ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Espanha em alerta após ataques na Bélgica

Após os atentados na Bélgica, ocorridos ontem, dia 22 de março, a Espanha aumentou o alerta de segurança para o nível mais alto e convocou uma reunião de emergência. O país Ibérico teme que volte a se repetir uma nova tragédia, como a ocorrida em Madrid, no fatídico dia 11 de Março de 2004 (11M), tendo, dessa vez, os terroristas do ISIS como protagonistas.

A Espanha é um país que faz fronteira com o mundo árabe e possui uma importante colônia de imigrantes islâmicos. Diariamente, recebe dezenas de embarcações lotadas de imigrantes que tentam atravessar as águas do mediterrâneo, em busca de uma vida melhor, ou fugindo de guerras na África e no Oriente Médio.  O país também conta com gerações de imigrantes nascidos na Espanha que mantêm sua religião e costumes, assim como diversos países do Bloco Europeu, tais como a França, a Bélgica ou a Holanda.

Os problemas de integração e as tentativas de frear o contínuo fluxo migratório geraram uma crescente tensão social, alimentada pelos discursos de alguns membros de partidos conservadores de ultradireita; pelas notícias de ataques vindas de outros Estados da Europa, tais como as ações terroristas ocorridas em Paris, ou em Bruxelas; e estimulada pelos reflexos da crise dos refugiados nos cidadãos muçulmanos estabelecidos no Bloco.

Muitos dos jovens que se alistaram ao Estado Islâmico ou que formaram células e grupos terroristas são nativos de países europeus, estudaram em colégios laicos, tiveram contato contínuo ao longo de suas vidas com a cultura local e, ainda assim, nutrem em seu interior um ódio exacerbado pela cultura europeia e tudo o que ela representa, denotando o problema de integração de muitos imigrantes na Europa que formaram guetos, onde são geralmente marginalizados pelas autoridades e discriminados por uma parcela dos cidadãos nativos do país.

Segundo dados do Centro de Inteligência Contra o Terrorismo e Crime Organizado (CITCO), 45% dos detidos sob a suspeita de terrorismo na Espanha são espanhóis, o que coloca o país no topo da lista de alvos terroristas e, novamente, confirma a problemática da integração islâmica.

A Espanha também já foi ameaçada oficialmente tanto pela Al-Qaeda como pelo Estado Islâmico, fazendo com que aumente seu estado de alerta frente a qualquer possível ameaça, ou frente a qualquer mudança na segurança interna da União Europeia.

O grande problema nessa questão é que, dessa vez, o inimigo, apesar do medo que geram os refugiados, parece não vir do exterior, mas sim do interior da própria União Europeia, que deve não somente encarar o problema de segurança no espaço comum, como, também, o enfrentar o problema de integração dessas comunidades, já que, ao final, algumas delas levam mais de 3 gerações no continente para fazê-lo.

Caso não existem políticas eficientes para integrar as comunidades islâmicas à sociedade europeia e, dessa forma, reduzir o alistamento e aliciamento de jovens para formar novos grupos, nem uma investigação efetiva e integrada, a Europa, infelizmente, correrá o risco de ter muitos outros atentados.

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Imagem (Fonte):

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AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Impasse entre a direita e a esquerda e a instabilidade ibero-americana

Longe das Colaborações Premiadas e das articulações do Governo brasileiro, líderes de diversos países latinos – Tanto da América como da Europa – enfrentam a crescente instabilidade política e econômica, além da crescente divisão social, fruto da insatisfação popular para com seus líderes e a polarização da sociedade, levada ao extremo das paixões partidárias e ideológicas.

A Espanha continua em sua cruzada na busca de um Presidente que possa liderar o país e de conciliar o crescimento de sua economia com a estabilização dos índices econômicos e sociais, que são cada vez mais precários. O desemprego continua acima dos 20% e a pobreza ameaça grande parte de sua população, havendo casos extremos, como mais de 2 milhões de criança que sofrem os efeitos da pobreza e somente possuem uma fonte de alimentação, que é a merenda escolar; ou o caso dos aposentados, pressionados pela redução dos benefícios sanitários e pelas mudanças nas leis de previdência e seguridade social.

Por outro lado, e não muito diferente do que acontece em diversos países latino-americanos, os casos de corrupção proliferam e afetam a credibilidade dos principais partidos políticos e políticos consagrados, tais como o ex-vice-presidente Rodrigo Rato, que também foi diretor do Fundo Monetário Internacional, assim como personalidades de Estado, tais como a princesa Cristina, irmã do atual monarca Felipe VI,  e a ex-governadora de Madrid, Esperanza Aguirre, que estão entre os investigados por crimes de corrupção.

A dificuldade de instituir o Presidente eleito, Mariano Rajoy (direita), e, posteriormente, a tentativa de instituir o indicado pelo Rei, Pedro Sanchez (esquerda), para assumir a Presidência, indica claramente a crescente divisão social e a fratura entre as ações do Governo espanhol e sua população, havendo um bloqueio administrativo e político, algo semelhante ao que ocorre em diversos países da América Latina.

No Chile, por exemplo, aumentam as tensões em torno da presidente Michele Bachelet, havendo uma crescente divisão social entre os que apoiam suas medidas socialistas e os opositores, que apoiam medidas liberais, para promover o crescimento da economia. Na Argentina, apesar da vitória de Mauricio Macri, as tensões entre os que apoiam o Presidente liberal e os seguidores do antigo Governo Kirchner continuam dificultando o processo de transição e alinhamento da economia argentina. No Peru, Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, cresce nas intenções de voto, o que pode alinhar o país a essa transição que já ocorre na região. Até mesmo nos Estados Unidos, onde a população latina é uma minoria bastante expressiva, existe uma polarização entre direita versus esquerda, cada dia mais acirrada.

O problema desse impasse registrado em muitos países é que, até o momento, o mesmo não parece promover uma maior maturidade do processo e do diálogo democrático, mas, sim, o bloqueio da atividade política, bem como a fragmentação e divisão social, levados ao extremismo.

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Imagem (FonteDivulgación PP/Divulgación PSOE):

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Europa e os muros do século XXI

O muro de Berlim foi um marco na história da humanidade, representando, em cada um dos seus tijolos, as divergências e o extremismo que dividiram o mundo e que até hoje permeiam nossa realidade. Quase 30 anos após sua queda, assistimos inertes a construção de novas barreiras e vemos que o discurso de segregação e divisão continua ecoando no panorama internacional. Seja nos discursos do pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, seja em território palestino, o mundo continua levantando suas barreiras e gerando divisões.

Na Europa, o passado volta a se repetir, mas, desta vez, em uma escala e proporção continentais. A diferença é que, agora, a barreira é construída para isolar o continente do fluxo de imigrantes e refugiados vindos da sua periferia, sendo, esta, uma tentativa de criar uma ilha de bem-estar e prosperidade, rodeada pelo insucesso das nações vizinhas do norte da África, Oriente Médio e do leste Europeu.

A instabilidade da zona periférica da Europa começou com a Primavera Árabe e se intensificou após o início dos conflitos na Síria, gerando um fluxo massivo de imigrantes e refugiados que arriscam suas vidas diariamente tentando entrar por um dos pontos de acesso ao continente. A sociedade europeia divide-se entre os solidários aos refugiados e os contrários a sua recepção.

Um fator importante para compreender a problemática dos refugiados e imigrantes na Europa é que os países que atuam como fronteira em sua maioria foram afetados duramente pela crise econômica que se alastrou pelo mediterrâneo nos últimos anos, de modo que não conseguiriam absorver esse fluxo de pessoas e o impacto das mesmas em suas debilitadas economias.

Por outro lado, a distribuição e absorção dos refugiados pelos demais países do Bloco é muito deficiente e o sistema de cotas proposto pela União Europeia gera mais discussões que consensos, principalmente em países presididos por partidos mais à direita. Dessa forma, um refugiado deve transpassar diversos territórios com políticas diferentes sobre o processo de asilo e migração, antes de chegar ao idílico coração da União Europeia, ficando muitos deles pelo caminho.

Frente a essa situação, a solução encontrada pelos países fronteiriços foi cercar a Europa e, dessa forma, reduzir o número de pessoas que entram em território europeu. Desde o início da crise migratória, mais de 235 km de cercas e muros foram construídos: 175 Km ao longo da fronteira entre Hungria e Sérvia; 30 Km ao longo da fronteira entre Bulgária e Turquia, que será ampliado para 130 km; 18,7 Km nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla; e 10 km na região de Evros (Grécia), próximo à fronteira com a Turquia.

Diariamente ocorrem enfrentamentos nos muros e cercas da União, representando isto uma luta entre o sonho de uma vida melhor e o desespero por não ter nada a perder, frente ao temor ao desconhecido e a falta de empatia das autoridades fronteiriças. 

Mesmo com o inverno, o número de refugiados não para de aumentar, para desespero dos países que atuam como portas da União (e para o incômodo daqueles que se localizam em seu seio, longe das cenas chocantes registradas todos os dias), que afirmam estar dispostos a receber um determinado número de pessoas, sabendo que, a cada passo, e em cada país por onde passa um refugiado, as chances dele chegar ao coração da União vai diminuindo, pois são muitas as barreiras que devem transpor.

Paradoxalmente, a União Europeia, criada com o intuito de integrar seus povos e sua economia, levanta barreiras que lhe separa do resto do mundo e da realidade de milhões de pessoas que clamam todos os dias as suas portas.

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Em nome do Rei e da Espanha

Desde as eleições presidências, no dia 20 de dezembro do ano passado (2015), a Espanha continua sem um Presidente instituído. O candidato à reeleição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, venceu as eleições, mas não conseguiu formar Governo, após diversas tentativas de estabelecer alianças políticas capazes de lhe fornecer a necessária maioria no plenário.

O Partido sofreu com os reflexos da já superada crise econômica e por uma série de escândalos políticos comparáveis ao Mensalão Brasileiro, onde até mesmo a ex-princesa Cristiana – pois seu irmão, o atual rei Felipe VI lhe retirou o título – se viu implicada em uma trama de desvios e tráfico de influências.

O Monarca espanhol, reforçando seu papel na Monarquia Parlamentar espanhola, teve que interferir no processo presidencial e indicar um candidato para formar o novo Governo. Seu escolhido foi o representante de esquerda, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que já presidiu o país antes do início da crise financeira. A Pedro Sachez lhe foi imbuída esta árdua tarefa. E, para isso, teve que se reunir com todos os líderes dos Partidos que compõe a Câmara espanhola, sendo o mais cotado para uma coalizão o líder do novo partido de esquerda: o Podemos.

Para formar tal aliança é necessário existir sinergia dos diferentes planos de Governo de cada agremiação partidária em prol de um plano comum, sendo o mesmo pautado nas questões que mais preocupam a sociedade espanhola, as quais são: o desemprego, que ainda supera 20%, e persiste, mesmo o país superando a crise; a questão da Catalunha e o impacto do processo separatista; o alinhamento Europeu e o papel da Espanha dentro da União Europeia; as políticas para reduzir a crescente desigualdade social e recuperar o estado de bem-estar; o combate à corrupção; por último, mas relacionado aos anteriores, uma possível mudança na formação política e tributária espanhola, sem descartar uma provável mudança na Constituição.

As negociações com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, não foram frutíferas o bastante para estabelecer um pacto, já que não houve consenso em relação à possível divisão de cargos e à formação da equipe de Governo, além das políticas orçamentárias. O novo Partido de centro-direita, o Cidadãos, liderado por Albert Rivera, por outro lado, se mostrou disponível a negociar, chegando a um acordo histórico na Espanha.

A Espanha, assim como a grande maioria dos países desenvolvidos, sempre se caracterizou por um panorama bipartidário e pendular, com o revezamento entre a esquerda e a direita, no comando do país. Esta, por sua vez, será a primeira situação em que uma aliança central tenta governar o país Ibérico.

Apesar da aliança, a Espanha continua em um turbilhão político. Este novo pacto não compõe maioria absoluta no plenário, pelo que o candidato Pedro Sanchez deve negociar com parcelas de políticos dos demais partidos, buscando apoio na votação, ou, ao menos, abstenção de votos e, dessa forma, ser instituído como Presidente do Reino da Espanha.

Com essa aliança estratégica, o Partido Socialista Obreiro Espanhol deseja atrair um número de políticos frustrados após os escândalos que enfrentam o Partido Popular e, ao mesmo tempo, atrair parte dos votos da nova esquerda espanhola – Podemos – e dos partidos nacionalistas que veem no candidato um caminho para o diálogo regional.

O candidato do Partido Popular e vencedor das eleições, Mariano Rajoy, ofereceu seu apoio a Albert Rivera, ainda que seu papel no Governo irá oscilar, pois o mesmo não compactua com o Plano de Governo do PSOE. Ainda assim, a Espanha parece, aos poucos, encontrar uma solução para o impasse presidencial e Pedro Sanchez, nomeado pelo Rei, para a formação do Governo, pode ser transformar em uma espécie de Artur com seus cavaleiros da Távola Redonda, unindo a Espanha em um complexo pacto em nome do Rei e da Coroa.

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Imagem (Fonte):                                                                                                                      

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Da União à Fragmentação Econômica Europeia

Desde a crise financeira internacional, a União Europeia (UE) enfrenta diversos desafios que a cada ano foram minando a integração e promovendo uma maior exposição das suas assimetrias, principalmente as diferenças econômicas e sociais.

A crise nos países do Mediterrâneo promoveu um sério desequilíbrio na União. O enfraquecimento do Estado grego ameaçou a integridade do Bloco e pôs em xeque o futuro da Europa, sob a ameaça de que outros países adotassem a mesma postura, deteriorando os acordos regionais e a Zona do Euro. Sob o braço forte da Alemanha, a Europa, aos poucos, foi encontrando seu caminho. Espanha, Portugal e Itália conseguiram recuperar sua economia após anos seguindo o receituário imposto pela UE, que resultou em profundas crises políticas e insatisfação social.

A Croácia entrou na União Europeia e novos membros voltaram a ser contemplados. Os países da Europa do Leste, que durante muito tempo sofreram com o estigma da desigualdade existente no Bloco, beneficiaram-se das mudanças dentro da União, registrando um crescimento notável de suas economias. Polônia e Romênia chegaram a dominar o ranking de países que mais cresciam na Europa, até mesmo durante a crise, e continuam em plena expansão.

A instabilidade econômica que fora aos poucos sendo recuperada perdeu protagonismo no cenário europeu devido ao aumento das tensões territoriais e políticas. Por um lado, a Rússia e a delicada questão ucraniana; por outro, a crescente ameaça do terrorismo e os problemas derivados da instabilidade política na periferia europeia; por último, a ameaça de saída do Reino Unido que, sem dúvidas, resultaria em enorme abalo da economia regional e avança rapidamente no cenário europeu sob um forte apoio popular. Além disso, há os problemas internos dos países membros, os quais começam a preocupar a União, como é o caso da questão da Catalunha, na Espanha.

A movimentação do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico também afetou a economia do Bloco Europeu, ao menos na área produtiva. A China, ainda que importante mercado consumidor dos produtos de maior valor agregado, é também um forte competidor em setores já enfraquecidos no velho continente, mas que representam uma importante fonte de empregos e, consequentemente, produz um impacto direto no consumo interno, principalmente em países onde o desemprego ainda permanece elevado com o reflexo da Crise Internacional. São frequentes as manifestações de produtores rurais, têxtil, mineradores e metalúrgicos em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia.

O sistema financeiro sofre com a redução da atividade econômica e da demanda nos países emergentes, além da depreciação das divisas internacionais e a queda no preço das commodities e do petróleo, algo que encarece o produto europeu e lhe subtrai competitividade.

Certo é que o pior da crise econômica parece haver passado para a União Europeia, mas, ainda assim, a conjuntura política e a dinâmica social da União podem surpreender negativamente e afetar o crescimento econômico da região. As sanções contra a Rússia afetaram aos produtores agrícolas da Europa (Espanha, Itália, Portugal e França), além disso, a redução da demanda internacional impacta na produtividade industrial dos países produtores de alta tecnologia e a instabilidade política nos países emergentes reduz a demanda de produtos típicos, como vinhos, cavas, champanhes e perfumes.

Embora exista uma tendência de recuperação dos mercados desenvolvidos, muitos fatores ainda podem abalar esse prognóstico. As eleições americanas assustam a Europa e os novos fluxos de investimento para a Ásia, África e América Latina estão aos poucos insolando algumas economias europeias e gerando uma forte dependência do mercado financeiro, sendo este conhecido pela sua alta rentabilidade, mas temido pela elevada sensibilidade frente a mínimas mudanças políticas, climáticas, sociais e internacionais.

Fatores sociais como a imigração e a crise dos refugiados também abalam a estabilidade econômica europeia e chegaram a ameaçar importantes acordos, como o Schengen – que permite a livre circulação de pessoas no Bloco. Os países implicados demandam mais recursos da União para conter as ondas migratórias. A essa situação é preciso somar o aumento de migrações dentro do espaço europeu, principalmente dos países mais vulneráveis economicamente, para os países do Norte. Em relação a política interna, as mudanças no alinhamento político dificultam a integração do Bloco e uma possível saída da líder Ângela Merkel, após as eleições na Alemanha, em 2017, pode dificultar no estabelecimento de uma nova liderança.

Mesmo havendo uma certa animação em relação ao futuro econômico da Europa e dos demais países desenvolvidos é importante considerar todos os fatores implicados e não negligenciar a instabilidade ainda existente dentro do Bloco, pois a União Europeia pode sofrer maior fragmentação que integração nos próximos anos.

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

O futuro das Cidades Globalizadas

Na atualidade, existem diferentes nomenclaturas e fórmulas para classificar as cidades, seu desenvolvimento e respectivo peso no cenário internacional. Com a globalização e o aumento dos atores internacionais, existe uma maior distribuição do poder, o que promoveu um enfraquecimento da atuação dos atores clássicos – como o Estado – em detrimento de novas dinâmicas e novos atores, assim como uma nova distribuição dos centros de poder e decisão, proporcionando às cidades uma maior representatividade no panorama internacional.

Embora a importância dos centros urbanos seja um processo existente desde a Revolução Industrial, nunca antes o processo foi tão acelerado e perceptível, alcançando praticamente todos os países do mundo e promovendo a urbanização maciça da humanidade.  À raiz desse processo surgiram as chamadas Cidades Alfa, ou centros de poder mundial, posteriormente, emergiram as cidades inteligentes, que buscam soluções aos problemas decorrentes da elevada urbanização e da nova dinâmica de poder.

A desigualdade no processo de urbanização é proporcional ao grau de desenvolvimento de um país, diferenciando assim a Cidade Alfa da Cidade Inteligente (SmartCity), pois uma cidade emergente pode atuar como Cidade Alfa – por exemplo, a cidade de São Paulo – sem possuir um projeto avançado de Cidade Inteligente.

Além do mais, pequenas cidades podem se transformar em espaços inteligentes sem necessariamente aspirar ao posto de Cidade Alfa, havendo, assim, duas realidades em relação as cidades e sua inserção internacional, tendo em comum apenas a necessidade de integrar as mesmas no atual cenário.

Essa necessidade de integrar o espaço urbano dentro de uma realidade global e de uma dinâmica financeira praticamente pós-moderna reforçou o conceito de Cidade Inteligente, a qual não estará inserida no contexto mundial unicamente pelo seu poder financeiro, ou sua capacidade de gestão e utilização de recursos, mas por participar ativamente na dinâmica mundial.

A cidade globalizada e inteligente pode ser desde um importante polo financeiro, como Londres, a um centro de distribuição e comércio, como a cidade de Itajaí (que possui um dos maiores portos do Brasil); pode ser um importante centro produtor agrícola, como a cidade argentina de Mendoza; um polo turístico importante, como Saint Tropez, na França; uma pequena cidade produtora de um bem específico, como Macaé; ou um importante centro cultural e histórico, como a Meca, na Arábia Saudita. 

Sua inserção na dinâmica internacional estará ligada à sua realidade como cidade, sem forçar, dessa maneira, uma busca constante pela transformação dos espaços urbanos em polos financeiros, nem marginalizar cidades, cujas atividades econômicas sejam divergentes dos grandes centros de poder, ou pela formação demográfica da mesma.

À diferença do processo de urbanização do século XIX, quando as cidades imitavam a expansão urbana da Europa, as cidades inteligentes devem aprender a se inserir na dinâmica internacional, potencializando seus atributos e sua competitividade. Sabe-se que nem todas as cidades de um país podem se transformar em um polo financeiro de primeira linha, mas todas podem formar parte de uma rede inteligente e integrada que aumente a competitividade em conjunto de sua região.

Países como o Brasil têm um excelente potencial para desenvolver uma rede integrada de cidades inteligentes.  O país possui importantes centros urbanos ou megacidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, além de metrópoles importantes a nível nacional e grandes cidades no interior, mas, historicamente, houve uma concentração da população e das atividades econômicas numa faixa do território próxima do litoral, promovendo uma desigualdade persistente entre os diferentes Estados e dificultando o desenvolvimento homogêneo da sua sociedade.

Com as novas tecnologias é possível fomentar a inserção internacional de diversos municípios através de suas vantagens competitivas e da correta utilização dos recursos disponíveis.  Sendo assim, é possível alavancar internacionalmente tanto municípios como Santos, pelo seu potencial logístico, quanto municípios como Ilha Bela, pelo seu potencial turístico, da mesma forma que já ocorre em nações da Europa, onde cidades pequenas gozam do mesmo prestígio e fama que outras metrópoles europeias, sendo esta a melhor forma de promover um desenvolvimento homogêneo da região e controlar os efeitos negativos da concentração urbana em grandes cidades, tal qual podemos observar em algumas urbes como Lagos, ou Bombaim.

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Imagem (Fonte):

http://www.ncpbrussels.be/images/energy_efficiency_city.jpg