ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A África e os bens públicos globais

As principais propostas sumarizadas há duas semanas no documento final da reunião do G-20, em Brisbane, na Austrália[1], apontam que a governança global é uma tendência real: o controle de epidemias, os estímulos ao crescimento global, soberania nacional, segurança pública e as mudanças climáticas despontam como exemplos máximos da provisão de bens públicos globais.

Juntamente, há uma crescente tendência dentro da mídia em abordar questões relacionadas ao tema dos bens públicos. Exemplos recentes seriam o artigo de Fareed Zakaria para o Washington Post, em 12 de novembro[2], e a coluna de Clovis Rossi para a Folha de São Paulo, em 18 de novembro[3]. O tema dos bens públicos também foi abordado na última Análise de Conjuntura sobre o continente africano publicada pelo CEIRI Newspaper[4]. Por isso, vale a pena um maior esclarecimento sobre o que são os bens públicos globais e como a África é inserida neste debate.

Os bens públicos são aqueles capazes de gerar benefícios à totalidade da população, tornando-se parte impreterível da cultura material e do estágio de desenvolvimento de determinada nação. Por exemplo: determinados bens públicos como segurança nacional e controle de fronteiras, dado os diferentes níveis de desenvolvimento entre as nações do mundo, possuem diferentes níveis de demanda se comparamos países como Estados Unidos e Angola.

Contudo, o expressivo crescimento econômico das nações emergentes, o crescimento abrupto da população mundial e a maior conectividade entre as nações faz surgir, gradativamente, uma cultura material similar em todos os países, o que sustenta a demanda por determinados bens públicos de dimensões globais. Por exemplo, atualmente, tanto a economia americana quanto a angolana demandam igualmente a estabilização dos mercados financeiros internacionais.

Culturas materiais semelhantes demandarão, obviamente, uma mesma categoria de bens públicos. Tomemos como exemplo o avanço da industrialização e da urbanização em quase todos os países do mundo: este processo trouxe um gradativo aumento do desmatamento e da emissão de gases estufa, o que vem acelerando o processo de aquecimento global. Com isso, as mudanças climáticas tornaram-se um risco iminente a qualquer cidadão do mundo, demandando uma ação conjunta de todas as nações.

Com o intuito de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, algumas regiões do mundo despontam como estratégicas, o que as torna propensas a intervenções/projetos internacionais. Sabemos que a região amazônica no Brasil, por exemplo, é crucial para o alcance desse objetivo, tornando-se alvo de ações tanto de organizações nacionais quanto internacionais. Dentro da África podemos encontrar também uma série de locais essenciais para o alcance das metas ambientais, como o Sahel e as florestas tropicais africanas.

A desertificação do Sahel é um dos principais assuntos debatidos por autoridades políticas e por acadêmicos quando o assunto é África e mudanças climáticas. O Sahel é identificado como uma faixa de transição entre o deserto do Saara e as florestas tropicais, abrangendo dez países do continente africano[5]. Nas últimas décadas, a região presenciou um forte avanço do deserto sobre terras que antigamente eram cobertas por floresta nativa, o que aumenta as emissões de gases estufa na atmosfera. Pesquisadores apontam que as principais causas da desertificação do Sahel é o sobrepastoreio, resultado do expressivo crescimento populacional a partir da segunda metade do século XX[5].

Uma série de projetos internacionais tem sido impostos com o intuito de estancar a desertificação do Sahel. Tais projetos são exemplos de como questões de interesse global serão abordadas nos próximos anos, seja por governos nacionais, por instituições internacionais ou por grandes organizações não governamentais (ONGs). Dentro dos projetos elaborados que lidam com a desertificação do Sahel estão o “Great Green Wall”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e o Instituto Savory, do premiado pesquisador Allan Savory[5][6][7].

Outros países situados entre os trópicos no continente africano possuem vasta cobertura vegetal, fazendo com que a conservação deles seja crucial para reduzir o aquecimento global. O Gabão, por exemplo, ocupa posição estratégica neste debate, uma vez que 82% de seu território é coberto pela floresta tropical. Tendo isto em vista, algumas organizações internacionais levam a cabo projetos de conservação dentro do país, como é o caso do projeto de “Conservação da Biodiversidade e Administração de Parques Nacionais”, do Banco Mundial[8].

Poderíamos prosseguir com outros exemplos de bens públicos globais que deverão ser estruturados no continente africano nos próximos anos: controle de epidemias como o Ebola; combate aos grupos terroristas como o Boko Haram, na Nigéria, e o Al-Shaabab, na Somália; ou integração das economias emergentes aos mercados financeiros internacionais, ilustrado pela criação do East-Africa Exchange (EAX).

Contudo, o mais interessante que se pode retirar de todos estes exemplos é a identificação de uma tendência geral para os próximos anos: a constituição de metas globais a serem seguidas por todas as nações. Mais do que isso, com o avanço do processo globalizatório certas nações tendem a receber maciças intervenções/projetos internacionais, a fim de que os bens públicos globais possam ser estruturados segundo a cultura material vigente.

—————————————————————————

Imagem (FonteGigaom):

https://gigaom.com/2013/05/24/report-google-wants-to-connect-the-developing-world-with-wireless/

—————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] VerG-20 Final Report”:

https://www.g20.org/sites/default/files/g20_resources/library/brisbane_g20_leaders_summit_communique.pdf

[2] VerThe Washington Post”:

http://www.washingtonpost.com/opinions/fareed-zakaria-chinas-growing-clout/2014/11/13/fe0481f6-6b74-11e4-a31c-77759fc1eacc_story.html

[3] VerFolha de S. Paulo”:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2014/11/1549712-sorria-o-mundo-esta-de-olho.shtml

[4] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/as-implicacoes-culturais-do-desenvolvimentismo-africano/

[5] Ver:

http://www.savoryinstitute.com/about-us/our-team/allan-savory/

[6] VerOrganização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura”:

http://www.fao.org/docrep/016/ap603e/ap603e.pdf

[7] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/11/19/business/energy-environment/senegal-great-green-wall-sahara-desert.html?ref=africa&_r=0

[8] VerBanco Mundial”:

http://www.worldbank.org/projects/P070232/gabon-strengthening-capacity-managing-national-parks-biodiversity?lang=en

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aumenta a tensão no Chifre da África

A morte de 28 cidadãos quenianos na cidade de Mandera, no Quênia, e a resposta imediata do Governo queniano são fatos que aumentam a tensão no Chifre da África[1][2]. A mídia internacional e as autoridades políticas viram seus olhos momentaneamente para a região e o que se observa é um crescente esforço do Governo queniano em combater o grupo terrorista islâmico Al-Shabaab.

Situado na região oriental, entre o Mar Vermelho e o Rio Nilo, o Chifre da África é morada de significativa parcela dos mulçumanos que habitam o continente africano. Segundo o acadêmico inglês Albert Hourani, as origens mulçumanas nesta região datam do século VII, quando refugiados da primeira Hijarah abandonaram a península arábica em resposta à perseguição da tribo dominante Qurashy[3].

Estrategicamente, as regiões de maioria mulçumana tem ocupado posição central dentro da política internacional americana e europeia, principalmente após os ataques terroristas às torres gêmeas em 2001. No que diz respeito ao Continente Africano, não somente o norte da África tem presenciado maciças intervenções, mas, assim como o Chifre da África, também é alvo de empreitadas internacionais.

Atualmente, a região é morada de um dos principais grupos ligados a Al-Qaeda: o grupo extremista Al-Shabaab, atuante na Somália, que traduzido para o português significa “a juventude”. Além disso, em 1998, as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia foram alvos de ataques[4]. Tendo isto em vista, ambos os fatos despertam o interesse, principalmente por parte dos Estados Unidos, em intervir na região, a fim de mitigar os riscos de futuros ataques terroristas.

 A aliança entre o Governo queniano e o Governo norte-americano é um dos principais exemplos do crescente interesse internacional no combate ao terrorismo na área[4]. Os programas State Department East Africa Regional Strategic Initiative (EARSI) e US Africa Command (AFRICOM)[5] são programas onde se evidenciam que um dos principiais objetivos desta união é capacitar forças africanas na luta contra o Al-Shabaab[6].

Nos últimos anos, o Exército queniano se reforçou e intensificou a luta contra o grupo extremista a fim de garantir a segurança de seus cidadãos e a estabilidade em suas fronteiras. Em 2011, tropas quenianas invadiram a Somália com o intuito de capturar membros importantes do grupo terrorista. Em resposta, o Al-Shabaab levou a cabo ataques terroristas dentro do Quênia, como o caso do ataque ao shopping Westgate, em Nairóbi, no ano passado.

O aumento da tensão na região pode ser evidenciado nas continuas excursões da polícia queniana às mesquitas, em busca de armas e possíveis membros do Al-Shabaab. No início da semana passada, a polícia de Mombassa prendeu cerca de 150 pessoas e inúmeras armas de fogo após invadir três mesquitas na cidade. Segundo declarações de membros do grupo terrorista, as mortes ocorridas em Mandera na semana passada foram uma resposta às invasões nas mesquitas em Mombassa[7].

Assim, em respostas posteriores de contínuas réplicas de ambos os lados, presenciar-se-á nos próximos anos o desenrolar de uma situação delicada: a luta entre uma nação que tenta se afirmar como a principal potência africana oriental e um grupo terrorista que assombra a execução este projeto; uma situação que será vigiada atentamente pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

—————————————————————————

Imagem (FonteGlobal Research):

http://www.globalresearch.ca/the-horns-of-africa-neo-colonialism-oil-wars-and-terror-games/5355993

—————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/11/22/us-kenya-attacks-idUSKCN0J604W20141122

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/nov/23/kenya-claims-100-al-shabaab-killed-in-response-mandera-massacre

[3] HOURANI, A. Uma História dos povos árabes. São Paulo: Companhia de Bolso, 1° Ed., 2006.

[4] VerForeign Affairs”:

http://www.foreignaffairs.com/articles/136670/daniel-branch/why-kenya-invaded-somalia

[5] VerCongressional Research Service”:

http://www.fas.org/sgp/crs/terror/R41473.pdf

[6] VerThe East African”:

http://www.theeastafrican.co.ke/news/Pentagon-to-boost-its-Kenya-Djibouti-military-bases/-/2558/2079606/-/st6lq5z/-/index.html

[7] VerAl Jazeera”:

http://www.aljazeera.com/news/africa/2014/11/kenya-police-find-explosives-mosque-raids-2014112095511530664.html

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

As implicações culturais do desenvolvimentismo africano

Do alto dos morros de Olinda*, fãs de literatura poderão avistar ao fundo, entre uma palestra e outra na Festa Literária Internacional de Pernambuco, que ocorre nesta semana, o horizonte do mar verde nordestino. Inspirados, poderão, inclusive, imaginar navios do período colonial vindo em sua direção, os quais traziam consigo não somente mercadorias, mas também escravos vindos da África para trabalharem nas plantações de cana de açúcar no interior da região Nordeste do Brasil.

Passado quase meio século desde momento histórico particular, as condições de vida na África melhoraram expressivamente. O período atual é marcado por condições políticas e sociais nunca antes presenciadas. Retrato disto é que parte dos escritores que estarão na Festa Literária Internacional de Pernambuco será de jovens africanos letrados, munidos de canetas para anotarem autógrafos e de livros para serem divulgados.

A predileção destes jovens escritores por temas políticos ilustra o ânimo compartilhado entre a maioria dos cidadãos africanos com um processo em particular: o desenvolvimentismo africano, onde tradicionais grupos de poder chocam-se com o espírito democrático e liberal; onde o expressivo crescimento econômico dos últimos anos reestrutura por completo as atividades produtivas no continente; onde a crescente presença internacional, seja de companhias privadas, de organizações sem fins lucrativos, de jornalistas ou acadêmicos, traz consigo o choque cultural entre o antigo e o novo.

As obras literárias constituem-se em interessantes objetos de estudo nos quais se pode identificar este choque cultural. Vale apontar, em um romance, como o autor – enquanto sujeito real que vivencia o cotidiano africano – constrói o mundo que o circunscreve, bem como incorpora (e digere) as mudanças estruturais que há muito tempo ocorrem na África.

Sendo assim, este ânimo dos jovens escritores com o desenvolvimentismo africano é identificado pelo recorrente posicionamento de crianças como narradoras em seus empreendimentos literários. É o que acontece, por exemplo, no caso das premiadas obras “Bom dia, camaradas” (Editora Atlas), do angolano Ondjaki – escritor presente em Olinda nesta semana –, e “No país dos homens” (Companhia das Letras), do americano Hisham Matar, cuja infância e adolescência foram vividas no norte da África.

O posicionamento de crianças como narradoras abre espaço para que fatos como o militarismo, o autoritarismo, a perseguição política e a censura sejam avaliados simplesmente por suas consequências negativas, já que uma criança é livre de qualquer posicionamento político ou ideológico. Dessa forma, o leitor é exposto a uma narrativa feita por uma criança tocada pela crueldade a qual é exposta. É o que acontece, por exemplo, ao lermos sobre a invasão de escolas e o estupro de crianças por militares em Angola durante a guerra civil, no caso do livro de Ondjaki, e da perseguição política da polícia líbia ao pai da criança narradora, no caso da obra de Matar; ou seja, nós, como meros leitores, ao lermos tais estórias somos compelidos a também defender uma mudança, qual seja ela.

Perguntado sobre o livro “No país dos homens”, o escritor sul-africano J. M. Coetzee, radicado na Austrália e laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 2003, descreveu-o como “a história comovente de uma criança exposta cedo demais à crueldade da política líbia[1]. O comentário tecido por Coetzee e a ampla aceitação de romances como os dois aqui citados** demonstram que os novos ventos que pairam sobre a África agradam a todos, sejam africanos ou estrangeiros.

Alan Curry, britânico, empresário do ramo socioambiental e presente no continente africano desde 1974, também é alguém que cultiva profundas esperanças no projeto desenvolvimentista na África[2].

Em entrevista especial***, Curry considera que “o acesso à informação e a locomoção melhorou consideravelmente: a conectividade mudou de simples transmissões de notícias locais para um sistema de comunicação conectado com o resto do mundo; cabos de fibra óptica conectam indivíduos ao redor do continente com a internet; linhas aéreas agora cruzam todo o continente[2].

A conectividade entre africanos e o resto do mundo pode também ser expressada em termos econômicos: o fluxo de dólares entre os países desenvolvidos e as nações africanas não mais é caracterizado estritamente pelas doações, mas, sim, também em investimentos. Mais do que investimentos estrangeiros diretos que visam somente a expansão de mercados consumidores, o crescente fluxo de dólares é resultado de uma série de projetos que buscam estruturar os bens públicos globaispor definição, bens impreteríveis para manutenção das atividades privadas em todas as nações, como, por exemplo, a saúde pública, a soberania nacional e o respeito à propriedade privada[3][4].

A preocupação em torno dos bens públicos no novo milênio é inaugurada pela obra editada pelas Nações Unidas em 1999, de autoria dos economistas Inge Kaul, Isabelle Grunberg e Marc A. Stern: “Global Public Goods: International Cooperation in the 21st Century[4]. Dentro do estudo, a África aparece em diversas situações como umas das principais regiões onde se deve intervir, a fim de garantir a ordem e a estabilidade das atividades privadas em escala mundial. Dentro do estudo, o continente africano relaciona-se a quase todas as questões globais, como as mudanças climáticas, a imigração, o controle de epidemias e o terrorismo[4].

Isto explica, em partes, as causas da crescente presença internacional na África, sendo esta uma das principais fontes das mudanças estruturais que vem ocorrendo dentro do continente africano: são inúmeros os exemplos de projetos propostos por órgãos internacionais que visam, principalmente, a provisão dos bens públicos globais; em outras palavras, é impossível dissociar totalmente o desenvolvimentismo africano da cultura material dovelho ocidente”.

Dentro deste grupo, ressaltam-se projetos como (i) “The Noor-Ouarzazate Concentrated Solar Power Project”, de 519 milhões de dólares, que visa substituir a produção de energia a partir de fontes não renováveis pela energia solar no Marrocos, liderado pelo Banco Mundial[5]; (ii) “Ebola Crisis Fund” e o “Ebola Recovery Multi-Donor Trust Fund”, ambos concebidos com o intuito de instaurar reformas estruturais nos países mais afetados pelo vírus ebola, a fim de evitar que este se torne uma epidemia global[6][7]; (iii) “Education for Sustainable Development in Africa”, liderado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, que visa promover uma expansão da qualificação da mão de obra africana, um dos maiores entraves, segundo economistas, que empresas estrangeiras enfrentam ao estabelecerem-se na região[8].

O posicionamento estratégico que o continente africano assume no estudo dos bens públicos globais pode despertar interpretações enviesadas sobre o verdadeiro sentido do desenvolvimentismo africano. Ainda é possível encontrarmos em artigos jornalísticos ou em trabalhos acadêmicos distinções entreafricanos e ocidentais”; diferenciações de caráter ontológico[9]. Ou mesmo encontrar facilmente menções favoráveis a um “neocolonialismo”, como é o caso do artigo do historiador Paul Johnson para o The New York Times, em 1993: “Colonialism is back – and not a moment too soon[10].

Sabendo que estereótipos possuem profundas consequências políticas, Alan Curry acredita que tanto o europeu como o americano ainda não conhecem totalmente a cultura africana. Segundo Curry, os estrangeiros, “ao opinarem e representarem a África, ainda estão amarrados ao antigo estereótipo do ‘africano’, que é totalmente sem sentido assim como o antigo estereótipo a respeito do ‘latino’[2].

Tendo isto em vista, identifica-se dentro do continente africano uma elite cultural compromissada em desconstruir antigos estereótipos existentes sobre “o africano”, bem como em recuperar antigas expressões culturais tribais do esquecimento total. “Há um grupo muito bem educado, alguns deles educados no exterior, que entendem a conjuntura atual e se propõem a não fazer parte do problema, mas sim em solucioná-lo”, afirma Alan Curry sobre a jovem elite cultural[2].

Desconstruir antigos estereótipos passa ou pela adoção total de padrões de consumo do velho ocidente ou por uma gradativa fusão entre as duas culturas. No que diz respeito à primeira, são comuns os exemplos em que se propõe um acolhimento amplo da cultura moderna: é comum observarmos projeções de mercado realizadas por diferentes consultorias que têm como pressuposto a padronização do consumo entre africanos e os demais habitantes do globo, como é o caso de algumas projeções para o crescimento do uso de celulares para os próximos anos[11] e as estimações para o consumo de alimentos e bebidas superiores[12]****. Todas estas pesquisas utilizam variáveis de crescimento que assumem que o conjunto de preferências do africano, em certo período de tempo, será exatamente igual ao de um londrino ou ao de um nova iorquino.

Por outro lado, a desconstrução de estereótipos e a legitimação da cultura tradicional africana passam também pela disposição em fundir antigas tradições com a cultura moderna. Nesta linha, o movimento denominado por Mark Dery em 1993 como o Afrofuturismo é o exemplo principal[13]. Ainda que alguns críticos consideram que as origens deste movimento cultural estejam nos fatos ocorridos na década de 20 e de 30, foi a partir da década de 60, com a música cosmológica do jazzista Sun Ra e sua predileção pelo emprego de instrumentos eletrônicos como o teclado e sintetizadores, que o Afrofuturismo apresentou-se ao mundo[13].

A escritora e musicista africana Chardine Taylor-Stone, em artigo ao jornal britânico The Guardian, define o movimento como algo além de filmes e livros que utilizam correntemente da ficção científica como tema principal. Para ela, o movimento trata-se de uma tentativa por parte dos artistas de, ao mesclar a tradicional cultura africana com a cultura contemporânea, conectar indivíduos da afrodiáspora com a cultura de seus ancestrais, a fim de que esta não se perca com o passar dos anos[14].

Porém, mais do que isso, o Afrofuturismo aparece como expressão artística que visa, acima de tudo, iluminar as tradições africanas. Em outras palavras, utilizando da crescente visibilidade no cenário mundial, membros da elite cultural africana lutam para apresentar uma cultura autêntica, verdadeiramente autóctone.

Emergem também em diferentes partes da África polos de produção de cultura em massa que, de certa maneira, buscam emancipar antigas tradições africanas. Nollywood, nome dado à produção de filmes na Nigéria, especializou-se na produção de películas não somente em inglês, mas também em dialetos locais como o yoruba. Em 2009, a Unesco divulgou uma nota onde afirma que Nollywood é o segundo maior polo cinematográfico do mundo, com um movimento anual de 250 milhões de dólares[15].

De alguma forma, este processo de resgate das raízes culturais africanas remete às próprias origens da cultura brasileira, principalmente no que diz respeito ao surgimento do movimento antropofágico e o fim da República Velha, no final da década de 20. Ambos os momentos históricos nos são apresentados como lados de uma mesma moeda.

A certa altura do livro, Suleiman, a criança narradora do livro “No país dos homens”, tenta não escutar os comentários machistas que adultos situados sob suas costas fazem a respeito do largo vestido usado por sua mãe, a quem o narrador tanto ama e teme em perder; da mesma forma, nesta semana, em Olinda, viajantes poderão virar as costas para o horizonte com o intuito de não imaginar navio negreiro algum, mas sim de avistar, somente, os africanos que ali estão a conferir palestras e a assinar livros. Ambos os casos são retratos do posicionamento da cultura africana frente à modernização atual: de costas ao passado autoritário e com um olhar fixo ao futuro, caminhando rumo à conquista de seu espaço em um mundo globalizado.

—————————————————————————

* Município turístico localizada no Estado de Pernambuco, Brasil, situada na região metropolitana da Capital do Estado, Recife.

** Poderíamos prosseguir citando outros estimados romances políticos situados na África, como “Desgraça”, do próprio J. M. Coetzee; “Meio sol amarelo”, de Chimamanda Adichie; e “Wizard of the Crow”, de Ngũgĩ wa Thiongo.

*** A entrevista está anexada à esta Análise.

**** Neste caso, a palavra “superior” foi empregada de forma similar ao vocabulário técnico utilizado por economistas para se referirem a produtos de luxo, como derivados do leite, bebidas alcoólicas e outros que demandam uma renda maior para o consumo.

—————————————————————————

Imagem (FonteAfrican Travel Concept):

http://atctravel-blog.com/tag/south-africa/

—————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://zunguzungu.wordpress.com/2011/05/06/in-the-country-of-men-part-two/

[2] Entrevista especial de Alan Curry concedida ao autor.

[3] KAUL, I; GRUNBERG, I; STERN, M, A. Defining global public goods. In: KAUL, I; GRUNBERG, I; STERN, M, A. Global public goods: international cooperation in the 21st century. New York: Oxford University Press, p. 2-19, 1999.

[4] VerThe Wall Street Journal”:

http://online.wsj.com/articles/SB10001424052702304422704579571363402013176

[5] VerBanco Mundial”:

http://www.worldbank.org/en/news/loans-credits/2014/09/30/morocco-noor-ouarzazate-concentrated-solar-power-plant-project

[6] VerEbola Crisis Fund”:

http://www.ebolacrisisfund.org/the-fund/

[7] VerBanco Mundial”:

http://www.worldbank.org/en/topic/ebola/overview

[8] VerBanco Africano de Desenvolvimento”:

http://www.afdb.org/en/projects-and-operations/project-portfolio/project/p-z1-iad-016/

[9] VerMail & Guardian”:

http://www.thoughtleader.co.za/vusigumede/2009/09/30/africa-andor-africans-must-confront-prejudice-and-stereotypes/

[10] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/1993/05/16/magazine/l-colonialism-s-back-217793.html

[11] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/jun/05/internet-use-mobile-phones-africa-predicted-increase-20-fold

[12] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2013/may/08/nigeria-champagne-sales-growth-second-highest

[13] VerAfrofuturism”:

http://web.archive.org/web/20091214211308/http://czem.sonance.net/afrofuturism

[14] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/science/political-science/2014/jan/07/afrofuturism-where-space-pyramids-and-politics-collide

[15] VerPor dentro da África”:

http://www.pordentrodaafrica.com/cultura/nollywood-o-cinema-da-africa-que-surpreendeu-o-mundo

—————————————————————————

ANEXO – ENTREVISTA COM ALAN CURRY

 

Testemunho sobre o Quênia

1) First of all, could you please describe a little bit about your work on Kenya?

I worked in Kenya for 4 years managing my organisation’s activities in around 20 countries in Sub Saharan Africa and left in September 2013. The activities were mainly educational and cultural programmes funded in part but not exclusively by the UK government. We also taught English and delivered exam services in a number of countries. This was my latest and probably last job in Africa – my first one was in 1974 when I worked as a geologist in Niger immediately after I left university.

The first thing I need to say about Africa is that conditions have improved enormously over the last 40 years. Connectivity has changed from limited local television and radio to satellite television showing global news. Networks of fibre optic cables down both east and west Africa have taken internet to enormous numbers of mainly urban people. National airlines criss-cross the continent – Kenya airlines alone flies to around 30 countries in the region and there are now flights to not just Europe but also Asia, the US and Latin America. In addition low cost airlines are starting to challenge the major ones. All of these are positive factors, reflecting much improved economies across the region but the biggest issue for all countries is how much of their population will share in this success? Not too many is all to often the depressing answer.

Population growth in the region has been enormous. At independence in 1963 the population of Kenya was 9m. It is now 46m. Health and Education systems have struggled to keep pace with this growth and the quality of service provision often falls far short of what is needed. Job creation to provide sufficient opportunity for the increased population of working age has also proved difficult, effectively impossible. These challenges can be recognized in all countries in the region.

Most countries now hold democratic elections that are internationally credible however huge challenges continue around quality of governance, accountability and corruption.

2) What were your perception about youth in Kenya, regarding democracy, politics and development? Are they increasing their engagement in dealing with this issues?

Any discussion of youth has to be done against the backdrop of the current Sub Saharan Africa as I have described it above. Youth now have a much better developed global view than any previous generation, thanks in large part to satellite television. Their own cultures tend to be better developed than previously and are more “rap” than “tribal” in nature although there is some fusion between the two. When it comes to Youth’s perceptions of democracy, politics and development that is highly varied. There is a sophisticated, well educated group, some of them educated overseas, many in private schools who

understand how things work and find themselves having to choose between being part of the problem or developing new solutions. Many of them are children of the rapidly growing middle class which itself is one of the key drivers for change across the region. Those who are not in this group tend to have a poor quality of education, don’t meet the standards needed by employers and are largely condemned to a life of unemployment or underemployment.

3) Recently I read an excellent book called “Orientalism”, by Edward Said, which deals with false stereotypes that oriental studies in Europe and USA use to have; stereotypes that have important political implications. In your point of view, do false stereotypes regarding Africa exist too? And if so, do they have serious political consequences?

Stereotypes are an issue but a changing one. The old opinion of the UK as the former colonial power is disappearing – most Africans were born long after their country’s independence and tales of colonialism have limited resonance for them. Similarly in the UK the colonial period was a long time ago and even the Commonwealth, composed largely of former colonies is seen as a vague and ineffectual body. New stereotypes have been built around dependency on donors both bilateral, particularly the Chinese, and multilateral. Little is said about the failure of Africa to move beyond being a stereotypical source of Natural Resources, be it wood, oil&gas or agri-industry. Views of Africa from the outside are still largely stuck in a generalized stereotype of “the African” which is as meaningless as is a stereotype of “the Latin American” – the diversity in Africa is as great if not greater than it is in Latin America and any attempt to generalize is not helpful.

4) Finally, do you think that militarism, autoritarism, poverty and prejudices, as themes that haunt African society, are themes that are being deconstructed by African youth?

I don’t think that these themes are being deconstructed rather they are changing shape. Al Shabab and Boko Haram have replaced earlier dissenting groups and are in many ways much deadlier. The nature of the challenge around Education has changed. Access has improved greatly and the issue now is Quality and standards. The Authoritarian nature of many regimes has changed. For example the previously murderous rule in Rwanda has been replaced a benevolent but still strict one. Poverty continues to haunt the region, much reduced, but still there and with a big impact on the quality of life of many. African Youth now has a much more complex world to understand than previous generations had and there are many signs that at least some of them are thriving in it – for example there is now a software development hub in Nairobi with many small, new high tech business startups associated with it.

To finish, much remains to be done in Africa and many new challenges will emerge – the epidemic of Ebola being the latest – however to indulge in a stereotype myself, Africans are resilient, cope with adversity and will, I’m sure continue to build upon the progress that can be seen all across Sub Saharan Africa.

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Estados Unidos e Suécia selam acordo de apoio à agricultura moçambicana

Foi celebrado na semana passada um Acordo de apoio à agricultura moçambicana entre os governos de Moçambique, Estados Unidos e Suécia[1]. O Acordo prevê investimentos de aproximadamente 27 milhões de dólares, com o intuito de financiar projetos que visam a expansão da agricultura familiar e a de médio porte em Moçambique[1].

O pacote foi proposto pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) juntamente com a Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (ASDI)[1]. No que diz respeito ao investimento americano, o aporte de dólares faz parte do ProgramaFeed the Future”, levado a cabo pela embaixada norte-americana na região[2][3]. Além de Moçambique, diversos países da África Oriental também são contemplados pelo mesmo Programa, como é o caso do Quênia, Malawi e Zâmbia[2].

Em Moçambique, os investimentos por parte do Governo norte-americano concentram-se nas províncias centrais do país, como Nampula e Zambezia[3][4]. Nelas, a agricultura é a principal atividade produtiva, sendo fonte de renda e emprego para diversos habitantes. Contudo, ambas as regiões enfrentam sérios entraves à modernização destas atividades, como a escassez de insumos básicos e a baixa utilização de maquinário agrícola[4]. A precariedade das atividades agrícolas se torna evidente ao constatar que somente 7,2% da terra cultivável eram de fato utilizadas em 2012, segundo dados do Banco Mundial[5].

Além disso, ambas as regiões concentram altos índices de pobreza e baixo indicadores de qualidade de vida: em Nampula e em Zambezia residem 44% da população pobre de Moçambique e 51% das crianças mal nutridas abaixo de 5 anos de idade[3].

O setor agrícola em Moçambique é marcado pela agricultura familiar, uma vez que aproximadamente 97% da produção total de alimentos vem de propriedades cuja dimensão não ultrapassa a marca de 2 hectares[6]. Dessa forma, há uma emergente necessidade de que a oferta de linhas de crédito ao pequeno produtor se expanda, tendo em vista que estes são cruciais para a segurança alimentar e para a oferta de alimentos em Moçambique.

————————————————————————

Imagem (Fonte – IFDC):

http://www.ifdc.org/projects/current2/north_west_africa/ftf-usaid-att/about-ftf-usaid-att/

————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1]VerJornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/bancos_reduzem_financiamento_a_economia

[2] VerFeed the Future”:

http://www.feedthefuture.gov/countries

[3] VerFeed the future – Mozambique”:

http://www.feedthefuture.gov/country/mozambique

[4] VerUSAID”:

http://www.usaid.gov/mozambique/agriculture-and-food-security

[5] VerBanco MundialEstatísticas”:

http://data.worldbank.org/country/mozambique

[6] VerFAOMozambique”:

http://www.fao.org/countryprofiles/index/en/?iso3=MOZ

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Novas informações sobre o genocídio ocorrido em Ruanda são proibidas de serem transmitidas no país

Um Documentário recém feito pela rede de televisão britânica BBC sobre o genocídio em Ruanda, em 1994, foi proibido de ser transmitido no país[1][2]. Intitulado “Rwanda, The Untold Story” (“Ruanda, A História Não Contada”), elaborado por pesquisadores americanos e britânicos, o trabalho traz uma série de dados polêmicos, como a afirmação de que a etnia Hutus e não a Tutsi, conforme afirmam as atuais versões oficiais, foi a que teve o maior número de mortos. Além disso, também aponta que o atual Presidente de Ruanda, Paul Kagame, participava do grupo que orquestrou a derrubada do avião, em 1994, que levava o então presidente Juvenal Habyarimana[1][2].

Para o Parlamento e autoridades políticas do país, o Documentário realizado pela BBC oferece riscos à estabilidade social em Ruanda. Segundo eles, sua divulgação poderia aumentar a probabilidade de levantes sociais. Além disso, as autoridades políticas recusam as novas informações trazidas, afirmando que estão, em sua grande maioria, erradas[1].

Contudo, membros da emissora inglesa e outros jornalistas acusam o Governo de Ruanda de desrespeitar a liberdade de imprensa[1][2]. Para membros da imprensa, ainda que as informações contidas no documentário sejam parcialmente corretas, restringir sua divulgação fere o direito individual de expressão e da possibilidade do cidadão conhecer novas informações sobre o genocídio que ocorreu em seu país.

Acreditamos que este programa (…) trouxe uma contribuição valiosa à compreensão geral sobre a trágica história do país e da região. (…) A mídia de Ruanda está dominada pelo governo, e boa parte das filiais locais seguem as linhas oficiais do governo. Kagame é implacável no tratamento à opositores políticos[1], afirmou David Mepham, pesquisador do Human Rights Watch.

O país desfruta de expressivo crescimento econômico desde o fim do genocídio, em 1994[3][4]. Entretanto, o incremento de renda da população local não foi acompanhado por uma expansão dos direitos individuais, à medida que brotam exemplos de casos de opressão a exilados e opositores em Ruanda[5][6]. Recentemente, Paul Kagame foi alvo de ataques por parte de membros da oposição e por órgãos internacionais acuado de levar a cabo em seu país uma política de repressão a jornalistas que apresentam opiniões distintas ao posicionamento oficial[6].

—————————————————————————

Imagem (FonteFree Media):

http://www.freemedia.at/newssview/article/exiled-rwandan-journalist-handed-prison-sentence.html

—————————————————————————

Fontes Consultadas:

[1] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/media/2014/oct/24/rwanda-bans-bbc-broadcasts-genocide-documentary

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/media/2014/oct/24/bbc-rwandan-genocide-documentary

[3] VerCIA World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/rw.html

[4] VerBanco Mundial”:

http://data.worldbank.org/country/rwanda

[5] Ver:

Folha de S. Paulo: Ano 94, N° 31.050. Segunda-feira, 07/04/2014 – Caderno Mundo, página A13.

[6] VerFree Media”:

http://www.freemedia.at/newssview/article/exiled-rwandan-journalist-handed-prison-sentence.html

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Oposição contesta os resultados das eleições no Moçambique

As Eleições Presidenciais e Legislativas no Moçambique na última semana foram uma das mais conturbadas desde o fim da Guerra Civil, em 1992. O Partido de oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), acusa que as eleições gerais foram irregulares, contestando a vitória do Partido governista, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)[1]. Além da contestação por parte dos opositores, o dia da pleito foi marcado por conflitos entre civis e por alguns protestos[1].

As primeiras apurações – cerca de 20% do total de votos – apontavam ampla vitória do candidato Filipe Nyusi, da FRELIMO, com cerca de 63% dos votos, ao passo que Afonso Dhlakama, da RENAMO, possuía aproximadamente 30%[2]. Aproximadamente 10,7 milhões de eleitores foram às urnas escolher o seu Presidente na última quarta-feira, dia 15 de outubro[3].

Agências internacionais, como a Commonwealth Observer Mission, que acompanham as eleições no país, não acreditam que tenha havido manipulação dos votos[3]. Afonso Dhlakama (RENAMO) legitima o resultado e afirmou publicamente que ele será respeitado e “não haverá mais guerra em Moçambique[2].

As eleições no país e o respeito aos resultados são passos importantes para a consolidação da democracia em Moçambique, tendo em vista que ambos os partidos participaram de uma intensa guerra civil entre os anos de 1976 e 1992, ocasionando a morte de cerca de um milhão de civis[1][3].

Além de Moçambique, outras nações Subsaarianas tiveram eleições conturbadas neste ano: em junho, as Eleições Presidenciais no Malawi foram marcadas por denúncias por parte da então candidata à reeleição, Joyce Banda, sobre uma possível manipulação dos votos[4]; da mesma forma, as Eleições sul-africanas foram marcadas por intensos protestos contra o partido governista, o Congresso Nacional Africano[5].

—————————————————————————-

ImagemObservador” (Fonte):

http://observador.pt/2014/10/17/mdm-diz-que-eleicoes-em-mocambique-foram-marcadas-por-praticas-de-fraudes/

—————————————————————————-

Fontes Consultadas:

[1] VerBBC News”:

http://www.bbc.com/news/world-africa-29653391

[2] Ver:

Folha de S. Paulo – Mundo: Sábado, 18 de outubro.

[3] VerThe Washington Post”:

http://www.washingtonpost.com/world/africa/mozambique-opposition-leaders-reject-early-result/2014/10/19/3710c616-57b2-11e4-9d6c-756a229d8b18_story.html

[4] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/presidente-joyce-banda-pede-anulacao-das-eleicoes-gerais-malawi/

[5] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/africa-sul-reeleicao-de-jacob-zuma-e-marcada-por-protestos/