EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

As relações entre Rússia e “Estados Unidos” após o “Caso Snowden”

Após o anúncio de que Edward Snowden havia deixado a zona de trânsito do aeroporto internacional de Sheremetyevo (na região de Moscou) portando a documentação que garante seu asilo temporário no país, conforme informado pelo seu advogado Anatoly Kucherena[1], autoridades americanas demonstraram grandes preocupações com o futuro das relações bilaterais.

O Senador americano, John McCain, forte crítico das políticas adotadas pelo Kremlin, afirmou que o asilo à Snowden fora um tapa na cara de todos os americanos[2]. Políticos estadunidenses, em represália às ações russas, defendem a realização de um boicote as “Olimpíadas de Inverno de Sochi” (em 2014) e entraram com um pedido para que a próxima reunião do G-20, que ocorrerá em St. Petersburg, seja realocada para outra cidade[3]. Contudo, a possibilidade do cancelamento da Cúpula Bilateral Rússia – Estados Unidos”, programada para ocorrer em St. Petersburg antes do início da reunião do G-20, consiste no maior entrave das relações bilaterais.

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o Governo americano anunciará até o término desta semana se o Presidente Barack Obama participará do encontro. Nas palavras de Carney, “enquanto nós temos uma ampla gama de interesses com os russos, continuamos a avaliar a utilidade da cúpula[4].

A administração Obama afirmou que a decisão de repensar o encontro não fora uma resposta ao caso Snowden, somente. Para Carney, “Nós, obviamente, não concordamos fortemente com os russos sobre a decisão que eles fizeram sobre o Sr. Snowden, mas estamos em desacordo com os russos em uma série de outras questões, incluindo a Síria. E nós demonstramos essas divergências, tanto em público como em privado, em nossas discussões com os russos. Então, quando se trata da utilidade de uma reunião de cúpula em Moscou, uma cúpula bilateral, estamos avaliando não apenas a nossa discordância sobre Mr. Snowden, mas em outras questões[4].

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que o Governo russo não recebeu nenhuma notificação sobre a possibilidade de um cancelamento da Reunião[2].Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, declarou publicamente, em inúmeras oportunidades, que a concessão do asilo temporário deu-se devido ao receio de que Snowden fosse sujeito à pena de morte.

Snowden, através de um comunicado emitido pelo portal Wikileaks, demonstrou gratidão ao Governo russo pela concessão do asilo, ao mesmo tempo em que criticou o Governo americano pelo desrespeito às leis internacionais. De acordo com o ex-agente da inteligência, “Nas últimas oito semanas temos visto o Governo Obama não demonstrar respeito pelo direito internacional ou nacional, mas no final a lei está ganhando [1].

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Imagem (Fonte):

http://russiancouncil.ru/common/upload/putin-obama_x[1].jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/snowden-leaves-moscow-airport-and-enters-russia-says-his-lawyer/a-16991606

[2] Ver:

http://en.rian.ru/russia/20130805/182585121/No-Changes-to-Planned-Putin-Obama-Meeting—Kremlin-Spokesman.html

[3] Ver:

http://www.dw.de/snowden-case-further-sours-us-russian-relations/a-16994900

[4] Ver:

http://en.rian.ru/world/20130806/182596542/Obama-to-Decide-on-Summit-with-Putin-in-Coming-Days.html

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Bundeswehr anuncia a retirada de seu efetivo no Afeganistão

Teve início o processo de retirada das tropas das Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr) localizadas no Afeganistão – cuja principal base está na cidade afegã de “Mazar-i Sharif“, capital da província de Balkh. A estimativa apresentada pelo Governo alemão prevê o término das atividades até o fim de 2014. Acampamentos militares de pequeno porte, localizados ao norte do país, já foram desmantelados por completo.

Entretanto, a maior dificuldade encontra-se na retirada dos equipamentos militares, uma vez que o Afeganistão não possui acesso direto ao mar. De acordo com o Bundeswehr[1], cerca de 1.200 veículos blindados e 4.800 contêineres com armas, munições, entre outros equipamentos, deverão retornar à Alemanha. Ademais, alguns equipamentos permaneceram no país, devido à razões econômicas, políticas e/ou militares.

O Comandante da Bundeswehr no Afeganistão”, coronel York Freiherr von Rechenberg, afirmou que as forças de segurança afegãs estão aptas à agirem sem a necessidade da ajuda alemã. Contudo, para o Comandante chefe da polícia nacional da província de Kunduz, Khalil Andarabi, seu país não se encontra pronto, uma vez que a ausência de um efetivo altamente treinado e de equipamentos de alta qualidade podem prejudicar a estabilidade do Afeganistão.

De acordo com Andarabi, a retirada das tropas alemãs “fará com que seja difícil para nós trabalhar em Kunduz. A retirada é muito cedo. Os nossos amigos alemães poderiam ter esperado a deixar o país para depois das eleições presidenciais do próximo ano[1].

Além das dificuldades logísticas, um outro problema se apresenta à Bundeswehr, a segurança de seus tradutores afegãos. Considerados como traidores e infiéis pelo Taliban, por trabalhar em conjunto com tropas ocidentais, estes tradutores estão recebendo constantes ameaças.

Em recente declaração, o “Ministro do Interior da Alemanha”, Hans-Peter Friedrich, afirmou: “Temos que fazer a nossa decisão com base em cada caso individual. Mas, claro, se alguém está em perigo no Afeganistão por causa de seu trabalho com a Bundeswehr, então ele deve ter permissão para vir para a Alemanha em bases humanitárias[2].

Porém, a retirada destes trabalhadores não é bem vista pelo Governo afegão. De acordo com o “Ministério das Relações Exteriores” do país, “Precisamos desses profissionais treinados no Afeganistão. Suas experiências, conhecimentos e habilidades de linguagem são ativos valiosos, tornando-os vital para a reconstrução do Afeganistão[1].

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9a/Bundeswehr_Logo.svg/614px-Bundeswehr_Logo.svg.png  

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/germany-starts-moving-out-equipment/a-16985138

[2] Ver:

http://www.dw.de/alone-among-enemies-in-afghanistan/a-16816877

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A independência da Escócia como uma possível resposta ao “Brexit”

No dia 18 de setembro de 2014, a Escócia passará por um referendo acerca de sua permanência no Reino Unido”. Para os Ministros do país, a busca pela independência repousa na ideia de que “uma nação soberana pode prosperar, escolhendo suas próprias políticas para o crescimento social e econômico e tendo a sua própria voz distinta na Europa e no resto do mundo[1]. Em recente pesquisa publicada pelo “Institute for Public Policy Research[2] (IPPR), o fortalecimento da proposta britânica de sair da União Europeia” (UE) – usualmente chamada de “Brexit” (“British Exit”) – poderá influenciar, em muito, o voto dos cidadãos escoceses.

De acordo com a pesquisa do IPPR, o aumento do prestígio de partidos políticos contrários à permanência do Reino Unido na UE* nas próximas eleições ao Parlamento Europeu”, no início do próximo ano, terá um impacto direto no referendo de independência da Escócia, que ocorrerá meses depois.

Caso os eleitores escoceses tenham a percepção de que a política britânica esteja se movendo, efetivamente, para uma saída da UE, a resposta à pergunta “Deveria a Escócia ser um país independente?” ganhará uma maior importância. Enquanto os ingleses defendem, seriamente, o Brexit, os escoceses acreditam que os benefícios proporcionados pela adesão à UE superam as possíveis desvantagens[3].

Como demonstrado em uma pesquisa recente, em fevereiro de 2013, cerca de 53% dos escoceses votariam a favor da permanência do Reino Unido na UE. Em caso de independência, ao Reino Unido, 61% dos eleitores afirmaram o apoio ao bloco europeu[3].

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* O “United Kingdom Independence Party” (UKIP), partido eurocético, possui 11 dos 73 assentos destinados ao “Reino Unido” no “Parlamento Europeu.

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Imagem (Fonte):

http://d3n8a8pro7vhmx.cloudfront.net/scottishtimes/pages/818/attachments/original/1350818740/wattie-scot.jpg?1350818740

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.scotreferendum.com/

[2] Ver:

http://www.ippr.org/

[3] Ver:

http://www.newstatesman.com/politics/2013/07/why-english-euroscepticism-could-doom-union

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Governo Russo anuncia que irá pagar dívida soviética à “República Tcheca”

O Primeiro-Ministro da Federação Russa”, Dmitry Medvedev, autorizou o início das negociações referentes ao pagamento da dívida da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (URSS) à República Tcheca”, que deverão ser conduzidas pelo atual “Ministro das Finanças”, Anton Siluanov. Estima-se que o valor total da dívida seja de 8 milhões de dólares[1].

Após o colapso da antiga União Soviética”, a Federação Russa tornou-se a herdeira legal das obrigações econômicas e financeiras, contraindo o dever de cumprir as dívidas externas do país – principalmente com os demais Estados que pertenciam ao bloco soviético. Ressalte-se que, além dessas incumbências, a Rússia possui suas próprias dívidas. De acordo com o “Banco Central” do país, a dívida externa sofreu um aumento de 52 bilhões de dólares no último ano, passando de US$ 632 bilhões para US$ 684 bilhões[2].

Em meados de maio deste ano (2013), Siluanov já havia autorizado o pagamento das dívidas com a Eslováquia – cerca de 1.7 bilhão de dólares – e com a República da Sérvia” – 288.8 milhões de dólares, aproximadamente. A dívida soviética com a República Democrática da Alemanha” (a antiga “Alemanha Oriental”) já fora paga. Negociações com Montenegro, Hungria, Bulgária e Polônia já tiveram início, com o objetivo de rematar as obrigações.

Nos últimos anos, em movimento contrário, a Rússia perdoou cerca de 116 bilhões de dólares em dívidas provenientes de países da Ásia, África e América do Sul. Entretanto, como aponta o jornal russo Pravda, “ninguém expressou sua gratidão à Rússia por esta caridade[2]. A dívida russa, proveniente da “União Soviética”, somente com os Estados do antigo bloco sob sua influência, chega a soma de 15 bilhões de dólares e, até agora, nenhum destes países demonstrou sinais de que irá perdoar tais obrigações.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f1/Moscow_Russia_Flag_and_Hammer_and_Sickle.jpg

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Fontes:

[1] Ver:

http://en.rian.ru/russia/20130715/182253013/Russia-Moves-Forward-on-Repaying-8M-Debt-to-Czech-Republic.html

[2] Ver:

http://english.pravda.ru/russia/economics/28-06-2013/124976-russia_debt-0/

BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Letônia torna-se o 18º membro da “Zona do Euro”

Nesta última terça-feira, dia 9 de julho (2013), os Ministros das Finanças dos 28 Estados-membros da União Europeia” (UE), no âmbito do “Conselho da UE”, anunciaram a aprovação da adesão da Letônia à moeda comum europeia, tornando-se, assim, o 18º membro da Zona do Euro”. De acordo com o Primeiro-Ministro do país, Valdis Dombrovskis, a substituição da atual moeda, o lat*, ocorrerá no primeiro dia de 2014[1].

Para o “Ministro das Finanças”, Andris Vilks, a escolha pela moeda europeia ocorreu no momento em que seu país aderiu à UE, em 1º de maio de 2004, quando automaticamente indexou o lat ao euro** – “Após a adesão [da Letônia] à UE e à OTAN, a introdução do euro era a única lição de casa a ser feita”, afirmou Vilks[1]. E fora uma lição de casa muito bem feita, já que o país é um dos quatro membros da UE (juntamente com Finlândia, Luxemburgo e Estônia) que cumprem todos os requisitos econômicos e financeiros estabelecidos pelo Tratado de Maastricht”.

Vilks ainda afirmou que a adesão à moeda regional constitui um passo importante para o crescimento de fluxos de investimentos externos ao país ao criar um ambiente de estabilidade. Ademais, para o Ministro, “é muito importante [para a Letônia] ser integrada nas estruturas europeias existentes, tanto quanto possível, porque é muito difícil para economias pequenas e abertas, como a Letônia, gerenciar com suas próprias moedas independentes[2].

Krisjanis Karins, ex-ministro da Economia do país e atual membro do “Parlamento Europeu”, acredita que a adesão ao euro constitui uma forma de reduzir o risco para os investidores, algo semelhante ao que ocorreu na Estônia, primeiro país Báltico a aderir a moeda europeia[3].

Contudo, os benefícios da adesão do país ao euro não são unânimes. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente, em meados de junho, apenas 38% da população letã apoia a substituição da atual moeda. A preocupação mais corrente refere-se à possibilidade do aumento dos preços como consequência da adesão ao euro, processo que ocorreu em diversos países que aderiram à moeda. Janis Urbanovics, líder da oposição no Parlamento da Letônia”, acredita que o governo errou ao não anunciar uma prorrogação da adesão do país ao euro[2].

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Imagem (Fonte):

http://ec.europa.eu/economy_finance/images/headlines/latvia_euro.jpg

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*. A conversão ocorrerá na seguinte proporção: 1 euro será equivalente a 0.7028 lat.

**. Para maiores informações, ver:

https://ceiri.news/letonia-esta-proxima-de-se-tornar-o-18o-pais-da-zona-do-euro/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/latvia-gains-final-approval-to-join-eurozone/a-16938231?maca=en-newsletter_en_Newsline-2356-html-newsletter

[2] Ver:

http://www.dw.de/will-latvians-embrace-the-euro/a-16936586

[3] Ver:

http://www.dw.de/can-latvia-be-a-role-model-for-reform-in-europe/a-16941073?maca=en-newsletter_en_Newsline-2356-html-newsletter

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“House of Commons” aprova realização de referendo que irá decidir o futuro do “Reino Unido” na UE

No último dia 5 de julho (2013), a “Câmara Baixa do Parlamento Britânico”, a “House of Commons”, aprovou o projeto de lei que garante a realização de um referendo, em 2017, sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia” (UE)[1].

Em janeiro deste ano, David Cameron, “Primeiro-Ministro do Reino Unido”, anunciou o desejo de renegociar a adesão do seu país ao Bloco europeu em um referendo – caso o seu partido, o Conservador, fosse reeleito. Meses depois, após a Rainha Elizabeth II, “Chefe de Estado do Reino Unido”, não ter mencionado o referendo em seu discurso que estabelecia as prioridades legislativas do governo para o próximo ano, cerca de 60 parlamentares, irritados com o ocorrido, pressionaram Cameron para apoiar um projeto de lei que estabelecia a consulta – projeto que fora idealizado por James Wharton, parlamentar pelo “Partido Conservador[2].

A votação da Lei fora marcada por um boicote massivo realizado pelo Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Liberal Democrata que se recusaram a votar a proposta. Com uma votação unânime do “Partido Conservador”, obtendo 304 votos dos 650 possíveis, o projeto fora aprovado.

De acordo com William Hague, atual Ministro das Relações Exteriores”, as lideranças do Partido dos Trabalhadores (principal partido da oposição) “não tiveram a coragem de votar a favor ou contra o referendo, o que sugere que em fases posteriores, eles vão tentar bloquear isto de várias maneiras. Mas é um bom começo para o projeto de lei. Isso reforça o nosso compromisso com um referendo até o final de 2017, dentro ou fora de uma União Europeia reformada e isso é o que nós pensamos que foi a escolha certa para [dar] para as pessoas deste país[1].

Em resposta, Douglas Alexander, Ministro das Relações Exteriores do Gabinete-Sombra*, membro do “Partido dos Trabalhadores”, declarou que qualquer decisão sobre um referendo relativo à situação do Reino Unido na UE tem de ser baseado em um julgamento sobre o que é de interesse nacional. (…) Nosso julgamento é que o interesse nacional não está servido por esta lei, e é por isso que não iremos apoiá-la[2]. O Projeto de Lei irá, agora, passar pelo processo de votação da segunda câmara do “Parlamento Britânico”, a “House of Lords”.

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* O “Gabinete das Sombras” consiste na organização da oposição através da criação de um gabinete alternativo ao governo eleito, cuja principal função é criticar as políticas apresentadas pelo governo e apresentar alternativas.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.guardian.co.uk/politics/2013/jul/05/labour-refuses-rule-out-eu-referendum

[2] Ver:

http://euobserver.com/political/120780