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Europa enfrenta nova onda de Covid19 e de tensões regionais

Embora a União Europeia já não seja o foco principal da pandemia de Covid19 desde junho de 2020, os efeitos econômicos, novos surtos e a escalada das tensões regionais estão longe de ser algo do passado.

Após um ciclo de normalização das atividades, com o fim do Estado de Emergência decretado pelos principais países do Bloco e a abertura progressiva das fronteiras internas e algumas externas, a União Europeia sofre uma nova onda de surtos da Covid19 em países como a Espanha, onde em apenas um dia houve mais de 1.600 novos casos da doença, além do incremento de casos na França, que registrou 3.000 casos, também em apenas um dia,  e na Alemanha.

A livre circulação de pessoas pelo território espanhol é apontada como a principal causa da proliferação de novos surtos no país Ibérico, que volta a ser o principal foco da doença no continente, uma vez que grande parte dos cidadãos usam o mês de agosto para viajar, sendo este o principal período de verão do país, além do fato de a Espanha ser um dos mais escolhidos destinos turísticos da Europa e porta de entrada ao continente. Muitos dos novos casos são importados de outras regiões e se expandem rapidamente, mesmo com o incremento das medidas sanitárias.

Desde o fim do Estado de Emergência, cabe aos governos locais a gestão e controle das políticas de combate à doença em seu território, o que levou algumas regiões a decretar novamente a quarentena ou a restringir o funcionamento de diversos locais e cancelar eventos. Na Galiza (região norte da Espanha), o uso da máscara é compulsório e está proibido até mesmo fumar na rua.

Algumas fronteiras, tais como a da França e Espanha, voltaram a ter um intenso controle e foram parcialmente fechadas, assim como muitos países aumentaram os controles de acesso. Turistas europeus que viajam a destinos com novos surtos, a exemplo da Espanha ou Grécia, devem fazer testes da doença e quarentena em seu regresso à países como Reino Unido ou Suíça, e muitas autoridades desaconselham as viagens internacionais.

Praia dividida em parcelas para evitar contágios na Espanha

Embora o aumento do número de casos em cidades como Madri e Barcelona já superem as cifras do começo da pandemia, sua distribuição assimétrica pelo território espanhol inibiu o governo central de decretar uma nova quarentena nacional, embora especialistas apontem já para uma segunda onda com possibilidades de novo colapso do sistema sanitário.

Ainda assim, o anúncio de uma vacina patenteada pela Rússia foi visto com desconfiança dentro da União Europeia, pelo fato de que a mesma, segundo apontam as autoridades sanitárias, não cumpriu com os protocolos internacionais de validação científica e demonstração de resultados. Por outro lado, continuam as investigações de novas vacinas em praticamente todos os Estados do Bloco e países vizinhos.

Porém, não somente o regresso da Covid19 assola a Europa. Os fluxos migratórios no Mediterrâneo e no leste da Europa se incrementam durante o verão no hemisfério norte, sendo um perigo adicional nesta pandemia, pela falta de controle sanitário de grande parte dos imigrantes que chegam ao território.

No panorama político, as tensões crescentes entre a Grécia e a Turquia colocam em evidência o atrito de interesses do Bloco e dos países participantes da OTAN, além das políticas territoriais conjuntas. A esse panorama é preciso também adicionar o incremento da instabilidade nos países do leste Europeu, com a recentes eleições na Belarus e o bloqueio de verbas do União Europeia para a Polônia, devido às suas políticas discriminatórias contra a população LGBTQIA+ e sua saída do Acordo de Istambul, além do incremento do discurso de extrema direita na região, que se confronta com os objetivos da União Europeia.

Aumenta atividade militar no Mar Egeu (Grécia e Turquia)

As negociações do Brexit também fazem parte do difícil cenário político neste segundo semestre de 2020, onde as economias da União Europeia estão enfraquecidas após os resultados da pandemia.

Alemanha, Itália, França e Espanha acumulam perdas importantes no seu PIB, com uma recessão superior à da Crise Financeira Internacional. O desemprego e a redução da demanda interna e externa ameaçam a produção de diversos países e o plano de recuperação econômica pode não ser suficiente para resolver a situação. A desvalorização de moedas dos países emergentes afeta mais ainda a competitividade da Europa, por haver um aumento considerável da valorização do Euro e, consequentemente, dos produtos produzidos na região.

A situação econômica volta a ser discutida no Parlamento europeu, onde existem diversos impasses em relação ao orçamento da União. Por outro lado, a transição energética fomentada pelo Bloco busca reduzir a dependência de países terceiros e reduzir os custos de produção. Sem embargo, a mesma é desigual e acaba afetando países com menos fôlego financeiro, aumentando ainda mais as assimetrias internas, de modo que a Europa não enfrenta somente uma segunda onda de Covid19, mas, também, uma segunda onda de todos os temas que permearam a economia e a política da região durante o primeiro semestre de 2020, em um cenário internacional cada vez mais complexo e marcado pelo incremento do atrito entre Estados Unidos e China, ambos importantes parceiros econômicos dos europeus.

A capacidade de gestão e futuro do Bloco é o que está em jogo, fazendo com que este seja um momento divisor de águas, quando o fracasso levaria ao colapso de todo o continente e o sucesso a uma nova transição da região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Europa Unida contra Coronavirus” (Fonte):

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Imagem 2 Praia dividida em parcelas para evitar contágios na Espanha” (Fonte):

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Imagem 2 Aumenta atividade militar no Mar Egeu (Grécia e Turquia)” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

União Europeia: Habemus acordo!

Após uma intensa jornada de quatro dias de negociações em Bruxelas, os países da União Europeia finalmente alcançaram um acordo em relação ao uso e distribuição dos recursos do Plano Europeu de Recuperação Econômica Pós-Convid19, de mais de 750 bilhões de Euros, dos quais 390 bilhões serão destinados a ajudas diretas e subvenções e outros 390 destinados a créditos que deverão ser pagos posteriormente.

As subvenções da União Europeia foram o pomo da discórdia durante as negociações que reuniram os líderes dos 27 países que formam atualmente o Bloco. Novamente, a polarização entre as nações do mediterrâneo (Espanha, França, Itália, Portugal) e do norte da Europa (principalmente com a objeção da Holanda) evidenciou as assimetrias internas, sem embargo o apoio da Alemanha a favor do plano econômico, pois, sendo a principal economia da Europa, foi decisivo para alcançar um acordo.

A resolução foi celebrada pelo Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e outros líderes, tais como o francês Emmanuel Macron e o espanhol Pedro Sanchéz, que consideram o dia como um marco na história do Bloco e uma mensagem de união e solidariedade estatal entre os membros, diante de um momento de extrema dificuldade e crise.

A União Europeia (UE) já vinha sofrendo com pressões internas crescentes desde a Cúpula de Bratislava, devido principalmente às desigualdades entre os membros e à competição dentro do grupo. Os Efeitos do Brexit e as tensões comerciais entre EUA e China agregaram maior dificuldade em alcançar um equilíbrio político necessário para dar continuidade aos projetos comuns do marco europeu e ao avanço de diversos partidos nacionalistas e eurocéticos, e debilitaram o discurso de integração, promovendo uma crescente desfragmentação, que, segundo os líderes atuais, ficaram já no passado.

Líderes Europeus

O acordo é somente um dos diversos passos que deve dar a UE em seu projeto de recuperação econômica, ainda mais quando a pandemia parece estar ganhando força em importantes países parceiros e a atividade e demanda global estão longe de se recuperar em relação aos patamares prévios aos da Crise da Covid19.

Nas principais nações europeias, o Estado retomou o controle de diversos aspectos mercadológicos com o objetivo de reduzir o impacto das oscilações do mercado financeiro e na tentativa de gerenciar uma melhor distribuição dos recursos, tentando proteger setores considerados fundamentais nas economias individuais de cada país e as parcelas mais vulneráveis da população.

O desemprego causado pelo período de quarentena e a redução da demanda interna e externa, além da descentralização de parte da indústria em direção à outros países, formam o maior desafio da União Europeia e devem marcar os primeiros anos da próxima década.

Sem embargo, nem todas as notícias são ruins. A crise da Covid19 acelerou o processo de renovação tecnológica e transformação energética do continente, assim mesmo, diversos países estão trabalhando em programas para a manutenção das indústrias em seu território, reduzindo, assim, a dependência de grandes polos produtores, como a China, e aproximando o produto do consumidor, gerando uma valorização da fabricação local.

A mobilidade entre os países foi recuperada, embora alguns pontos ainda sejam controlados e a lista de Estados extracomunitários em ter acesso ao território europeu ainda limitado.

Neste ano (2020), embora tenha batido recordes de temperatura, houve uma redução nos índices de incêndios florestais e poluição em decorrência da redução das atividades. O mercado de trabalho também está em pleno processo de transformação com a geração de legislações específicas para o home office, que podem promover uma reocupação de pequenas e médias cidades além de zonas rurais, gerando uma melhor distribuição da população.

A lição mais importante na qual podemos estar de acordo é que é necessário nutrir governos e gestões resilientes, inovadoras e capazes de superar as dificuldades, adaptando-se às transformações do mundo, sendo algumas provocadas e planejadas e outras simplesmente incontroláveis, como é o caso de uma pandemia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Comité Europeo CoronaVirus” (Fonte):

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Fontes das Imagens:

Imagem 2 Líderes Europeus” (Fonte – En Positivo):

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ANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Europa se prepara para sair da quarentena

Quase 4 meses depois do primeiro caso de Covid-19 diagnosticado em Paris, no dia 25 de janeiro de 2020, e após uma rápida expansão pelos países do Bloco, especialmente Itália e Espanha, a União Europeia (UE) aos poucos acorda de um pesadelo que manteve em letargia praticamente toda atividade na região, despertando em um cenário conturbado, cheio de divisões e indecisões.

O pior já passou” – ao menos é a mensagem que as autoridades tratam de transmitir à população que aos poucos se prepara para retomar a normalidade. A tão temível curva de contágio finalmente foi superada e o número de casos positivos é inferior as altas médicas e recuperados. Os hospitais aos poucos voltam a ter leitos disponíveis nas UTIs e os testes realizados confirmam essa redução.

Mas, a volta à normalidade será lenta e gradual, dividida em 3 ou 4 fases, conforme a situação de cada país e região afetada, levando em consideração não somente as taxas de contágio, mas também fatores demográficos, produtivos e sociais. Sem embargo, o Estado de Alarme promulgado em diversos países, e que deve ser aprovado pelos respectivos Congressos, deixou de estar ativado entre maio e junho deste ano (2020), sem outras renovações.

Fases do fim da quarentena Espanha – Fonte: Lavoz.es

Em localidades cujo índice de contágio é inferior a 1 (ou seja, cada pessoa contagiada transmite em média a somente outra pessoa), e conforme suas dinâmicas locais, o processo pode ser agilizado. Ilhas, comunidades rurais e pequenas cidades são as primeiras da lista. Nas grandes cidades, tudo vai depender do número de casos, da taxa de contágio e da evolução da epidemia.

As medidas tomadas a nível nacional são referentes à geração de um cronograma e à cessão de competências, e se concentram principalmente no ambiente político e econômico. Os países do Bloco devem agora enfrentar os efeitos da paralisação econômica que assolou a Europa, eliminou diversos empregos e afetou setores inteiros. Um cenário semelhante ao da Crise Financeira Internacional, porém com o agravante da Guerra Comercial Sino-Americana e dos efeitos do pós-Brexit.

O fundo econômico para a recuperação da União Europeia é uma das muitas ferramentas que os Estados estão litigando na tentativa de minimizar o cenário, assim como políticas de ajuda ao campo, subvenções e programas de distribuição de renda, embora todo esforço, quando colocado na prática, deva levar os países a uma delicada situação financeira, devido à elevada dívida pública, à desvalorização das moedas emergentes, à redução dos preços das commodities e à demanda de produtos industrializados.

Detalhe Plano de Recuperação Econômica da EU – Fonte: Comissão Europeia

Cientes desse panorama desafiador, a União Europeia preferiu se manter a uma certa distância das tensões entre Estados Unidos e China, principalmente no que se refere a pandemia provocada pela Covid-19. Uma “neutralidade” já questionada pela gestão Trump, que busca no populismo e no nacionalismo sua reeleição, ainda que o país americano tenha superado 1 milhão de contagiados.

O europeu aos poucos se sente livre da monotonia da quarentena, mas preso no pesado fardo que deverá levar em suas costas na tentativa de recuperar a economia e a estabilidade da região.

Como contraponto a essa necessidade de gerar uma coesão e ação conjunta dentro do Bloco, o discurso eurocético e de extrema direita ganha força novamente, apelando para o sensacionalismo, sem estabelecer o equilíbrio necessário entre direito e obrigação dos Estados dentro da União Europeia. Aproveitam-se da situação de anomia para estimular uma forte rejeição à globalização, à migração, à integração econômica e à cooperação econômica, como se os países da Europa fossem os antigos senhorios e pudessem ajudar somente àqueles vassalos oriundos do local, ainda que, por outro lado, muito sejam os setores que sentem a falta dos estrangeiros, sejam eles como turistas, ou como trabalhadores do campo, cuja ausência ameaça as colheitas.

Talvez, não somente o cidadão deva acordar após a hibernação da quarentena, mas também os Estados e a própria União Europeia, que devem aproveitar a saída desta trágica situação para fortalecer tanto a integração como a conscientização social e os chamados valores europeus.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa Coronavirus” (Fonte): https://who.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/ead3c6475654481ca51c248d52ab9c61

Imagem 2 Fases do fim da quarentena Espanha Fonte: Lavoz.es” (Fonte): https://www.lavozdegalicia.es/default/2020/04/29/00121588115121646896457/Foto/CalendarioDesescalada-01.jpg

Imagem 3 Detalhe Plano de Recuperação Econômica da EU Fonte: Comissão Europeia” (Fonte): https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/2020-03-30_economy_response.png

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

União Europeia dá sinal verde para fundo de recuperação econômica

Até o momento, a Europa é o continente mais castigado pela pandemia causada pelo Covid19, com mais de 1,2 milhão de infectados e milhares de falecidos. Aos poucos, os países vão se preparando para retomar à normalidade, porém, o panorama econômico configura um novo desafio que expõe as assimetrias dentro do Bloco, que já prepara o maior plano de recuperação econômica da história do continente desde o Plano Marshall, após o final da II Guerra Mundial.

O Banco Central Europeu alerta que “A recessão econômica na Europa pode ser de até 15% do PIB da região, embora existam países cujos efeitos podem superar essa cifra, devido ao impacto sofrido durante a pandemia e aos efeitos do cenário internacional que são imprevisíveis, pois um agravamento da epidemia nos Estados Unidos e uma expansão da mesma nos países emergentes, além da queda do preço das commodities, podem dificultar mais ainda a recuperação do Bloco.

Com um montante total estimado em  quase 500 bilhões de Euros, a Comissão Europeia propõe o uso de todos seus recursos financeiros, dentro do plano orçamentário de 2021-2027, para recuperar a economia e reativar o mercado interno, reduzindo assim o impacto da demanda internacional. Porém, nem todos os países do Bloco são favoráveis a essas medidas, havendo uma tácita divisão entre as grandes economias e os países mais afetados, não existindo de fato uma cifra aprovada.

Setores como o turismo e a construção civil são uns dos mais impactados e que representam uma inestimável fonte de geração de emprego e renda, principalmente em países como Espanha, França e Itália, que dificilmente vão conseguir regressar aos índices prévios à pandemia, o que gera incertezas em diversas nações.

Até mesmo o Reino Unido, após sair da União Europeia (UE), se mostra disposto em colaborar com o Bloco, uma vez que os reflexos no mercado financeiro sem dúvidas sobrepassaram os limites fronteiriços da UE.

Uma crise maior que a enfrentada em 2008, e para muitos analistas equiparável à Crise de 29, pode decretar uma mudança substancial no destino da Europa, que já vinha enfrentando diversas fragmentações oriundas de temas polêmicos, tais como a migração, a expansão do grupo, o aquecimento global e os investimentos e subvenções internas.

Neste cenário caótico e de poucas esperanças, o Banco Central Europeu aprovou a compra de dívida dos países integrantes do Bloco, assim como bônus de alto risco, com o objetivo de gerar certa estabilidade, mas que, porém, pode derivar em longo prazo em um ônus para a região, onde muitos países acumulam dívidas públicas superiores a 90% do PIB.

Banco Central Europeo

Manter o emprego e reativar a economia interna são as principais metas da Europa, levando diversos Estados a atuarem diretamente no mercado, obtendo o controle temporário de empresas, subvencionando até 80% dos salários e distribuindo renda com programas semelhantes ao auxílio emergencial existente no Brasil.

Fortalecer o mercado interno é uma prioridade para manter flutuando a economia até obter uma recuperação do cenário internacional, uma aposta arriscada, porém sem outra alternativa capaz de reduzir o resultado da crise.

A Comissão Europeia ainda deve determinar os valores e os critérios usados no programa de recuperação econômica, enquanto isso, cada país adota uma série de medidas internas segundo sua própria realidade e necessidades.

A suspensão da circulação de pessoas dentro do Bloco, com o objetivo de controlar o avanço das infecções, também afeta os ciclos de produção e a paralisação temporária de algumas economias cobra hoje seus resultados.

Um remédio amargo, porém, necessário, em um continente onde grande parte da população está no grupo de risco e que não teve outra opção que a de ceder frente ao incremento dos contágios e parar quase por completo. É uma opção entre a vida e a economia, que, agora, mostra seus efeitos e que depende da mesma capacidade de resposta.

A unidade da União Europeia pode enfrentar os efeitos da crise e superar a mesma, pois, separada, ela estará destinada a sucumbir a um cenário de pós-guerra, onde os recursos, em lugar de serem divididos, são requisitados pelos mais fortes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ursula Von der Leyen Presidente da Comissão Europeia” (Fonte): https://web.static-rmg.be/if/c_crop,w_1000,h_664,x_0,y_0,g_center/c_fit,w_620,h_411/2eb8ecda53f539aafeed6a2302bca6a0.jpg

Imagem 2 Banco Central Europeo” (Fonte): https://elglobal.es/wp-content/uploads/2020/01/image_content_232494_20170802000321.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Smartcity e Coronavírus, lições de uma pandemia

A pandemia causada pelo Covid-19 já soma mais de 1 milhão de contagiados e milhares de falecidos em todo o planeta. Um episódio trágico na história da humanidade que sem dúvidas marcará as próximas décadas, seja pelo impacto social, seja pelo impacto político ou econômico.

Diante de cenas como vistas na Itália, com caminhões de féretros desfilando em uma macabra marcha fúnebre, ou de convalescidos em plenas ruas do Equador, aparece o contraste, com imagens de animais silvestres circulando por cidades vazias, águas transparentes em grandes urbes e a visão no horizonte do Himalaia, a centenas de quilômetros, após esta montanha estar oculta nos últimos 30 anos devido à contaminação atmosférica. Lições de um mundo dignas de um filme post-apocalíptico ou da gênese de um novo episódio na nossa história.

Mesmo com o negacionismo presente em líderes tais como Boris Johnson, Donald Trump, Shinzo Abe e Jair Bolsonaro, que aos poucos foram cedendo, seja por fruto das pressões sociais e políticas, ou graças ao reflexo da própria realidade, vemos como a civilização e todas as construções sociais advindas dos diferentes modelos de pacto social e sistemas culturais são um frágil castelo de areia, assim como o sistema logístico e econômico internacional.

A mão invisível do mercado precisou em muitos cenários do pulso firme do Estado, pois, conforme vem sendo observado internacionalmente por vários analistas, a tragédia não entende de sistemas bancários nem modelos financeiros, também não se decanta por ideologias ou lados partidários, e nem por fronteiras desenhadas em um mapa.

Em um mundo onde mais de 80% da população se concentra nas cidades, o papel da gestão local ganhou destaque, seja aplicando medidas de confinamento e controle da epidemia, seja realizando campanhas a favor da atividade econômica, ainda com a contrapartida social e moral perante as possíveis perdas humanas.

Nesse contexto, a inteligência das cidades e a racionalização de seus processos tiveram um papel fundamental no sucesso ou fracasso de suas gestões diante da crise, e deixaram em evidência a necessidade de estabelecer processos inteligentes no gerenciamento dos espaços urbanos. Assim mesmo, diversas são as lições que ficaram para a posterioridade.

Camiões transportando falecidos pelo Covid-19 na Itália

Em Madri por exemplo, antes mesmo da declaração oficial do Governo Espanhol do Estado de Alarme, a Prefeitura já havia ordenado o fechamento das escolas, cancelado eventos públicos, e começado a articular e preparar todo seu sistema sanitário, ainda assim, a medida não levou em consideração as movimentações dos habitantes e suas dinâmicas migratórias, fazendo com que diversos cidadãos levassem o vírus a outras cidades em sua fuga desde Madri. A inteligência da capital espanhola foi o suficiente para preparar o sistema de saúde e as atividades econômicas dentro da cidade, mas falhou no que se refere ao transporte e mobilidade dentro da área de influência da mesma.

Por outro lado, a capital financeira Italiana, Milão, fez uma campanha para manter a atividade econômica tomando medidas simples de distanciamento social, o que não se mostraram efetivas e, hoje, amarga um dos maiores números de contágios na Europa.

Em Nova York, as autoridades locais, em confronto aberto com o presidente Trump, não hesitaram em tomar medidas de distanciamento local e confinamento, porém, a falta de um sistema público de saúde eficiente e a elevada densidade populacional transformaram a “capital do mundo” em um dos principais focos da doença.

Estes e outros exemplos no mundo inteiro demonstram a importância de gerar espaços inteligentes e principalmente a necessidade de integrar as diferentes dimensões que compõem a realidade urbana.

De nada serve ter um sistema de gerenciamento sanitário eficiente sem uma integração com outros sistemas, tais como transporte público, política local, logística ou segurança. Assim mesmo, a centralização do comando derivada do Estado de Alarme ou Emergência decretado em diversos países, como acontece na Espanha, por um lado facilitou o gerenciamento da crise em âmbito nacional, porém gerou assimetrias em relação às implicações locais, produzindo a falta de equipamentos ou a concentração dos mesmos, fomentando, assim, um atendimento desigual perante diferentes cenários dentro da nação.

Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid

Porém quais são as ferramentas dentro do âmbito das cidades inteligentes que fizeram ou poderiam fazer a diferença? Assim como o termo Smartcity (Cidade Inteligente) é amplo e composto de diferentes óticas e dimensões conforme a realidade local, suas aplicações são igualmente abrangentes. Sem embargo, uma série de preceitos comuns aos diversos projetos de Smartcity podem ser usados, sendo eles:

Interoperabilidade de sistemas: Para uma correta gestão do espaço urbano e os diferentes níveis de poder que o compõe, a integração dos sistemas de informação possibilita uma melhor comunicação e gestão dos recursos, assim como atende às necessidades locais, regionais, estaduais e até mesmo nacionais. Há um contínuo fluxo de informação referente a recursos, projetos, medidas e políticas que devem dialogar entre si.

Centro de Operações Integradas: Um centro capaz de gerir diversas informações, tal como existe no Rio de Janeiro, com maior capacidade, fomentando a colaboração e adequação à realidade local.

SmartHealth: ou Sistema de Saúde Inteligente, capaz de gerenciar não somente a evolução, mas de equilibrar o uso dos recursos de modo preditivo, evitando uma possível saturação.

Smartmobility: A mobilidade, embora reduzida, deve ser controlada, para reduzir o impacto ou o uso desnecessário de recursos em um lado da cidade enquanto o outro permanece negligenciado.

TIC: Soluções como trabalho ou educação à distância só são possíveis e aplicáveis mediante a integração digital da cidadania e a disponibilização de recursos, tais como o Wifi gratuito em cidades com esse dispositivo.

Inteligência e integração são conceitos chaves para as Smartcities e esta crise revelou não somente as vantagens de racionalizar os espaços urbanos, mas, também, o longo trabalho que ainda precisa ser feito, pois esta pandemia com o tempo passará, assim como outras ao longo da história e, como esta, várias ainda podem surgir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 SmartHealth” (Fonte): https://www.gradiant.org/wp-content/uploads/2019/03/eSalud_02_cabecera.jpg

Imagem 2 Caminhões transportando falecidos pelo Covid19 na Itália” (Fonte): https://mk0ultimasnoticeq5hf.kinstacdn.com/wp-content/uploads/2020/03/5e7382a759bf5b2f295451c9.jpg

Imagem 3 Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid” (Fonte): https://www.que.es/wp-content/uploads/2020/03/ifema-coronavirus-640×480.jpeg

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Coronavírus na Europa

A Organização Mundial da Saúde declarou a Europa como novo epicentro da pandemia causada pelo Covid-19. Ruas, museus, escolas, aeroportos e demais serviços foram paralisados e esvaziados diante do pânico crescente da população, atônita com o aumento do número de casos e óbitos em diversos países do Bloco europeu, trazendo problemas de abastecimento e toque de recolher em diversos municípios. Um ambiente digno de um filme pós-apocalíptico no qual se localiza o correspondente do CEIRI news na Europa, Wesley S.T Guerra, erradicado na Espanha, país que registra mais de 5.200 casos e 150 falecidos, leia seu relato.

Um silêncio estarrecedor nas ruas, colégios, restaurantes e demais serviços, parques sem o barulho das crianças ou idosos passeando com seus cachorros, monumentos sem turistas e transportes funcionando no mínimo de sua capacidade. Um cenário de guerra, onde, de momento, o lado vencedor é o do coronavírus.

Uma onda de pânico causou o desabastecimento temporário em diversas localidades. As notícias de propagação do vírus além das fronteiras da Itália geraram o alarme e cada novo caso contabilizado aumentava o medo da população mais envelhecida do planeta. Fake news e informações desencontradas aumentaram as dúvidas da população. As autoridades decretaram Estado de Emergência, porém, sob críticas por uma atuação tardia.

Na Espanha, antes mesmo de o presidente Pedro Sanchez haver decretado o Estado de Alarme, o governo da Comunidade de Madri (região mais afetada no país Ibérico) havia dado ordem de fechar todos os estabelecimentos públicos e serviços, salvos aqueles de primeira necessidade. Na Catalunha, segunda região em população, as forças de segurança estabeleceram controles e obrigaram a população de diversos municípios a não sair da cidade, alertando aos motoristas: “saiba que se você entrar, não poderá sair”.

O espaço aéreo passou a ser limitado, principalmente após os Estados Unidos declararem o cancelamento dos voos com origem nos países da União Europeia. Fronteiras com países vizinhos, como o Marrocos, foram fechadas e protocolos de segurança foram ativados.

Coronavírus Mercados

O Decreto realizado pelo governo central espanhol permite o uso das Forças Armadas e até mesmo a restrição de direitos civis, tais como o direito circulação dos cidadãos, com o objetivo de reduzir a curva de infecção do vírus e restabelecer aos poucos a calma.

A Bolsa de Madri registrou no dia 12 de março a maior queda da sua história, acompanhada pelas demais bolsas europeias e mundiais. O impacto em setores importantes, tais como turismo, serviços e comércio permanece incalculável. A sensação é que o mundo parou por um instante e um pequeno ser microscópico deixou evidente a soberba humana e a fragilidade de nossas sociedades.

Infelizmente, por outro lado, o estado de quarentena decretado em diversas localidades de Madri, Catalunha, Murcia, País Basco, Aragão se transformou em férias para algumas pessoas que se refugiaram em localidades litorâneas, levando o vírus com ela.

Não sair de casa” essa é a frase que as autoridades citam uma e outra vez como uma tentativa de convencer o povo de que o pior ainda está por vir.

Como medidas, além do fechamento de todos os serviços (salvo os essenciais) e a quarentena dos municípios mais afetados, o governo estimula o home office (trabalho em domicílio) e medidas de prevenção e higiene. Espanha, Portugal e Itália são países cuja população de risco é uma fatia majoritária em sua pirâmide demográfica, sendo necessário controlar o quanto antes o avanço dos casos.

Avenida em Horário de Pico

Segundo as autoridades, é necessário estar consciente de que 80% da população pode ser infectada e que haverá óbitos de seres queridos, de conhecidos, independentemente da colaboração de toda a sociedade.

O Covid-19 possui menor taxa de mortalidade que outros vírus que já circulam na Europa, porém, a alta proporção de pessoas em grupos de risco e a velocidade da propagação, além dos fortes impactos econômicos na economia mundial, transformaram a pandemia do Coronavírus em uma das mais importantes desde a Gripe Espanhola de 1918, que vitimou milhões de pessoas.

Nos demais países da Europa, a situação é semelhante. Portugal, França, Alemanha, Bélgica, entre outros, decretaram o fechamento dos estabelecimentos e locais públicos, com a redução dos serviços e cautela. Circular no Bloco europeu é desaconselhado pelas autoridades e viagens internas devem ser feitas somente por motivos extremos.

Como testemunho pessoal, um companheiro de trabalho está de quarentena pelo fato de que sua esposa (enfermeira) deu positivo, sendo a recomendação médica permanecer em casa e somente sair para emergências, no caso de apresentar maiores sintomas. Assim mesmo, as autoridades facilitam um número de emergência para que pessoas com suspeita possam realizar o teste em sua casa, sem acorrer ao hospital, com a visita de profissionais de saúde. Foi necessário estocar comida e a falta de alguns bens de consumo é notável, porém, dentro do possível, tentando manter a calma e certa normalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Coronavírus Espanha” (Fonte): https://www.eventplannerspain.com/sites/default/files/styles/header_banner/public/images_noticias/coronaeps.jpg?h=c74750f6&itok=3TjNDDvg

Imagem 2Coronavírus Mercados” (Fonte): https://www.publico.es/files/article_main/uploads/2020/03/10/5e67c62312589.jpeg

Imagem 3Avenida em Horário de Pico” (Fonte): https://imagenes.20minutos.es/files/image_656_370/uploads/imagenes/2020/03/11/calles-vacias-madrid.jpeg