EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A consagração da Alemanha e sua volta ao campo de guerra

Desde os tempos do Sacro Império Romano, as potências europeias sempre temeram a possibilidade de uma suposta Alemanha forte e unida, capaz de centralizar o panorama europeu e atuar de forma hegemônica na balança de poder regional. Este temor, fundado pelo potencial do país, foi um dos fatores que ocasionou a I Guerra Mundial.

No final deste conflito, o Tratado de Versalhes visou minar toda possibilidade de uma Alemanha forte, capaz de fazer frente às potências europeias (Reino Unido e França), sendo este Tratado criticado na época pelo emblemático Winstow Churchill, notório Primeiro-Ministro Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, que alertava haver um desequilíbrio que levaria a Alemanha novamente a ser uma ameaça. O surgimento de Hitler confirmou os temores de Churchill e a II Guerra Mundial marcou para sempre a história da humanidade e da própria Alemanha. Ao finalizar o conflito o país foi dividido entre os vencedores.

Palco emblemático da Guerra Fria, a Alemanha aos poucos foi se restabelecendo e, sob as ruínas do Muro de Berlim, que dividia o mundo capitalista do mundo comunista, começou a construir sua nova identidade como Estado Europeu e globalizado. Rapidamente, a Alemanha se transformou na maior economia da União Europeia e um dos principais players do cenário mundial.

Durante a recente Crise Financeira Internacional, assim como na Crise da Criméia e na Crise dos Refugiados, não hesitou em estabelecer a liderança do Bloco, transformando-se em referência da União Europeia. Mas, a Alemanha continua presa ao Tratado da Reunificação, assinado em Moscou, no dia 12 de setembro de 1990 – Conhecido como Tratado Dois-Mais-Quatro – que limita seu contingente militar e proíbe ao país a fabricação e posse de armas nucleares, químicas e biológicas. Porém, tal situação pode mudar aos poucos, com a participação do Exército Alemão na Intervenção Militar na Síria e com as mudanças geopolíticas na região.

Já no começo do ano 2015, a Alemanha, motivada pela Crise da Crimeia, e pelas pressões da OTAN na divisão dos gastos militares, tratou de alavancar o projeto da criação do Exército Europeu (parado desde o fracasso que supôs a Constituição Europeia), mas o processo caminha lentamente entre a burocracia e as contínuas mudanças políticas da região.

Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris acabaram se transformando em um marco na política de segurança regional. A França declarou Estado de Alerta e, posteriormente, Estado de Guerra, assim como outros países, como a Espanha, a Bélgica e o Reino Unido, que subiu ao máximo seu Estado de Atenção.

A posterior criação de uma aliança militar, denominada Aliança anti-EI (Estado Islâmico), liderada pelos Estados Unidos, conta com o apoio do Canadá, Austrália, França, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Turquia e, finalmente, da Alemanha, que já possui tropas no Afeganistão, Mali e outros países, porém, esta pode ser a primeira vez, desde a II Guerra Mundial, que o país participará de forma intensa em um conflito, alinhando seus interesses com os da França e semeando o futuro do sonhado Exército Europeu.

Somente no decorrer dessa intervenção é que o cenário europeu pós-conflito indicará se a Alemanha, através do seu papel na União Europeia, finalmente se consagrará como maior potência da Europa.

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Eleições na Espanha, entre a ameaça do nacionalismo e do terrorismo

Após o início da Crise Financeira Internacional, a Espanha entrou em uma profunda recessão acompanhada de altos índices de desemprego – O índice chegou a superar os 27% – e uma redução drástica dos serviços públicos. A crise promoveu uma mudança no cenário político espanhol. O Governo voltou a ser ocupado por um partido de centro-direita alinhado aos interesses de Berlim e Bruxelas – PP (partido Popular) – e surgiram novos partidos como o Podemos, cuja visão política é muito semelhante ao Syriza, da Grécia.

O Partido Popular havia ocupado a presidência da Espanha entre 1996 e 2004, sob o mandato do então presidente José Maria Aznar, que promoveu uma série de reformas e projetos que colocou a Espanha como a 4ª maior economia da União Europeia e preparou a mesma para sua adesão à Zona Euro.  Somente após os atentados do 11 de março de 2004, em Madrid, foi quando o Partido perdeu apoio popular, já que muitos consideravam que os atentados foram uma retaliação à participação da Espanha na invasão do Iraque, junto com os Estados Unidos e a Inglaterra.

Com a volta do PP à Presidência, em 2011, as medidas de austeridade – ainda que não muito populares – tiveram um efeito positivo para economia espanhola recuperando a credibilidade do país e promovendo um crescimento de 2,8% para 2015 – crescimento este semelhante a registrado na Espanha no período pós crise, segundo a União Europeia. O desgaste social promovido pelas severas medidas de austeridade do governo foram aos poucos minando a popularidade do PP, dado que ficou registrado durante as últimas eleições municipais em 24 de maio de 2015, quando o Partido perdeu importantes cidades no país.

As eleições gerais da Espanha previstas para o dia 20 de dezembro eram consideradas uma causa perdida para o PP, sem embargo, o cenário eleitoral está sendo revertido por dois importantes acontecimentos. O Processo Nacionalista, aprovado pelo Parlamento da Catalunha, no dia 9 de novembro, pressiona ao Governo Central de Madrid, que não demorou em acionar o Tribunal Constitucional para derrubar o projeto, mantendo um discurso firme de defesa da unidade territorial. O Governo Espanhol, rapidamente, tratou de que seus interesses fossem reforçados pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pela ONU, cujo secretário geral Ban Ki Moon já adiantou que a Catalunha não está inserida na lista de países com direito à autodeterminação. Os outros partidos da Espanha advogam por uma alternativa em relação ao processo nacionalista catalão, o que acaba reforçando o papel do PP na integração territorial e lhe rende um maior apoio popular dos espanhóis de outras regiões, que são contrários a independência da Catalunha. Os atentados de Paris, se transformaram em outro fator que, ao contrário do atentado ocorrido em Madrid, em 2004, acabou gerando na população um sentimento reacionário em relação a mudanças que possam ocorrer nas políticas de segurança nacional e de imigração – tão defendidas pelo PP – no caso de uma mudança na Presidência, mas que são rejeitadas por outros partidos. A ameaça do Estado Islâmico, ou ISIS, também gerou uma maior polarização da população, que busca no partido da Presidência um discurso rígido e uma postura de defesa do território.

A Espanha até mesmo pensou na possibilidade de intervir militarmente na Síria se alinhando aos interesses da França, mas, por temor de um impacto negativo nas eleições, acabou por optar por aumentar sua presença no Norte da África, onde o Estado Islâmico aos poucos se expande, sendo a Espanha a porta natural da Europa.

As pesquisas eleitorais apontam para um alinhamento da população com os partidos de direita, embora muitos acreditem que o PP não irá obter maioria absoluta, como ocorreu nas últimas eleições, mas deverá criar uma aliança com o partido Ciudadanos, que representa a nova direita espanhola, conforme estudo do Clima Eleitoral realizado pelo jornal espanhol El Pais. Para a América Latina, a situação política e econômica da Espanha não é um fato a ser negligenciado, ou minimizado. O país atua como ponte entre a União Europeia e os países latinos, além de ser um dos maiores investidores na região.

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Catalunha e a corrida pela independência

O nacionalismo catalão surgiu no século XVIII, devido às tensões entre a região e o monarca Felipe V, que decretou uma série de leis para restringir a cultura, o idioma e a política da região, a qual sempre manteve um elevado grau de autonomia, mesmo após ser anexada ao Reino da Espanha.

O movimento evoluiu conforme o desenvolvimento da política espanhola, enfrentando as tensões dinásticas e sociais, duas ditaduras (a ditadura de Primo de Rivera e a de Francisco Franco), a restauração da Democracia, a integração da União Europeia e a Crise dos Países do mediterrâneo. Governadores, como Francesc Maciá, Lluís Campanys, Josep Tarradellas, Jordi Pujol e Pascal Maragall, entre outros, se destacam pela sua ação no projeto nacionalista e pelas suas tentativas de declarar um Estado independente.

Desde a queda da Ditadura de Franco, a Catalunha luta por uma maior autonomia, assim como outras regiões, como o País Basco. Contudo, enfrentou uma forte oposição da Espanha. Com o ápice da Crise Financeira Internacional e a consequente Crise Institucional Espanhola, o movimento nacionalista ganhou maior expressão e adesão social. O projeto, cujas raízes eram étnico-culturais, converteu-se em um projeto social, com a adesão de imigrantes do resto da Espanha, estrangeiros e representantes de todas as camadas e grupos sociais. Como resultado, as manifestações foram crescentes, reunindo milhões de pessoas, ano após ano, no Dia Nacional da Catalunha.

Com a vitória dos nacionalistas nas Eleições Parlamentares, o projeto de independência finalmente foi aprovado pelo Parlamento da Catalunha. Porém, o Tribunal Constitucional da Espanha entrou com um recurso para revoga-lo e vetou o mesmo[1]. O intuito da Catalunha é proclamar sua independência em 2017 ou 2018, porém o processo enfrenta diversos desafios.

Existe uma perceptível divisão social entre os que são a favor – que formam uma pequena maioria – e os que são contra a separação. Dentro do próprio Movimento Nacionalista existe uma fragmentação entre dois partidos, que, mesmo possuindo maioria no Parlamento e aprovando o projeto para a criação de um Estado independente, não conseguiram chegar a um consenso em relação a investidura do Sr. Arthur Más como Presidente do Governo, não havendo, no momento atual, um líder oficial do Governo da Catalunha, mas somente um Presidente em funções.

A Espanha, por outro lado, trata de impedir o avanço do projeto mediante o Tribunal Constitucional e alega poder utilizar o Artigo 155 da Constituição Espanhola, que confere ao Estado Espanhol a legitimidade para utilizar todos os meios possíveis e disponíveis perante uma ameaça à unidade territorial, havendo a possibilidade de suspender uma série de cargos do Governo da Catalunha, ou até mesmo um ato de força.

O rei Felipe VI e o presidente espanhol Mariano Rajoy trataram do assunto com o presidente americano Barack Obama, o SecretárioGeral das Nações Unidas, Ban kiMoon, e com a chanceler alemã Ângela Merkel. Todos foram unânimes em defender uma Espanha unida[2].

A Espanha é um importante player na União Europeia (4ª maior economia); tem grande área de influência na América Latina (o país é o 2º maior investidor no Brasil, por exemplo) e suas multinacionais estão entre as maiores do mundo (Telefônica, Santander, BBVA, Inditex, Gas Natural, Meliá, CAF etc.), sendo que muitas dessas empresas já manifestaram seu apoio à Espanha[3].

A Comissão Europeia, que sempre se manteve imparcial no processo, aos poucos se declina pelos interesses de Madrid, dando, dessa forma, continuidade ao discurso de integração da União Europeia, atualmente ameaçado pelas crises e pelas tensões na região e com a possível saída do Reino Unido.

A Catalunha corre contra o tempo, buscando consolidar o panorama interno e, ao mesmo tempo, dar continuidade ao processo de separação. Mas, sem um Presidente no Governo capaz de unificar os partidos nacionalistas, seus ideais e orientar o projeto, a Independência da Catalunha pode se transformar em apenas mais uma das várias tentativas (a última foi na Proclamação da República da Catalunha em 1934, que levou a suspensão do Governo da Catalunha e ao fuzilamento do seu Presidente).

A Espanha terá Eleições Presidências no dia 20 de dezembro e outros partidos mais propensos a um diálogo podem ganhar, devido ao desgaste do atual Partido Popular do presidente Mariano Rajoy. Por esse motivo, o Governo também corre contra o tempo, com o objetivo de paralisar a Independência da Catalunha e usar o fato como uma forma de vencer as eleições e o favor dos eleitores.

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http://es.noticias.com/politica/resumen-de-la-conferencia-de-prensa-de-mariano-rajoy-sobre-la-independencia-de-cataluna.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://politica.elpais.com/politica/2015/11/11/actualidad/1447235502_096724.html

[2] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/10/30/actualidad/1446231111_709046.html

[3] Ver:

http://www.larazon.es/espana/pronovias-trasladara-su-sede-de-cataluna-si-se-independiza-DB10770232

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Paradiplomacia e a Autodeterminação dos Povos

A Paradiplomacia é uma área da Diplomacia bastante recente, cujas primeiras atividades começaram entre as cidades e regiões da Europa, após o fim da II Guerra Mundial. Desde então, a atividade de entes subnacionais no cenário internacional não parou de crescer, transformando-se em uma importante ferramenta estratégica na obtenção de competitividade, agilidade e maior fluidez nas negociações internacionais.

O maior desafio da Paradiplomacia é o fato de que muitos países ainda não possuem uma legislação clara, capaz de estabelecer e controlar quais atividades pertencem ao seu arcabouço. A centralização da atividade internacional na Diplomacia Oficial e a complexidade interna de diversos países afetam o desenvolvimento da área, que chegou a ser denominada como Protodiplomacia, na qual as funções do Estado são abarcadas por órgãos ou regiões subnacionais, afetando o equilíbrio de poder interno e externo.

Algumas regiões separatistas usam a Paradiplomacia para obter reconhecimento no panorama internacional, sendo, por isso, complexo definir a divisão entre o simples interesse pelo reconhecimento, na busca de uma maior competitividade comercial ou estratégica, e o interesse em obter o reconhecimento para uma eventual separação da região. Ao final, a Paradiplomacia tem como objetivo a defesa dos interesses de uma determinada região, mas não existe uma definição de quais são estes interesses.

O reconhecimento internacional pode se transformar em fator fundamental em um processo de separação e na formação de um novo Estado, embora nem mesmo a legislação internacional seja clara em relação a esse processo.

Segundo as Nações Unidas, apenas 17 países possuem o direito de Autodeterminação garantidos pelo Carta das Nações Unidas, pois reúnem uma série de requisitos históricos que lhe conferem não somente o direito à Autodeterminação, como, também, a declaração unilateral de independência. São majoritariamente protetorados, ex-colônias, ou territórios ultramarinos. Os 17 territórios incluídos na lista da ONU são: Saara Ocidental, Anguila, Bermudas, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman, Ilhas Malvinas, Montserrat, Santa Elena, Ilhas Turcas e Caicos, Ilha Virgens dos Estados Unidos, Gibraltar, Samoa Americana, Polinésia Francesa, Guam, Nueva Caledônia, Pitcaim e Tokelau[1].

A Corte Internacional de Justiça, por outro lado, reconhece que todos as regiões do mundo têm direito a autodeclarar sua independência, embora a aplicação deste direito e sua legitimação esteja atrelada a uma série de fatores contemplados nas fontes de Direito Internacional e na Jurisprudência Internacional. O caso mais recente de autodeclaração de independência julgado pela Corte foi o de Kosovo[2].

Territórios nacionalistas, tais como a Região de Quebec (no Canadá), País Basco e Catalunha (na Espanha), Vêneto (na Itália); ou Bretanha (na França), não são contemplados na Carta das Nações Unidas, embora existam lacunas jurídicas que poderiam ser usadas no caso de uma eventual declaração unilateral de independência. Nesse ponto, a Paradiplomacia se transforma em uma ferramenta importante, pois, nela, pode haver um reconhecimento indireto do novo Estado e gerar um precedente para sua constituição a nível internacional[3].

O enfraquecimento do Estado, devido a globalização e a descentralização promovida pela integração regional, fomenta o desenvolvimento da Paradiplomacia, mas, também, gera novos desafios em países onde a coesão territorial possui pontos de tensão e onde existe uma fragmentação social histórica. Nesse tópico é importante salientar que o nacionalismo e o separatismo não sempre tem sua origem em um processo étnico-cultural – como no caso da Catalunha – mas também em outros fatores que podem ser econômicos, linguísticos, religiosos ou políticos.

Por esse motivo, a necessidade de gerar um Marco Jurídico para regular as atividades paradiplomáticas é iminente, tornando capaz a utilização de todo o potencial competitivo e estratégico da Paradiplomacia, mas, também, mantendo o equilíbrio da estrutura do Estado na qual ela está sendo implementada.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.lavanguardia.com/politica/20151104/54438643917/ban-ki-moon-catalunya.html

[2] Ver:

http://www.icj-cij.org/docket/files/141/16010.pdf

[3] Ver:

http://e-internacionalista.com.br/2014/06/01/direito-internacional-publico-reconhecimento-de-estado-e-de-governo-extincao-e-sucessao-de-estados-e-imunidade-de-jurisdicao-de-estados-e-de-ois/

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Turismo e Paradiplomacia

A Paradiplomacia se transformou em uma importante ferramenta para a promoção comercial e para atração de investimentos de diversas regiões do mundo. Atualmente, órgãos subnacionais de diversos países atuam no cenário internacional ampliando a competitividade, tanto da região que representam, como também do país em conjunto, graças ao aumento do fluxo comercial e da competitividade. 

As negociações na área da Paradiplomacia são mais objetivas, ágeis e fluídas que as centralizadas pela diplomacia oficial, seja pelo fato de que grande parte delas são focadas em um único objetivo, ou por seu aspecto comercial e técnico, capaz de evadir os complexos processos decisórios e políticos da diplomacia oficial.  

Países de grandes proporções ou características heterogêneas, utilizam a Paradiplomacia como ferramenta estratégica e de negócios – normalmente alinhada a diplomacia oficial – para obter maior competitividade no mercado internacional e maior visibilidade.

A área de turismo tem sido um dos setores que se beneficiou da expansão da Paradiplomacia, promovendo uma crescente descentralização do setor. Grandes potências turísticas, tais como Estados Unidos, Espanha, França e Itália utilizam a Paradiplomacia para ampliar sua visibilidade e competitividade no mercado. Cada um desses países possui não somente um órgão central responsável pela promoção turística do país (Ministério e Agência Nacional de Promoção Turística) como também existem diversas agências regionais que representam cidades, províncias ou estados específicos no exterior[1].

No Brasil, existem mais de 20 escritórios regionais de representação e fomento do turismo dos Estados Unidos. Regiões como: Califórnia, Nevada, Texas e cidades como Miami, Las Vegas, Nova York, Orlando, possuem escritório no Brasil e atuam em atração e promoção turística, eventos, feiras e acordos para aumentar o fluxo de visitantes brasileiros nos Estados Unidos, país que já figura como principal destino no exterior. Outros países também começam a abrir agências regionais no Brasil, tais como a Alemanha e as agências de Munique e Berlim; ou a Espanha, com a Agência de Turismo da Catalunha.

O setor turístico representa uma importante fonte de recursos para diversos países. Na Espanha, o setor representa mais de 15% do PIB; na Croácia, chega a superar 27% do PIB; já no caso do Brasil, representa entre 3% e 4% PIB, dos quais, 80% se devem ao mercado doméstico e ao consumo interno sensível as crises econômicas, inflação ou redução do poder de compra. Noutros países da América Latina, tais como México e Peru, o setor possui maior participação[2].

O turismo fomentado de forma regional aumenta a visibilidade do país e a competitividade do mesmo, já que cada região oferece o que tem de melhor sem haver uma centralização do fluxo de passageiros para pontos geográficos determinados.

O setor não deve ser confundido ou resumido somente pelo lado lúdico, pois a devida promoção turística de uma região pode atrair turismo de negócios e eventos, investimentos em segmentos e áreas correlatas, estimular o mercado local e o desenvolvimento de comunidades locais, entre outros benefícios.

O Brasil, atualmente, recebe 6 milhões de turistas, nada comparado com os 32 milhões de visitantes que recebe a cidade de Paris e região (sem incluir o resto da França), de modo que o país deveria começar a fomentar a promoção do turismo, alinhada a incipiente atividade paradiplomática que existe em alguns Estados e que pouco a pouco se expande pelo resto do país.

Atualmente, a EMBRATUR é o órgão responsável pela divulgação e promoção turística do Brasil no exterior[3] e, mesmo havendo na maioria dos Estados agências próprias para as respectivas promoções turísticas, tais como a RioTur[4], ou a SPturis[5], as atuações são limitadas ao âmbito nacional. Essa centralização acaba sendo perniciosa e concentrando o fluxo de turistas para polos já consagrados e regiões com maior infraestrutura.

A descentralização das políticas de promoção turística seria uma forma de ajudar as pequenas regiões e aproveitar todo o potencial da nação, estimulando o desenvolvimento regional através do turismo e gerando um maior fluxo de turistas estrangeiros e maior visibilidade para todas as regiões do Brasil.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.panrotas.com.br/

[2] Ver:

http://www.wttc.org/research/

[3] Ver:

http://www.embratur.gov.br/

[4] Ver:

http://www.rio.rj.gov.br/riotur

[5] Ver:

http://www.spturis.com/v7/index.php

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Europa no olho do furacão

Desde o início da Crise Financeira Internacional, uma série de fatores foram desestabilizando o projeto europeu e desafiando sua continuidade e reputação. Sob o pulso firme da Alemanha e a articulação política da França a região aos poucos foi se recuperando. Com isso, países que tiveram anos de recessão, como a Espanha, voltaram a crescer.  Outros desafios, tais como a Crise Grega e a Crise dos Refugiados, aos poucos parecem ir se normalizando e saindo do centro da atenção da comunidade internacional.  O discurso para uma maior integração da região volta a ganhar repercussão e força na política europeia[1].

Embora o pior pareça haver passado, e aos poucos o Bloco volte a se recuperar, o certo é que novos desafios pairam no horizonte europeu e, como ocorre com os furacões, a Europa pode estar apenas desfrutando da calmaria do olho do furacão, antes do avanço do mesmo e de uma nova onda de impactos.

As tensões entre a Europa e a Rússia em relação a Criméia continuam, assim como as sanções econômicas aplicadas ao país euroasiático. A situação se agrava com a intervenção militar da Rússia na Síria[2] e a proximidade do inverno no hemisfério norte que colocará à prova o comprometimento desses players com o incremento da demanda de gás na Europa e a venda desse recurso pela Rússia, cruzando o território ucraniano.

O inverno ainda pode agravar a situação dos refugiados que entram na Europa atravessando o Mar Egeu e os países balcânicos, devido às condições meteorológicas e aos resultados dos conflitos na região.

A imigração latina também deve aumentar nos próximos anos graças à crescente instabilidade econômica e política em países da região, tais como o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México, cujo fluxo migratório havia sido revertido, mas começa a se restabelecer.

Por outro lado, a aprovação do TTP (Parceria Transpacífico) pode resultar no enfraquecimento das relações comerciais do Continente Europeu com os Estados Unidos e com a Ásia, fazendo com que a Europa acelere o ritmo das negociações do TTIP (Acordo de parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos), aumentando, dessa forma, o número de manifestações e de partidos contrários ao Acordo[3].

A vitória dos separatistas na região da Catalunha também indica um novo desafio no cenário jurídico da Espanha e da União Europeia, por se tratar de um processo no qual a soberania de um país membro se vê questionada por cidadãos que hoje pertencem à União Europeia e, portanto, possuem o direito de autodeterminação e legitimidade democrática, conforme reconhecido pelo próprio Tratado da União Europeia[4]. Não sendo apenas um paradoxo aplicado a esta região, mas que pode gerar jurisprudência para outras regiões separatistas da Europa, tais como o Vêneto, a Bretanha e o País Basco.

Perante essa tempestade, a Comissão Europeia reforça o chamado para a integração e maior compromisso dos países com o Projeto Europeu. Embora muitos dos governos estejam desgastados e com baixa popularidade, as eleições em alguns países até o final de ano (2015) e no próximo 2016 podem modificar o cenário político atual e dificultar ainda mais a união do grupo.

Outro fator importante para a coesão da União Europeia é o possível Referendum que o Reino Unido[5] deseja realizar até 2017, para consultar a população sobre sua permanência no grupo, pois, mesmo não sendo um país da Zona do Euro, representa, sem dúvida, um importante player a nível regional e internacional e pode gerar um precedente para a saída de países do Bloco europeu, algo que representará um risco para o discurso de integração regional.

Entre os desafios apresentados, alguns passam inadvertidos, tais como a situação da OTAN em relação a Rússia e a Síria e o papel que a União Europeia deve atuar nesse cenário. Há ainda a instabilidade no Norte da África e a situação de Israel com o reconhecimento da Palestina e os conflitos locais, que podem gerar um efeito dominó, caso este atrito se transforme em um esforço armado.

A Europa precisa enfrentar os desafios interno e externos e, dessa forma, se consolidar como player no cenário internacional, caso contrário, ela continuará sendo um mosaico formado por países assimétricos e com sérios problemas de integração que, pouco a pouco, perdem espaço no equilíbrio de poder e no cenário internacional. 

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/15/los-veintiocho-se-reunen-en-bruselas-para-afrontar-la-crisis-de-los-refugiados/

[2] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/12/los-ministros-de-exteriores-de-la-ue-piden-a-rusia-que-pare-los-ataques-en-siria/

[3] Ver:

http://economia.elpais.com/economia/2015/10/10/actualidad/1444503583_710400.html

[4] Ver:

http://europa.eu/eu-law/decision-making/treaties/index_es.htm

[5] Ver:

http://services.parliament.uk/bills/2015-16/europeanunionreferendum.html