ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

O Papel da Tecnologia nas Smartcities

Os projetos de Smarcities (Cidades Inteligentes) têm como seu principal objetivo estimular a criação de um ambiente inteligente no qual as dinâmicas e processos intrínsecos do espaço urbano são raciocinados e direcionados para promover o desenvolvimento sustentável da cidade e de sua população. 

Segmentos Smartcity

A tecnologia é sem dúvidas um dos principais vetores no desenvolvimento deste tipo de projeto, atuando como integradora das diversas dimensões que abrangem este processo, possibilitando a inovação e também a geração, integração ou modificação de novas dinâmicas dentro das cidades.

Mas existem desafios importantes no uso da tecnologia em projetos de Smartcity. O principal é a falta de integração dos próprios atores implicados. De nada serve instalar um processo informático de controle dos estoques de materiais para obras públicas se não existir uma rede interligada capaz de harmonizar essas informações e transformar a mesma em um processo lógico ou comando; da mesma forma, não é eficiente um sistema de controle de ocorrências na rede elétrica que não esteja interligado às diferentes prestadoras de serviço. Dispor de uma tecnologia não necessariamente significa gerar um processo inteligente. Essa realidade é perceptível em diversas cidades do Brasil.

A tecnologia oferece a possibilidade de reduzir as assimetrias típicas das cidades brasileiras. A criação de um ambiente digital oferece uma homogeneidade que permite visualizar a cidade como um grande ente formado por diferentes dinâmicas, sejam estas sociais, políticas, econômica ou produtivas.

Ao contemplar a cidade como um espaço inteligente, as intervenções passam a ser interligadas e não apenas projetos isolados, gerando um efeito em cadeia. Mas, para isso, é necessário uma correta implementação e o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis.

Outro aspecto relevante da tecnologia é o seu potencial inovador e sua capacidade de estimular e gerar novos projetos. Para as cidades inteligentes, ela é a principal ferramenta para a evolução do processo, havendo diferentes tipos que podem ser implementados conforme as próprias características dos polos urbanos. Entre as principais podemos destacar:

– Tecnologia da informação, usada para integrar os diferentes atores que compõem o espaço urbano e redesenhar processos existentes, buscando um maior resultado e maior eficiência. Mediante a tecnologia da informação é possível digitalizar o espaço urbano e fazer uso de novas ferramentas, tais como a Internet das coisas, o e-government, o e-health etc.

– Tecnologia da produção, usada para aumentar a competitividade do sistema produtivo de uma cidade ou região, permitindo o desenvolvimento de uma economia cíclica, estimulando o setor criativo e inserindo novas técnicas produtivas tais como a robótica.

– Tecnologia verde, usada com o objetivo de melhorar a relação das pessoas com o meio ambiente e a sustentabilidade, promovendo o uso mais eficiente dos recursos além da correta preservação ambiental necessária para garantir o futuro das próximas gerações.

– Inovação, não se trata de uma tecnologia determinada, mas sim, da capacidade de transformação e melhoria contínua dos processos que existem ou que venham a existir em uma região urbana.

Cada tecnologia possuí serviços e ferramentas disponíveis de forma desigual, não sendo todas aplicáveis a todas as cidades, embora exista uma série de setores nos quais se fundamentam as Smartcities, que são:

– Open Data

– Mobilidade

– Plataforma participativa e E-government

– Smart grids

– Coleta Seletiva

– Serviços inteligentes

– Conectividade

– Educação

– AgroSmart

Cada projeto de Smartcity é único, pois cada cidade  possui características próprias e mesmo que existam polos urbanos semelhantes, e que compartem desafios parecidos, não há um guia padrão que explique como deve ser realizado o uso da tecnologia e sua aplicação, além do mais, é necessário levar em consideração que todas as cidades são passíveis de se transformar em polos inteligentes dentro de suas próprias características, mas nem todas possuem capacidade financeira ou estrutural para seguir um roteiro pré-estabelecido pelas grandes metrópoles.

Ao redor do mundo existem exemplos de diferentes cidades inteligentes que aplicaram a tecnologia conforme suas próprias características. A cidade de Madrid, por exemplo, utiliza uma rede integrada de transporte que permite uma melhor ocupação e distribuição da população na cidade; por outro lado, a pequena cidade francesa de Dijon criou um espaço urbano integrado gerenciado pela Prefeitura onde o cidadão tem acesso a todos os serviços públicos desde uma plataforma digital.

Centro de Operações do Rio de Janeiro

No Brasil já existe um número considerável de projetos de Smartcity, as capitais estaduais e capitais regionais lideram esses projetos, embora cada uma esteja em uma etapa diferente. No Rio de janeiro, o Centro de Operações atua como uma plataforma integrada dos serviços de emergência pública; já em Florianópolis o setor criativo é estimulado graças ao estabelecimento de parques tecnológicos e centros de pesquisa.

Existem redes formadas por essas cidades com o objetivo de fomentar o intercâmbio de conhecimento e experiências, sendo crescente o interesse tanto na área pública quanto na privada. Neste aspecto, a tecnologia se transforma em um ponto fundamental ao reduzir as distâncias e ao permitir uma maior interação entre os diferentes atores.

É certo que o país ainda apresenta deficiências na infraestrutura que podem afetar a evolução de alguns projetos de Smartcity, mas, por outro lado, essas cidades podem atuar como polos indutores e transformadores da região, além de atrair um novo fluxo de investimentos e uma distribuição mais equitativa no país.

A integração tecnológica pode ser realizada em diferentes níveis e, aos poucos, gerar os processos necessários para a implementação de um projeto de Cidade Inteligente. No entanto, a mesma deve estar aliada a uma série de intervenções que permitam essa integração, tais como infraestrutura mínima, educação, participação pública e privada. Mas, sem dúvida, uma vez instalada esta passa a atuar como uma pedra fundamental no futuro da cidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

http://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 2 Segmentos Smartcity” (Fonte):

https://us.123rf.com/450wm/monicaodo/monicaodo1602/monicaodo160200011/52445942-conceito-de-cidade-inteligente-com-diferente-%EF%BF%BDcone-e-elementos.-design-de-cidade-moderna,-com-tecnolog.jpg?ver=6

Imagem 3 Centro de Operações do Rio de Janeiro” (Fonte):

http://www.simi.org.br/files/news/image/305/centro_de_operacoes_do_rio_de_janeiro.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

Das SmartCities a cidades globais no declínio dos atores internacionais

Milão, Paris, Xangai, Nova York, Hong Kong, Londres, Barcelona, Frankfurt, São Paulo, Zurique são cidades que dispensam apresentações, mesmo que algumas não sejam nem se quer a capital de seus respectivos países. Porém, são cidades cuja influência econômica, cultural, tecnológica e financeira transpassam os limites do território nacional e se projetam pelo globo como entidades com personalidades e dinâmicas próprias.

Algumas dessas cidades respondem por grande parte da economia de suas regiões ou até mesmo do país e podem chegar a concorrer com nações vizinhas em relação a sua influência internacional e ao PIB. Por esse motivo são conhecidas como cidades globais. São centros neurológicos que crescem de forma paralela ou até mesmo diferente do resto da nação.

Componentes de um projeto de Smartcity

O surgimento da cidade como ator internacional permitiu uma contínua expansão da influência da mesma no panorama global, levando ao constante desenvolvimento da Paradiplomacia.

Mas a expansão das grandes cidades, seja ela de forma interna desde o período pós-guerra, como externa, pelo efeito da globalização, gerou uma série de desafios que vão desde a ocupação do espaço urbano à mobilidade das pessoas até à distribuição das atividades e dinâmicas econômicas intrínsecas de cada local.

Neste contexto de grandes transformações surgem as chamadas “Cidades Inteligentes” ou, em inglês, SmartCities, centro urbanos cujas distintas dinâmicas são racionalizadas, repensadas e redesenhadas com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável das mesmas, a integração dos diferentes atores e setores que formam a vida social, econômica e cultural, assim como a correta ocupação do espaço urbano e proteção ao meio ambiente.

Embora seja importante ressaltar que não somente as cidades globais são a únicas passíveis de aplicar projetos inteligentes – havendo já pequenos e médios municípios com projetos em operação –, sem dúvidas elas foram as pioneiras do processo e atuam como indutoras dessas mudanças.

Atualmente, existem diferentes rankings que tratam de classificar as cidades inteligentes ao redor do planeta, assim como diversos projetos governamentais que buscam estimular o setor, porém ainda são muitas as dúvidas que suscitam o tema, pois nem todo projeto urbanístico pode ser considerado um processo inteligente e dinâmico, já que este deve ser benéfico não somente para um setor ou dimensão da cidade, mas para sua dinâmica como um todo. De modo que, para entender melhor, é preciso definir em poucas linhas o que é uma cidade inteligente.

Uma Smartcity é um espaço urbano (independentemente do tamanho) onde se aplica um processo de racionalização das dinâmicas inerentes dessa área, promovendo a geração de um espaço inteligente, onde os diferentes elementos que formam a cidade (cidadãos, governo, empresas, serviços, meio ambiente etc.) são integrados mediante a racionalização do próprio espaço, fazendo uso de novas tecnológicas e inovando processos já existentes ou criando novos.

SmartCity Expo World Congress, evento realizado em Barcelona, a cidade é considerada a maior Smartcity da Europa

A cidade passa atuar como um organismo onde cada elemento possui uma importância fundamental para o bom funcionamento geral e onde cada dinâmica – seja esta social, econômica ou produtiva – tem sua importância e gera conhecimento. Este “conhecimento” é a essência das SmartCities, é a inteligência que move todo o ciclo, transformando o projeto em algo duradouro. Independentemente da visão ideológica de uma determinada política, a cidade passa a ter seu próprio caráter e seu próprio projeto. 

Existe uma série de componentes presentes nos projetos de Smartcity, entre eles podemos destacar a utilização das telecomunicações e tecnologia da informação, geração e distribuição inteligente de energia, automatização e inovação de processos produtivos, modernização de serviços públicos, integração de setores econômicos, cuidado do meio ambiente e integração social e cidadã.

A cada ano que passa o tema Smartcity ganha importância no cenário acadêmico, econômico e político, muitos são os projetos que se desenvolvem ao longo do globo, porém também são muitos os equívocos. Existem cidades que ainda estão implementando projetos de infraestrutura básica que podem ser considerados apenas como um embrião de uma Smartcity; outras geram espaços isolados (condomínios) que, salvo raras exceções, são incapazes de impactar em toda a dinâmica da cidade. Ainda assim, cada projeto que surge, gera um conhecimento que pode ser transferido, emulado ou adaptado para uma cidade diferente, por isso, todo ano, em Barcelona, durante as últimas semanas de novembro, se organizada o Smartcity Expo World Congress, considerada a maior feira do setor e ponto de encontro para empresas, autoridades, organizações e sociedade civil para discutir o futuro das cidades e sua atuação no mundo.

Com a crescente instabilidade política internacional, decorrentes de mudanças importantes, tais como o isolacionismo proferido pelo atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumento de tensões na Ásia, instabilidade no Oriente Médio e Norte da África, mudanças políticas e instabilidade no processo de integração da União Europeia, novas diretrizes de desenvolvimento da China etc., a ação dos Estados se concentra principalmente na manutenção de sua estrutura e na proteção de seus interesses, dificultando as negociações internacionais.

Mapa cidades globais mundo

E, mesmo quando existem tais negociações (como, por exemplo, o avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia), a própria composição dos Blocos negociantes dificulta sua concretização e morosidade, tomando conta do processo. Já por outro lado, as negociações e projetos realizados através da cooperação internacional promovidos pela paradiplomacia e aplicados pelas cidades inteligentes são capazes de gerar respostas à realidade dos cidadãos, gerando movimentos internos que acabam por influenciar a própria formulação política de um país. Neste sentido, a mudança dessa forma de atuar vem de baixo para cima e alguns países já conseguem vislumbrar as potencialidades que se ocultam nessas negociações.

A Cidades Inteligentes, lideradas pelas cidades globais e cidades Alphas, estão ganhando maior protagonismo devido a esse declínio dos atores internacionais, sejam os Estados ou as Organizações internacionais – hoje sendo questionadas e algumas como a Unesco e o Tribunal Internacional já com baixas – e também graças às ações das próprias multinacionais que buscam manter suas atividades se movimentando de forma mais rápida que a capacidade de resposta dos próprios Governos.

As SmartCities geram dinâmicas inteligentes que oferecem um entorno mais sustentável tanto para seus cidadãos como para instituições e organizações, gerando uma espécie de porto seguro em um mundo onde é cada vez mais difícil desenvolver uma estratégia global sem ser afetado pelas constantes mudanças geopolíticas. Algumas cidades, tais como Cingapura, Amsterdam, Toronto, entre outras, lideram a atração de investimentos e mobilização de capital para inovação e desenvolvimento, justamente por oferecer um entorno equilibrado para as empresas.

Talvez as palavras “entorno equilibrado” sejam as mais adequadas para quantificar ou avaliar um processo de Smartcity na conjuntura atual. Uma Smartcity não necessariamente deve ser como as cidades Alfas da Europa ou polos de inovação da Ásia, mas, sim, deve oferecer, dentro de suas singularidades, um entorno equilibrado onde se concentram fatores que façam dessa localidade um polo sustentável, competitivo e criativo, em outras palavras, um polo inteligente, mesmo que este seja um grande centro financeiro ou um grande produtor agrícola.

É neste contexto onde o cenário internacional e a própria globalização são questionados que as cidades inteligentes representam uma nova dimensão, muito mais próxima das pessoas e de seus interesses, sem gerar os atritos das pressões geopolíticas. E, neste mês de novembro, o CEIRI NEWSPAPER fará uma série de reportagens sobre o assunto, abordando cada um dos setores: mobilidade, tecnologia da informação, inovação e indústria 4.0, integração de serviços etc.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Previsão de participação na economia das maiores áreas urbanas. Em bilhões de dólares” (Fonte):

http://infographic.statista.com/normal/chartoftheday_3886_the_cities_contributing_most_to_global_gdp_n.jpg

Imagem 2Componentes de um projeto de Smartcity” (Fonte):

http://cdn.ttgtmedia.com/rms/onlineImages/iota-smart_city_components_desktop.jpg

Imagem 3SmartCity Expo World Congress, evento realizado em Barcelona, a cidade é considerada a maior Smartcity da Europa” (Fonte):

https://www.electronicsmedia.info/wp-content/uploads/2017/04/Smart-city-expo-world-congress.png

Imagem 4Mapa cidades globais mundo” (Fonte):

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/mapa-das-cidades-globais.jpg 

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

BREAKING NEWS - Parlamento da Catalunha declara independência

Hoje, dia 27 de outubro de 2017, às 12h no horário de Brasília, o Parlamento da Região Autônoma da Catalunha, após intensa sessão e uma votação seguida por milhares de pessoas reunidas na Praça de Sant Jaume, declarou a Independência da Catalunha.

Simultaneamente, o Senado Espanhol discutia as medidas do Artigo 155 que confere ao poder central a capacidade de destituir ao Governo autônomo. Diante da declaração de independência, o Senado aprovou a ativação do Artigo 155 e o Governo central convocou um Conselho Extraordinário de Ministros esta tarde para aplicar de forma imediata o Artigo e restabelecer a ordem constitucional espanhola.

A declaração unilateral de independência dá início ao episódio mais tenso da história da democracia e coloca o país no centro das preocupações da União Europeia. De momento, o Governo espanhol está agindo com maior cautela e dentro do estipulado pela Constituição da Espanha, já o Governo da Catalunha sabe que precisa se articular rapidamente na busca de reconhecimento internacional e consolidação de sua soberania recém declarada.

O Governo central de Madrid pode fazer uso da força para tentar recuperar o controle da região, embora a euforia da população local possa ser um fator que dificulte medida dessa natureza ou que gere manifestações por todo o país. O diálogo apontado pela União Europeia como a única forma de resolver o problema parece ser uma solução cada vez mais difícil.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestantes catalães dando adeus à Espanha” (Fonte):

http://dukepoliticalreview.org/wp-content/uploads/2015/10/article-photo.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Artigo 155, a resposta da Espanha ao Movimento Separatista da Catalunha

No sábado, dia 21 de outubro, após uma reunião com o Conselho de Ministros, o Presidente da Espanha, Mariano Rajoy, aprovou a ativação do Artigo 155 da Constituição espanhola.

O Artigo 155 confere ao Governo central plenos poderes sobre a região, suspendendo temporariamente a autonomia da Catalunha e as competências do governo local. A medida foi tomada após a resposta evasiva do Presidente da região, Carles Puigdemont, quando questionado sobre a declaração de independência realizada no Parlamento da Catalunha e rapidamente revogada após a suspensão da lei catalã de cisão territorial.

Imagem do Artigo 155 coberto com a Bandeira da Espanha

Uma vez que seja ativado o Artigo, a Espanha passa a ter total controle sobre as estruturas de Governo da Catalunha, as forças de segurança, canais de televisão e finanças. O Objetivo do Presidente de Espanha é convocar novas eleições, afastando a atual administração catalã e punindo os separatistas sob a acusação de traição e desobediência, além de controlar o Parlamento da Catalunha.

Esta é a primeira vez que o Artigo 155 da Constituição espanhola é ativado, motivo pelo qual não existem precedentes na literatura jurídica do país e não há uma definição muito clara de como deve funcionar a interdição, embora se saiba que para a sua plena aplicação seja necessária a aprovação do Senado espanhol, que deve ser reunir esta semana para analisar o pedido de Mariano Rajoy e posteriormente notificar o Governo catalão. Desse modo, até o momento, os governantes da Catalunha não foram destituídos nem mesmo notificados de forma oficial em relação a ativação do Artigo 155.

Caso o pedido seja aprovado pelo Senado espanhol, Carles Puigdemont poderá ser convocado para dar explicações e somente após uma notificação oficial ao governo da Catalunha existirá de fato uma transposição de poderes com a substituição dos membros da equipe do atual Presidente da região.

A ativação do Artigo 155 não significa a interrupção das atividades administrativas governamentais catalãs, tais como saúde, educação, segurança etc., mas sim a substituição dos cargos políticos que formam a equipe da gestão atual, sendo uma prioridade a continuidade institucional controlada desde o Governo central.

A Catalunha por outro lado, uma vez comunicada, deverá realizar a transposição das suas competências para Madri, porém também existe a possibilidade de convocar novas eleições (e dessa forma impossibilitar a ativação do Artigo) ou, em caso extremo, declarar a independência por vias de fato.

Apesar das tensões, a União Europeia não participa ainda de forma ativa na questão, mas apoia o uso do marco constitucional espanhol como base para a discussão entre ambas regiões.

O fato é que as tensões entre a Catalunha e a Espanha devem se intensificar ao longo desta semana e ambas regiões devem esgotar todas as vias jurídicas antes de uma real definição da questão separatista.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente Mariano Rajoy solicita ativação do Artigo 155” (Fonte):

https://www.ecestaticos.com/imagestatic/clipping/522/232/522232c77fe0e4dbacfd471c7f0de0e2/que-es-el-articulo-155-de-un-govern-en-manos-del-delegado-del-gobierno-a-comicios.jpg?mtime=1506286102

Imagem 2 Imagem do Artigo 155 coberto com a Bandeira da Espanha” (Fonte):

http://images.eldiario.es/politica/Gobierno-estudiara-colegiado-decisiones-Govern_EDIIMA20171021_0396_4.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Catalunha e o preço da separação

Uma semana após o Referendum realizado pelo Governo da Catalunha, que foi proibido pelo Governo espanhol, a situação da região continua sendo foco de tensões. A União Europeia apoia a Espanha, mas ao mesmo tempo estabelece como único caminho o diálogo e a não intervenção do Bloco, já as Nações Unidas solicitam um estudo humanitário sobre a ação das forças nacionais da Espanha no dia da votação.

Presidente da Generalitat da Catalunha – Carles Puigdemont em discurso ao vivo

O Rei Felipe VI ressaltou em pronunciamento a Constituição espanhola e a divisão do povo catalão, mantendo o mesmo discurso do presidente Mariano Rajoy. Como resposta, o Presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, publicou nova declaração onde reiterava sua disposição para o diálogo com a Espanha, mas sem ignorar o desejo expresso de grande parte dos catalães, e também mencionou a mediação internacional como forma de solução.

Embora a Suíça tenha se oferecido para mediar a situação, a Espanha rejeitou a oferta por considerar que a Catalunha não é um ator de pleno direito, de modo que a discussão deve ser amparada na Constituição espanhola.

O Presidente da Generalitat de Catalunha iria discursar nesta segunda-feira no Parlamento catalão, mas a sessão foi proibida por ordem do Tribunal Constitucional da Espanha, pois havia uma grande possibilidade de que a Catalunha realizasse a chamada DUI (Declaração Unilateral de Independência). Uma nova sessão está marcada para amanhã, terça-feira, dia 10 de outubro, e segundo informações do Palácio de Saint Jaume (sede do Governo Catalão), o Presidente irá apresentar os resultados finais do Referendum e possivelmente irá declarar a independência.

As tensões entre a Espanha e a Catalunha também repercutiram na economia de ambas as regiões. O índice da Bolsa de Madrid teve uma queda histórica; já na Catalunha muitas multinacionais da região decidiram mudar sua sede para outras províncias da Espanha. Empresas como o Banc de Sabadell (5º maior da Espanha), a empresa Gás Natural (que também atua no Brasil), a Klockner (empresa distribuidora de material clínico) são alguns exemplos. Outras empresas ainda não decidiram, mas estão em pleno debate com os acionistas, tais como o CaixaBank (3º maior Banco), a Catalana Ocidente (Seguradora) e a Freixenet (Vinícola da região reconhecida no mundo inteiro). A Espanha criou uma lei para facilitar essa movimentação de empresas e dessa forma debilitar a Catalunha.

O Governo espanhol e economistas de diferentes países alertam para uma contração de 30% da economia catalã caso haja uma Declaração Unilateral de Independência. O Governo da Catalunha não fala em porcentagens, mas apenas em prazos de impacto e de recuperação a médio prazo. Por outro lado, grande parte da população continua apoiando os governantes e o Referendum, e ao longo de toda a semana passada houve manifestações por toda a Catalunha, mas também houve manifestações da parcela que é contrária a separação. Diversos ônibus vindos de todas as partes da Espanha se somaram aos manifestantes neste último domingo.

Sede Banco Sabadell em Barcelona

Uma grande greve organizada no dia 2 de outubro paralisou 80% de todos os serviços e empresas da região e muitos movimentos sociais estão estudando a possibilidade de uma nova greve geral –  estima-se que cada dia de greve gere um déficit de 750 milhões de euros na economia catalã – embora a adesão social nas mesmas seja superior a 80%.

Ressalte-se que todas as nações que passaram por um processo de separação no século XX e XXI sofreram um impacto econômico nos primeiros anos, sendo esta uma etapa crucial na consolidação de um Estado com pretensões soberanas, e, caso este tenha negligenciado essas bases econômicas, ou mensurado de forma equivocada o processo separatista, o país pode afundar antes mesmo de sair do papel.

A grande pergunta que todos os políticos, analistas e cidadãos se fazem é se a Catalunha quantificou bem esse fator, pois, da mesma forma que conseguiram ocultar as urnas, os governantes catalães estão conseguindo nublar o próprio processo, bem como os seguintes passos que serão tomados. Amanhã ou ao longo dessa semana uma questão de mais de 300 anos pode chegar ao seu ápice, através da declaração de independência e começo da constituição de uma Republica Catalã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Greve Geral paralisa Barcelona” (Fonte):

https://www.canarias7.es/documents/1/0/768×512/0c40/768d432/none/11314/MUPY/image_content_2384515_20171003133030.jpg

Imagem 2 Presidente da Generalitat da Catalunha Carles Puigdemont em discurso ao vivo” (Fonte):

https://www.ecestaticos.com/image/clipping/654/115c41bdc7e0920485d3251438303f02/carles-puigdemont-durante-su-discurso-institucional-tv3.jpg

Imagem 3 Sede Banco Sabadell em Barcelona” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/La_sede_del_Banc_Sabadell.JPG/768px-La_sede_del_Banc_Sabadell.JPG

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

ESPECIAL - Choque entre Catalunha e Espanha: o início de uma possível secessão

Após uma semana de tensões entre o Governo da Espanha e o da Catalunha, a região separatista manteve o Referendum programado para o dia 1o de outubro sob o cerco das forças nacionais espanholas.

Idosa sendo levada pela polícia espanhola

O Governo central de Madrid proibiu a consulta popular por considerar a mesma inconstitucional e mobilizou grande parte do contingente espanhol para a região da Catalunha. Dois de cada três policiais espanhóis estavam na região nos últimos dias, com o objetivo de evitar a votação e cumprir com as determinações de Madrid e do Tribunal Constitucional.  

Ainda que tenha ocorrido a requisição de urnas, cartazes e cédulas, o Governo da Catalunha decidiu manter a votação, e uma comissão de deputados da União Europeia, além de um observador de Israel, acompanharam todo o processo.

O dia da votação ficou marcado na história da Espanha como o episódio mais violento desde a instauração da democracia. Mais de 800 pessoas foram feridas em sua tentativa de votar nos colégios eleitorais estabelecidos pelos governantes da Catalunha que foram bloqueados pelo Governo espanhol.

A legalidade, tanto das ações catalãs quanto as de Madrid, são outro ponto de inflexão, já que o presidente espanhol Mariano Rajoy atuou sem ativar o artigo 155 no Congresso dos Deputados, sendo acusado de atuar sem o consenso parlamentar. Já o Governo da Catalunha é acusado de desobediência.

Imagens de anciãs e crianças sendo removidas a força por policiais espanhóis chocaram o mundo e trouxeram à tona a situação da democracia na Europa, ganhando uma maior relevância na comunidade internacional.

Cartaz com a frase: ‘Votar é Democracia’

Segundo a legislação europeia, o direito à liberdade de expressão, o direito ao voto e o direito de decisão são fundamentais para o funcionamento do Bloco, e mesmo que as principais potências já tenham demonstrado apoio ao Governo central de Madri, a atuação das forças de segurança obrigou a União Europeia a repensar a situação.

Apesar do fechamento de algumas escolas, mais de 2,2 milhões de pessoas votaram, uma participação superior a 44% que segundo o governo da Catalunha poderia ter sido maior, caso não houvesse a intervenção da Espanha. Estima-se que 700 mil votos não foram contabilizados devido a requisição das urnas.

O resultado foi que 89% dos eleitores votaram a favor da separação da Catalunha e a fundação de uma nova república, embora o processo deva se dilatar e ainda dependa de uma série de fatores.

O Governo catalão já declarou no passado a República da Catalunha, mas nunca chegou a concretizar o processo. Agora, com o apoio de grande parte da sociedade e a atenção da União Europeia, o nacionalismo catalão talvez tenha iniciado um processo de secessão para o qual as próximas quarenta e oito horas são vitais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Cartaz em Manifestação: ‘Democracia  Dignidade – Direitos’” (Fonte):

http://g8fip1kplyr33r3krz5b97d1.wpengine.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2017/05/GettyImages-634001272-1160×773.jpg

Imagem 2 “Anciã sendo levada pela polícia espanhola” (Fonte – Foto de David Ramos):

http://www.infobae.com/new-resizer/dGHuMwVG2ZrBc7nAOFgTjHaQj00=/600×0/s3.amazonaws.com/arc-wordpress-client-uploads/infobae-wp/wp-content/uploads/2017/10/01114910/anciana-represion-referendum-cataluna-1920.jpg?token=bar

Imagem 3 “Cartaz com a frase: ‘Votar é Democracia” (Fonte):

https://cdnmundo2.img.sputniknews.com/images/107277/79/1072777901.jpg