NOTAS ANALÍTICASSociedade Internacional

Mexicanos criam grupo de autodefesa em Guerrero

No último domingo (28 de maio), o representante municipal de Mezcala, no Estado de Guerrero, Leonardo Ávalos Ferrer, apresentou um novo grupo de autodefesa formado por civis para proteger a cidade da violência de duas facções criminosas (Guerreros Unidos e Los Rojos) que atuam na região. Em Mezcala operam duas grandes empresas de mineração canadenses, Goldcorp e Media Luna, responsáveis pela maior exploração de ouro do Estado. Ainda no mesmo dia (28 de maio), apoiados pelas empresas mineradoras, a população de Mezcala chegou a bloquear a estrada que interliga a Cidade do México (capital do país) à cidade da Acapulco, no litoral oeste, em protesto contra a inação do governo frente à violência.

Localização do Estado de Guerrero. Fonte: Wikipedia

Os grupos locais de autodefesa extralegal têm se tornado um fenômeno comum em áreas rurais do México, particularmente nas comunidades indígenas no Sul, desde o final da década de 1990. Entretanto, a partir de 2013, esses grupos passaram a emergir com mais frequência em todo o país, exacerbando a descrença dos mexicanos na disposição do Governo em protegê-los.

Presidente do México, Enrique Peña Nieto. Fonte: Wikipedia

Desde a expansão desse fenômeno, o atual Presidente, Enrique Peña Nieto, vem tentando desenvolver uma política de segurança mais eficaz, mas de 2013 para cá esses grupos ganharam uma legitimidade pública que nem as polícias locais possuem. Para alguns especialistas, ao invés de tentar dissolver essas forças, as autoridades mexicanas devem discernir entre aqueles que atuam legitimamente com o apoio público local e aqueles que atuam com segundas intenções (como a exploração de minas clandestinas).

Para José Manuel Mireles, médico cirurgião e ex-líder de um grupo de autodefesa que chegou a comandar um exército popular com 25 mil trabalhadores, entre 2013 e 2014, no Estado de Michoacán, os grupos de autodefesa não são uma escolha, mas uma necessidade. Mireles conta que passou 12 anos denunciando ativamente a violência dos Caballeros Templários (Cartel) para as autoridades locais (como Ministério Público), até seus amigos, familiares e vizinhos serem assassinados. A partir daí, decidiu criar o grupo de autodefesa. “Só pedimos três coisas ao Governo Federal: uma segurança pública eficiente; uma justiça imparcial; e o reestabelecimento do Estado de Direito”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Protesto contra o Governo Federal” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Enrique_Pe%C3%B1a_Nieto

Imagem 2Localização do Estado de Guerrero” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Guerrero

Imagem 3Presidente do México, Enrique Peña Nieto” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Enrique_Pe%C3%B1a_Nieto

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Acordo sobre livre comércio Transpacífico segue sem participação dos Estados Unidos

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para retirar os Estados Unidos de um dos acordos econômicos mais ambiciosos do mundo, conhecido como Parceria Transpacífico (TPP, sigla em inglês), seguindo sua promessa de campanha e aproveitando a não ratificação da Parceria pelo Congresso estadunidense, em 24 de janeiro de 2017. Segundo Trump, o acordo multilateral prejudicava a produção fabril do país e a retirada favorece a criação de novos empregos em território norte-americano.

Barack Obama e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Fonte: Wikipedia

O TPP é resultado de quase uma década de negociações que buscam liberalizar o fluxo de bens entre 12 países banhados pelo Oceano Pacífico, sendo considerado uma grande conquista da gestão do presidente Barack Obama. A participação dos Estados Unidos visava diminuir tarifas de milhares de itens, além de tentar unificar as leis sobre direitos autorais de seus membros. Não obstante, criar um Acordo de Livre Comércio com diversos Estados do Pacífico – responsável por 40% da economia global – era a estratégia de Obama para isolar comercialmente a China, trazendo os membros para sua zona de influência econômica.

Logomarca da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). Fonte: Wikipedia

Entretanto, mesmo com a desistência dos norte-americanos, os outros 11 participantes do acordo (Japão, Canadá, Austrália, México, Peru, Chile, Nova Zelândia, Singapura, Malásia, Brunei e Vietnã) decidiram continuar com as tratativas, após um encontro paralelo à reunião ministerial da

Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Hanói (Vietnã). A continuidade das negociações busca concluir a Parceria ainda este ano (2017), antes que outras possíveis reuniões ocorram em novembro.

Segundo o ministro australiano Steve Ciobo, responsável pelo comércio, turismo e investimentos, “é importante deixar a porta aberta para os Estados Unidos. O acordo pode não se adequar aos interesses dos Estados Unidos neste momento para fazer parte do TPP, mas as circunstâncias podem mudar no futuro”. Além do Ministro, todos os representantes comerciais presentes no encontro se declararam prontos para definir os últimos detalhes e deixar espaço para que os norte-americanos retomem as negociações, caso decidam recuar.

A pressa dos países em finalizar o TPP se dá pelo receio de uma retração dos mercados internacionais, motivados pelo possível isolacionismo de alguns governos considerados como conservadores, como o de Donald Trump, e pela dificuldade das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para promover o livre comércio. Embora exista ainda alguma expectativa de que Trump reavalie a participação estadunidense no grupo, seu representante comercial, Robert Lighthizer, ressaltou que os Estados Unidos não voltarão para o TPP e seguirá com a estratégia de fechar acordos bilaterais (com Canadá e México, por exemplo).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Países membros do acordo TPP em verde escuro e interessados em aderir em verde claro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parceria_Transpac%C3%ADfico

Imagem 2Barack Obama e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

Imagem 3Logomarca da Cooperação Econômica ÁsiaPacífico (APEC)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coopera%C3%A7%C3%A3o_Econ%C3%B4mica_%C3%81sia-Pac%C3%ADfico

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]México é apontado como país com mais homicídios estando depois da Síria[:]

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Não é comum que o nível de violência do crime organizado seja comparado ao de países em guerra. Entretanto, é o que está ocorrendo no México e na região do Triângulo Norte da América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala). De acordo com a última edição da pesquisa sobre conflitos armados, produzida pelo Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês), os quatro países juntos somaram 39 mil homicídios em 2016. Sozinho, o México aparece em segundo lugar no ranking mundial de homicídios (23 mil), atrás apenas da Síria. E os números atuais são preocupantes. Em março de 2017 foram 2.020 assassinatos. Número recorde desde junho de 2011, época em que o então presidente Felipe Calderón instituiu uma política de “guerra as drogas”.

Para o Ministério das Relações Exteriores e do Interior, o “México está longe de ser o país mais violento do mundo”, pois, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a taxa de homicídios de 16,4 assassinatos por 100 mil habitantes do México é menor que a do Brasil (25,2 assassinatos por 100 mil habitantes), Venezuela (53,7 assassinatos por 100 mil habitantes) e Honduras (90,4 assassinatos por 100 mil habitantes).

O impacto da violência tem consequências na atividade empresarial, no desenvolvimento socioeconómico, no funcionamento das instituições e no Estado de Direito. De acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), até o início de 2016, aproximadamente 35,4 mil pessoas foram forçadas a se deslocar internamente no México em decorrência da violência e das condições sociais.

E é justamente em função da fraqueza das instituições estatais e do baixo desenvolvimento socioeconômico que a violência se consolidou, segundo a pesquisa. Ou seja, é um círculo vicioso. Além disso, seu aumento atual está ligado à corrida armamentista travada entre as forças de segurança e as organizações criminosas. A estratégia dos carteis (dos Zetas, de Sinaloa e de Jalisco, por exemplo) é atuar de forma “hiperviolenta” para assustar a população local, desestimular os rivais (inclusive o Estado) de disputar territórios e maximizar a extorsão às empresas.

A corrupção institucional mexicana é outro fator que aumenta a dinâmica das atividades criminosas. A polícia tem sido uma instituição problemática para a administração do presidente Peña Nieto. Em 2014, 43 estudantes desapareceram após protestarem contra uma família de políticos do Estado de Guerrero, ligados ao grupo criminoso Guerreiros Unidos. Os investigadores suspeitam que a polícia tenha entregue os estudantes aos Guerreiros Unidos para matá-los, embora o caso ainda não tenha sido solucionado.

Por fim, o relatório aponta que saída para a crise de violência mexicana estaria na reforma da polícia e numa nova estratégia de segurança pública. Seria necessário maior investimento em políticas multidimensionais envolvendo forças militares, aplicação da lei, planejamento urbano, infraestrutura e tecnologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Arundel House, sede do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos em Londres” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/International_Institute_for_Strategic_Studies

Imagem 2Rotas de tráfico de drogas no México” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_Drug_War

Imagem 3Veículos blindados da Polícia Federal mexicana” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Fuerza_policiales_por_pa%C3%ADs

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AMÉRICA LATINADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]Governo mexicano intensifica guerra contra roubo de combustíveis no Estado de Puebla[:]

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No dia 6 de maio, o Governador do Estado de Puebla, Antonio Gali Fayad, declarou que vai intensificar a segurança dos oleodutos da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), os quais atravessam o Estado e são alvos de organizações criminosas. Tal ação de segurança será feita conjuntamente com o Governo Federal do país e envolve cerca de 2.500 militares, além de blindados e helicópteros, sendo uma resposta ao ataque de criminosos contra uma patrulha do Exército realizada no dia 4 de maio, que resultou na morte de quatro militares.

Após o ataque, o presidente Peña Nieto condenou o que chamou de “atos covardes contra o exército mexicano”, quando prestou condolências aos familiares das vítimas e prometeu punir os responsáveis, por meio de um plano estratégico de segurança que buscará acabar com o roubo de combustíveis no país.

Esta região do Estado de Puebla é conhecida como Triângulo Vermelho, uma das áreas mais violentas do país, dominada por diversas facções criminosas, como o cartel dos Zetas. De acordo com a estatal Pemex, durante 2016 foram detectadas aproximadamente 6.846 perfurações ilegais em todo o país, das quais 23% eram em Puebla, somando um prejuízo total de 11,6 milhões de pesos (aproximadamente 2 milhões de reais) para a empresa.

Conforme declaração de Sergio de la Vega, diretor da empresa petrolífera Gulf México e ex-funcionário da Pemex, “o roubo de combustível no México é um problema de Estado”, pois se trata de uma atividade antiga, que vêm sendo intensificada há 15 anos.

Além disso, Tomás Guevara Martínez, professor da Universidad Autónoma de Sinaloa (UAS), destaca que o roubo de combustíveis, em alguns casos, já substituiu o tráfico de drogas de algumas facções, também colocando em risco a vida de milhares de civis.

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Fontes da Imagens:

Imagem 1 Soldados mexicanos durante uma confrontação em Michoacán, em agosto de 2007” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_Drug_War

Imagem 2Típico posto de gasolina da empresa estatal Pemex” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Pemex

Imagem 3Soldados mexicanos capturam suposto membro de cartel em Michoacán” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_Drug_War

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