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A expansão das Smartcities

O conceito de cidade inteligente (conhecido popularmente pela nomenclatura em inglês: Smart City) começou a se desenvolver nos anos 90, sendo hoje em dia uma poderosa ferramenta para o planejamento e execução das políticas e planos de desenvolvimento em diversas cidades, de diferentes dimensões, no mundo inteiro.

Embora não exista um modelo padrão de cidade inteligente, ou de projeto de smartcity, há um conjunto de questões inerentes ao desenvolvimento e gestão das dinâmicas e processos urbanos, dentro das especificidades de cada cidade, com a possibilidade de implementar projetos diferentes conforme a realidade local.

Sendo assim, um projeto implementado na Ásia dificilmente poderá ser reproduzido da mesma forma na América Latina, já que cada cidade possui suas próprias características e seu próprio modo de funcionar, o que configura a base do conceito de Smartcity, que é uma racionalização das dinâmicas intrínsecas dos espaços urbanos e a aplicação de tecnologia e processos para o bom funcionamento da cidade e aumento da qualidade de vida dos seus habitantes.

Certo é que existem cidades tais como Barcelona, Londres, Cingapura, Vancouver ou Dubai que servem como exemplo de cidades inteligentes, porém, é um erro acreditar que basta copiar os processos e as políticas aplicados nesses contextos urbanos para resolver os problemas locais, ou que os projetos de cidades inteligentes requerem grandes intervenções urbanas e investimentos tecnológicos.

Diversas questões impossibilitam que exista um modelo global para tanto. Fatores geográficos, sociais, culturais, políticos, econômicos e tecnológicos influenciam nas dinâmicas e dimensões de um espaço urbano, e mesmo dentro de um país, com um mesmo contexto jurídico e econômico, ainda restam fortes assimetrias entre as suas cidades.

Dessa forma, podemos dizer que não somente não existe um modelo de Smartcity, ou projeto global, como também não há uma meta ou conceito estático, pois a realidade dos espaços urbanos e aglomerações populacionais muda constantemente, gerando novas dinâmicas e novas demandas, fazendo com que o projeto de cidade inteligente seja um processo em contínua construção.

Certo é que existem dimensões que devem ser consideradas nos projetos de smartcities que são comuns a todos os projetos existentes no mundo, tais como a tecnologia, a sustentabilidade, as interações sociais e relações de poder, a produção, o consumo e os serviços. Sem embargo, a disposição e papel de cada uma dessas dimensões nas dinâmicas das cidades varia conforme a sua composição.

Dimensões das cidades inteligentes

Na última década houve uma proliferação de projetos de cidades inteligentes em todos países do mundo, embora alguns sejam apenas fruto da propaganda, ou discurso político, ou formas de nomear uma política de desenvolvimento público primária, onde, de fato, não existe a consolidação das dinâmicas urbanas e nem um projeto “inteligente”. No entanto, as tentativas de gerar Smartcities se transformou em uma tendência local e internacional, gerando um desgaste do termo.

Para que uma cidade possa implementar um projeto dessa natureza é necessário realizar um estudo criterioso dos fatores que compõem sua realidade e as interações inerentes dos atores que participam nos mesmos (dinâmica urbana), sendo a cidade o ponto focal para o planejamento eficiente.

Depois de conhecer as dinâmicas de uma dada localidade, as disposições dos atores e as forças endógenas e externas podemos de fato gerar um projeto eficiente e eficaz, levando em consideração as dimensões que fazem ou promovem a geração de inteligência.

Conceitos tais como Smart Governance (governança inteligente), Smart Health (Saúde inteligente), Smart Mobility (mobilidade inteligente), Smart Industry (Indústria inteligente), entre outros, somente são viáveis após profundo conhecimento da cidade e avaliação da mesma, havendo atualmente ferramentas capazes de avaliar essas dimensões, como as recolhidas no livro Intelligent City Evaluation System, de Zhiaqiang Wu, e até mesmo o índice coeficiente de inteligência da cidade.

Sendo assim, ocorre um uso inadequado do conceito de Smartcity, já que nem todos os projetos são de fato inteligentes (mesmo quando aplicada uma tecnologia de ponta), sendo mais uma forma de iludir os atores locais implementando algo que não irá produzir uma melhoria substancial, ou mudança em uma dinâmica urbana, mas apenas um gasto desnecessário e um ônus para a cidade. 

Embora isso não signifique que todos os projetos em andamento de Smartcity estejam fadados ao fracasso, ou que não possa haver uma conversão entre uma política de desenvolvimento local para um projeto de Cidade Inteligente, é necessário implicar a sociedade nesses processos, gerar impacto real no espaço urbano e em suas dinâmicas, sem centralizar os resultados ou concentrar os mesmos, caso contrário teremos polos de concentração tecnológica e desenvolvimento frente a regiões degradadas ou afetadas pela gentrificação* e segregação social. Ter um condomínio ou bairro Smart não necessariamente implica em uma cidade inteligente.

É fundamental que exista uma rede capaz de integrar os diferentes atores das diferentes dimensões presentes no contexto local e gerar de fato processos inteligentes para a cidade. Caso contrário, não podemos falar em projeto de smartcity.

Na atualidade, praticamente todas as capitais do Brasil possuem algum projeto ou iniciativa de Smartcity, assim como nos demais países da América Latina, ressaltando-se que o último continente a aderir a essa tendência foi à África, porém, a mesma já conta com diversos projetos, como o novo departamento urbano sendo construído no Cairo (Egito), o polo tecnológico de Nairóbi (Quênia), passando pelos projetos aplicados na Cidade do Cabo (África do Sul), dentre muitos outros.

Segundo informe da Smartcities World, o setor aumentou significativamente em países emergentes, embora muitos projetos estejam ainda longe de se concretizar como um espaço inteligente.

Cartilha publicada pelo BNDES, que recolhe boas práticas e projetos de Smartcity no Brasil

No Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançou uma cartilha para as cidades inteligentes, além de existirem diversos projetos nas diferentes esferas de poder com a implicação de atores privados, tais como a empresa IBM, além de outras.

O que marcará a diferença entre os projetos não será o capital aplicado, nem o excesso de tecnologia, mas, sim, o impacto real nos espaços urbanos e no dia a dia de seus habitantes, bem como a capacidade dos atores implicados de interpretar as dinâmicas de suas próprias cidades. Afinal, um processo só é smart quando gera soluções inteligentes para problemas reais da cidadania.

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Nota:

* Gentrificação é um processo de transformação de centros urbanos através da mudança dos grupos sociais ali existentes, onde sai a comunidade de baixa renda e entram moradores das camadas mais ricas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cingapura, referência mundial de Smartcity” (Fonte): https://www.theonlinecitizen.com/2019/10/03/imd-smart-cities-index-2019-singapore-tops-new-citizen-centric-global-smart-city-index/

Imagem 2Dimensões das cidades inteligentes” (FonteBy Universidad Deusto): https://blogs.deusto.es/master-informatica/wp-content/uploads/sites/22/2019/01/smart-cities-infrastructure-iot-wide.jpg

Imagem 3Cartilha publicada pelo BNDES, que recolhe boas práticas e projetos de Smartcity no Brasil” (Fonte): https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/imprensa/noticias/conteudo/bndes-lanca-cartilha-sobre-uso-da-internet-das-coisas-na-criacao-de-cidades-inteligentes

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BOLETIM EUROPA - 2019

O ano de 2019 chega ao seu fim marcado pela instabilidade política e tensões sociais em todo o planeta. Embora em termos de segurança e defesa este seja um ano de relativa paz, uma vez que são poucos os conflitos armados oficiais. Por outro lado, ocorreram diversas as manifestações e mudanças tanto no cenário político quanto econômico e social.

Em meio à anomia do sistema internacional, a União Europeia (UE) lutou por manter certa estabilidade, passando por um processo de introspecção e reformulação, na tentativa de promover as mudanças necessárias para a consolidação do bloco, que enfrenta problemas desde a cúpula de Bratislava em 2016, e sobrevive com as indefinições do Brexit, além do impacto das políticas americanas advindas da gestão Trump.

Entre as grandes economias que disputam o eixo de poder no planeta (Estados Unidos e China), a UE passou a segundo plano no que tange aos pleitos econômicos internacionais e questões globais, submersa em suas próprias dificuldades e na incapacidade de gerar um consenso entre os países que formam o bloco.

Os sinais de desaceleração da economia alemã (que logrou esquivar uma recessão) e o desgaste social causado pelas políticas de austeridade aplicadas em países afetados pela crise econômica de 2008 foram sem dúvidas os marcos que definiram o passo de 2019 no bloco.

Em relação ao cenário internacional o maior destaque do continente foi ocupar o vácuo de poder na agenda de desenvolvimento sustentável gerado pelo afastamento dos EUA e ausência do Brasil e demais países latinos, envolvidos na já chamada “primavera latina”. O que deu voz a ativistas tais como a jovem Greta Thungberg que desde seu discurso no parlamento Sueco em fevereiro, ganhou representatividade em todo o planeta, assim como diversas críticas. A celebração em dezembro da Cúpula Mundial para a Mudança Climática em Madrid,  por desistência do Brasil e posteriormente do Chile, consolidou o papel da Europa na denominada Agenda Verde Global.

O processo de cisão do Reino Unido, ou BREXIT, com o bloco foi o grande impasse enfrentado em 2019 pela União Europeia, cuja definição deve aguardar a 2020 sem definir ainda o impacto e os acordos derivados da separação.

Por outro lado, no panorama político interno do bloco, Portugal e Finlândia consolidaram as lideranças de esquerda e centro-esquerda em seus respectivos países, frente a um crescente movimento de direita que já começava a se consolidar em 2018. Na Espanha e na Bélgica a incapacidade de nomear um governo para liderar o país continua na lista de tarefas pendentes para o próximo ano.

A expansão da UE continua avançando em direção ao leste e sudeste do continente, embora as demoras em formar governo nas altas esferas do bloco paralisaram os processos de adesão de novos países.

A relação entre a UE e os Estados Unidos, e consequentemente com a OTAN, também foram afetadas pela inércia dos processos internos do continente e pela evolução da política externa americana, não sendo bem recebidas as ameaças feitas pela gestão Trump de aumentar as tarifas de importação em relação a diversos produtos europeus.

Assim mesmo, as relações com as nações latinas e com o Mercosul foram destaque apenas no que se refere a troca de ofensas em discursos presidenciais, não havendo grandes resultados nem movimentos econômicos dentro dos novos acordos assinados com a região.

O ano de 2019 foi para a Europa um ano de articulações majoritariamente internas, reflexo do próprio paradigma internacional e do desgaste da população. Também foi um ano de profunda avaliação, com o 30ª aniversário da Queda do Muro de Berlim, em um mundo cada vez mais polarizado, e abalado por tragédias tais como o incêndio da catedral de Notre Dame e a continuação da crise dos refugiados e imigrantes que buscam melhores condições no bloco.

No panorama social, greves na Espanha, França, Itália e outros países, são os reflexos de que os desafios enfrentados pela Europa vão além do alinhamento político e permeia o pensamento de milhões de europeus que participaram nas eleições parlamentares do bloco no começo do ano, mas sem muitas expectativas de mudanças apesar de tudo o que estava em jogo, devido aos sinais de que o projeto europeu precisa de uma rápida intervenção ou caso contrário cederá sobre seu próprio peso. Após as eleições, a Alemanha saiu fortalecida no bloco, o que não gerou grandes mudanças em relação as diretivas da UE.

O ano de 2020 representa um anseio de mudança na Europa e no mundo, alimentados pela campanha presidencial americana e pelo desejo de estabilidade política nos países da América Latina após um tenso ano de 2019. O processo de expansão e crescimento do bloco depende por um lado de estabilidade interna e por outro da consolidação de um cenário internacional mais propício às negociações, investimentos e comércio.

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BOLETIM EUROPA - AUMENTAM OS TEMORES DE UMA NOVA RECESSÃO NA EUROPA

“Após 10 anos da maior crise econômica enfrentada pela União Europeia desde a fundação do bloco , a sombra de uma nova recessão se faz cada vez mais forte”.

A União Europeia foi uma das regiões mais afetadas pela Crise Financeira Internacional que começou  nos Estados Unidos em 2008 e se alastrou por toda economia mundial.

Os países da região do Mediterrâneo foram os mais afetados, apresentando elevadas taxas de desemprego, fluxos migratórios para nações emergentes (entre elas o Brasil e China), países mais ricos e também a redução de praticamente todos índices de qualidade de vida.

Banco Central Europeu

Mesmo com os aportes do Banco Central Europeu, as políticas de austeridade derrubaram os governos e fomentaram o fortalecimento de discursos nacionalistas e contrários ao bloco nos diferentes vieses políticos.

A instabilidade política existente na Espanha e Itália, entre outros países, e sua incapacidade de formar governo são um dos reflexos dessa crise. Assim mesmo a elevada dívida pública dos países do bloco, continua sendo um empecilho para o crescimento da economia da região.

O Brexit por outro lado reforçou os discursos eurocéticos e enfraqueceu a confiança dos mercados estimulando críticas em relação as políticas econômicas do bloco e afetando o futuro de algumas nações como a Irlanda.

As tensões com a Rússia devido a adesão da Ucrânia ao bloco e as dificuldades em estabelecer um acordo com os Estados Unidos, além das questões migratórias em relação aos países do Oriente Médio e África, inviabilizaram o diálogo dentro da União e configuraram um cenário com diferentes posicionamentos e fragmentações.

A última notícia que alarmou aos especialistas foi a contração no primeiro trimestre de 2019 do PIB da Alemanha, principal agente econômico e financeiro da União Europeia. Porém não somente a evolução da economia germânica coloca o mercado em alerta, mas também uma série de fatores que demonstram um risco eminente de uma futura crise e que a mesma pode começar na Europa.

Um dos sinais mais utilizados pelo mercado é a redução da rentabilidade dos títulos do tesouro americano e britânico, cujas curvas de rentabilidade sofreram uma inversão somente vista antes da Grande Recessão.

No caso da dívida norte-americana, pela primeira vez desde 2007, o título de dez anos ofereceu um rendimento menor que o de dois anos, desde que o primeiro iniciou a sessão com um rendimento de 1,6540%, abaixo do 1,6630% do título devido em 2021. O investimento da curva de juros da dívida dos EUA é considerado um indicador avançado de recessão, uma vez que desde meados da década de 1950 cada uma das nove recessões registradas na maior economia do mundo foi precedido por esse fenômeno, embora algumas vezes esse investimento não tenha sido seguido por uma contração da atividade, como ocorreu em 1998 durante a crise na Rússia.

No caso britânico o medo do Brexit pode ser um dos fatores que levem o mercado a buscar investimentos mais seguros.

Porém não somente esses países apresentam mudanças na rentabilidade de seus títulos, Espanha e outros mercados europeus mostram a mesma tendência.

A Guerra Comercial Sino-Americana e a instabilidade política nas maiores economias latinas também pressionam os países europeus e o fluxo de seus investimentos e dividendos. A este efeito é necessário somar o impacto da balança comercial com uma redução das exportações devido a redução da demanda de produtos europeus como reflexo da desvalorização das moedas locais na China, Brasil, Argentina, etc.

A Organização Mundial de Comércio também informou sobre o enfraquecimento do comércio internacional, principalmente no transporte de mercadorias típicas da Europa, tais como produtos industrializados, componentes eletrônicos e cargas aéreas.

Diferentes processos demográficos eclodem na União Europeia, o envelhecimento da população, desemprego, a dificuldade de integração social, manutenção dos serviços sociais e processos migratórios internos e externos, dificultam ainda mais a conformidade dos países integrantes aos patamares que garantam a estabilidade econômica do bloco.

Bandeiras UE – Mercosul

A União Europeia é um importante agente financeiro no mercado internacional e precisa da circulação do capital para mover sua economia. O temor a uma recessão e as instabilidades em diferentes pontos do mundo, está produzindo a concentração deste capital e a sua imobilização.

Como forma de promover uma reativação econômica a União Europeia está incrementando sua atividade internacional e estabelecendo novos acordos econômicos tais como o do Mercosul, Angola, Vietnã, entre outros.

Uma recessão no continente europeu afetaria os fluxos de investimento estrangeiro direto, a demanda internacional, provocaria a repatriação de fluxos de capital e impactaria diretamente em países emergentes como o Brasil.

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Catalunha e o centro de equilíbrio da política na Espanha

As tensões entre a região da Catalunha e o governo central de Madri foram aumentando desde o início da Crise Financeira Internacional, que afetou o país desde 2008 a 2014, alimentando o nacionalismo existente na região desde o século XIX e que se intensificou no final do século XX, sob a crista do movimento plurinacional gerado pela consolidação do Bloco europeu.

A região tentou por diversas vezes promover uma cisão com o governo espanhol, realizando uma série de eleições e referendos que jamais foram reconhecidos pela Espanha e até mesmo declarou sua independência após votação no Parlamento da Catalunha, no dia 27 de outubro de 2017, sendo rapidamente interditada pelo Governo espanhol, que destituiu todos os membros do Governo local e decretou a prisão dos principais mentores do movimento separatista.

Presidente da Catalunha e Presidente da Espanha

A Catalunha foi diretamente controlada por Madri até a posse do atual presidente Pedro Sanchez (PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol), no dia 2 de junho de 2018, após a destituição do presidente eleito Mariano Rajoy (PP – Partido Popular), devido ao seu envolvimento em diversos escândalos políticos e suspeitas de corrupção.

A administração de Pedro Sanchez voltou a restituir o governo da Catalunha e propôs um canal de diálogo com a região. Embora o movimento tenha sido bem visto dentro da comunidade internacional, na Espanha gerou uma grande rejeição, pois a questão territorial tem sido o maior tema de discussão e polarização no país.

As negociações entre Catalunha e Espanha praticamente não avançaram, embora essa aproximação entre ambas administrações tenha gerado um crescimento dos partidos de extrema direita que defendem a unidade territorial e atacam o atual partido na Presidência.

Segundo o Centro de Investigaciones Sociologicas (CIS), os resultados das eleições em Andaluzia refletem esse aumento do apoio da população a novas forças políticas de extrema direita; efeito este que não foi negligenciado pelo antigo partido da Presidência, o PP, que propôs uma aliança com o partido de extrema direita VOX para “Varrer aos socialistas do mapa”, conforme palavras do próprio porta-voz do partido.

Líderes de extrema direita da Europa

A relação do governo central com a região da Catalunha, antes centralizada no aspecto econômico e nas reivindicações locais, agora se concentra no ambiente político e dita, por sua vez, a situação de todo o país e também da delicada posição do governo espanhol, que, por um lado, deve enfrentar a questão nacionalista e, por outro lado, deve encarar o discurso eurocético e ultranacionalista, contrários aos interesses da própria União Europeia.  Dessa forma, gerou-se uma espécie de simbioses entre ambas as forças políticas opostas, porém dependentes, que levam aos nacionalistas catalães a apelar aos seus eleitores para o apoio do próprio Presidente da Espanha.

As tensões políticas e o avanço do discurso eurocético e conservador não são uma exclusividade da Espanha, dentro do Bloco europeu existem novos movimentos políticos que se contrapõe não somente aos interesses da União Europeia como de suas próprias origens, sendo curioso como, neste caso, a região geradora das principais tensões políticas locais se transformou em um importante ponto de equilíbrio para a própria Espanha.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cisão entre Espanha e Catalunha” (Fonte): https://www.desarrollando-ideas.com/wp-content/uploads/sites/5/2017/10/iStock-659592784-1038×576.jpg

Imagem 2 Presidente da Catalunha e Presidente da Espanha” (Fonte): https://okdiario.com/img/2018/07/09/pedro-sanchez-quim-torra–655×368.jpg

Imagem 3 Líderes de extrema direita da Europa” (Fonte): https://edusocialsoul.files.wordpress.com/2018/10/ultraderechalideres.png?w=736

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Eleições em Andaluzia e o avanço da extrema direita na Espanha

A Espanha era a última das grandes democracias da União Europeia onde não havia um partido representante do crescente discurso de extrema direita, presente em países como França, Itália, Áustria, Hungria, Polônia, entre outros, que está modificando o cenário político do Bloco e questionando a existência do mesmo.

Essa situação mudou após os resultados das eleições em Andaluzia, onde o partido Vox elegeu pela primeira vez a 12 deputados autonômicos e acendeu um alerta em toda a nação Ibérica. Embora ainda distante de ganhar as eleições (o Partido ficou em quinto lugar), o fato de que o mesmo tenha conseguido representação na maior região da Espanha é visto como um sinal do avanço da extrema direita na Europa.

O VOX foi criado em 2013 como resultado da crise financeira, política e social que enfrentava a Espanha e das tensões territoriais com a Catalunha e Gibraltar. Desde então, se considera um partido nacionalista, conservador, anti-imigração e eurocético; seu lema é “fazer a Espanha grande de novo”; e seu discurso está alinhado ao de líderes famosos, tais como: Salvini (da Itália), Strache (da Áustria), ou Marine Le Pen (da França). Ressalte-se que sua defesa da Monarquia é uma das poucas discrepâncias existentes.

Resultados eleições Andaluzia

Apesar do crescimento do Partido nas eleições autonômicas, este ainda é uma força política minoritária, isto se deve à própria composição política da Espanha, onde historicamente houve uma grande concentração em duas grandes agremiações partidárias (PP – Partido Popular, de direita, e PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol, de esquerda) e somente após a Crise Financeira houve um florescimento de novos partidos, sendo os casos mais relevantes o Podemos, à esquerda, e o Ciudadanos, de direita.

Por outro lado, embora a Andaluzia seja a maior região da Espanha em termos de território e população, a mesma possui pouco peso político e econômico para o país (em detrimento de outras regiões, tais como Catalunha, Madrid ou País Vasco) e também é a mais exposta aos processos de migração, devido a sua proximidade do continente africano, além de ser uma das regiões mais afetadas pelo desemprego, o que gerou as condições perfeitas para o enraizamento do discurso populista do VOX.

Imigrantes chegando em pleno dia de Praia nas costas da Andaluzia

Embora os partidos de extrema direita avancem pela União Europeia e tenham convergências em grande parte de seu discurso, principalmente no que tange a migração, políticas sociais e nacionalismo, é necessário observar que em cada nação e região existe uma adaptação desse discurso a um tema de relevância atual. Em Andaluzia, o discurso contra imigrantes foi utilizado devido às centenas de barcos que chegam diariamente nas costas da região; já na Catalunha os expoentes da extrema direita usam o nacionalismo espanhol como forma de contrabalançar o movimento nacionalista catalão; em outras regiões o discurso anti-islã ganha força devido a um histórico de atentados.

Discursos incendiários, seja de um lado ou do outro, parecem avançar pelo mundo, o único posicionamento que parece permanecer estático ou até mesmo regredir é o do discurso da humanidade, que em lugar de enfrentar em conjunto seus problemas e desafios, continua buscando víboras para culpar pela perda do sonhado paraíso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestação de Extrema direita na Espanha” (Fonte): https://www.lainformacion.com/files/article_main/uploads/2017/09/04/59ad07eb5ca80.jpeg

Imagem 2Resultados eleições Andaluzia” (Fonte): https://diariodeavisos.elespanol.com/wp-content/uploads/2018/12/elecciones-andalucia-resultados-2018.jpg

Imagem 3Imigrantes chegando em pleno dia de Praia nas costas da Andaluzia” (Fonte): https://www.europasur.es/2018/07/28/provincia/patera-llega-playa-Zahora_1267693222_87484349_640x480.jpg