ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

FMI alerta redução de 25% da economia japonesa nos próximos 40 anos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou o Japão, no dia 28 de novembro de 2018, sobre uma possível contração econômica de 25% no decorrer dos próximos 40 anos. O aviso baseia-se na manutenção da atual conjuntura e pelo constante envelhecimento da população do país, que diminuiu em 1 milhão de 2012 a 2017. Hoje, o país tem aproximadamente 127 milhões de habitantes.

Primeiro-Ministro Shinzo Abe

A estimada redução no PIB pode, segundo o FMI, ser amenizada caso reformas sejam aplicadas. A Agência recomenda o aumento da força de trabalho, com maior participação de mulheres, trabalhadores mais velhos e migrantes, apoiando, assim, as atuais propostas de alteração da legislação nacional, que visa à atração de trabalhadores estrangeiros por meio de isenções de testes e qualificações para algumas categorias.

O FMI declarou também que as sugestões de modificações nas políticas comerciais, monetárias e no setor corporativo, além da estabilização da dívida, podem elevar o nível do PIB em 15% nos próximos 40 anos, caso sejam efetivadas de fato, afastando-se da presente situação que o Japão se encontra.

Este ano (2018), estima-se que o PIB atinja 1,1%, abaixo da meta do Banco do Japão de 2%. Entretanto, a projeção para o ano que vem é de 0,9%. A economia japonesa, altamente alimentada pelo consumo interno, poderá ter uma arrecadação maior com a aplicação do aumento do imposto sobre o consumo (de 8% para 10%) em 2019, porém, igualmente corre risco de diminuição do mercado interno.

Para responder a esses desafios, o “Abenomics” – plano econômico do primeiro-ministro Shinzo Abe, lançado em 2012 – desenvolveu-se da estrutura de “três flechas” (expansão da base monetária, política fiscal e crescimento econômico) para uma nova formulação, que conta com quatro pontos: mudanças estruturais sociais; leis e regulamentações voltadas a negócios e tecnologia (smart technology); atração de oportunidades internacionais e maior competitividade de negócios.

O Primeiro-Ministro terá então grandes desafios, uma vez que em seu discurso para reeleição, prometeu aprofundar mais seu plano econômico. Os novos pontos a serem abordados impactam bastante o cotidiano da sociedade japonesa, tanto em consumo, bem-estar social e características demográficas, influenciando a popularidade do Primeiro-Ministro com maior tempo no governo atualmente.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fundo Monetário Internacional” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional#/media/File:Fundo_Monet%C3%A1rio_Interacional.png

Imagem 2 PrimeiroMinistro Shinzo Abe” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shinzo_Abe,_Prime_Minister_of_Japan_(9092387608).jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Shinzo Abe pode aceitar acordo de restituição de apenas dois territórios disputados

As negociações referentes às Ilhas Kurilas (denominação russa) ou Territórios do Norte (denominação japonesa) avançaram após a 33ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no dia 14 de novembro de 2018. Dentre os quatro territórios disputados, o Japão possivelmente aceitará a restituição de somente dois, Shikotan e Habomai, enquanto o controle das maiores ilhas, Etorofu e Kanashiri, permanecerá sob domínio russo.

O território foi ocupado pela então União Soviética (URSS) em 1945, a partir do Acordo assinado na Conferência de Yalta, levando à expulsão dos habitantes japoneses que ali viviam. Apesar de no Tratado de Paz de São Francisco, de 1951, incluir a renúncia do Japão de direitos sobre as Ilhas Kurila, esses quatro locais não são mencionados no Documento, que não foi ratificado pela URSS. Desde então, o Japão tem tentado recuperar sua soberania sobre elas por meio de esforços diplomáticos.

Ilha de Etorofu

A decisão japonesa atual de aceitar Shikotan e Habomai tem como base a Declaração Comum Nipo-Soviética de 1956, que reestabeleceu a relação diplomática entre os dois países no pós-Segunda Guerra e definia que a então União Soviética as devolveria mediante um Tratado de Paz, selando as relações internacionais entre os dois países pós-Segunda Guerra.

A execução da negociação chamada “two plus alpha”, que consiste na devolução das ilhas menores (Shikotan e Habomai) e na ampliação de negócios realizados com as maiores (Etorofu e Kanashiri), pode permitir que, de fato, o Tratado seja finalmente finalizado, sendo uma vitória para o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe por conseguir um feito histórico há anos planejado.

Contudo, a posição anterior japonesa era de reconquistar todas as quatro Ilhas. Alguns analistas apontam que tal renúncia demonstra fraqueza, principalmente pela localização estratégica do local, que a Rússia pretende manter sobretudo para fins militares. Temendo que o Japão as utilize para exercer o acordo de defesa EUA-Japão, dificilmente o lado russo cederá às propostas da outra parte. Abe, em 2016, havia proposto a desmilitarização do território, que foi declinada por Putin e não foi debatida com os EUA.

O Primeiro-Ministro terá que demonstrar, então, que os acordos econômicos e o Tratado de Paz compensarão a desistência de reapropriação do território, diminuindo as críticas pela mudança de posicionamento.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilha de Kanashiri” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kunashir_Island

Imagem 2 Ilha de Etorofu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iturup

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

O foco da Defesa japonesa

O Ministério da Defesa do Japão focará em mísseis balísticos e ciberataques, além de ataques eletromagnéticos. Segundo o jornal Japan Times, sexta-feira passada (16 de novembro de 2018), o ex-Ministro da Defesa e atual comandante da nova força-tarefa, Itsunori Onodera, afirmou que “a Coreia do Norte melhorou suas capacidades referentes a mísseis balísticos”.

Takeshi Iwaya, Ministro da Defesa japonês

A atual administração buscou duplicar os custos com defesa de mísseis, chegando ao recorde de 5,3 trilhões de ienes para o ano fiscal de 2019, um aumento de cerca de 2,1% em relação ao ano passado (que corresponde a 2018), configurando o sétimo aumento consecutivo sob o comando do primeiro-ministro Shinzo Abe. Muito dos esforços baseia-se na ameaça norte-coreana, porém, o crescimento do investimento militar chinês igualmente influencia na decisão.

Quanto a ciberataques, o orçamento é estimado em 93 bilhões de ienes, incluindo defesa espacial. Em agosto deste ano (2018), Abe declarou que “o ambiente de segurança em torno do Japão tem ficado mais severo e incerto, mais rapidamente do que havíamos previsto cinco anos atrás” (Tradução Livre).  As novas medidas seguem outras políticas como a dos Estados Unidos, que sinalizaram, agora, em novembro (2018), a possibilidade de retornar à realização de exercícios militares com a Coreia do Sul.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministério da Defesa do Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ministry_of_Defense_(Japan)

Imagem 2 Takeshi Iwaya, Ministro da Defesa japonês” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Takeshi_Iwaya

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Tamaki convida políticos dos EUA para visitar bases militares

O recém-eleito governador de Okinawa, Denny Tamaki, declarou em uma coletiva de imprensa que gostaria de convidar políticos estadunidenses para uma visita às bases militares localizadas na Província.

Localização de bases militares americanas em Okinawa

Segundo o jornal Japan Today, Tamaki, que assumiu o governo no mês de outubro deste ano (2018), afirmou que tal ação seria “o primeiro passo para uma resolução efetiva de todos os problemas [para os políticos americanos] ao verem as Bases, a vida da população, o meio ambiente e a cordialidade do povo okinawano”.

O Governador chegou aos Estados Unidos neste mês de novembro (2018), para uma estada de cinco dias. Neste período, pretende ministrar uma palestra na New York University para debater o assunto. Por ter um pai americano, Tamaki se considera a pessoa certa para passar tal mensagem.

Espera-se que no próximo ano (2019) seja realizado um referendo sobre a transferência da Base Militar de Henoko, que vem sofrendo vários revezes judiciais, uma vez que confronta diretamente a posição do Governo central japonês, que a apoia.

A visita de Tamaki acontece em uma conjuntura em que a metade da população local associa a presença das Bases a crimes, poluição e acidentes, porém, recursos econômicos significativos para a Província provém dessas instalações. Ademais, os Estados Unidos sinalizaram na segunda-feira, dia 13 de novembro, que possivelmente retornariam a realizar exercícios militares com a Coreia do Sul, relembrando a necessidade de atentarem para a desnuclearização da Coreia do Norte.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Governador de Okinawa, Denny Tamaki” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Denny_Tamaki

Imagem 2 Localização de bases militares americanas em Okinawa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Forces_Japan#/media/File:US_military_bases_in_Okinawa

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fraude em testes de produtos antissísmicos

Conforme foi disseminado na mídia, duas empresas japonesas falsificaram resultados de testes de qualidade de produtos antissísmicos. Segundo o The Mainichi, a Kayaba System Machinery Co. e a Kawakin Holdings Co. realizaram coletivas de imprensa nos dias 19 e 23 de outubro deste ano (2018), respectivamente, para apresentar explicações. A justificativa foi que a alta demanda pelos seus produtos antissísmicos não permitiu que os testes fossem realizados a tempo de cumprir os prazos.

Visão aérea de deslizamento de terra após terremoto em Hokkaido

Tal demanda reflete a preocupação de construir cada vez mais estruturas resistentes a terremotos: de 84 edifícios resistentes em 1994, em 2016, este número subiu para 4.345. O Ministério de Terras, Infraestrutura, Transportes e Turismo comporá um painel de especialistas para impedir a recorrência do evento.

O Japão tem cerca de dois mil terremotos por ano devido sua localização em uma falha geológica. O último grande terremoto de 2018 aconteceu em Hokkaido, com 5,6 de magnitude, e deixou 9 mortos e 30 desaparecidos no mês de setembro. Como estes casos não foram os únicos (também foi divulgada fraude da Toyo Tire & Rubber Co. em 2015), questiona-se o método utilizado pelo governo japonês de fiscalizar as empresas, já que usam as máquinas das próprias investigadas para verificação do cumprimento das regulamentações.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Terremotos no Japão (1900 2016)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_earthquakes_in_Japan

Imagem 2 “Visão aérea de deslizamento de terra após terremoto em Hokkaido” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2018_Hokkaido_Eastern_Iburi_earthquake

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Japão rejeita pedido da ONU de impedir retorno a Fukushima

O Japão rejeitou o pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) de impedir que mulheres e crianças retornassem à Fukushima. Segundo o jornal Japan Today, no dia 25 de outubro (2018), Baskut Tuncak, relator especial da ONU, afirmou que “[as pessoas sentiam que] estavam sendo forçadas a retornarem a áreas de risco, incluindo aquelas com níveis de radiação acima do que o governo [japonês] anteriormente considerava seguro”, ao que Ministro de Relações Exteriores rebateu, afirmando que seu embasamento parcial poderia suscitar medos desnecessários em relação a Fukushima.

Localização de Fukushima

O limite de exposição aceitável atualmente é de 20mSv (milisievert) por ano, o mesmo adotado para funcionários que trabalham em plantas nucleares. Antes do acidente nuclear em Fukushima, o nível era de somente 1mSv/ano, correspondente a 0.23μSv (microsievert) por hora. Contudo, em janeiro deste ano (2018), foram divulgadas medições de áreas de risco apresentando quantidades que atingiram 8.48μSv /hora no verão anterior. Algumas regiões ainda permanecem com ordem de evacuação.

O alto aumento do limite de exposição potencializa a insegurança da população e de especialistas, principalmente quando, neste ano (2018), o governo japonês reconheceu a primeira morte relacionada à explosão dos reatores ocorrida em 2011. A preocupação da administração japonesa é tentar estabelecer confiança e segurança após o maior acidente nuclear depois de Chernobyl, visando o sucesso da Olimpíada em 2020, que será sediada em Tóquio.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Fukushima_City_with_a_view_of_Fukushima_Station.jpg

Imagem 2 Localização de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Map_of_Japan_with_highlight_on_07_Fukushima_prefecture.svg