” começou agora que o Big Data e a Internet das Coisas (IoT) ativaram os efeitos imprevisíveis dos smartphones, impressoras 3D e smartbikes dos habitantes das “Smart Cities”.     

O petróleo ainda é indispensável, mas, a pergunta é: Até quando?

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Imagem 1Xiaomi apresenta bicicleta inteligente” (FonteDivulgação/Xiaomi):

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/xiaomi-apresenta-bicicleta-inteligente/59612

Imagem 2A Internet das Coisas conecta os aparelhos e veículos usando sensores eletrônicos e a Internet” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet_das_coisas

Imagem 3Linha de produção de carros” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_de_produção

Imagem 4Motoneta e bicicleta elétrica recarregando baterias na China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bicicleta_elétrica#/media/File:Wuchang_Garment_District_-_charging_batteries_-_P1040874.JPG

Imagem 5Roda da Cidade Inteligente” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_da_cidade_inteligente#/media/File:Roda_da_Cidade_Inteligente.png

Imagem 6Refinaria de petróleo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Refinaria#/media/File:ShellMartinez-refi.jpg

Imagem 7Uma das cúpulas geodésicas situadas na base RAF Menwith Hill, usadas para esconder a direção de antenas e equipamentos do sistema Echelon” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Segurança_UK-USA#/media/File:Menwith-hill-radome.jpg

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Notas e Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:                                                 

[1] Capitalismo conceitual é o termo aqui cunhado para designar um capitalismo pós-industrial em que há prevalência dos serviços de marketing, do desenho industrial e da tecnologia da informação, enfim, em que conceitos prevalecem sobre a produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. N. do A.

[2] Resenha de “A Tirania do Petróleo: A mais Poderosa Indústria do Mundo e o que Pode ser feito para Detê-la”, de Antonia Juhasz, por José Alexandre Altahyde Hage.

Fonte: http://www.ibri-rbpi.org/?p=12381

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