AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA fica em alerta com nova chegada de soldados e equipamentos militares russos na Venezuela

Ontem, domingo, dia 24 de março, agências de notícias informaram ao mundo que a Federação Russa enviou à Venezuela pouco mais de 100 militares*, dentre eles o general Vasily Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres da Rússia, além de 35 toneladas de equipamentos bélicos. Segundo consta, o jato Ilyushin IL-62 levou passageiros e o cargueiro Antonov NA-124 transportou o equipamento.

Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015

Tanto as autoridades russas quanto as venezuelanas evitaram emitir comentários, mas a veracidade das informações foi obtida graças as comunicações feitas por um site responsável por acompanhar voos (Flightradar 24), o qual apresentou que dois aviões saíram de um aeroporto militar Chkalovsky, na Rússia, no dia 22, sexta-feira, em direção a Caracas, fazendo escala na Síria. E, ontem, dia 24, outro site, o Adsbexchange, informou que o avião de cargas decolou da Venezuela neste mesmo dia. Ao longo do domingo, a agência russa Sputnik confirmou o fato.

O evento vem trazendo desconforto aos EUA que já em dezembro de 2018 se manifestaram de forma rígida em relação ao pouso de dois bombardeiros estratégicos russos (TU-160) em Caracas, ao ponto de Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano, ter declarado naquele momento que eram “dois governos corruptos desperdiçando fundos públicos e reprimindo a liberdade”, algo incomum na diplomacia, já que se trata da referência de forma ofensiva ao governo de uma superpotência.

A situação está tensa, pois, se naquela ocasião as explicações para a presença dos aviões TU-160 era a realização de exercício militares conjuntos, acertados há anos anteriores, sendo apenas uma sequência de acordos firmados, neste momento, os rumores são de que os russos desejam aparelhar e auxiliar o governo Maduro, diante da possibilidade cada vez maior de que haja uma intervenção externa no país, ou uma ação coordenada para forçar a renúncia do Presidente que está sob questionamento e não detém reconhecimento da Oposição venezuelana, de mais da metade da população do país e de mais de 50 Estados pelo mundo, os quais aceitam como legítima a Presidência Interina de Juan Guaidó.

Rússia e China são os principais credores e apoiadores da Venezuela, havendo bilhões de dólares em ativos a serem recebidos, e não aceitarão a queda do governo por meio do auxílio dos Estados Unidos, sabendo que isso significaria a perda dos valores envolvidos. Conforme vem sendo exposto por analistas ao longo deste período, a saída para a crise passaria diretamente pela negociação de Guaidó com chineses e russos.

Acredita-se que isso será difícil, devido ao papel que os norte-americanos vêm desempenhando na situação. Também se tem como certo que, neste momento do governo Trump, os Estados Unidos não aceitarão dialogar, principalmente com os russos, acrescentando-se ainda que, juntamente com as duas grandes potências que apoiam o governo bolivariano, Irã e Turquia também estão defendendo Maduro, sendo estes dois outros atores que se posicionam como adversários da política externa norte-americana, especialmente para o Oriente Médio e para o leste da Europa, e eles também detêm apoio expressivo da Federação Russa.

Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela

A chegada dos militares e de equipamentos bélicos russos demonstra indiretamente que Guaidó está perdendo o terreno para possível negociação com chineses e com a Rússia, apesar de haver informações de que a China está conversando paralelamente com o autoproclamado Presidente Interino e este, por sua vez, ter declarado em ocasiões recentes que estava aberto a conversar com o governo Putin.

Diante do quadro, o cenário fica mais tenso, podendo fazer com que o reforço a Maduro dado pelos russos leve a mais respostas duras contra os opositores e a mais violência nas ruas, podendo gerar a ruptura que se acredita que cedo ou tarde ocorrerá, mesmo porque se sabe que serão muito altos os custos econômicos para os russos em um envolvimento bélico numa guerra civil que se dê em território tão distante do seu, de forma que não será surpresa que a Oposição e seus apoiadores externos apostem na ruptura direta, mesmo com o suposto apoio que se está aventando.

No entanto, observadores apontam que a Rússia tem em mente a criação em futuro breve de uma base militar em território venezuelano, ou talvez a consolidação de algo já existente, com o interesse de fazer um avanço geoestratégico em relação aos Estados Unidos, sendo assim, no caso de todos apostarem na ruptura, o resultado poderá ser uma guerra civil mais duradoura e mais violenta.  

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Nota:

* As informações são imprecisas, apresentando algumas fontes 100 militares, outras quase cem e, outras, centenas de militares, sendo mais confiável acreditar que chegaram 100 militares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Vasilii_Petrovich_Tonkoshkurov#/media/File:Vasiliy_Tonkoshkurov_(2016).jpg

Imagem 2 Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Guaid%C3%B3#/media/File:Juan_Guaido_alternative_version.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

O fechamento da fábrica da Goodyear na Venezuela

Faz duas semanas, a empresa norte-americana Goodyear Tire and Rubber Company decidiu fechar sua filial em território venezuelano, a CA Goodyear Venezuela, encerrando as atividades da única fábrica que tinha no país, com capacidade de produção de até 10.500 unidades diárias, mas que estava reduzida à tiragem entre 1.000 e 1.900 unidades por dia, ou seja, a aproximadamente 10% de seu potencial.

A empresa declarou não ter mais condições de permanecer na Venezuela, ou de manter qualquer atividade, devido à crise econômica que se vivencia, graças também às sanções que os EUA impuseram, as quais aumentaram o problema, bem como por culpa das dificuldades impostas pelo Governo, que inibiram ainda mais a possibilidade de a empresa se manter.  Devido a essas medidas governamentais, os empresários de vários segmentos se viram na situação de não suportar as exigências que há muito tempo tentam compensar as ações administrativas do Regime bolivariano, as quais são consideradas inadequadas por expressiva gama de economistas no país e no exterior.

A título de exemplo, com a crise econômica instalada, principalmente depois da queda das receitas geradas pela extração de petróleo, quando o valor do barril despencou no mercado internacional, o governo venezuelano passou a pagar as contas públicas imprimindo moeda, gerando a inflação que hoje chega a casa de 1.000.000% ao ano, segundo cálculo apresentado pela Assembleia Nacional. A inflação atingiu diretamente as camadas populares e os governantes buscaram corrigir a perda do poder de compra desses segmentos da população obrigando os empresários a aumentarem os salários dos funcionários de suas empresas, criando um ciclo que certamente resultaria em falências, tal qual resultou.

Paul Litchfield, inventor do pneu para carros sem câmara que promoveu a parceria com o Zeppelin e mais tarde tornou-se presidente da Goodyear e presidente do Conselho

A Goodyear é apenas mais uma das recentes empresas a fechar as portas. Antes dela saíram muitas outras, a destacar a empresa de alimentos Kellogg, e a fabricante de produtos de higiene pessoal Kimberley Clark.

Para cumprir com as obrigações trabalhistas, os funcionários foram pagos com pneus, cada um recebendo 10 unidades, e, segundo noticiado, aceitaram porque é mais vantajoso ter este produto de alta qualidade para vender no mercado negro do que receber dinheiro que se desvalorizaria rapidamente.  

O governo Maduro reagiu acusando a empresa de ter realizado tal ação como parte da guerra econômica contra a recuperação da crise e ordenou ao Ministério Público que realizasse uma investigação penal contra os seus proprietários, pois considerou que isso foi um ato de “sabotagem e boicote”.

Decidiu também encampar a fábrica para restaurar as operações, visando, de acordo com declaração governamental, dar “…proteção necessária conforme o estabelecido na Constituição e na Lei Orgânica do Trabalho, das Trabalhadoras e Trabalhadores, em vigor”. Contudo, passadas essas duas semanas dos anúncios e declarações, ainda se espera a definição das medidas concretas que poderão manter a estrutura, diante de intenções que são contrárias à lógica econômica.

Acredita-se que os acordos econômicos, técnicos e militares assinados recentemente pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro com a Federação Russa poderão dar fôlego ao seu governo para preservar estruturas corporativas e empresas dessa natureza, que foram encampadas, mas a Goodyear é apenas uma das muitas que deixaram o país, acrescentando-se a isso o êxodo populacional que está ocorrendo, algo que vem reduzindo a capacidade produtiva venezuelana, bem como minando sua mão de obra e o mercado consumidor.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pneu furado” (Fonte): https://dinamicarpneus.com.br/wp-content/uploads/2018/08/agosto6-pneu-furado.jpg

Imagem 2 Paul Litchfield, inventor do pneu para carros sem câmara que promoveu a parceria com o Zeppelin e mais tarde tornou-se presidente da Goodyear e presidente do Conselho” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Goodyear_Tire_and_Rubber_Company#/media/File:PaulLitchfield.jpg

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente do Brasil viaja para a abertura da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas

O presidente brasileiro Michel Temer viajou ontem, domingo, dia 23 de setembro de 2018, para Nova York, onde participará da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas, quando fará o discurso inaugural no dia 25, terça-feira, pela manhã. A realização da abertura por um brasileiro tornou-se uma tradição, quando, desde 1955, passou a ser feita pelo representante do Brasil, que somente a partir de 1982 teve um Presidente da República, na época João Batista de Figueiredo, fazendo o discurso inaugural, algo que antes era realizado pelo representante do país na entidade, ou pelo Ministro das Relações Exteriores.

Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947

As razões para tal honraria ser dada ao Brasil tem várias explicações, mas não há regra que o defina, sendo apenas um costume que passou a ser respeitado por cortesia que concede ao Estado brasileiro ser o responsável pelo primeiro discurso e dá aos EUA o papel de ser o segundo a discursar, uma vez que é o anfitrião, sendo seguido pelos demais países de acordo com a ordem de precedência de quem discursará, ou seja, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Ministro e representante oficial.

A tradição foi rompida duas vezes, desde 1955, quando o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, abriu a Assembleia em 1983 e 1984. Além disso, se também foi criado o costume de ser um Presidente da República brasileiro a fazer o discurso, este foi quebrado no mandato de Itamar Franco, em 1993, quando quem discursou foi então chanceler Celso Amorim.

Dentre as várias razões para a honraria, as mais aceitas são de que o Brasil passou a ser o responsável por ser um país neutro, além de haver certo respeito pelo trabalho exercido pelo ex-chanceler brasileiro Osvaldo Aranha, que foi o primeiro presidente da primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU e presidente da Segunda Assembleia Geral da ONU, em 1947, um ano conflituoso no Organismo, que culminou com a criação do Estado de Israel, no qual ele teve papel relevante, tanto na votação, quanto na negociação para que o plano fosse votado.

Mas também há explicações menos honrosas, como a apresentada pelo colunista do New York Times, Michael Pollack, feita em 2012, em que declarou, fazendo analogia com um show de Rock: “O astro geralmente tem um show de abertura. A Assembleia Geral é um lugar lotado, com delegados de 193 Estados-membros ainda chegando e procurando seus lugares durante os pronunciamentos iniciais. O discurso do Brasil oferece um modo diplomático de todo mundo se ajeitar para o que costuma ser a atração principal: o presidente dos Estados Unidos

Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York

Independentemente da razão, oscilando da mais a menos glamorosa, estabelecida a honraria que se tornou costume, caberá a Michel Temer fazer o discurso de abertura do dia 25. Não foi divulgado sobre o que falará, mas se acredita que tratará dos temas que têm sido tradicionais ao Brasil: (1) a defesa do multilateralismo; (2) a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (sabendo-se que, antecipadamente, Aloysio Nunes, o Ministro das Relações Exteriores, participará do encontro do G4, grupo composto por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, que detém uma proposta de reforma do Conselho de Segurança da ONU, desejando adquirir Cadeira como Membro Permanente no Conselho) e, (3) certamente, devido a crise que hoje vive a Venezuela, afetando diretamente o Brasil, o problema das migrações, e também já está certo que Aloysio Nunes representará o Brasil no chamado “Road to Marrakesh”, prévia de uma conferência internacional no Marrocos, em dezembro próximo (2018), sobre o assunto Migração.

Conforme tem sido disseminado na mídia, cinco são os temas a serem tratados de forma enfática neste ano (2018) nas Nações Unidas: a Coreia do Norte; a Crise na Venezuela; a Crise na Síria, em especial o problema do possível ataque a Idlib; o Acordo Nuclear do Irã, em particular tratando das ações norte-americanas, tendo sido divulgado, já no início do mês, notícias de que Trump estava aberto a se encontrar com o Presidente do Irã, Hassan Rohani, à margem da Assembleia Geral; e a guerra Civil no Iêmen.

Pelo que foi divulgado, a agenda de Michel Temer tem, hoje, dia 24, um almoço oferecido na Câmara de Comércio dos EUA, e amanhã, terá, além do discurso de abertura, um único encontro bilateral, que será com o Presidente da Colômbia, Ivan Duque, e encontro com Presidentes dos países do Mercosul, uma vez que está prevista reunião entre os líderes sul-americanos e os da União Europeia para tratar dos entraves ao acordo comercial que os dois grupos tentam há 18 anos. Após esta reunião, está previsto o retorno ao Brasil.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/UN_General_Assembly_hall.jpg

Imagem 2 Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/OsvalAranha_preside_a_Assembleia_das_Nações_Unidas.tif

Imagem 3 Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/95/UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Nicolás Maduro assina acordos na China, em busca de saídas para crise na Venezuela

Acompanhado de equipe, o presidente venezuelano Nicolás Maduro viajou à China na semana passada, tendo, na sexta-feira, dia 14 de setembro (2018), realizado encontro com o presidente chinês Xi Jinping, com o primeiro-ministro Li Keqiang e com o conselheiro de Estado e Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi. Os venezuelanos assinaram quase três dezenas de acordos de cooperação e buscaram apoio financeiro, além de terem conversado para abrir perspectivas positivas às empresas chinesas, com o intuito de receber investimentos. Também buscou-se articular ações coletivas dos dois governos em vários setores, dentre eles petróleo, gás, mineração, tecnologia, segurança e finanças, ressaltando-se que o setor de petróleo e gás está submetido às sanções dos EUA.

Logo da Corte Penal Internacional

Analistas apontam que a viagem representou uma esperança do mandatário venezuelano para garantir formas de preservar seu governo, uma vez que a crise econômica chegou a um patamar no qual são poucas saídas disponíveis para que o país consiga se recuperar economicamente e volte a ter estabilidade.

Conforme está sendo disseminado na mídia, Maduro detém neste momento baixo índice de popularidade, tendo sido apresentada uma pesquisa de opinião em que mais de 80% do povo deseja que o Presidente e o bolivarianismo deixem o poder.

O cerco ao regime venezuelano tem aumentado. Tem sido vários os anúncios de que Maduro e o Governo da Venezuela foram ou serão denunciados perante o Tribunal Penal Internacional e, nesta semana, foi declarado que Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru assinaram uma carta acusando o mandatário bolivariano perante a Corte Penal Internacional, por violação dos Direitos Humanos de forma sistemática e, especificamente, por crimes de lesa humanidade.

Nesse sentido, a ida à China se apresentou como um alento ao governante, pois a situação interna na Venezuela tem levado cada vez mais ao ponto de ruptura, já que a oposição interna e externa tem sido cada vez intensa e poucos Estados têm dado apoio a Maduro, e por razões diferentes da concordância com suas políticas, sendo especialmente para recuperar investimentos que foram feitos e representam perdas para esses países investidores. Esses são os casos dos chineses e dos russos, que precisam garantir o retorno do que foi aportado de recursos no país.

Maduro em Restaurante na Turquia” (Fonte – Print Screen do vídeo divulgado no YouTube)

Acreditam também os observadores internacionais que a política externa norte-americana tem sido uma das principias razões para que essas grandes potências acabem apoiando o regime venezuelano, uma vez que se trataria de mais um aliado para enfrentar as pressões estadunidenses feitas contra China, com a guerra comercial iniciada, e contra a Federação Russa, devido aos enfrentamentos por razões geoestratégicas e geopolíticas, principalmente no Oriente Médio e na Europa Oriental.

O quadro que se desenha é que esses Estados percebem o governo venezuelano como um aliado para proporcionar outro ponto de resistência aos norte-americanos, uma vez que eles estão submetidos a embates com os EUA. Sendo assim, as análises convergem para a interpretação de que essas alianças e acordos feitas por Nicolás Maduro, acabam oxigenando o seu governo, pois lhes garantem recursos para preservar a sua base política e manter o braço armado que lhe dá garantias de manutenção da ordem, uma vez que a queda da popularidade tem sido expressiva e vários atos do governante tem aumentado a oposição, mesmo quando eles tem mais valor simbólico que efetivo, como foi o caso de ter ido ao restaurante na Turquia onde se deixou filmar e fotografar, degustando charuto cubano e refeição de alto padrão e elevado valor. Por essa razão, mesmo com atos como o do restaurante na Turquia, se forem garantidos aportes de recursos chineses acredita-se que a tendência de resistência de Nicolás Maduro no poder ainda será alta.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nicolás Maduro homenageando Mao Tse Tung” (Fonte Print Screen do vídeo divulgado no YouTube):

https://www.msn.com/pt-br/video/noticias/maduro-assina-acordos-na-china-e-homenageia-mao/vp-BBNkwKx

Imagem 2 Logo da Corte Penal Internacional” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Corte_Penal_Internacional#/media/File:International_Criminal_Court_logo.svg

Imagem 3 Maduro em Restaurante na Turquia” (Fonte Print Screen do vídeo divulgado no YouTube):

https://www.youtube.com/watch?v=CR23TCnxflo

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia acusa Ocidente de preparar encenação de ataque químico na Síria para justificar novo bombardeio

O Governo russo está denunciando e acusando o Ocidente, mais especificamente, Estados Unidos, Reino Unido, França, além de indiretamente alguns de seus aliados, de estarem preparando a encenação de um ataque químico na Síria, que dirão ter sido feito pelo governo de Bashar al-Assad.

O objetivo seria terem justificativas para novos bombardeios, ações variadas e possível invasão do país, na tentativa de frear o processo de paz que se desenrola, bem como fazer recuar o Exército da Síria, que vem ganhando território, graças principalmente ao apoio da Rússia, do Irã e grupos aliados deste último.

Pode-se destacar que a Turquia, apesar de membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), está identificando que a perda de controle político por parte de Assad poderá gerar fragmentação do território sírio, significando um avanço dos curdos, que, por sua vez, desejam ganhar independência de região da Turquia e fundar o seu próprio país, o projetado Curdistão, que acrescentaria ainda áreas da Síria, do Iraque e do Irã.

Major-general Igor Konashenkov com jornalistas em El-Karjatein, na Síria, em abril de 2016

Segundo declarações do Ministério da Defesa russo, fontes relataram que na região de Idlib estão chegando especialistas para realizar a encenação de um “ataque químico”, e que o local em que ocorreria a suposta atividade seria o povoado chamado Kafer Zaita. O major-general Igor Konashenkov, representante oficial do Ministério, afirmou que há “socorristas disfarçados de Capacetes Brancos” e que haveria filmagem para ser repercutida nas mídias ocidentais e locais. Em suas palavras: “No próprio povoado de Kafer Zaita está se efetuando o treinamento de um grupo de habitantes, transferidos do norte da província, para sua participação [numa] encenação de ‘danos’ causados pelas alegadas ‘munições químicas’ e ‘bombas de barril’ supostamente lançadas pelas forças governamentais da Síria, [encenação também] da falsa prestação de assistência pelos socorristas disfarçados de Capacetes Brancos e [participação na] gravação de cenas para ulterior divulgação nas mídias em inglês e do Oriente Médio. (…)” (Acréscimos feitos no original para tornar a redação mais compreensível).

Além disso, afirmou que o ataque estaria sendo planejado para os próximos dois dias, contando do momento em que fez a declaração, domingo, dia 26 de agosto, ou seja, para até hoje, dia 28, terça-feira, embora seja possível admitir que também está no seu cenário que ocorra ainda esta semana. Especificou de forma clara: “Planeja-se efetuar um ataque com munições com substâncias tóxicas a partir de lançadores de foguetes nas próximas 48 horas contra o povoado de Kafer Zaita, situado seis quilômetros para sul de Habit”.

Logo do Hayyat Tahrir al-Sham

Os detalhes da acusação são muito específicos, razão pela qual a comunidade internacional tem ficado atenta, e vem levando em consideração a alta probabilidade de que algo realmente poderá ocorrer, independentemente de quem será o responsável por esse alegado ataque químico, e de ele ser real ou encenado, caso se confirmem essas denúncias que vem sendo feitas. Trazendo mais elementos, Konashenkov também detalhou: “Pelas informações confirmadas simultaneamente por várias fontes independentes, o agrupamento terrorista Tahrir al-Sham [novo nome adotado depois do desgaste sofrido pelo reconhecidamente nefasto do bando Frente al-Nusra] está realizando os preparativos para mais uma provocação com ‘uso de armas químicas’ para seguir com as denúncias vazias de que seriam crimes das forças governamentais sírias contra a população civil da província de Idlib. (…)”.

Além desses, há outros fatos que estão sendo apresentados pelos russos como confirmadores das suspeitas:

  1. segundo informações, o destroyer estadunidense USS The Sullivans chegou ao Golfo Pérsico, e um bombardeiro B-1B foi transferido para base militar no Qatar.
  2. a declaração de John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA, dada em coletiva de imprensa no dia 22, quarta-feira da semana passada, afirmando que os sírios (no caso, o Governo sírio) “devem pensar bem antes de fazer uso de armas químicas contra a população de Idlib”. Isso pôde ser visto como uma falha de comunicação no planejamento dos norte-americanos, pois anunciaram antecipadamente o evento, ou seja, acabam robustecendo as suspeitas e dando mais força às acusações da Rússia de que os ocidentais estão provocando a situação de novo embate e serão os responsáveis pelo alegado ataque com armas químicas, mesmo que seja apenas uma encenação. A exceção para a declaração de Bolton se daria se houvesse trazido dados do serviço de inteligência. Neste caso, seriam necessárias mais informações e com detalhamento, tal qual foi feito pelo Governo russo, ao invés de fazer apenas a ameaça.

John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA

Com base no que tem sido divulgado na imprensa, deve-se acrescentar a esses dois pontos a significativa retirada dos 230 milhões de dólares de doação dos EUA do fundo de estabilização para a Síria, algo que vem sendo interpretado como um recuo estadunidense em apoiar o processo de pacificação do país, devido ao caso de a guerra estar caminhando para um desfecho favorável a Assad, algo contrário aos interesses norte-americanos, tanto que o porta-voz da diplomacia dos EUA, Heather Nauert, declarou que “O presidente (Donald Trump) deixou claro que estamos preparados para permanecer na Síria até uma derrota duradoura do EI (grupo Estado Islâmico), e seguimos centrados em garantir a retirada das forças iranianas e de seus aliados”. Observadores entendem que isso mostra que pretendem permanecer, mas gera a interpretação de que o objetivo mais importante é impedir os avanços dos seus adversários na região.

Outro fato relevante é a situação interna nos EUA, em que o presidente Donald Trump vem sendo submetido a críticas e constantemente surgem ameaças de que poderá ser solicitado o seu impeachment. Ou seja, uma ação externa, ainda mais dessa natureza – envolvendo direitos humanos, a Rússia, o Irã, e a Síria – poderia desviar o foco da crise pessoal que vive o mandatário norte-americano, algo que lhe impulsiona a tomar tal decisão, ou seja, realizar um bombardeio punitivo contra um ataque com armas químicas.

Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017

Trazendo mais elementos que aumentam a probabilidade de que algo poderá acontecer em breve, o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, respondeu à afirmação de Bolton declarando que “Todas as forças estrangeiras que estão lá sem o convite do governo sírio devem eventualmente retirar-se”, tendo disso isso após o Assessor para Segurança Nacional dos EUA também ter alegado que a saída do Irã e seus aliados do território sírio era uma condição para a resolução do conflito.

Nesse sentido, há indícios de que o processo de paz dificilmente será alcançado, ocorrendo, pelo contrário, um exercício de preservação do impasse que se vive, em que, de um lado, não haverá apoio para a pacificação sem que ocorra a saída de Assad, a retirada do Irã e seus aliados, e a exclusão da influência russa na área; de outro, que a pacificação só terá resultado se Assad for preservado e os ocidentais retirados da Síria, bem como reduzidas as suas presenças na região.

Complementarmente, os turcos alertaram aos russos que seria um desastre uma solução militar em Idlib, último baluarte da resistência síria ao governo Assad. O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, em coletiva de imprensa em Moscou, ao lado de Serguei Lavrov, foi enfático ao dizer isso: “Uma solução militar causaria uma catástrofe não somente para a região de Idlib, mas também para o futuro da Síria. Os combates podem durar muito tempo, os civis se verão afetados”. O russo, por sua vez, completou: “Quando foi criada uma zona de distensão em Idlib ninguém propôs utilizar esta região para que combatentes (…) se escondessem e utilizassem os civis como escudos humanos. (…). Não apenas ficam lá, como há ataques e disparos permanentes vindos desta zona contra as posições do exército sírio”.

Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu

A Turquia, que apoia grupos rebeldes, prevê que o Exército sírio faça um ataque naquela região, mas não cita a probabilidade do uso de armas químicas, por isso está alertando para que não ocorra ação militar e está em negociações com a Rússia, uma vez que seus interesses estão convergindo cada vez mais com os russos e distanciando-se constantemente dos ocidentais, tanto que, no mesmo encontro, Mevlüt Cavusoglu declarou: “No entanto, é muito importante que esses grupos radicais, os terroristas, sejam neutralizados. É também muito importante para a Turquia, pois eles estão do outro lado da nossa fronteira. Representam antes de tudo uma ameaça para nós”. Reforçando esta convergência, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, declarou, referindo-se positivamente à Turquia: “Graças aos esforços de nossos países, com participação de outros países interessados, especialmente do Irã (…), conseguimos avançar claramente na solução da crise síria”.

Diante do quadro, a denúncia e acusação feita sobre a suposta encenação de ataque com armas químicas começa a ganhar foro de alta probabilidade, uma vez que uma resposta à ação dessa natureza supostamente promovida pelo governo sírio fecha o círculo estratégico momentâneo das três potências da OTAN (EUA, Reino Unido e França), trazendo ainda mais elementos para retardar a crescente convergência entre Rússia e Turquia, bem como mais subsídios aos esforços para impedir a pacificação do país de uma maneira que não contemple o melhor cenário para os Ocidentais, ou seja: pacificação da Síria com a saída de Assad; a retirada do Irã e grupos aliados dos iranianos do território sírio; e afastamento da influência russa no país que surgiria desse processo, bem como na região médio oriental.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Print Screen da Região de Idlib destacada em rosa retirado do Google Maps” (Fonte):

https://www.google.com.br/maps/place/Idlib,+S%C3%ADria/@35.9334051,36.6421011,7z/data=!4m5!3m4!1s0x152500e6cc6ed27b:0xe59a7e2f651fc24c!8m2!3d35.8268798!4d36.6957216

Imagem 2 Majorgeneral Igor Konashenkov com jornalistas em ElKarjatein, na Síria, em abril de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Igor_Konashenkov#/media/File:Igor_Konashenkov_(2016-04-08).jpg

Imagem 3 Logo do Hayyat Tahrir alSham” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tahrir_al-Sham#/media/File:Hayyat_Tahrir_al-Sham_logo.jpg

Imagem 4 John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_R._Bolton#/media/File:John_R._Bolton_by_Gage_Skidmore.jpg

Imagem 5 Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:President_Trump_Meets_with_Russian_Foreign_Minister_Sergey_Lavrov_(33754471034).jpg

Imagem 6 Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mevlüt_Çavuşoğlu#/media/File:Çavuşoğlu.jpg

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Fornecimento de energia venezuelana à Roraima mostra cenário do planejamento estratégico brasileiro no setor

Em face aos debates entre Governo Federal brasileiro e o Governo do Estado brasileiro de Roraima que vem sendo disseminado na mídia, as dúvidas sobre uma solução planejada para crise envolvendo imigrantes venezuelanos no Brasil têm sido mantidas. Conforme apontam especialistas, as respostas dadas pelo Governo Federal apresentam características de serem paliativos, diante de problemas que adquiriram força ao ponto de poder extrapolar o limite suportável pelo Governo regional. Um dos problemas que envolve indiretamente a população venezuelana no Brasil acaba sendo a dependência de Roraima da energia elétrica vinda do vizinho que tem gerado esta onda de migrantes em território roraimense.

Linha de Transmissão

A situação do fornecimento de energia é um dos tópicos que tem sido debatidos, criando na imprensa questionamentos acerca de um provável erro de planejamento brasileiro que se estende por muitos anos, apesar dos diálogos momentâneos em que se objetiva mostrar que não há riscos para o Estado de Roraima, especialmente neste segmento da energia elétrica.

Na sexta-feira da semana passada, dia 24 de agosto, o presidente da Eletrobrás, Anselmo Brasil, declarou que o país espera o corte de fornecimento da Venezuela, dando efeito a ofício enviado em junho deste ano (2018), graças a uma dívida que o Brasil tem com o vizinho, mas que isso não significará apagões, pois as 5 usinas termoelétricas estão prontas para abastecer os 15 municípios de Roraima.

Conforme afirmou: “Estamos esperando a qualquer momento que isso possa ocorrer [desligamento da Venezuela] e estaremos aqui com as nossas usinas de prontidão. Sempre que a Venezuela sai, a gente entra com as nossas térmicas. Então elas vão simplesmente trabalhar de forma contínua. (..). Caso seja deflagrada a situação, o combustível deve chegar em Boa Vista no prazo de 20h a 24h. O combustível será subsidiado, como ocorre atualmente, e não terá aumento da tarifa de energia por conta desse tipo de operação mais intensa”. Além disso, declarou que, em relação à dívida, “Não é que o Brasil não queira pagar, é que a Venezuela não consegue receber”, não deixando claro o que tal afirmação significa.

Seguindo este caminho, o Governo estadual tem estocado óleo diesel, já faz algum tempo, pois se calcula que, com o fim do fornecimento venezuelano, haverá acervo para apenas 4 dias para as usinas, desejando-se que seja elevado para 8, até chegar a 15, tal qual declarou Fábio Lopes Alves, Secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil, já em março deste ano (2018): “Realmente tínhamos de buscar uma alternativa, uma ação de backup mesmo. Como a situação na Venezuela está cada vez mais precária, não nos resta outro caminho senão adotar essa medida emergencial”.

Logo da Transnorte Energia

Ressalte-se, contudo, que também faz tempo que estão previstas medidas para acabar com a dependência da energia vinda da Venezuela, com um pacote de construção de usinas solares, eólicas, biomassa e biogás (investimentos previstos de 2,5 bilhões de reais), visando reduzir a dependência das usinas térmicas a óleo, que, além de serem mais poluentes, são mais caras. As novas usinas serão leiloadas, mas a previsão de operação é para 3 anos após o leilão, e se forem cumpridos os prazos. Em relação aos custos envolvidos nas termoelétricas, a título de exemplo, excluindo-se totalmente a importação que está sendo feita, a geração de energia elétrica seria de 160 milhões de reais por mês, ou 1,95 bilhão de reais por ano.

A alternativa adequada, que traria libertação desse problema, a construção da linha que sairia de Manaus (Estado do Amazonas) até Boa Vista (Estado de Roraima), passa por problemas judiciais envolvendo a concessionária Transnorte Energia, da Alupar e Eletronorte, que tenta devolver a concessão e obter indenização, pois está há seis anos sem obter a licença ambiental para executar o projeto, e o governo nega fazê-lo, bem como ainda não deu solução para as licenças. O problema é que a linha projetada atravessa as terras indígenas Waimiri Atroari, com 31 aldeias e 1,6 mil índios. A indenização que a Transnorte Energia cobra é de 534 milhões de reais, a preços nos valores de 2016, devido aos gastos que teve, desde a infraestrutura construída até pessoal especializado.

Diante das queixas que a governadora roraimense Suely Campos vinha fazendo, o presidente brasileiro Michel Temer fez reunião no dia 31 de julho passado (2018) com equipe de Ministros e com o presidente da Funai, Wallace Moreira Bastos, mas não chegou a um termo e outra reunião foi marcada para o passado dia 20 de agosto, na segunda-feira passada, na qual foram respaldadas as medidas adotadas no domingo, dia 19, em que se garantiu o que havia sido feito antes e foi aumentado o efetivo da Força Nacional em 120 membros. Ou seja, a reunião de emergência foi a de domingo, já a de segunda tinha sido agendada desde o final de julho.

Conforme apontam os observadores, a situação demonstra que o planejamento sofreu perdas e isto não é recente, envolvendo vários governos ao longo dos anos. É possível citar, a título de ilustração, que já em 2009 houve a discussão se ocorreria ou não apagão no Estado de Roraima, pois, na época, a Venezuela, já a sua fornecedora de energia*, vivia a crise de abastecimento de água e eletricidade. No mesmo momento, Cláudio Alípio Santos, gerente regional da Eletronorte, declarou que o que ocorreria no país vizinho não trazia riscos para o Brasil, pois, conforme afirmou, “a falta de energia não tem nada a ver com o Linhão de Guri e nem com o Brasil. Temos um contrato de relacionamento que será cumprido. A Venezuela tem reserva técnica, e não houve nenhuma conversa no sentido de existir algum desligamento”.

Capa do Relatório Final da CPI destinada a investigar a formação dos valores das tarifas de energia elétrica no Brasil

Tal afirmação, no entanto, não retirou o questionamento ocorrido e traz indagações para os dias atuais. Naquele ano, em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, tratando da “formação de valores na formação das tarifas da elétrica no Brasil…”, foi produzido Relatório Final, no qual afirmou-se o seguinte sobre o fornecimento para Roraima (Os destaques negritados são acréscimos feitos à citação original para aumentar os esclarecimentos):

  1. O estado roraimense pagou cerca de US$ 90 milhões (quase de R$ 153 milhões, na cotação da época, sendo hoje cerca de 369,2 milhões de reais), devido à construção da rede de energia na Venezuela;
  2. Pagou US$ 100 milhões (ou R$ 170 milhões, na época, sendo hoje cerca de 697,4 milhões de reais), para à rede entre Pacaraima, cidade de Roraima na fronteira com a Venezuela, até Boa Vista, capital do Estado, e subestações.
  3. Pagava por ano cerca de US$ 1 milhão (hoje, aproximadamente, 4,1 milhões de reais, na cotação de 24 de agosto de 2018) ao Governo venezuelano para a conservação da rede de energia.

Ou seja, conforme mostram os analistas na mídia, os dados obtidos e divulgados apresentam que a dependência do fornecimento energético venezuelano decorre de descompasso, falta de execução e planejamento incompleto para que os investimentos adequados fossem feitos em território brasileiro, pois chegaram a ser realizados na Venezuela para a garantir o fornecimento ao Brasil.

Além disso, aponta-se que os recursos que poderiam ter sido aplicados no país não ocorreram devido aos problemas burocráticos, envolvendo principalmente as licenças ambientais e os desentendimentos entre as esferas governamentais e demais instâncias políticas, jurídicas e burocráticas do Estado brasileiro, situação que perdura, levando à construção de cenários não favoráveis à resolução da crise no segmento.

Ressalte-se que esta crise no setor de energia é um dos pontos que afetam o problema de ter meios que contemplem as exigências mínimas para receber adequadamente a migração venezuelana no Brasil, além de envolver as relações bilaterais entre os dois países, sabendo-se que os imigrantes estão saindo do seu país para fugir da crise econômica, política e humanitária na Venezuela, cujo governo, neste momento, tem relações mais tensas com o governo brasileiro, diferentemente do que ocorria antes, quando recebia apoio.

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Nota:

* A fase número um do Complexo Hidrelétrico de Guri/Macaguá foi inaugurada em 2001, na fronteira da Venezuela com Brasil, logo na fronteira brasileira pertencente ao Estado de Roraima, iniciando o fornecimento venezuelano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A Interligação de linhas elétricas VenezuelaBrasil” (Fonte):

http://www.eletronorte.gov.br/opencms/opencms/pilares/transmissao/estados/roraima

Imagem 2 Linha de Transmissão” (Fonte):

http://www.eletronorte.gov.br/opencms/opencms/pilares/transmissao/estados/roraima

Imagem 3 Logo da Transnorte Energia” (Fonte):

http://www.tnesa.com.br

Imagem 4 Capa do Relatório Final da CPI destinada a investigar a formação dos valores das tarifas de energia elétrica no Brasil…” (Fonte):

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/parlamentar-de-inquerito/53a-legislatura-encerradas/cpitaele/relatorio-final-aprovado/Relatorio%20Final%20-%20CPITAELE.pdf