NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Guerra civil na Líbia é agravada após bombardeio ao Parlamento

Neste último domingo (18 de maio) o Parlamento da Líbia foi alvo de ataques. Segundo fontes locais, acredita-se que milícias aliadas ao general Khalifa Hafta são as responsáveis por bombardear o Parlamento e pelo sequestro de duas pessoas que se encontravam no local[1].

Desde a guerra civil de 2011, a Líbia enfrenta grandes dificuldades em promover a construção de um ambiente democrático e pacífico. As forças leais ao Governo, taxadas de “fundamentalistas” e de “terroristas” pelos rebeldes[2], entram em constante conflito com as milícias formadas em apoio ao general Khalifa Hafta[2].

Esse incidente marca a intensidade com que se desenvolvem os conflitos entre os dois grupos. De forma similar, o próprio Parlamento líbio está majoritariamente dividido entre islâmicos e não-islâmicos, o que dificulta o processo de democratização do país[2].

Devido a este cenário instável, o Governo da Argélia enviou, na semana passada, tropas especiais para auxiliarem na retirada do embaixador e dos funcionários da embaixada. De acordo com as autoridades, a Embaixada argeliana foi alvo de ameaças por parte de grupos islâmicos, especialmente a Al-Qaeda, o que motivou a retirada a fim de evitar maiores problemas[3].

Devido a reais e iminentes ameaças aos nossos diplomatas, a decisão foi tomada em acordo com as autoridades da Líbia para urgentemente fecharmos nossa embaixada e o consulado geral em Trípoli”, afirmou o Ministro de Relações Internacionais da Argélia[3].

Os conflitos também despertam insegurança na população local, acentuando o processo migratório no país. De acordo com o governo da Líbia, cerca de 250 mil pessoas encontram-se no litoral esperando o seu dia para navegar rumo à Europa. Deste total de imigrantes, ampla maioria são líbios[4]. Entretanto, poucos terão suas esperanças concretizadas.

Muitas embarcações que levam os imigrantes à Europa afundam ao longo do percurso devido às precárias condições em que se encontram. Na semana passada, por exemplo, um barco com cerca de 130 passageiros afundou[5]. Até agora, foram encontrados somente 24 corpos, o que faz com que o número oficial de vítimas possa aumentar nos próximos dias[5].

Mesmo se logram chegar a solo europeu, muitos imigrantes serão deportados por tais países, como Espanha e Itália[6][7].

Em janeiro deste ano (2014), o Senado italiano votou a favor de um Projeto de Lei que pode trazer importantes avanços nas condições de trabalho dos imigrantes[8]. Porém, este Projeto ainda é insuficiente para regularizar totalmente a atividade migratória nestas nações.

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Imagem (FonteBBC):

http://www.bbc.com/news/world-africa-26411967

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/18/us-libya-violence-idUSBREA4G04A20140518

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/may/18/gunmen-storm-libyan-parliament

[3] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/16/us-algeria-libya-idUSBREA4F0J420140516

[4] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/10829062/Migrants-make-desperate-journey-to-the-promised-land.html

[5] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/10823480/At-least-24-Libya-migrants-drowned-in-Mediterranean-capsizing.html

[6] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/02/28/world/europe/africans-battered-and-broke-surge-to-europes-door.html?_r=0

[7] VerThe Africa News”:

http://www.africa-news.eu/immigration-news/italy/5541-163-irregular-immigrants-deported-from-italy.html

[8] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/01/21/us-italy-migrants-crime-idUSBREA0K1D520140121

 

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

África do Sul: Reeleição de Jacob Zuma é marcada por protestos

Nesta última quarta-feira (7 de maio) a África do Sul foi às urnas e reelegeu o presidente Jacob Zuma. Com 62,2% dos votos, o Congresso Nacional Africano (CNA) obteve a ampla maioria das cadeiras no Parlamento (249 no total), algo que acontece desde o fim do Apartheid, em 1994. Entretanto, o CNA perdeu significativa quantidade de votos em relação às ultimas eleições gerais: cerca de 200 mil eleitores a menos[1].

Esta queda é vista por alguns como fruto da perda de popularidade do governo de Zuma, evidenciada pela maciça onda de protestos que varre o país nos últimos anos[2]. Como foi relatado pelo CEIRI NEWSPAPER[3] na semana passada, a insatisfação reside na falta de acesso a serviços públicos e a ausência de oportunidades iguais.

Do outro lado, a Aliança Democrática (AD) aumentou a sua participação, conquistando um total de 89 cadeiras. A AD manteve-se como governante da Província do Cabo Ocidental, a segunda mais rica da África do Sul[4].

No discurso feito após a divulgação dos resultados oficiais, o presidente Jacob Zuma fez questão de citar o plano econômico do Governo para este segundo mandato. Fica evidente a sua preocupação em atender as questões levantadas nos protestos: “Nenhuma comunidade em nosso país deve viver em um estado de desordem. As questões levantadas por elas serão debatidas[4], afirmou o Presidente.

Para este novo mandato, o objetivo principal será a criação de novos postos de trabalho. Antes das eleições, Zuma já havia prometido 6 milhões de empregos caso fosse reeleito[5]. Alguns opositores criticaram severamente esta posição, afirmando que o Presidente estaria se utilizando da alta taxa de desemprego como estratégia política[6]. Jacob Zuma também afirmou que buscará estreitar as relações entre o setor público e o empresariado, principalmente as pequenas empresas. Por fim, ressaltou a importância de projetos que visem a melhoria do serviço público de saúde e o acesso impreterível à educação[7]. Tais medidas serão fundamentais para a redução da desigualdade social e dos mais de 30 protestos que acontecem ao redor da África do Sul todos os dias[3].

Entretanto, o recente protesto no distrito de Alexandra, ao norte de Joanesburgo, ilustra os desafios que o CNA deverá superar para reconquistar a ordem civil.

Na noite de sexta-feira para sábado (10 de maio) 56 pessoas foram presas no distrito de Alexandra. Segundo autoridades locais, o protesto começou devido à insatisfação da população local em relação aos resultados das eleições. As balas de borracha e as bombas de efeito moral utilizadas pela polícia não foram suficientes para controlar o tumulto. Por isso, o Exército foi chamado para auxiliar no reestabelecimento da ordem[8].

Outro fato relevante destas eleições é o número de votos conquistados pelos Guerreiros da Liberdade Econômica (GLE). Fundado por Julius Malema, ex-membro do CNA, este partido de extrema esquerda conquistou 25 cadeiras no Parlamento e promete ser uma frente oposicionista participativa nestes próximos anos[4].

A significativa quantia de votos recebida pelo GLE está em sintonia com a crescente participação política de partidos extremistas em outros países, como é o caso do partido Alvorada Dourada, na Grécia, e da Frente Nacional, na França[9]. Os três são exemplos de partidos políticos que vem ganhando crescente adesão popular à medida que problemas como o desemprego e a estagnação econômica não são resolvidos.

Dessa forma, dado os eventos ocorridos na África do Sul nesta última semana, observadores e cidadãos preocupados com a Democracia deverão acompanhar esse país de perto nos próximos anos.

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Imagem (FonteNews24):

http://www.news24.com/elections/news/zumas-plan-for-2nd-term-20140511

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/10/us-safrica-election-idUSBREA480UC20140510

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/may/09/anc-wins-fifth-election-south-africa-jacob-zuma

[3] VerCEIRI NEWSPAPER”:

https://ceiri.news/em-meio-protestos-contra-conjuntura-economica-e-politica-sul-africanos-vao-urnas/

[4] VerMail & Guardian”:

http://mg.co.za/article/2014-05-10-elections-2014-humbled-zuma-comforts-the-losers

[5] VerNews24”:

http://www.news24.com/SouthAfrica/News/Zuma-We-aim-to-create-six-million-jobs-20140111

[6] VerMSN News”:

http://news.howzit.msn.com/da-believes-south-africa-can-create-6-million-real-jobs-in-next-10-years

[7] VerNews24”:

http://www.news24.com/elections/news/zumas-plan-for-2nd-term-20140511

[8] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/05/11/world/africa/south-african-army-called-in-to-crack-down-on-post-election-unrest.html?ref=africa&_r=0

[9] VerAljazeera”:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/04/golden-dawn-rise-far-right-euro-201441483840429923.html

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Política de crescimento econômico no Malawi é esperança para poucos e desastre para muitos

A paisagem que o contador Clement Simfukwe antes admirava ao caminho do trabalho tornou-se agora motivo de profundo lamento: nas ruas de Blantyre, no Malawi, é comum deparar-se com filas quilométricas nos postos de gasolina, inúmeras obras públicas abandonadas e um mar de pessoas a pé, desde que as tarifas do transporte público aumentaram mais de 150% nos últimos dois anos[1].

Blantyre, e o Malawi como um todo, retratam a consequência de uma política econômica de austeridade posta em prática desde o início do mandato da atual presidente Joyce Banda. Insatisfeito, Clement lidera um grupo de jovens economistas compromissados com os problemas sociais de sua nação. Membro também do grupo de estudos em economia heterodoxa “The Institute for New Economic Thinking” – fundado por expoentes economistas e empresários, entre eles George Soros –, Clement bebe direto da fonte daquela que é considerada por muitos como a morada das ciências econômicas pós-crise de 2008[2]. Seu objetivo final é “preparar um artigo a ser circulado entre o parlamento malauiano, nas Nações Unidas e no Fundo Monetário Internacional (FMI)[1], a fim de que sejam desenvolvidas, em primeiro lugar, políticas públicas que promovam a justiça social.

De fato, a queda na qualidade de vida tornou-se alvo de preocupações mais intensas desde o início do governo de Banda, em maio de 2012. Ao assumir, a Presidente instituiu imediatamente um novo marco da economia do Malawi: a mudança para o regime de câmbio flutuante[3]. Desde o início de 2011, o câmbio era cotado a uma média de 155 kwacha para um dólar. Porém, em menos de duas semanas após a sua posse, a economia malauiana vivenciou significativa desvalorização cambial de 49,5%[4].

A mudança da política cambial foi vista pelo governo de Joyce Banda como etapa crucial para resolver os principais problemas macroeconômicos que seu antecessor, Bingu wa Mutharika, encontrou: escassez de combustível e de divisas, além do fraco relacionamento com entidades financeiras internacionais, como o “Fundo Monetário Internacional” (FMI) e o “Banco Mundial[5].

Para resolver tais problemas, o regime de câmbio flexível foi posto em prática com o intuito de aumentar as exportações e as reservas internacionais. De fato, o momento é propício para o acúmulo de divisas, já que o preço do tabaco, principal produto de exportação, atinge o maior nível da história[6].

A dependência excessiva do tabaco retrata a baixa diversificação da economia malauiana. Cerca de 80% da população vive na zona rural[7] e o cultivo de folhas de tabaco é visto como a principal fonte de renda do país. Por isso, o “Produto Interno Bruto” (PIB) e o nível de exportações dependem diretamente das condições climáticas para o cultivo da folha, bem como do preço pago pelos importadores deste bem. Outros setores, como a indústria, possuem baixa participação na composição do PIB, em partes devido ao aparato técnico e estrutural precário. Aproximadamente 95% das estradas estão em mal estado de conservação[5] e o Malawi, em comparação aos países vizinhos, é o último colocado no “Índice de Competitividade Global” (ICG), medido pelo FMI[8].

Isso demonstra que a entrada de divisas é crucial para a importação de bens manufaturados e de bens de capital, já que o setor industrial não atende à demanda nacional. Entretanto, a recente desvalorização cambial acentuou ainda mais a séria escassez de combustível e de outros bens de consumo, pois a perda de valor do kwacha diminuiu o poder de compra dos importadores locais.

Com isso, a presidente Banda procurou, desde o início de seu mandato, reconciliar as relações entre o Malawi e o FMI, a fim de aumentar as doações internacionais. No entanto, para que aconteça, será necessária a adesão ao plano econômico traçado por este órgão. Para alguns, o câmbio flexível foi a primeira dessas medidas[7].

O plano traçado em conjunto entre ambas as instituições começam a gerar os resultados esperados. Segundo fontes locais[9], as indústrias de tabaco apresentam os maiores ganhos dos últimos anos. Também segundo recente relatório do FMI, a entrada de dólares na economia malauiana e o aumento de reservas detidas pelo “Banco Central” vêm crescendo desde o final de 2012[8].

Se por um lado a nova política econômica traz esperança, é na economia real, no dia-dia de um cidadão comum, que se sentem os seus efeitos colaterais[10]. Ao passo que as indústrias de tabaco apresentam rendimentos cada vez maiores, o preço pago ao produtor está estagnado, mesmo agora na temporada das vendas: no último leilão, no dia 18 de março, o preço inicial do tabaco foi de 0,85 dólares o quilo, enquanto no ano passado, na mesma época, o preço inicial foi de 1,05 dólares[9].

Também se comparado às nações adjacentes, o preço pago ao produtor é menor. No Malawi, o preço médio é de 1,27 dólares o quilo, ao passo que na Zâmbia e no Zimbábue paga-se, em média, 2,40 e 3,82 dólares o quilo, respectivamente[9]. Especialistas afirmam que o preço pago ao produtor no Malawi é menor devido à baixa qualidade da folha de tabaco. Entretanto, está mais difícil o manejo eficiente deste cultivo, já que a compra de fertilizantes importados é economicamente inviável dada à considerável perda de valor da moeda nacional.

A desvalorização cambial também aumentou significativamente a inflação. Entre maio de 2012 e abril de 2014 a inflação situou-se sempre entre 25% e 37,5% ao ano[5]. Com isso, o número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza aumentou: atualmente, cerca de 11,9 milhões de pessoas (aproximadamente 68% da população) recebe menos de 1 dólar por dia[7]. O FMI, junto ao Governo nacional, implementou 5 programas de proteção social em resposta ao aumento da pobreza e às reivindicações feitas pelos cidadãos. Entre eles, destaca-se o programa de alimentação de crianças, que visa destinar aproximadamente 1,2 milhão de dólares a crianças famintas. Entretanto, estima-se que outras 4,5 milhões de crianças e adultos não serão contemplados por estes 5 programas de proteção social[5].

A inflação a níveis alarmantes despertou a necessidade no governo atual em redefinir a política monetária e fiscal. Junto com o FMI, o governo atual institui significativas reformas fiscais e redução dos gastos do Governo, com o intuito de diminuir uma possível espiral inflacionária e de desvalorização cambial[8]. A não intervenção governamental é vista como fundamental para o não agravamento dos efeitos colaterais da reestruturação posta em prática, por mais que tal ausência traga poucas esperanças para os 11,9 milhões de malauianos abaixo da linha da pobreza, que clamam por programas governamentais de ajuda.

A não intervenção governamental se dá por completo no que diz respeito à política econômica e social, mas não no campo político: o caso de corrupção recente apelidado de “cashgate” trouxe expectativas negativas quanto à confiança de órgãos internacionais às práticas políticas no Malawie desencadeou a suspensão do envio de donativos de muitos órgãos internacionais[10][11]. A política nacional tradicionalmente é vista como corrupta, algo evidenciado no “Relatório Mundial de Corrupção e Democracia de 2013”, onde o Malawié listado como um dos 10 países mais corruptos da África[12].

Estima-se que 32 milhões de dólares foram desviados em 6 meses – aproximadamente 2% do PIB em 2013.  Cerca de 6 milhões de dólares foram pagos a firmas para prestarem serviços que na realidade nunca existiram; outros 4 milhões de pagamentos suspeitos foram realizados sem a presença de nenhum documento oficial sequer[11]. Com isso, em novembro de 2013, a Grã-Bretanha suspendeu suas doações[13] e em outubro foi a vez do FMI[11].

Com o intuito de recuperar as doações – cruciais para a manutenção do plano econômico desenhado por Joyce Banda no início de seu mandato – o governo começou as investigações, que apontam para uma série de ex-políticos envolvidos no caso[11]. Foram mantidas também as medidas de austeridade fiscal e monetária, a fim de reiterar o compromisso do Governo atual com as recomendações traçadas junto às organizações internacionais.

À primeira vista tais medidas parecem ter reconciliado o Governode Banda com os órgãos internacionais. Em janeiro deste ano (2014), em visita oficial ao Malawi, a “Diretora-Gerente do FMI”, Christine Lagarde, anunciou a liberação de 20 milhões de dólares em doações[14]. Em relatório oficial[15], a “Missão do FMI no Malawi” afirmou que está satisfeita com o Governo local, o qual, mesmo em meio a protestos da população contra a política de austeridade, manteve-se fiel às recomendações.

Pouco se sabe, entretanto, do prestígio deste Governo entre os cidadãos malauianos. Em maio deste ano ocorrerão as eleições e descobrir-se-á qual a avaliação do povo em relação ao projeto que os governantes desenharam para o Malawi, bem como se os efeitos colaterais – corrupção generalizada e aumento da pobreza – passarão despercebidos.

Clement Simfukwe e sua equipe já possuem o seu próprio veredicto: o plano econômico desenhado por Banda e pelo FMI foi imposto em detrimento à liberdade econômica e política do Malawi[1]. Com isso, Clement espera que seu projeto de pesquisa desperte em seus compatriotas a necessidade de políticas públicas alternativas, “baseadas em uma perspectiva africana[5], para que, assim, durante as manhãs em que ele vai ao trabalho, as ruas de Blantyre não sejam mais, da sua perspectiva, um cenário de desilusão.

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ImagemThe Guardian” (Fonte):

http://www.theguardian.com/global-development/2011/jul/21/malawi-anti-government-protests

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Fontes consultadas:

[1] Ver: “Entrevista com Sr. Clement Simfukwe

[2] VerThe Wall Street Journal”:

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702303891804575576523458637864?mod=WSJ_hpp_sections_news&mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424052702303891804575576523458637864.html%3Fmod%3DWSJ_hpp_sections_news#articleTabs%3Darticle

[3] VerBBC News”:

http://www.bbc.com/news/world-africa-17982062

[4] VerXE Currency”:

http://www.xe.com/currencycharts/?from=USD&to=MWK&view=5Y

[5] Ver: “Relatório de Atualização da Pobreza Malauiana 2014

[6] VerInvesting”:

http://br.investing.com/indices/dj-tobacco

[7] VerCIA World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/mi.html

[8] VerFundo Monetário Internacional”:

http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2013/cr13131.pdf

[9] VerThe Nation”:

http://mwnation.com/malawi-tobacco-pricess-getting-wrong/

[10] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/global-development/poverty-matters/2014/feb/28/malawi-cashgate-corruption-scandal-accountability

[11] VerThe Economist”:

http://www.economist.com/blogs/baobab/2014/02/malawi-s-cashgate-scandal?zid=304&ah=e5690753dc78ce91909083042ad12e30

[12] VerWorld Audit”:

http://www.worldaudit.org/corruption.htm

[13] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/malawi/10457574/Britain-suspends-aid-to-Malawi-over-corruption-claims-and-attempted-murder-of-whistleblower.html

[14] VerVoa News”:

http://www.voanews.com/content/imf-lifts-suspension-funds-malawi/1833524.html

[15] VerFundo Monetário Internacional”:

http://www.imf.org/external/np/sec/pr/2014/pr14154.htm#P15_356a

ÁfricaAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Piscicultura angolana celebra Cooperação Técnica com instituição brasileira

Foi firmado nesta última sexta-feira (25 de abril) um “Acordo de Cooperação Técnica” entre a “Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba” (CODEVASF) e o “Instituto de Desenvolvimento de Pesca Artesanal e Aquicultura do Ministério das Pescas de Angola[1]. Este Acordo sela o comprometimento da CODEVASF em receber e capacitar técnicos angolanos em todos os seus “Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura”.

Ele é visto como uma extensão de um Programa criado em 2012, quando 10 técnicos angolanos residiram por seis meses no “Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume”, no Sergipe[2]. Nesta ocasião, visou-se conhecer as técnicas utilizadas no Centro brasileiro a fim de replicá-las nos centros de pesca artesanal em Angola.

O “Embaixador de Angola no Brasil”, Nelson Cosme, presente na assinatura do contrato, demonstrou otimismo em relação ao Acordo, salientando os futuros benefícios que este projeto trará para a economia angolana: “Este programa de cooperação vai permitir a revitalização e extensão da piscicultura familiar em Angola, reforçando  o associativismo e o cooperativismo do setor[1], disse o Embaixador durante o evento.

A pesca movimenta cerca de 3% do “Produto Interno Bruto” (PIB)de Angola. Do total pescado no país, a pesca artesanal representa 35% da produção e é vista pelo Governo como setor crucial para a redução da pobreza e melhoria da segurança alimentar[3][4]. Dessa forma, o “Acordo de Cooperação Técnica” traz esperanças para o aumento da produtividade desse setor, bem como para o manejo pós-colheita adequado, reduzindo os riscos de contaminação.

Em linhas gerais, o desenvolvimento da pesca artesanal pode ser de fundamental importância para a redução da vulnerabilidade como um todo. Não somente em termos de renda, já que 40,5% da população vivem abaixo da linha da pobreza[5], mas como possibilidade de melhora real em outros quesitos também. O primeiro deles seria a igualdade entre os sexos, pois 80% das pessoas que trabalham com a pesca artesanal são do sexo feminino[3], e o crescimento deste setor traz esperanças de maior renda e maior autonomia para as mulheres.

O segundo quesito seria a redução das desigualdades regionais: as províncias mais afetadas pela guerra civil, Huambo, Bié e Cuando-Cubango[6], são contempladas por ricas bacias hidrográficas. As duas primeiras, por estarem na região mais alta do país, detêm as nascentes dos principais rios de Angola; na outra, estão dois importantes rios, o Cuando e o Cubango, que correm em direção à Namíbia. Isso implica em grande oportunidade para a piscicultura em tais províncias, dado o potencial hídrico delas.

Além da qualificação da mão de obra, oGoverno de Angolaprevê, junto aoBanco Africano de Desenvolvimento” (BAD), um investimento de cerca de 12 milhões de dólares na ampliação da infraestrutura de apoio[4]. As condições da pesca artesanal, apesar de ser crucial para a economia angolana, ainda não são adequadas. Estima-se que somente 20% dos barcos são motorizados[7] e a estrutura de desembarque e comercialização dos peixes é antiga e precária[4].

Por fim, criar as estruturas necessárias para o desenvolvimento de Cooperativas locais é o próximo paço do Governo angolano[3]. Espera-se que isto impulsione o desenvolvimento regional, reduzindo as desigualdades intra-nacionais. Ao mesmo tempo, há uma clara preocupação com a sustentabilidade dessa atividade[1], para que a pesca artesanal continue a ser, para as futuras gerações, fonte de renda e de liberdade.

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ImagemO País” (Fonte):

http://www.opais.net/pt/opais/?det=29572&id=1657&mid=

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Fontes consultadas:

[1] VerJornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/apoio_a_pesca_artesanal

[2] VerPortal Brasil”:

http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/04/pais-firma-acordo-de-cooperacao-tecnica-com-angola

[3] VerRevista Exame Angola”:

http://www.exameangola.com/pt/opais/?id=1551&det=33845

[4] VerO País online”:

http://www.opais.net/pt/opais/?det=30152

[5] VerCIA World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ao.html

[6] VerO País online:

http://www.opais.net/pt/opais/?det=22742

[7] VerStop Illegal Fishing”:

http://www.stopillegalfishing.com/doc/publication/pr/angola_country_profile_pr.pdf

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Em meio às recordações em Ruanda, alguns dizem “nunca mais”, mas outros são mais céticos

Na segunda-feira passada (7 de abril) celebrou-se em Ruanda os vinte anos do massacre de mais 800 mil pessoas que assolou o país em 1994. A celebração foi realizada em um estádio de futebol na cidade de Kigali e contou com a presença de autoridades, entre eles o “Secretário Geral das Nações Unidas”, Ban-Ki-moon, e o “Presidente de Ruanda”, Paul Kagamé[1].

Neste evento foram homenageadas as vítimas de um dos maiores conflitos étnicos da história. Em 1994, um avião que levava o então “Presidente de Ruanda”, Juvenal Habyarimana, foi abatido. Isto serviu de estopim para o início de um conflito étnico já antigo, entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi.

Entretanto, desde o fim da guerra civil, Ruanda tem presenciado expressivo crescimento econômico, visto pelo “Presidente” atual como uma “Nova Era” para o país, em que há oportunidades e direitos[2]. “Se o genocídio revelou a chocante capacidade humana para a crueldade, as escolhas de Ruanda mostram a capacidade para a renovação[2], afirmou Paul Kagamé durante a celebração.

De acordo com dados do “Banco Mundial[3], em 1994 o “Produto Interno Bruto Per Capita era de, aproximadamente, 233 dólares. Em 2013 este valor mais do que triplicou em relação àquele, alcançando a marca de 725 dólares. Em termos de abertura comercial, Ruanda recebeu o triplo de investimento estrangeiro em 2010 se comparado aos níveis logo após 1994[4].

Entretanto, o período que Paul Kagamé nomeia de “Nova Era” é visto com ceticismo por alguns críticos[2][5]. Em relação à figura política do Presidente, ao longo de 14 anos de governo, ele é acusado por alguns órgãos[5] de levar a cabo políticas de repressão a exilados e a opositores. Recentemente, Kagamé proferiu, publicamente, sérias críticas à política internacional francesa, o que fez com que a “Ministra da Justiça da França”, Christiane Taubira, cancelasse a sua participação na celebração da última segunda-feira, dia 7 de abril[2].

Além do ceticismo em relação ao Governo atual, também há certa desconfiança em relação à efetividade de órgãos internacionais no combate a conflitos étnicos[6]. Durante a celebração, Ban-Kin moon afirmou que as “Nações Unidas” “poderiam ter feito muito mais[2]. Tal constatação vale de alerta aos órgãos internacionais em relação aos conflitos étnicos atuais, como o da “República Centro-Africana” – relatado pelo “CEIRI NEWSPAPER” na última quarta-feira (9 de abril)[7].

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Imagem (Fonte – “Agência Reuters”):

http://www.reuters.com/article/2014/04/07/us-rwanda-genocide-idUSBREA361C220140407

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/04/07/us-rwanda-genocide-idUSBREA361C220140407

[2] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/04/08/world/africa/genocide-commemorations-begin-in-rwanda-with-curtailed-french-role.html?ref=africa

[3] VerBanco Mundial”:

http://data.worldbank.org/country/rwanda

[4] VerLe Monde”:

http://www.lemonde.fr/afrique/portfolio/2014/04/07/rwanda-miracle-ou-mirage_4397202_3212.html

[5] VerFolha de S. Paulo”: Ano 94, N° 31.050. Segunda-Feira, 07/04/2014Caderno Mundo, página A13.

[6] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/apr/03/central-african-republic-are-we-ignoring-rwanda-all-over-again

[7] VerCEIRI NEWSPAPER”:

www.jornal.ceiri.com.br/governo-chade-anuncia-retirada-de-suas-tropas-da-republica-centro-africana/

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo do Chade anuncia a retirada de suas tropas da “República Centro-Africana”

Na última quinta-feira (3 de abril), o “Governo do Chade anunciou a retirada de suas tropas da República Centro-Africana (RCA)[1]. As Forças chadianas compunham parte do “Exército da União Africana (MISCA) presente na RCA, desde que o conflito entre o grupo armado cristão Anti-balaka e a minoria mulçumana se acentuou nos últimos meses.

Controvérsias sobre a atuação das Forças chadianas na RCA vieram à tona após a morte de 30 civis em uma operação dentro de um mercado público no bairro PK12, na capital Bangui[2]. Segundo o relatório das “Organização das Nações Unidas” (ONU), testemunhas locais afirmam que não houve nenhuma provocação por parte dos civis que explicasse o início dos disparos, que ocasionaram, em sua maioria, a morte de crianças e mulheres[3].

Tal acontecimento acentuou as opiniões contrárias à presença do “Exército Chadiano” como forças pacificadoras na RCA. Nesta última quinta-feira, mediante a emergência de severas críticas a esta atuação, o “Ministério de Relações Internacionais do Chade” veio a público afirmar a sua insatisfação com as acusações e, por isso, retirará suas tropas da RCA nas próximas semanas. Fez a declaração: “Apesar dos sacrifícios que fizemos, o Chade e os Chadianos estão sendo acusados em uma campanha desnecessária e maliciosa que os culpam de todo o sofrimento na RCA[4].

Entretanto, a ausência das tropas chadianas é considerada por alguns como um fato preocupante[5], tendo em vista que um contingente adicional de tropas de pacificação da ONU retarda em ser liberado. O número de unidades militares da “União Africana” presentes é tido como insuficiente para a defesa da população mulçumana e a retirada do Exército chadiano tende a acentuar a vulnerabilidade deles.  Em um ano onde os conflitos em Ruanda celebram 20 anos, muitos consideram a situação centro-africana atual uma repetição daquele acontecimento, quando a lenta resposta de órgãos internacionais exerceu papel crucial para o expressivo derramamento de sangue naquela ocasião[6].

Além do mais, especialistas afirmam que o conflito tende a se acentuar nos próximos meses, quando começa o período em que grupos pastoris mulçumanos do Chade, devidamente armados, começam a migrar para o sul da RCA em busca de pastagens – local onde milícias cristãs são a maioria[7]. Tendo isto em vista e a acentuação dos conflitos étnicos, o Governo da presidente interina Samba-Panza espera ansiosamente pela intervenção internacional, a fim de evitar episódio similar ao de Ruanda, ocorrido em 1994.

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ImagemInternational Committee of Red Cross” (Fonte):

http://www.icrc.org/eng/index.jsp

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Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/04/05/us-centralafrica-idUSBREA340NU20140405

[2] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/04/04/world/africa/as-leaders-meet-report-describes-chaos-in-central-african-republic.html?ref=africa&_r=0

[3] VerOrganizações das Nações Unidas”:

http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=14471&LangID=E

[4] Traduzido da Agência Reuters, ver:

http://www.reuters.com/article/2014/04/03/us-centralafrica-idUSBREA320YT20140403 

[5] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/03/04/world/africa/un-debates-the-breadth-of-a-mission-in-the-central-african-republic.html?ref=centralafricanrepublic

[6] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/apr/04/20-years-genocide-rwanda-central-african-republic

[7] VerInternational Crisis Group”:

http://www.crisisgroup.org/en/publication-type/media-releases/2014/africa/the-security-challenges-of-pastorialism-in-central-africa.aspx