AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Posicionamento estadunidense na Síria, pós-retirada das forças militares, e resultados geopolíticos

O presidente Donald J. Trump anunciou, ainda no fim de 2018, que a campanha militar no nordeste da Síria seria encerrada após o que considerou como sendo efetiva a derrocada do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) na região.

A retirada abrupta do efetivo de dois mil homens, composto por conselheiros militares, forças especiais e fuzileiros navais estabeleceu um ambiente de contradições dentro da administração em relação à decisão, o que culminou no pedido de demissão de James N. Mattis, Secretário de Defesa, críticas de legisladores republicanos e democratas que entendem a retirada como falsa premissa de vitória sobre a organização jihadista, além de abrir precedente para uma disputa regional pelo poder, estando do mesmo lado Rússia, Irã, Turquia e o regime sírio de Bashar Al-Assad.

Com a decisão presidencial, o principal parceiro militar de Washington no terreno, as Forças Democráticas Sírias (Syrian Democratic Forces – SDF, na sigla em inglês), formadas por curdos, e que atualmente controla aproximadamente um terço do território sírio, deixará de receber amparo logístico, de inteligência e suporte em operações especiais.

Outra consequência discutida, segundo alguns analistas políticos consultados e legisladores republicanos, é quanto à posição de outros aliados regionais, em especial Israel, que ficará mais vulnerável ao avanço de Irã e Hezbollah, postulantes a protagonistas em promoção de influência na região.

O posicionamento da Casa Branca também devolve à Turquia um posto importante na tomada de decisões políticas, territoriais e militares nas cercanias de suas fronteiras, após um período de deterioração das relações bilaterais entre Washington e Ancara devido ao apoio do primeiro às Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel – YPG, na sigla em curdo), grupo ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (Partiya Karkerên Kurdistanê – PKK, na sigla em curdo), com longo histórico de embate com governos turcos.

Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel, YPG na sigla em curdo)

Ainda dentro da ótica das relações turco-americanas, a retirada dos EUA da Síria poderá fomentar a retomada das relações comerciais, uma vez que Ancara anseia pela compra de sistemas de mísseis Patriot, decisão estratégia importante, haja vista que o presidente turco Recep Tayyp Erdogan deseja ampliar sua esfera de influência no norte da Síria para evitar maior autonomia curda.

No que tange ao papel da política externa estadunidense no Oriente Médio, a crítica quanto à retirada de forças abre outro caminho, com cenários favoráveis à iniciativa presidencial. Washington nunca controlou a Síria, aliada desde a década de 1950 do regime soviético e posteriormente da Federação Russa.

Argumentam especialistas que Trump e o antecessor, Barack Obama (2009-2017), não conduziram um planejamento para ganhar o controle do país, dada a estratégia governamental de ambos de retirar os EUA de conflitos longevos no Afeganistão (2001) e Iraque (2003), evitando, assim, mais dispêndio de vidas humanas e gastos econômicos.

Outros pontos de reflexão destacados pelos mesmos especialistas vão contra à relevância da Síria para Washington antes do levante no país e subsequente surgimento do Estado Islâmico (Daesh, em árabe). De Richard Nixon (1969-1974) a George W. Bush (2001-2009), todos fizeram negócios com a família Assad quando era de interesse dos EUA fazê-lo, embora soubessem que se tratava de um regime identificado pelos norte-americanos com características autoritárias.

Com o advento da Primavera Árabe, a agenda de política externa da administração Obama definiu como necessária a retirada de Bashar Al-Assad da Presidência, entretanto, um plano de remoção e criação de um novo governo para substituir o regime alauíta não chegou a ser oferecido.

Outro argumento proposto pelos que são favoráveis à retirada contrapõe-se àquele discurso que defende a redistribuição de forças no país, o qual entende que a saída das tropas seria vista como uma perda aos EUA. Nesse sentido, analistas ponderam que, apesar de Rússia, Turquia, Irã e o grupo xiita Hezbollah poderem consolidar rapidamente a influência na Síria, a responsabilidade em gerir um Estado fraco, com economia também fragilizada e infraestrutura severamente danificada por uma guerra civil punitiva, não produzirá um ativo estratégico para quem assumir esta responsabilidade, e o mais provável é que se torne em um atoleiro caro para os supostos vencedores.

Como aponta o cientista político Mark Katz, a área continua a ser um caldeirão de forças políticas concorrentes e seus interesses conflitantes provavelmente virão à tona quando os EUA se retirarem. Se assim for, entregar o xadrez sírio para outros poderia ser uma vitória líquida para a Casa Branca.

Comboio de blindados estadunidense em estrada em Idlib

Em oposição à conjuntura favorável à retirada das forças militares estadunidenses da Síria, outro cenário pode emergir: a crise econômica instaurada pelos oito anos de guerra civil agravará tensões e conflitos sectários e étnicos.

Em complemento, acredita-se que haverá uma nova realidade, em que Assad, membro de uma minoria alauíta (que corresponde a aproximadamente 15% da população) deverá tentar governa uma Síria cuja maioria Sunita (74%) terá motivos para temê-lo e odiá-lo.

Nesse sentido, a saída prematura dos EUA poderá ocasionar em características similares à retirada do Iraque e ao plano de retirada do Afeganistão, atraindo novas modalidades de violência sectária, fortalecimento de grupos insurgentes, extremismo e conflito civil duradouro.

No âmbito da parceria com os curdos, que auxiliaram as forças norte-americanas na luta contra o ISIS, agora surge a obrigação de negociar com o grupo insurgente curdo para compensar a saída da força de coalizão ocidental do terreno.

Nesse sentido, se tais esforços produzirem efeitos reais, ou se os curdos sírios insistirem na busca pela independência, o resultado poderá ser a confecção de uma intervenção de Ancara, ou uma nova mistura de ataques de Damasco, Moscou e Teerã contra as regiões que curdos controlam no leste da Síria.

Por tais razões, especialistas consultados acreditam que as determinações de Trump são um convite a novos esforços extremistas e novas possibilidades de conflito civil, além de abrir definitivamente o país para Rússia e Irã.

Para mitigar o risco, analistas veem três opções: fornecer novamente armamento e realizar ataques aéreos para garantir o enclave sírio de resistência árabe-curdo; reintroduzir assistência de forças especiais; e criar mecanismos de financiamento internacional, um pacote ocidental para inviabilizar a influência de Assad e seus aliados geopolíticos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Militar norteamericano acompanhando o retorno de um UH60A Black Hawk a base de Ellington Field, Texas (TX)” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/imcomkorea/3017209905/in/photolist-5ABZor-5djNAG-9erxDq-33PoiA-drKxsR-paY9WC-p5xhcp-UbP27a-fvFm2w-3anBbC-a1DqKZ-cNSW9d-eiWLms-5d3hy5-5ABZze-ebbQ61-7J24t2-5AFAr9-9KSLRx-oWVkt2-7pnM5K-4otj9t-s9TPh7-5AFuDo-nqAB8F-WkrQpL-UT91Tu-dFKPkp-qTodPN-bQuxia-5ABekc-s9bRqe-n92k86-6eAsG-5AFYZb-5ABYV2-7KcYUo-2abBHfV-5AG3RL-nbPeWh-9sdfhX-oX145C-poyTeD-5ABmMD-hU2GT6-9Q8mvn-ocE6KV-7JuuYD-cJvh9A-8ag9Mk

Imagem 2Unidades de Proteção do Povo (Yekîneyên Parastina Gel, YPG na sigla em curdo)” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/kurdishstruggle/11486129995/in/photolist-iuZqh4-qweXKX

Imagem 3Comboio de blindados estadunidense em estrada em Idlib” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/[email protected]/31519092457/

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reação da Palestina frente a decisão de Trump

Hoje, finalmente reconhecemos o óbvio: que Jerusalém é a capital de Israel”. Ao anunciar oficialmente que os EUA reconhecerão Jerusalém como capital do Estado de Israel, no último dia 6 de dezembro de 2017, o presidente Donald Trump cumpre uma de suas promessas de campanha e abre um precedente que pode prejudicar às negociações de paz entre israelenses e palestinos, assim como inflamar a violência na região.

Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte

Para analistas políticos nos EUA, a decisão sobre o status de Jerusalém é parte de um esforço conjunto com o vice-presidente Mike Pence que, ao longo da campanha eleitoral, recebeu grande apoio de cristãos evangélicos, principalmente do Estado de Indiana, do qual foi governador de 2013 a 2017.

Na comunidade internacional, as nações árabes e muçulmanas advertiram que o movimento estadunidense prejudicaria o esforço de estabilização do Oriente Médio. Além disso, China e Rússia expressaram preocupação.

Aos olhos de líderes palestinos e aliados desses, a esperança de um acordo de paz diminuiu consideravelmente após o anúncio de Trump. Para o presidente palestino Mahmoud Abbas, a decisão de Trump descredencia os EUA a manter a mediação da paz, chamando a sua atitude de “uma declaração de retirada do acordo”. Jamal Zahalka, membro do Knesset pelo partido Balad, um grupo político árabe-israelense que se opõe ao conceito de Israel como único Estado, afirmou que a decisão de Trump é uma “ofensa grave”.

O Hamas, Partido político que controla a Faixa de Gaza, declarou logo após o anúncio da Casa Branca que faria “um dia de fúria”, como forma de protesto. No discurso realizado pelo líder da organização, Ismail Haniya, foi feita a solicitação ao Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que se retire do processo de paz, além de afirmar que a decisão de Washington é “uma declaração de guerra contra palestinos”, algo que criou um ambiente de tensão na cidade de Gaza*. “Esta decisão matou o processo de paz”, “matou o acordo de Oslo”, disse ele.

Horas após o discurso, manifestantes palestinos tomaram as ruas das cidades ocupadas da Cisjordânia, incluindo Ramallah, Hebron e Nablus, além de grande parte da Faixa de Gaza, para desafiar a decisão de Washington.

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Nota:

* Cidade palestina localizada na Faixa de Gaza, sendo a maior cidade localizada nessa região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestante palestino usando máscara e empunhando duas adagas na manifestação convocada pelo Hamas, após o anúncio de Trump” (Fonte):

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Imagem 2Muro na Cisjordânia, na parte israelense com um mural de arte” (Fonte):

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ÁFRICANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel se mostra preocupado com a administração Trump

Em abril deste ano (2017), o presidente americano Donald Trump autorizou um ataque de mísseis Tomahawk à base aérea síria em Homs, um ato interpretado como possível rotação da nova administração na política externa dos EUA para o Oriente Médio.

O episódio poderia marcar nova etapa na Guerra Civil, pois analistas apontavam Washington como espectador, cedendo protagonismo no pós-guerra a Moscou, que alinhava a reconstrução da Síria com opositores a Estados Unidos e Israel.

Donald Trump com Vladimir Putin no Encontro da APEC, Asia-Pacific Economic Cooperation ocorrido na cidade de Danang, Vietnã em 11 de novembro de 2017

Nas discussões sobre o futuro sírio, Putin se reuniu em Sochi, em 22 de novembro de 2017, com os presidentes de Irã e Turquia, encontro visto por especialistas como pano de fundo numa disputa regional projetada a partir da Síria, acrescentando-se que foi o primeiro do qual os EUA não participaram.

Ilan Goldenberg, que atuou em questões do Oriente Médio no Pentágono e Departamento de Estado, sob a administração de Barack Obama, considera que após o encontro de Putin com Assad, também em Sochi, “Putin ganhou na Síria” e que esse reconhecimento passa por “culpa tanto de Obama, como de Trump”.

Nesse contexto geopolítico, a posição de Washington está em buscar alternativas, principalmente após a decisão de Trump de cancelar o programa secreto da CIA que culminaria no custeio de armas para rebeldes sírios moderados que lutam contra o regime de Assad.

Segundo analistas, com tal posicionamento, o objetivo é fazer esforço para reverter a influência do Irã, que se associou a Rússia para defender Assad, já que este é um cenário preocupante para Israel.

Concomitantemente, ao projetar frear a expansão de Teerã no Oriente Médio, o tenente-general das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Gadi Eisenkot, revelou em entrevista à mídia saudita que Tel-Aviv estava pronta para compartilhar inteligência com países árabes moderados, com a finalidade de combater o Irã, uma decisão unilateral, a qual, segundo foi apurado, não teve influência de Trump.

Ao apresentar tal iniciativa, ficou claro para especialistas nos EUA e em Israel que há críticas no núcleo duro do Governo israelense, que interpreta a abordagem da administração Trump para o Oriente Médio como pouco clara e desarticulada, considerando que isso ocasiona ambiente de incertezas, ao passo que a coalizão Rússia, Irã, Síria, Hezbollah avança.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Donald Trump em conversa com PrimeiroMinistro Benjamin Netanyahu no Aeroporto Ben Gurion, na primeira visita de Trump a Israel, como Presidente” (Fonte):

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Imagem 2Donald Trump com Vladimir Putin no Encontro da APEC, AsiaPacific Economic Cooperation ocorrido na cidade de Danang, Vietnã em 11 de novembro de 2017” (Fonte):

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Ataque a tropas americanas no Níger

A emboscada a militares estadunidenses na região de Tillabery, Níger, no último 4 de outubro de 2017, resultando na morte de quatro soldados Boinas Verdes, ainda gera questionamentos sobre a política externa dos EUA na África.

US. Marines treinam combatentes nigerinos contra Al-Qaeda baseada no Saara

O senador republicano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, admitiu desconhecer sobre os cerca de 800 militares baseados no Níger, mas afirmou: “Eles estavam lá para defender a América. Eles estavam lá para ajudar os aliados. Eles estavam lá para impedir que outra plataforma ataque a América e nossos aliados”.

Com base em informações oficiais, retransmitidas a agências de notícias, as tropas dos EUA estão no Níger para ajudar a fortalecer um parceiro militar, algo recorrente no continente desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Nesse quadro, o Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês) pretende redirecionar a estratégia antiterrorismo para a região, ao iniciar a expansão e renovação da base em Agadez, cidade ao norte do Níger, e que serviria para o lançamento de Drones armados, fato que poderia aumentar ações militares diretas na região.

Para especialistas, a ação estadunidense no continente africano para treinar e equipar os militares, criando aptidão, tinha um cunho preventivo, supondo que Estados fracos podem se tornar atrativos ao desenvolvimento de grupos terroristas.

Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações Anti-Terrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França

Como o Sahel, região árida abaixo do Saara, tem recebido aumento notável da atividade jihadista, os mesmos especialistas afirmam que a ameaça é concreta, porém no âmbito regional no norte e oeste do continente, mas com mínimas possibilidades de um ataque direto aos Estados Unidos.

Ainda de acordo com especialistas, a ascensão da Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) em 2007 foi resultado da exploração da população pobre e das tensões locais, em que desenvolveu uma agenda local e regional, combinadas com uma visão transnacional que visava os interesses ocidentais na região, mas que raramente se estendia para além da África.

Por fim, a presença dos EUA, vista por muitos como ameaça para a estabilidade regional, foi usada para justificar o aprofundamento da cooperação militar dos EUA na África, em especial no Níger, onde as operações expandiram-se após 2011 e 2012, quando o AQMI ampliou suas ações e deu nova urgência aos esforços de contraterrorismo dos EUA e da França.

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Imagem 1Um Soldado francês do 92º Regimento de Infantaria faz parte da coalizão de combate ao terrorismo na região do Sahel, África Ocidental” (Fonte):

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Imagem 2US. Marines treinam combatentes nigerinos contra AlQaeda baseada no Saara” (Fonte):

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Imagem 3Coronel Eric Bometon, Comandante do Destacamente Aéreo Francês (DetAir) no Centro de Operações AntiTerrorismo no Sahel, apresenta um Drone Reaper comprado pela França” (Fonte):

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Questão que envolve Trump, Rússia e as eleições de 2016 ainda sob forte suspeita

Na semana passada, as primeiras acusações formalizadas pelo investigador especial Robert Muller contra membros da campanha do então candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, complementam o que havia sido diagnosticado por agências de…

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Robert Muller produz as primeiras acusações contra homens da campanha de Trump

Na segunda-feira, 30 de outubro, após 5 meses e meio de investigações e muita especulação, os EUA conheceram as primeiras acusações promovidas pelo ex-diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI, na sigla em inglês) e atual investigador especial, Robert Muller*, sobre o suposto envolvimento da Rússia na campanha presidencial norte-americana de 2016.

Paul Manafort Jr., chefe de campanha de Donald Trump, e Rick Gates, segundo homem forte da campanha presidencial republicana e associado em negócios com Manafort, foram indiciados por 12 acusações, incluindo lavagem de dinheiro, operações ocultas com agentes estrangeiros, ocultação de contas no exterior e por dar falso testemunho para autoridades federais.

Investigador especial Robert Muller em audiência no Senado

George Papadopoulos, também investigado no que ficou conhecido na imprensa internacional como Russiagate, se declarou culpado por mentir ao FBI sobre suas interações com um professor com vínculos com o Governo russo.

Os primeiros argumentos destacados na investigação indicam que o Presidente dos EUA teve como chefe de campanha um homem que supostamente serviu como agente estrangeiro para outros governantes, dentre os quais: Viktor Yanukovych, ex-Presidente da Ucrânia; Mobutu Sese Seko, ex-Presidente da República Democrática do Congo; Ferdinand Marcos, ex-Presidente das Filipinas; e Jonas Savimbi, líder rebelde angolano, assim como para governos alinhados com Vladimir Putin.

Outro argumento de destaque na investigação expõe um membro da equipe de campanha do então presidenciável Donald Trump, supostamente como interlocutor de pessoas próximas ao Kremlin, cujo objetivo era organizar uma reunião entre a campanha e funcionários russos com interesse em obter informações comprometedoras sobre a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Paul Manafort na preparação da Convenção Nacional Republicana em Cleveland, 2016

Apesar do desejo de Trump em cortar as investigações sobre a trama russa na política estadunidense, seus principais conselheiros, de acordo com fontes em Washington, acreditam que não há muito a ser feito, indicando que Trump ficaria alheio as investigações de Muller.

A secretária de imprensa Sarah Huckabee Sanders disse a repórteres apenas “no”, ao ser perguntada se o presidente tentaria alguma manobra, como comprometer o orçamento utilizado por Muller, tal como sugerido pelo ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon.

Alguns conservadores, no entanto, pressionam Trump a considerar outra opção para minimizar as notícias sobre a Rússia. A ideia passa pela criação de um conselho especial concorrente que examinaria um acordo da era Obama que permitia que uma empresa russa assumisse o controle de uma fatia da capacidade de extração de urânio nos EUA.

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Nota:

* Robert Muller foi o 6º diretor do FBI, no período de 2001 a 2013, nas administrações de George W. Bush e Barack Obama.

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Imagem 1Paul Manafort com Trump na Convenção Nacional Republicana de 2016” (Fonte):

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Imagem 2Investigador especial Robert Muller em audiência no Senado” (Fonte):

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Imagem 3Paul Manafort na preparação da Convenção Nacional Republicana em Cleveland, 2016” (Fonte):

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ÁFRICAAMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A emboscada sofrida pelas forças especiais dos EUA no Níger

A atitude adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao prestar condolências a viúva do Sgt. La David Johnson, Myeshia Johnson, que foi testemunhado pela congressista democrata Frederica S. Wilson, gerou grande debate sobre a postura presidencial e também interesse pela participação de Forças Especiais estadunidenses em terreno nigerino.

Mapa do Níger

Com base em fontes de segurança dos EUA e do Níger, no dia 4 de outubro de 2017, uma patrulha mista de militares norte-americanos e nigerinos foi emboscada perto de Tongo Tongo, uma vila localizada na região de Tillabery, a 120km ao norte da capital, Niamey, e a poucos quilômetros da fronteira com o Mali.

Apesar dos poucos detalhes e da confusão de informações sobre o evento, um grupamento formado por 8 a 12 soldados dos EUA em companhia de mais 30 a 40 combatentes nigerinos, entraram em contato com aproximadamente 50 militantes do Estado Islâmico.

Testemunhas do tiroteio relataram às agências de notícias internacionais que os insurgentes explodiram os veículos, obrigando os soldados a dispersarem para, em seguida, devolverem fogo.

Ainda com base em informações colhidas com testemunhas e fontes de segurança, um avião militar francês localizou os atacantes, mas não pode intervir, uma vez que o combate estava acontecendo muito perto. Contudo, há outra versão, afirmando que o Níger proíbe ataque aéreo estrangeiro em seu solo.

Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger – Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright

Para o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Joseph Dunford, em declaração à repórteres no Pentágono, a patrulha não esperava entrar em contato devido a uma regra que proíbe aos militares adentrarem em áreas onde um eventual conflito poderia ocorrer. Dunford explicou ainda que a missão no Níger e em outros lugares está dentro dos limites da batalha global contra milícias terroristas sediadas na África, como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e o Boko Haram.

A participação militar estadunidense na região data de 2013, em um esforço conjunto com o Exército francês que executava operação contra a Al-Qaeda no Mali. De início, o presidente Barack Obama enviou 150 conselheiros militares a Niamey, capital do Níger, para operacionalizar drones de vigilância sobre o Mali.

Hoje, há cerca de 800 soldados ajudando na luta contra os extremistas islâmicos, mas apenas 100 boinas verdes (Green Berets) estão no Níger para auxiliar na construção da capacidade militar, na instrução de seus homólogos e no apoio tático com pequenas unidades e suporte aéreo próximo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Membros do 3º Grupamento das Forças Especiais e do 2º Batalhão batem continência no funeral do Sgt. La David Johson, morto em confronto no Niger” (Fonte):

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Imagem 2Mapa do Níger” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADger#/media/File:Niger_-_Location_Map_(2011)_-_NER_-_UNOCHA.svg

Imagem 3Os 4 soldados estadunidenses mortos no Niger Sgt. Bryan Black, Staff Sgt. Jeremiah Johnson, Sgt. La David Johnson, Staff Sgt. Dustin Wright” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tongo_Tongo_ambush