NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Chefe da OTAN defende maiores gastos militares nos países europeus

O “Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)”, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, voltou a defender a necessidade dos países europeus, pertencentes à aliança, em ampliar os seus gastos militares, tornando a região mais independente dos “Estados Unidos da América” (EUA), no que tange questões de Defesa.

Para Rasmussen, o aumento do orçamento militar nos países europeus poderá contribuir para restabelecer o equilíbrio existente na OTAN. Em 2007, os EUA contribuíam com cerca de 68% do orçamento da organização. Já em 2012, após cinco anos de crise na Europa, 72% dos custos foram arcados pelos EUA[1].

O aumento da participação europeia deveria ocorrer, de acordo com o Secretário-Geral, através da compra de drones, para melhorar a vigilância da região; de aeronaves de reabastecimento, com o intuito de amplificar a capacidade de operação; e de novos radares navais, para cooperar com o sistema antimísseis da OTAN[2].

Rasmussen afirmou que irá pressionar a Comissão Europeia”,  para reestruturar a indústria bélica europeia, que, segundo ele, encontra-se fragmentada e em pilares nacionais. Ademais, procurará maior comprometimento político em cada Estado europeu, defendendo a necessidade de maiores gastos militares, mesmo em época de crise, como uma forma destes países tornarem-se mais responsáveis pela região[2].

No início do ano, Rasmussen já havia alertado para as consequências do decréscimo do orçamento militar. Para ele, isso comprometeria acapacidade prática dos países europeus da OTAN em trabalhar em conjunto com seus aliados norte-americanos[1], o que poderia acarretar em um enfraquecimento da aliança.

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Imagem Anders Fogh Rasmussen, Secretário-Geral da OTAN (Fonte):

http://www.nato.int/nato_static/assets/pictures/2009_08_090801a-sg-portrait/2009_11_D34F22C9AE854B7FAA0BB409A21C90D3_090801-SG-001.jpg

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Fontes consultas:

[1] Ver:

http://euobserver.com/defence/118914

[2] Ver:

http://euobserver.com/defence/121506

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Partido Trabalhista” perde eleições na Noruega

Após oito anos no comando do país o atual Primeiro-Ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, e o seu Partido dos Trabalhadores, perderam as eleições parlamentares que ocorreram no último dia 9 deste mês. Uma coligação liderada por Erna Solberg, do Partido Conservador, saiu vitoriosa ao adquirir 96 assentos no Parlamento, de um total de 169 – a coligação liderada por Stoltenberg obteve o direito de ocupar 72 assentos[1].

O resultado das eleições surpreendeu inúmeros observadores, uma vez que o Governo de Stoltenberg obteve um considerável sucesso em suas políticas econômicas, elevando as taxas de crescimento e diminuindo, drasticamente, o desemprego no país. Impulsionada pelas altas reservas de petróleo e gás no “Mar do Norte”, a economia do país destacou-se perante os demais países europeus assolados pela crise.

Para Johannes Berg, do “Instituto de Pesquisa Social de Oslo”, a vitória do Partido Conservador resulta de uma certa fadiga com o atual governo, que esteve no poder “por oito anos, o que é bastante singular na história recente deste país. E o fato de que nós estamos fazendo tão bem agora pode ser um bom motivo para as pessoas mudarem o governo, porque agora nós não estamos em crise, não estamos em uma situação difícil. Portanto, este pode ser um bom momento para tentar algo novo[2].

A eleição parlamentar deste mês foi a primeira após os ataques deferidos por Anders Behring Breivik, matando 77 pessoas, em 2011. Breivik, que deixara o “Partido Conservador” alegando que este estava adotando políticas mais amenas, atacou a sede e um acampamento de verão do “Partido Trabalhista”. Para alguns analistas, os ataques de 2011 exerceram um significativo impacto no eleitorado norueguês.

Erna Solberg afirmou que irá iniciar as negociações com o Partido Progressista” (PP) para concretizar seu governo de coligação. O principal entrave entre as partes consiste nas duras políticas anti-imigrantes propostas pelo PP, que já foram amenizadas após os ataques de 2011. Solberg demonstrou-se confiante com as negociações e, em relação a este entrave, afirmou que “há algumas de suas propostas que discordamos. Não acredito que todos os requerentes de asilo devem ser mantidos em campos fechados [como proposto pelo “Partido Progressista”]. Temos linhas vermelhas, é claro[2]. Ademais, negociações com o “Partido Liberal” e o “Partido Democrata Cristão” serão realizadas, na tentativa de formar um governo majoritário.

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Imagem Erna Solberg, líder do Partido Conservador” (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/Erna_Solberg_-_2013-08-10_at_12-58-32.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/norways-center-right-claims-election-victory-ousts-labour-government/a-17076884

[2] Ver:

http://www.dw.de/norway-shifts-right-in-first-post-breivik-election/a-17077336

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Armênia, Geórgia e a “União Euroasiatica”

Na última terça-feira (3 de setembro de 2013), uma declaração conjunta entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e sua contraparte armênia, Serzh Sargsyan, estabeleceu o desejo da Armênia em fazer parte da futura União Euroasiática, projeto de autoria do governante russo.

De acordo com o comunicado, Sargsyan anunciou a decisão de se “juntar à união aduaneira, a tomar os passos práticos necessários para alcançar este objetivo e, posteriormente, participar da formação de uma União Econômica da Eurásia[1].

A proposta de Putin consiste em unir os Estados que, no passado, pertenceram à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (com exceção dos países bálticos) em uma união aduaneiraevoluindo, posteriormente, para uma união política, em 2015[2].

A decisão de Sargsyan poderá afetar as relações de seu país com a União Europeia” (UE), uma vez que em julho encerrou uma negociação que durou mais de três anos sobre a assinatura de um acordo de associação entre as partes, incluindo um “Acordo de Livre Comércio[3]. Um porta-voz da “União Europeia” anunciou que “estamos em estreita consulta com os nossos parceiros armênios. Quando tivermos todas as informações iremos, naturalmente, examinar todas as possíveis implicações do que foi anunciado hoje[2]. A Armênia terá que escolher entre uma maior aproximação com a UE, ou o estreitamente de suas relações com a Rússia.

Um dia após o anúncio, o Primeiro-Ministro da Geórgia, Bidzina Ivanishvili, declarou que poderá fazer a mesma escolha da Armênia, juntando-se ao bloco euroasiático. De acordo com o governante, “Eu estou mantendo um olhar atento em relação [a “União da Eurásia”] e estamos a estudá-la. Nesta fase, não temos nenhuma posição. Se em perspectiva, vemos que é do interesse estratégico do nosso país, então, por que não?[4].

A declaração do Primeiro-Ministro causou irritação de políticos da oposição, uma vez que a criação de uma União Euroasiática seria, na opinião deles, um instrumento criado por Putin para evitar que estes países sejam incorporados pela UE. A criação do Bloco contribuiria para a manutenção destes países como “Estados Satélites” de influência russa[4].

Recentemente, o Governo da Rússia ameaçou aplicar sanções comerciais contra a Ucrânia e a Moldávia, devido o crescimento de suas aproximações com a UE.

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Imagem (Fonte):

http://indrus.in/assets/images/2011-101112/big/Reuters-putin-468(1).jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://eng.kremlin.ru/news/5930

[2] Ver:

http://euobserver.com/foreign/121304

[3] Ver:

http://europa.eu/rapid/press-release_MEMO-13-766_en.htm

[4] Ver:

http://euobserver.com/foreign/121315

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

França está pronta para ação militar na Síria

Após a proposta do Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, acerca da realização de uma intervenção militar na Síria ter sido barrada pelo Parlamento britânico*[1], o Presidente da França, François Hollande, anunciou que o seu país está pronto para acompanhar os Estados Unidos da América (EUA) em uma eventual ação militar.

Em entrevista concedida ao jornal francês “Le Monde”, Hollande afirmou que “são poucos os países que têm a capacidade de infligir uma sanção pelos meios adequados. A França é um deles. Estamos prontos. Vamos decidir a nossa posição em estreita colaboração com os nossos aliados. Todas as opções estão em cima da mesa. A França quer uma ação que seja proporcional e firme contra o regime de Damasco[2]. Anteriormente, Hollande declarou que o Presidente da Síria, Bashar al-Assad, é o responsável pela morte de centenas de pessoas através do uso de armas químicas.

Diferentemente das leis britânicas, o Presidente da França tem o direito de declarar guerra, ou iniciar um ataque militar, sem a aprovação prévia do Parlamento. Contudo, Hollande anunciou que sua decisão final sobre o assunto não ocorrerá antes de ter “todos os elementos para justificá-la[3], o que para alguns analistas consiste na vinculação da decisão francesa ao Relatório que será apresentado pelos especialistas da “Organização das Nações Unidas” (ONU).

De acordo com alguns observadores, a negativa apresentada pelo Parlamento do Reino Unido deu-se devido ao papel do país, ao lado dos EUA, na Guerra do Iraque” (2003); já a iniciativa francesa seria um reflexo do papel dos franceses na mesma guerra, liderando a oposição internacional contrária à ação[3].

Vale ressaltar, conforme apontado pelo próprio Governo da França, que o ímpeto francês em lançar uma ação militar na Síria não se deve a suposta necessidade delibertar o país de uma “ditadura” (retórica muito utilizada pelos políticos dos EUA após os ataques terroristas de 11 de setembro), mas sim dar uma resposta rápida e eficaz ao uso de armas químicas pelo Governo de al-Assad.

Hollande declarou que por questões políticas ele pretende formar uma coalizão de Estados com o intuito de punir o uso de armas químicas na Síria, uma forma de se proteger de alegações de que suas ações seriam apenas para realizar a vontade dos norte-americanos[3]. Em entrevista a uma rádio europeia, o “Ministro do Interior da França”, Manuel Valls, fora enfático ao afirmar que a França não pode agir sozinha[4].

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* Em uma votação apertada, com 285 votos contrários e 272 a favor da proposta.

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Imagem François Hollande” (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/Fran%C3%A7ois_Hollande_Journ%C3%A9es_de_Nantes.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://ceiri.news/parlamento-britanico-rejeita-intervencao-armada-na-siria/

[2] Ver:

http://euobserver.com/foreign/121265

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/aug/30/france-us-ally-syria-intervention

[4] Ver:

http://www.dw.de/francois-hollande-and-the-syrian-trap/a-17062564?

 

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Islândia decide abandonar as negociações com a “União Europeia”

A Islândia decidiu dissolver o Comitê que gere as negociações para a sua entrada naUnião Europeia”. No último dia 22 de agosto, o Governo informou de sua decisão após receber a opinião dos seus assessores constitucionais revalidando a tese de que a votação do “Parlamento Islandês” em 2009, que autorizava o inicio das negociações com a UE, não é mais válida.

Ao final das ultimas eleições parlamentares, em abril deste ano, ficou claro de que a Islândia caminhava em direção a uma política mais hostil em relação às suas negociações para entrar na UE. Símbolo dessa novo cenário foi a maior derrota já enfrentada por um partido que estava no poder na Islândia desde a sua independência da Dinamarca, em 1944[1].

O partido de centro-direita liberal Framsóknarflokkurinn (ou “Partido Progressista”), saiu como o grande vitorioso das eleições, contando principalmente com o apoio dos fazendeiros e pescadores islandeses, estes últimos considerados os mais hostis à UE devido à suaPolítica de Pesca Comum”*[1].

No entanto, a demora com a retomada das negociações já vinha deixando aComissão Europeia” inquieta. Durante a visita do então novo Primeiro-Ministro, Sigmundur  Gunnlaugsson, à Bruxelas, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, disse quesem mais delongasa Islândia deveria decidir se continuaria ou não as suas negociações com a UE[1].

No entanto, com o aval dos especialistas em direito constitucional da Islândia, Gunnlaugsson, deixou claro que “Depois de receber essa opinião, o Ministro das Relações Exteriores decidiu considerar a dissolução do comitê de negociações[1].

Ficou acertado então que o futuro das negociações da Islândia com a UE será estabelecido de fato apenas depois de um Referendum a ser promovido nos próximos quatro anos, quando a população decidirá se pretende ou não dar continuidade às negociações[2]. Especialistas, no entanto, apontam que a Islândia decidirá por abandonar mesmo as negociações, visto que a população é majoritariamente contra as regras impostas por Bruxelas, principalmente no setor de pesca e no setor energético.

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*A “Common Fisheries Policy” ou “Política de Pesca Comum” estabelece dentre outros, regras para garantir a sustentabilidade da pesca em todo o território da UE. O grande problema no caso da Islândia são as quotas exigidas por essa política, as quais muitos pescadores acreditam que seria extremamente prejudicial ao setor.

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Imagem O Primeiro Ministro da Islândia, Sigmundur  Gunnlaugsson, e o Presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso” (Fonte):

http://ec.europa.eu/avservices/video/player.cfm?ref=I080639

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.euractiv.com/enlargement/iceland-quits-eu-talks-news-529923
[2] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/iceland/10073787/Iceland-heads-for-EU-referendum.html

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EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Seria a Rússia uma ameaça à Suécia?

Recentemente, durante a primavera europeia, o “Comitê de Defesa do Parlamento da Suécia apresentou um estudo acerca do desenvolvimento militar em diversos países do mundo. Como resultado, a Rússia fora mostrada como uma possível ameaça à segurança nacional devido à crescente evolução do seu processo de militarização[1]. Agora, após o fato anunciado, observadores começam a debater o veredicto apresentado pelos políticos suecos.

Stefan Hedlund, professor de economia do “Centro de Estudos Russos da Universidade de Uppsala”, acredita que a visão da Rússia como uma ameaça – segundo ele, influenciada pelo complexo industrial militar sueco – baseia-se em duas premissas errôneas: a primeira, do desenvolvimento militar russo; a segunda, do fato de que o país esteja apresentado cada vez mais uma inclinação à uma autocracia.

Hedlund afirma que, de acordo com um recente artigo publicado por um analista de defesa da Rússia, Alexander Golts, a ambição do governo russo de modernizar seu aparato militar, com a injeção de cerca de 650 bilhões de dólares no setor, falhou – algo que já fora reconhecido, afirma Golts, pelo próprio presidente Wladimir Putin. Um dos motivos foi a incapacidades dos produtores russos desenvolverem componentes com qualidade[1]. Além disso, o fracasso do míssil Bulava, em 2009, projetado para ser disparado por submarinos, consistiria em mais um argumento para o fracasso do desenvolvimento militar russo.

No âmbito político, Hedlund acredita que há uma interpretação equivocada sobre os problemas enfrentados pelo regime democrático russo – que, vale a pena ressaltar, possui pouco mais de 20 anos. Para o professor, definir o governo Putin como autocrático é um erro.

Em contraposição, Annelie Gregor, da “Universidade de Nova York”, acredita que a visão de Hedlund sobre o setor militar russo apresenta falhas ao desconsiderar progressos e acontecimentos significativos. Desde o fracasso do míssil Bulava, em 2009, a Rússia já fora bem sucedida em seis lançamentos de mísseis. Ademais, recentemente, ocorreu com sucesso o maior exercício militar da Rússia desde o término da União Soviética”.

De acordo com Gregor, “o exercício, que visou melhorar a prontidão para o combate de soldados e equipamentos russos, envolveu mais de 160 mil soldados, 5.000 veículos blindados, 130 aviões, 70 navios de guerra e diversos exercícios de reabastecimento aéreo. Alguém poderia argumentar que um exercício de escala tão grande está longe da desmilitarização[2].

Para Hedlund, por sua vez, o maior problema consiste na sustentação de um orçamento anual de defesa de cerca de 7,1 bilhões de dólares que o Governo sueco deverá realizar com sua população, ainda mais em tempos de crise[1]. Em resposta, Gregor afirma que estes gastos tornam-se cada vez mais necessários e, consequentemente, justificáveis, tendo em vista o crescimento militar russo[2].

Para o Primeiro-Ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, a Rússia não estaria se preparando para atacar o seu país, uma vez que suas preocupações encontram-se em outras regiões. Segundo Reinfeld, “Os militares russos não tem nem a vontade nem a capacidade para atacar o território sueco[3].

Deve-se destacar que os debates sobre um eventual ataque russo tiveram início após o “Comandante-Chefe da Försvarsmakten” (“Forças Armadas da Suécia”), Sverker Göransson, ter afirmado, em janeiro deste ano (2013), que o país teria capacidade militar de se defender por somente uma semana[3].

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Imagem (Fonte):

http://www.racketlon.net/sites/default/files/Sweden_flag_grunge_wallpaper_by_The_proffesional.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.thelocal.se/49688/20130816/

[2] Ver:

http://www.thelocal.se/49730/20130820/

[3] Ver:

http://www.thelocal.se/47874/20130514/