EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sequestro e morte de promotor na Turquia

O promotor turco Mehmét Selím Kiráz, que havia sido sequestrado por extremistas de esquerda em um Tribunal de Istambul, não resistiu a uma cirurgia e faleceu. De acordo com o presidente Tayyíp Érdogan, a vítima levou três tiros na cabeça e dois no corpo. Também morreram os dois homens do grupo marxista clandestino Partido/Frente Revolucionária de Libertação do Povo (DHKPC), que mantinham Mehmét Kiráz refém[1].

O chefe de polícia Selamí Altínok estabeleceu linhas de comunicação com os sequestradores, mas agentes tiveram de invadir o Palácio da Justiça de Tchaglayán, na Zona Europeia de Istambul, após ouvir disparos dentro do local. Os extremistas, que chegaram a apontar uma arma para a cabeça da vítima durante o cerco da Polícia, exigiam a “confissão televisionada” do policial que atirou em Berkín Elván, o adolescente de 15 anos que faleceu em consequência de um ferimento na cabeça, ocorrido durante Protestos contra o Governo, em 2013. Além disso, queriam um julgamento para os policiais envolvidos nesta morte, além do afastamento daqueles que participaram dos protestos após a morte do adolescente. Kiraz, o promotor sequestrado e morto, investigava o falecimento de Elván.

O DHKPC é classificado pelos Estados Unidos, União Europeia e Turquia como uma Organização Terrorista. O grupo protagonizou um Atentado Suicida à embaixada americana (em 2013) e à região central de Istambul (em 2001), matando dois policiais e um turista australiano. Segundo a Agência de Notícias Dogan, a Polícia recebeu informações que davam a entender que o DHKPC preparava operações similares a que foi realizada. A Polícia Turca prendeu 22 pessoas supostamente vinculadas a este grupo clandestino de extrema-esquerda. A operação aconteceu na cidade de Antálya (no sul da Turquia)[2].

Paralelamente ao sequestro e à morte de Kiráz, as Autoridades turcas estão investigando um possível Ataque terrorista devido a um Apagão na eletricidade de diversas cidades, tais como Istambul e Ankara. Oficiais confirmaram que houve problemas em todo o sistema da Companhia de Eletricidade Turca (TEİAŞ),  o que pode ter causado o incidente.  Pelo menos 44 províncias foram afetadas, o que equivale a mais de 20 milhões de pessoas que ficaram sem energia elétrica.

O primeiroministro Ahmét Davútoglu afirmou que “todas as possibilidades[3], incluindo um ataque terrorista, estão sendo investigadas pela interrupção. Já o Ministro da Energia do país, Tanér Yildíz, foi inflexível ao afirmar que o apagão não foi causado por falhas elétricas: “eu também não posso dizer se houve ou não um ataque cibernético[3], concluiu. Os relatórios locais especulam se houve uma grande explosão em Kotcháeli, pouco antes da queda, porém não há confirmação independente ainda.

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Imagem (Fonte):

http://offnews.bg/news/%D0%A1%D0%B2%D1%8F%D1%82-_12/%D0%92%D0%B7%D0%B5%D1%82%D0%B8%D1%8F%D1%82-%D0%B7%D0%B0-%D0%B7%D0%B0%D0%BB%D0%BE%D0%B6%D0%BD%D0%B8%D0%BA-%D1%82%D1%83%D1%80%D1%81%D0%BA%D0%B8-%D0%BF%D1%80%D0%BE%D0%BA%D1%83%D1%80%D0%BE%D1%80-%D0%BF%D0%BE%D1%87%D0%B8%D0%BD%D0%B0-%D0%BE%D1%82-%D1%80%D0%B0%D0%BD%D0%B8%D1%82%D0%B5-%D1%81%D0%B8_483543.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-32129012

[2] Ver:

http://www.nydailynews.com/news/world/turkish-prosecutor-hostage-members-leftist-group-article-1.2168015

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/03/31/middleeast/turkey-power-outage/

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

O futuro das Guerras Urbanas está nos centros de treinamento do tipo “Tsé’Elím”

Após séculos de conflitos militares tradicionais, as Forças Armadas do mundo cada vez mais treinam para os conflitos urbanos, ataques terroristas, tomada de reféns, combates ao narcotráfico, sequestros, recidivas criminais, latrocínios e manifestações violentas. A globalização dos conflitos urbanos é evidente na Ucrânia, França, Austrália, Nigéria, Brasil, Estados Unidos, República Tcheca. Esse fato impõe a inovação de táticas adequadas, as quais devem ser aplicadas urgentemente no âmbito da Segurança Pública e nos Conflitos Urbanos.

Durante as Guerras Mundiais do século XX e o Conflito LesteOeste, os Exércitos tinham sido formados para batalhas em vastas extensões, essencialmente rurais, com frentes se movendo ao sabor dos recuos e dos avanços das unidades de infantaria, apoiados por blindados, pela artilharia e por caças da aeronáutica. Durante os 45 anos que sucederam a Rendição da Alemanha, gerações de soldados se prepararam para a Guerra Total entre o Pacto de Varsóvia* e a Aliança Atlântica. A Guerra nas Cidades era praticamente inexistente. Nos regulamentos da infantaria, tratava-se esse tema pudicamente como Combate em Localidade. Durante a Segunda Guerra Mundial cidades inteiras eram bombardeadas, como ocorreu em Londres e Dresden. No Vietnã, o foco recaía sobre um quarteirão. Hoje em dia, na Ucrânia, Síria, Iraque, Afeganistão ou nos Territórios Palestinos, lidamos com um imóvel e mesmo com uma janela em um dos andares desse imóvel.

Diferente dos grandes palcos de batalhas de fronteiras ou de regiões, o espaço urbano é um labirinto de múltiplas dimensões, formado por subsolos, porões, cinturões, esgotos, estacionamentos, metrôs, vias subterrâneas, ruas, praças, esquinas e becos. Por edifícios com todos os tipos de configurações: centros históricos, setores habitacionais, grandes superfícies comerciais, arranha-céus. Essa encruzilhada oferece ao beligerante, sobretudo se ele conta com o apoio de uma parcela considerável da população (característica própria aos “conflitos assimétricos” do momento) uma “opacidade protetora”, que permite a um adversário, tido por mais fraco, encontrar uma vantagem tática.

Nesta nova abordagem do Campo de batalha, a presença das populações é um dado central: elas são frequentemente as vítimas, mas às vezes são protagonistas nos conflitos. Na cidade a ameaça vem de toda parte. Cada rua, cada quarteirão pode se tornar um palco de operação. Às vezes, as unidades são cercadas, despedaçadas. É uma situação permanente de “duelo”, não importando o sistema de armas. O agente das Forças Armadas deve tentar perceber, dentre os habitantes, qual está implicado, quem é o agente perigoso e quem não é, algo muito delicado. Esse tipo de ação, realizada em intervalos curtos de tempo e com demandas logísticas complexas, necessita de estoques de munição dez vezes mais significativos do que numa campanha militar normal, assim como um número suficiente de blindados, ora para apoio, ora para proteção. E, sobretudo, requer tropas permanentemente treinadas.

Os exemplos reais dessa nova forma de combate são vistos nas intervenções norte-americanas em Bagdá ou Falluja; e nas britânicas, em Bassorah, no Iraque; nas russas em Grozny, nos anos 1990; nas europeias em Príchtina e Mítrovitsa, no Kosovo, e nas israelenses, face à Resistência Palestina. Na verdade as operações de contra-insurreição na Irlanda do Norte, desde os anos 1960, e de manutenção da paz nos Bálcãs, nos anos 1990, deram oportunidade para as tropas britânicas “treinarem” quando engajadas em missões recentes no Afeganistão e no Iraque.

Para treinar os soldados em fundamentos de conflito urbano, Israel inaugurou em 2005 o Centro de Treinamento em Conflito Urbano de TséElím[1]  – uma base militar que está localizada no Deserto de Negév. Erguido com o trabalho e investimento significativo do Exército dos Estados Unidos da América, a obra de US$ 45 milhões é uma das maiores e mais modernas do tipo no mundo. A cidade parece ser árabe, mas não é. Ela foi construída pelas Forças de Defesa Israelenses para garantir que suas tropas sejam as melhores do mundo em Conflito Urbano.

Em Israel, o Conflito Urbano é uma ocorrência quase diária. Batalhas com israisrainimigos como Hezbollah** e Hamas foram travadas na mesma linha do combate militar tradicional com muitas baixas dos dois lados. Isso ocorreu até a Segunda Intifada***, em 2002, quando os israelenses lutaram em Nablus, redefinindo o próprio campo de batalhas da guerra, utilizando técnicas de combate urbano para tomar a cidade. O Exército Israelense, em vez de usar as ruas, onde as tropas ficavam vulneráveis a táticas de guerrilha, começou a atravessar paredes. Marcada pelo baixo número de mortes israelenses, essa abordagem pós-moderna ao conflito urbano foi aclamada como um grande sucesso e abraçada pelos planejadores militares de Israel, embora o combate tenha resultado em mortes civis bastante públicas e em imensos danos colaterais[2].  

O nome da cidade do Centro é Baladía – que significa “cidade”, em árabe. A povoação é tão real que tem mesquita, iluminação, placas com os nomes das ruas, com toda a estrutura básica e instalações de uma cidade. A Baladía possui 600 casas, no espaço de um quilômetro quadrado. Os agentes usam a Mesquita para chamar para as orações diárias cinco vezes por dia. Eles precisam treinar com o máximo de realidade de uma ação de verdade. Baladía se estende por quase cinco mil acres. Com o auxílio de especialistas em simulação,  a “cidade camaleônica” mimetiza lugares do Líbano, de Gaza, da Cisjordânia ou da Síria, dependendo do dia e do programa de treinamento. Nesse moderno Centro de Treinamento em Combate Urbano, o Exército Israelense pratica e aperfeiçoa as técnicas mais modernas de Guerra Urbana. O cotidiano dos agentes se dá no meio do fogo cruzado, enfrentando os pelotões do inimigo e tentando fazer  armadilhas em algumas das casas. Tem atiradores de tocaia esperando, ou bombas dentro de carros. O treinamento é vital.

Israel pode ter saído na vantagem ao utilizar técnicas de conflito urbano em Nablus, em 2002, mas foi o Hezbollah, durante a Segunda Guerra do Líbano****, em 2006, que se provou mais bem-treinado ao aproveitar a vantagem de povoados e áreas urbanas. O que as Forças de Defesa Israelenses estão fazendo é efetivamente o futuro da guerra.  Cada vez menos vai haver guerras normais, com dois exércitos de frente um para o outro. Em vez disso, serão pequenos pelotões atacando cidades diante de inimigos invisíveis. O espaço privado de repente se torna espaço público e vira o teatro da guerra. Tudo é ameaça – a janela, a escada e o telhado. A rua é o lugar mais perigoso para os agentes armados  israelenses, porque não tem nenhuma proteção. Essa será a realidade do futuro.

O Conflito Urbano é o básico durante o treinamento nas Forças de Defesa de Israel. A maioria dos países democráticos não trava combates entre si, mas luta contra grupos terroristas. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Exército Americano[3]  adquiriram muita experiência nos últimos anos no Afeganistão e no Iraque. É uma mudança que vai afetar o mundo todo para construir mais Centros de Treinamento em Conflito Urbano[4]. Os desafios e o perigo são infinitos.  Há 15-10 anos, o Conflito Urbano era coisa para as unidades especiais. Agora, é treinamento cotidiano. No Centro TséElím sempre tem um Exército de algum país diferente que vem treinar. O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, a Organização das Nações Unidas (ONU), exércitos de todo o mundo treinam em Baladía

Todos os exércitos, todas as organizações terroristas estão evoluindo e, portanto, as táticas também estão mudando. Por exemplo, enquanto os israelenses treinam em TséElím[5], o Hezbolláh continua a lutar com o Governo da Síria, desenvolvendo e aprendendo novas Táticas de Conflito Urbano. Se o Exército Israelense, treinando em simulações de povoados, deverá se equiparar à experiência de mundo real do Hezbolláh, esta é uma grande questão. Mas, com certeza, a Guerra Urbana[6] continuará a se transformar e evoluir.

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* O Pacto de Varsóvia, ou Tratado de Varsóvia, foi uma aliança militar formada em 14 de maio de 1955 pelos países socialistas do Leste Europeu e pela União Soviética, países estes que também ficaram conhecidos como Bloco do Leste. O Tratado correspondente foi firmado na capital da Polônia, Varsóvia, e estabeleceu o alinhamento dos países membros com Moscou, constituindo um compromisso de ajuda mútua em caso de agressões militares e legalizando na prática a presença de milhões de militares soviéticos nos países do Leste Europeu desde 1945.

** Hizbollah, ou Hezbollah (Partido de Deus), é uma organização com atuação política e paramilitar fundamentalista islâmica xiita sediada no Líbano. É uma força significativa na política libanesa, responsável por diversos serviços sociais, além de operar escolas, hospitais e serviços agrícolas para milhares de xiitas libaneses. É considerado um movimento de resistência legítimo por grande parte do mundo islâmico e árabe. O grupo, no entanto, é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Argentina, Israel, Canadá e pelos Países Baixos. O Reino Unido colocou a sua ala militar na lista de organizações terroristas banidas no país, enquanto a Austrália considera parte de sua estrutura militar, a Organização de Segurança Externa, uma organização terrorista. Em 2013, a União Europeia adicionou o braço armado do Hezbollah na lista de organizações que considera como terroristas.

***A Segunda Intifada, ou Intifada Al-Aqsa, designa o conjunto de eventos que marcou a revolta civil dos palestinos contra a política administrativa e a ocupação israelense na região da Palestina, a partir de setembro de 2000. A Primeira Intifada ocorreu em 1987.

**** A Guerra do Líbano de 2006 foi um episódio do conflito árabe-israelense, também conhecido, em Israel, como Segunda Guerra do Líbano; no Líbano, como Guerra de Julho; no Mundo Árabe, como Sexta Guerra IsraeloÁrabe. O conflito militar ocorreu no norte de Israel e no sul do Líbano, com início no dia 12 de julho de 2006. Envolveu as Forças de Defesa Israelenses, o braço armado do Hizbollah e, em menor grau, o Exército Libanês.

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Imagem (Fonte):

http://www.militaryphotos.net/forums/showthread.php?58508-Israel-Defense-Forces-(Read-First-Post!)/page144

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.metmuseum.org/collection/the-collection-online/search/289155

[2] Ver:

http://www.idfblog.com/blog/2011/12/01/the-backbone-of-the-idf-reserve-units-train-at-tzeelim/

[3] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Category:United_States_Army_training_facilities

[4] Ver:

http://www.knox.army.mil/partners/tass/

[5] Ver:

http://www.businessinsider.com/israel-fake-city-urban-combat-2014-7?op=1

[6] Ver:

http://www.idfblog.com/blog/2011/10/26/urban-warfare-training-center-simulating-the-modern-battle-field/

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

O Terrorismo e a Segurança Pública nas grandes cidades pelo mundo depois do “Caso Sydney”

O falecido clérigo radical iraniano Man Haron Monis (nascido Mohammad Hassan Manteghi)[1] foi o autor do sequestro em massa que resultou na Crise de Reféns em Sydney, em 2014. Eis a anatomia e o desenvolvimento do caso.

Monis solicitou e recebeu asilo da Austrália em 1996, após deixar a República Islâmica do Irã. Ele trocou seu nome e adotou o título de sheik. Fontes diferentes atestam sua saída do país após a detenção de sua esposa e filhos pelas autoridades iranianas, por causa de suas “visões liberais” sobre a religião no Irã. Outras fontes dizem que ele fugiu do país após roubar 200.000 dólares dos clientes de sua agência de turismo[2]. O chefe da polícia iraniana, Esmaeil Ahmadi-Moghaddam, confirmou que Monis era dono de uma agência de viagens na capital Teerã, que havia fugido primeiro para a Malásia, depois para a Austrália e tinha no país persa uma “longa história de crimes e fraudes[2].

De acordo com a agência de notícias oficial iraniana IRNA[3], ele era procurado pela Interpol[4] e pela Polícia iraniana na época em que recebeu asilo, mas a Polícia australiananão o extraditou mesmo depois de pedidos oficiais e do envio de relatórios que confirmavam seus crimes comuns no Irã e de seu estado de perturbação mental, pelo fato da Austrália não ter tratado de extradição com o Irã[5]. Monis nasceu numa família xiita e foi um muçulmano xiita por quase toda a vida até sua recente conversão ao sunismo “dias antes do atentado em Sydney[6]. Na Austrália, há muito havia se proclamado um sheik, apesar de seu título não ser reconhecido pela Comunidade muçulmana no país e ele era marginalizado pelas duas comunidades, xiita e sunita, devido à suas visões extremistas e personalidade problemática e beligerante.

No país, ele colecionou um longo prontuário criminal de pequenos delitos e delitos mais graves, incluindo uma acusação de cumplicidade no assassinato de sua ex-mulher, motivo pelo qual aguardava o julgamento em liberdade sob fiança; assédio sexual e uso criminoso dos correios do país para fazer ameaças e ofender soldados australianos que serviram nos países muçulmanos[6]. Em 12 de dezembro de 2014, três dias antes do atentado, ele teve seu apelo rejeitado pela Suprema Corte da Austrália. Com relação à condenação no caso dos correios[7] ele havia enviado cartas às famílias de soldados mortos no Afeganistão, chamando-os de assassinos e protestando contra a presença da Tropas australianas neste país[8].

Numa destas cartas ele comparava um soldado morto a um porco e dizia que seu corpo era “contaminado[9]. Cartas semelhantes foram enviadas à mãe de um soldado britânico morto num atentado em Jacarta, na Indonésia. Ele foi julgado e condenado à liberdade condicional com 300 horas de “prestação de serviço comunitário[10]. Em 2010, foi proibido pela Justiça de usar o serviço postal australiano[10]. Esta condenação o tinha consumido e enraivecido por anos e o sequestro no Café em Sydney se deu imediatamente após à negação de seu apelo pela Suprema Corte[11].

Na manhã de 15 de dezembro de 2014, Monis fez 17 funcionários e clientes de reféns em um Café, em Martin Place, no centro financeiro da cidade de Sydney, situado em frente do estúdio de televisão da TV7, que passou a transmitir o caso ao vivo. Para a sua atuação, que pode não ser qualificada necessariamente como terrorista, Monis poderia ter escolhido outro local com mais danos colaterais. Por exemplo, a Suprema Corte de New South Wales, o Parlamento de New South Wales, o escritório do primeiro-ministro Anthony John Abbott, o Reserve Bank of Australia, alguns dos maiores Bancos do país, que ficam algumas quadras do café. O armado Monis fez com que os reféns segurassem uma Bandeira islâmica negra com um shahādah* em árabe, que dizia: “Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta[12].

Os edifícios vizinhos, incluindo escritórios do Governo, instituições financeiras e a estação ferroviária Martin Place, foram evacuados e bloqueados. Alguns reféns conseguiram escapar. O evento durou mais de 16 horas antes de agentes da Polícia tática invadirem o café nas primeiras horas da manhã seguinte e Monis foi morto no confronto que se desenvolveu[13]. Dois dos reféns também morreram, vários outros foram feridos e um policial sofreu ferimentos leves. 

No dia anterior ao sequestro, Monis publicou em seu site: “O Islã é a religião da paz, é por isto que os muçulmanos lutam contra a opressão e o terrorismo dos Estados Unidos e seu aliados como a Grã-Bretanha e a Austrália. Se nós permanecermos em silêncio contra os criminosos não poderemos ter uma sociedade pacífica. Quanto mais você luta contra o crime, mais pacifista você se torna. O Islã quer a paz na Terra, é por isto que os muçulmanos querem parar o terrorismo da América e seus aliados. Quando você fala contra o crime, você dá um passo adiante em direção à paz[14].

Se Monis fosse membro de uma célula jihadista, autônoma ou parte duma organização terrorista como Al-Qaeda ou Estado Islâmico (EI)**, se ele tivesse realizado um ataque mais violento, digamos com explosivos, ele poderia ter matado muito mais pessoas. Especialistas argumentam que no Caso Sydney morreram dois reféns e o sequestrador mais por causa de uma ação inadequada, bem como da incapacidade das Forças Especiais da Austrália e dos seus Serviços Secretos em trabalhar adequadamente o Gerenciamento da Segurança Pública. Exemplificando tal situação, o sequestro em Sydney coincidiu com a detenção de um homem de 25 anos no noroeste da cidade por “supostos delitos por terrorismo[15]. O detento era ligado a um plano para realizar um ataque terrorista em solo australiano e para facilitar o deslocamento de cidadãos australianos para a Síria.

Em setembro, as autoridades australianas elevaram o alerta terrorista para ALTO, devido à possibilidade de possíveis ataques a cargo de “uma só pessoa”, de “pequenos grupos”, ou de “grandes organizações”. Sendo parte da Coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza bombardeios contra o Estado Islâmico (EI), a Austrália tem aumentado suas Medidas de Segurança contra a ameaça do Terrorismo Islâmico e tenta evitar que jovens do país sejam cooptados por Grupos Extremistas. Em setembro de 2014, quinze pessoas suspeitas de planejar ataques terroristas no país foram presas. No mês seguinte, o Governo aprovou o endurecimento das leis contra os australianos envolvidos em ações terroristas.

A atuação do Man Haron Monis relembra, mas, ao mesmo tempo, é muito diferente dos outros acontecimentos terroristas encenação parecida que aconteceram nas diferentes cidades mundiais antes da “Crise de Reféns em Sydney”. Nos casos de Michael Zehaf-Bibeau (no Canadá), de Mohammed Merah (na França), de Dzhokhar Tsarnaev (em Boston) e de Michael Adebolajo (na Inglaterra), por exemplo, os perpetradores da violência aplicaram procedimentos mortais. No caso de Monis, que não é e nunca foi um terrorista do espécie “lobo solitário”, as consideradas apatia, inatividade e ineficácia das autoridades australianas, dos órgãos da Segurança Nacional, dos órgãos de Segurança Pública e dos Órgãos de Justiça da Austrália deixaram um homem com dossiê criminal amplo viver calmamente num país que mostrou a fragilização de sua Segurança Nacional.

Para ganhar a atenção internacional, em primeiro lugar das mídias mundiais e das redes sociais, Monis usou uma bandeira islâmica negra parecida com as do Estado Islâmico (EI), por que ele sabia que a organização terrorista já é conhecida mundialmente e, assim, usufruiu da conjuntura terrorista do momento sem fazer parte do grupo e sem qualquer afiliação terrorista com eles. Conforme apontam especialistas, mesmo com a tragédia das vítimas inocentes, as suas atividades não foram tão devastadoras materialmente como a sua sinistra mensagem. O alvo dele não foi um shopping, cinema ou estação do transporte público, pois, segundo consta, ele não queria matar muitas pessoas ao mesmo tempo. No entanto, com seu ato mostrou que qualquer pessoa em qualquer cidade pode fazer o que ele fez: fugir de um país com documentos falsificados, pegar um avião e cometer o mesmo crime numa outra cidade – é possível que se identifique isso como as desvantagens da globalização. Comparativamente, a América Latina é aterrorizada há muitos anos pelos atos criminosos e por sequestros – também uma forma de terrorismo, sem baseamento religioso.  

Em 7 de janeiro de 2015, em Paris, como tem sido intensamente debatido, o atentado terrorista atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo, resultando em 12 pessoas mortas, incluindo membros da equipe do jornal e dois agentes da polícia nacional francesa. Durante o tiroteio, foram feridos mais outras 11 pessoas que estavam próximas ao local, caso que está sendo denominado como o Massacre do Charlie Hebdo. Conforme vem sendo amplamente divulgado, o ataque foi perpetrado pelos irmãos franco-argelinos Saïd e Chérif Kouachi, vestidos de preto e armados com fuzis Kalashnikov (AK-47), na sede do semanário, localizado no XI Arrondissement de Paris, supostamente como forma de protesto contra a edição “Charia Hebdo”, que ocasionou polêmica no mundo islâmico e foi recebida como um insulto aos muçulmanos.

No mesmo dia, outro francês muçulmano, Amedy Coulibaly, ligado aos atacantes do jornal, matou a tiros uma policial em Montrouge, nos subúrbios de Paris, e no dia seguinte invadiu um mercado kosher perto da Porte de Vincennes fazendo reféns, num novo ataque que terminou com mais quatro mortos, após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa. No dia seguinte ao massacre, a ação foi reivindicada pela seção da Al-Qaeda baseada no Yemen[16].

Conforme se pode observar, e especialistas vem demonstrando, as falhas cometidas pelas autoridades australianas no âmbito da Segurança Nacional e Pública foram reproduzidas pelas autoridades da França. No dia 21 de dezembro de 2014, pouco mais de duas semanas antes do Massacre do Charlie Hebdo, as agências das notícias divulgaram a informação de que a segurança no território francês foi intensificada depois que funcionários da área de inteligência relataram risco de um possível ataque suicida, o que significa que as autoridades de inteligência do país tinham dados com antecedência.

O aviso veio dos Serviços de Inteligência da Argélia e, segundo informações reportadas, a bomba teria sido planejada para ser usada por uma mulher, cujos alvos seriam o Sistema de Transporte Metroviário de Paris, ou lugares de grande movimentação pública. “A ameaça de terrorismo é real, nós aumentamos nossa vigilância[17], apontou o ministro francês do interior Brice Hortefeux sem dar mais detalhes específicos. O alerta aconteceu logo após a proibição do uso dos véus que cobrem o rosto em locais públicos franceses e depois das ações do Exército Francês contra militantes islâmicos na África do Norte. As autoridades chamaram a atenção para a ameaça de um possível atentado desde o mês de julho de 2014, quando soldados franceses se envolveram em um ataque a um campo da Al Qaeda, no Mali. Em sequência, a vertente da Al Qaeda na África do Norte, a Al Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM, na sigla em inglês), afirmou que matará cidadãos franceses em um ato de vingança pelos guerrilheiros assassinados no campo. Como resposta às ações da França, membros da AQIM assassinaram um engenheiro francês de 78 anos, sequestrado no Níger. Além disso, outros cinco franceses foram feitos reféns na mesma região, segundo reportado pela AQIM. Com isso, as autoridades francesas aumentaram as unidades de patrulhas militar e civil em pontos turísticos, incluindo a Torre Eiffel, onde 2.000 pessoas foram evacuadas depois de uma falsa ameaça de bomba[17].

Segundo o William Braniff, diretor-executivo do Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e Resposta ao Terrorismo da Universidade de Maryland[18], a Al-Qaeda na Península Arábica está competindo na arena global com o Estado Islâmico. Os dois grupos querem demonstrar que são a organização líder dessa ampla rede de jihadistas violentos, bem como que são a força a ser reconhecida, para a qual as doações devem ser feitas e com a qual todos devem se unir. É a ideia de que organizações terroristas concorrentes têm de superar uma a outra para ganhar mais recursos e influência. Portanto, há a preocupação não apenas de que ocorram cópias dos ataques, mas que se desenrole uma forma de competição entre essas organizações.

Além disso, a França tem uma postura antiterrorista pró-ativa considerada muito agressiva. Conduziu operações no Norte da África contra organizações jihadistas, realizou ataques aéreos contra o Estado Islâmico e é o único aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que aprovou legislação para permitir a entrada de soldados na Síria. Também tem uma longa história colonial e pós-colonial com a Argélia e enfrentamentos entre o Governo Francês e Grupos violentos neste país[19].

Ainda no contexto terrorista mundial, o Exército da Nigéria pediu ajuda à Comunidade Internacional para poder combater o Boko Haram (“A educação ocidental é proibida”, na sigla em português), depois de centenas de pessoas serem assassinadas pelo grupo terrorista na cidade de Baga, ao nordeste da Nigéria, também no dia 7 de janeiro de 2015. Após a ação, o Exército foi duramente criticado porque os milicianos do Boko Haram mal tiveram oposição durante o ataque à cidade, já que as Forças de Segurança destacadas em uma base militar próxima fugiram após outro ataque ocorrido dias antes.

Embora não haja número oficial de mortos em Baga, as autoridades locais disseram que centenas de pessoas perderam a vida. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que mais de sete mil pessoas fugiram para o Chade nos últimos dias por causa de ações na região e o Boko Haram continua a realizar sangrentos ataques, o último deles no dia 10 de janeiro de 2015, quando uma criança ateou fogo em si mesma em um mercado de Maiduguri, a capital do Estado de Borno, e matou pelo menos 20 pessoas[20].

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*A Shahadah (do árabe: الشهادة, “testemunho”) é o primeiro dos cinco pilares do Islamismo (Arkan al-Islam). 1. É uma declaração que pode ser dividida em duas partes. Texto em árabe é: لا إله إلا الله محمد رسول الله. Transliteração: lā ‘ilaha ‘illāl-lāh an Muhammadur rasūlu llāhi. Traduções em português: “Não há outro deus além de Deus; Muhammad é o mensageiro de Deus. Não outra divindade além de Deus; Muhammad é o seu profeta. Não há outro deus além de Deus; Muhammad é servo e mensageiro de Deus”. Alguns muçulmanos xiitas acrescentam o Alīyun wali Allah (“Ali é o delegado de Alá ou Ali é amigo de Alá”). A recitação da Shahadah com a máxima sinceridade é tudo quanto é necessário para que uma pessoa se converta ao Islão. É o testemunho mais estimulado no islamismo, onde se recomenda aos muçulmanos piedosos que repitam inúmeras vezes durante a sua vida. É costume que um muçulmano a proclame durante o tashahud, ao recordar-se de Deus, no seu leito de morte. São também as primeiras palavras que um muçulmano diz quando se levanta de manhã e antes de se deitar à noite; e também é proclamada quando se chama à oração (adhan); entre outros.

** Estado Islâmico (em árabe: الدولة الإسلامية, ad-Dawlah al-ʾIslāmiyyah), designado pela mídia ocidental como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL; em inglês: Islamic State of Iraq and the LevantISIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS, em inglês: Islamic State in Iraq and Syria – ISIS) é um grupo jihadista no Oriente Médio. Em seu Estado, autoproclamado como um Califado, afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia. O grupo islâmico foi designado como uma organização terrorista estrangeira por Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Indonésia e Arábia Saudita, além de também ter sido classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelas mídias do Ocidente e do Oriente Médio como grupo terrorista.

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Imagem  (Fonte):

http://www.talglobal.com/radicalized-individuals-imminent-terrorist-us-threat/

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Fontes Consultadas:
[1] Ver
:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/australiaandthepacific/australia/11294514/Sydney-siege-gunman-named-as-Man-Haron-Monis.html

[2] Ver:

http://manoto1.com/news/lmp7o6/NEWS16341

[3] Ver:

http://www.irna.ir/en/

[4] Ver:

http://www.interpol.int/

[5] Ver:

http://en.mehrnews.com/detail/News/105117

[6] Ver:

http://www.abc.net.au/news/2014-04-14/spiritual-healer-arrested-for-sexual-assault/5388332

[7] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/2014/12/15/sydney-hostage-crisis_n_6327220.html

[8] Ver:

http://www.sbs.com.au/news/article/2013/09/06/sheik-says-letters-were-flowers-advice

[9] Ver:

https://www.humanrights.gov.au/publications/casenote-monis-v-queen-2013-hca-4-1

[10] Ver:

http://www.washingtonpost.com/news/world/wp/2014/12/15/before-he-took-hostages-at-a-sydney-cafe-man-haron-monis-had-been-tied-to-alleged-murder-sexual-assaults-and-offensive-letters/

[11] Ver:

http://www.theage.com.au/nsw/sydney-siege-gunman-man-haron-monis-was-on-bail-for-40-sexual-assault-charges-and-accessory-to-murder-20141215-127u1e.html

[12] Ver:

http://www.news.com.au/national/breaking-news/seven-evacuates-newsroom-near-cafe-siege/story-e6frfku9-1227156337550

[13] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-australia-30485355

Ver Também:
http://www.abc.net.au/news/2014-12-16/sydney-siege-gunman-two-hostages-dead/5969162

[14] Ver:

http://www.newsweek.com/police-name-sydney-hostage-taker-radical-cleric-man-haron-monis-291926
[15] Ver:

http://www.nationalsecurity.gov.au/Pages/default.aspx

Ver Também:
http://www.afp.gov.au/

[16] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30708237

[17] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30580082

[18] Ver:

http://www.start.umd.edu/
[19] Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,al-qaeda-e-estado-islamico-disputam-relevancia-imp-,1617884

[20] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-africa-30728158

Ver Também:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30761963

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ancara diz à Bruxelas para não se meter nos assuntos que dizem respeito à segurança nacional turca

O presidente turco Recép Tayyíp Erdogán reagiu duramente nesta segunda-feira, dia 15 de dezembro, às críticas da União Europeia (UE) pelas prisões de jornalistas opositores, dizendo para Bruxelascuidar de seus assuntos[1], complementando que “A União Europeia não pode interferir nos passos dados dentro do Estado de Direito contra elementos que ameaçam nossa segurança nacional[1], afirmou falando à televisão. “Eles deveriam cuidar de seus assuntos[1], acrescentou. A polícia turca lançou no domingo, dia 14 de dezembro, uma nova operação contra partidários do clérigo Fethulláh Gulén, adversário do presidente Erdogán, numa iniciativa que também teve como alvos escritórios do jornal opositor Zaman[1][2].

A UE denunciou as operações, que foram consideradas contrárias “aos valores europeus”. Declarou ainda que a Turquia, que tenta uma vaga no Bloco, deveria respeitar esses valores. Os Estados Unidos (EUA) pediram ao Governo Turco que respeite a liberdade de imprensa, a independência da justiça e seus fundamentos democráticos. A operação policial ocorreu dois dias depois de o líder turco ter anunciado uma nova operação contra “as forças do mal” lideradas por Gulén – exilado nos Estados Unidos.

Erdogán acusa o inimigo declarado de ter organizado o lançamento de uma investigação por corrupção contra seus colaboradores mais próximos. A polícia antiterrorista agiu em 13 cidades da Turquia, entre elas Istambul, prendendo ao todo 24 pessoas, incluindo jornalistas. Entre os detidos está Ekrém Dumanlí, editor-chefe do jornal Zaman, um dos maiores veículos do país. Em frente ao prédio onde funciona a redação do jornal Zaman, nos arredores de Istambul, um grupo se reuniu do lado de fora do escritório, fazendo com que a polícia deixasse o local sem prender nenhum funcionário. “A liberdade de imprensa não pode ser calada[2], gritavam os manifestantes.

Também foram presos diretores de uma rede de televisão ligada a Gulén, incluindo um diretor, produtores e jornalistas. Como ocorreu em operações policiais anteriores, uma misteriosa conta no rede social Twitter, com o nome de um suposto Fuat Avni, anunciou os detalhes da batida antes que ela começasse. Na semana passada, Avni alertou que a polícia se preparava para prender cerca de 400 pessoas, da quais 150 jornalistas[2].

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Imagem (Fonte):

http://vevesti.bg/wp-content/uploads/2014/12/herqgfj.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://asia.actualno.com/Erdogan-ES-da-ne-dava-urok-po-demokracija-na-Turcija-news_446979.html

[2] Ver:

http://www.zaman.com.tr/haber

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30471996

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia abandona Gasoduto South Stream

Rússia e Turquia lançaram alternativa conjunta ao Gasoduto South Stream. O novo duto excluirá a participação da União Europeia e da Ucrânia no transporte de gás, resultando em perdas financeiras e políticas. Nesta segunda-feira, dia 1o de dezembro, o presidente russo Vladimir Putin esteve em Ancara, capital da Turquia, na mais curta viagem oficial da história das relações russo-turcas. Os países acertaram a construção de uma usina nuclear, estimada em US$ 200 milhões e também um gasoduto que transformará a Turquia no maior Núcleo Regional de Energia. Este servirá de alternativa ao projeto South Stream, que foi abandonado por Moscou[1].  

Após a reunião, Putin anunciou que a construção do Gasoduto South Stream, com capacidade para mais de 60 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, fora cancelada. “Estamos assistindo a dificuldades para materialização do projeto. Já que a Europa se desinteressou, não irá adiante. Não é nada de especial, afinal, são eles os compradores[2], afirmou o Presidente russo. Como alternativa, foi assinado um memorando sobre a construção de outro gasoduto que cruzará o Mar Negro com destino à Turquia, pelo qual correrão os mesmos 60 bilhões de metros cúbicos anuais planejados para o South Stream[2], dos quais 14 bilhões serão destinados à Turquia, e o restante irá para a Grécia. Para a Rússia, não há grande diferença nos dois projetos. Ambos resolvem um problema-chave, retiram da circulação do gás a Ucrânia, e os custos mantêm-se relativamente iguais. Moscou, contudo, se viu obrigada a conceder à Turquia um bônus por sua colaboração, baixando o preço do gás em 6% – visto por especialistas “um custo aceitável[2], levando em conta a envergadura do projeto.

Bruxelas recebeu a notícia com surpresa, uma vez que o cancelamento do South Stream representa perdas financeiras e políticas. Em primeiro lugar, alguns países deixam de lucrar com a passagem do gasoduto. Este é o caso da Bulgária, que perderá US$ 400 milhões ao ano. Além disso, a Turquia se torna um núcleo energético, através do qual a União Europeia (UE) receberá hidrocarbonetos da Rússia, Azerbaijão e, futuramente, do Irã. O controle sobre esses fluxos dará a Ancara mais segurança nas conversações, sobretudo em discussões relacionadas à entrada da Turquia na União Europeia (UE).

Os acordos recém-assinados demonstram, acima de tudo, o desejo de aproximação entre a Rússia e a Turquia. A construção da Central Nuclear de Akkuiu pode se tornar um símbolo de progresso nas relações bilaterais. “O projeto é inédito: é o primeiro a ser construído obedecendo ao princípio ‘pague, possua e explore’, sendo a empresa russa a proprietária da usina[3], declarou Putin. As obras do projeto devem ser concluídas em 2022.

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Imagem (Fonte):

https://frognews.bg/news_81460/Putin-spria-IUjen-potok-zaradi-Balgariia-v-Turtsiia/
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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-30283571

[2] Ver (copiar e colar no navegador):

http://www.dw.de/%D1%8E%D0%B6%D0%B5%D0%BD-%D0%BF%D0%BE%D1%82%D0%BE%D0%BA-%D0%B5-%D0%BC%D1%8A%D1%80%D1%82%D1%8A%D0%B2-%D0%B4%D0%B0-%D0%B6%D0%B8%D0%B2%D0%B5%D0%B5-%D1%8E%D0%B6%D0%B5%D0%BD-%D0%BF%D0%BE%D1%82%D0%BE%D0%BA/a-18107315

[3] Ver (copiar e colar no navegador):

http://3e-news.net/%D1%81%D0%B2%D1%8F%D1%82/%D0%B2-%D0%B0%D0%BD%D0%BA%D0%B0%D1%80%D0%B0-%D0%BF%D1%83%D1%82%D0%B8%D0%BD-%D1%89%D0%B5-%D0%BD%D0%B0%D1%81%D1%82%D0%BE%D1%8F%D0%B2%D0%B0-%D0%B7%D0%B0-%D0%B4%D0%B0%D0%BD%D1%8A%D1%87%D0%BD%D0%B8-%D0%BF%D1%80%D0%B5%D1%84%D0%B5%D1%80%D0%B5%D0%BD%D1%86%D0%B8%D0%B8-%D0%B7%D0%B0-%D1%80%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%BE%D0%BC_41198

 

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia perde US$ 140 bilhões com Sanções e queda no preço do petróleo

Uma queda nos preços do petróleo e Sanções impostas pelo Ocidente devido à Crise na Ucrânia estão custando à Rússia US$ 140 bilhões por ano, informou o ministro das Finanças russo, Antón Siluánov, nesta segunda-feira, dia 24 de novembro. De acordo com Siluánov, só as restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos e União Europeia (UE) são responsáveis pela perda de US$ 40 bilhões para Moscou. “Estamos perdendo cerca de US$ 40 bilhões de dólares ao ano por causa de sanções geopolíticas, e cerca de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões por causa da queda dos preços do petróleo em 30%[1], disse Siluánov.

Moscou tem sofrido há meses com uma série de sanções ocidentais realizadas em represália às ações russas na crise ucraniana, as quais levaram a economia do país à beira da recessão. As medidas provocaram uma queda na moeda russa (o rublo, рубль), que perdeu quase um terço de seu valor em relação ao euro, e causaram uma significativa fuga de capitais do país. Em resposta, a Rússia proibiu as importações de alimentos provenientes de países da União Europeia.

No entanto, as Sanções não são os principais perigos que ameaçam a economia russa. Em junho, o preço do petróleo caiu de US$ 115 para em torno de US$ 80 o barril. De acordo com os economistas do Banco Alfa (Альфа Банк, em russo)[2], uma queda de US$ 10 dólares por barril de petróleo custaria US$ 10 bilhões para o orçamento federal russo e 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para limitar o impacto da queda, Moscou anunciou uma possível queda na produção de petróleo, a poucos dias da reunião em 27 de novembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da qual a Rússia não é um membro. O presidente russo Vladimír Pútin tentou minimizar o impacto da queda dos preços do petróleo e das sanções sobre a economia de seu país. “Não é um fato que as sanções, a queda acentuada dos preços do petróleo e a depreciação da moeda nacional vão nos levar a resultados negativos ou a consequências catastróficas. Nada disso, não vai acontecer[3], afirmou Pútin.

Neste ano, a economia russa deve crescer pouco. Segundo o Banco Central Russo[4], o crescimento deve se limitar a 0,3% em 2014 e a zero em 2015. Além disso, há a previsão para uma estagnação da economia nos próximos três anos, em um cenário bem distante dos primeiros anos do mandato do presidente Vladimír Pútin.

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Imagem (Fonte):                                                               

http://news.mail.ru/politics/20239106/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://news.mail.ru/politics/20239106/

[2] Ver:
http://alfabank.ru/

[3] Ver:
http://www.infostock.bg/infostock/control/world/news/60745-poevtinyavaneto-na-petrola-i-sanktsiite-struvat-na-rusiya-140-mlrd-dolara

[4] Ver:
http://www.cbr.ru/