ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Futebol e Política no Peru

Diante das investigações sobre as operações ilegais da empreiteira brasileira Odebrecht, da oposição e da pressão para indultar o ex-presidente Alberto Fujimori, o presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK) tem encontrado no futebol uma válvula de escape dos problemas que o enfraquecem politicamente, demonstrando ser um torcedor apaixonado e otimista com a seleção de seu país.

Logo após a definição de que o time peruano iria para a repescagem, ou seja, que disputaria uma vaga para a Copa do Mundo de Futebol de 2018, na Rússia, em partida contra a Nova Zelândia, ele profetizou: “Felicitações à equipe peruana por este imenso esforço, exitoso esforço para nos mantermos com possibilidades de ir ao mundial, teremos que passar por Nova Zelândia, está bem, é um país belo, mas vamos ganhar da Nova Zelândia. Viva Peru!!! Gracias à equipe peruana!!! Gracias ao treinador Gareca!!! Gracias a Todos!!!!”.

No dia da viagem da seleção para a primeira partida, em território neozelandês, o Presidente foi pessoalmente se despedir. Conversou com os jogadores dentro do avião, que decolou minutos depois. Na segunda e decisiva partida, pelo retorno, agora em Lima, no dia 10 de outubro de 2017, decretou meio feriado para que todos pudessem acompanhar a disputa.

PPK se despedindo da seleção peruana de futebol

Durante a reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em Da Nang, Vietnam, tirou uma foto com a Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, e indicou que assistiriam ao jogo, juntos. Após a vitória de sua seleção por 2 a 0, comemorou em sua página no twitter, escrevendo: “Viva o Peru, ganhamos hoje, todos somos guerreiros! Arriba Peru!!!”. Embaixo da declaração, o Presidente se encontra trajado com a camisa da seleção, branca com uma faixa vermelha, ladeado pela Primeira Dama Nancy Lange Kuczynski e assessores, todos a caráter.

A relação entre política e futebol sempre ocorreu. No Brasil, o tricampeonato da seleção brasileira no mundial do México, em 1970, foi usado politicamente pelo Governo militar (1964-1985) para “confirmar” que vivíamos o “milagre brasileiro” e que o Brasil estava fadado a se tornar uma potência mundial.

O mesmo se deu na Copa da Argentina, em 1978. Em Olimpíadas isto também ocorreu. Em 1980, os Estados Unidos não enviaram seus atletas para os jogos de Moscou em protesto contra a invasão do Afeganistão por forças soviéticas. Este foi o boicote dos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, nos jogos de Los Angeles, foi a vez da União Soviética dar o troco e ocorreu o Boicote soviético.

Parece consensual entre grande parte dos cidadãos peruanos que a administração Pedro Pablo Kuczynski é fraca politicamente e sofre oposição dos fujimoristas. Até a poucas semanas, as atenções estavam voltadas para a decisão sobre o indulto a Alberto Fujimori, ex-Presidente do país, condenado por assassinato e sequestro de opositores políticos e que, supostamente, se encontra doente na prisão. No entanto, neste momento, o foco foi desviado para os jogos que definiram a classificação peruana para o mundial da Rússia, em 2018.

Desta maneira, conforme vem sendo observado, PPK vai se equilibrando, tentando ter um destino diferente de seus antecessores: dois presos (Alberto Fujimori e Ollanta Humala), um foragido (Alejandro Toledo) e outro investigado (Alan Garcia). Assim, ele tenta fugir da máxima de que o Peru devora seus ex-Presidentes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Diário Oficial do Peru El Peruano’, com manchete sobre a PPK e a Odebrecht” (Fonte):

https://twitter.com/DiarioElPeruano/status/930770226316111873

Imagem 2 PPK se despedindo da seleção peruana de futebol” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/927409775889010689

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Colômbia e Equador frente ao êxodo venezuelano

A crise política é o principal motivo para o êxodo venezuelano. Muitos cidadãos partem inicialmente para o Brasil, mas também para Colômbia e Equador. A imprensa sul-americana está cobrindo esta diáspora. O jornal colombiano El Comércio, em 25 de setembro de 2017, noticiou: “Com grandes malas nas costas, decididas a migrar ou abastecer comida, milhares de venezuelanos vão e vêm como formigas na fronteira com a Colômbia. Eles estão assustados com o que pode acontecer em seu país neste domingo com a eleição da Assembléia Constituinte”. A matéria mencionava como o principal motivo o medo de embates durante as eleições da Assembleia Constituinte, ocorridas em setembro passado, já que os protestos contra o presidente Maduro ocasionaram a morte de, aproximadamente, cem pessoas.

Limites fronteiriços da Venezuela

Segundo Christian Kruger, diretor da Migration Colômbia, existem aproximadamente 300 mil venezuelanos vivendo na Colômbia e, deste contingente, metade se encontra no país de forma ilegal. Aproximadamente 25 mil venezuelanos entram e saem todo dia na Colômbia para comprar comida ou ganhar dinheiro em empregos informais. Segundo a Folha de S. Paulo, de 17 de setembro de 2017, o Governo colombiano informou que existem mais de 4.500 mulheres venezuelanas trabalhando como prostitutas e, em abril deste ano (2017), a Suprema Corte Colombiana decidiu que elas possuem o direito de pedir visto de trabalho no país. Os venezuelanos atravessam a Colômbia e chegam ao Equador através da ponte de Rumichaca. Atualmente são, aproximadamente, 2.900 pessoas que entraram em território equatoriano. Algumas para ficar, mas outra parte para seguir viagem com o objetivo de chegar até o Chile, Peru ou Argentina.

Estima-se que mais de 17.700 venezuelanos atravessaram a fronteira para o Brasil, e a maioria está em Roraima. Segundo o jornal O Globo, de 7 de novembro de 2017, a capital Boa Vista passou a sentir os impactos da presença dos imigrantes venezuelanos, antes restrita a cidade de Pacaraima na região de fronteira. As populações indígenas também fazem parte deste contingente e é possível vê-los nos semáforos pedindo dinheiro ou trabalhando como vendedores ambulantes. Muitos dormem no galpão sem paredes da Feira do Passarão. São pessoas como “Orlando Martinez, de 38 anos, gastou três dias de viagem de sua comunidade indígena na Venezuela até Boa Vista. Ao lado de filho, mulher, nora, neto e mãe, dorme numa barraca de bananas. Durante o dia, vende bolsas, redes e outros artesanatos em semáforos”.

Ao contrário de posturas xenófobas de algumas minorias de extrema-direita na Europa, as nações sul-americanas tendem a agir de forma diferente e acolher da melhor forma possível os refugiados venezuelanos, pois a solidariedade também tende a ser a pedra de toque da política hemisférica. A questão migratória tem se mostrado como mais um desafio à região e parte expressiva dos analistas e autoridades veem que sua superação pode ser entendida a partir do avanço de ações de cooperação e integração capazes de gerar simetrias econômicas, sociais e políticas que respeitem a soberania dos países associados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Refugiados venezuelanos chegam a fronteira com a Colômbia” (Fonte):

https://twitter.com/MigracionCol/status/918923607862140928

Imagem 2 Limites fronteiriços da Venezuela” (Fonte):

https://www.google.com.br/maps/dir/Rumichaca+International+Bridge,+Ipiales,+Nari%C3%B1o,+Col%C3%B4mbia//@-2.0160427,-78.1062377,5z/data=!4m8!4m7!1m5!1m1!1s0x8e29695211582061:0x9933990b383a8fb2!2m2!1d-77.6640373!2d0.8140384!1m0

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

O Fator Odebrecht no Equador, Peru e Colômbia

No dia 2 de outubro de 2017, a Corte Nacional de Justiça do Equador decretou a prisão do vice-presidente da República, o Sr. Jorge Glas, sob a acusação de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht. Em seu twitter, Glas afirmou: “Segundo todos os juristas, incluindo os meus mais ferozes opositores, o pedido do fiscal para que se apliquem medidas cautelares é uma aberração jurídica (…) este tem sido um processo cheio de irregularidades (…) isto não é só contra Jorge Glas, é parte de um plano organizado para destruir a revolução cidadã e a Rafael Correa”. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que a Odebrecht pagou cerca de U$ 788 milhões em propinas em 12 países, dentre eles o Equador. O documento demonstra que no caso do Equador, entre 2007 e 2016, a construtora brasileira pagou propinas no valor de U$ 35,5 milhões a funcionários do governo*.  

Escudo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos

Em entrevista concedida ao jornal El País, em 27 de julho de 2017, o suposto ex-advogado da Empresa Odebrecht, Sr. Tacla Duran, afirmou que no Equador a construtora admitiu que destinou 29 milhões de euros em comissões ilegais para obter contratos no valor de 100 milhões de euros, durante o mandato de Rafael Correa (2007-2017), estando entre os implicados o ex-Ministro de Eletricidade, Aleksey Mosquera. A Odebrecht, em nota de imprensa datada de 28 de julho de 2017, afirmou que o Sr. Duran nunca atuou como advogado da empresa e informou que era operador financeiro, cuja participação em atividades ilícitas foi informada pela empresa às autoridades em seu processo de colaboração.

O documento norte-americano menciona pagamentos feitos a membros dos governos de outros países da América do Sul, como o Peru. Nele consta: “Entre 2005 e 2014, a ODEBRECHT fez aproximadamente US$ 29 milhões em pagamentos corruptos a funcionários do governo em Peru para garantir contratos públicos de obras. A ODEBRECHT ganhou benefícios de mais de U$ 143 milhões como resultado desses pagamentos corruptos”*.

Em 9 de fevereiro de 2017, a Justiça do Peru decretou a prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, sendo acusado de receber 20 milhões de dólares em subornos da Odebrecht para a construção da rodovia Interoceânica Sul, que liga o Peru e o Brasil. O jornal brasileiro Folha de S. Paulo denunciou que o ex-presidente Ollanta Humala recebeu três milhões da Odebrecht para sua campanha presidencial. Recentemente, o Peru teve que cancelar um contrato com a empreiteira para a construção do Gasoduto do Sul, um investimento estimado em 7 bilhões de dólares, pois a empresa não obteve o apoio financeiro necessário para a execução desta obra. Toledo, atualmente se encontra foragido nos Estados Unidos.

Em 14 de julho de 2017, o também ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, e sua esposa, Nadine Heredia, foram presos pela polícia, após a Justiça ter decretado suas prisões preventivas por 18 meses. O casal é acusado de lavagem de dinheiro doado pela Odebrecht para as campanhas presidenciais de 2006 e 2011. Humala afirma em seu twitter: “Esta é a confirmação do abuso de poder, ao qual nós faremos frente, em defesa de nossos direitos e dos direitos de todos”. O atual presidente Pedro Pablo Kuczynski responde a perguntas sobre pagamentos ilícitos na construção da Rodovia Interoceânica no tempo em que era Ministro da Economia da Administração Toledo. Sua oponente, Keiko Fujimori, também possui contra si o depoimento de Marcelo Odebrecht que afirma ter doado em Caixa Dois para ela.

Na Colômbia a situação não é diferente. Afirma o documento do Departamento de Justiça que “Entre 2009 e 2014, ODEBRECHT fez mais de US $ 11 milhões em pagamentos corruptos na Colômbia, (…). A ODEBRECHT conseguiu benefícios de mais de US $ 50 milhões como resultado desses pagamentos corruptos”*. Em 11 de agosto de 2017 a Suprema Corte da Colômbia convocou o Presidente da República, Juan Manuel Santos, para depor no caso Odebrecht.  A Suprema Corte enviou um questionário sobre os supostos subornos recebidos da empreiteira no contrato para a construção da via Ocaña-Gamarra, na Ruta del Sol II.

Segundo consta, a empresa financiou ilegalmente a classe política Latino Americana que está implicada por favorecer a multinacional brasileira em troca de benesses. Analistas ressaltam que causa estranheza a participação dos Estados Unidos, através do Departamento de Justiça, operando como uma agência internacional de investigação de ilícitos muito além de suas fronteiras, colhendo informações, produzindo relatórios detalhados e disponibilizando-os à imprensa de Peru, Equador e Colômbia. Este fato favorece aos posicionamentos sobre a intervenção das agências estadunidenses nos rumos da política da região.

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Nota:

* O documento pode ser acessado também por este link:

https://www.justice.gov/opa/press-release/file/919911/download.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto dos expresidentes Rafael Correa (Equador), Michele Bachelet (Chile), Ollanta Humala (Peru) e Juan Manuel Santos (Colômbia)” (Fonte):

https://twitter.com/Ollanta_HumalaT/status/675095460160344066

Imagem 2 Escudo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Seal_of_the_United_States_Department_of_Justice.svg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Contramarcha da Paz: o Massacre de Tumaco na Colômbia

Seguramente, os morticínios ocorridos no último dia 5 de outubro na Colômbia podem ser chamados de Massacre de Tumaco. Quatro dias depois, no dia 9 de outubro de 2017, o jornal El Espectador publicou que as forças policiais dispararam contra os cocaleros que protestavam contra a erradicação das plantações de coca.

As informações, contudo, são contraditórias, pois o Governo afirma que morreram seis pessoas, mas os habitantes da área declaram que foram pelo menos 10, alguns desaparecidos e pelo menos 15 feridos. Este fato foi desmentido pelo comunicado oficial da polícia, mas as comunidades categoricamente fazem tal acusação à força pública. A Comissão humanitária que se deslocou até Tumaco também foi atacada pelas forças policiais, inclusive o vice-presidente Oscar Naranjo reconheceu o “comportamento irregular” por parte dos membros da Polícia Nacional.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=529&v=4wIV404j98w O ocorrido é resultado da política de erradicação dos narcocultivos pelo Governo da Colômbia. Os camponeses, no entanto, consideram insuficientes os recursos providos pelo governo para que abandonem o cultivo da folha de coca. O presidente Juan Manuel Santos, por sua vez, avalia como algo fundamental para o processo de paz o fim dessas lavouras. Declarou: “Nós não vamos permitir que nenhuma organização criminal frustre uma política que deve ser uma política exitosa, que necessitamos que seja exitosa de recuperar a legalidade em todo o território nacional e de substituir os cultivos de coca por cultivos lícitos”.

Neste final de semana, o presidente Santos visitou Tumaco e, após o término da reunião com líderes sociais, anunciou a Campanha Atlas, que consiste em uma reorganização das forças de segurança e defesa. Afirmou: “analisamos, ponto a ponto, uma campanha que estamos lançando, a qual chamamos de campanha Atlas, que tem a ver com uma reorganização e fortalecimento de toda a presença da Força Pública, de todas as forças: Exército, Marinha e, através da Marinha, do Corpo de Fuzileiros Navais, da Força Aérea e, claro, da Polícia”.

O Presidente também afirmou que conversou com os líderes comunitários da cidade. Em suas palavras: “Para esse fim, nos reunimos hoje em uma segunda reunião, toda a tarde, com porta-vozes de diferentes comunidades, porta-vozes de vítimas, mulheres, jovens, comunidades afro, comunidades indígenas, uma ampla gama de porta-vozes, a quem ouvimos sobre sua visão do problema que está sendo experimentado no município de Tumaco, seus pedidos e suas soluções”.

Acredita-se que possa estar ocorrendo uma luta pelos corredores do tráfico que foram deixados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que recentemente assinaram o Acordo de Paz com o Governo e se transformaram em um partido político, atualmente chamado Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC).

Este massacre, por sua vez, está demonstrando que o processo de paz está somente em seu início, com muitas marchas e contramarchas ainda a ocorrerem, já que se trata de uma situação com mais complexidade que a calculada inicialmente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chegada do presidente Santos a Tumaco” (Fonte):

http://web.presidencia.gov.co/videos/2017/Fotos/Octubre/171021_01_VisitaTumaco.jpg

Imagem 2 Declaração de Juan Manuel Santos em Tumaco” (Fonte):

https://www.youtube.com/watch?time_continue=529&v=4wIV404j98w

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Grupo de Lima: um novo ente político sul-americano

Na semana em que todas as atenções estavam voltadas para o jogo de futebol entre Peru e Argentina, ocorrido em Buenos Aires, partida que seria decisiva para a classificação da seleção nacional peruana para a Copa da Rússia em 2018, os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, o chamado Grupo de Lima, exigiram do Governo da Venezuela que as eleições para governadores do próximo dia 15 de outubro de 2017 aconteçam em respeito à Constituição do país. Ou seja, com transparência, imparcialidade, objetividade e a garantia de livre participação dos candidatos. Os 12 países conclamaram o povo venezuelano a exercer seu direito de voto, sem interferências.

Pedro Pablo Kuczynski e seu Gabinete Ministerial

O Grupo de Lima fez a sua segunda reunião em Nova Iorque em 20 de setembro de 2017. Deste encontro surgiu uma declaração na qual reafirmam o “compromisso de redobrar esforços para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise que enfrenta a Venezuela”, e lamentam o que consideram uma “ruptura da ordem democrática na Venezuela, já que seu Governo viola as normas constitucionais, a vontade do povo e os valores interamericanos, reprime a dissidência política, mantém presos políticos e viola os direitos humanos e as liberdades fundamentais das pessoas”.

O Grupo de Lima tem sido um ente político na América do Sul de oposição à administração Nicolás Maduro. Para quem ainda insiste em discutir a importância da UNASUL como um fórum político da região, é preciso dizer que atualmente ela se encontra escanteada e o grupo que está assumindo esta posição é o Grupo de Lima. Ele é composto por países que possuem diretrizes governamentais que estão voltadas para uma agenda econômica reformista, visando à supressão das políticas de caráter social e distributivo.

As eleições de governadores na Venezuela serão realizadas no dia 15 de outubro e a campanha dos candidatos terminará no próximo dia 12 de outubro de 2017. Estão convocados a participarem destas eleições 18.094.065 eleitores que deverão votar em 23 dos 24 estados do país, exceto no distrito da capital que possui um regime especial de governo. Esta eleição vem sendo adiada desde o mês de dezembro de 2016 e ocorrerá por decisão da Assembleia Nacional Constituinte.

Este é mais um capítulo da tutela que o Grupo de Lima tem tentado exercer em relação às ações de Nicolás Maduro frente ao Governo da Venezuela. Este grupo de países já tinha se oposto à nova Constituinte da Venezuela que tomou posse em agosto de 2017 e agora exerce uma vigilância sobre o processo eleitoral do próximo dia 15 de outubro de 2017.

Neste momento, no site da União das Nações Sul Americanas não se encontra qualquer notícia ou referência às eleições ou em relação à Assembleia Constituinte venezuelana, inclusive, a instituição se encontra sem Secretário Geral desde 31 de janeiro de 2017. Assim, o Grupo de Lima vem assumindo o vácuo deixado por esta entidade multilateral.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilustração representativa das nações sulamericanas” (Fonte):

https://twitter.com/unasur/status/904808576174235649

Imagem 2: “Pedro Pablo Kuczynski e seu Gabinete Ministerial” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/910178828022030337

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente do Equador na ONU

Com investigações da Justiça equatoriana sobre a corrupção na estatal do petróleo Petroecuador envolvendo seu vice-presidente Jorge Glas, o presidente Lenín Moreno viajou no dia 18 de setembro de 2017 à Nova Iorque, para participar da 72a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

No dia 20, em seu discurso, Moreno não mencionou os problemas internos e ressaltou uma agenda positiva de sua administração. Aproveitou a ocasião para apresentar seu plano governamental que consiste no amparo estatal ao cidadão, chamado plano “Toda uma vida”. Este projeto é uma política de assistência aos equatorianos desde seu nascimento até a sua morte, e sobre isto cunhou um bordão: “garantir bem viver e bem morrer.

Em um momento em que os países da América do Sul como Brasil e Argentina adotam diretrizes governamentais que estão voltadas para reformas econômicas e dão menos ênfase às políticas sociais, o Governo Moreno as toma como a prioridade de sua administração.

Discurso do Presidente Lenín Moreno na ONU

Em seu discurso na ONU, afirmou: “Temos organizado uma gestão de governo em torno do plano chamado ‘Toda uma vida’. Um país e um governo responsáveis devem cuidar e inspirar e impulsionar, acompanhar e ser grato com seus concidadãos durante toda a vida sobre o princípio de corresponsabilidade”. Dentre os programas deste plano destacam-se o “Plano Casa para todos” e o “Plano Mulher”, cujas metas são a prevenção e atenção às mulheres, com ênfase na situação de pobreza e vulnerabilidade.

No plano internacional, mencionou também em seu discurso a possível confrontação nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a crescente pobreza e desigualdade no mundo e a questão climática. Declarou: “Isto demonstra que, como humanidade, estamos falhando, devemos nos comprometer com a construção da paz”.

Invocou ainda os países do mundo a aderirem ao Acordo de não Proliferação de Armas Nucleares. Mencionou que a indústria militar “é um grande negócio” e afirmou que não compreende a perseguição aos traficantes e não aos produtores de armas. Além disso, citou o apoio ao Acordo de Paz na Colômbia. Segundo ele, “O militarismo não é uma resposta, só traz sofrimento, dor e morte, por isto apoiamos, decididamente, os diálogos de paz em nossa República irmã da Colômbia. Celebramos o Acordo de Quito, anunciado há poucos dias para o cessar-fogo bilateral e temporal na Colômbia, assim passo a passo se cumpre a proclamação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe – CELAC de ser uma região de paz”.

Moreno referiu-se ao cessar-fogo entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Governo da Colômbia, celebrado em Quito, no Equador, no dia 4 de setembro de 2017. Este acordo entrou em vigor no ontem, domingo, dia 1o de outubro de 2017, e terá validade de 102 dias, ou seja, até 12 de janeiro de 2018.

A Política Externa para a Paz da administração Lenín Moreno tem sido vista como muito importante em um contexto no qual o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, tenta promover uma frente de pressão contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao invés de procurar o diálogo, buscando uma alternativa negociada. Neste ínterim, é de se presumir que Moreno busque se colocar como um importante interlocutor fomentador do diálogo, propondo uma alternativa pacífica para os dilemas latino-americanos, tal como os Acordos de paz assinados em Quito.

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Notas:

* Acordo de Quito: O Equador tem sido um importante mediador do processo de paz entre o Governo da Colômbia e as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Estes acordos são chamados de Acordo de Quito por serem assinados pelos representantes do Governo e das guerrilhas na cidade de Quito, no Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente Lenín Moreno e a Primeira Dama Rocio Gonzalez, com o Secretário Geral da ONU, António Guterres” (Fonte):

https://twitter.com/Lenin/status/910949142100430848

Imagem 2 Foto do discurso do Presidente Lenín Moreno na ONU” (Fonte Print screen Youtube):

https://www.youtube.com/watch?v=7nNHfFNDWko