EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Armênia decide não tomar parte nos exercícios militares da OTAN na Geórgia

A Armênia decidiu não enviar representantes para o Agile Spirit 2017, exercícios militares da OTAN que acontecem na Geórgia, entre os dias 3 e 11 de setembro de 2017. O treinamento foi organizado pelas Forças Armadas georgianas e contaram com o auxílio dos fuzileiros navais dos EUA. Além de Geórgia e dos EUA, participaram tropas da Bulgária, Letónia, Romênia, Azerbaijão e Ucrânia.

No domingo, dia 3 de setembro, o Ministério da Defesa georgiano anunciou através de seu porta-voz que “a Armênia deveria participar dos exercícios militares, mas, infelizmente, abandonou essa intenção alguns dias antes do início”. Por sua vez, o vice-Ministro da Defesa armênio, Artak Zakaryan, afirmou que seu país nunca pretendeu tomar parte do evento e se disse surpreso que seu país constasse da lista de participantes.

Soldados armênios em treinamento

Mesmo com a negativa de Zakaryan, a participação armênia era tida como certa, ainda que apenas três médicos militares fossem esperados nas atividades no país vizinho. Mas, se pouco relevante em tamanho, o envio de uma delegação para o Agile Spirit 2017 seria um ato imbuído de grande poder simbólico. Principal aliada da Rússia no Cáucaso do Sul e membro da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar liderada por Moscou, a Armênia sinalizaria sua intenção em continuar empreendendo uma política externa independente e aberta à cooperação com a OTAN, caso se fizesse presente na Geórgia.

Ao longo de sua história recente, o Governo armênio sempre zelou pela sua “política de complementaridade”, através da qual buscava manter diversificadas, tanto quanto o possível, as suas opções de cooperação internacional. A ausência de tropas armênias nos exercícios militares deixa claro que o país não mais pretende correr o risco de desagradar a Moscou, mesmo que para isso tenha que abdicar de suas boas relações com o Ocidente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Tropas da Geórgia e dos EUA no Agile Spirit 2011” (Fonte):

https://media.defense.gov/2011/Jul/18/179992/-1/-1/0/110718-M-0000C-002.jpg

Imagem 2Soldados armênios em treinamento” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Armenian_Army#/media/File:Armenian_soldiers_at_the_Vazgen_Sargsyan_Military_Institute.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Clube desalojado pela guerra chega a fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA

Na quarta-feira, 23 de agosto, o Qarabağ FK fez história ao se tornar o primeiro clube do Azerbaijão a alcançar a fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA, o maior torneio interclubes de futebol da Europa. Mesmo com a derrota por 2 a 1 diante do Copenhague, na capital da Dinamarca, o time azerbaijano garantiu a sua classificação por não ter sofrido gols como mandante na primeira partida do confronto, da qual saiu vitorioso por 1 a 0, no último dia 15 de agosto.  

Escudo do Qarabağ FK

O jogo de ida contra os dinamarqueses foi disputado no moderno estádio Tofiq Bahramov, em Baku, que também serve à seleção azerbaijana. No entanto, a capital do país é a sede temporária do clube, já que desde de 1993 é impedido de atuar em sua cidade de origem, Agdam. Situada em região de mesmo nome, Agdam foi tomada por tropas armênias durante a guerra de Nagorno-Karabakh e desde então permanece deserta e semidestruída.

Não sendo um clube local de Baku, os apoiadores do Qarabağ FK são majoritariamente formados pelos antigos residentes de Agdam e pelos demais refugiados da guerra, que hoje estão espalhados pelo restante do país e constituem um contingente de cerca de 600 mil pessoas internamente deslocadas (IDP, na sigla em inglês). A integração dessas IDPs á sociedade azerbaijana permanece como uma questão não resolvida e representa um desafio social, como também político, para o Governo.

Mas mais que um feito esportivo, o sucesso do Qarabağ FK passou a ser motivo de orgulho nacional, além de ferramenta de propaganda para o Regime. No dia seguinte ao triunfo em Copenhague, os jogadores foram recepcionados pelo Presidente do país, Ilham Aliyev, que agraciou o clube com a quantia de 2 milhões de manats (cerca de 3,7 milhões de reais). Na ocasião, Aliyev declarou que o feito “é uma vitória do nosso Estado, da juventude azerbaijana e das pessoas patriotas”. O Governo agora espera que o sucesso do time possa atrair a atenção e o apoio da comunidade internacional à causa azerbaijana.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ruinas de Agdam” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Agdam#/media/File:Aghdam_6.jpg

Imagem 2Escudo do Qarabağ FK” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Qaraba%C4%9F_FK#/media/File:Qarabag,logo,2016.png

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Irã inaugura novo gasoduto e alivia sua dependência do Turcomenistão

No primeiro dia do mês de agosto, o Ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zangeneh, inaugurou o último segmento do gasoduto que agora conecta o Golfo Pérsico ao norte do país. O trecho de 170 quilômetros de extensão, que tem capacidade para transferir 40 milhões de metros cúbicos de gás por dia, liga a cidade de Damghan ao porto de Neka, na Costa do Mar Cáspio. O empreendimento custou cerca de 250 milhões dólares e foi inteiramente financiado por empresas locais.

Presidentes Berdimuhammedow e Rohani no Fórum dos Países Exportadores de Gás

Este projeto teve início há uma década, mas foi apenas nos últimos seis meses que as obras ganharam ímpeto. Isto se deveu à decisão do Turcomenistão de cortar as exportações de gás para o Irã, em janeiro de 2017, sob a alegação de que Teerã deixou de honrar uma dívida de cerca de 2 bilhões acumulada desde 2012. Por sua vez, os iranianos acusam os turcomenos de aumentar o preço do gás durante os invernos rigorosos da região, período em que o consumo é mais elevado.

Mesmo dono da segunda maior reserva provada de gás natural do mundo, atrás apenas da Rússia, o Irã dependia da importação dos recursos do país vizinho para alimentar a porção norte de seu território, que está distante das principais áreas produtoras, localizadas em seu litoral sul. Para Asadollah Qareh-Khani, porta-voz da Comissão de Energia do Parlamento iraniano, com o lançamento do novo gasoduto, “o Irã não mais precisará importar gás do Turcomenistão”, além de afirmar que “não haverá redução ou queda na pressão do gás nas cidades do Norte durante o inverno”.

Por seu turno, o Turcomenistão passa por um processo de isolamento regional. Em abril, a Rússia já havia anunciado que passaria a importar o gás natural uzbeque em substituição ao turcomeno. Agora, diante da recém-adquirida autossuficiência iraniana, Asgabate* perde seu único elemento de pressão nas negociações travadas com Teerã. Restará apenas a China como destino de seu principal produto de exportação.

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Notas:

* Capital do Turcomenistão, por isso, referência ao país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Campo de exploração de gás de Pars Sul, no Golfo Pérsico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/South_Pars/North_Dome_Gas-Condensate_field#/media/File:South_Pars_Horizon.jpg

Imagem 2Presidentes Berdimuhammedow e Rohani no Fórum dos Países Exportadores de Gás” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Gurbanguly_Berdimuhamedow#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_41.jpg

 

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

FMI confirma projeções de crescimento da economia russa

Na revisão de julho do “Relatório da Perspectiva Econômica Mundial”, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou as projeções de crescimento do Produto Interno Bruno (PIB) da Rússia para o biênio 2017-18. De acordo com a publicação, é previsto um resultado positivo de 1,4%, tanto em 2017, como em 2018. Embora modestos, estes números revelam a inversão da trajetória de queda do PIB, observada pelos últimos três anos. Em abril, a diretora do FMI, Christine Lagarde, já havia afirmado que enxerga “a economia russa crescendo após esses anos de dificuldade”.

Christine Lagarde e o primeiro-ministro russo Dimitri Medvedev, em 2010”

Os “anos de dificuldade”, citados por ela, foram provocados pela imposição de sanções econômicas e pela queda nos preços internacionais das commodities, em especial do petróleo e gás natural, fatores que vêm impactando negativamente a economia russa desde 2014. Segundo dados do Banco Mundial, Moscou viu a soma das riquezas produzidas no país encolher em US$ 300 bilhões, caindo dos US$ 3,6 trilhões registrados em 2014 para US$3,3 trilhões, em 2016.

Embora as sanções impostas contra o Governo, empresas e cidadãos russos tenham contribuído para o mau desempenho da economia nos últimos três anos, foi a queda do preço internacional dos combustíveis que representou o maior golpe. Sendo o petróleo e seus derivados os responsáveis por mais da metade das exportações da Federação Russa em 2016, a queda do valor do barril, que depois de ser vendido por até US$ 115 em 2014, passou a ser comercializado a menos de US$ 30 dois anos depois, resultou em uma redução expressiva das receitas do Governo.

Inauguração do gasoduto Nord Stream, em 2010

A crise financeira também afetou a capacidade do Kremlin de financiar setores como a saúde e a educação, que experimentaram cortes orçamentários para 2017. Eventuais atrasos no pagamento de pensões governamentais e a queda do poder de compra da população também contribuem para a deterioração do quadro social na Rússia. Ainda assim, os índices de aprovação popular ao presidente Vladimir Putin permanecem acima dos 80%, o que mostra que a crise financeira não resultou na desestabilização política do país.

Como contramedida à crise, Moscou vem adotando uma política de substituição de importações, que busca fomentar outros setores da produção nacional para além daqueles relacionados ao petróleo e gás, ao mesmo tempo que procura contornar os efeitos das sanções impostas ao país. Em resposta a esses embargos, o Kremlin tenta  reduzir a dependência do dólar americano em suas transações internacionais, dando prioridade para o Rublo e para as moedas dos seus principais parceiros comerciais, como o Yuan chinês. Na mesma direção, o Banco Central russo também passou a reforçar suas reservas de ouro, processo que o levou a ser o maior comprador mundial do metal.

A projeção de crescimento para os próximos dois anos mostra que o colapso do país, que chegou a ser prognosticado por especialistas, não ocorreu. No entanto, embora haja demonstrações de que os piores anos da crise tenham ficado para trás, somente uma reformulação da matriz econômica, que envolva a diminuição do peso que o setor energético possui nas receitas do Estado, poderá proteger a Rússia das pressões internacionais que certamente continuará a sofrer.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vista noturna de São Petersburgo” (Fonte):

https://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%A1%D0%B0%D0%BD%D0%BA%D1%82-%D0%9F%D0%B5%D1%82%D0%B5%D1%80%D0%B1%D1%83%D1%80%D0%B3#/media/File:%D0%92%D0%B8%D0%B4_%D0%BD%D0%B0_%D0%9F%D0%B5%D1%82%D1%80%D0%BE%D0%BF%D0%B0%D0%BB%D0%BE%D0%B2%D0%BA%D1%83_%D0%B8_%D0%94%D0%B2%D0%BE%D1%80%D1%86%D0%BE%D0%B2%D1%8B%D0%B9_pan7.jpg

Imagem 2Christine Lagarde e o primeiroministro russo Dimitri Medvedev, em 2010” (Fonte):

https://fr.wikipedia.org/wiki/Christine_Lagarde#/media/File:Dmitry_Medvedev_in_France_2_March_2010-10.jpeg

Imagem 3Inauguração do gasoduto Nord Stream, em 2010” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Transport_in_Russia#/media/File:Dmitriy_Medvedev_Nord_Stream_9_April_2010.jpeg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Geórgia e Ucrânia assinam acordo de parceria estratégica

Em 18 de julho, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Geórgia, Giorgi Margvelashvili, assinaram em Tbilisi, capital georgiana, a Declaração de Estabelecimento de Parceria Estratégica, que tem o objetivo de “fortalecer a cooperação nos fóruns bilaterais e multilaterais, levando em consideração interesses comuns e desafios similares”. O Chefe-de-Estado ucraniano ainda prevê que os 526 milhões de dólares registrados no comércio bilateral entre os dois países em 2016 poderão ser dobrados dentro de alguns anos.

Além do passado soviético em comum, as duas Repúblicas seguiram trajetórias similares depois que conquistaram suas independências. Ambas procuraram se afastar de Moscou e buscaram uma maior integração com as instituições ocidentais, sobretudo a União Europeia e a OTAN. Com este intuito, fundaram em 1997 a GUAM, grupo político com o propósito de resistir ao grande poder de influência do Kremlin e que também conta com a Moldova e o Azerbaijão. Em 2003 e 2004, respectivamente, Geórgia e Ucrânia também foram palco do que ficou conhecido como “Revoluções Coloridas”, que levaram à substituição de regimes favoráveis à Rússia por outros alinhados ao Ocidente.  

Em 2008, após ser derrotada em uma guerra contra os russos, a Geórgia perdeu definitivamente o controle sobre a Ossétia do Sul e Abecásia, duas províncias integrantes de seu território internacionalmente reconhecido. Em 2014, a Rússia incorporaria a península da Crimeia, anteriormente parte da Ucrânia. Rebeldes apoiados por Moscou também passaram a controlar a região de Donbas, no extremo leste do país, onde proclamaram unilateralmente as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Neste contexto, a solidariedade mútua pelo restabelecimento da integridade territorial dos dois Estados passou a ser o elemento que mais aproxima georgianos e ucranianos.

Presidente Poroshenko em Tbilisi

Entretanto, desde 2015, quando Poroshenko convidou o ex-Presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, para assumir o posto de Governador da Província de Odessa, as relações entre Ucrânia e Geórgia se tornaram turbulentas. O ex-mandatário georgiano, que havia deixado o poder em 2013, teve cassada a sua cidadania depois que assumiu a nacionalidade ucraniana, além de ter sido acusado de corrupção e abuso de poder em seu país natal, o que resultou em um pedido de extradição ainda não atendido por Kiev. Em contrapartida, passou a tecer críticas frequentes à administração que o sucedeu em Tbilisi. Sua renúncia ao governo de Odessa, em 2016, abriu espaço para a retomada dos diálogos entre os dois países.

Protestos durante a ‘Revolução Laranja’, em Kiev, 2004

Pivô da crise diplomática anos antes, Saakashvili parece ter se tornado vítima da recente reaproximação entre Kiev e Tbilisi. Em 26 de julho, dias depois de sua visita oficial à Geórgia, Poroshenko retirou a cidadania ucraniana de seu antigo aliado político, no que parece ter sido um gesto de boa vontade às autoridades georgianas. Saakashvili, que exerceu o poder em dois países diferentes, hoje se encontra desprovido de qualquer nacionalidade. Ele possui visto de trabalho nos Estados Unidos até o final de 2017, onde atualmente se encontra. 

Mais que um acordo de cooperação, o estabelecimento da parceria estratégica mira a Rússia como adversária. O próprio Poroshenko corrobora com esta percepção ao afirmar, durante sua visita a Tbilisi, que “temos um agressor comum – tanto a Ucrânia quanto a Geórgia – este é a Federação Russa”. No entanto, se Kiev e Tbilisi, em anos anteriores, poderiam contar com o Ocidente como aliado, hoje o auxílio é mais retórico do que prático. As promessas de expansão continuada da OTAN para o Leste não foram concretizadas e a União Europeia, sofrendo com crises internas, não apenas parou de aceitar membros, como passou a perdê-los. Assim, ucranianos e georgianos, cada vez mais, parecem apenas contar uns com os outros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras da Ucrânia e Geórgia” (Fonte Rodrigo Monteiro de Carvalho):

Montagem do autor a partir da Wikipédia

Imagem 2Presidente Poroshenko em Tbilisi” (Fonte):

http://www.president.gov.ua/en/news/ukrayina-ye-nadijnim-torgovelnim-partnerom-prezident-zaprosi-42490

Imagem 3Protestos durante a Revolução Laranja’, em Kiev, 2004” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Orange_Revolution#/media/File:Morning_first_day_of_Orange_Revolution.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Moscou propõe que a Armênia adote o russo como língua oficial

Na última segunda-feira, 17 de julho, Vyacheslav Volodin, Presidente da Duma Federal, Câmara Baixa do Parlamento da Rússia, sugeriu que a Armênia alterasse sua constituição para incluir o russo como idioma oficial do país. A medida faria com que cidadãos armênios que exercem funções ligadas ao transporte pudessem conduzir seus veículos no território da Federação Russa.

Reunião dos líderes da UEE antes da adesão da Armênia

A sugestão foi feita após a Duma ter aprovado uma Lei que permite que nacionais dos Estados membros da União Econômica Euroasiática, da qual a Armênia também faz parte, dirijam comercialmente na Rússia, desde que seus países de origem tenham o russo como uma de suas línguas oficiais. A justificativa é de que os motoristas precisariam ter conhecimento do idioma para compreender adequadamente a sinalização de trânsito. No entanto, nenhum teste de proficiência é exigido, apenas a oficialização constitucional.  Atualmente, Belarus, Quirguistão e Cazaquistão são os países que cumprem com os requisitos impostos.

Se à primeira vista os benefícios da nova legislação pareçam desproporcionais à exigência, é preciso ressaltar que a diáspora armênia na Rússia responde por mais de 80% das remessas de capital vindos do exterior, e que este montante representou 21% do PIB do país em 2014, ano que marcou o início da crise financeira russa. Se a maioria dos imigrantes armênios tem garantida a permissão de trabalho, uma parcela significativa ainda não possui o status de residência regularizado, sendo estes últimos os maiores agraciados por esta medida. Trabalhadores sazonais que se deslocam entre os dois países também tirariam proveito da lei.

Catedral armênia de Moscou

A República do Cáucaso do Sul é a mais etnicamente homogênea das que se tornaram independentes após a desintegração soviética. Mais de 98% de sua população é formada por armênios, que têm sua língua como a única reconhecida oficialmente pelo Estado. No dia seguinte à proposta, o presidente da comissão parlamentar de relações exteriores da Armênia, Armen Ashotyan, afirmou quena nossa agenda, não há e não haverá uma discussão sobre dar status oficial à língua russa e fixar isto na Constituição”. Contudo, Moscou vem empregando esforços para que o russo se mantenha como língua franca no espaço pós-soviético, sendo provável que novos incentivos sejam apresentados aos armênios.

Como parceira menor em uma aliança assimétrica, a Armênia vem adotando ao longo dos anos uma postura bastante condescendente diante às pressões da Rússia, de quem depende econômica e militarmente. Contudo, a língua armênia, uma das poucas no mundo que possui seu próprio alfabeto, é um dos maiores patrimônios do país e elemento essencial de coesão nacional. Nesse sentido, a decisão de Yerevan, portanto, resultará necessariamente em uma perda, seja a de relevantes recursos financeiros ou de parte de sua identidade como nação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Inscrições em armênio em Nicósia, Chipre” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_arm%C3%AAnio#/media/File:Armenian_Alphabet.jpg

Imagem 2Reunião dos líderes da UEE antes da adesão da Armênia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Eurasian_Economic_Union#/media/File:Session_of_Supreme_Eurasian_Economic_Council.jpg

Imagem 3Catedral armênia de Moscou” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Armenians_in_Russia#/media/File:Armenian_Cathedral_Moscow_January_2012.jpg