NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Irã e Arábia Saudita intensificam duelo pela influência no Paquistão

As relações entre a República Islâmica do Irã e o Reino da Arábia Saudita têm sido historicamente marcadas por fortes tensões diplomáticas na busca pelo controle geopolítico regional. Tal defrontação inclui desde as interpretações do Islã e Alcorão, a aspiração pela liderança do mundo islâmico, a política de exportação de petróleo até as relações com Estados Unidos e demais Estados do ocidente.

Primeiro-Ministro do Paquistão, Imran Khan

A Arábia Saudita é uma Monarquia conservadora absoluta constituída em 1932, a qual interpreta o islã desde a visão sunita. Já o Irã Moderno, criado após a Revolução Iraniana em 1979, possui um sistema político com alguns elementos de uma Democracia parlamentarista, mas que é supervisionado por um governo teocrático xiita, cuja autocracia está sob responsabilidade do Líder Supremo.

Por outro lado, a República Islâmica do Paquistão foi fundada em 1947 e, após uma série de guerras civis, em 1973 uma nova Constituição foi estabelecida, mantendo o status de República Parlamentar e determinando a concordância das leis com a interpretação do islã.

Após a eleição do novo Primeiro-Ministro do Paquistão, Imran Khan, em agosto de 2018, Riad e Teerã têm iniciado uma disputa de poder pela busca de influência no Estado sul-asiático. A sua importância estratégica se deve ao fato de ser o segundo país mais populoso do mundo islâmico, bem como possuir armas nucleares. Adicionalmente, cerca de 1,5 milhão de paquistaneses vivem na Arábia Saudita. Já Paquistão e Irã compartilham uma fronteira de 900 quilômetros.

Tradicionalmente, a relação entre Islamabad e Riad* é naturalmente próxima. O caso mais emblemático é a cooperação entre ambos países em conjunto com a CIA na defesa do Afeganistão, ocupado, na década de 1980, pelo Exército da União Soviética. Somado a isso, um braço do Exército paquistanês está presente em território saudita com o propósito de proteger a monarquia de ameaças internas e externas. E, em contrapartida, Arábia Saudita fornece uma assistência econômica ao aliado, a qual tem contribuído aos desafios enfrentados pelos paquistaneses. 

Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari

No entanto, esta relação bilateral tem sido levemente deteriorada desde o início da guerra no Iêmen, quando a Monarquia saudita solicitou que o Exército do Paquistão se unisse contra os rebeldes Houthis** na guerra civil iemenita. Na época, o primeiro-ministro Nawaz Sharif levou tal demanda ao Congresso, que refutou o envio de soldados.

Por outro lado, a equipe ministerial de Khan tem flertado com a possibilidade de aproximação de Islamabad e Teerã. Uma visita do Ministro das Relações do Irã, Mohammad Javid Zarif, está programada para este ano (2018). Além disso, a Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari, tem criticado veementemente a presença dos sauditas no Iêmen, bem como tem defendido a finalização do projeto de construção de gasoduto entre Irã e Paquistão e apoiado uma aliança bilateral entre ambos países na luta pelo fim da guerra no Afeganistão.

Finalmente, analistas no tema reconhecem que o Paquistão, sob a liderança de Khan, pode aliviar as tensões entre iranianos e sauditas e, consequentemente, abrandar a polarização existente na região, a qual gera danos humanitários irreversíveis.

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Referências:

* Islamabad e Riad são, respectivamente, as capitais de Paquistão e Arábia Saudita, referindo-se, aqui, aos Governos dos dois países.

** Grupo opositor ao atual Presidente do Iêmen, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, e principal rival na Guerra Civil Iemenita. Houthis, também conhecido como Ansar Allah, é um movimento político-religioso de maioria xiita constituído na década de 1990, após a unificação do país. Dentre os seus aliados na guerra encontram-se Irã, Síria, Rússia e Coreia do Norte.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Localização do Irã e Arábia Saudita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/Iran_Saudi_Arabia_Locator.svg

Imagem 2PrimeiroMinistro do Paquistão, Imran Khan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Prime_Minister_of_Pakistan#/media/File:Imran_Khan_2012.jpg

Imagem 3Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari” (Fonte):

http://www.mohr.gov.pk/index.php/home/minister

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Mortes em ataque terrorista ocorrido em desfile militar no Irã

No dia 22 de setembro, o Irã celebrou o Hafte Defâ Moqaddas* (traduzido como a Semana da Defesa Sagrada). Desfiles militares foram realizados em todo o país com o propósito de relembrar a bravura e a coragem dos soldados que foram à guerra entre Irã e Iraque (1980-1988).

Em Teerã, participaram da celebração lideranças do governo e da Guarda Revolucionária do Irã. Já o desfile principal, realizado na capital, contou com a participação da Marinha, das Forças Armadas, Forças Terrestres do Exército, Divisão Aérea e da Polícia.

Localização da província de Khuzestan

Na cidade de Ahvaz, província de Khuzestan, região sudoeste, o desfile foi interrompido após quatro homens armados e disfarçados com uniforme militar atirarem nos soldados e no público. As mortes foram contabilizadas em um total de 25, incluindo 8 membros da Guarda Revolucionária Iraniana e aproximadamente 70 pessoas foram feridas.

Inicialmente, as acusações do governo de Rouhani culpavam pelo ataque células do grupo Estado Islâmico (EI) infiltradas no país, uma vez que as Forças Armadas iranianas têm entrado em constantes combates contra o EI no Iraque e fornecendo apoio ao exército do Presidente da Síria, Bashar al-Assad. Mais tarde, assessores governamentais, em conjunto com o órgão de inteligência do país, anunciaram em TV estatal que a responsabilidade pelo atentado foi de grupos separatistas árabes. Este comunicado foi realizado após o Movimento de Luta Árabe pela Liberação de Ahwaz (MLALA) ter assumido a autoria.

O MLALA, também conhecido como Al-Ahwaziya, é um grupo nacionalista insurgente criado em 1999, o qual luta pela independência da província de Khuzestan. Esta região tem uma comunidade de maioria sunita, contrária ao governo xiita de Teerã e historicamente tem sido alvo de disputa entre as administrações centrais do Iraque e Irã, sendo um dos principais palcos de conflito durante a guerra entre ambos os países de 1980-1988. Adicionalmente, este território possui a maior reserva de petróleo do Estado persa e, em 2016, foi responsável por dois terços da produção de petróleo iraniano.

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Nota:

* Celebração realizada anualmente que comemora o 38o aniversário do início da guerra entre Irã-Iraque em 1980.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Desfile em Ahvaz após ataque de atiradores” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ahvaz_military_parade_attack#/media/File:2018_Ahvaz_military_parade_attack_01.jpg

Imagem 2Localização da província de Khuzestan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Khuzestan_Province#/media/File:IranKhuzestan-SVG.svg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Incertezas pairam na criação de novo governo no Iraque

Segunda-feira, dia 3 de setembro, foi realizada a primeira sessão no Parlamento iraquiano após as eleições nacionais em maio (2018). O objetivo da reunião era definir o orador do Parlamento. No entanto, uma disputa e indecisão sobre qual bloco de partidos havia obtido o maior número de assentos adiou o encontro para o dia 15 de setembro.

Após as eleições, as coalizões que obtiveram um maior número de votos, consequentemente, alcançaram um maior número assentos no Parlamento, porém, nenhuma destas logrou alcançar 165 cadeiras para chegar a uma maioria. Dessa forma, as coalizões passaram a aglomerar-se com o intuito de construir alianças a fim de obtê-la.

Dentre as coalizões vencedoras do pleito estão o Movimento Sadrista, liderado pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr, que criou um novo partido chamado Istiqama (Integridade); seguida pela coalizão Fatah (Conquista), a qual é comandada por Hadi al-Amiri, líder da Organização Badr; e em terceiro lugar a aliança Nasr al-Iraq (Vitória do Iraque), encabeçada pelo atual Primeiro-Ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Encontro entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o Primeiro-Ministro, Haider al-Abadi em 2017

Um dia anterior a reunião, o Movimento Sadrista formou parceria com a coalizão Nasr al-Iraq, o que permitiu obter um total de 180 assentos. Poucas horas depois, contudo, a coalizão liderada pelo predecessor de al-Abadi, Nour al-Maliki, e a Fatah, de Hadi al-Amiri, anunciaram que haviam conseguido 145 cadeiras e afirmaram que alguns parlamentares da aliança Abadi-Sadr tinham desertado do grupo. Esta declaração gerou revoltas e desconcertos no Parlamento e, desta forma, como estavam presentes apenas 85 dos 329 parlamentares e o tema em discussão eram os respectivos números de cada coalizão, a reunião foi cancelada e adiada para outra data.

A luta pelo poder reflete a divisão entre os xiitas, os quais representam a maioria no Iraque, e a influência dos seus dois principais aliados, os Estados Unidos e o Irã, que, apesar de serem inimigos no palco regional, apoiaram o governo de Bagdá na guerra contra o Estado Islâmico de 2014-2017.

Amiri e Maliki são os dois aliados mais proeminentes do Irã no Iraque, enquanto Abadi é visto como o candidato preferido dos Estados Unidos. Sadr liderou uma milícia xiita antiamericana durante a ocupação do Iraque em 2003-2011 e a guerra civil sectária. Ele agora faz campanha contra a corrupção e se apresenta como um nacionalista que rejeita a influência tanto americana quanto iraniana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da República do Iraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq#/media/File:Flag_of_Iraq.svg

Imagem 2Encontro entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o PrimeiroMinistro, Haider alAbadi em 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq#/media/File:Haider_al-Abadi_and_Donald_Trump_in_the_Oval_Office,_March_2017.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministro das Finanças do Irã é impichado pelo Parlamento

No dia 26 de agosto de 2018, o Ministro das Finanças do Irã, Masoud Karbasian, sofreu processo de impeachment* pelo Parlamento, sob a acusação de desvalorização da moeda nacional (Rial iraniano) e pelo agravamento da situação econômica do país. Com 137 votos contra e 121 a favor de sua permanência, Karbasian retirou-se do cargo, concedendo-o a Ali Tayebnia. O novo Ministro das Finanças é descrito por diversas fontes periódicas como um acadêmico de pensamento reformista. Além do mais, ele já fez parte da equipe ministerial do presidente Hassan Rouhani durante os seus quatro primeiros anos de governo.

Após a acusação de 33 membros do Legislativo contra Karbasian, o processo de Impedimento prolongou-se por 10 dias, durante o qual o ex-Ministro foi submetido a diversos questionamentos sobre sua gestão econômica e financeira do país e sobre a alegada incapacidade de criação e implementação de políticas.

Ex-Ministro das Finanças, Masoud Karbasian

A administração Rouhani tem enfrentado múltiplos protestos contra a corrupção, em favor à liberdade feminina e, principalmente, sobre o agravamento da economia persa posteriormente a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano e da reimposição de sanções ao país. Somado a isso, a incerteza gerada em empresas europeias, asiáticas e do Oriente Médio instaladas no Irã tem como consequência o abandono das suas plantas fabris.

As sanções estadunidenses foram dividas em dois momentos. O primeiro pacote teve início no dia 6 de agosto, pelo qual, de acordo com documento do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o Irã está sendo impedido de:

  1. Comprar ou adquirir dólar americano;
  2. Comercializar ouro e outros metais preciosos;
  3. Vender, fornecer ou comercializar metais como alumínio ou aço, bem como grafite, carvão e determinados softwares para integração de processos industriais;
  4. Vender ou comprar significativas quantidades de Rial iraniano, ou realizar manutenção de fundos ou contas fora do país utilizando Rial;
  5. Emitir dívida iraniana;

Além disso, todo setor automotivo foi sancionado. Já o segundo pacote entrará em vigor no dia 5 de novembro com a adição de outros seis impedimentos ao país.

Atual Ministro das Finanças, Ali Tayebnia

Desde que o anúncio foi realizado pelo presidente dos Estados Unidos, cerca de 200 empresas ocidentais que estavam registradas, e tentavam realizar atividades no Irã durante 2018, agora estão deixando o país. Adicionalmente, após o dia 6 de agosto, o valor do Rial iraniano (IRR) em relação ao dólar americano (USD) aumentou aproximadamente 30% entre os meses de abril e agosto. Enquanto que no dia 10 de abril, 1 dólar americano (USD) equivalia a 37.499,00 riais (IRR), no dia 9 de agosto 1 dólar americano (USD) passou a equivaler 48.906,00 riais (IRR).

Como consequência, a inflação elevou-se. Se no mês de abril (2018) a inflação estava por volta dos 7,9%, o mês de julho foi encerrado com 18% de inflação anual. Já a taxa de desemprego nacional subiu para 12,5% e entre os jovens elevou-se para 25%

Como resultado destes e de outros fatores, Ali Tayebnia assume o Ministério das Finanças com o papel de reverter o processo econômico interno enfrentado pelo Irã e recuperar a satisfação popular.

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Nota:

* Por lei, o Parlamento iraniano, também conhecido como Majlis, tem o poder de decisão sobre o impedimento do exercício de cargo do Presidente e de seus Ministros. A nomeação dos Ministros é de responsabilidade do Presidente, no entanto, o Parlamento aceita ou rejeita o indivíduo indicado. Adicionalmente, o Presidente e/ou os membros do Parlamento têm o poder de enviar uma carta ao Legislativo solicitando o impedimento de algum Ministro.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1Parlamento iraniano, conhecido como Majlis” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento_do_Ir%C3%A3#/media/File:Iranian_Majlis.jpg

Imagem 2ExMinistro das Finanças, Masoud Karbasian” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Masoud_Karbasian#/media/File:Masoud_Karbasian_2018.jpg

Imagem 3Atual Ministro das Finanças, Ali Tayebnia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ali_Tayebnia#/media/File:Ali_Tayebnia_speaking_at_Conference_of_Monetary_policy_and_Currency_(cropped).jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Assinatura do Acordo do Mar Cáspio e a geopolítica energética

No dia 12 de agosto, na cidade cazaquistanesa de Aktau, os presidentes do Azerbaijão (Ilham Aliyev), Cazaquistão (Nursultan Nazarbaev), Irã (Hassan Rohani), Rússia (Vladimir Putin) e Turcomenistão (Gurbanguly Berdimuhammedow) assinaram uma convenção relativa à administração do Mar Cáspio e de seus arredores.

Situado em uma zona transcontinental entre a Ásia e Europa, e historicamente utilizado como um importante corredor comercial e de trânsito entre as potências do leste e oeste, a região atraiu notável atenção após a descoberta de uma significativa quantidade de recursos energéticos, incluindo cerca de 50 bilhões de barris de petróleo e de 9 trilhões de metros cúbicos de gás natural.

Mapa Mar Cáspio

Posteriormente ao colapso da União Soviética (URSS), o Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão conquistaram suas independências e, como consequência, não apenas obtiveram o direito sobre o mar territorial do Cáspio, mas também poderiam usufruir e explorar seus recursos naturais. No entanto, disputas e discordâncias entre os governos centrais dos Estados limítrofes ao mar sobre demarcação de fronteiras resultou em uma limitada capacidade de exploração dos recursos aquífero e energético.

Um dos principais temas em divergência é definir se o Cáspio é um mar ou um lago. Enquanto que no primeiro caso a divisão se estenderia da margem litorânea de cada Estado até um ponto intermediário da água, no segundo a distribuição seria igualitária. Por certo nenhum dos cinco Estados foi impedido de ter acesso aos recursos naturais, no entanto, explorações energéticas mais profundas e a criação de projetos de gasodutos que atravessassem o mar foram paralisados.

Primeiramente, a convenção assinada estabeleceu e classificou o Cáspio como um mar, determinando, dessa forma, que cada Estado controle 15 milhas náuticas de água da sua costa para a exploração mineral e 25 milhas náuticas para a pesca, já as outras partes do Mar Cáspio são consideradas águas neutras para uso comum. Somado a isso, foi acordada a proibição da entrada de embarcações militares de países não-caspianos ao mar. Neste último item, cabe destacar que Irã e Rússia se beneficiam com esta decisão, uma vez que ambos os países se preocupam com o aumento da presença dos Estados Unidos e da OTAN na região, principalmente no Azerbaijão.

Apesar da assinatura do acordo ter sido uma conquista após anos de tentativas frustradas, ainda existem diversos temas à espera de resolução. No tocante à problemática ambiental e delimitação do fundo do mar, onde a maior parte dos recursos energéticos são encontrados, será necessário, segundo especialistas no assunto, negociações bilaterais para serem alcançados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Hassan Rouhani em encontro com presidente Vladimir Putin, em Teerã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_32.jpg

Imagem 2Mapa Mar Cáspio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caspianseamap.png

                                                                                   

ÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte chega a Teerã para uma visita diplomática

O Ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong Ho, aterrissou em solo iraniano no dia 9 de agosto com o propósito de realizar uma visita de dois dias ao país. A comitiva norte-coreana foi recepcionada pelo Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif. O objetivo principal do encontro foi discutir as relações bilaterais e as questões regionais do Oriente Médio.

A visita coincidiu com a reimposição de sanções do governo dos Estados Unidos ao Irã, depois que o presidente Donald Trump se retirou do acordo nuclear selado pela administração Obama, em maio de 2015.

Historicamente, Teerã e Pyongyang* cooperam em temas relacionados às esferas educacional, científico, econômico e cultural e a aliança entre ambos países foi fortalecida, após a Revolução Iraniana de 1979 e o estabelecimento da República Islâmica.

De acordo com estudo realizado pelo Congresso dos Estados Unidos, a colaboração e troca de conhecimentos científico e tecnológico de âmbito nuclear entre Irã e Coreia do Norte envolve diversas formas de cooperação clandestina, possivelmente relacionada com armas nucleares. Neste mesmo documento, funcionários da inteligência estadunidense manifestam preocupação sobre a probabilidade de a Coreia do Norte exportar sua tecnologia nuclear ou material físsil.

Ghadir iraniano

Conforme atesta Samuel Ramani, no mês de maio de 2017 o Irã realizou um teste com mísseis desde seu submarino da classe Ghadir** no Estreito de Ormuz. Apesar de o intento não ter sido exitoso, a similaridade entre o Ghadir iraniano e submarino da classe Yono*** da Coreia do Norte alarmou diversos analistas no tema.

Especialistas em defesa do governo dos Estados Unidos declararam que o teste realizado pelo governo persa foi uma prova da continuidade dos trabalhos realizados por Teerã e Pyongyang. Como conclusão, Ramani asserta que a cooperação entre ambos países pode ser explicada por uma desconfiança compartilhada das propostas diplomáticas estadunidenses e pela crença comum de que os países têm o direito de desenvolver mecanismos de autodefesa sem interferência externa.

O segundo dia da visita diplomática foi marcado pelo encontro entre o representante do país asiático e o presidente iraniano Hassan Rouhani. A conversa entre as lideranças foi orientada sobre o futuro acordo nuclear entre norte-coreanos e estadunidenses. Segundo palavras de Rouhani, “os Estados Unidos não são confiáveis. O desempenho da administração dos norte-americanos nesses últimos anos levou o país a ser considerado pouco confiável em todo o mundo, buscando atender a nenhuma de suas obrigações”. E, finalmente, adiciona que, “na situação atual, os países amigos devem desenvolver suas relações e cooperação com a comunidade internacional, o que inclui o Irã e a Coreia do Norte, que sempre tiveram visões parecidas”.

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Notas:                                                                                                                 

* Teerã e Pyongyang são as capitais, respectivamente, do Irã e da Coreia do Norte. Aqui, ao se falar das capitais, significa referir-se aos governos dos dois países.

** Ghadir: é um míssil de cruzeiro anti-navio com um alcance de 330 km.

*** Yono: Submarino de porte mediano que é produzido para uso doméstico e para exportação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Irã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_Iran.svg

Imagem 2Ghadir iraniano” (Fonte):

http://www.nasimonline.ir/Content/Detail/988864/%DA%AF%D8%B2%D8%A7%D8%B1%D8%B4-%D8%AA%D8%B5%D9%88%DB%8C%D8%B1%DB%8C-%D8%A7%D9%81%D8%AA%D8%AA%D8%A7%D8%AD-%D8%AE%D8%B7-%D8%AA%D9%88%D9%84%DB%8C%D8%AF-%D8%A7%D9%86%D8%A8%D9%88%D9%87-%D9%85%D9%88%D8%B4%DA%A9-%DA%A9%D8%B1%D9%88%D8%B2-%D8%AF%D8%B1%DB%8C%D8%A7%DB%8C%DB%8C-%D9%82%D8%AF%DB%8C%D8%B1.i&docid=MN_0Z7BXvtTLOM&itg=1&sa=X&ved=2ahUKEwj1p6KdhuzcAhVF_GEKHb6QA40Q_B0wFnoECAYQEw