ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Da União à Fragmentação Econômica Europeia

Desde a crise financeira internacional, a União Europeia (UE) enfrenta diversos desafios que a cada ano foram minando a integração e promovendo uma maior exposição das suas assimetrias, principalmente as diferenças econômicas e sociais.

A crise nos países do Mediterrâneo promoveu um sério desequilíbrio na União. O enfraquecimento do Estado grego ameaçou a integridade do Bloco e pôs em xeque o futuro da Europa, sob a ameaça de que outros países adotassem a mesma postura, deteriorando os acordos regionais e a Zona do Euro. Sob o braço forte da Alemanha, a Europa, aos poucos, foi encontrando seu caminho. Espanha, Portugal e Itália conseguiram recuperar sua economia após anos seguindo o receituário imposto pela UE, que resultou em profundas crises políticas e insatisfação social.

A Croácia entrou na União Europeia e novos membros voltaram a ser contemplados. Os países da Europa do Leste, que durante muito tempo sofreram com o estigma da desigualdade existente no Bloco, beneficiaram-se das mudanças dentro da União, registrando um crescimento notável de suas economias. Polônia e Romênia chegaram a dominar o ranking de países que mais cresciam na Europa, até mesmo durante a crise, e continuam em plena expansão.

A instabilidade econômica que fora aos poucos sendo recuperada perdeu protagonismo no cenário europeu devido ao aumento das tensões territoriais e políticas. Por um lado, a Rússia e a delicada questão ucraniana; por outro, a crescente ameaça do terrorismo e os problemas derivados da instabilidade política na periferia europeia; por último, a ameaça de saída do Reino Unido que, sem dúvidas, resultaria em enorme abalo da economia regional e avança rapidamente no cenário europeu sob um forte apoio popular. Além disso, há os problemas internos dos países membros, os quais começam a preocupar a União, como é o caso da questão da Catalunha, na Espanha.

A movimentação do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico também afetou a economia do Bloco Europeu, ao menos na área produtiva. A China, ainda que importante mercado consumidor dos produtos de maior valor agregado, é também um forte competidor em setores já enfraquecidos no velho continente, mas que representam uma importante fonte de empregos e, consequentemente, produz um impacto direto no consumo interno, principalmente em países onde o desemprego ainda permanece elevado com o reflexo da Crise Internacional. São frequentes as manifestações de produtores rurais, têxtil, mineradores e metalúrgicos em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia.

O sistema financeiro sofre com a redução da atividade econômica e da demanda nos países emergentes, além da depreciação das divisas internacionais e a queda no preço das commodities e do petróleo, algo que encarece o produto europeu e lhe subtrai competitividade.

Certo é que o pior da crise econômica parece haver passado para a União Europeia, mas, ainda assim, a conjuntura política e a dinâmica social da União podem surpreender negativamente e afetar o crescimento econômico da região. As sanções contra a Rússia afetaram aos produtores agrícolas da Europa (Espanha, Itália, Portugal e França), além disso, a redução da demanda internacional impacta na produtividade industrial dos países produtores de alta tecnologia e a instabilidade política nos países emergentes reduz a demanda de produtos típicos, como vinhos, cavas, champanhes e perfumes.

Embora exista uma tendência de recuperação dos mercados desenvolvidos, muitos fatores ainda podem abalar esse prognóstico. As eleições americanas assustam a Europa e os novos fluxos de investimento para a Ásia, África e América Latina estão aos poucos insolando algumas economias europeias e gerando uma forte dependência do mercado financeiro, sendo este conhecido pela sua alta rentabilidade, mas temido pela elevada sensibilidade frente a mínimas mudanças políticas, climáticas, sociais e internacionais.

Fatores sociais como a imigração e a crise dos refugiados também abalam a estabilidade econômica europeia e chegaram a ameaçar importantes acordos, como o Schengen – que permite a livre circulação de pessoas no Bloco. Os países implicados demandam mais recursos da União para conter as ondas migratórias. A essa situação é preciso somar o aumento de migrações dentro do espaço europeu, principalmente dos países mais vulneráveis economicamente, para os países do Norte. Em relação a política interna, as mudanças no alinhamento político dificultam a integração do Bloco e uma possível saída da líder Ângela Merkel, após as eleições na Alemanha, em 2017, pode dificultar no estabelecimento de uma nova liderança.

Mesmo havendo uma certa animação em relação ao futuro econômico da Europa e dos demais países desenvolvidos é importante considerar todos os fatores implicados e não negligenciar a instabilidade ainda existente dentro do Bloco, pois a União Europeia pode sofrer maior fragmentação que integração nos próximos anos.

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O futuro das Cidades Globalizadas

Na atualidade, existem diferentes nomenclaturas e fórmulas para classificar as cidades, seu desenvolvimento e respectivo peso no cenário internacional. Com a globalização e o aumento dos atores internacionais, existe uma maior distribuição do poder, o que promoveu um enfraquecimento da atuação dos atores clássicos – como o Estado – em detrimento de novas dinâmicas e novos atores, assim como uma nova distribuição dos centros de poder e decisão, proporcionando às cidades uma maior representatividade no panorama internacional.

Embora a importância dos centros urbanos seja um processo existente desde a Revolução Industrial, nunca antes o processo foi tão acelerado e perceptível, alcançando praticamente todos os países do mundo e promovendo a urbanização maciça da humanidade.  À raiz desse processo surgiram as chamadas Cidades Alfa, ou centros de poder mundial, posteriormente, emergiram as cidades inteligentes, que buscam soluções aos problemas decorrentes da elevada urbanização e da nova dinâmica de poder.

A desigualdade no processo de urbanização é proporcional ao grau de desenvolvimento de um país, diferenciando assim a Cidade Alfa da Cidade Inteligente (SmartCity), pois uma cidade emergente pode atuar como Cidade Alfa – por exemplo, a cidade de São Paulo – sem possuir um projeto avançado de Cidade Inteligente.

Além do mais, pequenas cidades podem se transformar em espaços inteligentes sem necessariamente aspirar ao posto de Cidade Alfa, havendo, assim, duas realidades em relação as cidades e sua inserção internacional, tendo em comum apenas a necessidade de integrar as mesmas no atual cenário.

Essa necessidade de integrar o espaço urbano dentro de uma realidade global e de uma dinâmica financeira praticamente pós-moderna reforçou o conceito de Cidade Inteligente, a qual não estará inserida no contexto mundial unicamente pelo seu poder financeiro, ou sua capacidade de gestão e utilização de recursos, mas por participar ativamente na dinâmica mundial.

A cidade globalizada e inteligente pode ser desde um importante polo financeiro, como Londres, a um centro de distribuição e comércio, como a cidade de Itajaí (que possui um dos maiores portos do Brasil); pode ser um importante centro produtor agrícola, como a cidade argentina de Mendoza; um polo turístico importante, como Saint Tropez, na França; uma pequena cidade produtora de um bem específico, como Macaé; ou um importante centro cultural e histórico, como a Meca, na Arábia Saudita. 

Sua inserção na dinâmica internacional estará ligada à sua realidade como cidade, sem forçar, dessa maneira, uma busca constante pela transformação dos espaços urbanos em polos financeiros, nem marginalizar cidades, cujas atividades econômicas sejam divergentes dos grandes centros de poder, ou pela formação demográfica da mesma.

À diferença do processo de urbanização do século XIX, quando as cidades imitavam a expansão urbana da Europa, as cidades inteligentes devem aprender a se inserir na dinâmica internacional, potencializando seus atributos e sua competitividade. Sabe-se que nem todas as cidades de um país podem se transformar em um polo financeiro de primeira linha, mas todas podem formar parte de uma rede inteligente e integrada que aumente a competitividade em conjunto de sua região.

Países como o Brasil têm um excelente potencial para desenvolver uma rede integrada de cidades inteligentes.  O país possui importantes centros urbanos ou megacidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, além de metrópoles importantes a nível nacional e grandes cidades no interior, mas, historicamente, houve uma concentração da população e das atividades econômicas numa faixa do território próxima do litoral, promovendo uma desigualdade persistente entre os diferentes Estados e dificultando o desenvolvimento homogêneo da sua sociedade.

Com as novas tecnologias é possível fomentar a inserção internacional de diversos municípios através de suas vantagens competitivas e da correta utilização dos recursos disponíveis.  Sendo assim, é possível alavancar internacionalmente tanto municípios como Santos, pelo seu potencial logístico, quanto municípios como Ilha Bela, pelo seu potencial turístico, da mesma forma que já ocorre em nações da Europa, onde cidades pequenas gozam do mesmo prestígio e fama que outras metrópoles europeias, sendo esta a melhor forma de promover um desenvolvimento homogêneo da região e controlar os efeitos negativos da concentração urbana em grandes cidades, tal qual podemos observar em algumas urbes como Lagos, ou Bombaim.

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O Avanço da desigualdade na Europa e no Mundo

Um Relatório tratando da crescente desigualdade entre ricos e pobres, realizado pela organização não governamental Oxfam e publicado no dia 18 de janeiro, com o motivo do Foro Econômico anual de Davos, faz um alerta importante para a comunidade internacional: de acordo com o documento, 62 pessoas no mundo possuem uma riqueza superior a 3,6 bilhões de pessoas. A lista inclui bilionários de diversas nacionalidades, mas com predominância de empresários de países desenvolvidos e alguns emergentes.

O aumento da desigualdade e da concentração de riqueza tem sido debatido nos últimos anos em conferências internacionais e por diversos autores, embora, na prática, tenham ocorrido poucas ações que busquem solucionar o problema, uma vez que há importantes interesses dos atores implicados que entram em cena, além de incompatibilidade entre as diversas visões de mundo e suas concepções políticas e econômicas. Porém, ao contrário do que se pensa, a desigualdade não é exclusiva dos Estados subdesenvolvidos ou dos emergentes. Muitos países desenvolvidos enfrentam o problema.

Na Europa, segundo informe do Banco suíço Julius Baer, 10% da população possui mais da metade da riqueza de todo o continente e a crise econômica enfrentada pelo Bloco promoveu um incremento da desigualdade. Em lugares como a Espanha, durante a crise, a população mais rica aumentou sua renda frente a perda de poder econômico da população mais pobre, que foi duramente afetada pelas rígidas políticas de austeridade. O mesmo ocorreu na Grécia e na Itália. Ou seja, a pobreza começa também a afetar os países desenvolvidos. Ainda na Europa, existem 123 milhões de pessoas que vivem na pobreza e, nos Estados Unidos, mais de 46 milhões de norte-americanos são pobres

Certo é que há muitas formas de medir e classificar a pobreza, não ocorrendo realmente um consenso em relação a mesma. Muitos Estados estabelecem o índice de pobreza quando os rendimentos de uma pessoa são inferiores aos 60% da média nacional, o que, sem dúvidas pode gerar uma série de controvérsias e assimetrias, pois é mais fácil quantificar a concentração de renda de um pequeno grupo do que classificar as múltiplas dimensões que compõe a renda de grande parte da população.

Por outro lado, é visível em quase todos os países a estagnação salarial, o aumento do endividamento familiar e a redução do poder de compra médio da população, ou seja, mesmo existindo uma redução da pobreza extrema, a diferença entre o cidadão médio e o rico é cada vez maior e mais perceptível.

Certo é que um dos efeitos da expansão do capital e da globalização é a concentração da atividade financeira e produtiva em poucos players, produzindo uma constante aglomeração perceptível em todos os níveis, que, por sua vez, conforme o avanço da própria expansão do capital, reduz o ritmo de crescimento do mesmo.

Observando desta perspectiva, pode-se entender o lento crescimento projetado para a economia mundial neste ano (2016). Da mesma forma, entende-se o fato de que os maiores índices de crescimento estão localizados em países onde o capital financeiro está em plena expansão (Quênia, Uzbequistão, Butão etc.), com a redução da economia ou um crescimento menor em países já inseridos no sistema global. Também se compreende os problemas de consolidação do capitalismo, o qual, mesmo sendo o grande vencedor do século XX, paradoxalmente sofre com os efeitos de sua própria expansão e da interdependência que gerou. Somente assim é possível compreender como apenas 62 pessoas controlam grande parte dos recursos econômicos e dos fluxos financeiros do mundo inteiro e como a desigualdade em todas as suas faces ainda é um mal constante para o ser humano.

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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Smartcities e a corrida pela liderança global

A expressão Cidade Inteligente, ou, em inglês, o termo SmartCity, surgiu no final do século XX, como forma de identificar determinados polos urbanos que reúnem uma série de características e fatores, tais como a utilização eficiente e eficaz dos recursos econômicos, tecnológicos, energéticos e humanos disponíveis em um espaço urbano e o funcionamento do mesmo.

Por se tratar de um processo em evolução, não existe um consenso que delimite o “termo” Cidade Inteligente em sua totalidade, embora, aos poucos, surjam teorias que ajudam a identificar as dimensões que o mesmo abrange. A Cidade Inteligente, ou SmartCity, não deve ser confundida com Cidade Global, ou Cidade Alpha, pois esta última refere-se à centros urbanos que obtém seu reconhecimento através de sua influência no setor financeiro e peso no cenário internacional. Já o termo SmartCity é muito mais abrangente e pode ser aplicado a cidades menores.

É mais fácil identificar uma Cidade Inteligente pelos fatores que compõe a realidade desses centros urbanos que pela sua definição. Cidades como Singapura, Barcelona, San Diego, Vancouver, Paris, Dubai, Seul, Tóquio etc. possuem características em comum que vão além de sua importância política e financeira. São espaços inteligentes por se caracterizarem pela otimização dos processos e pela eficiência na utilização dos recursos disponíveis, havendo 7 grandes áreas:

– Sociedade:  na SmartCity, o indivíduo é priorizado e deve centralizar todas as ações públicas com o fim de obter um espaço de convivência e de desenvolvimento sustentável. Formação, cultura, participação na vida pública e integração social são aspectos relevantes.

– Economia e Negócios: Espaços inteligentes devem promover a inovação e o empreendedorismo, gerando uma maior dinâmica social e econômica participativa da região. Com maior flexibilidade e facilidades das autoridades.

– Mobilidade: O espaço urbano deve se desenvolver de forma equânime de modo que é preciso investir em mobilidade urbana e em infraestrutura. Reduzindo os efeitos negativos das grandes cidades e da cultura do automóvel.

– Governo: A participação do cidadão deve ser estimulada e a utilização da internet deve ser uma prioridade para agilizar os processos e promover maior transparência e eficiência na prestação de serviços à comunidade.

– Moradia: A cidade deve integrar todas suas regiões, utilizando fatores anteriores (economia, mobilidade e governo), promovendo um aumento na qualidade de vida de uma forma inteligente e equilibrada, e também promover a correta ocupação do espaço urbano. Promovendo coesão, segurança e melhora nas condições de vida.

– Meio Ambiente: Com o aumento da população urbana mundial é preciso integrar o meio ambiente aos centros urbanos. Ou seja, realizar a utilização de redes de energia mais eficientes e de fontes alternativas; efetivar a integração de espaços verdes nas cidades, e de políticas ambientais e de conscientização, capazes de promover a correta ocupação de todo o espaço urbano.

– Tecnologia: Implementar a tecnologia a serviço da sociedade. Promover a universalização da tecnologia e a criação de espaços tecnológicos capazes de atrair empresas de alta tecnologia. Integrar mediante a internet todas os fatores anteriores e promover uma maior eficiência geral e eficácia na utilização de recursos e na disponibilização dos mesmos.

Embora os conceitos pareçam ser universais e lógicos, são poucas as cidades que conseguem estabelecer e seguir uma agenda ou projeto de SmartCity. Ainda assim, existem exemplos bastantes adiantados, tais como:

– Barcelona:  Cidade que, desde as Olimpíadas de 92, seguiu uma agenda de transformação, sendo considerada uma das Smartcities globais de referência e é sede do Congresso Anual de Cidades Inteligentes.

– Singapura: A pequena Cidade Estado fomentou a ocupação inteligente do território e a otimização dos processos internos, transformando-se em um dos territórios mais eficientes e prósperos do planeta.

– Seul: Cidade que, até os anos 80, estava entre as mais pobres do 3º Mundo, mas que sofreu grandes transformações, até se transformar em um exemplo de desenvolvimento para o Sul Global e um dos centros urbanos mais desenvolvidos do planeta.

– Estocolmo: Cidade reconhecida por projetos pioneiros de transformação social e ambiental.

– Vancouver: Durante 4 anos consecutivos, foi considerada a cidade mais desenvolvida do planeta, ao implementar uma agenda composta e integradora: mais de 48% da população de Vancouver é estrangeira.

Não é preciso ser uma grande metrópole para seguir uma agenda inteligente e promover a ocupação eficiente do espaço urbano.  A utilização de ferramentas diplomáticas, nesse caso paradiplomáticas – pois se tratam de negociações a nível subnacional – são fundamentais para o desenvolvimento desse tipo de projeto, pois os centros urbanos com características similares podem aprender da experiência de outras regiões no mundo e, dessa forma, corrigir desvios e avançar mais rapidamente na adesão de uma agenda inteligente. Um exemplo de pequeno município com uma agenda inteligente é a cidade de São José, em Santa Catarina, que possui um projeto de SmartCity reconhecido internacionalmente.

Países como Colômbia, México, Índia, China e Chile já possuem projetos que avançam nesse sentido. Na Europa, Estados Unidos e Oceania as cidades inteligentes já são uma realidade. No caso do Brasil, há alguns exemplos e projetos, tais como as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, São José, Recife e Fortaleza, embora sejam recentes e ainda existam muitos desafios para essas cidades, causados pela centralização política e econômica brasileira, bem como pela falta de um marco legal que atribua maiores competências aos municípios. Como se pode ver, a corrida global pelas cidades inteligentes já começou e o Brasil está atrasado.

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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Programa Erasmus e a Diplomacia Acadêmica

O Protocolo Erasmus – mais conhecido como Programa Erasmus – foi criado pela União Europeia em 1987, com o objetivo de gerar uma rede interuniversitária entre os país membros e associados do Bloco, promovendo o intercâmbio cultural e acadêmico entre diferentes pontos do continente Europeu.

O Programa foi batizado em honra ao filosofo holandês Erasmo de Roterdã (Desiderius Erasmus Roterodamus), que ficou conhecido por viajar a diferentes locais da Europa para ampliar seus estudos e conhecimentos. Erasmus é também uma sigla para “European Region Action Scheme for the Mobility of University Students” (ou, em português, “Esquema de Ação Regional Europeia para a Mobilidade de Estudantes Universitários”).

O Projeto se transformou no maior programa de mobilidade acadêmica do mundo, obtendo importantes resultados na área de pesquisa e desenvolvimento, e também atuou como ferramenta para a criação de uma identidade europeia, formando jovens através do multiculturalismo existente dentro do Bloco.

Embora administrado pela União Europeia, as cidades que participam do ERASMUS atuam de forma paralela ao protocolo, reforçando laços acadêmicos entre cidades que compartilham ideias, modelos produtivos, ou áreas de pesquisa semelhantes. O fato de muitas cidades da Europa administrarem suas próprias universidades transformou o Programa Erasmus em uma espécie de ferramenta paradiplomática acadêmica e também diplomática para pequenas nações associadas, tais como Andorra, Mônaco e Suíça.

Regiões industriais como Catalunha, Lombardia, Baden-Wüttemberg utilizaram o Programa para estreitar seus laços diplomáticos e gerar um ambiente homogeneizado de pesquisa e desenvolvimento. Esse movimento acabou dando origem ao grupo Four Motors for Europe (Quatro Motores para Europa) aliando interesses econômicos, regionais e sociais, através da união das forças políticas das regiões e do constante intercâmbio de profissionais e alunos, usando, dessa forma, a mobilidade acadêmica como uma amálgama em seus objetivos. Em alguns casos, a própria região criou um projeto paralelo semelhante, como o programa TecnioSpring da região da Catalunha, na Espanha, que é apoiado pela União Europeia.

O Programa foi ampliado para o âmbito global através do Erasmus Mundus, seguindo as principais tendências geopolíticas e os interesses da União Europeia em se estabelecer como centro de referência e excelência acadêmica mundial. Cidades do mundo inteiro com instituições ligadas à administração pública aderiram ao Programa, gerando uma rede de mobilidade acadêmica em âmbito global.

Dado os resultados obtidos, muitos países trataram de desenvolver projetos próprios e, dessa forma, moldar a mobilidade acadêmica às necessidades da nação. O programa brasileiro Ciências Sem Fronteiras surgiu com o intuito de suprir a crescente demanda de mão de obra qualificada no Brasil. Um programa semelhante contemplando os países BRICS também foi proposto durante a última reunião do grupo.

A américa latina, apesar de suas diferentes tentativas de integração, não possui um projeto próprio, sendo grande parte dos programas de mobilidade acadêmica gerenciados por entidades filantrópicas, tais como a Fundação Carolina, ou corporações privadas, como o Banco Santander.

Talvez, com o tempo, e uma maior integração da região, a mesma possa criar um programa “Columbus” e obter, mediante a integração acadêmica e o intercâmbio cultural, um maior dinamismo interno dentro da região e uma maior sinergia entre as cidades, que pode ser conseguido através da paradiplomacia acadêmica unindo grandes metrópoles como São Paulo e México, ou os interesses de cidades turísticas, como Rio de Janeiro e Cartagena de Índias, algo que promoverá maior mobilidade e integração através do intercâmbio acadêmico.

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ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

Paradiplomacia em tempos de crise

Com o agravamento da crise institucional no Brasil e o aumento dos reflexos da crise econômica que enfrenta o país, as atividades diplomáticas foram reduzidas de forma drástica, promovendo um parêntesis na política externa brasileira – que cresceu consideravelmente durante a gestão do ex-presidente Lula – e, aos poucos, foi sendo reduzida durante o primeiro mandato da atual presidente Dilma Rousseff.

A instabilidade existente no Brasil se reflete em suas atividades no âmbito internacional, da mesma forma que o cientista político americano Robert Putnam descreveu em sua teoria denominada “jogo de dois níveis, onde as ações do cenário interno e do cenário externo se vinculam e se retroalimentam de forma constante.

O Brasil foi afetado por fatores externos no decorrer dos últimos anos, desde a crise financeira internacional à redução histórica do preço das commodities e do petróleo, assim como as oscilações dos juros e da moeda americana.  Por outro lado, a falta de reformas estruturais internas e da formulação de novas políticas para reduzir o impacto das mudanças internacionais, acabou engessando o país em uma difícil situação, algo que ficou refletido nas últimas avaliações realizadas pelas principais agências de risco.

Durante este ano de 2015, a instabilidade regional também pressionou o Brasil devido a sua participação no Mercosul e as mudanças anunciadas em seus membros, de modo que a atividade diplomática regional permaneceu praticamente paralisada.

Diante desse panorama, a cidade de São Paulo – paradoxalmente governada pelo mesmo partido da Presidência – foi classificada como boa pagadora pelas agências de classificação, colocando em evidencia a crescente fragmentação da atividade internacional dentro do Brasil e sinalizando um caminho que pode vir a ser seguido por outros municípios.

As atividades internacionais realizadas por qualquer Município ou Estado formam parte da Paradiplomacia, sendo a mesma uma importante ferramenta na obtenção de competitividade e maior articulação internacional.

Em tempos de crise, Municípios e Estados com experiência em Paradiplomacia possuem uma importante ferramenta para evadir a redução da atividade diplomática, e conseguir manter seus interesses negociando no cenário internacional e minimizando o impacto da paralisação dos órgãos federais ou do ritmo reduzido das negociações de novos Tratados e Acordos (como o que está sendo avaliado entre o Mercosul e a União Europeia).

Entre os benefícios que a Paradiplomacia pode oferecer aos Municípios e Estados em meio a uma crise nacional estão: a possibilidade de atrair investimentos estrangeiros, elaborar acordos de cooperação e transferência tecnológica, promover eventos, organizar missões comerciais, gerar políticas de atração de investimentos e, até mesmo, obter recursos de instituições financeiras internacionais.

A Paradiplomacia permite que não exista uma completa paralização da atividade internacional de um Município ou Estado, reduzindo sua dependência do Governo Central e viabilizando a adoção de medidas mais coerentes com a realidade de cada região e de forma mais dinâmica. Cabe lembrar que a área surgiu logo após a II Guerra Mundial, justamente com o objetivo de aumentar a sinergia entre diferentes cidades em reconstrução na Europa, evitando o lento processo diplomático oficial.

Os Estados e Municípios brasileiros devem ampliar suas atividades na esfera internacional e, dessa forma, manter ou aumentar os níveis de investimento estrangeiro e a venda de seus produtos. Promovendo, por outro lado, uma menor carga para as instituições responsáveis pela diplomacia oficial do país e permitindo que a mesma possa lidar com a redução orçamentaria decorrente da crise econômica.

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