EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Japão e Rússia continuam negociações do Tratado de Paz

Japão e Rússia retomaram na segunda-feira retrasada, 10 de setembro (2018), em Vladivostok, as negociações para o Tratado de Paz, visando encerrar a Segunda Guerra Mundial. Apesar de a Segunda Grande Guerra ter findado há mais de 70 anos, os dois países ainda não firmaram um Documento entre eles. O encontro aconteceu um dia antes do Fórum Econômico Oriental, realizado nos dias de 11 a 13 de setembro (2018).

Protesto a respeito das Ilhas Kurilas

As tratativas têm como obstáculo a questão das Ilhas Kurilas (como são chamadas pela Rússia) ou Territórios do Norte (como denominadas pelo Japão). As ilhas disputadas – Etorofu, Kanashiri, Shikotan e Habomai – compõem o arquipélago de Kurila e não constavam no Tratado de Paz de São Francisco (1951), o qual não foi assinado pela então União Soviética. Neste, o Japão renunciava todo o direito, título e pretensão com relação às ilhas Kurilas, entretanto, reivindicava as ilhas mencionadas por não integrarem o documento. Na ocasião, a União Soviética expulsou os japoneses que ali viviam, algo que o Japão se comprometeu a não repetir, uma vez que os territórios voltem à sua posse, respeitando os direitos, interesses e desejos dos cidadãos russos.

O presidente Vladimir Putin propôs na quarta-feira, 12 de setembro, um acordo “sem condições prévias” até o final deste ano (2018), ao qual o Japão rebateu, afirmando que o Tratado de Paz será firmado quando a questão territorial for resolvida.

A negociação continuará com a visita do Comandante do Estado-Maior, Katsutoshi Kawano, e de empresários japoneses às Ilhas. O aceite da proposta por parte de Shinzo Abe, Primeiro-Ministro do Japão, à condição ofertada é delicada, já que a Rússia não sinaliza a entrega das Ilhas e Abe concorre, neste momento, à liderança do Partido Liberal Democrata. A perda territorial pode significar um sentimento de derrota e, consequentemente, levar à uma redução de apoio no âmbito doméstico. Uma vez a liderança partidária conquistada, Abe garante seu cargo até as Olimpíadas de 2020, sediadas em Tóquio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 As Ilhas Kurilas com a ilhas em disputa” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Disputa_pelas_Ilhas_Curilas#/media/File:Demis-kurils-russian_names.png

Imagem 2 Protesto a respeito das Ilhas Kurilas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kuril_Islands_dispute#/media/File:%E5%8C%97%E6%96%B9%E9%A0%98%E5%9C%9F_(95703275).jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo de Okinawa revoga autorização para a construção de nova Base Militar estadunidense

A autorização de aterramento da baía de Henoko, em Nago (Okinawa), para a transferência da Base Aérea de Futenma, atualmente localizada na cidade de Ginowan, foi revogada pelo governo da Província no dia 31 de agosto. O governo de Okinawa alega ilegalidade no procedimento das obras e argumenta que as devidas precauções para a proteção do meio ambiente não estão sendo tomadas, principalmente com o recém descoberto solo macio, a cerca de 40 metros de profundidade no fundo do mar da área designada. 

Cartazes de protestos contra a base de Henoko

A recolocação da Base Aérea de Futenma tem como objetivo situá-la em uma área menos populosa e acarretar menos danos à população, e tem sido uma questão controversa. A autorização para o aterro de Henoko havia sido concedida em 2013 pelo então governador Hirokazu Nakaima, apesar de ter sido eleito com uma campanha contra esta Base americana. A administração governamental posterior, de Takeshi Onaga, revogou a autorização em 2015, entretanto, o governo central japonês recorreu e o Supremo Tribunal anulou a decisão em 2016, permitindo que as obras fossem iniciadas em abril do mesmo ano.

A atual revogação foi realizada pelo vice-governador Moritake Tomikawa e pelo governador adjunto Kiichiro Jahana, seguindo a intenção do governador Onaga, que faleceu dia 8 de agosto deste ano (2018), de suspender as obras na ilha, que já concentra aproximadamente 70% de todas as Bases norte-americanas no Japão, ocupando 20% de seu território. Espera-se que o Governo central recorra novamente, iniciando mais uma batalha judicial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visão aérea da base de Futenma” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marine_Corps_Air_Station_Futenma_20100526.jpg

Imagem 2 Cartazes de protestos contra a base de Henoko” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Relocation_of_Marine_Corps_Air_Station_Futenma#/media/File:Henoko,_Nago,_Okinawa_02.jpg