AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reação da Palestina frente a decisão de Trump

Hoje, finalmente reconhecemos o óbvio: que Jerusalém é a capital de Israel”. Ao anunciar oficialmente que os EUA reconhecerão Jerusalém como capital do Estado de Israel, no último dia 6 de dezembro de 2017, o presidente Donald Trump cumpre uma de suas promessas de campanha e abre um precedente que pode prejudicar às negociações de paz entre israelenses e palestinos, assim como inflamar a violência na região.

Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte

Para analistas políticos nos EUA, a decisão sobre o status de Jerusalém é parte de um esforço conjunto com o vice-presidente Mike Pence que, ao longo da campanha eleitoral, recebeu grande apoio de cristãos evangélicos, principalmente do Estado de Indiana, do qual foi governador de 2013 a 2017.

Na comunidade internacional, as nações árabes e muçulmanas advertiram que o movimento estadunidense prejudicaria o esforço de estabilização do Oriente Médio. Além disso, China e Rússia expressaram preocupação.

Aos olhos de líderes palestinos e aliados desses, a esperança de um acordo de paz diminuiu consideravelmente após o anúncio de Trump. Para o presidente palestino Mahmoud Abbas, a decisão de Trump descredencia os EUA a manter a mediação da paz, chamando a sua atitude de “uma declaração de retirada do acordo”. Jamal Zahalka, membro do Knesset pelo partido Balad, um grupo político árabe-israelense que se opõe ao conceito de Israel como único Estado, afirmou que a decisão de Trump é uma “ofensa grave”.

O Hamas, Partido político que controla a Faixa de Gaza, declarou logo após o anúncio da Casa Branca que faria “um dia de fúria”, como forma de protesto. No discurso realizado pelo líder da organização, Ismail Haniya, foi feita a solicitação ao Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que se retire do processo de paz, além de afirmar que a decisão de Washington é “uma declaração de guerra contra palestinos”, algo que criou um ambiente de tensão na cidade de Gaza*. “Esta decisão matou o processo de paz”, “matou o acordo de Oslo”, disse ele.

Horas após o discurso, manifestantes palestinos tomaram as ruas das cidades ocupadas da Cisjordânia, incluindo Ramallah, Hebron e Nablus, além de grande parte da Faixa de Gaza, para desafiar a decisão de Washington.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Cidade palestina localizada na Faixa de Gaza, sendo a maior cidade localizada nessa região.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestante palestino usando máscara e empunhando duas adagas na manifestação convocada pelo Hamas, após o anúncio de Trump” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/635229091

Imagem 2Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/681397130

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pesquisa revela que migração nos EUA apresenta índices historicamente baixos

Uma nova pesquisa divulgada no mês de novembro de 2017 pelo United States Census Bureau aponta que a série histórica de movimentos migratórios em 2016-2017 mostra uma queda expressiva. De acordo com o órgão governamental, após oito anos do fim da recessão econômica e, por conseguinte, com a economia apresentando dados sustentáveis, a movimentação que ocorreu em outros tempos apresentou taxa baixa, de 11%, equivalente ao pós-segunda guerra mundial.

Congestionamento registrado na cidade de Phoenix, Arizona

Para William H. Frey, especialista do Programa de Políticas Metropolitanas do Brookings Institute, o declínio da índice anual de mobilidade é resultado de tendências de longo prazo, como o envelhecimento da população e o aumento do número de proprietários de imóveis, que se deslocam menos que os inquilinos.

Ainda de acordo com o analista, a maior parte do declínio recente da mobilidade se deve a movimentos locais, preterindo movimentos de longa distância. Foi essa nova tendência de mobilidade local dentro dos limites do município que produziu a redução da taxa de mobilidade geral. Entretanto, as taxas de migração interestadual aumentaram ligeiramente nos últimos dois anos, resultado da influência por empregos e valor de mão-de-obra mais atrativos no mercado.

Outro destaque do relatório fica por conta da geração de “millennials”*, com idades entre 25 e 34 anos, que apresentam índices de mobilidade local estagnado, porém aumento na migração de longa distância. Para o United States Census Bureau, esses movimentos tendem a ser mais permanentes do que aqueles de adultos com menos de 25 anos, além disso, permitem um foco no segmento mais antigo da geração millennials, que foi duramente atingido pela recessão e pela crise da habitação.

Isso sugere que o recente aumento do emprego está levando mais indivíduos desse grupo a avançar longas distâncias, para regiões que crescem mais rapidamente, em especial em áreas denominadas “Sun Belt”** e outras áreas metropolitanas menores.

O relatório ainda aponta, em caráter conclusivo, que a desaceleração nacional do fluxo migratório iniciada em 2007-2009 levou longo tempo para recuperar. Nos anos 2000 a mobilidade estava em pleno vigor, apoiada pelo dinâmico crescimento econômico da região do Sun Belt, com habitação a preços acessíveis nos subúrbios e comunidades menores.

———————————————————————————————–                    

Notas:

* Millennials: Termo utilizado para designar os nascidos após os anos 1980 e meados da década de 1990. Compete ao termo também designar que a geração se desenvolveu numa época de grandes avanços tecnológicos, com facilidade material e ambiente predominantemente urbanizado.

** Sun Belt: “Sun Belt”, ou “Cinturão do Sol” é o termo para designar as regiões sul e sudoeste dos EUA que apresentam grande crescimento econômico e demográfico. Corresponde aos estados do Arizona, Califórnia, Flórida, Nevada, Novo México, Texas, Geórgia e Carolina do Sul. Podem ser considerados parte dessa região os Estados da Louisiana, Mississippi e Alabama.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Dados do Census de 2010” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/107715170

Imagem 2Congestionamento registrado na cidade de Phoenix, Arizona” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/72387459

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ataque a tropas americanas no Níger

A emboscada a militares estadunidenses na região de Tillabery, Níger, no último 4 de outubro de 2017, resultando na morte de quatro soldados Boinas Verdes, ainda gera questionamentos sobre a política externa dos EUA na África.

US. Marines treinam combatentes nigerinos contra Al-Qaeda baseada no Saara

O senador republicano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, admitiu desconhecer sobre os cerca de 800 militares baseados no Níger, mas afirmou: “Eles estavam lá para defender a América. Eles estavam lá para ajudar os aliados. Eles estavam lá para impedir que outra plataforma ataque a América e nossos aliados”.

Com base em informações oficiais, retransmitidas a agências de notícias, as tropas dos EUA estão no Níger para ajudar a fortalecer um parceiro militar, algo recorrente no continente desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Nesse quadro, o Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês) pretende redirecionar a estratégia antiterrorismo para a região, ao iniciar a expansão e renovação da base em Agadez, cidade ao norte do Níger, e que serviria para o lançamento de Drones armados, fato que poderia aumentar ações militares diretas na região.

Para especialistas, a ação estadunidense no continente africano para treinar e equipar os militares, criando aptidão, tinha um cunho preventivo, supondo que Estados fracos podem se tornar atrativos ao desenvolvimento de grupos terroristas.

Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações Anti-Terrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França

Como o Sahel, região árida abaixo do Saara, tem recebido aumento notável da atividade jihadista, os mesmos especialistas afirmam que a ameaça é concreta, porém no âmbito regional no norte e oeste do continente, mas com mínimas possibilidades de um ataque direto aos Estados Unidos.

Ainda de acordo com especialistas, a ascensão da Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) em 2007 foi resultado da exploração da população pobre e das tensões locais, em que desenvolveu uma agenda local e regional, combinadas com uma visão transnacional que visava os interesses ocidentais na região, mas que raramente se estendia para além da África.

Por fim, a presença dos EUA, vista por muitos como ameaça para a estabilidade regional, foi usada para justificar o aprofundamento da cooperação militar dos EUA na África, em especial no Níger, onde as operações expandiram-se após 2011 e 2012, quando o AQMI ampliou suas ações e deu nova urgência aos esforços de contraterrorismo dos EUA e da França.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Um Soldado francês do 92º Regimento de Infantaria faz parte da coalizão de combate ao terrorismo na região do Sahel, África Ocidental” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/166408275

Imagem 2US. Marines treinam combatentes nigerinos contra AlQaeda baseada no Saara” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/51405008

Imagem 3Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações AntiTerrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/476799320

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Questão que envolve Trump, Rússia e as eleições de 2016 ainda sob forte suspeita

Na semana passada, as primeiras acusações formalizadas pelo investigador especial Robert Muller contra membros da campanha do então candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, complementam o que havia sido diagnosticado por agências de inteligência estadunidenses.

De acordo com o relatório de janeiro de 2017, intitulado “‘Assessing Russian Activities and Intentions in Recent US Elections’: The Analytic Process and Cyber Incident Attribution”*, CIA, FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) declararam conjuntamente, com “alta confiança”, que o Governo russo realizou uma campanha sofisticada para influenciar a eleição passada.

Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque

O relatório aponta que há fortes indícios da participação do presidente Vladimir Putin no suposto esforço de desestabilização eleitoral, que consistiria, principalmente, em prejuízos à campanha da presidenciável democrata Hillary Clinton e no enfraquecimento do processo eleitoral do país.

Ainda com base no relatório e informes de autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o esforço russo envolveria atividades com agências governamentais, mídia respaldada pelo Estado e “trolls” de internet pagos, bem como operações secretas, por meio de atividades cibernéticas ilícitas patrocinadas por agentes de inteligência.

Na consolidação da estrutura cibernética para o ataque eleitoral, as agências de inteligência dos Estados Unidos afirmam que o conluio russo criou mecanismos de financiamento a meios de comunicação, incluindo o site Sputnik e a rede de televisão Russia Today (RT) com o objetivo de prejudicar a campanha de Hillary Clinton.

Afirmam também que o recorte utilizado pela emissora RT durante a eleição explorou negativamente a imagem de Clinton com foco em seus e-mails vazados, acusando-a de corrupção, assim como má saúde física e mental, e laços com extremistas islâmicos.

As recentes acusações produzidas contra Paul Manafort Jr, ex-chefe de campanha de Trump, sobre a suposta ação russa, complementa um estágio da investigação iniciada pelos órgãos de segurança interna dos EUA e abre, quase que instantaneamente, uma frente junto a Kiev, em que se investiga Manafort pelo seu trabalho como assessor político de Viktor Yanukovych, ex-Presidente da Ucrânia, pró-Rússia, que foi deposto quando se deu a crise ucraniana, em 2013.

Na primeira denúncia é avaliado o nome de Manafort como beneficiário de pagamentos na ordem de US$ 12,7 milhões e a segunda investigação busca relatório de 2012, preparado para o Governo ucraniano pelo escritório de advocacia de Nova Iorque, “Skadden, Arps, Meagher & Flom”.

Há acusações sobre a possibilidade de que Paul Manafort tenha ajudado a organizar um relatório para retirar Yanukovych das acusações de encarcerar sua principal adversária política na época, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, e também um relatório que apresenta alegações para o julgamento e condenação de Tymoshenko em 2011, porém com indícios de violações legais e politicamente motivadas.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Deve-se destacar que o referido Relatório apresenta mecanismos que apontam para a RT América TV como um canal que possivelmente recebe financiamento do Kremlim para operar nos EUA.

O documento destaca o papel da editora-chefe da RT, Margarita Simonyan com laços estreitos com os principais funcionários do atual governo russo, dentre eles, o Vice-Chefe de gabinete da administração presidencial Aleksey Gromov, que foi um dos fundadores da RT.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Tradicionais Matrioska, ou bonecas russas em representação aos líderes Vladimir Putin e Donald Trump” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/621783458

Imagem 2 Paul Manafort Jr em preparação para o discurso eleitoral de Trump em Nova Iorque” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/542133994

ÁFRICAAMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A emboscada sofrida pelas forças especiais dos EUA no Níger

A atitude adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao prestar condolências a viúva do Sgt. La David Johnson, Myeshia Johnson, que foi testemunhado pela congressista democrata Frederica S. Wilson, gerou grande debate sobre a postura presidencial e também interesse pela participação de Forças Especiais estadunidenses em terreno nigerino.

Mapa do Níger

Com base em fontes de segurança dos EUA e do Níger, no dia 4 de outubro de 2017, uma patrulha mista de militares norte-americanos e nigerinos foi emboscada perto de Tongo Tongo, uma vila localizada na região de Tillabery, a 120km ao norte da capital, Niamey, e a poucos quilômetros da fronteira com o Mali.

Apesar dos poucos detalhes e da confusão de informações sobre o evento, um grupamento formado por 8 a 12 soldados dos EUA em companhia de mais 30 a 40 combatentes nigerinos, entraram em contato com aproximadamente 50 militantes do Estado Islâmico.

Testemunhas do tiroteio relataram às agências de notícias internacionais que os insurgentes explodiram os veículos, obrigando os soldados a dispersarem para, em seguida, devolverem fogo.

Ainda com base em informações colhidas com testemunhas e fontes de segurança, um avião militar francês localizou os atacantes, mas não pode intervir, uma vez que o combate estava acontecendo muito perto. Contudo, há outra versão, afirmando que o Níger proíbe ataque aéreo estrangeiro em seu solo.

Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger – Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright

Para o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Joseph Dunford, em declaração à repórteres no Pentágono, a patrulha não esperava entrar em contato devido a uma regra que proíbe aos militares adentrarem em áreas onde um eventual conflito poderia ocorrer. Dunford explicou ainda que a missão no Níger e em outros lugares está dentro dos limites da batalha global contra milícias terroristas sediadas na África, como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e o Boko Haram.

A participação militar estadunidense na região data de 2013, em um esforço conjunto com o Exército francês que executava operação contra a Al-Qaeda no Mali. De início, o presidente Barack Obama enviou 150 conselheiros militares a Niamey, capital do Níger, para operacionalizar drones de vigilância sobre o Mali.

Hoje, há cerca de 800 soldados ajudando na luta contra os extremistas islâmicos, mas apenas 100 boinas verdes (Green Berets) estão no Níger para auxiliar na construção da capacidade militar, na instrução de seus homólogos e no apoio tático com pequenas unidades e suporte aéreo próximo.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Membros do 3º Grupamento das Forças Especiais e do 2º Batalhão batem continência no funeral do Sgt. La David Johson, morto em confronto no Niger” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/864744176

Imagem 2Mapa do Níger” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADger#/media/File:Niger_-_Location_Map_(2011)_-_NER_-_UNOCHA.svg

Imagem 3Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tongo_Tongo_ambush

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo dos EUA promove a descertificação do Acordo Nuclear com Irã

O Presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou na última semana que o acordo multilateral para desnuclearização do Irã, denominado Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA, na sigla em inglês), não terá sua certificação renovada. Ele havia sido assinado em julho de 2015 por Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, China, Rússia e pelo próprio Irã.

O compliance* exigido pelo estadunidense não é parte do JCPOA, contudo, em virtude de uma lei promulgada no Capitólio, impõe-se a necessidade de avaliação de conformidade a cada 90 dias.

Acordo nuclear do Irã. Acordo em Viena. Da esquerda para a direita, ministros estrangeiros: secretários de estado Wang Yi (China), Laurent Fabius (França), Frank-Walter Steinmeier (Alemanha), Federica Mogherini (UE), Mohammad Javad Zarif (Irã), Philip Hammond (Reino Unido), John Kerry (EUA)

Com a medida, Trump deixa clara sua oposição aos termos negociados em conjunto com outras nações e abre precedente para reintrodução das sanções que foram removidas como parte dos esforços em controlar o programa nuclear iraniano.

Caberá ao Congresso estadunidense avaliar a iniciativa do Presidente no prazo de 60 dias.

Dentro desse período, há a possibilidade de reinserção de algumas, ou todas as sanções suspensas, o que especialistas e altos funcionários dos EUA creem como improvável. Em paralelo, existe a tendência de novas sanções que poderiam apontar para a Guarda Revolucionária Islâmica, por conta de seu papel ativo na guerra civil síria.

Para Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations, uma vez que os EUA adotem novas sanções, seu posicionamento será unilateral, pois Europa, China e Rússia interpretam os termos negociados em 2015 como em conformidade com o JCPOA.

Na Europa, os argumentos de Trump foram ignorados quando os europeus afirmaram comprometimento com Teerã, postura similar também adotada em outras circunstâncias, como no Acordo do Clima de Paris e na formatação do bloco comercial transpacífico (TPP, na sigla em inglês, decorrente de Trans-Pacific Partnership).

Signatários da certificação iraniana, Rússia e China demonstram preocupação quanto à capacidade dos EUA de manterem compromissos anteriores, assim como de serem parceiros confiáveis para negociação.

Segundo Ehud Barak, Primeiro-Ministro de Israel no período de 1999 a 2001 e Ministro da Defesa de 2009 a 2013, a negativa estadunidense na certificação do programa nuclear iraniano é “um erro grave”.

Para o ex-Premiê israelense, o risco imediato é Teerã relançar seu programa de armas nucleares, o que faria nações como Egito, Arábia Saudita e Turquia iniciarem um processo de desenvolvimento da capacidade nuclear para fins bélicos o que impactaria diretamente no status quo de uma região já volátil.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Compliance: “Termo cunhado para designar um conjunto de disciplinas que tem como objetivo examinar o cumprimento das normas legais e regulamentares. No caso do Programa Nuclear Iraniano, o compliance ao qual o texto se refere remete ao exame sobre o cumprimento das políticas e diretrizes para a manutenção do acordo, verificando e tratando eventuais desvios e inconformidades”.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Trump em Springfield, Missouri” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Presidency_of_Donald_Trump#/media/File:President_Donald_J._Trump%E2%80%99s_Visit_to_Springfield,_Missouri.jpg

Imagem 2Acordo nuclear do Irã. Acordo em Viena. Da esquerda para a direita, ministros estrangeiros: secretários de estado Wang Yi (China), Laurent Fabius (França), FrankWalter Steinmeier (Alemanha), Federica Mogherini (UE), Mohammad Javad Zarif (Irã), Philip Hammond (Reino Unido), John Kerry (EUA)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_de_Ação_Conjunto_Global#/media/File:Iran_Talks_Vienna_14_July_2015_(19067069963).jpg