ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

União Europeia dá sinal verde para fundo de recuperação econômica

Até o momento, a Europa é o continente mais castigado pela pandemia causada pelo Covid19, com mais de 1,2 milhão de infectados e milhares de falecidos. Aos poucos, os países vão se preparando para retomar à normalidade, porém, o panorama econômico configura um novo desafio que expõe as assimetrias dentro do Bloco, que já prepara o maior plano de recuperação econômica da história do continente desde o Plano Marshall, após o final da II Guerra Mundial.

O Banco Central Europeu alerta que “A recessão econômica na Europa pode ser de até 15% do PIB da região, embora existam países cujos efeitos podem superar essa cifra, devido ao impacto sofrido durante a pandemia e aos efeitos do cenário internacional que são imprevisíveis, pois um agravamento da epidemia nos Estados Unidos e uma expansão da mesma nos países emergentes, além da queda do preço das commodities, podem dificultar mais ainda a recuperação do Bloco.

Com um montante total estimado em  quase 500 bilhões de Euros, a Comissão Europeia propõe o uso de todos seus recursos financeiros, dentro do plano orçamentário de 2021-2027, para recuperar a economia e reativar o mercado interno, reduzindo assim o impacto da demanda internacional. Porém, nem todos os países do Bloco são favoráveis a essas medidas, havendo uma tácita divisão entre as grandes economias e os países mais afetados, não existindo de fato uma cifra aprovada.

Setores como o turismo e a construção civil são uns dos mais impactados e que representam uma inestimável fonte de geração de emprego e renda, principalmente em países como Espanha, França e Itália, que dificilmente vão conseguir regressar aos índices prévios à pandemia, o que gera incertezas em diversas nações.

Até mesmo o Reino Unido, após sair da União Europeia (UE), se mostra disposto em colaborar com o Bloco, uma vez que os reflexos no mercado financeiro sem dúvidas sobrepassaram os limites fronteiriços da UE.

Uma crise maior que a enfrentada em 2008, e para muitos analistas equiparável à Crise de 29, pode decretar uma mudança substancial no destino da Europa, que já vinha enfrentando diversas fragmentações oriundas de temas polêmicos, tais como a migração, a expansão do grupo, o aquecimento global e os investimentos e subvenções internas.

Neste cenário caótico e de poucas esperanças, o Banco Central Europeu aprovou a compra de dívida dos países integrantes do Bloco, assim como bônus de alto risco, com o objetivo de gerar certa estabilidade, mas que, porém, pode derivar em longo prazo em um ônus para a região, onde muitos países acumulam dívidas públicas superiores a 90% do PIB.

Banco Central Europeo

Manter o emprego e reativar a economia interna são as principais metas da Europa, levando diversos Estados a atuarem diretamente no mercado, obtendo o controle temporário de empresas, subvencionando até 80% dos salários e distribuindo renda com programas semelhantes ao auxílio emergencial existente no Brasil.

Fortalecer o mercado interno é uma prioridade para manter flutuando a economia até obter uma recuperação do cenário internacional, uma aposta arriscada, porém sem outra alternativa capaz de reduzir o resultado da crise.

A Comissão Europeia ainda deve determinar os valores e os critérios usados no programa de recuperação econômica, enquanto isso, cada país adota uma série de medidas internas segundo sua própria realidade e necessidades.

A suspensão da circulação de pessoas dentro do Bloco, com o objetivo de controlar o avanço das infecções, também afeta os ciclos de produção e a paralisação temporária de algumas economias cobra hoje seus resultados.

Um remédio amargo, porém, necessário, em um continente onde grande parte da população está no grupo de risco e que não teve outra opção que a de ceder frente ao incremento dos contágios e parar quase por completo. É uma opção entre a vida e a economia, que, agora, mostra seus efeitos e que depende da mesma capacidade de resposta.

A unidade da União Europeia pode enfrentar os efeitos da crise e superar a mesma, pois, separada, ela estará destinada a sucumbir a um cenário de pós-guerra, onde os recursos, em lugar de serem divididos, são requisitados pelos mais fortes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ursula Von der Leyen Presidente da Comissão Europeia” (Fonte): https://web.static-rmg.be/if/c_crop,w_1000,h_664,x_0,y_0,g_center/c_fit,w_620,h_411/2eb8ecda53f539aafeed6a2302bca6a0.jpg

Imagem 2 Banco Central Europeo” (Fonte): https://elglobal.es/wp-content/uploads/2020/01/image_content_232494_20170802000321.jpg

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Europa dividida entre o impacto social e o econômico

Com mais de 550 mil casos e milhares de falecidos, a Europa continua sob o flagelo do Convid-19, ainda assim, as últimas notícias são encorajadoras. Após sucessivos relatórios nefastos das autoridades locais, a tão temível curva de contágio parece, ao fim, estar sendo controlada, e as medidas de quarentena parecem mostrar seus efeitos.

Os países mais afetados pela pandemia, Itália e Espanha, começam a registrar uma redução do número de contágios e falecidos diários, no entanto, o medo de um novo pico de infecções faz com que as autoridades sejam cautelosas em relação às políticas de quarentena e ao estado de emergência decretado em diversos países do Bloco europeu.

Diante de todas as adversidades produzidas pelo vírus e de uma possível vitória, um fantasma temível se alça na região, trazendo com eles recordações recentes da Crise Financeira Internacional. A recessão econômica avança na União Europeia, concretizando-se nos dados econômicos de duas de suas duas maiores potências: França e Alemanha.

A reunião do Bloco econômico foi infrutífera e não alcançou os objetivos desejados, e os países mais afetados enfrentam a paralisação de sua economia e o acúmulo das dívidas públicas das últimas décadas, que, em muitos casos, supera 80% do PIB.

Reativar a economia europeia resultará em um esforço titânico, seja pela situação financeira dos países do Bloco, seja pelo impacto da pandemia na economia mundial, com a redução de demanda de grandes economias como a dos EUA e da China, ou com a redução dos fluxos de investimentos realizados nos países emergentes da América Latina.

Bandeira para o Brexit

O Brexit, que antes ocupava todas as capas dos principais jornais europeus, foi praticamente esquecido, porém, seus efeitos financeiros não podem ser negligenciados. E mesmo que diversos processos eleitorais tenham sido cancelados ou postergados, grandes players, como a Alemanha, estão em plena corrida presidencial, se preparando para o próximo ano (2021), da mesma forma que o eco da corrida eleitoral americana deste ano (2020) afeta diretamente ao Bloco europeu.

A solidariedade estatal, que é um princípio básico para a manutenção da União Europeia, cada dia encontra maiores barreiras e uma competição eterna ecoa e ganha força. Interesses conflitantes tanto dentro do grupo como entre os membros da OTAN fragilizam a União Europeia. E as medidas financeiras anunciadas parecem não serem suficientes para conter uma forte retração da economia.

O Estado ganhou uma nova importância ao pactuar com o setor produtivo para a manutenção do sistema econômico, porém, existem fortes limitações devido à própria condição dos países europeus e à falta de grandes reservas internacionais, que a Europa não poupou.

A Gran Vía de Madri em 22 de março – o vazio na rua esboça o efeito do isolamento

O único consenso que existe de fato é que, se atualmente o Convid-19 castiga a Europa, amanhã será a crise econômica, o desemprego e o endividamento público. Em alguns países, como no caso de Portugal, o Presidente fez um apelo ao setor financeiro, solicitou a este o mesmo apoio que lhe foi concedido durante a Crise Financeira Internacional. Espanha, França e Itália atuam na mesma linha, pois a grande dúvida que paira é como socializar os prejuízos com uma população inativa ou parcialmente paralisada. O acúmulo do capital na Europa nunca foi tão questionado, e os Estados, independentemente de sua identidade partidária, voltam a abraçar o keynesianismo que fundamentou o continente.

Aqui, da Espanha, a situação, que antes parecia irremediável, aos poucos parece mostrar uma luz no fim do túnel, e todos os esforços do governo para salvaguardar a economia serão colocados à prova após o dia 26 de abril, data limite do Decreto Presidencial do Estado de Alarme, quando, aos poucos, tentarão reativar a atividade.

O governo aprovou a renda mínima, postergou as cobranças, eliminou temporariamente os impostos para as pequenas e médias empresas, porém, a pergunta que paira é se isso foi o bastante. Da mesma forma, questiona-se quais serão os resultados desta pandemia que já contabiliza mais de 16 mil falecidos, em um país que estava aos poucos se recuperando dos efeitos da Crise Internacional, considerada até antes como a maior crise do Bloco. A vida transcorre e as pessoas tentam se adaptar com muitas dúvidas, mas a maior delas é aquela não pronunciada, porém tácita: como sair dessa situação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Partículas de SARSCoV2 (a amarelo) a emergir de uma célula humana. Imagem obtida por microscópio eletrônico de varrimento com coloração digital” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/COVID-19#/media/Ficheiro:SARS-CoV-2_scanning_electron_microscope_image.jpg

Imagem 2 Bandeira para o Brexit” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Brexit#/media/File:EU-Austritt_(47521165961).svg

Imagem 3 A Gran Vía de Madri em 22 de março o vazio na rua esboça o efeito do isolamento” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:22_de_marzo_2020-Gran_Via-Madrid.jpg

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Coronavírus na Europa

A Organização Mundial da Saúde declarou a Europa como novo epicentro da pandemia causada pelo Covid-19. Ruas, museus, escolas, aeroportos e demais serviços foram paralisados e esvaziados diante do pânico crescente da população, atônita com o aumento do número de casos e óbitos em diversos países do Bloco europeu, trazendo problemas de abastecimento e toque de recolher em diversos municípios. Um ambiente digno de um filme pós-apocalíptico no qual se localiza o correspondente do CEIRI news na Europa, Wesley S.T Guerra, erradicado na Espanha, país que registra mais de 5.200 casos e 150 falecidos, leia seu relato.

Um silêncio estarrecedor nas ruas, colégios, restaurantes e demais serviços, parques sem o barulho das crianças ou idosos passeando com seus cachorros, monumentos sem turistas e transportes funcionando no mínimo de sua capacidade. Um cenário de guerra, onde, de momento, o lado vencedor é o do coronavírus.

Uma onda de pânico causou o desabastecimento temporário em diversas localidades. As notícias de propagação do vírus além das fronteiras da Itália geraram o alarme e cada novo caso contabilizado aumentava o medo da população mais envelhecida do planeta. Fake news e informações desencontradas aumentaram as dúvidas da população. As autoridades decretaram Estado de Emergência, porém, sob críticas por uma atuação tardia.

Na Espanha, antes mesmo de o presidente Pedro Sanchez haver decretado o Estado de Alarme, o governo da Comunidade de Madri (região mais afetada no país Ibérico) havia dado ordem de fechar todos os estabelecimentos públicos e serviços, salvos aqueles de primeira necessidade. Na Catalunha, segunda região em população, as forças de segurança estabeleceram controles e obrigaram a população de diversos municípios a não sair da cidade, alertando aos motoristas: “saiba que se você entrar, não poderá sair”.

O espaço aéreo passou a ser limitado, principalmente após os Estados Unidos declararem o cancelamento dos voos com origem nos países da União Europeia. Fronteiras com países vizinhos, como o Marrocos, foram fechadas e protocolos de segurança foram ativados.

Coronavírus Mercados

O Decreto realizado pelo governo central espanhol permite o uso das Forças Armadas e até mesmo a restrição de direitos civis, tais como o direito circulação dos cidadãos, com o objetivo de reduzir a curva de infecção do vírus e restabelecer aos poucos a calma.

A Bolsa de Madri registrou no dia 12 de março a maior queda da sua história, acompanhada pelas demais bolsas europeias e mundiais. O impacto em setores importantes, tais como turismo, serviços e comércio permanece incalculável. A sensação é que o mundo parou por um instante e um pequeno ser microscópico deixou evidente a soberba humana e a fragilidade de nossas sociedades.

Infelizmente, por outro lado, o estado de quarentena decretado em diversas localidades de Madri, Catalunha, Murcia, País Basco, Aragão se transformou em férias para algumas pessoas que se refugiaram em localidades litorâneas, levando o vírus com ela.

Não sair de casa” essa é a frase que as autoridades citam uma e outra vez como uma tentativa de convencer o povo de que o pior ainda está por vir.

Como medidas, além do fechamento de todos os serviços (salvo os essenciais) e a quarentena dos municípios mais afetados, o governo estimula o home office (trabalho em domicílio) e medidas de prevenção e higiene. Espanha, Portugal e Itália são países cuja população de risco é uma fatia majoritária em sua pirâmide demográfica, sendo necessário controlar o quanto antes o avanço dos casos.

Avenida em Horário de Pico

Segundo as autoridades, é necessário estar consciente de que 80% da população pode ser infectada e que haverá óbitos de seres queridos, de conhecidos, independentemente da colaboração de toda a sociedade.

O Covid-19 possui menor taxa de mortalidade que outros vírus que já circulam na Europa, porém, a alta proporção de pessoas em grupos de risco e a velocidade da propagação, além dos fortes impactos econômicos na economia mundial, transformaram a pandemia do Coronavírus em uma das mais importantes desde a Gripe Espanhola de 1918, que vitimou milhões de pessoas.

Nos demais países da Europa, a situação é semelhante. Portugal, França, Alemanha, Bélgica, entre outros, decretaram o fechamento dos estabelecimentos e locais públicos, com a redução dos serviços e cautela. Circular no Bloco europeu é desaconselhado pelas autoridades e viagens internas devem ser feitas somente por motivos extremos.

Como testemunho pessoal, um companheiro de trabalho está de quarentena pelo fato de que sua esposa (enfermeira) deu positivo, sendo a recomendação médica permanecer em casa e somente sair para emergências, no caso de apresentar maiores sintomas. Assim mesmo, as autoridades facilitam um número de emergência para que pessoas com suspeita possam realizar o teste em sua casa, sem acorrer ao hospital, com a visita de profissionais de saúde. Foi necessário estocar comida e a falta de alguns bens de consumo é notável, porém, dentro do possível, tentando manter a calma e certa normalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Coronavírus Espanha” (Fonte): https://www.eventplannerspain.com/sites/default/files/styles/header_banner/public/images_noticias/coronaeps.jpg?h=c74750f6&itok=3TjNDDvg

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2020 e a Europa após o Brexit

Após a separação oficial do Reino Unido da União Europeia, celebrada por parte da população britânica e lamentada pela outra metade, além de diversos cidadãos do Bloco europeu que moram no Reino Unido e empresas que mantém negócios em ambas regiões, marcou-se um hiato no ano de 2020 e um novo ritmo para o continente.

A União Europeia precisa se reestruturar e consolidar o projeto europeu em pleno começo da corrida eleitoral da Alemanha, com eleições marcadas para 2021, e mudança de poder nos Estados Unidos, assim como diluir a sombra projetada pelo Brexit nos países da União Europeia e no discurso crescente da extrema direita na região.

Acrescente-se ainda o ambiente político conturbado em diversos países, devido à polarização cada vez mais perceptível e presente na dificuldade de muitas nações em constituir governo, como ocorre na Bélgica, e que manteve a Espanha durante 4 anos em um ciclo contínuo de múltiplas eleições.  Além desses fatores e dos impactos das políticas de austeridade aplicadas após a Crise Financeira Internacional e seus reflexos na área mediterrânea, somam-se aos efeitos do Brexit as novas políticas migratórias do Reino Unido e a desaceleração da economia mundial, com uma temível redução da demanda de produtos europeus em diversos países, principalmente nas economias emergentes. Tais elementos fazem de 2020 um ano definitivo para a União Europeia.

A redução progressiva do poder de compra e a volatilidade do mercado laboral fizeram com que o mercado interno seja incapaz de absorver e manter o crescimento econômico em diversos países da União Europeia, e a desvalorização das moedas em países emergentes como o Brasil e a Argentina dificultam a venda de produtos para o mercado externo. Acrescente-se mais ainda que a incapacidade de controlar os gastos públicos, mas manter o estado de bem estar, faz com que os discursos nacionalistas e eurocéticos ganhem cada vez mais força, debilitando o projeto europeu.

Merkel nas últimas eleições

Porém, uma dissolução da União Europeia resultaria em uma catástrofe econômica a nível mundial, abalando à interdependência política, econômica, jurídica e social, à diferença do que acontecia com o Reino Unido, provocando um efeito em cadeia que afetaria todo o globo, já que a configuração do mercado europeu responde como único, e são as dinâmicas internas que dificultam o progresso do projeto europeu, gerando enormes assimetrias e uma crescente desigualdade entre os integrantes que, em lugar de conferir competitividade ao Bloco, minam internamente suas bases.

Entre as possíveis soluções que a União Europeia pode adotar existem diversos conflitos de interesse que deveriam ser esclarecidos. A criação de um sistema europeu de previdência social reduziria o impacto das movimentações na mão de obra entre países do grupo, estabelecer um salário mínimo comum também poderia reduzir a movimentação de empresas e deslocamento de ofertas de emprego e, por último, e como medida mais drástica, permitir que os países com maiores dificuldades voltem a adotar suas moedas, utilizando o Euro somente como moeda de troca internacional, isso debilitaria a moeda europeia, mas aumentaria a competitividade do produto europeu.

Sem embargo, a estratégia adotada pela União Europeia foi a adotada desde sua fundação: o endividamento dos Estados, a manutenção das subvenções, a expansão do Bloco e a diversificar exportações, sendo cada vez mais difícil aprovar orçamentos. Isso coloca todo o Bloco à mercê da evolução do mercado internacional, ainda que conferindo maior força ao conjunto de países, sem dar espaço às individualidades que existem.

Dessa forma, o ano de 2020 se apresenta como um ano definitivo para a reestruturação europeia, sendo o único questionamento se a mesma será liberal e conduzida pelo mercado e suas evoluções ou se o Bloco irá tratar de controlar o processo. Mas, sem dúvidas, será um momento que representará um marco, com um antes e um depois na história da organização supranacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Momento em que a bandeira do Reino Unido foi retirada na Comissão Europeia” (Fonte): https://static1.abc.es/media/opinion/2020/01/01/brexit-kdmD–620×[email protected]

Imagem 2Merkel nas últimas eleições” (Fonte): https://www.lavanguardia.com/r/GODO/LV/p4/WebSite/2017/09/24/Recortada/853039188_20170924191311-kivG-U431539795043QfC-992×[email protected]

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BOLETIM EUROPA - 2019

O ano de 2019 chega ao seu fim marcado pela instabilidade política e tensões sociais em todo o planeta. Embora em termos de segurança e defesa este seja um ano de relativa paz, uma vez que são poucos os conflitos armados oficiais. Por outro lado, ocorreram diversas as manifestações e mudanças tanto no cenário político quanto econômico e social.

Em meio à anomia do sistema internacional, a União Europeia (UE) lutou por manter certa estabilidade, passando por um processo de introspecção e reformulação, na tentativa de promover as mudanças necessárias para a consolidação do bloco, que enfrenta problemas desde a cúpula de Bratislava em 2016, e sobrevive com as indefinições do Brexit, além do impacto das políticas americanas advindas da gestão Trump.

Entre as grandes economias que disputam o eixo de poder no planeta (Estados Unidos e China), a UE passou a segundo plano no que tange aos pleitos econômicos internacionais e questões globais, submersa em suas próprias dificuldades e na incapacidade de gerar um consenso entre os países que formam o bloco.

Os sinais de desaceleração da economia alemã (que logrou esquivar uma recessão) e o desgaste social causado pelas políticas de austeridade aplicadas em países afetados pela crise econômica de 2008 foram sem dúvidas os marcos que definiram o passo de 2019 no bloco.

Em relação ao cenário internacional o maior destaque do continente foi ocupar o vácuo de poder na agenda de desenvolvimento sustentável gerado pelo afastamento dos EUA e ausência do Brasil e demais países latinos, envolvidos na já chamada “primavera latina”. O que deu voz a ativistas tais como a jovem Greta Thungberg que desde seu discurso no parlamento Sueco em fevereiro, ganhou representatividade em todo o planeta, assim como diversas críticas. A celebração em dezembro da Cúpula Mundial para a Mudança Climática em Madrid,  por desistência do Brasil e posteriormente do Chile, consolidou o papel da Europa na denominada Agenda Verde Global.

O processo de cisão do Reino Unido, ou BREXIT, com o bloco foi o grande impasse enfrentado em 2019 pela União Europeia, cuja definição deve aguardar a 2020 sem definir ainda o impacto e os acordos derivados da separação.

Por outro lado, no panorama político interno do bloco, Portugal e Finlândia consolidaram as lideranças de esquerda e centro-esquerda em seus respectivos países, frente a um crescente movimento de direita que já começava a se consolidar em 2018. Na Espanha e na Bélgica a incapacidade de nomear um governo para liderar o país continua na lista de tarefas pendentes para o próximo ano.

A expansão da UE continua avançando em direção ao leste e sudeste do continente, embora as demoras em formar governo nas altas esferas do bloco paralisaram os processos de adesão de novos países.

A relação entre a UE e os Estados Unidos, e consequentemente com a OTAN, também foram afetadas pela inércia dos processos internos do continente e pela evolução da política externa americana, não sendo bem recebidas as ameaças feitas pela gestão Trump de aumentar as tarifas de importação em relação a diversos produtos europeus.

Assim mesmo, as relações com as nações latinas e com o Mercosul foram destaque apenas no que se refere a troca de ofensas em discursos presidenciais, não havendo grandes resultados nem movimentos econômicos dentro dos novos acordos assinados com a região.

O ano de 2019 foi para a Europa um ano de articulações majoritariamente internas, reflexo do próprio paradigma internacional e do desgaste da população. Também foi um ano de profunda avaliação, com o 30ª aniversário da Queda do Muro de Berlim, em um mundo cada vez mais polarizado, e abalado por tragédias tais como o incêndio da catedral de Notre Dame e a continuação da crise dos refugiados e imigrantes que buscam melhores condições no bloco.

No panorama social, greves na Espanha, França, Itália e outros países, são os reflexos de que os desafios enfrentados pela Europa vão além do alinhamento político e permeia o pensamento de milhões de europeus que participaram nas eleições parlamentares do bloco no começo do ano, mas sem muitas expectativas de mudanças apesar de tudo o que estava em jogo, devido aos sinais de que o projeto europeu precisa de uma rápida intervenção ou caso contrário cederá sobre seu próprio peso. Após as eleições, a Alemanha saiu fortalecida no bloco, o que não gerou grandes mudanças em relação as diretivas da UE.

O ano de 2020 representa um anseio de mudança na Europa e no mundo, alimentados pela campanha presidencial americana e pelo desejo de estabilidade política nos países da América Latina após um tenso ano de 2019. O processo de expansão e crescimento do bloco depende por um lado de estabilidade interna e por outro da consolidação de um cenário internacional mais propício às negociações, investimentos e comércio.

Boletim Europa

União Europeia e Reino Unido chegam a um acordo

Após anos de debate e negociação, o Reino Unido e a União Europeia chegaram a um acordo, ontem, dia 17 de outubro, sobre a saída dos britânicos do Bloco europeu. Os temas mais sensíveis foram a migração e a situação fiscal nas relações entre ambos.

Após uma tensa negociação, e reflexos no mercado financeiro, ambos os players chegaram ao acerto sobre a separação, cuja adesão britânica ao Bloco já gerou controvérsias por não se alinhar ao espaço monetário europeu, nem incorporar grande parte das políticas adotadas pelos países da União Europeia.

Nos próximos meses, deve-se proceder a separação de modo a gerar o mínimo de impacto possível. A União Europeia segue em sua expansão e consolidação e o Reino Unido, aliado dos Estados Unidos, permanece à deriva das tendências globais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cartaz de documentário defendendo a saída do Reino Unido da União Europeia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Brexit:_The_Movie#/media/Ficheiro:Brexit_the_Movie.png