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Governo japonês agiliza planos para cerimônia da coroação imperial em 2019

No dia 12 de outubro deste ano (2018), o primeiro-ministro Shinzo Abe organizou um comitê para a organização da cerimônia da coroação imperial. O Imperador Akihito, com 84 anos, abdicará em 30 de abril de 2019, sendo o primeiro a fazê-lo desde 1817, quando o Imperador Kokaku deixou o Trono, e de quando a Constituição pós-guerra foi adotada. No Japão, a troca de Monarca somente é permitida em caso de morte. Para que este evento pudesse ser realizado, foi aprovado um Projeto de Lei, com validade de 3 anos, não abarcando o próximo sucessor.

Príncipe Naruhito

A coroação do Príncipe Naruhito marca o fim da Era Heisei, iniciada em 1989 com a morte do então Imperador Hirohito e a ascensão de Akihito. O Japão, que segue tanto o calendário ocidental quanto o imperial*, decidirá o nome da nova era também no ano que vem (2019). A cerimônia deve seguir os mesmos ritos da Era anterior, em que o Imperador era considerado divino, apesar de a Carta estipular que o poder emana do povo e que o Monarca é um símbolo do Estado e unidade do povo, sem poder político.

O debate acerca da família imperial não encerrará juntamente com a Era Heisei. Apesar de a questão da abdicação em vida ter sido resolvida, temas como se uma mulher poderá ser Imperadora serão pertinentes no futuro, uma vez que Naruhito não possui herdeiros homens.

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Nota:

* Calendário Imperial: No Japão, a cada novo Imperador, inicia-se uma nova Era, compreendendo o início e fim de um Período sob o Monarca. Tal calendário foi adotado na Reforma Taika, em 645. Cada Era possui um nome característico e começa no ano 1. Por exemplo, a atual Era Heisei, do Imperador Akihito, teve início em 1989 no calendário gregoriano, mas no calendário imperial é o ano “Heisei 1.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imperador Akihito” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Akihito#/media/File:Emperor_Akihito_cropped_2_Barack_Obama_and_Emperor_Akihito_20140424.jpg

Imagem 2Príncipe Naruhito” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Naruhito,_Pr%C3%ADncipe_Herdeiro_do_Jap%C3%A3o#/media/File:Crown_Prince_Naruhito_(2018).jpg

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Japão reconhece primeira morte relacionada à radiação de Fukushima

O Japão reconheceu, no início do mês de setembro deste ano (2018), que a morte de um funcionário que trabalhou na limpeza emergencial quando os reatores nucleares da usina de Fukushima derreteram, em março de 2011, está relacionada à exposição radioativa excessiva, adquirida durante seu serviço. Ele tinha cerca de 50 anos e o nome não foi divulgado.

Impacto e áreas atingidas pelo tsunami em 2011

O funcionário foi diagnosticado com câncer no pulmão em fevereiro de 2016, um ano após o encerramento de sua função, e a doença e morte foram designadas como “acidente industrial”. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar admitiu igualmente que 17 trabalhadores entraram com pedido de análise de sua condição, sendo três com leucemia e um com câncer de tireoide. Desse número, dois desistiram, cinco casos foram indeferidos e cinco ainda estão sob análise. Eles recebem indenização do Governo, assim como a família do ex-funcionário.

Tal declaração do Governo japonês é inédita, uma vez que relacionava mortes ao sofrimento e trauma após o desastre, e foi concedida um mês depois que especialistas da ONU denunciaram a exploração dos funcionários, alegando que eles não foram devidamente informados dos riscos da exposição à radiação. A insegurança sobre o quadro de Fukushima reacende o debate sobre as usinas nucleares e leva à desconfiança sobre os limites de exposição definidos pelo Governo, que se aproxima da Olimpíada, em 2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Acidente em Fukushima” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fukushima_I_by_Digital_Globe.jpg

Imagem 2 Impacto e áreas atingidas pelo tsunami em 2011” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I#/media/File:JAPAN_EARTHQUAKE_20110311.png

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Reator nuclear é reativado, apesar de oposição de moradores

O juízo da Comarca de Oita rejeitou, no dia 26 de setembro de 2018, um pedido de moradores da região de manter reator nuclear desligado. A usina, gerida pela Shikoku Electric Power Co., localiza-se na cidade de Ikata, ilha de Shikoku, na Província de Ehime, e foi desativada após o desastre de Fukushima, em 2011, para testes obrigatórios de resistência a tremores. O reator 3 da Usina Nuclear de Ikata foi reativado em agosto de 2016, entretanto, no ano seguinte, o Tribunal Superior de Hiroshima expediu um mandado judicial para que fosse mantido desligado até setembro de 2018, com base nos resultados dos testes.

Cratera no monte Aso

A Shikoku Electric recorreu e ganhou a decisão, pretendendo religá-lo no dia 27 de outubro. Ainda assim, moradores da Província de Oita entraram com uma ação judicial, alegando que a empresa está subestimando o risco de um fluxo piroclástico (matéria vulcânica que pode ser arremessada em até 160km/h) do vulcão Aso, a 130km de distância. Contudo, o Tribunal de Hiroshima considerou essas preocupações “infundadas, e o juízo da Comarca de Oita seguiu a mesma decisão. Moradores das províncias vizinhas de Kagawa e Yamaguchi também entraram com ações contra o religamento, com a decisão esperada para o ano que vem (2019).

A tensão em relação a usinas nucleares está crescente, pois esta é a primeira ação contra a ativação de reatores nucleares desde o acidente de Fukushima, justamente na época em que o governo japonês reconheceu a primeira morte relacionada à exposição à radiação do acidente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina nuclear de Ikata” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ikata_Nuclear_Power_Plant#/media/File:Ikata_Nuclear_Powerplant.JPG

Imagem 2 Cratera no monte Aso” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Aso#/media/File:Mt.Aso_crater.jpg

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Shinzo Abe mantém presidência do Partido Liberal Democrata

Shinzo Abe garantiu novamente a presidência do Partido Liberal Democrata (PLD) na quinta-feira retrasada, 20 de setembro, permanecendo, então, no cargo de Primeiro-Ministro do Japão por mais três anos. A vitória já era esperada, conforme pesquisas de intenção de votos.

Shigeru Ishiba, Ex-Ministro de Defesa

Nas eleições internas do PLD, Abe conseguiu 553 votos a seu favor, tendo seu único opositor, Shigeru Ishiba, ex-Ministro da Defesa, conquistado 254. A grande vantagem obtida no pleito interno da Dieta Nacional em Tóquio não se repetiu no aspecto regional do Partido: Abe conquistou 55,3% contra 44,7% de Ishiba, demonstrando que o atual Primeiro-Ministro não apresenta o alto nível de popularidade entre seus correligionários pelo país afora.

Escândalos de corrupção ligados ao governo de Abe não abalaram sua reputação o suficiente para impedi-lo de ser o Chefe de Governo e poder atuar por mais tempo no cargo. Contudo, Ishiba, que se candidatou para a presidência partidária em 2008, 2012 e este ano (2018), tem diminuindo a diferença contra Abe a cada eleição, indicando influência no Partido, inclusive na questão da revisão do Artigo 9 da Constituição japonesa. Tal Artigo, criado pelos Aliados pós-Segunda Guerra Mundial, proíbe que o Japão utilize do uso da força na resolução de conflitos. A revisão, idealizada desde a criação do PLD, incluiria a permissão da criação das Forças Armadas, as denominadas Forças de Autodefesa, na Carta, e encontra resistência de metade da sociedade japonesa.

Após esta vitória, Abe enfrenta um processo de unificação tanto partidária quanto da população em um momento de mudanças, com o aumento do envelhecimento populacional, renúncia do imperador Akihito e realização da cúpula do G20 em 2019, além das Olimpíadas, em 2020, em Tóquio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Shinz%C5%8D_Abe#/media/File:Shinz%C5%8D_Abe_Official.jpg

Imagem 2 Shigeru Ishiba, ExMinistro de Defesa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Shigeru_Ishiba#/media/File:Gates_meets_Ishiba_8_November_2007_cropped_for_Ishiba.jpg

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Governo de Okinawa revoga autorização para a construção de nova Base Militar estadunidense

A autorização de aterramento da baía de Henoko, em Nago (Okinawa), para a transferência da Base Aérea de Futenma, atualmente localizada na cidade de Ginowan, foi revogada pelo governo da Província no dia 31 de agosto. O governo de Okinawa alega ilegalidade no procedimento das obras e argumenta que as devidas precauções para a proteção do meio ambiente não estão sendo tomadas, principalmente com o recém descoberto solo macio, a cerca de 40 metros de profundidade no fundo do mar da área designada. 

Cartazes de protestos contra a base de Henoko

A recolocação da Base Aérea de Futenma tem como objetivo situá-la em uma área menos populosa e acarretar menos danos à população, e tem sido uma questão controversa. A autorização para o aterro de Henoko havia sido concedida em 2013 pelo então governador Hirokazu Nakaima, apesar de ter sido eleito com uma campanha contra esta Base americana. A administração governamental posterior, de Takeshi Onaga, revogou a autorização em 2015, entretanto, o governo central japonês recorreu e o Supremo Tribunal anulou a decisão em 2016, permitindo que as obras fossem iniciadas em abril do mesmo ano.

A atual revogação foi realizada pelo vice-governador Moritake Tomikawa e pelo governador adjunto Kiichiro Jahana, seguindo a intenção do governador Onaga, que faleceu dia 8 de agosto deste ano (2018), de suspender as obras na ilha, que já concentra aproximadamente 70% de todas as Bases norte-americanas no Japão, ocupando 20% de seu território. Espera-se que o Governo central recorra novamente, iniciando mais uma batalha judicial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visão aérea da base de Futenma” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marine_Corps_Air_Station_Futenma_20100526.jpg

Imagem 2 Cartazes de protestos contra a base de Henoko” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Relocation_of_Marine_Corps_Air_Station_Futenma#/media/File:Henoko,_Nago,_Okinawa_02.jpg