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Volta das aulas e das preocupações na Europa

Após um verão atípico marcado pelas medidas de prevenção contra a Covid19 e um aumento do número de contágios nos principais destinos turísticos do continente, apesar de uma forte redução no setor e do número de visitantes, a União Europeia se prepara para a volta às aulas e para sua nova realidade.

Na Europa, bem como nos demais países do hemisfério norte, o ano acadêmico começa após o final de agosto e começo de setembro, acompanhando as estações. Dessa forma, o mês de setembro representa a volta às aulas, assim como o fim dos recessos das atividades do governo e das férias de milhares de trabalhadores, entre eles os funcionários públicos. O mês de agosto no continente Europeu é algo semelhante ao mês de janeiro no hemisfério sul, sendo marcado por uma baixa atividade, salvo pelo turismo que registra sua temporada mais alta. Porém, sem dúvidas, este foi o pior ano para o setor turístico europeu, que é um dos principais pilares da economia de países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia. 

Embora a circulação entre os países do Bloco tenha sido restabelecida em junho, muitos europeus preferiram permanecer em suas regiões ou ir a suas segundas residências sem sair dos respectivos países, reduzindo drasticamente a demanda em diversas nações nos setores de hotelaria e restaurantes, pois as restrições para passageiros de fora da União Europeia reduziu o fluxo de turismo internacional à sua mínima histórica.

Restrições como o limite de pessoas nas praias, bares e piscinas, cancelamento de diversos eventos e proibições como fumar na rua ou circular sem máscara, desestimularam grande parte dos turistas. As empresas do setor já pressionam os governos de diversos países diante de um ano marcado por prejuízos. Na Espanha, onde o turismo representa 11% do PIB, estima-se que 20% das empresas do setor devem fechar suas portas. Conforme avançava o verão, o número de novos contágios não parava de aumentar e com eles as restrições.

Símbolo popular para designar o termo ‘turismo

Com o final das férias e o aumento dos infectados, a volta às aulas foi tema de discussão em diversos países do Bloco europeu, havendo uma demora em realizar protocolos capazes de garantir a segurança dos alunos e dos profissionais de educação, que finalmente devem retornar aos centros de forma escalada, embora alguns países tenham decidido manter suas restrições.

Por outro lado, o reinício das atividades governamentais foi marcado pelas negociações da União Europeia e do Brexit, além das tensões entre a Grécia e a Turquia, que elevam as pressões na área de segurança europeia, e dos projetos a longo tempo paralisados, tais como o Exército europeu em contraponto com a dependência de muitos países com a OTAN.

Os resultados da pandemia na sociedade são cada vez mais perceptíveis, à medida que aumenta a morosidade na distribuição e alocação dos recursos cedidos pela União Europeia, diante de um crescente aumento do desemprego e dos gastos públicos, além do impacto da quarentena em diversos cultivos nos principais países produtores.

No cenário internacional, as tensões crescentes entre os Estados Unidos e China, agregados à influência da Rússia nos países da Europa do Leste, cuja região é considerada área de expansão do Bloco, mantém grande parte da diplomacia europeia concentrada nas questões internas, no intuito de reduzir ao máximo os atritos internacionais em um cenário complexo e crítico.

No aspecto do relacionamento do Bloco com os países latino-americanos, aumentam as pressões para impedir o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, devido à política ambiental do Brasil, além da crescente instabilidade local e volatilidade econômica da região, que impacta diretamente na demanda de produtos europeus e na oferta de produtos importados mais competitivos que os produzidos localmente.

Jovens participantes do Programa Erasmus em Portugal

Pela primeira vez na história, a Europa se concentra quase que exclusivamente em sua região e área de influência e, ainda que exista um crescente vácuo de poder no cenário internacional, a mesma parece não estar preparada para ocupar esse lugar devido à própria necessidade de estabilizar seu panorama interno, sendo suas ações internacionais focadas na cooperação internacional em regiões de influência histórica.

A recuperação esperada para o ano de 2021 está em perigo após a suspensão dos testes da vacina desenvolvida pela empresa AstraZeneca, que era uma das maiores apostas da Europa, levando a mesma a reservar um grande número de doses da vacina que está sendo desenvolvida pela farmacêutica Pfizer. Embora os resultados obtidos pelas vacinas desenvolvidas pela Rússia e pela China pareçam lançar boas cifras, o Bloco europeu parece ponderar em optar por uma delas, usando como justificativa a falta de cumprimento dos protocolos sanitários internacionais, ainda que, talvez, tenha receio de que sua opção acabe refletindo um determinado posicionamento em um mundo cada vez mais polarizado.

Sem embargo, esse momento de introspecção da União Europeia deve mudar neste último trimestre de 2020, devido principalmente as eleições americanas, cujo resultado pode transformar a dinâmica geopolítica e financeira global, a definição do Brexit e seu impacto real na União Europeia, além da própria situação financeira dos países membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Volta ao colégio por Madres hoy” (Fonte):

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Imagem 2 Símbolo popular para designar o termo turismo” (Fonte):

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Imagem 3 Jovens participantes do Programa Erasmus em Portugal” (Fonte):

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Europa enfrenta nova onda de Covid19 e de tensões regionais

Embora a União Europeia já não seja o foco principal da pandemia de Covid19 desde junho de 2020, os efeitos econômicos, novos surtos e a escalada das tensões regionais estão longe de ser algo do passado.

Após um ciclo de normalização das atividades, com o fim do Estado de Emergência decretado pelos principais países do Bloco e a abertura progressiva das fronteiras internas e algumas externas, a União Europeia sofre uma nova onda de surtos da Covid19 em países como a Espanha, onde em apenas um dia houve mais de 1.600 novos casos da doença, além do incremento de casos na França, que registrou 3.000 casos, também em apenas um dia,  e na Alemanha.

A livre circulação de pessoas pelo território espanhol é apontada como a principal causa da proliferação de novos surtos no país Ibérico, que volta a ser o principal foco da doença no continente, uma vez que grande parte dos cidadãos usam o mês de agosto para viajar, sendo este o principal período de verão do país, além do fato de a Espanha ser um dos mais escolhidos destinos turísticos da Europa e porta de entrada ao continente. Muitos dos novos casos são importados de outras regiões e se expandem rapidamente, mesmo com o incremento das medidas sanitárias.

Desde o fim do Estado de Emergência, cabe aos governos locais a gestão e controle das políticas de combate à doença em seu território, o que levou algumas regiões a decretar novamente a quarentena ou a restringir o funcionamento de diversos locais e cancelar eventos. Na Galiza (região norte da Espanha), o uso da máscara é compulsório e está proibido até mesmo fumar na rua.

Algumas fronteiras, tais como a da França e Espanha, voltaram a ter um intenso controle e foram parcialmente fechadas, assim como muitos países aumentaram os controles de acesso. Turistas europeus que viajam a destinos com novos surtos, a exemplo da Espanha ou Grécia, devem fazer testes da doença e quarentena em seu regresso à países como Reino Unido ou Suíça, e muitas autoridades desaconselham as viagens internacionais.

Praia dividida em parcelas para evitar contágios na Espanha

Embora o aumento do número de casos em cidades como Madri e Barcelona já superem as cifras do começo da pandemia, sua distribuição assimétrica pelo território espanhol inibiu o governo central de decretar uma nova quarentena nacional, embora especialistas apontem já para uma segunda onda com possibilidades de novo colapso do sistema sanitário.

Ainda assim, o anúncio de uma vacina patenteada pela Rússia foi visto com desconfiança dentro da União Europeia, pelo fato de que a mesma, segundo apontam as autoridades sanitárias, não cumpriu com os protocolos internacionais de validação científica e demonstração de resultados. Por outro lado, continuam as investigações de novas vacinas em praticamente todos os Estados do Bloco e países vizinhos.

Porém, não somente o regresso da Covid19 assola a Europa. Os fluxos migratórios no Mediterrâneo e no leste da Europa se incrementam durante o verão no hemisfério norte, sendo um perigo adicional nesta pandemia, pela falta de controle sanitário de grande parte dos imigrantes que chegam ao território.

No panorama político, as tensões crescentes entre a Grécia e a Turquia colocam em evidência o atrito de interesses do Bloco e dos países participantes da OTAN, além das políticas territoriais conjuntas. A esse panorama é preciso também adicionar o incremento da instabilidade nos países do leste Europeu, com a recentes eleições na Belarus e o bloqueio de verbas do União Europeia para a Polônia, devido às suas políticas discriminatórias contra a população LGBTQIA+ e sua saída do Acordo de Istambul, além do incremento do discurso de extrema direita na região, que se confronta com os objetivos da União Europeia.

Aumenta atividade militar no Mar Egeu (Grécia e Turquia)

As negociações do Brexit também fazem parte do difícil cenário político neste segundo semestre de 2020, onde as economias da União Europeia estão enfraquecidas após os resultados da pandemia.

Alemanha, Itália, França e Espanha acumulam perdas importantes no seu PIB, com uma recessão superior à da Crise Financeira Internacional. O desemprego e a redução da demanda interna e externa ameaçam a produção de diversos países e o plano de recuperação econômica pode não ser suficiente para resolver a situação. A desvalorização de moedas dos países emergentes afeta mais ainda a competitividade da Europa, por haver um aumento considerável da valorização do Euro e, consequentemente, dos produtos produzidos na região.

A situação econômica volta a ser discutida no Parlamento europeu, onde existem diversos impasses em relação ao orçamento da União. Por outro lado, a transição energética fomentada pelo Bloco busca reduzir a dependência de países terceiros e reduzir os custos de produção. Sem embargo, a mesma é desigual e acaba afetando países com menos fôlego financeiro, aumentando ainda mais as assimetrias internas, de modo que a Europa não enfrenta somente uma segunda onda de Covid19, mas, também, uma segunda onda de todos os temas que permearam a economia e a política da região durante o primeiro semestre de 2020, em um cenário internacional cada vez mais complexo e marcado pelo incremento do atrito entre Estados Unidos e China, ambos importantes parceiros econômicos dos europeus.

A capacidade de gestão e futuro do Bloco é o que está em jogo, fazendo com que este seja um momento divisor de águas, quando o fracasso levaria ao colapso de todo o continente e o sucesso a uma nova transição da região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Europa Unida contra Coronavirus” (Fonte):

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Imagem 2 Praia dividida em parcelas para evitar contágios na Espanha” (Fonte):

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Imagem 2 Aumenta atividade militar no Mar Egeu (Grécia e Turquia)” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A Europa pós-pandemia

Depois de um longo período de quarentena, a Europa volta aos poucos a retomar suas atividades. A chamada ‘nova normalidade’ se estabelece em um cenário econômico e contexto social adverso, com 500 mil habitantes a menos, vítimas da doença, e seu impacto no cotidiano do continente”.

Foram mais de 60 dias de quarentena na maioria dos países europeus, que, neste mês (junho), voltam à normalidade, de forma gradual e controlada. Porém, muita coisa mudou no dia a dia dos europeus. O desemprego retorna a assolar as economias e antigos problemas de alinhamento político, migração e circulação de pessoas adquirem novas expressões.

Cartaz para entrar em local comercial em Madri – Canal: RTVE.es

Se, por um lado, a Europa luta por estabelecer um determinado patamar de normalidade, por outro, os efeitos colaterais da pandemia são cada vez mais visíveis. Diversos setores econômicos afetados pela crise instam as autoridades a buscar soluções. Grandes multinacionais abandonam o espaço europeu ou reduzem ao máximo sua produção, assim mesmo, setores como o agrícola e o turismo sofrem com a oscilação de oferta e demanda, buscando novas vias de financiamento sem alternativas internacionais, devido à situação em muitos países emergentes e no próprio Estados Unidos.

O gasto público ultrapassou os limites impostos pela União Europeia, e países tais como a Espanha, França e até mesmo a Alemanha buscam auxiliar uma população ameaçada pela pobreza e afetada pelo desemprego.

O medo de uma nova onda de contágios no final do ano é conhecido, porém minimizado pelas autoridades em uma tentativa de restabelecer o funcionamento das instituições e da sociedade. Assim mesmo, as dúvidas em relação ao conturbado cenário internacional diminuíram a circulação de investimentos e fluxos externos.

A “nova normalidade”, como é chamada em diversos países da Europa, de fato reflete que a realidade já não é a mesma que existia antes da pandemia e que será necessário um sobre-esforço, tanto das autoridades como da população, em se adaptar a este novo mundo.

A ocupação do espaço urbano, o uso dos serviços públicos, as relações laborais, a circulação de pessoas e todos os aspectos da cidadania foram moldados nos últimos dias. Assim como o papel do Estado na alocação e distribuição de recursos e como ele atua perante as evoluções do mercado.

Margrethe Vestager Wikicommons

Na Comissão Europeia ecoa o discurso da vice-presidente Margrethe Vestager sobre um novo capitalismo e uma nova relação entre os atores públicos e multinacionais, da mesma forma que Angela Merkel mudou seu discurso, até então austero e neoliberal, para um maior envolvimento do Estado na busca do bem-estar social, porém sem abdicar do livre mercado.

Conceitos pós-capitalistas, tais como a economia circular, economia verde ou pós-capitalismo global, ganham força e até mesmo exemplos reais, a exemplo da mudança estrutural que vem acontecendo na Holanda.

Temas externos ao Bloco, tais como as manifestações raciais ou o aumento do conservadorismo, ressoam nessa nova Europa, pese as restrições ainda vigentes, adquirindo tonalidades locais e regionais, sendo a questão da imigração e o avanço dos grupos extremistas uma preocupação paralela a esse estado de anomia que se expande pelo globo.

Não se pode desprezar aspectos em relação às mudanças que ocorrem na Europa e posicionar a mesma dentro de um espectro político ou ideológico, mas, sim, entender o processo como o fruto de uma reflexão e experiência sobre o sistema internacional e o capitalismo que não é exclusivo do bloco europeu, mas defendido por diversos economistas, políticos e especialistas em relação a um novo capitalismo ou reformulação do sistema financeiro internacional, cuja semente surgiu após a disseminação da Crise Financeira de 2008 por todo o globo.

O cidadão europeu aos poucos recupera sua rotina, volta às ruas e revê sua família e amigos, porém, sabe que o mundo já não é o mesmo e que “a nova realidade” não é apenas uma nomenclatura citada pelo governo, mas uma realidade cristalizada em seu dia a dia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Coronavírus EU” (Fonte):

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Imagem 2 Cartaz para entrar em local comercial em Madri – Canal: RTVE.es” (Fonte):

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Imagem 3 Margrethe Vestager Wikicommons” (Fonte):

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ANÁLISES DE CONJUNTURACNP In Loco

Europa se prepara para sair da quarentena

Quase 4 meses depois do primeiro caso de Covid-19 diagnosticado em Paris, no dia 25 de janeiro de 2020, e após uma rápida expansão pelos países do Bloco, especialmente Itália e Espanha, a União Europeia (UE) aos poucos acorda de um pesadelo que manteve em letargia praticamente toda atividade na região, despertando em um cenário conturbado, cheio de divisões e indecisões.

O pior já passou” – ao menos é a mensagem que as autoridades tratam de transmitir à população que aos poucos se prepara para retomar a normalidade. A tão temível curva de contágio finalmente foi superada e o número de casos positivos é inferior as altas médicas e recuperados. Os hospitais aos poucos voltam a ter leitos disponíveis nas UTIs e os testes realizados confirmam essa redução.

Mas, a volta à normalidade será lenta e gradual, dividida em 3 ou 4 fases, conforme a situação de cada país e região afetada, levando em consideração não somente as taxas de contágio, mas também fatores demográficos, produtivos e sociais. Sem embargo, o Estado de Alarme promulgado em diversos países, e que deve ser aprovado pelos respectivos Congressos, deixou de estar ativado entre maio e junho deste ano (2020), sem outras renovações.

Fases do fim da quarentena Espanha – Fonte: Lavoz.es

Em localidades cujo índice de contágio é inferior a 1 (ou seja, cada pessoa contagiada transmite em média a somente outra pessoa), e conforme suas dinâmicas locais, o processo pode ser agilizado. Ilhas, comunidades rurais e pequenas cidades são as primeiras da lista. Nas grandes cidades, tudo vai depender do número de casos, da taxa de contágio e da evolução da epidemia.

As medidas tomadas a nível nacional são referentes à geração de um cronograma e à cessão de competências, e se concentram principalmente no ambiente político e econômico. Os países do Bloco devem agora enfrentar os efeitos da paralisação econômica que assolou a Europa, eliminou diversos empregos e afetou setores inteiros. Um cenário semelhante ao da Crise Financeira Internacional, porém com o agravante da Guerra Comercial Sino-Americana e dos efeitos do pós-Brexit.

O fundo econômico para a recuperação da União Europeia é uma das muitas ferramentas que os Estados estão litigando na tentativa de minimizar o cenário, assim como políticas de ajuda ao campo, subvenções e programas de distribuição de renda, embora todo esforço, quando colocado na prática, deva levar os países a uma delicada situação financeira, devido à elevada dívida pública, à desvalorização das moedas emergentes, à redução dos preços das commodities e à demanda de produtos industrializados.

Detalhe Plano de Recuperação Econômica da EU – Fonte: Comissão Europeia

Cientes desse panorama desafiador, a União Europeia preferiu se manter a uma certa distância das tensões entre Estados Unidos e China, principalmente no que se refere a pandemia provocada pela Covid-19. Uma “neutralidade” já questionada pela gestão Trump, que busca no populismo e no nacionalismo sua reeleição, ainda que o país americano tenha superado 1 milhão de contagiados.

O europeu aos poucos se sente livre da monotonia da quarentena, mas preso no pesado fardo que deverá levar em suas costas na tentativa de recuperar a economia e a estabilidade da região.

Como contraponto a essa necessidade de gerar uma coesão e ação conjunta dentro do Bloco, o discurso eurocético e de extrema direita ganha força novamente, apelando para o sensacionalismo, sem estabelecer o equilíbrio necessário entre direito e obrigação dos Estados dentro da União Europeia. Aproveitam-se da situação de anomia para estimular uma forte rejeição à globalização, à migração, à integração econômica e à cooperação econômica, como se os países da Europa fossem os antigos senhorios e pudessem ajudar somente àqueles vassalos oriundos do local, ainda que, por outro lado, muito sejam os setores que sentem a falta dos estrangeiros, sejam eles como turistas, ou como trabalhadores do campo, cuja ausência ameaça as colheitas.

Talvez, não somente o cidadão deva acordar após a hibernação da quarentena, mas também os Estados e a própria União Europeia, que devem aproveitar a saída desta trágica situação para fortalecer tanto a integração como a conscientização social e os chamados valores europeus.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa Coronavirus” (Fonte): https://who.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/ead3c6475654481ca51c248d52ab9c61

Imagem 2 Fases do fim da quarentena Espanha Fonte: Lavoz.es” (Fonte): https://www.lavozdegalicia.es/default/2020/04/29/00121588115121646896457/Foto/CalendarioDesescalada-01.jpg

Imagem 3 Detalhe Plano de Recuperação Econômica da EU Fonte: Comissão Europeia” (Fonte): https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/2020-03-30_economy_response.png

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Europa dividida entre o impacto social e o econômico

Com mais de 550 mil casos e milhares de falecidos, a Europa continua sob o flagelo do Convid-19, ainda assim, as últimas notícias são encorajadoras. Após sucessivos relatórios nefastos das autoridades locais, a tão temível curva de contágio parece, ao fim, estar sendo controlada, e as medidas de quarentena parecem mostrar seus efeitos.

Os países mais afetados pela pandemia, Itália e Espanha, começam a registrar uma redução do número de contágios e falecidos diários, no entanto, o medo de um novo pico de infecções faz com que as autoridades sejam cautelosas em relação às políticas de quarentena e ao estado de emergência decretado em diversos países do Bloco europeu.

Diante de todas as adversidades produzidas pelo vírus e de uma possível vitória, um fantasma temível se alça na região, trazendo com eles recordações recentes da Crise Financeira Internacional. A recessão econômica avança na União Europeia, concretizando-se nos dados econômicos de duas de suas duas maiores potências: França e Alemanha.

A reunião do Bloco econômico foi infrutífera e não alcançou os objetivos desejados, e os países mais afetados enfrentam a paralisação de sua economia e o acúmulo das dívidas públicas das últimas décadas, que, em muitos casos, supera 80% do PIB.

Reativar a economia europeia resultará em um esforço titânico, seja pela situação financeira dos países do Bloco, seja pelo impacto da pandemia na economia mundial, com a redução de demanda de grandes economias como a dos EUA e da China, ou com a redução dos fluxos de investimentos realizados nos países emergentes da América Latina.

Bandeira para o Brexit

O Brexit, que antes ocupava todas as capas dos principais jornais europeus, foi praticamente esquecido, porém, seus efeitos financeiros não podem ser negligenciados. E mesmo que diversos processos eleitorais tenham sido cancelados ou postergados, grandes players, como a Alemanha, estão em plena corrida presidencial, se preparando para o próximo ano (2021), da mesma forma que o eco da corrida eleitoral americana deste ano (2020) afeta diretamente ao Bloco europeu.

A solidariedade estatal, que é um princípio básico para a manutenção da União Europeia, cada dia encontra maiores barreiras e uma competição eterna ecoa e ganha força. Interesses conflitantes tanto dentro do grupo como entre os membros da OTAN fragilizam a União Europeia. E as medidas financeiras anunciadas parecem não serem suficientes para conter uma forte retração da economia.

O Estado ganhou uma nova importância ao pactuar com o setor produtivo para a manutenção do sistema econômico, porém, existem fortes limitações devido à própria condição dos países europeus e à falta de grandes reservas internacionais, que a Europa não poupou.

A Gran Vía de Madri em 22 de março – o vazio na rua esboça o efeito do isolamento

O único consenso que existe de fato é que, se atualmente o Convid-19 castiga a Europa, amanhã será a crise econômica, o desemprego e o endividamento público. Em alguns países, como no caso de Portugal, o Presidente fez um apelo ao setor financeiro, solicitou a este o mesmo apoio que lhe foi concedido durante a Crise Financeira Internacional. Espanha, França e Itália atuam na mesma linha, pois a grande dúvida que paira é como socializar os prejuízos com uma população inativa ou parcialmente paralisada. O acúmulo do capital na Europa nunca foi tão questionado, e os Estados, independentemente de sua identidade partidária, voltam a abraçar o keynesianismo que fundamentou o continente.

Aqui, da Espanha, a situação, que antes parecia irremediável, aos poucos parece mostrar uma luz no fim do túnel, e todos os esforços do governo para salvaguardar a economia serão colocados à prova após o dia 26 de abril, data limite do Decreto Presidencial do Estado de Alarme, quando, aos poucos, tentarão reativar a atividade.

O governo aprovou a renda mínima, postergou as cobranças, eliminou temporariamente os impostos para as pequenas e médias empresas, porém, a pergunta que paira é se isso foi o bastante. Da mesma forma, questiona-se quais serão os resultados desta pandemia que já contabiliza mais de 16 mil falecidos, em um país que estava aos poucos se recuperando dos efeitos da Crise Internacional, considerada até antes como a maior crise do Bloco. A vida transcorre e as pessoas tentam se adaptar com muitas dúvidas, mas a maior delas é aquela não pronunciada, porém tácita: como sair dessa situação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Partículas de SARSCoV2 (a amarelo) a emergir de uma célula humana. Imagem obtida por microscópio eletrônico de varrimento com coloração digital” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/COVID-19#/media/Ficheiro:SARS-CoV-2_scanning_electron_microscope_image.jpg

Imagem 2 Bandeira para o Brexit” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Brexit#/media/File:EU-Austritt_(47521165961).svg

Imagem 3 A Gran Vía de Madri em 22 de março o vazio na rua esboça o efeito do isolamento” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:22_de_marzo_2020-Gran_Via-Madrid.jpg

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Smartcity e Coronavírus, lições de uma pandemia

A pandemia causada pelo Covid-19 já soma mais de 1 milhão de contagiados e milhares de falecidos em todo o planeta. Um episódio trágico na história da humanidade que sem dúvidas marcará as próximas décadas, seja pelo impacto social, seja pelo impacto político ou econômico.

Diante de cenas como vistas na Itália, com caminhões de féretros desfilando em uma macabra marcha fúnebre, ou de convalescidos em plenas ruas do Equador, aparece o contraste, com imagens de animais silvestres circulando por cidades vazias, águas transparentes em grandes urbes e a visão no horizonte do Himalaia, a centenas de quilômetros, após esta montanha estar oculta nos últimos 30 anos devido à contaminação atmosférica. Lições de um mundo dignas de um filme post-apocalíptico ou da gênese de um novo episódio na nossa história.

Mesmo com o negacionismo presente em líderes tais como Boris Johnson, Donald Trump, Shinzo Abe e Jair Bolsonaro, que aos poucos foram cedendo, seja por fruto das pressões sociais e políticas, ou graças ao reflexo da própria realidade, vemos como a civilização e todas as construções sociais advindas dos diferentes modelos de pacto social e sistemas culturais são um frágil castelo de areia, assim como o sistema logístico e econômico internacional.

A mão invisível do mercado precisou em muitos cenários do pulso firme do Estado, pois, conforme vem sendo observado internacionalmente por vários analistas, a tragédia não entende de sistemas bancários nem modelos financeiros, também não se decanta por ideologias ou lados partidários, e nem por fronteiras desenhadas em um mapa.

Em um mundo onde mais de 80% da população se concentra nas cidades, o papel da gestão local ganhou destaque, seja aplicando medidas de confinamento e controle da epidemia, seja realizando campanhas a favor da atividade econômica, ainda com a contrapartida social e moral perante as possíveis perdas humanas.

Nesse contexto, a inteligência das cidades e a racionalização de seus processos tiveram um papel fundamental no sucesso ou fracasso de suas gestões diante da crise, e deixaram em evidência a necessidade de estabelecer processos inteligentes no gerenciamento dos espaços urbanos. Assim mesmo, diversas são as lições que ficaram para a posterioridade.

Camiões transportando falecidos pelo Covid-19 na Itália

Em Madri por exemplo, antes mesmo da declaração oficial do Governo Espanhol do Estado de Alarme, a Prefeitura já havia ordenado o fechamento das escolas, cancelado eventos públicos, e começado a articular e preparar todo seu sistema sanitário, ainda assim, a medida não levou em consideração as movimentações dos habitantes e suas dinâmicas migratórias, fazendo com que diversos cidadãos levassem o vírus a outras cidades em sua fuga desde Madri. A inteligência da capital espanhola foi o suficiente para preparar o sistema de saúde e as atividades econômicas dentro da cidade, mas falhou no que se refere ao transporte e mobilidade dentro da área de influência da mesma.

Por outro lado, a capital financeira Italiana, Milão, fez uma campanha para manter a atividade econômica tomando medidas simples de distanciamento social, o que não se mostraram efetivas e, hoje, amarga um dos maiores números de contágios na Europa.

Em Nova York, as autoridades locais, em confronto aberto com o presidente Trump, não hesitaram em tomar medidas de distanciamento local e confinamento, porém, a falta de um sistema público de saúde eficiente e a elevada densidade populacional transformaram a “capital do mundo” em um dos principais focos da doença.

Estes e outros exemplos no mundo inteiro demonstram a importância de gerar espaços inteligentes e principalmente a necessidade de integrar as diferentes dimensões que compõem a realidade urbana.

De nada serve ter um sistema de gerenciamento sanitário eficiente sem uma integração com outros sistemas, tais como transporte público, política local, logística ou segurança. Assim mesmo, a centralização do comando derivada do Estado de Alarme ou Emergência decretado em diversos países, como acontece na Espanha, por um lado facilitou o gerenciamento da crise em âmbito nacional, porém gerou assimetrias em relação às implicações locais, produzindo a falta de equipamentos ou a concentração dos mesmos, fomentando, assim, um atendimento desigual perante diferentes cenários dentro da nação.

Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid

Porém quais são as ferramentas dentro do âmbito das cidades inteligentes que fizeram ou poderiam fazer a diferença? Assim como o termo Smartcity (Cidade Inteligente) é amplo e composto de diferentes óticas e dimensões conforme a realidade local, suas aplicações são igualmente abrangentes. Sem embargo, uma série de preceitos comuns aos diversos projetos de Smartcity podem ser usados, sendo eles:

Interoperabilidade de sistemas: Para uma correta gestão do espaço urbano e os diferentes níveis de poder que o compõe, a integração dos sistemas de informação possibilita uma melhor comunicação e gestão dos recursos, assim como atende às necessidades locais, regionais, estaduais e até mesmo nacionais. Há um contínuo fluxo de informação referente a recursos, projetos, medidas e políticas que devem dialogar entre si.

Centro de Operações Integradas: Um centro capaz de gerir diversas informações, tal como existe no Rio de Janeiro, com maior capacidade, fomentando a colaboração e adequação à realidade local.

SmartHealth: ou Sistema de Saúde Inteligente, capaz de gerenciar não somente a evolução, mas de equilibrar o uso dos recursos de modo preditivo, evitando uma possível saturação.

Smartmobility: A mobilidade, embora reduzida, deve ser controlada, para reduzir o impacto ou o uso desnecessário de recursos em um lado da cidade enquanto o outro permanece negligenciado.

TIC: Soluções como trabalho ou educação à distância só são possíveis e aplicáveis mediante a integração digital da cidadania e a disponibilização de recursos, tais como o Wifi gratuito em cidades com esse dispositivo.

Inteligência e integração são conceitos chaves para as Smartcities e esta crise revelou não somente as vantagens de racionalizar os espaços urbanos, mas, também, o longo trabalho que ainda precisa ser feito, pois esta pandemia com o tempo passará, assim como outras ao longo da história e, como esta, várias ainda podem surgir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 SmartHealth” (Fonte): https://www.gradiant.org/wp-content/uploads/2019/03/eSalud_02_cabecera.jpg

Imagem 2 Caminhões transportando falecidos pelo Covid19 na Itália” (Fonte): https://mk0ultimasnoticeq5hf.kinstacdn.com/wp-content/uploads/2020/03/5e7382a759bf5b2f295451c9.jpg

Imagem 3 Hospital habilitado no centro de exposições de Madrid” (Fonte): https://www.que.es/wp-content/uploads/2020/03/ifema-coronavirus-640×480.jpeg